Disclaimers e blá blá bla: capítulos anteriores.

Música utilizada: The Unforgiven, Metallica.(é, eu sou ecléticaXD)

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Capítulo Doze

The Unforgiven

"New blood joins this earth
And quickly he's subdued
Through constant pained disgrace
The young boy learns their rules"

A noite caía e Draco observava Hermione parada próxima à janela do quarto dele. Calada. Hermione nunca ficava calada, ela sempre tinha algo a dizer, a menos que o que tivesse a dizer fosse tão terrível que até mesmo ela teria medo.

E era exatamente essa noção que deixava Draco apreensivo em vê-la ali, há longos minutos, fitando a janela. Algo estava errado. Aproximou-se a passos lentos e tocou seus cabelos, fazendo-a virar-se e lhe fitar, mas ainda assim, como se não estivesse lhe vendo.

- Tem alguma coisa errada? – ela ficou em silêncio e lhe encarou, apenas, como se procurasse por uma resposta em seus olhos. Draco imaginou que ela não tivesse encontrado, pois a garota desviou o olhar para a janela novamente e apenas balançou a cabeça em sinal de negação.

- Hermione, tem algo errado e eu quero saber o que é. – ele virou-a pelos braços para encará-lo e a garota tinha os olhos marejados. – Merlin, Hermione, fala o que está acontecendo!

O tom de Draco agora era verdadeiramente preocupado, e sua angústia apenas aumentou quando viu as lágrimas começarem a correr pelo rosto de Hermione. Ela abraçou-o e afundou o rosto na curva do pescoço dele, de onde ele podia ouvir os soluços que sacudiam seu corpo e sentir as lágrimas começarem a molhar sua camisa.

- Eu... Eu não queria... Fui tão burra! Tão estúpida, não pensei... Ah, Draco. O que é que eu vou fazer agora?

Ela continuava murmurando palavras quase sem sentido, enquanto Draco apenas corria as mãos pelo seu cabelo, tentando acalmá-la. O que teria feito Hermione ficar nervosa, daquele jeito? Seria algo que já sabia há algum tempo, talvez? Ela tinha estado tão estranha nos últimos dias... Sempre enjoada pela manhã, e reclamando de dor, às vezes... Oh, Merlin!

- Hermione... – ele chamou, com a voz suave, mas afastando a garota dele, para poder olhar em seus olhos, - me conta o que aconteceu. – ela balançou a cabeça em negação, - Hermione, por favor... Me conta.

Silêncio, a não ser pelos pequenos sons que a garota fazia enquanto chorava.

- Hermione... Você está... É um bebê? – ele perguntou, num impulso, antes que perdesse a coragem.

Ela apenas afastou-se, ainda chorando, e Draco viu a parte de trás de sua cabeça balançar em confirmação.

Ficou sem ação, sem saber o que fazer, ou como agir. Uma criança. Um filho. Um serzinho pequeno e indefeso que não teria nada para protegê-lo nesse mundo que não ele ou Hermione. Alguém que sempre precisaria dele, como ele ainda precisava de seus pais, mesmo que já não os tivesse mais. Uma criança, um filho, no meio da guerra. Com dois pais que estavam lutando. Com uma mãe que poderia ser o maior alvo num campo de batalha, depois de Potter, por ser próxima demais dele. Com um pai que poderia ser morto por simplesmente ser visto na rua.

Não parecia a melhor perspectiva para o nascimento de ninguém, mas Draco não conseguiu impedir o sorriso de surgir em seu rosto.

Correu até Hermione e a abraçou por trás, levantando-a do chão. Ela assustou-se tanto, que esqueceu de chorar e acabou por fitá-lo, incrédula.

- É o nosso filho. – ele declarou, a voz baixa, testa colada na dela, que deixou uma risada nervosa escapar.

- Eu não sabia o que fazer. Descobri hoje à tarde. Demorei tanto para perceber e aí... Fiquei com medo... De como você ia reagir.

Os olhos metálicos fixaram-se nos castanhos e Draco acabou por sorrir.

- Eu entendo... Mas eu nunca culparia você, ou pensaria nada de mal do nosso bebê. É o nosso filho. – ela sorriu, um sorriso delicado, que parecia quase frágil. A fragilidade do cristal, de saber que um medo muito grande era infundado, que uma apreensão deveria ter sido inexistente, que a aprovação buscada havia sido dada sem resguardos.

Abraçou-o sentindo um peso enorme abandoná-la. De alguma forma, que ela não fazia idéia ainda de qual seria, tudo daria certo no final.

Tudo sempre tem de dar certo no final.

Quando se separaram, no entanto, Draco estava sério e fitava Hermione com o olhar brilhando de uma maneira estranha.

- Você não vai amanhã.

Silêncio.

- Eu sei. Mas o que é que eu vou dizer? – Draco não conseguiu esconder que estava um tanto surpreso, mas, na verdade, deveria ter imaginado. Hermione era uma mulher incrivelmente inteligente, jamais arriscaria a vida do filho deles por uma missão.

Filho deles.

- Daremos um jeito, não se preocupe.

Draco a abraçou e, embora ela não parecesse convencida, deixou-se abraçar, acabando por adormecer no quarto de Draco.

O dia não demoraria a surgir, trazendo nova luz para os dias sombrios em que estavam.

E de alguma forma tudo daria certo.

"With time the child draws in

This whipping boy done wrong

Deprived of all his thoughts

The young man struggles on and on he's known

A vow unto his own

That never from this day

His will they'll take away"

- Eu não vou.

Todos na mesa do café da manhã encararam Draco, como se ele tivesse perdido a razão.

- Como assim, Malfoy? Nós combinamos ontem, como que você diz que simplesmente não vai à missão? – o tom de Lupin não era irritado, mas beirava a desconfiança. Harry tinha um ar desaprovador.

- Eu sabia que você ia se acovardar, Malfoy.

- Não é uma questão de covardia ou coragem, é uma questão de raciocínio. Era um esconderijo de Comensais, ou um quartel general deles. Você realmente acha que eu devo me arriscar a morrer por ir direto até lá? O quão burro você é, Potter?

- Ótimo, não quer ir, não vá. Mas aqui, sozinho, você não fica. – Draco olhou para Hermione com uma sobrancelha erguida. Ela, relutantemente, entrou no jogo.

- Eu não estou me sentindo bem. Eu fico com Malfoy. – Lupin olhou para os dois, e pareceu entender algo.

- Está bem, então, Hermione. É uma base desocupada, de qualquer maneira... Vamos eu, Tonks, Neville e você, Harry. King e McGonagall virão para cá mais tarde.

Houve murmúrios de concordância e, aos poucos, todos deixaram a cozinha. Lupin permaneceu, mesmo depois de Draco ter subido, dizendo que ficaria na biblioteca.

- Eu não entendo direito, Hermione, o que está acontecendo entre você e Draco. Mas ouça o que eu digo: não deixem que isso se torne um segredo. Conte, e conte logo. Porque se os outros descobrirem por si mesmos, vai ser muito mais difícil.

Ele levantou e saiu da cozinha, sem maiores explicações.

"What I've felt

What I've known

Never shined through in what I've shown

Never be

Never see

Won't see what might have been"

- Não foi uma escolha inteligente. Nós devíamos ter, simplesmente, contado a verdade. – disse Hermione, assim que entrou na biblioteca, onde Draco olhava pela janela.

- Você não queria contar antes. Agora é tarde demais.

- Não pode ser tarde demais, Draco. Eu estou esperando um filho. – ela tinha o rosto sério e uma expressão severa. Draco quase sorriu.

- Eu sei, Hermione, eu disse tarde demais para contarmos assim, no café da manhã, no dia de uma missão. – ela deu um pequeno sorriso e ficaram em silêncio durante alguns momentos. - Eles não confiam em mim.

- Vão aprender a confiar.

- Você aprendeu? – ele indagou, olhando nos olhos dela.

- Com a minha vida.

- Eu também confio em você com a minha vida, Hermione. A minha vida e a vida do nosso filho.

"They dedicate their lives

To running all of his

He tries to please them all

This bitter man he is

Throughout his life the same

He's battled constantly

This fight he cannot win

A tired man they see no longer cares

The old man then prepares

To die regretfully

That old man here is me"

O silêncio era tudo que se ouvia no momento em que tocaram nos pergaminhos encantados dos mapas. Um feitiço de localização havia sido posto ali, e a chave do portal seria dirigida exatamente para o lugar marcado no mapa.

Num último instante antes de ver o mundo sumir à sua frente, Lupin percebeu que havia algo errado. A marcação não estava certa, não era a mesma da noite anterior.

Mal haviam tocado o chão, Lupin gritou "Cuidado!", mas era tarde demais. Mais Comensais do que poderiam contar haviam aparecido à sua frente e todos eles pareciam ter como objetivo feri-los, mas, mais uma vez, não matá-los.

Tiveram que se espalhar durante a batalha, e Lupin não conseguia divisar nada que não fosse o Comensal com quem lutava naquele instante. Precisava achar Harry, Neville e Tonks, rápido, e tirá-los dali.

Neville havia desaparecido. Harry estava lutando com Bellatrix Lestrange, que tinha um estranho sorriso no rosto, mas foi quando ele divisou Rabastan Lestrange, que Lupin se preocupou. Ele e o irmão lutavam contra Tonks que, sozinha, não parecia estar conseguindo dar conta dos dois.

Um forte lampejo azul e toda a roupa de Tonks e começou a manchar-se de vermelho intenso, banhado em sangue.

No momento em que a metamorfomaga caiu, os Comensais começaram a desaparatar, um a um, como se o objetivo do dia tivesse sido cumprido. Lupin correu até o lado da namorada e ajoelhou-se ali. Tonks estava ficando pálida, e seu rosto estava transformado pela dor.

- Desculpa... Eu queria ter... Contado antes... – a mão dela encontrou a mão de Lupin e a guiou até seu ventre, os olhos de Lupin arregalaram-se de espanto e foi nesse momento que Neville apareceu, aparentemente ileso, a não ser por alguns arranhões, - Eu queria ajudar... Um pouco mais...

- Dora... Dora! Não! Nosso filho... – repetia Lupin, enquanto a mulher fechava os olhos, seus cabelos lentamente perdendo o tom rosa, enquanto a pele pálida parecia cera em contraste com os cabelos mais escuros.

Lupin embalava Tonks, como se estivesse com o próprio filho não nascido nos braços.

- Nosso filho, meu filho, meu filho, meu filho, meu filho, meu filho, meu filho...

"What I've felt

What I've known

Never shined through in what I've shown

Never free

Never me

So I dub thee unforgiven

You labeled me

I'll label you

So I dub the unforgiven"

Foi o estrondo da porta abrindo que fez Hermione saltar de sua cadeira na biblioteca e correr em direção à porta. Draco a seguiu rapidamente, o quadro da senhora Black disparando em gritos, confundindo ainda mais a cena.

Parou no corredor, tentando fechar as cortinas para esconder a mulher horrenda e não viu um Potter enfurecido lhe empurrar contra a parede e apontar a varinha diretamente contra seu pescoço, a voz um sussurro e o rosto marcado por lágrimas.

- Você pensou mesmo que ia conseguir escapar assim, Malfoy?

- Do que é que você está falando, Potter? – os olhos de Draco estavam arregalados em espanto, mas então ele viu.

Lupin estava debruçado sobre algo, no meio no hall de entrada. Hermione estava parada a alguns passos, as mãos postas sobre a boca, enquanto o lobisomem não se afastava do que estava no chão nem mesmo quando McGonagall tocou seu braço.

- Lupin... Por favor, deixe que alguém leve Tonks...

- Não! – o homem disse, recusando-se a se afastar, e Draco sentiu a varinha de Potter pressionar com mais força a sua garganta. – Não... – ele continuava a chorar baixinho, abraçando ainda mais o corpo da mulher, e Draco pôde ver os cabelos castanhos claros espalharem-se no ar, enquanto Lupin erguia-se e trazia o corpo da namorada junto a si.

Nada de rosa, nada de risos. Tonks na morte era uma mulher fria. Seu rosto não tinha expressão, seu cabelo parecia desbotado, e a própria imagem dela não condizia com o que Draco lembrava de sua prima. As roupas machadas de sangue e uma expressão de dor estampada em seu rosto frio.

- Professor... – tentou Hermione, enquanto Lupin continuava andando, abraçado à Tonks, - Professor deixe que alguém leve ela...

- Não! – ele recusou uma vez mais, cada expressão de rosto marcando uma dor maior do que a que qualquer um já havia visto ali. O olhar do homem recaiu, então, sobre Draco, ainda pressionado na parede por Harry.

Ele se aproximou a passos lentos, seus olhos nunca deixando os de Draco, e o rapaz viu, talvez pela primeira vez, a máscara de bondade que o lobisomem usava escorregar pelo seu rosto de deixar entrever sua selvageria.

- Olhe bem, Malfoy! – ele gritou, - Veja bem o que foi que você fez. Mas essa foi a última morte que você causou. Eu juro que foi! Olhe para ela! Olhe no rosto dela! Ela estava esperando nosso filho! E você, apenas você, matou duas pessoas de uma vez só! Olhe bem o que você fez!

- Eu não fiz nada! – gritou Draco em resposta, - Eu estava aqui, o tempo todo, Hermione pode confirmar!

- Os mapas, Malfoy! Os mapas foram alterados e só você poderia ter alterado! Por isso não quis ir, por isso se escondeu atrás de uma desculpa qualquer!

- Ninguém pode dizer que foi Draco quem alterou os mapas! – defendeu-o Hermione, que começava a entrar em pânico com a cena.

- Só alguém com a marca negra poderia ter mexido neles! Há mais alguém aqui com a marca negra, Hermione? – respondeu Harry, sem tirar os olhos de Malfoy, ou afastar a varinha do pescoço dele.

- Nós apenas supomos isso, não temos como provar. Harry, larga ele! – a garota estava à beira das lágrimas.

- Não faça isso, Hermione. – pediu Lupin, a voz entrecortada pelas lágrimas, ainda com o corpo de Tonks nos braços. – Não faça. Ele matou a mulher que eu amava. Ele matou meu filho.

E o nosso filho?

- Ele não fez isso, vocês não podem provar.

Harry parecia ter se cansado da discussão. Da ponta de sua varinha saiu um jato de luz, e Draco caiu desacordado no chão.

- King, por favor, leve esse miserável para um quarto e tranque-o lá. Entregaremos ele para o Ministério amanhã.

Sem se virar para encarar Hermione, que estava presa ao chão, ele saiu, com uma mão nos ombros de Lupin, que ainda chorava.

E agora?

Por deus, o que ela devia fazer?

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Atrasei, mas veio. XD

Ia ser o dobro disso, mas tive que separar...

Anyway, vou postar rápido, para não atrasar mais, sem respostas individuais hoje, me desculpeeeeeeeem!!!!

Mas MUITO OBRIGADA a quem deixa Review! Continuem assim!

Bjs e

R E V I E W !