N.A: Música utilizada, The Unforgiven II.
Capítulo Treze
The Unforgiven II
"Lay beside me
Tell me what they've done
Speak the words I wanna hear
To make my demons run
The door is locked now
But it's opened if you're true
If you can understand the me
Then I can understand the you"
Hermione caminhava pela biblioteca que simplesmente parecia pequena demais.
Draco estava preso em seu próprio quarto, sem varinha e, em exatas dez horas, seria entregue aos aurores. Às oito horas da manhã, Harry iria levá-lo até o Ministério, e uma vez lá, só Merlin sabia o que fariam com ele.
O pai de seu filho ia ser enviado para Azkaban. Sem ser culpado.
Isso simplesmente não ia acontecer. Ela não ia deixar que sua família, sua única família, fosse destruída pela guerra antes mesmo de começar propriamente.
Ela só precisava descobrir como, exatamente, ela iria tirar Draco daquele quarto.
"Lay beside me
Under wicked skies
Black of day
Dark of night
We share this paralyze
The door cracks open
But there's no sun shining through
Black heart scarring darker still
But there's no sun shining through
But there's no sun shining through
But there's no sun shining..."
Tonks estava vestida de azul claro e prata. Seu corpo repousava sobre um estrado coberto por renda branca e rosas amarelo-claras.
Seu semblante era pacífico e inexpressivo e Hermione não conseguia refrear o pensamento de que aquela mulher não era Tonks. A mulher despreocupada e alegre, de rosto iluminado e sorrisos fáceis havia sido levada pela morte. A personalidade de Tonks era o que a fazia ser a Tonks e vê-la parada, estável, cabelos comuns adornando um rosto comum, fazia Hermione não conseguir reconhecer sua quase amiga.
Os olhos castanhos fixaram-se no ventre da outra mulher. Tonks estava grávida, exatamente como ela. Sua morte havia posto um fim não apenas em sua vida, mas também em uma vida não-iniciada, uma criança que jamais viria ao mundo, vítima de uma guerra da qual não pedira para tomar parte.
Mais do que em qualquer momento, Hermione desejou estar longe de tudo aquilo, mas não sozinha. Ela iria para longe, se fosse com Draco. E foi naquele instante que se arrependeu de não ter tomado aquela decisão antes de tudo ficar tão complicado.
Lágrimas turvaram-lhe a visão ao perceber o olhar de Lupin fixo sobre o ventre de Tonks, também. Silenciosas, as lágrimas dele pareciam cair quase despercebidas, deixando claro que ele já não se importava mais em esconder o tamanho da dor que sentia. Sofrimento tamanho que derrubava máscaras e permitia ver a verdade crua do que a guerra causava: destruição, em todas as suas formas e em seu estado mais puro e completo.
Harry se aproximou da amiga e passou um braço pelas costas dela.
- Não se preocupe, Mione. O culpado vai ser punido. – a voz dele era um tanto fria, embora tentasse claramente reconfortá-la. Pena que não surtisse efeito.
- Eu ficaria menos preocupada se fosse o verdadeiro culpado a ser punido. – ela se afastou e sentou ao lado de McGonagall.
O comportamento preconceituoso de Harry a irritava agora, mais do que nunca. Era tão simples perceber que não fora Draco. Se não fosse a visão pré-formada que Harry tinha...
Mas, por outro lado, alguém havia traído a Ordem.
Quem?
Correu os olhos pela sala. Tantos rostos conhecidos, tantas tristezas irmãs, tanta gente que perdera tanto ou mais do que ela mesma. Quem estaria tão desesperado a ponto de abandonar suas crenças e ajudar o inimigo, não se preocupando com quantos inocentes iam sofrer por isso?
Uma chegada, no entanto, a arrancou de suas divagações.
"What I've felt
What I've known
Turn the pages
Turn the stone
Behind the door
Should I open it for you?"
Era como olhar para Bellatrix Lestrange. Se não fosse o inegável ar de tristeza e o homem que a amparava, Hermione poderia jurar que era a mulher.
Andromeda Black Tonks correu a mão levemente pelo rosto da filha, sem dirigir a palavra a ninguém. Continha-se, não deixando o brilho em seus olhos transformar-se em pranto. Ted Tonks, no entanto, não parecia se preocupar em conter-se. Lágrimas fartas manchavam seu rosto, enquanto ele tomava uma das mãos da filha entre as suas, desolado.
O homem afastou-se, depois de alguns minutos, e viu Lupin, ainda imóvel e com o olhar parado e fixo, o rosto vazio. Ted foi até ele e sentou-se ao seu lado. Andromeda, no entanto, pareceu não suportar a atmosfera da sala, saindo rapidamente dali, um lenço branco apertado contra o rosto.
Hermione decidiu segui-la. Não deixaria que Andromeda pensasse que seu único sobrinho havia colaborado com a morte de sua única filha.
Encontrou-a na sala da tapeçaria, em um pranto silencioso, fitando a árvore de sua família. A garota fechou a porta atrás de si e repentinamente achou-se sem palavras.
O silêncio pareceu dominar o ambiente, e Hermione considerou simplesmente sair da sala, antes que a mulher notasse sua presença. Quando se virou, no entanto, Andromeda deixou claro que sabia que ela estava ali.
- Eu não estou nessa árvore há tanto tempo que já havia quase esquecido que ela existia. – ela fez uma pausa e correu um dedo pelo lugar onde seu nome havia estado, entre suas duas irmãs. Traçou a linha até Narcissa, e dali correu a mão até alcançar Draco. Ela deu um riso pequeno, mas seco. – Os Black tem uma maldição. Uma maldição não dita, mas é a única explicação que eu posso dar. Nós destruímos uns aos outros. Meu tio destruiu Regulus, por pressioná-lo demais. Sirius destruiu tia Walburga por fugir de casa e ser uma decepção. Eu destruí parte da minha família, quando fugi, e agora... Agora um primo ajuda a destruir o outro...
Havia tristeza pura em sua voz, e não raiva. A mão dela ainda repousava sobre o nome de Draco.
- Não foi Draco. Não foi ele, eu sei. – disse Hermione, a voz firme, e então Andromeda virou-se para encará-la.
- Como tem tanta certeza?
- Porque eu confio em Draco com a minha vida.
- Não confie em ninguém com a sua vida. É tolice fazer isso.
- Eu confio. Eu sei que posso confiar, Sra. Tonks, e eu sei que não foi Draco quem alterou os mapas. Ele... Ele estava comigo.
- Com você? – a mulher pareceu esquecer um pouco da tristeza, ao ouvir a revelação um tanto inusitada.
- Sim. Mas... Não adiantaria nada eu contar a ninguém, eles não vão acreditar em mim... O Professor Lupin, ele culpa o Draco, mas não foi ele. Draco salvou a vida da Tonks uma vez. Foi por isso que ele foi descoberto. Ele não mataria alguém do sangue dele.
- Eu nunca pensei que aquele menino fosse conseguir ser um assassino. Mas a minha filha...
- Sua filha ter partido não é culpa dele. – Hermione beirava o desespero. Precisava de ajuda e aquela mulher poderia ajudá-la. Faria qualquer coisa para convencê-la a lhe ajudar a tirar Draco daquela casa. – Ele não fez nada.
- Eu gostaria de acreditar em você. Mas... É tão difícil. Por que ele não faria? O que ele teria a perder?
- Muito!
- Como o quê?
Hermione levou apenas um instante para se decidir. Era sua única chance.
- Como o filho dele.
Andromeda olhou para a menina, chocada. Hermione esperou que suas últimas palavras tivessem efeito.
- Eles sabem que eu não acho que Draco seja culpado. Eles sabem que eu o defenderia. Eles não me deixariam chegar sequer perto da porta de onde ele está. Eu preciso tirá-lo daqui. Ele é o pai do meu filho, e eu não vou deixar minha única família se perder numa injustiça. Por favor, Sra. Tonks... Andromeda... Me ajude.
Os olhos da mulher pareceram ir até o fundo da alma da garota, enquanto Hermione esperava em silêncio. Por fim, Andromeda sacudiu a cabeça, com um quase sorriso nos lábios.
- Eu não vou deixar que o resto da minha família se perca. Afinal, parece que apenas restou Draco. O que você quer que eu faça?
"What I've felt
What I've known
Sick and tired
I stand alone
Could you be there
'Cause I'm the one who waits for you
Or are you unforgiven too?"
Quando Hermione voltou para o velório, sentou-se ao lado de Harry e permaneceu em absoluto silêncio, não reclamando, se afastando ou reagindo, quando o amigo colocou o braço em volta dos ombros dela, mais uma vez.
Andromeda pediu para se retirar e foi levada até um quarto no segundo andar, pois não estava se sentindo bem. Mal o elfo havia se retirado, ela correu até o quarto de Harry, sussurrando o feitiço que sabia que ele usava para trancar a porta. Não demorou a encontrar a varinha e correu para o terceiro andar.
Um Alohomorra não abriu a porta e a mulher encarava a porta com um ar pensativo, mordendo o lábio inferior. Como abriria a maldita porta?
- Sra. Tonks? – ela se virou rápido, Harry a encarava do fim do corredor, um ar estranho e surpreso em seu rosto. – Eu... Desculpe, mas, o que a Sra. está fazendo aqui?
- Eu... – ela levantou a cabeça com arrogância, uma idéia subitamente surgindo em sua mente, - Eu quero ver o homem que ajudou a matar minha filha.
- Eu não acho que seja uma boa idéia... Por que a Sra. não volta lá para baixo ou quem sabe...
- Har... Sr. Potter, eu exijo que o senhor deixe que eu fale com ele.
Fitaram-se em silêncio alguns momentos, a mulher com a varinha de Draco escondida em sua manga, e a sua própria segura na mão. Por fim, Harry pareceu se dar por vencido.
- Eu não deveria fazer isso, mas...
Ele apontou com a varinha para a porta e ela se abriu com um estalido.
- Espere lá embaixo, Sr. Potter. Se alguém vir que eu estou aqui, eu digo que entrei sozinha. Muito obrigada.
Harry deu de ombros e saiu, enquanto ela entrava no quarto.
"Come lay beside me
This won't hurt, I swear
She loves me not,
She loves me still
But she'll never love again"
Draco estava virado para a janela, mas fitava a porta entreaberta com apreensão. Quando viu quem entrava, semi-oculto pelas sombras do corredor, sentiu as pernas fraquejarem.
- Tia Bella...
- Não, seu imbecil, é a Andromeda. – a mulher falou, trancando a porta novamente, - Na verdade, sou eu, polissucada de Andromeda, mas foi a única maneira de eu conseguir entrar aqui.
- Hermione! – ele exclamou, enquanto corria até ela e a erguia no ar. – O que veio fazer aqui?
- O que você acha que eu vim fazer aqui? Tirar você desse lugar, é óbvio.
- Mas a Ordem... Se eles descobrirem...
- Não vão descobrir. E se descobrirem, bem, nós vamos embora. Agora. Eu não quero mais participar disso, não se por isso eu vou arriscar a vida do meu filho.
- E como vamos sair daqui?
- Bem, Andromeda está lá embaixo, fingindo ser eu. Eu vou te tirar daqui e nós saímos pela porta e aí vamos... Para algum lugar. Eu não sei ainda, não planejei nada, mas nós temos que sair daqui agora!
Draco a encarou com uma sobrancelha erguida.
- Você disse Polissuco? Hermione, você está grávida!
- Oh! É mesmo? Eu não tinha percebido! – ela respondeu, sua irritação crescendo com a ironia, - Tomamos uma dose muito pequena, por isso temos que sair logo. Foi só o que eu ainda tinha guardado de uma missão passada. Não deve dar para muito mais tempo, temos que sair daqui AGORA!
- Como?! Hermione, me escuta. – Draco disse se aproximando dela, e segurando-a com delicadeza pelos braços, - Se eu sair daqui, vai tudo ficar anda pior. Se você sair comigo, tudo que acontecer comigo, vai acontecer com você também.
- Você sabe que o Harry vai te entregar para o Ministério, assim que o dia raiar? Você sabe que vai ser acusado do assassinato de uma auror? Você sabe que vai ser condenado ao beijo de algum dementador, ou a morte? A prisão vai ser o mínimo. Eu não vou deixar isso acontecer!
- Hermione, se nós formos pegos, você vai presa também!
- E é por isso que nos não vamos ser pegos! Draco, entenda uma coisa: você é o pai do meu filho. Nós somos uma família. A única que nos temos. Eu não vou te abandonar, nem agora, nem nunca. Eu confio em você. Nosso filho confia em você. E nós vamos conseguir sair daqui. Mas tem que ser agora!
Draco apenas concordou com a cabeça, lutando contra a vontade de rir, ou chorar, beijar Hermione até que ela desmaiasse pela falta de ar, ou dizer que aquilo era algo estupidamente grifinório. Ele não tinha certeza. Mas precisavam sair dali.
"She lay beside me
But she'll be there when I'm gone
Black heart scarring darker still
Yes, she'll be there when I'm gone
Yes, she'll be there when I'm gone
Dead sure she'll be there"
Ela abriu a porta, espiando o corredor e viu Andromeda a esperando, no início das escadas. Olhando para as mãos, viu que elas começavam a ficar mais morenas, menos tratadas, dedos menos finos, unhas mais curtas. A outra mulher começava a recuperar seus verdadeiros traços também, e em poucos minutos, estavam de volta a sua forma normal.
- Saiam rápido, estão todos na sala. – ela fitou Draco, que tomava a mão de Hermione com a sua, e começava a puxá-la escada abaixo, - Eu não sei, Malfoy, como você conquistou a lealdade desta menina. Mas é melhor mantê-la.
Draco acenou com a cabeça, sem saber o que dizer.
- Vão, agora! Boa sorte.
Correram escada a abaixo, no maior silêncio que conseguiram produzir. Ao passar em frente ao quadro de Walburga, no entanto, Draco esbarrou nas cortinas e a mulher horrenda começou a berrar. Não demorou a que metade da Ordem estivesse fora da sala, encarando Draco e Hermione, mãos dadas e correndo em direção à porta.
- Solta ela, Malfoy! – gritou Harry, apontando a varinha para o loiro.
Hermione, no entanto, foi mais rápida e mirou a varinha em Harry, sem pensar realmente na conseqüência de suas ações.
- Estupefaça! – o garoto caiu no chão com um ar surpreso, enquanto uma chuva de feitiços ia em direção aos dois que, finalmente, alcançaram a porta e se viram na praça em frente ao quartel general.
Hermione lacrou a porta com um feitiço, mas sabia que não duraria muito mais que alguns instantes.
- Para onde? – ela indagou, a voz em pânico.
A porta se abriu e Draco pegou no braço dela, aparatando-os.
"What I've felt
What I've known
Turn the pages
Turn the stone
Behind the door
Should I open it for you?
What I've felt
What I've known
So sick and tired
I stand alone
Could you be there
'Cause I'm the one who waits for you
Or are you unforgiven too?"
Abrindo os olhos, Hermione se deparou com um grande salão em mármore, pinturas decorando as paredes e tapetes no chão. O lugar era estranhamente belo, embora parecesse abandonado, e tinha uma atmosfera que gritava "aristocracia".
- Onde estamos? – ela perguntou, em voz baixa, não soltando a mão de Draco.
- Bem vinda à Mansão Malfoy.
"Oh, what I've felt
Oh, what I've known
I take this key
And I bury it in you
Because you're unforgiven too
Never free
Never me
'Cause you're unforgiven too"
Respostas das reviews:
Jakcie: brigada pela review, flor! Bjs!
Miss krum: não se preocupe, essa fic está planejada até o fim. XD
Lauh: vu que amor que eu fui? Não matei ngm importante, nem separei ngm! Eu sou uma boa menina! ;
Minne Malfoy: todo mundo inteiro! Viu? Eu sou uma boa pessoa, não sei porque ngm acredta em mim. Hauhauahuahu Valeu pela review, flor! ;
Mione: cara, vai ter campanha de caça ao Potter depois do próximo capítulo. Tadinho. É dor de cotovelo, na verdade, ele ama o Draco.
Huahauhauahuahuahuahauhauahuahau
Bjs!
Caroll: Hum. O Neville? será?? Hum...
Hauhauauahu Bjs!
Msmdhr: own! Que feliiiiiiiiz com a tua review! Enfim, o draco tbm podia ser o pai dos meus filhos hahahahahhaa, e o Potter viacair na real, juro. ;
Fla: eu att!!! Cadê CV????? Eu querooooo!!!! Enfim, brigada pela review, more!" Bjs!
Anna: espero que tenha curtido! Bjs!
Era isso! Espero que estejam gostando ainda!
Bjs e
R E V I E W !
