Disclaimers e outras coisenhas: capítulos anteriores.
Música utilizada Everything's not lost, Coldplay.
Capítulo Quatorze
Não há caminhos errados para quem não tem escolhas
Harry acordou em seu quarto e Lupin estava parado próximo à porta, assim como Andromeda e Ted.
Abriu os olhos devagar, lembrando vagamente do que havia acontecido, mas buscando a confirmação nos olhos dos demais antes de acreditar que sua amiga, sua melhor amiga, a pessoa em quem ele confiava como uma irmã, havia lhe traído.
Não podia ser verdade.
Mas bastou um único olhar para o rosto de Lupin, transtornado, quebrado, sofrido, e ele soube. Hermione se tornara uma traidora.
Por Merlin, como?
- Conseguiram pegá-los? – indagou Harry.
Lupin negou com um aceno de cabeça e Harry levantou-se, a fúria tomando o lugar da tristeza. Como Hermione, sua amiga Hermione, pudera enfeitiçá-lo, traí-lo, deixá-lo ali, para ir embora com Malfoy, um assassino?
- Sr. Potter, você precisa reavaliar a situação – começou Andromeda, mas foi interrompida por Lupin.
- Eu penso que ela foi confundida pela Mione, Harry, ela não está falando coerentemente.
- Eu estou perfeitamente coerente, Lupin! – ela respondeu – Essa menina, Hermione, ela não fez nada errado, Draco não era culpado. Nós somos uma família. Ele não ajudaria na morte da própria prima!
- Desculpe, Sra. Tonks, mas eu não acredito nisso. Draco é um assassino. E Hermione era a cúmplice. Pela manhã nós vamos enviar os avisos para o Ministério e divulgar a notícia nos jornais. Quanto mais cedo os dois traidores forem pegos, mais rápido conseguiremos com que sejam punidos.
Andromeda tentou prolongar a discussão, mas Ted não parecia conseguir agüentar mais do que já estava agüentando, tirando a esposa dali, seguindo de volta para o velório da filha.
- Amanhã, Dromeda. Amanhã nós tentaremos ajudar aqueles dois.
Ela concordou e saiu, deixando Harry e Lupin para trás, com idênticas máscaras de descrença, da dor de quem foi traído e da raiva de quem buscaria vingança.
Não parecia ter restado muito mais a eles, de qualquer forma.
"When I'm counting up my demons
Saw there was one for every day
With the good ones on my shoulders
I drove the other ones away"
A mansão não era exatamente o que Hermione esperava, mas também não diferia muito do que ela imaginara. Apesar do lugar ser grande demais, a uma primeira impressão, quando Draco a levou para o quarto que ficariam, ela conseguiu quase relaxar.
- Você sabe que nós não podemos ficar aqui. – ela disse, algum tempo depois de terem ido até o quarto, onde Draco se jogara sobre a cama, parecendo exausto.
- E o que você sugere? – o tom dele era inexpressivo, de quem sabe que terá que refutar qualquer argumento e Hermione não soube muito bem o que responder. Ela não tinha nada a sugerir.
- Eu não sei, mas aqui é tão... Óbvio. – ela disse, com uma risada nervosa, - A Ordem poderia vir para cá ainda hoje à noite, ou os aurores. E eu realmente não quero pensar no quão rápido os Comensais conseguiriam entrar nesse lugar.
- As guardas e as proteções ainda estão funcionando. Uma vez que um membro da família estiver aqui, elas ficarão ativas. A Ordem e o Ministério não conseguiriam entrar e, mesmo que conseguissem, nós podemos nos esconder dentro da própria casa, e eles não nos encontrarão. Os elfos continuam aqui, então não há como estranhar que eles ainda tragam comida, ou que haja pouca movimentação na casa. Nós só temos que nos adaptar com a simplicidade.
- E quanto aos Comensais? – ela indagou, percebendo que ele havia deixado este detalhe de fora, de propósito.
- Em teoria funcionaria da mesma maneira. – ele levantou-se, vendo a preocupação no rosto dela, e a abraçou, levando-a até a cama, fazendo com que ela se sentasse ao seu lado. – Nós não temos outra opção. – disse, encarando os olhos castanhos – Não há nada no mundo que eu gostaria mais agora do que simplesmente levantar e aparatar com você para Bruxelas e esquecermos dessa guerra, mas não podemos. Você está grávida. O país todo está com proteção nas fronteiras e a regulamentação de transporte mágico detectaria nossa aparatação mais rápido do que nós conseguiríamos dizer "pó de floo". Não há mais nada que possamos fazer, a não ser mantermos a aparência de abandono nesse lugar, fazermos o mínimo de movimentação possível, ao menos até o bebê nascer. – ele sorriu um pouco, parecendo surpreso, - Eu nem ao menos consegui te perguntar de quanto tempo ele está.
- Quase dois meses. – ele botou a mão sobre o ventre de Hermione.
- Isso é tudo tão absurdo. Parece que a cada segundo nossa vida dá um giro diferente e nós nunca podemos escolher onde vamos parar.
- É. E a sensação não é boa.
- E o que mais me enlouquece é que quase sempre as mudanças são para pior.
Draco Malfoy nunca esteve tão certo, em toda a sua vida.
"So if you ever feel on neglected
If you think that all is lost
I'll be counting up my demons, yeah
Hoping everything's not lost"
Dias iguais uns aos outros, sombras de sua própria existência, onde nem mesmo o tédio se permitia nascer, pois o medo não deixava que o conformismo de que o tédio necessitava para nascer surgisse.
Os elfos circulavam ainda pela mansão, mas jamais recebiam ordens diretas. Cozinhavam e obtinham os alimentos como sempre haviam feito, sob ordens expressas de não se excederem no que pegavam para não atrair desconfiança. Tentavam se manter ocupados, mas era difícil, já que só lhes restava a espera, e nem mesmo eles sabiam a espera pelo quê. O fim da guerra? A descoberta de seu esconderijo? O nascimento de seu filho? O que viria antes, qual seria a primeira notícia que receberiam?
Dois meses em inércia, em que até falar havia se tornado um esforço demasiado grande, e havia momentos em que Hermione desejava que alguma coisa, qualquer coisa acontecesse, apenas para que pudessem sair daquele círculo vicioso inerte.
Mal sabia ela o quão perto seu desejo estava de ser atendido.
"When you thought that it was over
You could feel it all around
And everybody's out to get you
Don't you let it drag you down"
Semanas, meses, dias, horas... O que exatamente importa o tempo quando de repente o tempo não parece mais ter importância, já que o que você está vivendo não tem importância?
Era nisso que Hermione pensava, enquanto olhava o sol nascer através das cortinas leves do quarto que agora era "seu". Seu? O que poderia ser considerado seu? Mais nada, além de seu filho e Draco. O que os unia naquele momento era a criança que estava em seu ventre, vínculo mais forte do que qualquer outro que ela pudera pensar em formar, mexendo-se há alguns minutos como se não quisesse que sua mãe tivesse tais pensamentos. Olhou para Draco, que dormia ao seu lado e suspirou. Às vezes são coisas demais. Em um momento, você luta contra o mal, você dedica quase toda a sua existência por uma causa e então, por um único erro que, na verdade, não é um erro, você perde tudo. Os amigos, a confiança, a vida, a esperança...
O que seria deles agora? Sem lado na guerra, sem proteção que não fossem eles mesmos, sem escapatória? Ela tremia só de pensar no que iriam fazer quando a criança nascesse.
Como se estivesse escutando seus pensamentos, Draco abriu os olhos e a encarou, parecendo cansado, embora tivesse acabado de acordar. Ele sempre parecia cansado ultimamente. E ela sempre parecia abatida, não importa o quanto descansassem. Talvez nem precisassem se preocupar com o que aconteceria com a criança mais tarde, havia grandes chances de que nenhum dos dois conseguisse levar a própria existência muito longe. Fitaram-se alguns instantes, os olhos cinzas de Draco percorrendo seu rosto e então se fixando em sua barriga e um meio sorriso surgiu em seus lábios. Era pela criança que estavam juntos, na verdade, era por ele que ficavam lado a lado, era por ele que haviam sido expulsos juntos da Ordem, era por ele que temiam, mais do que por si mesmos.
Hermione abriu a boca para falar algo quando um estrondo a fez congelar e Draco pulou da cama, ainda apenas com a calça do pijama e pegou sua varinha, correndo em direção ao barulho.
- Não saia daqui, Hermione. Por nada, sob hipótese alguma, pelo nosso filho, não.saia.daqui. – ele disse da porta, vendo o olhar desesperado dela. Sabiam que aquilo iria acontecer, mais cedo ou mais tarde. Quem sobrevive tanto tempo estando, literalmente, no meio da guerra? Mas não tão cedo, ela pediu, quase em uma prece, enquanto via Draco sumir pela porta e a trancar com um feitiço. Não tão cedo, não quando seu filho não tivesse nascido ainda, não quando a criança ainda não tivesse chances, não tão cedo.
Os segundos se arrastaram, lentos, eternos, os olhos castanhos fixos na porta, de onde não vinha nenhum som, Draco deveria ter posto feitiços Silenciadores nela, para que ela não ouvisse. A agonia da espera era pior do que qualquer coisa que ela pudesse imaginar. Levantou da cama, a camisola fina marcando a gravidez não muito acentuada, mas visível, e aproximou-se vagarosamente da porta, varinha em punho e o coração batendo descompassado.
Quando estendeu a mão para tocar o trinco, mais um estrondo se fez ouvir, e Hermione se viu encarando o olhar frio e cinza de Bellatrix Lestrange.
"'Cause if you ever feel on neglected
If you think that all is lost
I'll be counting up my demons, yeah
Hoping everything's not lost"
Fechou a porta e respirou fundo. Morra, mas morra como um homem, Draco. Morra defendendo sua família, morra protegendo seu filho, morra olhando nos olhos de quem o matar. Morra, mas morra como seu pai. Cabeça erguida e nada a se arrepender, a não ser más escolhas cedo demais na vida.
Desceu os degraus silenciosamente, mas deveria saber que isso não era realmente necessário. Quem quer que tivesse conseguido arrombar a mansão Malfoy sabia que estavam lá. Ele era apenas um, e não havia exatamente luta. Sofria por saber que havia tão pouco a fazer para defender seu filho, aquilo doía. Respirou fundo mais uma vez, e entrou na sala principal, de onde vinham os sons que conseguia ouvir. Parou à porta, o rosto impassível e a varinha pronta para o ataque e deparou-se com sua tia, sentada e parecendo confortável em uma das poltronas de veludo da sala. Seis outros Comensais estavam espalhados pelo lugar e ele sabia que haveria dúzias ali, em segundos, se sua tia chamasse. Encarou-a tentando não deixar transparecer seu medo. Preferia terem sido pegos pela Ordem. Ao menos o mandariam para Azkaban, deixariam que Hermione tivesse seu filho, cuidariam da criança. Agora estavam todos condenados, a morte o encarava dos olhos iguais aos seus e ele não poderia fazer nada para salvar a criança que nem tivera a chance de existir.
- Então nos reencontramos mais uma vez, Draco. Talvez esteja mais apto a me ouvir agora?
- Por que você quereria que eu a ouvisse, Bellatrix? – a razão começava a dar lugar para o medo irracional, mas não deixaria que brincassem com ele. Ele só pedia para que fosse rápido. Que aquela mulher lembrasse que ele era filho de sua irmã, que a mulher que estava lá em cima carregava um Malfoy, uma criança de mesmo sangue que ela, no ventre, e que aquilo a levasse a agir rápido. "Por Merlin, que Bellatrix não queira se divertir" ele pedia.
- Draco, você pode achar que eu sou doente, que eu sou cruel, que a minha mente apenas se contenta em matar, e fazer sofrer, e ser má. E em parte, querido sobrinho, você não está errado. – a mulher dizia, lenta e perigosamente, enquanto se levantava e caminhava, aparentemente a esmo pela sala, fazendo Draco temer piscar, e acompanhar cada passo dela. – Mas não é apenas isso, Draco. Eu sou sua tia. Sua mãe o teria confiado a mim, se você já não fosse maior de idade quando ela morreu. E eu sei que a mulherzinha de sangue-ruim que está lá em cima carrega um filho seu. – ela fez uma pausa ao ver Draco prender inconscientemente a respiração. Ela iria pedir que matasse Hermione. Ela iria pedir que matasse seu filho e a mãe dele, para que continuasse vivo, ele sabia. Bellatrix riu. – Você realmente acha que seríamos tão cruéis assim, Draco? Nós ainda somos humanos, creia-me. Eu não vim até aqui para matar nenhum de vocês. Ao menos, ainda não. Eu vim até aqui para conversar.
Draco a encarou incrédulo.
- Conversar? Por favor, Bella, me poupe dos seus jogos.
- Sim, Draco, conversar. Você por acaso sabe o quão importante seu pai foi? Quanto o Lorde confiava nele? O quanto a sua mãe poderia ter ajudado? Você sabia, Draco, que eles ainda poderiam estar vivos? O Lorde não quer derramamento desnecessário de sangue, Draco. Se quisesse, eu não estaria conversando com você, eu estaria o torturando e a sujeitinha lá em cima, já estaria morta. Ela pode ser uma suja, Draco, mas ela carrega seu sangue. Criança de sangue puro. Valiosa para nosso mestre. Eu vim até aqui para fazer uma oferta. Suba comigo, Draco, eu deixarei minha varinha aqui, nesta sala, você estará armado, eu não. Confie no seu sangue, Draco, na sua família. Lembre-se de que é tudo que você tem agora.
Um minuto se passou em silêncio. Draco apenas encarava sua tia, enquanto pensava. Ele, na verdade, não tinha escolha. Se cooperasse, teria mais alguns minutos, talvez, para deixar que Hermione conseguisse escapar de alguma forma. Os olhos de sua tia não se desprendiam dos seus e ele acenou brevemente com a cabeça, enquanto Bella sorria e colocava sua varinha sobre uma das mesas de canto da sala. Ela poderia muito bem ter mais de uma, mas ele não iria se importar com isso agora. Que diferença faria?
Subiram as escadas com Bella à sua frente. Ela abriu lentamente a porta do quarto e ele viu Hermione, a camisola ressaltando a barriga não muito proeminente, os olhos arregalados de espanto e a expressão revelando um medo quase incontrolável.
- Como vai, Granger? – Hermione estava, pela primeira vez em anos, sem reação. O que se faz quando uma assassina, que até alguns meses atrás tentaria lhe matar sem pensar meia vez, lhe encara e pergunta como você está? Ela se sentia quase petrificada pela simples visão da mulher. Draco se aproximou dela, vindo de trás de Bellatrix e a abraçou, a ajudando a andar até a cama, ela estava prestes a desmaiar.
Ela se sentou e encarou Draco com uma pergunta muda nos olhos, que devolveu seu olhar, tentando passar uma calma que não sentia. Bellatrix observava a cena com um sorriso cínico no rosto.
- Realmente, me perdoem minha entrada intempestuosa, e a falta de aviso, mas algo me dizia que vocês não desejariam minha presença aqui. Minha breve conversa com meu sobrinho também não foi exatamente tão frutífera quanto eu esperava, mas penso que agora que a Srta. Granger – ela assumiu um ar quase divertido e encarou Hermione com os olhos brilhando – Ou devo dizer... Sra. Malfoy? – Hermione a encarou, um pouco de sua postura prática voltando, e ela ergueu a cabeça. Não deixaria que brincassem com ela, antes de a matarem. Simplesmente não deixaria. – está presente também, posso me explicar. Mas não foi para discutirmos questões matrimoniais que vim até aqui. Eu vim para lhes fazer uma proposta. Se meu objetivo fosse matá-los, vocês não estariam aqui, e vocês sabem disso. – ela respondeu diante da incredulidade de ambos os olhares que estavam sobre ela.
- Vocês estão sozinhos. Seus amigos, Hermione, a abandonaram, sem nem ao menos saber o que você havia feito, ou não. Você, Draco, nos traiu, nos vendeu, e então foi traído. Vocês estão confinados aqui há quanto tempo? Um mês? Dois meses? Vocês sabiam que já estão sendo procurados como Comensais, desde que fugiram da sua querida Ordem? – os dois jovens trocaram olhares alarmados, não imaginaram que a situação fosse tão grave quanto parecia ser. – Vocês são. A minha proposta, na verdade, nada mais é do que algo de que vocês já estão sendo acusados. – ela fez uma pausa e encarou cada um deles longamente antes de proferir as próximas palavras, - Juntem-se a nós. Lutem ao nosso lado. Talento nenhum pode ser desperdiçado, sangue como o seu, Draco, não pode ser derramado em vão, se ainda há chances de salvação. Juntem-se a nós, e nós oferecemos garantias.
- Que garantias? – indagou Draco. O que sua tia falava era verdade. Eles simplesmente não tinham opção, - O que nos garantiria que no momento em que disséssemos sim, você não mandaria Hermione e meu filho direto para o Lord? – Bellatrix riu mais uma vez.
- É incrível o que a paternidade faz a um homem. Há meses atrás você tentaria se salvar, Draco, e apenas você. E agora você menciona seu filho e Hermione... Pense, então que é por eles, pelo seu filho e sua mulher, que você vai aceitar minha proposta. E se o peso de nosso sangue não for o suficiente, eu lhes dou uma garantia maior. Eu lhes garanto que Hermione não vai ser, de maneira alguma, prejudicada, machucada ou morta, se vocês aceitarem nossa oferta. Que o filho de vocês vai ser considerado um sangue puro. Que, depois que vocês se casarem, e a cerimônia será oficial, será esquecido que Hermione algum dia foi Granger. Você será uma Malfoy e será tratada como tal. Que vocês terão tempo para cuidarem do seu filho, longe da guerra, até seu nascimento, e depois, até que ele tenha condições de ficar longe da mãe por algum tempo sem se prejudicar. Tudo que eu peço em troca é a sua colaboração conosco.
- Por que nós acreditaríamos em você? – Hermione indagou, os olhos de Bellatrix fixos nos seus.
- Porque eu lhes garantirei tudo isso através de um Voto Perpétuo.
Hermione e Draco se encaram. Os olhos arregalados pelo espanto. Merlin, ela estava falando sério. Os segundos pesaram no ar, enquanto o tempo passava. Bellatrix apenas observava a comunicação silenciosa deles.
- E o que vocês ganham com isso, Bella? Não tente me fazer acreditar que o Lorde está fazendo isso apenas para não matar um sangue puro. – Bellatrix sorriu atravessado.
- Porque, meu caro sobrinho, vocês entendem a dinâmica da Ordem, e nosso espião lá dentro está em uma posição delicada. E porque a sua querida esposa conhece Potter. E ela pode nos ajudar.
As implicações daquela frase não precisavam ser ditas para serem compreendidas. Era realmente trair seu amigo de infância, realmente fazer algo errado, realmente colocar as pessoas que ela acostumara-se a pensar como sua família em risco. Era, simplesmente, realizar verdadeiramente, tudo que eles pensavam que ela já havia feito. E a recompensa por isso era a vida de seu filho, a sua vida, a vida de Draco.
Draco encarou os olhos castanhos e sabia que ela teria dúvidas. Ele já havia tomado a sua decisão. Se havia algo que sua tia prezavam era a própria vida. Não se pode quebrar um Voto Perpétuo sem sofrer as conseqüências.
- Faça o voto, e nos dê algum tempo para pensar, tia. – ele pediu, e Bellatrix soube, no momento em que ela a chamou de tia, que a batalha estava ganha.
- Ótimo. - ela disse, erguendo a palma de sua mão e unindo-a com a de Draco, enquanto ele sinalizava para que Hermione pegasse sua varinha. Ela colocou a ponta da varinha sobre as duas mãos unidas.
- Você, Bellatrix, jura que não deixará que ninguém nos machuque, ou nos prejudique, desde que aceitemos sua oferta?
- Eu juro. – disse a mulher e a primeira língua de fogo desprendeu-se da varinha de Hermione e envolveu as duas mãos.
- Você nos dará tempo para pensarmos e nos deixará fora da guerra até nosso filho ter idade suficiente para não ser prejudicado ao ficar longe da mãe?
- Eu o farei. – a segunda língua de fogo entrelaçou-se à primeira.
- Você garante que deixarão Hermione e nosso filho em paz, que nenhum deles será machucado, e que eles serão considerados sangue-puro?
- Eu garanto, desde que vocês aceitam nossa oferta.
A terceira língua juntou-se às outras duas e formou uma linha grossa, que brilhou, até dissolver-se.
Bella se levantou e encarou os jovens à sua frente.
- Vocês têm duas horas. – ela deixou o quarto, e Hermione e Draco se encararam.
- Na verdade, nós não temos escolha, temos? – perguntou Hermione, contendo as lágrimas.
Draco negou com a cabeça, e a puxou para seus braços. Eles não tinham escolha.
Não tinham escolha.
"If you ever feel on neglected
If you think that all is lost
I'll be counting up my demons, yeah
Hoping everything's not lost"
N.A: Agradecimentos gigantoooooosos a todos que deixam reviews! Eu adoro vcs! E a quem lê e não deixa, eu adoro vcs tbm, mas adoraria mais se vcs clicassem no botãozinho azul ali embaixo! Isso, esse mesmo
Enfim, espero que tenham gostado, o que acharam da reviravolta toda???
E quem acertar o traidor da Ordem ganha um doce, ele vaI estar no próximo capítulo
Bjs e
R E V I E W !
