Lynne Graham

Adaptação.

Personagens pertencentes a Lynne Grahame e Stephenie Meyer

Historia pertence a Lynne Graham.

AMANTE E ESPOSA

Capítulo 7

-Não, não me é nada difícil acreditar que alguém a peça que se case com ele -disse arrastando as palavras brandamente. - Eu também o fiz uma vez.

Suas palavras despertaram a dolorosa lembrança de um dos dias mais felizes de sua vida, mas também a fizeram pensar no que tinham mudado as coisas após. Tinham se passado três anos desde que Edward a tinha levado a França para ver uma corrida de cavalos no Longchamp. Depois tinha acompanhado sua proposta de casamento de champanhe, morangos e um lindo anel de diamantes. Naquele momento havia sentido tal felicidade que se se pôs a chorar.

- Asseguro que desejaria não havê-lo feito.

- Jamais desejaria algo que significaria não ter Masen...

- Quando eu estava grávida não pensava igual.

- Nego-me a morder o anzol. Os dois cometemos erros...

- É que nem sequer agora pode admitir haver se equivocado? - jogou-lhe no rosto com raiva.

Edward apertou os lábios.

- Concentremo-nos no professor Hunter. A sério a pediu que se casasse com ele? - perguntou-lhe como se fosse o mais estranho e cômico que tinha ouvido em sua vida.

- Não entendo o que é que o diverte tanto - respondeu ela com a cabeça bem alta.

- Parece que estou me divertindo? -o reflexo dourado de seus olhos era tão brilhante como uma chama. - Me interpretou mal. O que ocorre é que me assombra a coragem de Hunter e me surpreende que não o tenha jogado da casa. Ou é esse o motivo pelo qual se foi?

- Para a maioria das mulheres uma proposta de casamento é uma verdadeira adulação. Não sei por que motivo ia querer jogar James da casa.

- Deve ser muito obtusa.

— Não acredito. Está sendo muito grosseiro — Bella podia ouvir-se falar cada vez mais alto apesar de sua intenção de não responder a provocação alguma. - James é uma pessoa muito respeitada no mundo acadêmico e é um bom amigo.

- Também é bastante velho para ser seu pai. Provavelmente tenha chegado à conclusão de que é muito que se apaixonem para você - murmurou Edward em um tom incrivelmente sensual. - Mas escolher um ataúde dobro parece muito prematuro para uma mulher de vinte e sete anos.

- Suponho que se acreditará muito preparado por se divertir a custa de James - Bella tinha um nó de raiva na garganta.

- Não é estranho que o professor a tenha deixado aqui, só comigo sem alterar-se?

- James é muito maduro para rebaixar-se a comportar-se de outro modo.

Edward soltou uma desagradável gargalhada.

- Está segura disso? Eu haveria dito que sua ida tinha mais que ver com o instinto de sobrevivência.

- Certamente não queria provocar uma cena nem fazer me zangar.

O aborrecimento de Bella continuava aumentando.

— Não tem direito de insinuar que James é um covarde.

- Vamos, Bells, não zombe de mim. Você nem sequer consideraria a possibilidade de se casar com um sujeito assim depois de mim!

- Ah, não? - esse diminutivo teve o mesmo efeito que o sal em uma ferida aberta. Em outro tempo tinha sido um apelativo carinhoso, agora não era mais que um aviso de tudo o que tinha perdido. Sinceramente, não sabia oque lhe tinha feito cometer a indiscrição de contar a Edward o acontecido com James, mas agora que já o tinha feito, defenderia seu amigo até a morte.

Os ofensivos comentários de Edward não faziam mais que acrescentar amargura a uns sentimentos que podiam descontrolar-se a qualquer momento.

- Não, você não se casaria com ele - respondeu com arrogância. - Merece muito mais que um homem do que eu possa rir.

- Não sabe quão equivocado está com James! - Bella lhe lançou um olhar de desprezo embora ao mesmo tempo estava perguntando-se por que estava tão zangada com ele. -Não acredita que ele pudesse me fazer tão infeliz como você me fez...

Edward arqueou uma sobrancelha que questionava tal opinião.

- Duvido muito. Você está cheia de paixão enquanto que ele parece um sujeito muito frio.

- Quando já não era uma novidade, não havia ninguém mais frio que você. James não é tão volátil e certamente ninguém poderá referir-se a ele como um mulherengo.

- Infernizo! Eu não sou nem fui nunca um mulherengo - jurou com um dramalhão. - Odeio essa etiqueta. Sou uma pessoa conhecida e se alguma vez falava com uma mulher, nos jornais aparecia o rumor de que tinha me deitado com ela. E quando nos casamos, converti-me em um objetivo ainda maior.

Bella agitou a cabeça fazendo dançar sua juba chocolate.

- E Lauren Mallory também é um rumor? - perguntou sabendo que não deveria havê-lo feito.

- Não acredito que deva nenhuma explicação de nada do que tenha feito desde que me abandonou! - espetou Edward enfurecido por quão injusta podia chegar a ser.

Bella cruzou os braços sobre o peito em um gesto defensivo e levantou bem a cabeça para olhá-lo com olhos iracundos.

- Pois a meu parece sim porque, você goste ou não, ainda está casado comigo.

- Sim... - começou a dizer lhe lançando um olhar envenenado. - Uma das grandes ironias é que você pôs fim a nosso casamento por uma infidelidade que nunca teve lugar... Mas agora poderá dizer que estive sendo infiel após!

Aquelas palavras a fizeram dar-se conta de que suas emoções estavam tão à flor de pele, que passava da raiva à dor em um abrir e fechar de olhos. Sentia-se como se acabasse de sair da sauna e a tivessem atirado à neve. De repente se via obrigada a enfrentar-se a uma realidade que se negou a aceitar: a vida sexual de Edward tinha continuado com outras mulheres durante aquele tempo. Durante os dois anos de sua separação, tinha evitado qualquer jornal no que pudesse aparecer qualquer história sobre a vida social de seu marido porque não queria atormentar-se.

- Sinto muito - disse ele de repente apertando a mandíbula. -... Essa brincadeira estava fora de lugar.

Mas era muito tarde. A bolha em que Bella tinha vivido os últimos dois anos acabava de rachar-se deixando-a desprotegida. Como tinha podido estar tão cega como para não querer ver tudo o que tinha mudado entre eles? Comportou-se como se os dois últimos anos não tivessem passado, dois anos durante os quais Edward se esforçou em ser tão infiel com outras mulheres como ela acreditava que o tinha sido com Tanya Denali. Tinha razão, era irônico.

- Bells...? - sussurrou Edward brandamente vendo que Bella estava pálida e ausente como se tivesse sofrido um choque.

Agora entendia que Edward tinha recuperado sua vida de solteiro; tinha desfrutado de outras relações, deitou-se com outras mulheres. Entretanto ela não tinha estado com nenhum outro homem. Sua platônica amizade com James era bastante lamentável comparada com a vida social de Edward.

- Eu nunca me deitei com ninguém que não fosse você - resmungou Bella com uma triste risada. - Meu Deus, devo ser uma pessoa muito aborrecida!

- Não acredito que isso seja aborrecido... acredito que esse tipo de moralidade é digna de admiração, cara - assegurou-lhe lhe agarrando a mão.

- Embora você se encontre tão afastado dela? - perguntou Bella retirando a mão.

Mas Edward sorteou a pergunta.

- Parece-me que deveria estar orgulhosa de seus valores. Eu estou... e muito.

- Suponho que lhe vieram muito bem. Certamente para alguém como você teria sido muito vergonhoso que sua mulher tivesse estado com uns e com outros. Mas ditos valores agiram em meu contrário na maioria das vezes. - no fundo Bella sabia que estava evitando o tema de sua infidelidade porque não queria que visse quanto lhe doía ou, ainda pior, que lhe dissesse uma vez mais que o que tivesse feito com outras mulheres não era assunto dela porque seu casamento estava acabado.

- Não entendo por que.

- Teria me esquecido de você muito mais rápido se tivesse tido outra relação. Obviamente o fato de que não tenha encontrado ninguém...

- E James? - interrompeu-a Edward, que cada vez se sentia mais tenso com a situação.

- Não me deitei com ele... ainda - acrescentou perguntando-se se alguma vez havia sentido o menor desejo de fazê-lo e logo se deu conta de que não. Isso a conduziu até a amarga realidade da duração do vínculo que sentia por Edward. - Mas me diga... Com quantas mulheres se deitou desde que rompemos? - por fim atacou o tema que tanto a preocupava.

Um pouco parecido ao pânico se refletiu no duro rosto de Edward. Mas ele demorou vários segundos em identificar tal sensação porque esse escuro sentimento era algo totalmente alheio a ele. Sabia que não queria responderaquela pergunta, sabia que inclusive uma só mulher seria muito para ela.

Respirou fundo como se tivesse que preparar-se para a pior das tormentas.

Bella observou como seus maravilhosos olhos Verdes foram mudando de expressão tentando ocultar o que acontecia em sua cabeça ao mesmo tempo em que em suas bochechas aparecia uma cor pouco habitual nele.

Compensava-lhe ligeiramente pelo ciúme e o desespero que ela mesma tratava de ocultar.

- Não pensa me responder, Edward?

- Não. Não quero que se zangue por algo assim.

- Acaso pareço zangada? - perguntou fingindo. - Não sou tão sensível. Só estou tratando de superar as coisas como você tem feito. Além disso, de verdade acha que me importo tanto com quantas mulheres se deitou?- acrescentou em um tom muito estridente para ser certo. Mas só obteve o silêncio por resposta.

Edward ficou ali imóvel e calado. Nem a tortura lhe teria tirado uma palavra naquele momento.

- De repente estou entendendo um montão de coisas de mim mesma - afirmou Bella apertando os punhos. - Meu grande engano foi continuar me comportando como uma mulher casada quando já não vivíamos juntos. Certamente por isso voltei a me deitar com você.

- Não acredito, mia gioia. Acredito que isso foi por algo mais que costume...

- Bom, fosse pelo motivo que fosse. É um hábito do qual vou me desfazer à velocidade da luz! - prometeu com veemência. - E seria de grande ajuda se me dissesse de uma vez por todas com quantas mulheres esteve desde que o deixei. Chama-se terapia por aversão.

- Santo céu! - exclamou Edward com frustração antes de aproximar-se dela e tomar ambas as mãos. - Deixemos isto de uma vez por todas. Não tem nenhum sentido... e está lhe fazendo muito dano...

- Não sou nem a metade de sensível que acredita! -voltou a arrancar as mãos das dele, repudiando seu oferecimento de ajuda, que não tinha feito mais que ferir seu orgulho ainda mais.

- De acordo... está me fazendo dano - confessou em voz baixa. - Nada do que tenha feito vale a pena tanta angústia...

- A angústia encheu minha vida desde que o conheci - disse rasgada pelo vazio que sentia dentro. - Levo dois anos tampando os olhos, sem querer aceitar que você tinha seguido com sua vida. Diga-me, quanto tempo esperou antes de encher o espaço que tinha ficado em sua cama?

- Bella... por favor! - exclamou com os braços estendidos em um gesto de tremenda frustração.

- Tenho direito de perguntar. Decidi que vou deixar de confiar nos sentimentos, agora só quero fatos frios e duros - declarou taxativamente.

- Mas você não é nem fria nem dura e eu não quero que fique ressentida.

Aquilo a deixou lívida.

- Eu não estou ressentida... De onde tirou a idéia de que ainda tem o poder de me fazer dano? É tudo o que desprezo de um homem. Asseguro que teve uma boa coleção de mulheres, e ainda tem a desfaçatez de dizer que minha moralidade é digna de admiração!

Edward estava incrivelmente pálido.

- Bella...

- Quero que vá agora mesmo! -exigiu com um grito afogado pelas lágrimas que ameaçavam fazê-la derrubar-se. - Pode vir sempre que quiser estar com Masen, mas quero que me dê a chave com a que entrou antes. Quando começar a convidar a meus encontros, não quero que passeie por aqui a seu desejo.

- Que encontros? -Edward tinha perdido a calma por completo. - Ficou louca?

- Pelo contrário, por fim recuperei a prudência. Em lugar de continuar acreditando que é o único homem sobre a face da Terra, vou começar a viver de novo!

— Colocou na cabeça que estive me deitando com todo mundo...

Bella passou a seu lado e lhe abriu a porta principal convidando-o a sair.

- Pelo que diz respeito a mim, no momento que se meteu na cama com outra que não era eu deixou de ser meu marido - dizendo isso pôs uma mão frente a ele. - A chave, por favor.

Olhou-a fixamente com os olhos brilhantes e cheios de raiva.

- Onde está a mulher que dizia que queria voltar comigo a todo custo?

- Como se atreve a me esfregar isso no rosto? - perguntou à borda do pranto.

Necessitava que partisse imediatamente, antes de perder o controle de suas emoções.

- Está bem - sussurrou deixando a chave sobre a mesinha do vestíbulo. - Acalme-se, por favor.

- Não preciso me acalmar...

— Não quero partir deixando-a assim.

- Como? - perguntou com uma fúria pouco comum nela. - Estou perfeitamente... livre e desejando começar minha nova vida como divorciada.

- Chamar-me-á depois?

- Vou estar muito ocupada. Além disso, como vou ligar para você? Só suas amantes têm o número de seu celular - recriminou-lhe amargamente.

Edward escreveu o número no bloco de papel de notas que havia juntado ao telefone da entrada.

- Por favor, vá.

A porta se fechou deixando-a ali em metade daquele silêncio ensurdecedor.

Deixou Jake sair da cozinha e o abraçou tão forte que o pobre cão se queixou. Voltou a deixá-lo no chão e caminhou pelos cômodos em estado de choque, assim chegou inconscientemente até o quarto no que Masen dormia placidamente. O pranto a obrigou a meter-se no banheiro, onde três fraldas quebradas davam conta das dificuldades que tinha tido Edward. Já não podia agüentar os soluços por mais tempo. Com as lágrimas lhe percorrendo o rosto, Bella pensou quão curioso era que fazia só uns minutos desejou com todas suas forças que Edward partisse da casa, e entretanto no momento que tinha fechado a porta atrás dele, não tinha sabido o que fazer com tão opressiva solidão. Ela ao menos tinha Masen, uma multidão de gente tinha muito menos. A única coisa que tinha que fazer era não pensar em Edward ou em mulheres incrivelmente belas como Lauren Mallory...

Todos os sentimentos aos que não se atreveu a enfrentar amontoavam agora em sua cabeça e em seu coração. Enquanto ela tinha estado acreditando em um conto de fadas no que poderia reconstruir seu casamento, Edward tinha se deitado com ela só pelo sexo. Algo sem importância, sem significado algum...

Então soou o telefone e teve que correr ao quarto para responder.

- Posso voltar a entrar? - perguntou-lhe Edward diretamente.

- Não...

- Sinto-me mal... você está mal e eu deveria estar com você.

- Não... Não deveria - respondeu com voz entrecortada e desligou imediatamente.

Tinha a sensação de que a casa lhe caía em cima. Abriu a porta do pequeno balcão que dava ao jardim e respirou fundo tratando de inalar tanto ar fresco como fosse possível. O telefone voltou a soar, mas dessa vez decidiu não responder. Saiu às escadas e se sentou em um degrau do que podia ouvir soar todos os telefones da casa. Tinha sido uma boba ameaçando Edward dessa maneira; ele não estava apaixonado por ela, portanto lhe dava na mesma se ela se deitava com outros ou não.

Uma tormenta de emoções estava se desatando dentro dela. Ele era o homem que amava, mas não podia tê-lo. Possivelmente o melhor fosse não vê-lo. Como ia esquecê-lo se não a deixava sozinha? Teria que ser mais forte e mais valente. Tentar lhe fazer sentir mal não ia fazer nenhum bem a ela.

O timbre da porta soou com força e passados uns segundos, também se ouviram batidas. Bella correu escada abaixo e uma vez junto à porta gritou:

- Odeio você!

Sua voz apenas audível a fez sentir ainda pior enquanto se perguntava se ele teria podido ouvir tão lamentável ato de fraqueza. Contendo outro soluço, afastou-se da entrada, pois não queria que ele se inteirasse de que estava chorando.

Do outro lado da grosa porta, Edward não deixava de se amaldiçoar por ter lhe entregue a chave. Tinha que voltar a entrar na casa fosse como fosse. Viu luz em um dos balcões laterais e se fixou em que a porta estava aberta como o convidando a penetrar. Levava toda a vida lutando contra seu medo de altura, que era seu maior segredo.

Subiu ao carro e o moveu até situá-lo abaixo do balcão; uma vez ali, subiu ao teto do veículo e se agarrou pela hera que subia pela parede da casa. Soprou com força recordando-se que o medo que sentia era irracional, estava há pouco mais de dois metros do chão, embora lhe parecessem vinte. Para piorar ainda mais as coisas, Jake começou a lhe ladrar do balcão.

- Cale-se! - avisou-lhe com fúria.

Mas o cão emitiu um uivo que não teria envergonhado a um Rottweiler a ponto de atacar. Por fim alcançou o corrimão de pedra e escalou até o interior do balcão. Com a estupidez que provocavam as ânsias e o medo, tropeçou-se com algo e caiu ao chão, momento que Jake aproveitou para subir às costas como se acabasse de caçá-lo.

Bella estava encolhida na escada e parecia tão pequena...

- Bells... - sussurrou para não assustá-la aparecendo de repente.

- Edward...? - voltou-se desconcertada.

- Estava preocupado com você. Entrei pelo balcão - desceu os degraus até chegar a ela sem afastar um momento o olhar de seu rosto coberto de lágrimas.

Bella não achava nada que dizer e menos pôde dizer quando ele a tomou entre seus braços pondo-a em pé para beijar seus lábios apaixonadamente e obter uma resposta igualmente feroz. Edward pôs as mãos em ambos os lados de seu rosto e a beijou na fronte, depois nas pálpebras molhadas e voltou de novo para a boca, que o recebeu com os lábios entreabertos.

- Não deveríamos... - murmurou fascinada.

Cravou o olhar em seus olhos chocolates para lhe lançar um claro olhar de desejo.

Claro que devemos...

E ai o que acharam? Coitada da Bella nao?

Reviewssssssss?

Thanks pelas reviews muito bom

BJS