Lynne Graham

Adaptação.

Personagens pertencentes a Lynne Grahame e Stephenie Meyer

Historia pertence a Lynne Graham.

AMANTE E ESPOSA

Capítulo 9

- VOCÊ VAI SE ENCANTAR COM O II Palazzetto - assegurou Edward

entusiasmado.

Bella duvidava muito que fosse encantá-la o que previa seria um luxuoso edifício cheio de mármore e ouro. Edward era muito aficionado aos

luxos, ao fim e ao cabo se criou em uma vila romana do século dezesseis.

Entretanto toda essa opulência a fazia Bella se sentir incômoda, mas jamais

tinha esperado que Edward vivesse em condições modestas por ela.

Fazia um dia glorioso. A limusine ia atravessando um denso bosque sob o

sol radiante para depois acessar uma levantada estrada rural flanqueada por

carvalhos que ia dar num enorme prado cheio de papoulas e flores silvestres.

No alto de uma colina, divisou a elegante torre com telhado de terracota que

coroava uma antiga casa que encaixava à perfeição na paisagem. Era uma

construção de pedra tão bela que Bella abriu os olhos para memorizar sua

imagem.

Já antes de que o veículo estacionasse na entrada, Bella acreditou estar

experimentando um deja vu. Três anos atrás, tinham passado sua lua de mel

em uma moderna vila dotada da mais adiantada tecnologia; Edward tinha

estado encantado, mas ela tinha achado o lugar frio e sem encanto. Durante

aquela muito curta semana na Toscana, ela não tinha deixado de admirar as

antigas vilas, o que tinha provocado as brincadeiras de Edward, que tinha

elaborado uma lista das características que teria tido a casa de seus sonhos.

Tratava-se de um edifício de pedra, com uma torre que ofereceria umas belas vistas. Aquela casa imaginária teria estado convocada em uma colina rodeada de bosque que a manteria separada de qualquer moléstia do mundo exterior. E ali estava frente a ela, a casa de seus sonhos, que seu marido tinha comprado um mês depois da separação. Aquilo era muito para qualquer

mulher...

Desceu da limusine sem comentar a semelhança do edifício com sua casa

imaginária, de fato manteve um silêncio absoluto. Um governanta e um

mordomo saíram a seu encontro e saudaram Masen com o maior carinho.

- Sue chegará amanhã pela manhã para ajudá-la a cuidar de Masen - anunciou Edward.

Bella pestanejou rapidamente.

- O que disse?

- Não foi tão difícil encontrar seu número na lista de telefônica. Chamei-a e

lhe propus trabalhar para você em tempo integral...

- Mas eu não preciso...

- Está tudo organizado - interrompeu-a em seguida-. Sue está encantada e

desejando começar. Diz que sentiu falta da Masen.

Bella respirou tão fundo e tão forte para tentar acalmar-se que teve medo

de explodir.

- E suponho que em nenhum momento ocorreu-lhe que possivelmente

devia me consultar a respeito.

- Sim me ocorreu, mas depois decidi não fazê-lo.

Olhou-o com incredulidade, mas ele se limitou a encolher os ombros.

- Está acostumada a cuidar dele sozinha e se sente culpada por delegar a

outros. Mas pensei que nos virá bem poder relaxar de vez em quando sem

nos preocupar com Masen. Reservar algum tempo só para nós dois não é um

crime, mia gioia.

Bella deteve o olhar naqueles profundos olhos e esteve a ponto de sorrir

porque acabava de empregar as palavras perfeitas para convencê-la.

- Suponho que tem razão.

Tomando-a pela mão, levou-a ao interior da casa, que não tinha nada que

invejar o aspecto exterior. Todos os espaços estavam decorados com um

delicioso estilo rústico que despertou a curiosidade de Bella sobre quem se

teria encarregado da decoração. E quanto mais via daquele maravilhoso

lugar, mais imaginava Lauren Mallory decidindo a localização de cada móvel

e cada complemento. Voltou a respirar fundo, dessa vez em um intento por

controlar tão turbulentas emoções. Estava-lhe custando um grande esforço

não perguntar-se quantas mulheres teriam desfrutado da mesma visita junto

à Edward.

Subiram à torre para contemplar as fantásticas vistas, que pareciam tiradas

de um conto de fadas. Mas Bella era incapaz de desfrutar, não podia tirar a

dúvida da cabeça; e embora se prometeu não dizer nada, a tortura era mais

do que podia suportar.

- Em nossa lua de mel... prometeu-me uma casa exatamente igual a esta. -

disse por fim arrastando as palavras.

- E como já disse, sempre cumpro o prometido— brincou ele.

Bella estava tão tensa que não entendia como não lhe quebravam os

ossos. Como podia ser tão obtuso? Acaso pensava que estava elogiando seu

bom gosto? A visita continuou com um precioso quarto azul claro, sua cor

preferida. Deixando-se levar pelo mesmo impulso que teria levado a um

detetive até a prova de um crime, foi direto até uma porta que, como

suspeitava, dava ao banheiro. E ali estava, a banheira redonda de seus

sonhos!

- Odeio você! - gritou-lhe contendo as lágrimas.

Edward se apoiou sobre a cômoda de madeira maciça e a observou

impassível.

Santo céu... Não posso acreditar nisso. O que é o que aconteceu?

- Comprou a casa de meus sonhos depois de que eu o abandonei e a

profanou com outras mulheres! - explicou irada. - Como se atreve a me trazer

aqui?

- Provavelmente queria recordá-la que abandonou um sujeito maravilhoso,

bela mia - replicou com fria clareza. - O que está vendo não é o que você

acredita... tudo isto demonstra a fé que tinha em você.

- O que se supõe que significa isso?

- Eu pensava que voltaria. Quando partiu de nossa casa, não me ocorreu

por um momento que fosse o fim de nosso casamento.

Antes de continuar observou a expressão ofendida de seu rosto.

- Uma semana depois que fosse, informaram-me da existência deste lugar.

Antes disso havia visto muitas outras casas - começou a lhe explicar

detalhadamente. - Assim que vi as fotos de II Palazzetto soube que era o que

você queria. Comprei-a porque sinceramente acreditava que não demoraria

para recuperar a prudência e voltar para meu lado.

Bella aceitou com um nó na garganta uma explicação que jamais teria

imaginado.

- Se isso for certo...

- Não duvide de minha palavra – avisou cravando-lhe o olhar. - Já o fez uma vez e teve umas conseqüências devastadoras - recordou-lhe sem piedade. - Acreditei que tinha aprendido a lição.

- Sim, aprendi uma ou duas lições - contra-atacou com uma amarga

gargalhada. - Eu o julguei mau, mas teria estado encantada de que me

convencesse de sua inocência, se tivesse se incomodado em tentá-lo. Mas não

se importava o bastante para ir em minha busca e lutar por mim.

- Isso é mentira.

- Foi muito orgulhoso e eu feri seu amor próprio ao não acreditar em você;

por isso decidiu me castigar - disse Bella com uma amarga dor na voz.

- Isso é desatinado.

- Não, não o é. Estava jogando à roleta russa com nosso casamento e

comprou esta casa pensando que voltaria me arrastando - a atitude de

aparente relaxamento de Edward estava deixando-a louca.

- Foi muito cruel. Estava tão zangado comigo por não me dobrar que me deixou partir. E agora não pode deixar de me jogar a culpa do fracasso de nosso casamento. Pode que eu não fosse uma boa esposa, mas certamente você foi muito pior marido. Eu já era infeliz muito antes que Tanya Denali começasse a inventar histórias!

No rosto de Edward pôde observar uma ligeira reação às suas palavras.

- Pode-se saber em que se baseia tal acusação?

- Nosso casamento veio abaixo porque eu nunca o via. Para você o

primeiro era o trabalho e sempre que podia, aproveitava para me fazer ver a

pouca importância que eu tinha em seus planos. Na realidade você não

queria estar casado porque sempre continuou se comportando como se

estivesse solteiro...

- Per meraviglia! É culpa minha que você aceitasse algo? Do que serve se

queixar de como a tratava com dois anos de atraso? - de repente cruzou o

quarto para ela falando com todo volume. - Quando me casei com você tinha

vinte e sete anos e não era tão amadurecido como eu acreditava. Realmente

não sabia como me comportar.

- Não pensei que necessitasse um livro de normas!

- Pois me teria sido muito útil. Meus pais sempre tiveram vidas separadas,

de fato é incrível que morreram no mesmo acidente de avião porque jamais

foram juntos a nenhum lugar - admitiu de maneira cortante. - Meu pai tinha

contínuas aventuras. Odiavam-se um ao outro.

Bella ficou muda ante tamanha explicação. Seus pais tinham morrido

muito antes de que ela o conhecesse e jamais lhe tinha ocorrido pensar que

procedesse de uma família tão infeliz.

— Alice nunca me contou...

- Alice era só uma menina quando morreram e não vi motivo para desiludila.

- Mas deveria ter me contado isso .

Edward levantou o olhar surpreso.

— Por que? Não tem nada que ver com o que aconteceu entre nós. Só queria fazê-la ver que meus pais não me deram um padrão de conduta para levar a vida caseira e feliz que você queria.

Era curioso ouvi-lo dizer nesse momento, depois de uma semana inteira de

feliz vida caseira. Mas obrigado por fim se zangou tanto para falar

desenfreadamente tinha conseguido entender muitas coisas da época em que

tinham vivido juntos. De fato, com esses antecedentes era incrível que se

atrevesse sequer a pedir a alguém que se casasse com ele.

- De verdade comprou esta casa para mim? - perguntou-lhe então com

doçura.

Edward lhe lançou um duro olhar, mas de repente ela se sentia muito mais

segura de si mesma.

- Sim, comprou-a para mim — se respondeu a si mesma. - Este estilo

rústico não vai muito, não? Em seus olhos apareceu um brilho de provocação.

- Há alguns prazeres da vida rural que avalio enormemente, bela mia.

De repente Bella recordou vividamente a paixão desenfreada que tinham

compartilhado sobre um prado verde fazia três anos. Certamente ele estava

recordando o mesmo porque se aproximou dela muito lentamente com o

mesmo desejo refletido no olhar. Em uns segundos o ar se encheu de

sensualidade e Bella se viu possuída por uma necessidade que devia

satisfazer imediatamente. Edward viu surpreso como ela tirava os sapatos.

- Imaginei-a tantas vezes neste mesmo quarto - confessou-lhe enquanto

fechava a porta. Ela respondeu com um sorriso de satisfação ao mesmo

tempo em que desabotoava o vestido. - Continue por favor.

Desabotoou o prendedor sem afastar os olhos dele nem um instante porque

ele tampouco podia retirar os dela. Arqueou as costas e deixou que o objeto

de encaixe caísse ao chão.

- Não pare...

Quando a última peça de tecido estava no chão, Bella ficou olhando-o

com o rosto acalorado e um sorriso nervoso nos lábios.

- Vem aqui - pediu-lhe com um fio de voz.

Edward se despojou da camisa com tal ímpeto que saíram voando um par de

botões. Ela o observava ali de pé, com seu corpo pálido e magro que era uma

espécie de ímã para sua atenção e para seu mais que evidente interesse.

- Quando se tornou tão descarada? - perguntou ele fascinado.

- Depois de estar uma semana com você - sussurrou ela sentindo-se

deliciosamente selvagem e sem vergonha.

- Nunca trouxe nenhuma outra mulher para esta casa - confessou tirando

os jeans. - Sempre vim em busca de tranqüilidade e solidão.

Aquele lugar era para ela. Deveria havê-lo sabido, disse-se ditosa. Edward

pôs uma mão sobre a turgidez daquele seio pequeno mas firme e depois

desceu a boca até saborear o mamilo rosado que o coroava provocando com

seu movimento um gemido de prazer.

Cada terminação nervosa do corpo de Bella respondeu com um autêntico

espasmo e enchendo o espaço entre suas coxas de uma cálida umidade. Foi

ela que o levou até a cama e tombou sob aquele corpo masculino e poderoso.

- Desejo-a tanto que me dói - disse-lhe olhando-a apaixonadamente.

- E o que está esperando? - sussurrou ela adorando cada feição de seu rosto

-. Sou toda sua.

- Não o foi quando me abandonou... –

- Se eu posso perdoá-lo... você pode me perdoar - interrompeu-o desejosa de

resolver tão doloroso tema. - Voltei e vou ficar.

Edward respondeu à sua afirmação com uma paixão e um anseio que a

deixou exausta mas incrivelmente satisfeita. Incapaz de mover-se pelo prazer que lhe tinha proporcionado seu herói, Bella ficou morta em seus braços.

- Como estive? - perguntou-lhe ele malicioso.

- Precisa de um pouco mais de prática - respondeu sorrindo para si mesma.

Lhe levantou o queixo para obrigá-la a olhá-lo, mas o que fez foi rir às

gargalhadas.

- Isso é uma queixa, bela mia?

- Masen deve acreditar que nos perdemos - disse de repente com certo

sentimento de culpa. - Deveríamos nos levantar antes que sinta nossa falta.

Edward se dirigiu à ducha obdientemente e ela ficou uns segundos tão

prazerosamente relaxada que poderia ter ficado adormecida se nesse

momento não tivesse divulgado o telefone e não tivesse tido que responder.

- Bella? - disse a voz ao outro lado depois de um silêncio. - É você? De

verdade é você? - perguntaram com um entusiasmo que lhe era muito

familiar. - Não posso acreditar!

Era a irmã de Edward, Alice. Bella caiu em si despertando de repente e

por completo.

- Meu Deus... está com Edward em II Palazzetto! Estão outra vez juntos. Isso quer dizer que virão ao meu casamento no sábado. É o melhor presente que poderia me ter feito! - exclamou a jovem emocionada. - Ia vir sem me avisar?

- Espere, vou chamar Edward - Bella deixou cair o telefone como se

queimasse. Não sabia o que lhe dizer, durante o tempo que tinha estado com

Edward, afeiçoou-se muito à Alice, mas quando ao abandoná-lo, ela tinha

defendido seu irmão com unhas e dentes. Só de pensar agora, dava-lhe muita

raiva ter-se negado a escutá-la, mas naquele momento lhe tinha parecido

mais simples perder o contato com a jovem.

Chamou Edward e tentou não sentir-se ferida por que não lhe tivesse

contado que sua irmã ia casar-se. Possivelmente tivesse planejado levá-la ao

casamento de surpresa. Fosse como fosse, certamente agora ia ser lhe muito

difícil não fazê-lo.

- Alice está planejando sair com sua amigas manhã à noite e quer que vá

com elas - contou-lhe Edward quando ela saiu da ducha e ainda ao telefone

com sua irmã. - Estou tentando lhe explicar que a você essas coisas não vão. -

Mas a rebelde que tinha dentro de si se levantou para lhe demonstrar que

se equivocava.

- Pois se engana... Ficarei encantada de ir, lhe agradeça por me convidar.

Edward a olhou com gesto de desaprovação e surpresa, o que fez com que

Bella se sentisse como uma anciã que fosse sair com adolescentes, embora

na realidade Alice só tinha quatro anos menos que ela.

- Com quem se casa? - perguntou Bella depois de ter conversado um

momento com a futura noiva.

- Com Jasper, um arquiteto que está louco por ela.

- Me alegro muito por ela - disse baixando a cabeça. - Explicou como estão as coisas entre nós? - sondou agradecida pela desculpa por poder fazê-lo. -Porque estava chegando a umas conclusões...

- Já sabe como é minha irmã. Deixe que acredite o que quiser até depois do

casamento - sugeriu Edward sem a menor expressão no rosto.

- Tem a intenção de me levar ao casamento?

-Acredito que não temos outra opção agora que já sabe que está na Itália.

Não era uma resposta muito romântica, por isso Bella deduziu que se não

fosse pela chamada de Alice, jamais lhe teria ocorrido levá-la a uma festa

tão familiar. Bella estava consciente de que sua aparição ia causar sensação

entre seus amigos e parentes. Além disso, ao dizer de um modo tão evasivo,

Edward tinha esquivado a oportunidade de deixar claro o que havia entre eles. Naquele momento se arrependeu de ter respondido à chamada. Embora

possivelmente estivesse muito sensível, repensou mais devagar; possivelmente ainda era cedo para falar de sua nova relação. Ao fim e ao

cabo, esperar que um homem como Edward falasse de relações ou sentimentos era como lhe pedir a lua. Não devia esquecer que era o mesmo sujeito que tinha preparado o pedido de casamento no Longchamp com champanhe, morangos e diamantes e logo se limitou a dizer: «Bom... fará?»

- Se farei o que? - tinha perguntado ela observando o anel enquanto rezava

pelo que fosse certo o que pensava e desejava com todas suas forças.

- Que se você... e eu - tinha tentado lhe dar a entender com óbvia

frustração.

- É de casamento que não estamos falando? - tinha sussurrado Bella.

- Primeiro vem o compromisso.

- Mas o objetivo é o casamento? Sem prévio aviso, um malévolo sorriso apareceu em seus deliciosos lábios.

- Sim, mia amata. O objetivo é o casamento. Tinha-a chamado «minha

amada» e isso tinha sido o mais perto que tinha estado de uma declaração de

amor. Ela o tinha amado muito para pressioná-lo, sempre tinha pensado que

sua incapacidade para falar dos sentimentos dava a entender precisamente a

profundidade de ditos sentimentos e tinha despertado um curioso

sentimento de amparo para ele.

Na manhã seguinte, enquanto Edward mantinha uma reunião com o capataz da fazenda, ela levou Masen ao jardim e se sentou para desfrutar de uma xícara de café e seu catálogo de sementes.

Só quando abriu o envelope que lhe tinham enviado de Oxford se deu conta

de que o que tinha tomado pela folha de pedidos era na realidade uma carta.

E não era uma carta qualquer, a não ser uma de seu advogado nem mais nem

menos. Um suor frio lhe umedeceu as mãos e a frente.

Era uma carta breve e direta. Depois de ter tentado entrar em contato com

ela durante toda a semana, seu advogado lhe escrevia para lhe comunicar que

a sentença de divórcio já era definitiva. O café que acabava de beber se

tornou ácido. Levantou a cabeça e olhou Masen, que brincava encantado com

umas peças de construção.

Seus pensamentos se dispararam sem que pudesse fazer nada a respeito.

Estava divorciada. Já não estava casada com Edward. Já não era sua esposa nem ele seu marido. Lhe revolveu o estômago ao pensar em sua estupidez. Por

que não tinha chamado seu advogado para averiguar quando saía a

sentença? Do que lhe tinha servido evitar o que estava ocorrendo? Como

tinha estado tão louca de pensar que ainda restava tempo para o milagre?

Mas Edward já tinha avisado, não era certo? Havia-lhe dito uma e outra vez

que seu casamento estava acabado e é obvio, tinha razão. Com certeza ele já

sabia que estavam divorciados. Olhou bem a carta e se fixou na data; Edward

devia sabê-lo há pelo menos alguns dias. Mas não lhe havia dito nem uma

palavra. Mas claro, o que ia esperar? Edward Cullen era muito inteligente

para encarregar-se de dar tão más notícias. Claro que também era possível

que acreditasse que ela já sabia e tinha seguido seu exemplo de não

mencioná-lo sequer. Não, estava sendo muito generosa, decidiu destroçada

pela dor e o arrependimento. Edward sabia.

As lágrimas lhe queimaram os olhos antes de começar a cair. Bom, seu final

feliz de conto de fadas era já impossível. Certamente aquele divórcio era a

resposta a todas as perguntas que tinha estado fazendo-se durante os últimos dez dias. Ele estava disposto a deitar-se com ela, mas tinha permitido que o processo de divórcio seguisse adiante. Não tinha feito a menor tentativa de salvar seu casamento porque, ao contrário dela, não apreciava o que ainda sobrava dele. Obviamente, o que ela tinha acreditado ingenuamente que tinham recuperado era só produto de sua estúpida imaginação.

Agora devia pensar no que fazer. A primeira coisa que precisava era evitar

Edward e encontrar um pouco de tempo para si mesma. Assim que estivessem

em Roma, insistiria em que precisava comprar algo para sair com as amigas

de Alice e assim poderia passar umas horas sozinha. Tinha que decidir se

devia confrontar o temporal e ficar ou render-se e fugir.

O que não conseguia entender era por que a teria levado a Itália;

possivelmente pensava que tinha que continuar deitando-se com ela para

poder passar mais tempo com Masen, ou possivelmente fora uma vingança

por haver-se atrevido a abandoná-lo. Ou possivelmente fosse certo que

gostava do sexo com ela. E ela tinha concordado gostosa...

- Acredito que Masen necessita de um pouco de água e sabão - anunciou

Edward de repente fazendo-a levantar o olhar para seu filho, que lhe tinha

tirado o batons da bolsa e pintou todo o rosto. Bella tirou as lágrimas do

rosto e se alegrou de não ter dado via livre ao pranto.

O que não podia fazer era falar porque as lágrimas pareciam haver ficado

na garganta. Não sabia se estava mais zangada com Edward ou consigo mesma, mas certamente podia sentir que sob o aborrecimento jazia uma terrível humilhação.

Foi justo nesse momento no que chegou Sue e ela o agradeceu

enormemente.

- O que aconteceu? - perguntou-lhe Edward assim que entraram na casa e

Sue levou a Masen.

- Nada... o que ia acontecer?

- Não sei, mas sei que aconteceu algo - replicou Edward com certeza. - Por que quer ir sozinha esta tarde? Você odeia ir às compras.

- Não sempre.

- Eu gostaria de acompanhá-la - disse-lhe tomando a mão.

- Não pode. Talvez vou ao cabelereiro - desculpou-se de repente.

Quando LEdward saiu do quarto, Bella tirou a aliança de casamento e a

deixou em cima da cômoda. A aliança tinha sido um símbolo de seu

casamento e já não queria continuar usando-a. Agora tinha que reconsiderar

a relação que tinham nas condições atuais. No melhor dos casos, estava tendo

uma aventura com seu ex-marido e no pior, converteu-se em sua amante e

mantida; um pouco menos respeitável que ser sua esposa e certamente muito

menos seguro em termos de compromisso. As duas opções que tinha eram

aceitar a situação ou rejeitá-la. Naquele mesmo momento reconhecia que

odiava Edward tanto como o amava.

Era o melhor momento para que Alice batesse na porta e depois entrasse

como um torvelinho com um radiante sorriso nos lábios.

- Esta noite vamos passar isso de medo - assegurou sua ex-cunhada lhe dando um forte abraço. - Mas não importa que conte a Edward... Continua me tratando como se fosse uma menina!