Título: Além do Espelho
Autora: DarkAngel
Sinopse: Dois lados de um mesmo espelho. Dois lados de uma mesma guerra. Dois lados de uma mesma história. Não há caminhos errados para quem não tem escolhas.
Shippers: Draco Malfoy\Hermione Granger (e mais alguns outros sem importância ao longo do caminho, como Remus\Tonks, Andromeda\Ted, Harry\Ginny, Harry\Snape e por aí vai)
Gênero: Romance\Songfic\Angst\Drama
Classificação: NC-17\M
Spoilers: até Enigma do Príncipe fielmente seguindo o canon e, depois disso, alguns pedaços de Deathly Hollows, mas não tudo e não necessariamente canon.

Disclaimer: Nem as músicas dos capítulos, nem os personagens do universo de Harry Potter me pertencem, e eu definitivamente não ganho dinheiro com isso.

Música do Capítulo: Delicate, Damien Rice.


Capítulo Sete

Are we or are we not?

We might kiss when we are alone
When nobody's watching
We might take it home

- Isso é simplesmente absurdo! – foi a exclamação de Hermione, após mais um dos muitos beijos que haviam acontecido durante as últimas duas semanas.

- Por quê? – indagou Draco mais uma vez. A cena já começava a ficar repetitiva. Ficavam sozinhos, acabavam se fitando por alguns instantes, o olhar tornava-se um beijo; o beijo, uma discussão sobre a sua inconseqüência; a discussão, mais um beijo, como num ciclo, que só era quebrado por sons ou visões que anunciavam que mais alguém se aproximava.

- Você já pensou, Draco, se mais alguém nos vê, além de Lupin? – o antigo professor andava lançando vários olhares e sorrisos encorajadores para os dois, desde o episódio na cozinha.

- Não, Hermione, não pensei. – a garota fez um som irritado e afastou-se dele, indo para o outro lado da biblioteca, onde haviam estado durante boa parte do dia. Harry e Hermione pesquisando, Draco, aparentemente, lendo, mas, na verdade, tentando descobrir sobre o que era que os outros dois tanto pesquisavam, e liam, e conferenciavam.

Fazia quinze minutos que Harry havia saído do lugar, e levara menos de três para que Draco e Hermione se beijassem.

- Pois devia ter pensado. Como você acha que Harry vai reagir se nos pegar assim? Aos beijos, no meio da biblioteca? – Draco deu um sorriso cínico.

- Bem, ele não poderia fazer nada, poderia?

- Ele poderia ficar louco de raiva, Draco! Seu "planinho" não era se aproximar dele?

- E que melhor maneira de fazer isso do que estar com a única e melhor amiga dele? – ele disse, com um ar indiferente.

Um silêncio pesado seguiu essas palavras e foi num tom frio que Hermione voltou a falar.

- Então é esse o motivo? Se aproximar do Harry?

Draco suspirou, cansado, o ar indiferente sumindo e uma expressão quase triste surgindo em seu lugar.

- É óbvio que não, Granger. Eu não sou burro, e sei que se Potter descobrisse sobre nosso... Envolvimento, ele era capaz de me pôr para fora daqui. Eu já lhe disse um milhão de vezes: eu.não.pensei.sobre.isso.

A expressão de Hermione suavizou, enquanto Draco, pela primeira vez, mediu o peso de suas próprias palavras. Ele realmente estava arriscando sua posição frágil e a confiança precária que começava a conquistar dentro da Ordem por uns amassos em Hermione Granger?

Mas quando a garota se aproximou e o abraçou, sem segundas intenções, sem interesses que não fossem dar e receber conforto, ele percebeu: não eram os amassos, e os beijos, e o desafio. Era apenas ter alguém que se importasse. De verdade.

So why do you fill my sorrow
With the words you've borrowed
From the only place you've known

Devolveu o abraço, e permaneceram em um silêncio confortável alguns segundos, até que Draco verbalizou algo que estivera o incomodando naquele momento.

- E por que não contamos?

Hermione se afastou e sentou em sua cadeira, enquanto Draco sentava-se de frente para ela, do outro lado da mesa.

- É muito cedo para que Harry saiba. – a voz dela estava decidida.

- Muito cedo para que eu saiba o quê? – perguntou Harry, entrando na biblioteca. Hermione lhe sorriu, enquanto Draco lhe lançava um olhar profundamente irritado.

- O que vai ter para o jantar. – respondeu a garota, recebendo um olhar estranho do amigo, que acabou se sentando ao lado dela e retomando sua pesquisa.

Hermione evitou o olhar de Draco o resto da tarde, e saiu da biblioteca antes dos outros dois. Jantou apressadamente e seguiu para o seu quarto.

Agora, era ela quem não queria pensar.

We might make out when nobody's there
It's not that we're scared
It's just that it's delicate

Passava da meia noite quando uma batida leve na porta tirou Hermione de seu quase sono. Não estava dormindo, mas estava com os olhos fechados tentando descansar. Foi até lá e, quando a abriu, não encontrou ninguém, apenas um pedaço de papel no chão. Pegou-o e fechou a porta novamente, abrindo o pequeno pergaminho.

"Pensar demais faz mal, Granger. Venha até meu quarto e nós podemos conversar, que tal?

D."

Hermione encarou o bilhete com um sorriso pequeno nos lábios. Então agora ele queria conversar? Era óbvio que ela não iria. Precisava dormir. Tinha mais o que fazer que ficar por aí, conversando de madrugada com Draco Malfoy, no quarto dele.

Cinco minutos depois, Hermione entrava, sem bater, no quarto em frente ao seu. Encontrou Draco com uma calça de pijamas, e nada mais. Ele estava deitado, lendo um livro, e levantou o olhar quando ouviu a porta se abrir e fechar, e Hermione entrar no quarto. O cabelo dele caía sobre os olhos, e um sorriso presunçoso dançava em seus lábios, ao encarar a garota.

- Quem diria, Granger, você invadindo meu quarto de madrugada. Os tempos mudam. – ele fez um ar sério, e Hermione girou os olhos.

- Eu não invadi, Malfoy, você me chamou. Quer conversar sobre o quê?

Ele largou o livro e sentou-se com as pernas cruzadas sobre a cama, observando a garota à sua frente. Ela tinha um brilho decidido no olhar que ele começava a achar fascinante, um jeito desprovido de malícia, de consciência de que poderia manipular os outros com sua inteligência. Hermione não era bonita, não no sentido estrito da palavra. Ela era... Diferente.

A maneira como os cabelos cacheados emolduravam seu rosto, os olhos que sempre estavam brilhando, fosse fúria, raiva ou tristeza que estivesse por trás de seu brilho. Ele se perguntava, naquele instante, como jamais havia notado tudo isso em Hogwarts, e a única resposta que tinha era a de que nada daquilo estava lá antes. Ou que ele estava tão cego pelos seus próprios preconceitos que jamais veria nada daquilo antes. Antes de perder sua família e se ver sozinho no mundo, antes de ter que estar em uma guerra sem ter escolhido lutá-la, antes que todos os seus planos fossem destruídos pelo homem que ele costumava admirar.

Mas as pessoas mudam, interna e externamente. Ele havia mudado... Hermione também. Em algum momento entre seu último ano em Hogwarts, e sua deserção para o lado de Potter na guerra, a garota metida a sabe tudo havia se tornado uma mulher, uma bela mulher, forte e decidida. E era por esta mulher que Draco começava a admitir que estava... Encantado.

Não apaixonado, ou qualquer destas bobagens, mas ela era a companhia mais agradável que havia ali. Sempre há um lado útil em tudo, talvez o lado útil de sua atual situação fosse perceber o quanto Granger poderia ser uma boa companhia.

Hermione andou até a cama, e sentou-se de frente para Malfoy, uma das pernas dobrada embaixo do corpo, a outra tocando o chão, e os braços apoiados no colchão, enquanto ela o fitava, em silêncio.

Malfoy não era mais o mesmo. Seus olhos já não traziam o brilho de raiva constante que sempre tinham, suas feições não se contorciam mais em desprezo quando a via. Ele apreciava sua companhia, e nem ao menos precisava falar para que ela soubesse disso. E isso a fascinava. Em algum momento entre a fuga dela, junto com Harry e Ron, para o esconderijo da Ordem, e a adesão de Malfoy ao seu lado da guerra, Draco Malfoy tornara-se um homem interessante. Frio, ainda, sim, cínico e irritante, mas mais calmo, mais consciente, mais aberto a chances, menos dado a preconceitos, mais... Humano.

E era para conversar com aquele homem que ela deixara de dormir e se encontrava na cama de seu antigo rival de escola, apenas de camisola e robe, sem se preocupar com o que pensariam dela, se soubessem que ela estava ali.

- Então... – ela começou, - Conversar sobre o quê? – Draco riu de leve, e deu de ombros.

- Qualquer coisa. Nós nunca conversamos, e eu não conseguia dormir... Aposto que você também não. – o tom dele não era de brincadeira, ou escárnio, ou os costumeiros ares zombeteiros que eles haviam se acostumado a usar quando estavam um com o outro. Ele estava sendo franco e aberto, talvez pela primeira vez desde que se conheceram, há tanto tempo atrás. Ou talvez, pensou Hermione, fosse apenas agora que eles verdadeiramente se conheciam.

- É, eu também não conseguia dormir. – ela admitiu.

Draco se mexeu, desconfortável, na cama, indo um pouco mais para trás e apoiando-se em uma das almofadas que estavam escoradas contra a cabeceira da cama.

- Algum motivo em específico? – Hermione deu de ombros, e também trocou de posição, sua perna começava a formigar. Passando as duas pernas para cima da cama, uma ao lado da outra, de frente para Draco.

- Tudo. Harry acha que o fm da guerra pode estar tão perto e eu acho isso tão... Improvável. – ela disse, com uma risada um tanto seca, como se zombasse de si própria por não acreditar total e cegamente em seu melhor amigo, - Eu me sinto um pouco... Traidora, por não confiar completamente. – Draco suspirou, havia lido tudo corretamente o que a garota queria dizer. Ele esticou a mão, e tocou na mão dela, que repousava em seu colo, fazendo-a o encarar.

- Você não está traindo ninguém, Hermione, só está sendo realista. – ela riu mais uma vez, da mesma maneira nervosa.

- É, eu sei, minha razão sabe, mas meu coração não está aceitando isso muito bem.

- É o eterno dilema dos raros grifinórios dotados de cérebro, sabe? Ter que aprender a dividir sua confiança entre sua razão e suas emoções. A maioria de vocês apenas deixa os impulsos os guiarem, cegamente. – ele riu da expressão levemente indignada da garota, - Eu estava brincando. É normal que você se sinta assim, eu acho. Vocês são amigos há muito tempo, não é? – ela assentiu e deu um sorriso leve, encarando a parede e parecendo ver além dela, como se pudesse visualizar suas lembranças.

- Ele e Ron foram os primeiros amigos que eu tive no mundo mágico. Eu não era exatamente popular com os Trouxas, e entre os Bruxos eu também não estava me saindo muito bem... Até eles aparecerem. Os melhores e mais verdadeiros amigos que eu jamais tive, ou vou ter. E não confiar cegamente no julgamento de um deles é quase contra a minha natureza, mas algo me diz que nada pode ser assim tão simples.

Draco a observou em silêncio e então a puxou pela mão que ainda segurava, fazendo com que ela deitasse a seu lado, sem tocá-la, apenas virando-se, ficando de lado também, para encará-la, deitada ao seu lado, suas respirações tocando o rosto do outro, e seus olhos no mesmo nível.

- É por causa do julgamento dele que você não quer contar sobre nós? – Draco indagou suavemente, - Por que você pensa que ele não vai aceitar, por causa do Weasley? É por isso que você se sente uma traidora?

- Desde quando você usa Legilimência para falar comigo, Draco? – ela perguntou, meio brincando, meio séria, fazendo Draco sorrir brevemente.

- Eu não preciso de Legilimência para ver o óbvio. Você que está acostumada a esse pessoal que não pensa a sua volta. – ela fingiu um ar ofendido por alguns segundos e observou o ar dele ficar sério, de uma maneira calma, enquanto a encarava, sendo retribuído com a mesma intensidade.

- Eu não quero ter que ficar escondendo ou mentindo sobre nada, Hermione. Eu já fiz isso o suficiente por toda uma vida. – ele sussurrou, sem ao menos saber a razão porquê estava falando tão baixo, - Você não devia se importar com o que vão pensar de você. Eu nunca achei que se importasse.

- Eu não me importo por mim, Draco. Mas você sabe o que eles vão pensar, quando souberem, não sabe? – ela sussurrou de volta. Draco apenas assentiu.

Sim, ele sabia. Que ele a estava usando para ficar bem daquele lado, que ele havia enredado uma garota que ainda estava frágil pela perda de seu melhor amigo e namorado, para se sair bem de uma situação. Como se alguém fosse conseguir enganar Hermione de maneira tão óbvia.

Pela primeira vez ele não agia buscando recompensas, ou tendo segundas intenções e ele seria acusado de fazer exatamente isso, sem que eles lhe dessem uma segunda chance de se explicar.

We might make love in some sacret place
The look on your face is delicate

Qualquer explicação entre eles era desnecessária. Eles sabiam o quanto a companhia um do outro lhes fazia bem, sabiam o quanto apreciavam seus momentos em silêncio e seus olhares cúmplices, mas também sabiam que jamais teriam como explicar isso de forma convincente, de uma maneira que Hermione não ficasse parecendo uma adolescente boba e desconsolada e Draco, um aproveitador que tentava tirar proveito da suposta fragilidade de Hermione.

Ele se aproximou lentamente e viu Hermione fechar os olhos, sabendo que ele a beijaria. Levou alguns segundos a mais do que levaria para alcançá-la, apenas para admirar o rosto dela, com os olhos fechados, a prova suprema de confiança que ele tanto queria que alguém lhe desse. Os lábios de Hermione sempre eram quentes, como se tivessem um fulgor interno, que jamais permitissem que ficassem gelados, a pele dela era macia e cheirava a mel.

Ele virou-se lentamente na cama, ficando por cima de Hermione, sem pressioná-la, no entanto, seus corpos mal se tocavam, enquanto ele enredava uma de suas mãos pelo cabelo dela, e com a outra, se apoiava sobre a cama. Sentiu quando as mãos de Hermione passavam por suas costas nuas, e o puxavam para si, abrindo a boca e permitindo que Draco aprofundasse o beijo, acomodando-se sobre as almofadas e entre os travesseiros, deixando que a mão dele, agora livre de suportar seu peso, acariciasse seu rosto e seus ombros, de maneira leve e rápida. Cada toque durando apenas o tempo necessário para que ela soubesse que ele havia ocorrido, e sumindo em seguida, como se ele temesse que ela fosse frágil demais, e pudesse se partir com qualquer toque mais forte.

Ele quebrou o beijo, alguns segundos, encarando-a quando ela abriu os olhos e então desceu a boca para seu pescoço, depositando beijos suaves por toda a sua extensão, até alcançar os ombros, onde ele afastou delicadamente o tecido do robe, e encontrou as alças da camisola. Retomou o beijo, mexendo nas alças da roupa dela com a mão livre, enquanto Hermione, uma vez mais, puxava-o pelas costas, aproximando-se dele, deixando claro que não desaprovava o que ele fazia.

Draco mais uma vez se afastou, ficando de joelhos sobre a cama, cada perna de um lado das pernas dela, e admirou a garota por alguns instantes até que, sem desviar o rosto do rosto dela, passou uma das mãos do tornozelo até o joelho, demorando-se ali, e então subiu mais, passando pela coxa, levando o tecido da camisola ao mesmo tempo que seu toque subia. Quando já não conseguiu mais tirar o tecido que atrapalhava tanto do caminho apenas com aquele toque leve, puxou Hermione de encontro a si, fazendo com que ela ficasse de joelhos também, baixou a cabeça até o pescoço da garota, enquanto suas mãos continuavam sua exploração, tirando o robe que ainda atrapalhava, já meio caído, e atirando-o ao chão.

Puxou a camisola com delicadeza, revelando completamente o corpo da mulher que ele passara a admirar tanto, em tão pouco tempo. Olhou nos olhos dela e conseguiu ler nervosismo, mas também o espelho do desejo que ele sentia. Beijou-a mais uma vez, com calma e paciência, e afastou-se novamente, para livrar-se da calça, que agora o incomodava tanto quanto a roupa de Hermione estava o incomodando antes. Quando a beijou, desta vez, deixou transparecer mais da fome que sentia, a necessidade por contato, a vontade de ter Hermione como sua, como não havia sentido por ninguém antes. Sentiu a respiração da garota cada vez mais rápida, fazendo par com a sua, já descompassada, enquanto a deitava mais uma vez, sem romper o beijo.

Quase como se já tivessem vivido aquela mesma cena milhares de vezes antes, Hermione deu passagem para o corpo de Draco entre suas pernas, enquanto ele se controlava para não ser apressado, e acabar machucando-a.

O primeiro movimento de Draco foi lento, contido, cuidadoso e ele percebeu que Hermione se tornava desconfortável, com a dor que ele sabia estar causando. Parou sobre ela e tornou o beijo mais profundo, fazendo-a se acalmar, se sentir segura, antes de mover-se mais uma vez, enquanto beijava o pescoço e os ombros dela, suas mãos procurando as mãos de Hermione e unindo-as, passando segurança.

Os movimentos continuaram lentos, até que ele sentiu, finalmente, que Hermione unia-se a ele nos movimentos, os primeiros sons escapando dela, gemidos baixos, contidos, mas presentes, mais uma vez espelhando os dele. Movendo-se juntos, não demorou a que Draco sentisse que não agüentaria mais, derramando-se dentro de Hermione, e continuando a se mover, até que ela também deixou um gemido mais alto escapar, por se sentir completa, exatamente como ele.

Encararam-se, enquanto recuperavam o fôlego, e Draco saiu de cima dela, puxando-a para cima de seu peito, enquanto acariciava os cabelos da morena, conseguindo se sentir em paz, pela primeira vez, desde que a guerra começara. Ele viu Hermione adormecer e só então permitiu que seus olhos se desviassem da garota e finalmente se fechassem, adormecendo.

Em paz.

We might live like never before
When there's nothing to give
Well how can we ask for more


Bjs e

R E V I E W !