Lynne Graham
Adaptação.
Personagens pertencentes a Lynne Grahame e Stephenie Meyer
Historia pertence a Lynne Graham.
AMANTE E ESPOSA
Capítulo 5
ALGUÉM terá que pagar por isso». Com essa ameaça lhe retumbando nos ouvidos, Bella esperou pacientemente no assento traseiro da limusine durante o caminho para o hospital. Masen era responsabilidade dela e ela o tinha deixado aos cuidados de Kate. Cada vez que o imaginava sozinho em metade da rua sem o amparo de um adulto algo lhe dilacerava por dentro. Seu adorado filho poderia ter morrido atropelado por culpa de seu mau julgamento. Mas como poderia ter imaginado que sua irmã seria capaz de mentir desse modo? Como ia suspeitar que Kate pudesse ser tão irresponsável? O certo era que não podia culpar Edward da ferocidade com que tinha reagido ao inteirar-se.
— Por que não procurou alguém que cuidasse dele como é devido? - perguntou-lhe de repente com extrema frieza.
Com a ânsia de chegar junto a seu filho e mitigar todos os seus temores, Bella custava enormemente pensar com claridade.
- Jogue a culpa em Tanya Denali e a sua confissão...
- Não, jogo a culpa em você. - replicou Edward cravando-lhe um olhar como uma adaga.
- Sue, a babá de Masen, só trabalha para mim meio período. - disse apertando as mãos fortemente. - E sei que pelas tardes não pode vir. Eu pedi à Kate porque era a única disponível sem prévio aviso, mas Sue ia colocar o pequeno na cama. Além disso, eu não tinha pensado voltar tão tarde... mas para ser sincera - acrescentou com tensão. -... não pensei que fosse perigoso deixa-lo com Kate. Confiava nela...
- Infernizo! Como pôde confiar em sua irmã? – lançavam-lhe faíscas os olhos. - É muito egoísta para pôr as necessidades de um menino à frente das suas. Não entendo como pôde confiar nela.
- Nem por um momento pensei que Kate fosse capaz de fazer nada que pusesse Masen em perigo - explicou Bella com total sinceridade. - É óbvio que me equivoquei e não acredito que possa me perdoar isso nunca...
— Eu tampouco poderei perdoá-la nunca. - disse ele com um amargo sorriso.
Bella se estremeceu ao ouvir aquilo. Era uma tortura sentir-se culpada pelo perigo que tinha deslocado seu filho e pela traição de sua irmã; e resultava insuportável recordar que só uma hora antes, Edward lhe tinha feito amor apaixonadamente para depois rejeitar seu amor da maneira mais dolorosa e humilhante.
Por um momento tinha chegado a acreditar ingenuamente que tinham entrado em uma nova e prometedora etapa e só uns segundos depois suas esperanças tinham sido destruídas. Naquele momento, não havia um milímetro de Bella que não estivesse destroçado pela angústia. Jamais tinha parado para pensar quão cruel Edward podia chegar a ser, tinha preferido evitar o lado mais escuro de sua personalidade. Mas o certo era que nunca tinha sido capaz de ceder ou de reconhecer seus próprios enganos, e com a mesma determinação, agora se negava a perdoar ou sentir compaixão ante um engano humano.
- Uma vez eu o perdoei por algo muito mais sério... - recordou-lhe Bella com voz tremente.
- Não tinha feito nada que requisitasse perdão. - contra-atacou cheio de rancor.
Foi a gota que encheu o copo de seu frágil autocontrole.
- Ah, não? Recordo-o que por muito que queira agora Masen, quando fiquei grávida se comportou como um adolescente.
Edward ficou paralisado uns segundos, surpreso de que uma mulher tão tranqüila pudesse ficar tão beligerante de repente.
- Come...?
- Não se atreva a negá-lo. - bufou Bella como uma gata furiosa.
Mas Edward não demorou em recuperar a energia.
— Não tenho a menor intenção de negar que me incomodou que decidisse ficar grávida apesar de minha opinião...
- Eu não decidi ficar grávida!
- Acabávamos de nos casar. - continuou fazendo caso omisso a sua intervenção. - Eu teria querido esperar alguns anos e você sabia. Quando decidiu não ter em conta meus desejos...
- Deixe-o já! Não está me escutando e eu não posso acreditar no que ouço. Jamais teria me ocorrido que pensasse que eu tivesse planejado ficar grávida... por que não me disse isso em seu momento?
- Bom, já sabe... - murmurou suave como a seda. - Estava me comportando como um adolescente... tentando amadurecer pelo bem do menino.
- Continua pensando que pode se tornar preparado a minha custa. - disse ela vermelha de raiva. - Olhe, eu não gosto de discutir, mas tenho que me defender...
- Morro de impaciência. - interrompeu-a com crueldade.
- Que demônios o fez pensar que eu podia haver ficado grávida sabendo que você não queria?
- Eu trabalhava muito e você não gostava disso, assim suponho que pensou que o bebê me ataria mais a casa. - seus brilhantes olhos a inspecionaram em busca de algum sinal que delatasse sua culpa. - Você me apresentou isso como um fato consumado. Estava muito zangado, mas não podia dizer ou fazer nada. Minha honra me obrigava a aceitar que levava meu filho.
- Por isso começou a trabalhar mais do que nunca, virtualmente deixou de me falar e decidiu levar os negócios do iate para se assegurar que nos víssemos ainda menos. - prosseguiu Bella sem deixar-se influenciar por suas palavras. - Parece que a honra não o obrigava a fazer nenhum tipo de sacrifício.
- Não estou de acordo. - limitou-se a dizer apertando os dentes fazendo com que lhe marcasse bem a mandíbula.
- Pode estar tão em desacordo como quiser! - exclamou Bella com veemência. - Mas o asseguro que não minto, eu não planejei ter Masen. Para mim também foi um choque descobrir que estava grávida.
Edward continuou olhando-a sem aparente reação.
- Por Deus, eu não sou assim. - protestou taxativamente. -Nem tive nenhum descuido quando estava tomando a pílula anticoncepcional. Por que não pensou que existia certa probabilidade de falha?
- Não recordo ter pensado nisso - admitiu franzindo o cenho.
- O médico pensava que minha gravidez entrava nessa pequena percentagem de risco. Mas cada vez que tentava falar com você, você partia ou se punha a falar por telefone.
- Sou um tipo que não gosta dos bate-papos de mulheres. - justificou-se ele.
- Pois a estas alturas deveria saber que eu não sou nenhuma embusteira. -reprovou-lhe por sua injustiça. - Fiquei grávida porque o método anticoncepcional falhou e me indigna que pudesse pensar outra coisa.
Então, a limusine estava chegando ao hospital e ao vê-lo, Bella não demorou nem um segundo em esquecer a conversação que estavam mantendo; saiu do carro logo que pôde e correu para encher seus braços vazios com seu querido filho.
Já no hospital, um policial lhes informou que Masen tinha saído por uma porta traseira da casa onde estava sendo celebrada a festa e uma vizinha tinha chamado à polícia ao ver o pequeno sozinho na rua. No momento em que Kate se deu conta de que o menino tinha desaparecido, a polícia já estava ali. O menino tinha feridas ocasionadas por uma possível queda e estava muito assustado, por isso os agentes se negaram a entregá-lo a sua tia, que não podia ocultar ter bebido. Assim tinham-no levado a hospital e tinham tratado de entrar em contato com sua mãe, mas como Bella não tinha respondido ao telefone celular tinham localizado o pai.
Quando terminou de ouvir o horrível relato dos fatos, Bella se dirigiu ao encontro de seu filho; foi então quando Kate se aproximou dela:
- Suponho que acreditará que eu tenho a culpa de tudo neste pesadelo!
Embora não fosse a saudação adequada naquelas circunstâncias, Bella se deu conta em seguida de que sua irmã tinha os olhos avermelhados e cheios de preocupação e, é obvio lhe abrandou o coração. Sabia que já tinha tido que suportar a reprimenda da polícia por seu descuido e pela quantidade de álcool que tinha ingerido estando a cargo de um menino.
- Só gostaria que não tivesse mentido quando liguei.
— Estava segura de que se zangaria se se inteirasse de que tinha saído. Só foi uma mentira piedosa. Se as coisas não tivessem saído mal, jamais a teria informado. De verdade não pensei que aconteceria nada por levar Masen comigo! - argumentou Kate em sua defesa. - Estava mais tranqüilo, coloquei-o em um berço na casa de meu amigo. Como ia eu pensar que saltaria do berço?
- Quando a chamei devia me dizer que necessitava que voltasse para que você pudesse sair. - lamentou-se Bella. - Mas não a culpo.
- Pois eu sim. - interveio Edward agarrando Bella pelo braço. - Mas não vamos continuar discutindo agora. O mais importante neste momento é que Masen precisa de nós.
- Esta noite ficarei na casa de uns amigos. - anunciou Kate e deu meia volta com um digno movimento de cabeça antes que sua irmã pudesse dizer nada.
Apesar dos esforços da enfermeira, Masen estava encolhido em um canto do berço que lhe tinham proporcionado e não deixava de chorar. Ao ouvir a voz de sua mãe, o pequeno ficou em pé e levantou o olhar cheio de esperança. Bella o tomou em braços chorando também e tratou de separar de seu pensamento todas as terríveis coisas que podiam ter acontecido com seu menino. Tinha um arranhão na frente, um pequeno corte no nariz e um cardeal na gordinha bochecha. Bella o abraçou e abraçou sem querer soltálo jamais.
Uma vez recuperada a calma, Masen levantou o rosto com os olhos totalmente abertos e cheios de surpresa ao encontrar ali também seu papai.
Aquela foi a primeira vez que Bella viu seu filho estender os braços para Edward, mas logo que o fez, voltou a mudar de opinião e se apertou forte a sua mãe voltando a chorar de novo.
- Não está acostumado a nos ver juntos. - opinou Edward em voz muito baixa. - Está confuso e este não é momento para desgostá-lo.
Bella ficou lívida. Seu filho se alterava ao ver juntos seus pais e de quem era a culpa? Aquele pensamento se cravava em seu coração como uma faca. Ela tinha posto fim a seu casamento. Ela era a responsável por que para Masen seu pai não fosse mais que uma visita ocasional. Com os olhos cheios de lágrimas e a alma angustiada, Bella se prometeu nesse mesmo instante que acontecesse o que acontecesse, a partir desse momento faria tudo o que estivesse em sua mão para que Edward compensasse todo o tempo que tinha perdido com seu filho. E era uma decisão que não devia ver-se afetada pela negativa de Edward em voltar com ela; não podia voltar a permitir que seu orgulho ferido interferisse na relação de Masen com seu pai.
- Vamos levá-lo para casa - sugeriu Edward com decisão.
Uma vez na limusine, Masen ficou imóvel a beira do pranto, aferrando-se à jaqueta de seu pai. Embora estivesse esgotado, era evidente que se negava a fechar os olhos, preferia continuar olhando fixamente seus pais, como se assegurando de que continuavam ali.
- Sofreu uma experiência aterradora. Demorará um pouco em recuperar-se, - opinou Edward falando com suavidade pela presença de seu filho, mas com extrema dureza no olhar.
Bella evitou seus olhos acusadores sabendo que ela era a culpada de que com apenas dezoito meses, seu filho tivesse descoberto que seu mundo de seguranças podia tornar-se aterrador e que sua mãe nem sempre estava ali quando ele a necessitava.
A Edward não impressionou a diminuta casa de campo de Bella, mas teve que reprimir uma maldição quando ao entrar no jardim coberto de rosas, notou uns dentes afiados como agulhas cravando-se na perna. Olhou para baixo e descobriu uma espécie de arbusto de cabelo negro que ladrava sem parar. Voltou-se para trás tão rápido quanto pôde, afastando-se de seu alcance. O cão cambaleou e caiu ao chão.
- Deus! Não deveria haver se retirado! - exclamou Bella preocupada. - Jake estava apoiado em você.
- Jake... meu cachorrinho. - Masen deu um primeiro sinal de recuperação ao desfazer-se dos braços de sua mãe para ir em busca do cão.
Edward observou com incredulidade como Bella e seu filho se preocupavam com um vira-lata.
- Mordeu-me. - desculpou-se Edward.
- Não posso acreditar que tenha feito algo assim. Deve ter lhe dado um susto de morte! - lamentou-se Bella comprovando que o cão estava bem. - Jake é muito sensível.
- Dio mijou, não me diga! - exclamou maravilhado pela dramática interpretação da horrível massa de cabelo negro.
- É que tinha sofrido muito antes de ficar conosco. - explicou-lhe Bella pondo-o em pé sobre as três patas. - Alguém o tinha abandonado na estrada e um carro o atropelou. Desconfia um pouco dos homens, mas quer muito Masen.
O cão o olhou com cara de vítima e depois os seguiu jovialmente para o interior da casa. Aquele era um lar desenhado para pessoas pequenas que não sofressem de claustrofobia, características ambas que não encaixavam com Edward, que ali se sentiu arrasado ao entrar. Enquanto Bella colocava Masen no berço que tinha em seu quarto, ele teve que ficar na porta. Indignava-lhe profundamente que Bella tivesse negado a seu filho o espaço, o luxo e os brinquedos que merecia.
- Tem medo de que vá. - explicou-lhe Bella ao ver que o menino não fazia mais que olhar para a porta.
- Não vou mover-me até que durma.
Resultava-lhe tão estranho ver juntos pai e filho. Pela primeira vez era testemunha da forte união que havia entre ambos. Não entendia como tinha sido tão ingênua de acreditar que era ela quem desfrutava da melhor parte do carinho de seu filho. Vendo Masen lhe estender a mão através dos barrotes do berço não ficava mais remédio que aceitar que se equivocou. Edward não duvidou um segundo em ir ao chamado do pequeno com um sorriso de orgulho nos lábios. Uma vez tendo os dois a seu lado, o pequeno não demorou em fechar os olhos.
Bella poderia haver-se posto a chorar facilmente. Estava presenciando algo que tinha acreditado impossível: o lado tenro e protetor de Edward e a mais absoluta confiança que demonstrava seu filho por ele. Os minutos passaram em silêncio, um silêncio durante o qual Bella não pôde evitar a tentação de observar Edward iluminado pela lamparina da noite.
- Vamos lá para baixo. - sussurrou ele quando o menino estava profundamente adormecido. - É tarde, mas quero que falemos um par de coisas.
Já na sala de estar, Bella cruzou os braços com nervosismo antes de dispor-se a falar:
- Sei que pensa que todo o acontecido é minha culpa e devo dizer que tem razão. Eu tenho a culpa do que aconteceu esta noite.
- Agradeço que sempre evite que eu a critique, tem a temerária tendência de sentenciar-se a si mesma.
- Acredito que é bom assumir a responsabilidade de meus erros - afirmou um pouco turvada.
- É elogiável e muito adequado para a ocasião - seus olhos se encontraram com os dela. -... porque vou dizer-lhe algo que certamente lhe dê o que pensar.
Mantinha-se incrivelmente distante para alguém que só umas horas antes tinha estado na cama com ela. A inoportuna lembrança da paixão compartilhada a obrigou a olhar para o outro lado para ocultar os calafrios que lhe percorriam a pele.
- Quero que volte para Londres.
Bella ficou gelada e no cômodo se fez um silêncio ensurdecedor.
- Quero ter a oportunidade de ser um verdadeiro pai para meu filho. - informou-a Edward com uma clareza que transmitia sua determinação. - Mas não posso fazê-lo se estivermos tão separados. Eu gostaria de ver Masen sempre que quiser e que seja muito mais freqüentemente que até agora. Não quero que o tempo que passo com ele seja sempre uma ocasião especial, preciso compartilhar com ele o dia a dia. E preferiria deixar os advogados à margem de tudo isto porque me parece que você e eu podemos solucioná-lo de um modo muito mais informal e cordial.
Bella tratou de analisar suas palavras e de compreender o verdadeiro significado. Estaria lhe pedindo que vivesse com ele? Não, não, não podia pensar nisso. As ânsias a traíam, mas sabia que Edward não estava lhe propondo que se reconciliassem. Seu único interesse era Masen e normalizar sua relação de pai e filho. Embora isso que havia dito de fazer tudo de um modo informal e cordial a tinha avoado e tinha desencadeado uma multidão de fantasias.
- É que... nos mudar para Londres... -murmurou com ar vacilante, dando-se tempo para pensar.
- Estou seguro de que qualquer universidade mataria para tê-la entre seu pessoal docente, embora também pudesse dedicar um tempo a investigar. Eu me encarregaria de tudo. - sugeriu-lhe observando-a atentamente. - Sei que detesta este tipo de transtornos. Obviamente pode conservar esta casa e alugá-la e eu me encarregaria de todos os gastos que tivesse em Londres...
- Não, isso não seria necessário...
— Insisto. Eu não posso me permitir mudar, mas não quero que sofra nenhum tipo de inconveniente por minha culpa. Em qualquer caso... - seus olhos claros se detiveram na expressão perturbada de seu rosto. -... agora que nos entendemos melhor, estou seguro de que posso falar sem medo do que supõe para mim não ver meu filho.
- Pode dizer tudo o que quiser - assegurou Bella aceitando o sarcasmo, embora não entendesse de onde teria tirado a idéia de que agora o entendia melhor que antes.
- Esta casa me parece inaceitável para meu filho.
- O que tem de mau esta casa? - perguntou ofendida.
- Nego-me que meu filho cresça em um barracão.
- Pelo amor de Deus, isto não é nenhum barracão!
— É em minha opinião. Está negando a Masen tudo o que merece. Ele é um Cullen. - afirmou orgulhoso. - Vem de uma linhagem de renome e inclusive na sua idade deveria poder desfrutar dos privilégios de tal nome.
«Um barracão?» Bella engoliu a saliva, tinha estado a ponto de lhe dar uma resposta de acordo a tal definição; felizmente sua mente nunca lhe permitia tão espontâneas saídas de tom. Era certo que Masen era filho de um homem muito rico e comparado com tal riqueza, sua casa era definitivamente humilde. Pela primeira vez se via obrigada a questionar-se se estava sendo justa com seu pequeno. Possivelmente não deveria ter permitido que sua decisão de ser independente afetasse a comodidade do menino.
Possivelmente tinha sido uma egoísta ao negar a Masen os luxos que lhe dava seu nome. O caso era que estava se dando conta de quanto tinham afetado Edward suas decisões.
— Certamente está me dando muito no que pensar. - admitiu com sinceridade.
- Isso eu espero. Estar separado de meu filho tem me feito muito dano. - admitiu sem duvidar. - Vi-me excluído de grande parte de sua vida e quero que isso mude. Está disposta a me ajudar?
Retumbava-lhe a cabeça pela pressão de ter que tomar uma decisão sem ter elaborado bem nenhum pensamento.
- Preciso pensar.
- Desgraçadamente, parece-me que não estou disposto a ser muito paciente. Sei que você não gosta que lhe obriguem a tomar decisões, mas acredito que tenho direito de ser um pouco egoísta e de pôr as necessidades de Masen acima de qualquer outra coisa.
- Pensar nas necessidades de Masen não é ser egoísta - apressou-se ela a assegurar.
- Se realmente acredita nisso, deveria lhe dar a oportunidade de viver com comodidade e de ter por perto tanto a sua mãe como o seu pai. - argüiu Edward com equanimidade.
- Oxalá fosse tão simples...
- E é. Relaxe e deixe que outros se encarreguem do complicado, cara.
Sua voz sexy vibrou dentro dela e como sempre que Edward falava nesse tom suave e sensual, Bella se sentiu confusa e fraca. Só a dor vivida nas últimas horas a freava a tomar uma decisão muito precipitada. Ela o amava, mas ele não a amava. O que era mais, provavelmente se tinha deitado com ela unicamente para lhe demonstrar quanto a desprezava. Essa suspeita era suficiente para fazê-la pensar; embora também fosse consciente de que Edward podia chegar a ser cruel e desumano. Sabia-se responsável por muitas coisas, mas não sabia se isso era motivo suficiente para abandonar tudo o que tinha conseguido nos últimos dois anos. Em seu campo de estudo não era muito fácil trocar de trabalho e menos encontrar um posto como o que ela tinha. Por outro lado a oportunidade de passar mais tempo com Masen antes que se fizesse maior era algo que valia a pena parar para pensar.
- Tem que haver uma alternativa. - murmurou Bella sabendo que não podia aspirar a ter uma relação mais cordial com Edward e suspeitando que certamente manter-se afastada dele era a única maneira de evitar que voltasse a lhe dilacerar o coração. Ao fim e ao cabo ele só queria sexo, como lhe tinha deixado muito claro, e isso era algo que podia obter facilmente e sem dúvida com alguém muito mais excitante que ela.
Até que ponto podia chegar seu desdém para com ela? Um homem incrivelmente bonito que tinha unido ele a mulher mais bela do mundo e que entretanto tinha escolhido voltar a deitar-se com sua esposa.
- Não há alternativa. - assegurou Edward perasosamente enquanto estudava a pureza que refletia seu rosto pensativo. Sua delicadeza e seu aspecto vulnerável eram a essência mesmo da feminilidade e entretanto tinha sido fria e dura como o gelo quando o tinha abandonado. Não, não estava disposto a lhe suplicar passar tempo com o filho que virtualmente lhe tinha arrebatado. Ou cedia um pouco ou lutaria contra ela com unhas e dentes.
Bella não estava escutando. Nesse instante estava assumindo com tristeza e inclusive vergonha que Edward tinha motivos para rejeitar o amor que lhe oferecia.
- Se decidir não satisfazer minha necessidade de ver meu filho, levarei o caso aos tribunais.
Aquela ameaça a tirou de repente de sua letargia.
- Aos tribunais? Não pode falar sério.
Edward lhe devolveu o olhar sem pestanejar sequer, lhe lançando a força de seus claros e intensos olhos que a faziam estremecer.
- No que se refere a Masen, estou já há muito tempo em inferioridade de condições. Parece que deu por fato que o menino deve viver com você e não comigo.
- Não... Eu não tenho feito nada disso! - estava furiosa por seu perspicácia.
O certo era que nunca tinha considerado sequer a possibilidade de que o pequeno vivesse longe dela.
- Já não tenho a sórdida história de Tanya Denali jogando em meu contrário. - seguiu argumentando ele reconhecendo a mentira implícita na negativa do Bella. - Por que te resulta tão difícil pensar que sou um pai com direito a desfrutar da custódia de seu filho? Como acha que me senti quando me inteirei que Masen tinha estado sozinho na rua?
- Suponho que se sentiu tão apavorado como eu. - disse ela cruzando os braços como um escudo.
- Pois se equivoca. O que senti foi verdadeira fúria contra você. Confiou o bem-estar da pessoa que mais quero no mundo a Kate, a mulher mais irresponsável que conheço! - jogou-lhe no rosto com ferocidade. - Masen poderia ter morrido e estou disposto a levar o ocorrido esta noite até um juiz que dita quem deve encarregar-se de cuidar de um menino vulnerável.
- Não é necessário que me ameace. - respondeu Bella com um fio de voz.
- Dannazione! Claro que é necessário. Meu filho nasceu faz só dezoito meses e já desde esse momento não tive mais que um papel secundário em sua vida. Por Deus! Demorei dois dias em me inteirar sequer de que tinha nascido. Tem a menor idéia de como me fez sentir isso? Uma e outra vez minhas razoáveis solicitações de vê-lo foram rejeitadas com as desculpas mais peregrinas.
Com a dor mais profunda de seu coração, Bella admitiu ante si mesma que aquelas acusações não eram mais que a verdade. Ela sempre tinha temido os sábados em que a babá levava seu bebê para que passasse umas horas com Edward. Tinha odiado o momento de separar-se de seu filho, era como se o arrebatassem cruelmente e o tempo que tinha passado sem ele, não tinha deixado nunca de lhe atormentar porque lhe custava muito imaginar o mulherengo do Edward como um pai carinhoso.
A magnitude do que descobriu a deixou petrificada. Havia tentando castigar Edward lhe restringindo o acesso à vida de seu filho, e o tinha feito sem estar consciente da gravidade de suas ações.
- Não sabe quanto sinto muito... - disse-lhe de repente com os olhos cheios de arrependimento e dor.
- Então não me faça perder tempo e não me obrigue a lutar pela custódia de Masen.
Aquele aviso era a sério. Edward estava disposto a lutar por Masen e provavelmente ela perderia.
- É óbvio que isso não é o que quero. - murmurou tensamente. - Estou disposta a ceder. O que quer exatamente de mim?
Um frio sorriso de triunfo apareceu em seus lábios. Seu rosto era muito belo, mas ao mesmo tempo muito duro.
- Uma compensação.
UHhhhh! qual sera essa compensação ?
O que Acharam ? Review?
Thanks pelas Reviewsss to adorando ... Kiss Kiss...
