Título: Além do Espelho
Autora: DarkAngel
Sinopse – Dois lados de um mesmo espelho. Dois lados de uma mesma guerra. Dois lados de uma mesma história. Não há caminhos errados para quem não tem escolhas.
Shippers: Draco Malfoy\Hermione Granger (e mais alguns outros sem importância ao longo do caminho, como Remus\Tonks, Andromeda\Ted, Harry\Ginny, Harry\Snape e por aí vai)
Gênero: Romance\Songfic\Angst\Drama
Classificação: NC-17\M
Spoilers: até Enigma do Príncipe fielmente seguindo o canon e, depois disso, alguns pedaços de Deathly Hollows, mas não tudo e não necessariamente canon.

Disclaimer: Nem as músicas dos capítulos, nem os personagens do universo de Harry Potter me pertencem, e eu definitivamente não ganho dinheiro com isso.

Música do Capítulo: Bent, Matchbox 20.


Capítulo Dois
Por que não eu?

Draco estava observando Hermione enquanto tomava seu café da manhã no dia em que completava um mês de sua estadia em Grimmauld Place.

Não havia sido, nem de longe, tão ruim quanto ele esperava; suas missões eram muito mais burocráticas do que de campo, ele passava as informações e impressões sobre o modus operandi dos Comensais e todos pareciam muito satisfeitos com o arranjo geral. O trio maravilha, como sempre, saía sem dar explicações a ninguém, faziam pesquisas exaustivas e viravam madrugadas buscando algo que ninguém ousava perguntar o que era. Imagine se algum mortal seria capaz de compreender a magnitude dos planos do Menino que Jamais Morreria. Malfoy observava e tentava aproximações e, como havia suspeitado, a única que dava abertura às suas investidas, era Granger. E, exatamente por sua exaustiva observação da garota, que ele havia notado: havia algo de errado com a Sangue-Ruim.

Não que ela fosse de alguma forma, normal; nem em Hogwarts essa palavra poderia ser usada para se referir a ela, mas agora a morena agia de maneira ainda mais fora do comum, era um jeito diferente do que ele se lembrava. Roupas diferentes. Horas que ela passava sozinha na biblioteca ou em seu próprio quarto. Longos momentos em que o olhar se fixava em algum lugar, sem razões aparentes e perdia-se ali por tempo indeterminado. Falava menos. Reclamava menos. Ria menos. Era como se ela estivesse... triste. Na forma mais pura da palavra.

Não que Draco se importasse, mas havia mais uma coisa que o intrigava e, de fato o revoltava um pouco. Nem Potter, nem o idiota do Weasley, que era namorado da garota, pareciam notar nada disso. Observando os três, o loiro notou que eles confiavam nela de uma maneira cega, como se ela fosse a mais velha dos três e, por isso, responsável, de certa forma, pelas ações que qualquer dos outros dois tomassem. Isso o intrigava, porque, da maneira que ele encarava a situação, ela estava mais do que precisando de ajuda. E os dois patetas simplesmente não viam isso.

If I fall along the way
Pick me up and dust me off
And if I get too tired to make it
Be my breath so I can walk
If I need some other love
Give me more than I can stand
And when my smile gets old and faded
Wait around I'll smile again

Hermione notou que Draco a observava incessantemente durante todo o café da manhã, com um olhar que ela não gostou, não sabia nem porquê.

Havia dias que ela havia percebido o que ele queria, sendo agradável com todos, polido até com Dobby, o elfo doméstico, a cumprimentando todas as manhãs e tentando, de uma forma estranha e desajeitada, não atacar, nem ser atacado por Harry e Ron. Não era preciso ser nenhum gênio para perceber que ele queria ficar bem do lado em que se encontrava agora.

Não que os meninos houvessem percebido. Se alguém mais, além dela, havia notado o fato, havia sido o Professor Lupin, que parecia ser da mesma opinião de Hermione: deixe que alcance seus objetivos, por que não? Faria bem a todos conviverem em paz. Os rapazes ainda ofereciam certas resistências, mas não demoraria a que acabassem se entendendo com o ex-Sonserino, os dois eram boas pessoas, apesar de um pouco bobos e reclamões.

A morena suspirou, pela terceira vez só aquela manhã; Ginny chegaria antes do almoço, finalmente veria a amiga depois de mais de um mês separadas. Estava feliz por Harry e ela, que não estavam namorando, mas pareciam ficar grudados por um feitiço adesivo permanente quando a ruiva estava por ali. Ginny havia feto dezessete anos há alguns dias e já manifestara o desejo de juntar-se à Ordem. Harry era contra, mas a ruiva era voluntariosa, certamente conseguiria o que desejava. Olhado para o amigo, ela notou que Harry estava muito ansioso. Sorriu de leve, era bom que ele tivesse algo para se alegrar. Ela queria ter um bom motivo para se alegrar também.

Levantou-se e deixou a cozinha, seguindo para a biblioteca; com Ginny na casa, dariam uma folga nas pesquisas sobre as Horcruxes, ela queria procurar algo para se distrair e a biblioteca era a melhor opção. Ron jamais botava os pés lá, a menos que fosse obrigado, e Harry estaria ocupado, grudado em Ginny, para ir até ali.

Passou, sem prestar atenção, pelas prateleiras, enquanto deixava sua mente vagar. Algo estava acontecendo com ela, e a morena, por mais que pensasse, não conseguia chegar a uma conclusão. Evitava, cada dia mais, a companhia de Ron; não se sentia mais da mesma forma a respeito dele. Na verdade, não se sentia mais da mesma forma a respeito de muita coisa desde a morte de seus pais. Sentia falta de algo que não conseguia definir, algo que lhe desse uma sensação que a morena, por mais que se esforçasse, não atinava com o que era. Mas algo estava faltando para ela.

Suspirou mais uma vez, o que faria em relação a Ronald? Não entendia o garoto muito bem, mas, de alguma forma, pensava que ele também não a via mais como namorada. Se é que algum dia havia visto. Afinal, um ser que leva quatro anos para perceber que ela era uma garota e precisava que um jogador internacional de quadribol aparecesse para que ele se desse conta disso, tinha que ter algum problema. Riu de leve, na verdade, ele não era tão mal assim. E era exatamente essa ingenuidade, essa inocência dele, que a encantava antigamente, como se ele precisasse ser guiado e protegido. Mas agora, não mais. E ela não sabia porquê.

Shouldn't be so complicated
Just hold me and then
Just hold me again
Can you help me? I'm bent
I'm so scared that I'll never
Get put back together
You're breaking me in
And this is how we will end
With you and me bent

A morena escolheu finalmente um livro e já se dirigia para uma mesa, quando Malfoy entrou no recinto, acenou levemente com a cabeça para ela e dirigiu-se também às prateleiras. Hermione prendeu seu olhar no livro e tentou ignorar a presença do loiro. Certamente não iria frustrar as tentativas dele de ser amistoso e menos insuportável, mas ela não havia esquecido que, até dois anos atrás, ele surgia com um insulto diferente para ela a cada dia. Não demorou para que ele viesse até a mesa em que ela estava.

- Posso me sentar aqui? – ele indagou, muito polidamente.

Hermione deu de ombros, ainda sem levantar os olhos do livro.

- Obrigado.

Ele respondeu, arrastando a cadeira e praticamente atirando o livro sobre a mesa. A morena levantou o olhar e viu o título da capa, teve que segurar o riso. "Hogwarts, uma história" era a escolha do loiro. Vendo o ar de riso de Granger, Draco ergueu uma sobrancelha.

- Algo errado, Granger? – indagou, em tom frio.

- Não, Malfoy, de maneira alguma. – a morena replicou, ainda com um ar zombeteiro.

- Então por que o riso? – ela sorriu e encarou-o.

- Hogwarts, uma história, Malfoy? Para que você vai ler esse livro agora? – a garota indagou, ainda sorrindo e com uma sobrancelha também erguida, numa imitação do loiro.

Draco se deu conta de que era a primeira vez que via Granger sorrindo desde que tinha vindo para a sede da Ordem, e era a primeira vez que prestava atenção ao sorriso dela, também. Com certeza, havia feito um bem para a morena quando fizera os dentes dela crescerem para que Pomfrey tivesse que reduzi-los; ela tinha um bonito sorriso, franco e alinhado. Sorriu de volta, ainda que friamente.

- Porque não há nada para se fazer nesta casa, já que todos parecem pensar que sou nada mais que um garotinho e não devo ver os horrores da guerra e ler é só o que me resta. Esse livro parece ser interessante e decidi tentá-lo. Por quê? Você não o leria? – indagou para provocar simpatia na garota. Sabia, assim como metade de Hogwarts, que Granger havia devorado aquele livro, a ponto de saber diversas partes dele decoradas, desde o primeiro ano. Talvez leitura fosse uma boa abordagem e ela se abrisse mais com ele, derrubando mais algumas barreiras até Potter.

- É um ótimo livro, Malfoy, fez uma boa escolha. – ela replicou, com um ar resignado, retornando à própria leitura.

- É, imaginei que deveria ser, afinal, você sempre estava lendo ele em Hogwarts e seu gosto para livros não é nada mal.

Hermione interrompeu a leitura mais uma vez e encarou o loiro, fechando o livro com força. Não estava sorrindo agora, seus olhos soltavam fagulhas e, de maneira estranha, o loiro lembrou-se imediatamente de McGonagall.

- Vamos deixar uma coisa bem clara, Malfoy. Não é surpresa para mim o que você está tentando fazer, mas, por favor, não force os meus limites. Até ontem, você estava me chamando de Sangue-Ruim e lutando pelo lado que ficaria muito feliz em me ver morta e agora vem e elogia meu gosto para livros? Por favor. Seja menos óbvio. Quer atenção e poder deste lado da guerra? Ótimo. Mas não force os limites, Malfoy. Eu sou tolerante, os outros podem não ser.

O queixo do loiro caiu. Com o que então, Granger sabia a razão de tanta cortesia e polidez durante aquele tempo todo e não fizera nada para impedi-lo? Na verdade, até tinha ajudado. Isso era, no mínimo, surpreendente.

- Se sabia disso o tempo todo, por que não falou para ninguém, Granger? Se sabia que era só interesse, por que não tentou me desbancar? – ele perguntou, desconfiado.

- Pela simples razão de que não vejo benefício algum nisso. Você pode querer poder, mas não deixa de estar fazendo a coisa certa. Nós não temos que aturar seus insultos, nem sua falta de educação. Está ótimo para os dois lados, para que interferir? Se Harry soubesse, ia querer seu pescoço e ele já tem coisas suficientes para se preocupar no momento.

Ela devolveu, desviando o olhar dele e levantando-se. Iria ler em seu quarto. Era muito mais calmo.

- Que raciocínio mais Sonserino, Granger. – ele declarou, parte surpreso, parte admirado.

- Não me ofenda, Malfoy. – ela disse, e o loiro sorriu do tom da voz dela. Não era realmente uma repreensão, ela havia entendido que havia sido um elogio. Ele ficou olhando enquanto ela se dirigia para a porta.

- Temos um acordo, então? Você vai me ajudar a não ser morto nem matar o Potter?
Hermione lançou um olhar avaliativo para o loiro, que esperou em silêncio. Ele havia decidido que, com ela, era melhor jogar às claras.

- Enquanto você se comportar decentemente, Malfoy, posso até pensar em ajudá-lo. É bom para o bem comum. Mas não espere que eu vá tentar convencer Harry ou Ron de que você é uma ótima pessoa ou algo assim. Só não vou abrir os olhos dele para quais são suas verdadeiras intenções.

- Está ótimo para mim.

Ele declarou voltado à leitura com um sorriso satisfeito, enquanto a morena saía da sala mais leve.

Quem diria que conversar com Draco Malfoy algum dia seria uma experiência divertida?

If I couldn't sleep could you sleep
Could you paint me better off
Could you sympathize with my needs
I know you think I need a lot
I started out clean but I'm jaded
Just phoning it in
Just breaking the skin

Hermione mal viu o dia passar. Almoçou na cozinha com todos os outros e conversou com Ginny. Ou tentou conversar, a ruiva dava sinais claros de que estava querendo falar com ela, mas Harry estava o tempo todo em volta, de forma que a morena apenas sorriu e deixou-os em paz, voltando a refugiar-se na biblioteca, junto com Malfoy. O loiro tinha um ar extremamente contrafeito quando a morena chegou lá e se largou em uma poltrona, tirando os sapatos e dobrando as pernas, acomodando-se para longas e divertidas horas de leitura. Mas não conseguiu. A cada cinco segundos, Malfoy soltava um suspiro de irritação ao ouvir as gargalhadas que entravam, mesmo pela porta fechada, vindas da cozinha.

- O que foi, Malfoy?

Ela perguntou, meio irritada, quando perdeu-se na mesma linha pela quarta vez, por culpa dos bufos do rapaz.

- Ah, por favor, Granger. Apenas me explique o que é que eles acham tão engraçado afinal? A guerra ou o fato de que ninguém faz idéia de quando isso tudo vai terminar? – ele perguntou, atirando-se contra as costas da cadeira e fazendo uma cara extremamente contrafeita, cruzando os braços sobre o peito.

- Eles só estão felizes porque Ginny está aqui. Fazia mais de um mês que nós não a víamos. E ninguém pode viver em estado de alerta vinte e quatro horas por dia, Malfoy, ou morreria só de nervosismo.

Ele ficou em silêncio e Hermione, imaginando que o ataque de irritação tivesse passado, voltou para o livro. Apenas para ser interrompida mais uma vez.

- E você?

- E eu o quê? – ela perguntou, arqueando as sobrancelhas.

- Não está feliz que a Weasley esteja aqui?

- Claro que sim. – ela respondeu, surpresa.

- Então por que não está lá com eles? – a garota assumiu um ar defensivo.

- Tenho tempo para conversar com ela à noite. Ela vai ficar no mesmo quarto que eu, sempre fica. Então nós vamos poder conversar, sem ter o Harry babando em volta. – disse, com um ar de descaso, dando de ombros, - Afinal, não tem porque eu ficar lá agora. O Harry estava morrendo de saudades e o Ron é irmão dela, devia estar louco para vê-la. Eles são, bem... família. – deu de ombros mais uma vez e fixou o olhar no livro. Draco ficou incomodado; pareceu ter sentido aonde ela queria chegar.

- Mas você é namorada do Weasley.

- É. – ela concordou, e não acrescentou mais nada. O loiro decidiu parar com as perguntas, acabara de conquistar uma aliada, não a assustaria com assuntos desagradáveis, se ela não queria.

Passaram o resto da tarde em silêncio, supostamente, lendo; mas a morena pegou o loiro cochilando sobre o livro mais de uma vez. Ria da cena e deixava passar.

Malfoy não era tão insuportável, afinal.

Can you help me I'm bent
I'm so scared that I'll never
Get put back together
You're breaking me in
And this is how we will end
With you and me bent
Start bending me, it's never enough
I feel all your pieces, start bending me
Keep bending me until I'm completely broken in
Shouldn't be so complicated
Just touch me and then
Just touch me again

Não foi nenhuma surpresa para Hermione quando, naquela noite, durante a reunião da Ordem, o pedido de Ginny para juntar-se a eles foi apresentado. Também sem surpresa, Ron, Fred, George e, mais veementemente, Harry e a Sra. Weasley foram contra; mas de nada adiantou. A garota era maior de idade, era uma boa bruxa, e eles não poderiam dispensar ajuda. O mau humor dominou os dois rapazes e Hermione conteve a exasperação. Pelo jeito como eles falavam, julgar-se-ia que Ginny era praticamente uma incapacitada e fosse realmente ser enviada a missões perigosíssimas. Até parece, pensou a morena, girando os olhos para as expressões contrafeitas, e encontrando o olhar de Draco, que sorriu cinicamente para ela.

Ele estava se divertindo muito. Era patética a maneira como Potter e o Weasley tentavam impedir que a cabeça de fósforo fizesse parte da Ordem. Quanta super proteção. Se a garota era boa, para que recusar ajuda? Weasley, principalmente. Draco refletiu que nunca havia visto ele defender Hermione daquele jeito.

"Hermione?!" ele se indagou, surpreso. Desde quando ele pensava em Hermione? Que ela não fosse mais sangue-ruim, tudo bem, era parte do plano dele, até porque, quando a guerra acabasse, e se o lado deles vencesse, sangue-ruim provavelmente viraria uma expressão contra a lei, mas Hermione? Sacudiu a cabeça e levantou-se quando a discussão acabou e a decisão final fora tomada. A irmãzinha do Weasley era oficialmente da Ordem e ficara na Sede, para treinamento, por mais um mês, o que pareceu acalmar um pouco o Testa Rachada.

Ótimo, mais um Weasley para co-habitar naquele lugar já super lotado, pensou o loiro, enquanto dirigia-se para seu quarto, decidido a dormir cedo. Teriam uma nova reunião na noite do dia seguinte e, finalmente, parece que teria a oportunidade de ter uma missão de campo. Ele tinha certeza de que não o colocariam se fosse uma missão de risco e ele estava contente com isso. Seria, provavelmente, uma espécie de passeio ao campo. Adormeceu quase instantaneamente e nem se importou quando ouviu as risadas vindas do quarto em frente onde, aparentemente, Ginny e Hermione gargalhavam dos dois outros rapazes.

Dormiu embalando pelo riso de Hermione que, ele concluiu, sonolento e beirando a inconsciência, podia ser ótimo de se ouvir.

Can you help me I'm bent
I'm so scared that I'll never
Get put back together
You're breaking me in
And this is how we will end
With you and me bent

Se Draco não estivesse presente à cerimônia de Seleção das Casas tantas vezes, e não soubesse mais do que bem que a principal qualidade da casa dos Grifos era a coragem, ele teria pensado que Harry Potter e companhia eram medrosos de primeira linha.

Lupin havia tido informações de atividades Comensais em algum lugar de Londres, em um bairro trouxa. A missão deles seria extremamente simples, ir até o lugar e conferir a presença ou não de Comensais na área. Fácil e descomplicado. O que o intrigou foram os olhares de surpresa e satisfação que cobriram o rosto de Granger, Weasley e Potter, quando Lupin mencionou o tal orfanato trouxa, e o ar de preocupação dos últimos dois quando o professor anunciou que Ginevra Weasley também iria com eles, para ter noções básicas sobre como agir em missões. A discussão já tinha durado mais de vinte minutos, com Lupin tentando intervir, mas não conseguindo; Potter e Weasley berrado que a Weasley não iria a lugar nenhum, a ruiva berrando de volta que ninguém a impediria; e Hermione e Draco assistindo a tudo em selênico. Quando não pôde mais agüentar a barulheira, o loiro decidiu intervir.

- Por favor, vocês não sabem decidir nada sem gritar? Que falta de classe. – ele exclamou audivelmente, obtendo o resultado desejado. Imediatamente os Grifinórios pararam de brigar entre si e o encaram com raiva.

Quer acabar com uma briga entre Grifos? Ofenda alguém da mesma casa e eles se unirão contra você, simples assim.

- Cale a boca, Malfoy. – disse, Ron, muito originalmente.

- Até calaria, Weasley, mas preciso entender uma coisa. Qual é o motivo de tanta discussão? Por que é que vocês não querem que a Weasley vá? Qual é o problema? Ela foi aceita na Ordem, não foi? Então? Qual é o problema?

- Por que ela é uma garota. Não pode ir. – respondeu o ruivo. Draco arqueou as sobrancelhas em resposta.

- Granger também é. Por que ela pode ir então? – Hermione o encarou, surpresa.

- Porque... porque... Ora, Malfoy, porque é diferente. – declarou o ruivo, incoerentemente.

- Não vejo diferença alguma, Weasley. Se a Weasley não pode ir, porque é uma garota, então Granger também não vai, e ficamos só nós três na missão. É muito simples.

- Claro que a Mione vai, Malfoy. Você quer ir, não quer, Mione?

Harry perguntou, e Hermione entendeu o que ele queria dizer. Era a oportunidade que eles estavam esperando. Desconfiavam que poderia encontrar pistas sobre alguma das Horcruxes no orfanato e por isso se opunham tanto à ida de Ginny, mas nenhum dos outros sabia disso. E era óbvio que ela queria ir... Não era?

Certo, vamos entender isso direito, pensou a morena. Ela queria ir, certo? Era uma missão importante, os garotos precisavam dela e ela queria, obviamente, ir, não pensaria duas vezes nisso. Então por que, exatamente, uma parte dela, maior do que ela gostaria, gritava seu apoio às palavras de Malfoy? Ela era uma garota, por que não protegê-la?

Não que ela fosse frágil, ou indefesa ou precisasse de socorro, mas Ginny também não precisava. A ruiva era uma ótima bruxa, melhor em combates do que Hermione jamais seria e, no entanto, ela era proibida de ir e Hermione, não. Ela iria, claro que ela iria, mas uma parte dela, uma parte minúscula, ela queria acreditar, sentir-se-ia bem melhor se fosse depois de uma discussão, nem que pequena, com seu namorado, que talvez envolvesse um "não vá, é muito perigoso", ou algo assim. Que droga! Por que esse Ron era tão absurdamente cego? Percebeu com o canto do olho que Malfoy a estava observando.

- É claro que quero. – ela respondeu, com a voz mais firme e despida de emoção que conseguiu. Estava fervendo de raiva por seus dois melhores amigos naquele exato momento. E se sentia extremamente feliz pelo olhar que Draco lhe dirigia.

O mundo estava de cabeça para baixo e ninguém havia lhe contado.

Acabou-se decidindo que Ginny iria, afinal. Nada que os garotos pudessem fazer, a menos que revelassem para Lupin tudo sobre as Horcruxes, e isso estava fora de cogitação.

Subiram os dois para seu quarto, emburrados, e Ginny ficou na cozinha, conversando com sua mãe, por flu. Hermione subiu as escadas com Malfoy.

- Você não precisava ter dito aquilo lá embaixo sabe? Contrariá-los não é exatamente uma maneira de ganhar o coração de nenhum dos dois. – ela disse, quando alcançaram as porta de seus quartos, virando-se para encará-lo.

- Talvez não seja, - ele disse, dando de ombros – mas a burrice daquele Weasley às vezes me irrita ao extremo.

A garota riu.

- É, a mim também. – fez uma pausa - Obrigada, de qualquer forma. – ela disse sem jeito.

- Pelo quê? – ela deu de ombros.

- Por notar que eu sou uma garota. Ron só percebeu isso quando nós estávamos no quarto ano, e só depois que Vítor me convidou para o Baile. – Draco riu.

- Então ele é ainda por do que eu imaginava, Granger. Porque você definitivamente é uma garota. E não é das piores. – ela sorriu, incrédula.

- Melhor a convivência com uma Sangue-Ruim do que com um Weasley, então, Malfoy? – ela indagou, meio cínica, ele riu no mesmo tom.

- Pelo menos você tem um cérebro, Granger. Boa noite.

- Boa noite. – ela respondeu.

Cada um entrando em seu quarto e pensando que aquele acordo deles não era nada mau.

Nada mau mesmo.


Bjs e

R E V I E W !