Lynne Graham

Adaptação.

Personagens pertencentes a Lynne Grahame e Stephenie Meyer

Historia pertence a Lynne Graham.

AMANTE E ESPOSA

Capítulo 6

DOIS DIAS depois, Bella estava em seu quarto terminando de vestir-se e

pensando no vazio que ficou sem as coisas de Masen. Os caminhões de

mudança só levaram o essencial já que Edward tinha prometido lhes dar um

alojamento já mobiliado, coisa que Kate tinha agradecido, pois ia ficar na

casa.

Depois da ameaça de lutar legalmente pela custódia de Masen, Bella tinha

tido que tomar a decisão de fazer o que lhe pedia. Além disso, ficou

destroçada ao imaginar a possibilidade de que usasse o ocorrido na noite

anterior para demonstrar que não era uma mãe apta.

O certo era que com Edward jamais tinha existido o meio termo; era com ele

ou contra ele. Ao mesmo tempo em que para aqueles que eram importantes

para ele era o melhor dos amigos, alguém disposto a algo com tal de ajudar

em um momento de adversidade, Edward podia ser também o inimigo mais

implacável. Em outro tempo ela tinha desfrutado de uma posição

privilegiada em seu mundo, mas isso já não era assim porque ela mesma

tinha renunciado a isso.

Bella não suspeitava sequer até que ponto a ira que Edward sentia por ela

se transladou ao terreno sexual no apaixonado encontro que tinham mantido.

Resultava-lhe impossível acreditar que a tivesse achado irresistível. Claro que

Edward nunca tinha sido uma pessoa previsível ou fácil de compreender. De

uma maneira humilhante, havia descrito o que tinham compartilhado como

sexo. Seria isso realmente o que sentia... ou que preferia acreditar que sentia?

Acaso não era possível que essa paixão pudesse desencadear algo mais sério?

Possivelmente um novo começo?

Com um estremecimento provocado pela culpa de não querer abandonar

seu mais prezado sonho, Bella desprezou tão perigosos pensamentos.

Estava a ponto de viajar a Londres pelo bem de Edward e do menino, pois sabia que sim, lhe devia algum tipo de compensação pelo dano que sua ruptura

tinha ocasionado na relação com seu filho. Mas ao mesmo tempo tinha que

admitir que as palavras «informal e cordial» seguiam ressoando em sua

cabeça, lhe dando esperanças. De um modo ou outro, Edward ia voltar a tomar parte de sua vida; poderia vê-lo e falar com ele freqüentemente e

possivelmente com o tempo as diferenças que havia entre eles poderiam ir

desaparecendo.

Tratando-se de Edward Cullen, Bella seria tão paciente quanto fosse

necessário, pois o amava o bastante para realizar qualquer esforço. A única

coisa que desejava era uma oportunidade para fazer bem as coisas, pensou

com os olhos cheios de lágrimas enquanto descia as escadas.

- Então você vai seguir adiante com tudo isto? - perguntou-lhe Kate

saindo da cozinha com uma taça de vinho na mão-. Não posso acreditar que

vai permitir que volte tratá-la como uma tonta - continuou indignada ao ver

que sua irmã assentia-. Edward Cullen a guia como uma marionete e você faz

tudo o que ele quer!

- Não é assim - respondeu Bella brandamente emocionada pelo que

acreditava um excesso de preocupação por parte de sua irmã, mas esperando

que se acalmasse e tratasse de compreendê-la. - Edward quer ver mais Masen e merece uma oportunidade. O menino está muito unido a ele; vê-los juntos me fez me dar conta de que Edward é tão importante para Masen como eu.

- E por isso deixou seu emprego e vai mudar para Londres? - perguntoulhe

Kate com um gesto de desdenhosa incredulidade-. Só por razões

altruístas, não é?

- Possivelmente esteja tentando lhe compensar por todos os erros que

cometi - desculpou-se Bella ostensivamente ruborizada.

- Por que não admite a verdade? Continua apaixonada por Edward e está

sendo tão complacente com ele porque tem a esperança de que possivelmente

assim volte a aceitá-la.

- Bom, se isso for certo - replicou com certa brutalidade, - é problema meu,

não seu.

- Não lhe dá vergonha? - continuou Kate surpreendida pela desafiante

resposta, algo nada usual em sua irmã—. Não tem orgulho?

Bella considerou aquelas duas perguntas. A vergonha e o orgulho tinham

sido determinantes em sua decisão de abandonar Edward dois anos antes.

Naquela ocasião tinha feito caso a sua irmã, que certamente tinha acreditado

que se não intervinha, Bella acabaria perdoando as infidelidades de seu

marido. Entretanto agora sabia que ela tampouco era a pobre vítima inocente

que acreditou em outro tempo. Provavelmente não tinha sido o marido

perfeito, mas com ele ela tinha sido incrivelmente feliz e sem ele muito

desgraçada.

- Esse néscio petulante deve estar passando-se em grande com tudo isto!

Bella levantou o olhar com um gesto de recriminação.

- Por que odeia tanto Edward?

No rosto de Kate apareceu um rubor muito pouco habitual nela.

- Simplesmente eu não gosto de como a trata... já sabe.

Mas a Bella continuava desconcertando-a a animosidade de sua irmã.

- Mas por que é tão hostil com ele?

- Provavelmente eu saiba um par de coisas que lhe deixariam de pedra

-explicou-lhe depois de um comprido silencio.

- Que coisas?

Não lhe deu tempo de responder, o timbre da porta anunciou que a

limusine tinha chegado. Entretanto Bella não se alterou, continuou olhando

para Kate esperando uma resposta.

- A que coisas se referia? - disse-lhe de novo.

- Vamos, não seja tola, estava brincando - assegurou Kate lhe abrindo a

porta do chofer-. Por que tomará tudo tão a sério?

Inclusive na limusine, Bella não podia deixar de pensar no diálogo que

tinha mantido com sua irmã. Provavelmente Kate sabia coisas sobre Edward

que ela não soubesse. Antes de ver-se obrigada a fechar, a boutique de sua

irmã tinha estado muito em moda e seus clientes a tinham convidado a

importantes festas onde possivelmente ela tinha ouvido rumores sobre seu

marido. Entretanto Bella tinha aprendido ultimamente que não se podia

confiar nesse tipo de informações.

A sua chegada a Londres descobriu que o que tinha sido descrito como um

alojamento mobiliado era na realidade uma luxuosa casa situada em um dos

bairros residenciais mais exclusivos da cidade. Todos os cômodos estavam

tão elegantemente preparados para sua imediata ocupação, que Bella tinha

a sensação de que em qualquer momento apareceriam os verdadeiros donos e

lhe perguntariam o que estava fazendo ali. Mas eram seus livros os que

estavam nas estantes e sua roupa que enchia os armários. Depois de uivar

durante toda a viagem, Jake saiu de sua cesta e começou a brincar de correr

acima e abaixo sem deixar de mover o rabo.

Então soou o telefone e Bella ficou paralisada sem saber o que fazer,

depois de uns segundos decidiu responder.

- Dê-me sua opinião com total sinceridade - pediu-lhe Edward do outro lado.

Sua voz sedosa e escura lhe provocou um forte calafrio que a fez agarrar o

telefone como uma espécie de talismã.

- É uma casa linda... mas muito maior e luxuosa do que esperava.

- De vez em quando irão empregados encarregar-se de que tudo esteja em

ordem.

- Isso é uma tremenda extravagância. Eu posso me encarregar

perfeitamente - assegurou-lhe ela.

Do outro lado da linha, Edward fez uma careta. De repente recordou a etapa

vivida depois da lua de mel quando Bella se empenhou em que ela era

perfeitamente capaz de dirigir a casa sozinha. Sua luxuosa comodidade se

converteu em um verdadeiro caos onde o alarme anti-incêndios tinha agido

de temporizador do forno e o refrigerador estava vazio ou cheio de comida

danificada.

- Temo que não tenha escolha -informou-a taxativamente, - A que hora dá

banho em Masen?

- Às sete...

- Estarei aí, cara.

Edward deixou o telefone com um sentimento de intensa satisfação. Masen

estava em Londres... e Bella também. Não podia conseguir um sem o outro,

raciocinou perigosamente. Um malévolo sorriso apareceu em seu rosto. Tudo

estava saindo conforme o planejado, é obvio. Por algo que tinha nascido tão

matreiro. Os planos bem ideados sempre funcionavam.

Bella tinha previsto ficar algo um pouco mais favorecedor antes que

Edward chegasse; primeiro fez uma seleção prévia para depois entre isso tentar encontrar algo que ficasse bem, mas que não fizesse Edward suspeitar que tinha feito algum tipo de esforço para impressioná-lo. Entretanto não chegou a ter a oportunidade de trocar-se.

Um pequeno incidente com a torrada do lanche de Masen se converteu em

uma autêntica crise. Quando o pequeno deixou cair o pão ao chão e viu como

Jale o arrebatava, ele também se atirou ao chão e começou a chorar e

espernear com a raiva que costumava. Bella fez o pinheiro com a esperança

de distraí-lo e lhe fazer esquecer a birra.

Edward abriu a porta com suas próprias chaves e com a imagem na cabeça

do que teria sido sua vida familiar de não ter sido pelo absurdo abandono de

Bella. Uma esposa elegante e um menino adorável que o receberiam todos

os dias ao chegar do trabalho. Mas o que o recebeu foi um latido

ensurdecedor e um pranto de menino não menos estrondoso. Embora o que o

deixou definitivamente boquiaberto foi a visão de Masen esperneando no

chão e Bella caminhando sobre as mãos ao redor do menino ao tempo que

lhe pedia que deixasse de gritar.

- Masen... já está bem! - ordenou Edward autoritariamente.

No pequeno intervalo entre um grito e o seguinte, Masen olhou seu pai

com os olhos totalmente abertos e ficou petrificado. Jake, que acabava de

soltar a torrada de pão, dispunha-se a cravar os dentes à suculenta perna de

Edward.

- Não, Jake! - gritou Edward paralisando também o vira-lata, para o que foi

uma tremenda ofensa ao orgulho e que o fez fugir como um rei destronado.

Bella foi a última em precaver-se da presença de Edward e quando o fez,

assustou-se tanto que se chocou contra uma cadeira perdendo o equilíbrio.

Edward agarrou a cadeira para que não a golpeasse uma vez no chão e depois a ajudou a ficar de novo em pé.

- Meu Deus! Chegou cedo! - acusou Bella com uma consternação que não

podia ocultar.

Tratou de aparar-se um pouco o cabelo, mas assim que olhou Edward cara a

cara suas mãos caíram mortas. Estava impressionante com aquele traje negro

de raia diplomática, assim não era culpa dela se não podia afastar os olhos

dele. Depois de tudo, estava acostumado a provocar essa reação nas mulheres

com a energia que emanava dele. O verde atrativo de seus profundos olhos

fez com que o coração começasse a bombear dentro do peito como uma bola

de borracha. Aquele homem era puro sexo.

- São mais de sete - informou Edward. - Há alguma razão determinada para

que estivesse plantando bananeiras?

- Não percebeu por que? - perguntou aparentemente surpresa.

- Devo ser um pouco duro de moleira.

- É muito simples e normalmente efetivo - assegurou com entusiasmo. -

Quando Masen se zanga, tento distraí-lo.

- Inventou um inovador enfoque da disciplina - opinou cheio de sarcasmo.

O rubor de suas bochechas não fazia mais que ressaltar o chocolate de

seus olhos e seus lábios carnudos pareciam um convite para um homem que

sempre tinha sentido fraqueza por aquela boca. Ficou olhando-o muito reta e

tinha a respiração acelerada, o que fazia com que seus firmes seios subissem e baixassem apertando os mamilos contra a fina camiseta que usava. Antes que pudesse evitá-lo, Edward se sentiu apanhado pelo desejo; tratou de lutar contra a reação de seu corpo porque tinha planejado tomar coisas com calma nessa primeira visita. Mas não demorou em mudar de opinião e optar por viver o momento. Como se tivesse vida própria, sua mão se aproximou da cintura de

Bella e se acomodou no oco que ficava abaixo da camiseta.

- Eu não gosto de enfrentar Masen... se isso for ao que se refere - balbuciou

ela com nervosismo tentando não deixar-se levar pela tensão sexual que

reinava de repente no ambiente.

- Continua se empenhando em falar nos piores momentos - disse ele em

um sussurro de reprovação.

- Enquanto que você não fala nunca - replicou ela.

- Abre a boca para mim, mia gioia.

Notava seus dedos na cintura, mas quando a outra mão começou a lhe

acariciar as costas por debaixo da camiseta, Bella pensou que ia derreter-se

ali mesmo, e mais ainda quando a apertou contra ele. Um calafrio de

excitação desencadeou uma quebra de onda de calor em todo seu corpo.

Edward baixou a boca até a dela e uma vez ali, sua língua abriu um caminho de

desejo no úmido interior. Tremiam-lhe os joelhos e de sua garganta surgiu

um gemido que fez com que ele a apertasse ainda mais forte. Bella teve que

agarrar-se a ele consciente da poderosa evidência de sua excitação masculina.

- Proponho-me dar prazer e sempre o consigo... - sussurrou ele como

promessa dos prazeres que ainda estavam por chegar.

Mas então uma mãozinha se agarrou à perna de Edward. Ali estava Masen,

cuja presença ambos tinham esquecido por completo.

- Não há dúvida de que é um Cullen... não pode suportar que não o dê

atenção - comentou Edward orgulhoso ao mesmo tempo em que se agachava

para agarrar o pequeno. - Mas é muito inoportuno.

Bella ficou desorientada ao sentir a separação de seus corpos. Um

segundo depois morria de vergonha por ter tornado a abandonar-se em seus

braços. Aquele beijo tinha acendido dentro dela algo parecido a foguetes.

Edward devia pensar que estava desesperada. Tinha que continuar agindo da

maneira mais natural e cordial possível e deixar de lhe declarar seu amor

como tinha feito dois dias antes. Tinha sido tão ingênua... sobretudo com um

homem que em outro tempo lhe tinha confessado estar programado para

aproveitar-se da ingenuidade das pessoas. E ela precisamente tinha ignorado

tão clara advertência.

- É hora de tomar banho - anunciou sem olhar sequer Edward e dirigindo-se

ao andar de acima.

- Sei que dar banho no menino é algo cotidiano - comentou ele tratando de

desfazer-se da recente excitação, - mas para mim é tão estranho estar aqui com vocês dois.

- Tente fazê-lo sete dias por semana e vai ver como deixa dar saudades -

recomendou-lhe Bella com uma tímida risada.

- Quantas vezes por semana posso esperar que me deixe vir?

Bella percebeu a ironia de suas palavras.

- Tantas vezes quanto quiser - respondeu fingindo que não lhe tinha feito

mal-. Não vou separá-lo mais de Masen... Sei que já perdeu muitas coisas de

sua vida e quero compensá-lo por isso.

- É muito generoso de sua parte - reconheceu enquanto se perguntava se

não seria uma mentira para persuadi-lo de que voltasse com ela.

- Quero que saiba que quando punha desculpas para que não o visse, não

o fazia de maneira deliberada. Prometo-lhe isso... É que me resultava muito

difícil me separar de Masen, embora só fosse por umas horas - confessou a

toda pressa. - Mas de verdade não me dava conta de quão injusta estava

sendo com você até que você me fez pensar nisso no outro dia.

- E o que se supõe que devo fazer eu em troca disto?

- Nada... nada, de verdade - repetiu ofendida pelo cínico olhar de

desconfiança que adivinhou em seus olhos.

- Deixe que eu o faça - pediu-lhe quando ela terminou de despir Masen.

- Mas vai empapa-lo - avisou Bella surpresa de que queria implicar-se

tanto.

- Não importa.

Ao ver a desenvoltura com que Edward comprovava a temperatura da água

antes de colocar o menino, Bella pensou que não era necessário lhe avisar

de que Masen era escorregadio como uma enguia.

- Parece que já tem feito isto alguma vez.

- Sim. Com os filhos de minha prima Rose - admitiu com um acanhamento

incrível nele.

- Jamais teria imaginado que lhe interessassem tanto os meninos.

- E não me interessavam até que Masen nasceu - lançou-lhe um olhar

através daquelas exuberantes pestanas negras que lhe estremeceu o coração. - Às vezes quando não podia vê-lo, ia ver a família de minha prima.

Fez-lhe um nó na garganta. Felizmente, Masen escolheu esse preciso

instante para começar a chapinhar e brincar com os barquinhos e peixes de

borracha. -Quer que vá? - perguntou Bella incômoda ao pensar que sua

presença não era necessária.

- Perché? Por que? - disse ele tranqüilamente. - Agora mesmo, Masen está

encantado de que o compartilhemos em lugar de brigar por ele. Será melhor

que não lhe façamos confrontar muitas mudanças ao mesmo tempo.

A diferença de Bella, Edward parecia encontrar a diversão de abordar os

navios de brinquedo com os peixinhos e Masen agradecia enormemente

aquela participação que não estava acostumado com sua mãe. Por sua parte

Bella estava fascinada de ver Edward nessa nova faceta que o fazia rir às

gargalhadas com uma espontaneidade que ela nunca tinha presenciado.

- É fantástico... - comentou Edward emocionado ao ver como seu filho lhe

estendia os braços para tirá-lo da água.

- Isso eu também acredito - assentiu Bella com o coração na mão ante tão

sincera emoção.

- Se soubesse quão divertido era ser pai, teria chegado grávida ao altar.

- Sério? - perguntou ela ruborizada ao tempo que pensava que se ele

houvesse dito algo assim quando estava esperando Masen, possivelmente

jamais o teria abandonado. Mas não o disse porque nesse momento lhe

parecia mais importante que Edward demonstrasse o amor que sentia por seu

filho sem envergonhar-se. Estava descobrindo uma ternura em Edward que

nunca lhe tinha permitido ver.

- Fez um trabalho estupendo com ele.

Bella não estava preparada para tal louvor, sobre tudo procedente de um

homem que sempre estava mais disposto a criticar, por isso se ruborizou

como uma menina. Ficou olhando-o em tal estado de letargia que demorou

vários segundos em dar-se conta de que o incômodo ruído que se ouvia ao

fundo era o timbre da porta.

- Vá... deveria ir ver quem é - disse por fim saindo do banho e tropeçandose

com um tamborete.

Desceu as escadas sem afastar Edward de seus pensamentos. Parecia que o

rancor tinha remetido ligeiramente. Não demonstrava isso que tinha acertado

voltando para Londres? Estava recompensando-a por sua generosidade e

parecia que já não havia motivos para brigar. Com um radiante sorriso nos

lábios abriu a porta da rua.

- James... meu Deus, não o esperava.

- O bilhete de trem custou uma pequena fortuna - disse subindo os óculos

com certo ar de irritação-. E ainda por cima tive que vir de pé.

- Vá, que má sorte - consolou-o Bella ainda surpresa com a visita de seu

amigo e reparando ao mesmo tempo no aspecto ainda mais acadêmico que

lhe davam aqueles óculos de arreios de metal e o cabelo grisalho-. Recebeu

minha carta?

James tinha estado dois dias em um congresso que se celebrou em

Hamburgo, por isso não tinha podido lhe explicar pessoalmente sua decisão

de voltar para Londres. Como contar-lhe por telefone lhe parecia de mau

gosto e só utilizava o correio eletrônico para questões de trabalho, tinha

optado por lhe deixar uma carta na caixa postal de seu escritório.

- Como se não sabia onde estava? Vim assim que a li. Acredito que se

precipitou - opinou em tom reprovatório.

A Bella sempre incomodava enormemente que a tratasse como a uma

menina, mas também sabia que era o modo que falava com quase todo

mundo.

- Nas presentes circunstâncias tampouco tinha muitas mais alternativas.

- Teria gostado que me chamasse para conversar comigo antes de tomar

alguma decisão - queixou-se James em tom cortante -. Parece-me admirável

que queria ter uma relação mais civilizada com o pai de Masen e lhe permitir

que visse mais o menino, mas deve ser sensata e pensar também em seu

futuro.

—Temo que não fosse possível fazer tudo; as coisas são um pouco mais

complicadas do que parecem - acrescentou com desconforto, pois, embora

considerasse James como a um bom amigo, jamais tinha lhe contado nada

realmente íntimo sobre sua relação com Edward.

- Não duvido. Mas deve recordar que está virtualmente divorciada -

parecia cada vez mais irritado e Bella estava perplexa com sua atitude.

- Estarei divorciada quando o juiz disser.

- Já vejo que ainda tem que tirar Edward da cabeça - deduziu apertando os

lábios e sorrindo depois ao ver a surpresa refletida no rosto de Bella-. Não

sou tolo, querida. E tampouco sou ciumento. Sou um tipo muito pragmático.

Antes de tudo isto nossa amizade estava entrando em uma nova etapa e eu

tinha planejado pedi-la que se casasse comigo uma vez fosse livre. Entretanto

os últimos acontecimentos mudaram muito as coisas.

Bella ficou estupefata ante tão tranqüila declaração de intenções, pois

jamais tinha suspeitado que seu amigo sentisse nada parecido por ela.

- James... não sei o que dizer. Eu não...

- Não, não tem por que me dar uma resposta agora - decretou ele com impaciência-. Só queria que soubesse que a opção continua aí para o futuro. Sinto um enorme respeito e carinho por você e trabalhamos muito bem juntos. Não sei muito de meninos, mas faria todo o possível por ser um bom padrasto para seu filho.- Fez-se um nó na sua garganta.

- Quanto tempo faz que está apaixonado por mim? - perguntou em tom de

desculpa.

- Por Deus, não! Não me deixei levar até esse ponto - James riu ante tal

idéia- Sou mais sensato.

- Então... - balbuciou confusa -. Por que queria me pedir que me casasse

contigo?

- Sua companhia me é muito agradável. Não é exigente e sim muito

inteligente - assinalou com um primeiro indício de entusiasmo. - Mamãe

também gosta de você, isso não quer dizer que se não gostasse não a pediria

casamento, mas teria sido mais complicado.

A emoção tinha desaparecido por completo. Parecia que inclusive seu

cérebro era mais atraente que o resto dela. Claro que não a amava, ninguém a

tinha amado de verdade exceto Masen. Ao menos James era sincero. De fato

era perfeitamente possível que, a seu modo prosaico e carente de paixão,

sentisse mais por ela do que jamais tinha sentido Edward.

- Me alegro de sua mãe gostar de mim - resmungou Bella.

-Tem muito bom gosto - respondeu ele olhando ao relógio-. Temo que não

posso ficar mais, prometi visitar um amigo. Ligarei para você e espero que

em seu momento possa responder a minha proposição.

Enquanto o acompanhava até a porta, Bella se perguntava se devia lhe

agradecer já que lhe parecia horrível não dizer nada, mas então se ouviu

dizendo algo muito diferente:

- Veja, é que... agora Edward está aqui. Está lá em cima com Masen.

- Parece-me que se equivoca... - disse James com secura olhando o sujeito

alto que acabava de aparecer no vestíbulo.

- Onde está Masen? - perguntou Bella com a maior normalidade de que

era capaz.

- Em seu berço completamente adormecido - Edward não afastava o olhar de

James, não era tão feio para ser tão baixinho, tão magro e tão mais velho -.

Você deve ser James...

- Hunter, sim - confirmou lhe estendendo a mão.

- Tem que partir tão cedo? - murmurou Edward e o silêncio que se formou

parecia adquirir uma força destrutiva.

- Temo que sim, tenho outro encontro que devo ir.

- A que veio? - indagou Edward assim que fechou a porta atrás dele.

Bella ficou imóvel uns segundos, o brilho de seus olhos foi arrastando a

tristeza.

- Dizer que queria casar-se comigo - admitiu com calma.

- Vá - reagiu sem a menor impressão.

Bella notou como a raiva se apoderava dela como um terremoto.

- É tão difícil acreditar que haja outro homem que possa me apreciar o

bastante para me pedir que me converta em sua esposa?