HOU! HOU! HOU!

Capitulozinho semi-natalino para todos vocês, porque com a correria dessas semanas eu não sei se consigo postar outro antes do Natal, mas antes do Ano Novo com certeza! Feliz Natal para todos os que acompanham Além, pelo apoio e as Reviews, eu adoro vocês! XD

Capítulo especialmente dedicado ao pessoal da Família DHr (agora seção DHR! MHUAHUAHUHUA, vamos dominar o mundo \o), pelo apoio e comentários e chats megalomaníacos. Beijos família, amo vocês. (abraço coletivo)

A música utilizada se chama Silent Night, Damien Rice e, assim, só para não me chamarem de louca, ela é cantada em ritmo de Noite Feliz, com essa letra... ahm... alegre. Enfim, achei que combinava.


Capítulo Dezesseis

Blood is thicker than water

"Silent night broken night
all is fallen when you take your flight"

A casa era fria, incrivelmente fria. Paredes grossas de pedra e tapeçarias em tons de vermelho escuro e marrom pendiam d teto alto de quase todos os corredores. O brasão da família Lestrange, bordado em ouro e cobre, brilhava em muitas delas, com seu dragão de olhos vermelhos analisando agressivamente as pessoas que passavam.

Não estavam mais na Inglaterra e isso era óbvio pela paisagem distinta que viam pelas janelas, já que, mesmo em dezembro e coberto pela característica camada de neve, o cenário não era em nada parecido com o que estavam acostumados a ver. Sabiam que não estavam perto de casa. Mas não sabiam onde estavam.

Podiam sair da casa, mas não conseguiam deixar os jardins da mesma. No primeiro mês, Bellatrix vinha trazer mantimentos e ver se necessitavam de alguma coisa, uma vez por semana. Em sua segunda visita, trouxe um documento de aparência oficial e mandou que o assinassem. Estavam casados. E mal haviam se dado conta disso até que viram as alianças que a mulher havia trazido. Pesadas, feitas em ouro, era impossível não nota-las nas mãos pequenas de hermione ou nos dedos pálidos de Draco. Era quase como se ela quisesse que seu casamento fosse algo visível. Eles apenas não conseguiam compreender o porquê.

Uma rotina acabou sendo estabelecida e havia horas em que Hermione pensava que daria o mundo para vê-la quebrada, até que ela se dava conta de que já não tinha um mundo para dar.

Ela não tinha nada para dar.

Rabastan Lestrange aparecia em noites e madrugadas aleatória e sem aviso anterior. Draco seguia com ele para missões das quais Hermione logo aprendera a não fazer perguntas. Ele voltava ainda mais pálido, círculos escuros cada vez mais acentuados sob seus olhos e medo estampado a cada gesto por horas depois que chegava em casa. A todas as suas perguntas, ela recebia apenas acenos de cabeça como respostas, enquanto ele apertava os olhos, como se não quisesse que as imagens voltassem à sua frente. Assim que chegava, ele a abraçava com força e passava longas horas em silêncio, enquanto ela cuidava de seus ferimentos – e sempre havia muitos deles.

Nestes momentos, Draco não conseguia não lembrar de seus pais e chegava a quase rezar para que o fim deles dois fosse diferente do de Lucius e Narcissa.

Já estavam há um mês naquela casa, dezembro se aproximava do fim, e Hermione sabia que o Natal deveria estar próximo. Não que isso realmente importasse, ela sentia-se como se estivesse vivendo no limbo, um espaço vazio entre a sua vida anterior e o que aconteceria depois que seu filho nascesse. Era desesperador não saber, nos primeiros dias, mas depois de certo tempo, ela foi tomada de uma tal apatia que simplesmente não conseguia se importar.

Estava na biblioteca, passando os olhos pelas páginas de um livro, ao qual não prestava atenção, quando o elfo que cuidava da casa aparece, fez uma reverência e disse que havia uma mulher a esperando na sala. Hermione suspirou e viu o elfo desaparecer com um estalido alto, sem ter dito uma única palavra a ele. Nos primeiros dias ali, tentara ser educada com ele, mas a revolta da criaturinha contra este comportamento fora tão grande, que ela desistira. Não importava.

Demorou o maior tempo possível para chegar até a sala, onde sabia que era esperada. Draco havia saído aquela manhã, com Rabastan, ou ela teria pedido que ele fosse falar com sua adorável tia.

Abominava aqueles encontros com Bellatrix até o limite de suas forças e o sentimento conseguia ser redobrado quando estava preocupada com Draco, como naquele dia. Bellatrix seria educada, polida e elegantemente fria. Diria quais os mantimentos haviam sido trazidos, indagaria se algum deles precisava de alguma coisa e então começaria a sorrir ainda mais friamente, seus olhos teriam um brilho quase sádico e ela ficaria por alguns minutos falando frases dúbias e faria diversas insinuações sobre o que estaria acontecendo com seus amigos, como eles estavam perdendo a guerra, como as missões de Draco eram perigosas, até que a garota não agüentasse mais ouvir sem retrucar e pedisse licença para se retirar, alegando cansaço da gravidez.

Mas quando chegou à sala, como o passo mais lento que sua gravidez lhe permitia, Hermione teve uma surpresa.

Não era Bellatrix Lestrange que lhe esperava.

Era Andromeda Tonks.

"I found some hate for you just for show
you found some love for me thinking I'd go"

Nada que Andromeda falasse, nenhuma das afirmações que fez, nenhum dos protestos que manifestou, nada convenceu alguém da Ordem de que Draco e Hermione não eram culpados pela morte de sua filha, ou qualquer outra desgraça que tivesse acontecido nos últimos tempos. Pensaram que ela tivesse sido confundida por Hermione e nenhuma declaração em contrário foi ouvida, afinal, ela havia se encontrado a sós com a garota.

Quando viu, no dia seguinte ao enterro da filha, as fotos de seu sobrinho e Hermione Granger no Profeta Diário e no Pasquim anunciados como Comensais da Morte, teve vontade de escrever aos dois jornais e contar a verdade, mas logo percebeu que não adiantaria.

Era a palavra de Harry Potter contra a sua. Ele ela era irmã de duas comensais.

Foram dias em que mal conseguia dormir, pensando em maneiras de ajudar os dois jovens. Era o seu único sobrinho, filho de sua irmã, não importava o que havia acontecido no passado. Ele era o único futuro que aquela família tinha.

Ted, por mais que não gostasse de nada que envolvesse a família de Andromeda, compreendia a necessidade da esposa de ajudar o sobrinho.

Ela já não tinha mais filha.

Ele já não tinha mais pais.

E ambos eram o que restava de uma família extinta.

Eles e Bellatrix Lestrange.

E foi exatamente ela quem proporcionou à Andromeda a maneira que buscava para ajudar seu sobrinho.

Bellatrix apareceu no inicio da noite e Ted ficou seriamente tentado a simplesmente fazer com que a mulher saísse de sua casa. Andromeda deu a ela cinco minutos para que dissesse o que queria, e nesses cinco minutos ela os convenceu a escutarem. Sorriso frio nos lábios, palavras dúbias nos cumprimentos e informações precisas sobre o comportamento de Andromeda a respeito do que havia acontecido em Grimmauld Place na noite do velório de Nymphadora.

Andromeda, a princípio, não queria deixar que Bellatrix retornasse à sua casa, por mais informações que tivesse, era óbvio que ela tinha um espião dentro da Ordem, e que claramente não era Draco Malfoy. Mas naquele primeiro encontro trouxe informações sobre draco, o segundo uma notícia concreta e o terceiro um convite: "una-se ao lado que vai vencer".

Ao ouvir as palavras da irmã, Andromeda teve um deja vu. Sua irmã, tão incrivelmente parecida com ela,já havia feito esta proposta uma vez, há muitos anos. E ela havia recusado. Casara-se com Ted, tivera uma filha e até o reinício daquela maldita guerra, podia se considerar uma pessoa feliz.

Andromeda não eras tola e sabia o que estava acontecendo. O Arauto era o jornal mais popular da Inglaterra e as pessoas realmente acreditavam no que ele dizia. Acreditavam nas promessas e opiniões implícitas em cada linha daquele jornal: o que importa quem governa, desde que haja paz?

Os anúncios pequenos, mas constantes, no jornal, propagando que o mundo bruxo deveria ser unido sob um mesmo comando, as constantes falhas no Ministério, as ações estranhas tomadas pela Ordem da Fênix, a diminuição dos ataques dos Comensais, que agora diziam só atacar quando eram confrontados, a extinção de ataques a trouxas ou nascidos-trouxas, tudo isso induzia a população a um distorcido senso de segurança, de falsa paz, trazida não pelo Ministério que ainda tentava prender os Comensais, não pela Ordem, que ultimamente aparecia nos lugares mais estranhos, sem propósito aparente, mas pelos próprios Comensais e, por conseguinte, por Voldemort.

O Lorde parecia ter finalmente compreendido a dinâmica para "purificar" seu mundo: domine primeiro. Extermine depois.

Mas em todo belo plano há uma falha. Faltava um que maior de realidade, faltavam exemplos práticos dessa "nova fase" de Voldemort.

E, de repente, Andromeda entendeu perfeitamente onde o jovem casal se encaixaria.

Provas concretas da "regeneração" de Voldemort: o filho sangue-puro de um dos seus mais conhecidos – e preconceituosos – Comensais casado, e tendo um filho, com uma nascida trouxa. Mas não qualquer nascida trouxa, e, sim, Hermione Granger, melhor amiga do menino-que-sobreviveu, defensora de tudo o que é certo.

Se até a melhor amiga escolhesse lutar ao lado de Voldemort, quem apoiaria Harry Potter?

E foi por isso que Andromeda aceitou o convite da irmã desta vez. Não sabia onde aquela história iria parar, mas tinha certeza de que não acabaria bem e ela estava decidia a ajudar o que havia restado de sua família.

"don't keep me from crying to sleep
sleep in heavenly peace
silent night moonlit night
nothing's changed nothing is right"

Os olhos arregalados em um quase choque, entre a surpresa, a incerteza e a satisfação, a barriga mais proeminente agora, com mais de quatro meses de gravidez, Hermione Granger estava paralisada e sem reação. Andromeda notou os círculos escuros embaixo dos olhos, como a barriga era a única parte do corpo de Hermione que a diferenciava da menina que Andromeda havia conhecido em Grimmauld Place, ela parecia não engordado nada além da barriga. Se possível, parecia até mesmo que ela havia emagrecido.

Andromeda se aproximou calmamente, sorrindo de leve para Hermione que ainda estava um tanto atordoada.

- Olá, Hermione. Peço que perdoe a minha intromissão sem aviso, mas Bella me disse que não teria tempo de vir hoje e então decidi trazer os mantimentos por mim mesma. Espero que não se importe com a troca de mensageira.

As palavras tiveram o efeito desejado e a mulher viu os olhos da garota se estreitarem em raiva contida.

- Com certeza eu não me importo... Mas como soube onde nós estávamos? Você estava ajudando... eles? – a menina era esperta, pensou Andromeda. Não era por tê-la ajudado uma única vez e de maneira insuficiente, que ela iria confiar inteiramente. Melhor precaução do que remédios.

- Não. Não estava. Mas em certas ocasiões, até mesmo nossas crenças podem ser postas para trás em nome da família. Tenho certeza de que você concorda.

Hermione concordou lentamente com a cabeça e Andromeda decidiu mudar de assunto. Falou sobre as provisões, sobre o tempo, tomaram chá e conversaram sobre quase tudo. Exceto a guerra.

Quando a tarde já estava na metade, Draco chegou em casa, não parecendo tão arrasado como das outras vezes. Andromeda entendeu aquilo como sua deixa para sair, mas antes de ir, entregou um pacote para Hermione, com um sorriso e a promessa de que voltaria assim que pudesse.

O pacote continha jornais, de todos aqueles meses em que estiveram fora. Os progressos da guerra, a maneira como tudo estava sendo conduzido. Enquanto Draco tomava banho, Hermione começou a lê-los, ávida por saber tudo o que estava acontecendo.

Voldemort já havia feito mais de uma aparição em público e, incrivelmente, isso não estava causando pânico. Missões sem sentido feitas pela Ordem sempre acabavam em falhas e Harry começava a perder a confiança das pessoas. Scrimgeour havia desaparecido há duas semanas e não conseguia ser encontrado. Um outro oficial chamado Yaxley havia assumido o lugar do Ministro e freqüentemente deixava vazar comentários seus dizendo que talvez a história realmente devesse ser revista e que talvez Comensais não fossem os terroristas que todos pensavam. Como exemplo de bom comportamento, ele citou, por diversas vezes, Lucius e Narcissa malfoy e lamentava imensamente a morte do casal e o desaparecimento de seu filho.

De alguma maneira, os detalhes da fuga de Draco e Hermione apareciam estampados em diversas páginas do Arauto, fazendo parecer como se os dois tivessem fugido da incompreensão de um amor, e não por medo de acabarem presos ou mortos. Uma declaração de Bellatrix Lestrange, conseguida por uma "fonte que não quis se identificar", dizia que ela esperava encontrar o sobrinho e sua "adorável esposa" logo, e que eles pudessem ter seu filho em paz. Eles estavam sendo estampados como alguma espécie de símbolo da regeneração dos Comensais e, por conseqüência, do próprio Voldemort e isso fez o sangue de Hermione ferver. Estavam usando seu nome, o nome de Draco, o nome do filho deles, que ainda nem havia nascido, para uma campanha política desprezível!

Olhou para Draco com fúria nos olhos.

- Você sabia? Sabia de toda essa propaganda ridícula usando os nossos nomes, como se fôssemos Romeu e Julieta atrapalhados pela Ordem?

Ele balançou a cabeça, cansado.

- Não. Não até alguns dias atrás, quando vi um desses jornais. Eu não quis te falar porque... Eu não queria causar ainda mais preocupações, a nossa situação já é ruim da maneira como é, você não precisa de mais coisas ainda para se preocupar...

- Eu não sou nenhuma menininha frágil, Draco, para você esconder esse tipo de fato de mim!

- Mas você está grávida e essa gravidez está longe de adequada, eu acho que você nem nunca foi ao médico e está cada dia mais magra e mais pálida e eu não quero que nada aconteça com você!

- Você não precisa ficar cuidando de mim como se eu fosse uma criança! Você não tem que se preocupar desse jeito comigo! – ela respondeu, quase gritando, irritada por ser tratada como alguém frágil.

- É óbvio que eu tenho, Hermione! Eu sou seu marido, droga! O que você quer que eu faça? Chegue aqui e despeje tudo isso em cima de você, sabendo que vai te deixar mais aflita e preocupada e todo o resto? Não! Você e o nosso filho são as minhas prioridades e se eu precisar esconder coisas de vocês dois para que vocês consigam ser mais felizes, então eu vou!

Hermione sentiu a raiva que havia começado a surgir se dissipar diante das palavras dele. Buscou conforto no abraço dele, que respirava pesadamente, como se não gostasse da idéia de ter tido esse confronto, mas a abraçou de volta.

Acariciou os cabelos de Hermione delicadamente, e em seguida tomou seus lábios, num beijo cheio de medo e possessivo, querendo garantir que ela estava mesmo, definitivamente, para sempre ali. Ao lado dele. Com seu filho seguro. Ele simplesmente tinha certeza de que não agüentaria perder mais nada, nem ninguém.

- Não precisa ser assim. – ela disse, quando se separaram, alguns instantes depois. – Eu sei que foi isso que Lucius te ensinou, Draco. – ela respondeu, antes que ele pudesse falar. – Eu entendo, mas eu não sou assim. Eu sou uma Gryffindor, esqueceu? – indagou, meio sorrindo. – Eu preciso saber o que você sabe, mesmo que eu não possa ajudar neste exato instante. Eu não quero que você carregue o peso da nossa família sozinho, porque ela é nossa, e não seria justo com você. Somos nós três agora. Apenas nós e nós vamos precisar confiar um no outro, se isso for dar certo.

Ele ficou em silêncio um minuto inteiro antes de responder, enquanto voltava a abraçá-la forte, fazendo com que encaixasse a cabeça em seu ombro.

- Você não parecia estar contente com isso de família, Hermione. No dia em que a Bella trouxe os documentos você ficou cm tanta raiva... E depois, você não come direito, não dorme direito, não faz muita coisa e parece estar sempre ausente... Eu tive medo de que se você soubesse o quanto isso vai ser ruim para você, para os seus amigos, eu pensei que você... iria embora. E eu só tenho vocês.

Hermione se afastou um pouco, para olhar nos olhos cinzas enquanto falava.

- Eu não conseguia comer direito porque eu me preocupo com você, por não saber o que estava acontecendo. Eu fiquei com raiva por ser ela a trazer os documentos. Nunca por não querer saber, ou te culpar pelo que está acontecendo. Nunca por ser com você que eu me casei, porque eu te amo. Mais do que qualquer outra pessoa no mundo, agora, com exceção do nosso filho, e mesmo ele eu sei que eu amo tanto porque ele é seu. Amá-lo é amar você. Eu te amo, Draco. E nós somos uma família e nunca damos as costas uns para os outros. Não é assim que os Malfoys fazem?

Draco sorriu lentamente, um sorriso puro, como há meses Hermione não via.

- É exatamente assim. E é motivo de orgulho que você agora seja uma Malfoy.

Sorriram um para o outro e contentaram-se em ficar abraçados, em silêncio, quando mal percebiam que no dia seguinte, seria Natal. Mas mesmo assim, receberam talvez, o melhor presente que poderiam ter conseguido. Um acordo de paz, uma maneira de ver um futuro e algo pelo que lutar: sua pequena, mas forte, família.

"I should be stronger than weeping alone
you should be weaker than sending me home
I can't stop you fighting to sleep
sleep in heavenly peace"


N.A: Capítulo meio sem ação e um tanto deprimente :S, Mas enfim... Espero que tenham curtido. MUITO OBRIGADA e todo mundo que deixou Review, mas eu me encontro atrasada neste instante, e quero postar isso hoje, então, respostas das reviews no próximo capítulo. XD

É provável que essa semana apareça por aqui uma song DHr nova, para o projeto megalomaníaco "Cigarrets and Chocolate" da família mais foufa e democrática ever \o! E falando em megalomaníaca, dica: leiam Hallellujah, da vickweasley, o link está no meu profile, em fics favoritas, porque é a dramione mais fodástica ever!

Agora, façam o meu Natal mais feliz e

R E V I E W !

Bjs e feliz Natal.

XD