Título:
Além
do Espelho
Autora:
DarkAngel
Sinopse
– Dois
lados de um mesmo espelho. Dois lados de uma mesma guerra. Dois lados
de uma mesma história. Não há caminhos errados
para quem não tem escolhas.
Shippers:
Draco
Malfoy\Hermione Granger (e mais alguns outros sem importância
ao longo do caminho, como Remus\Tonks, Andromeda\Ted, Harry\Ginny,
Harry\Snape e por aí vai)
Gênero:
Romance\Songfic\Angst\Drama
Classificação:
NC-17\M
Spoilers:
até
Enigma do Príncipe fielmente seguindo o canon e, depois disso,
alguns pedaços de Deathly Hollows, mas não tudo e não
necessariamente canon.
Disclaimer: Nem as músicas dos capítulos, nem os personagens do universo de Harry Potter me pertencem, e eu definitivamente não ganho dinheiro com isso.
Música do Capítulo: Day Late Friend, Anberlin.
Capítulo Seis
Definindo caminhos
my day late friend
A porta se fechou e Hermione virou-se para encarar o moreno, que sorria. Havia muito tempo que não via o amigo feliz. Ou parecendo feliz, de qualquer maneira. Ele a abraçou novamente e tirou os pés dela do chão, gargalhando.
- Uma a menos, Mione! Só faltam duas! Duas! O que quer que seja de Ravenclaw e a cobra! Nós estamos tão perto, Mione! Tão, tão perto! – a garota não pode deixar de rir também, era como um peso a menos dentro dela, a felicidade do moreno era tão contagiante. Ela retribuiu o abraço, sorrindo também.
- Como foi, Harry? O que aconteceu? Onde está o Remus? – mas o garoto apenas balançou a cabeça, como se nada daquilo fosse importante. Colocou-a de volta no chão e lhe encarou, os olhos verdes brilhando.
- Foi complicado, mas está feito. E descobrimos a pista de mais uma, Mione. Nós vamos conseguir pegá-la, só precisamos descobrir como destruí-la. Só isso. – Hermione deixou de sorrir.
- Bem, Harry, não é como se fosse fácil, não é? – ele balançou a cabeça mais uma vez.
- Para quem já esperou tanto Mione, já perdeu tanto, lutou tanto... Só mais dois obstáculos... É quase um sonho.
Hermione percebeu o brilho nos olhos do amigo. Há quanto tempo não via aquele brilho alegre lá? Que mal haveria, afinal, em ter um pouco de esperança?
- Você tem razão, Harry. Falta pouco.
Sorriu para o garoto que pareceu tomar uma decisão. Com muito mais decisão do que jeito, Harry a beijou. A reação de Hermione foi rápida. Mal Harry havia encostado seus lábios nos dela, ela o empurrou, lhe encarando com um ar entre irritado e com pena.
only time will tell
- Harry! – ele a olhou um tanto confuso, estava claro que nem ele mesmo sabia o que havia feito.
- Eu... Mione... – ele respirou fundo, - Eu acho que eu gosto de você, Mione. – o olhar firme dissolveu-se num sorriso reconfortante.
- Não, Harry, você não gosta. Não desse jeito. E você, no fundo, sabe disso. Você está tentando me compensar por tudo que eu perdi, e tentando se manter longe da Ginny, porque sabe que é perigoso para vocês dois que ela fique ao seu lado. Eu sei que você gosta de mim, Harry, e eu o amo exatamente da mesma maneira: como um irmão.
O garoto ficou em silêncio algum tempo e então suspirou, passando a mão pelos cabelos bagunçados, em frustração.
- Eu acho que... Talvez eu tenha mesmo confundido tudo, Mione, mas é que com o que aconteceu ao Ron... E a partida de Ginny, e aí o Malfoy fica em volta de você o tempo todo! Ele tem que estar aprontando alguma coisa. – Hermione riu do ar irritado de Harry. Sentiu-se, por um instante, de volta à escola, onde tudo poderia ser culpado em Malfoy, onde suas principais preocupações eram birrinhas infantis.
- Sabe, Harry, eu realmente acho que o Malfoy mudou. Ele não é tão ruim assim. Você deveria deixar ele se aproximar, ele pode ajudar muito mais do que está ajudando. Talvez até ter informações sobre a Horcrux ou Nagini. – disse ela, racionalmente.
- Talvez... É só que eu não consigo confiar nele. Eu sei que Dumbledore confiava, mas eu não consigo. Não ainda.
- Bem, você devia, ao menos, tentar. – ela disse, dando de ombros, - Vou deixar você descansar agora e vou ver como vai o almoço.
Estava quase saindo do quarto quando ouviu a voz de Harry.
- Mione! – ela se virou, - Er... Desculpe. – a garota apenas sorriu e fechou a porta atrás de si, indo para a cozinha.
so let me get this straight
Draco encarava as panelas que borbulhavam lentamente sobre o fogão com uma fúria que diria que cada uma das bolhas que subia havia lhe feito uma ofensa grave, irreversível e pessoal.
Qual era o problema de Potter, afinal? Já não estava namorando a fêmea dos pobretões? Por que ficava dando beijos em Hermione daquele jeito?
Mas, pensando bem, qual era o problema dele? Por que se importaria se Potter beijasse Slughorn em pessoa, sobre a mesa da cozinha daquele lugar, durante o jantar? Ele não tinha nada com isso. E também não tinha nada a ver com quem Hermione beijava. Se ela quisesse beijar Potter, ótimo, que beijasse. Que deixasse ele lhe abraçar, e tocar seus cabelos, e sentir seu gosto, e o toque da sua pele, e... DROGA! Qual era o problema daquela garota?
Naquele momento, a garota em questão entrou na cozinha e recebeu um olhar extremamente irônico como cumprimento.
- Ora, ora. Parece que a festinha de boas vindas foi rápida.
Hermione o encarou como se ele tivesse ficado insano.
- Como assim?
- Bem, parece que vocês estão juntos agora. Pensei que fossem ficar lá em cima e deixar o almoço para mais tarde, em virtude das "comemorações" do feliz casal.
- Ah, por favor, Malfoy, Harry é meu melhor amigo, ele só queria falar comigo.
- Parecia mais com queria te tirar daqui. E rápido. Porque nós estávamos conversando. Potter estava com ciúmes, Hermione, não vê?
- Por Merlin, Malfoy, deixe de ser idiota! Harry é meu melhor amigo! Percebeu que eu não estava bem, e tentou me consolar da melhor maneira que podia. Ele é um bom amigo! – as vozes começavam a ficar alteradas, mas nenhum dos dois percebia, presos pelo calor da discussão.
- Ele não é nada! Nem teria notado que você estava precisando de alguém, senão fosse por mim! Ele estava com ciúmes!
- Pare de ficar repetindo isso, Draco, que droga! Harry é meu melhor amigo!
- Todos os seus amigos têm o direito de beijar você? – Hermione estava exasperada.
- Talvez tenham!
- Ótimo, considere-me seu amigo, Granger.
Um passo cobriu o espaço entre eles e não havia mais tempo, ou lugar, ou guerra, ou preocupação. Havia Draco lhe beijando. E havia Hermione lhe correspondendo.
O que é percepção do perigo, ou preocupação, quando o seu mundo se resume a conforto? Quando o beijo parece ser o exato, quando os corpos se ajustam, as essências se completam, os perfumes de fundem, quando o mundo, de repente, parece... Certo? Quem mediria o tempo, quem ouviria passos, que notaria a presença bastante cansada e, depois da visão que teve, um pouco pasma, de um antigo professor de Defesa Contra As Artes das Trevas, quando havia descoberto o lugar que nascera para estar? Ninguém, com certeza. A menos que o tal professor decidisse tossir, de maneira discreta, e fizesse as duas pessoas se separarem apressadamente.
O rosto de Hermione estava um tom intenso de vermelho, o de Draco ainda mais pálido que de costume. Nenhum dos dois sabia o que dizer, e o silêncio dominou o aposento, enquanto Lupin encarava os dois jovens a sua frente.
- Professor, nós... Ahn...
- Vocês não precisam se explicar, Hermione. Eu não sou mais seu professor, e vocês são maiores de idade. Mas tomem mais cuidado. Nunca se sabe quem pode entrar pela porta.
- Isso não vai se repet... – começou a garota, mas Draco a interrompeu.
- Nós tomaremos, Lupin, obrigado pelo conselho e nos perdoe a indiscrição.
Hermione lhe lançou um olhar muito irritado e recebeu um sorriso irônico como resposta, mas a discussão não aconteceu, pois mais membros da Ordem chegavam na cozinha naquele momento, para saberem como havia sido a missão.
A reunião foi, de uma maneira bastante resumida, vazia. Harry parecia estar decidido a não dar detalhe algum sobre absolutamente nada. Localizações vagas, frases soltas, respostas indefinidas e, depois de quase uma hora, muitos foram embora com a nítida impressão que não sabiam de uma única vírgula a mais do que sabiam quando haviam chegado lá. Muitos deles nem sabiam para que aquela missão havia ocorrido. Entre esses, encontrava-se Draco. Era sobre isso que o rapaz pensava, em seu quarto, algum tempo depois. Potter havia sumido com Lupin, para averiguar alguma coisa, os outros membros da Ordem haviam invadido a biblioteca, Hermione estava desaparecida, portanto, só lhe restava seu quarto.
Uma batida leve na porta fez com que ele desviasse os olhos de seu livro e dissesse um "entre" sem muita vontade. Hermione entrou no quarto com um ar decidido, parecendo pronta para uma missão realmente difícil e Draco conteve um sorriso. Apostava qualquer coisa, todos os galeões que tinha, que ela ia tentar tornar o que tinha acontecido na cozinha em algo racional e palpável.
- Nós precisamos conversar. – o ar decidido se estendia ao tom da voz, e Draco sentia vontade de rir.
- Por quê? – ela lhe encarou, incrédula.
- Porque nós precisamos esclarecer o que aconteceu na cozinha!
- Por quê? – a repetição daquela pergunta e o ar inocente que o rapaz ostentava estavam fazendo o sangue de Hermione ferver.
- Bem, Malfoy, aquilo foi algo impensado e infantil de se fazer, você não pode sair por aí beijando as pessoas!
- Talvez não, se as "pessoas" não correspondessem, Hermione. Mas, a partir o momento em que você respondeu ao meu beijo, aquilo deixou de ser algo "impensado e infantil" e passou a ser algo bom. – ela abriu a boca para protestar, mas ele levantou a mão, indicando que não havia terminado de falar, e continuou, no mesmo tom calmo e levemente irônico, - Eu jamais imaginei que chegaria o dia em que um Sonserino ensinaria a uma Grifinória a ser impulsiva, mas esse momento chegou. Espero que Salazar não esteja se revirando na cova. Há coisas, Hermione, que só funcionam quando nós não pensamos sobre elas. Aquele beijo foi um desses casos.
- Não existe nada que não possa ser pensado, Draco. – ela disse, cruzando os braços e o encarando, com um ar superior. Aquilo o irritou muito. Quem ela pensava que era para encará-lo com superioridade?
- É mesmo? – ele indagou, se aproximando dela, fazendo-a recuar até estar escorada contra a porta, - Então pense enquanto eu faço isso.
Pressionou seu corpo contra o dela, encarando os olhos castanhos, conseguia sentir que ela já não tinha uma linha coerente de pensamentos. Na verdade, ele também estava, aos poucos, perdendo a dele. Desviou o olhar para os lábios, que já estavam entreabertos, a respiração quase presa, as mãos que, de alguma forma, estavam entrelaçadas às suas.
Voltou a encará-la e se aproximou lentamente, tocando os lábios com leveza, apenas um leve roçar, que a fez tirar uma de suas mãos de entre as dele e entrelaçá-la em seu cabelo, puxando-o para mais perto, aprofundando o beijo. A língua de Draco pediu passagem, e a boca de Hermione alegremente cedeu, sentindo o gosto de café que ele tinha. Draco aproximou-se ainda mais, os dois corpos colados, e conseguia sentir o calor do corpo dela, através da blusa fina que ela usava. As mãos pálidas percorreram a extensão dos braços, e uma delas entrou nos cabelos cacheados, enquanto a outra enlaçava a cintura da garota, que subiu as duas mãos para os cabelos loiros e finos. Poderiam ficar ali para sempre, por muito tempo, não importava. Até que Draco sentiu seu corpo pedir por mais, e ele precisou de todo o seu autocontrole para se afastar.
Se Hermione ficava preocupada por um beijo, ele realmente não queria saber o que ela faia se as coisas fossem mais... Longe.
- Nós ainda não podemos ficar fazendo isso, sem ao menos, conversarmos. – ela declarou, a voz entrecortada.
- Quem disse que não? – ele respondeu, a voz rouca, seu corpo ainda colado ao dela, e precisando de muito autocontrole para não beijá-la novamente, - Isso aqui foi o melhor exemplo de que não pensar, às vezes, traz alegria.
Ela riu de novo, e aos poucos se desvencilhou dos braços dele, indo em direção à porta.
- Talvez, Malfoy. Talvez você tenha razão.
Sorriu mais uma vez e, antes de abrir a porta para sair, apressou-se até o lado dele e lhe deu um beijo na bochecha, sumindo em seu quarto, segundos depois.
Draco jogou-se na cama e fechou os olhos. Ele não iria pensar. Seguiria seu próprio conselho e não iria pensar. Sorriu e pegou o livro novamente.
Não pensar era tão bom, às vezes.
Bjs e
R E V I E W !
