Lynne Graham
Adaptação.
Personagens pertencentes a Lynne Grahame e Stephenie Meyer
Historia pertence a Lynne Graham.
A Noiva do Deserto
Lynne Graham
CAPITULO III
Isabella correu até descobrir-se numa elegante área de recepção. Agora entendia o desespero da princesa Irina! Aceitava conviver com centenas de concubinas, mas negava-se a resignar-se com a presença de uma segunda esposa. Também compreendia o tratamento que recebera no aeroporto. Todos sabiam que se casaria logo depois de chegar, menos ela!
Um casamento polígamo. De acordo com o alcorão, um muçulmano pode ter até quarto esposas de cada vez, e muitas outras ao longo da vida, se decidir valer-se do recurso do divórcio. As ex-esposas tinham de ser sustentadas, e era justamente essa exigência que tomava a poligamia menos presente no mundo árabe. O costume transformara-se numa prática cara. Mas Edward era muito rico...
Jamais pensara na possibilidade do príncipe ser casado, O jornal não mencionara esse dado...
Talvez ele houvesse se casado depois.
— Por que está tão perturbada? — Era uma pergunta feroz, repleta de incompreensão e ressentimento. — Talvez esteja envergonhada por ter me julgado tão mal — Edward sugeriu irritado.
— Este não é o castelo do Barba Azul, e eu não sou nenhum maníaco indecente capaz de forçar minhas atenções sobre uma mulher desprotegida. Acha que meu pai teria permitido que eu trouxesse uma inglesa para cá, se não pretendesse me casar com ela? Pensa que somos selvagens?
Gostaria de rir e mandá-lo para o inferno, mas o momento exigia cuidado e seriedade.
— E a princesa Irina?
— Irina deve aprender a ajustar-se, e isso não é problema meu. Não fiz nada do que deva envergonhar-me. Esperei dois anos longos anos por você, e ela sabe disso.
— Sua compaixão é emocionante!
— Mas não é infinita. Nem minha tolerância. Por que essa reação? Não faz sentido!
— Ontem à noite... — ela tentou, lutando para conter o nervosismo. Edward oferecia casamento como se fosse a maior das honras, como se acreditasse que o simples fato de casar-se seria suficiente para superar sua resistência. — Você disse que eu seria outra mulher quando voltasse ao meu mundo. Não estava pensando em casamento.
— Estava apenas deixando claro que, se fosse infeliz a meu lado, poderia pedir o divórcio e partir, mas só depois de dar uma chance ao nosso casamento.
Não podia acreditar em tamanho absurdo. E mais absurda ainda era a dor que sentia. Não se casaria com Edward em hipótese alguma, mesmo que Irina e todas as outras mulheres não existissem. Na verdade, casamento não fazia parte de seu projeto de vida. Passara a infância toda partilhando da infelicidade dos pais, e não queria repetir a experiência.
Mesmo assim, saber que Edward queria tê-la como esposa a surpreendia. Há dois anos ele se mostrara interessado num simples caso... e nem isso havia conseguido! Só o conhecera no Segundo semestre, mas a fama do príncipe conquistador correra pelo campus como fogo em palha seca. Todas as garotas o queriam, e ele jamais recusara a oportunidade de uma noite de paixão e sexo.
— Não poderia me casar com você — ela disse com voz estrangulada.
— Não aceito esse tipo de resposta.
— Insisto em voltar ao aeroporto o mais depressa possível.
— E eu me recuso a deixá-la ir.
— Está preocupado com as aparências — deduziu. Conhecia sua cultura, e sabia que a família e os súditos o desprezariam, caso soubessem que uma mulher rejeitara seu pedido de casamento.
— Está me insultando mais uma vez. Por que acha que me importo com algo tão superficial quanto simples aparências, quando existem coisas muito mais profundas entre nós?
— Não há nada entre nós. Jamais haverá. Só está insistindo em conquistar-me porque não aceitou aquele não, dois anos atrás. Seu ego não aceita a idéia de que uma mulher tenha se recusado a partilhar de sua cama.
— Quando começa a recitar essas mentiras descaradas, tenho vontade de esganá-la! — ele explodiu, aproximando-se e segurando-a pelos braços. — Isso é pura provocação! Queima por mim como eu queimo por você!
— Não! — ela gemeu, temendo os braços que a enlaçavam.
— Vi a fome em seus olhos na noite passada. Ouvi seu coração, e agora sei que ele bate por mim. E no entanto, jamais a toquei. Nunca! Quantos homens em seu mundo podem dizer o mesmo à mulher que desejam possuir? Quantos a teriam tratado com o mesmo respeito incondicional?
As mãos dele deslizavam por suas costas, provocando sensações intensas e incontroláveis.
— Edaward, eu...
— Confia em minha capacidade de respeitar limites.., por quê? No estado em que estou, sua confiança é quase um gesto de ousadia! Talvez tenha sido muito honrado. Permiti que me rejeitasse sem insistir, mas agora será diferente.
— Solte-me — Isabella pediu desesperada, tentando sucumbir ao calor que a invadia.
— Por quê? Outros homens não a tocaram? Por que espera que eu seja diferente?
Agora ela estava ofegante, e o corpo começava a enviar os primeiros e traiçoeiros sinais de desejo. Temia que Edward insistisse, pois sabia que seria incapaz de resistir.
— Não...
— Seus olhos dizem sim... E se eu houvesse me comportado como um ocidental, não teria me obrigado a conhecer a frustração dois anos atrás. Deixei-a livre. Sabe por que uma mulher solteira é proibida de ficar a sós com um homem na Arábia? Porque pecar faz parte da natureza masculina, enquanto ceder e dar prazer é característica da mulher. E você será minha, de corpo, alma e coração. Fiz essa promessa a mim mesmo na Inglaterra, e pretendo cumpri-la com toda a doçura...
— Por favor...
Edward sorriu e puxou-a de encontro ao corpo, obrigando-a a tomar consciência de seu desejo.
— Pense bem, aziz... — ele sussurrou enquanto inclinava a cabeça. — Os portões de seu jardim secreto se abrindo para me receber... Sabia que era uma mulher sensual, mas não pensei que pudesse ser tão fogosa!
Um violento tremor a sacudiu e Isabella não conseguiu esquivar-se ao beijo quente e úmido. Estava perdida! Jamais poderia escapar com vida do incêndio que a consumia! Excitação pura, selvagem e envolvente. Cada beijo alimentava o desejo, e de repente descobria-se gemendo e implorando, colando o corpo ao dele numa súplica desesperada. As mãos buscavam conhecer cada centímetro de pele, enquanto as dele a arrastavam para um mundo desconhecido, ao mesmo tempo assustador e fascinante.
Edward resmungou alguma coisa em árabe e ameaçou afastar-se, mas Isabella agarrou-se a ele como se fosse a própria vida, beijando-o com a mesma urgência que ele despertara nela.
No instante seguinte estavam deitados no chão, o corpo dele pesando sobre o dela e uma das mãos sobre seu seio. O príncipe encarou-a e sorriu, deslizando a ponta do dedo sobre a seda que cobria o mamilo intumescido.
— Não posso fazer isso — ele sussurrou com ferocidade contida, levantando-se com um movimento brusco e segurando-a pelos braços para colocá-la em pé. — Seria o mesmo que envergonhá-la, e não quero arrependimentos entre nós. Será minha esposa, ou não será minha!
Edward a deixou sobre um divã e Isabella ficou parada, sem entender o que acontecia. O corpo gritava pela satisfação da urgência que ele despertara, enquanto a mente a acusava de ter traído os próprios princípios morais e éticos.
— Sempre soube que seu desejo seria tão intenso quanto o meu. Agora, deve reconhecer que também me quer e sentir-se grata por meu controle ser maior que o seu... embora não tenha sido esse o motivo que me levou a refrear o ardor. A porta está apenas encostada...
Gratidão? Isabella continuava ali sentada, o incêndio que até pouco antes a fizera arder subitamente apagado por um balde de fria realidade. Jamais sentira tamanha vergonha!
— Irina... — murmurou, abaixando a cabeça com um misto de frustração e vergonha.
— O que ela tem a ver conosco? Não quero mais ouvir esse nome em minha presença!
Como podia falar assim? E ela, como fora capaz de esquecer a pobre mulher que vira rastejando aos pés do príncipe?
— Precisa me deixar ir embora.
— Você é a mulher mais teimosa que já conheci. Por que não conversa comigo? Por que insiste nesse silêncio incompreensivo e egoísta? O preconceito contra minha raça a impede de ouvir a voz do próprio coração?
A acusação a atingiu em cheio. Furiosa, Isabella levantou-se e partiu apressada, temendo não poder mais se conter. Soluços angustiados a sacudiam quando ela encontrou Angela na galeria do segundo andar.
Disposta a não demonstrar o desespero, reuniu toda a disciplina que possuía e respirou fundo, contendo o pranto e erguendo a cabeça. Como ele se atrevia a expô-la a tão insuportável situação? Edward despertava sentimentos do passado, emoções inquietantes que julgava enterradas definitivamente. Era o orgulho que a atormentava dizia a si mesma. A paixão estúpida que sentira por esse homem dois anos atrás era uma lembrança que agora provocava raiva, e o fato de ser forçada a encará-lo novamente era um pesadelo de mortificação. Era como retomar à cena do crime.
De volta ao quarto, Isabella andou de um lado para o outro, perturbada demais para sentarse. Sabia qual era o verdadeiro problema a incomodá-la. Ainda estava chocada com a resposta que ele conseguira arrancar de seu corpo, uma reação que jamais fora capaz de ter. Mesmo no auge de sua paixão pelo príncipe, acreditara que estar nos braços dele seria apenas uma repetição das
desagradáveis experiências que tivera com outros homens. Mas agora descobrira a extensão de sua vulnerabilidade e estava assustada.
Como pudera permitir que ele a tocasse daquela forma? Aos vinte e sete anos de idade e virgem.., jamais se incomodara com esse fato, até conhecê-lo e sentir os primeiros sinais de curiosidade e desejo, dois anos antes. Só agora percebia que negara o aspecto físico de sua natureza por muito tempo, ou não teria se deixado acariciar tão intimamente por um homem casado.
Em dois anos Edward não a esquecera. Por quê? Porque representava um grande desafio. Na Inglaterra, ele a enchera de flores e presentes caros, certo de que assim a conquistaria, e não desistira nem mesmo quando ela devolvera as jóias mais extravagantes e valiosas. Na verdade, o príncipe mostrava-se mais obstinado quanto mais insistentes eram suas evasivas e recusas. Isabella pretextara trabalho, cansaço, outros compromissos, mas jamais havia dito que não estava interessada, ou que não tinha a menor intenção de envolver-se afetivamente. Assim, Edward prosseguira em sua perseguição determinada. Mostrara-se furioso por ela se negar a reconhecer a atração entre eles, e jamais a esquecera.
Isabella cobriu o rosto com as mãos, sentindo-se à beira de um abismo. O que havia nesse homem de tão especial? De repente não podia pensar direito, e comportava-se como outra pessoa. No pátio, por exemplo, quando conversara com ele tranqüilamente, em vez de exigir que a libertasse, por que não gritara e o ameaçara? Por que não o acusara de seqüestro?
Tinha de encontrar uma forma de obrigá-lo a soltá-la. Talvez pudesse contar com a ajuda da frustração que o príncipe devia estar sentindo, agora que descobrira que não a conquistara como esperava. Sabia que ele contava com uma reação favorável ao esforço que emprenhara para trazê-la à Jordânia, especialmente porque as manobras foram coroadas pela afirmação das mais sagradas e nobres intenções. Nobres?
Ferira o ego do príncipe ao rejeitá-lo na Inglaterra, e por isso ele havia ido tão longe na tentativa de fazê-la ceder. Como último recurso, não hesitara em oferecer casamento, um pacote que certamente considerava dos mais atraentes e irrecusáveis para qualquer mulher do mundo. Por que não conseguia fazê-lo compreender a enorme distância sociocultural que os separava?
Isabella ainda estava de cabeça baixa quando a porta do quarto se abriu sem aviso prévio. Assustada, ergueu os olhos e viu a bela loira parada na soleira, um tipo digno de qualquer revista de moda. A jovem usava um fabuloso conjunto de saia e jaqueta verde-limão, e seus olhos azul pareciam duas pedras de agua marinhas. A boca estava apertada numa linha dura de determinação e ressentimento.
— Sou Irina...
Uma onda de emoções a invadiu, mas o horror logo tomou a dianteira. A esposa de Edward!
Irina a examinava sem pressa, o semblante carregado traindo o ódio que a envenenava.
— Cabelos de chocolates! — ela exclamou. — Sua cadela inglesa horrorosa!
Essa não era a mulher fraca e indefesa que vira chorando e arrastando-se aos pés do príncipe! Em lugar das lágrimas, agora havia uma raiva tão grande que Isabella temeu um ataque físico.
— Acha que pode tomar o meu lugar... pois deixe-me dizer o que Edward vai lhe dar! — ela gritou, entrando no quarto e batendo a porta com força. — Ele vai lhe dar um falso casamento! Mut'a... Se é tão inteligente, deve conhecer o significado da expressão. Mut 'a é um contrato de casamento por um dia, uma semana, no máximo um ou dois meses. Ele legaliza uma união que não exige nem mesmo um divórcio para ser desfeita. Os homens lançam mão desse artifício para possuírem uma mulher que desejam e depois a jogarem fora!
Isabella conhecia o significado do Mut'a, mas jamais soubera que os jordanianos
reconheciam a validade de casamentos temporários. Tais arranjos podiam satisfazer as convenções de uma sociedade que condenava as relações sexuais fora dos laços do matrimônio, evitando assim a vergonha e o pecado. Até mesmo uma noite de sexo podia parecer respeitável, desde que fossem observadas as regras.
— Irina... — Isabella tentou.
— Está chocada! Então é uma grande estúpida! O Rei Carlisle jamais permitiria que o filho desposasse uma ocidental em outras circunstâncias!
— Irina, por favor, perdoe-me pela dor que minha presença tem causado, e acredite que não tenho nenhuma intenção de me casar com seu marido.
— Meu...?
— Edward se nega a permitir que eu saia do palácio.
— Ele não permite? Não quer estar aqui? Não quer se casar com Edward? Não posso acreditar...
— Pois é a verdade! Não quero nenhum tipo de envolvimento com ele. Não sabia que Edward pretendia me trazer para cá, ou que era um homem casado.
— Ah... — Irina sorriu maliciosa. — Por isso quer ir embora.
— Essa é apenas uma das razões.
— Se quer mesmo partir, posso ajudá-la a sair do palácio — Irina informou. — As mulheres mais velhas de nossa família ainda escondem-se sob o véu para deixar a casa. Quem pode dizer o que existe por trás do chador?
— Seria eternamente grata por sua ajuda...
— Vou tomar as providências.
A loira abriu a porta e despejou algumas palavras eu árabe sobre Angela, que gemeu e caiu de joelhos a seus pé, tremendo como se sentisse medo. Satisfeita, Irina retirou-se e deixou a hóspede do príncipe sozinha.
Isabella respirou fundo, tentando não emitir qualquer tipo de julgamento moral. Esse não era seu mundo, e quando mais cedo se afastasse dele, mais feliz seria.
Isabella estava estendida num divã, folheando uma revista quando percebeu a presença de alguém e ergueu os olhos para o espelho que refletia a imagem do recém-chegado.
— Tente não gritar... — Edward sorriu, notando seu espanto — Sei que esses são os aposentos femininos, e que posso prejudicar sua reputação com minha presença, mas...
— Como entrou aqui?
— Atravessei o telhado e pulei o balcão. Essas são as vantagens de um bom treinamento militar.
— Podia ter quebrado o pescoço! O que quer aqui?
— Obviamente devia ter vindo à noite com uma caixa de chocolates — Edward suspirou com ar debochado. — Não é nada romântica, Doutora Swan! Mas esse é um problema que discutiremos em outra ocasião. Vim aqui para terminarmos a conversa da qual fugiu tão apressada.
— Eu não fugi! Só me retirei porque já havia declarado meus sentimentos.
Edward pôs as mãos nos bolsos da calça e abriu o paletó com os cotovelos, mostrando o peito amplo e bem definido sob a camisa impecável, incapaz de conter-se, Isabella aproveitou para deliciar-se com a visão de rara beleza, surpreendendo-se com a intensidade da resposta do próprio corpo.
— Se não é capaz de disfarçar a atração que sente por mim como espera que eu aceite esses sentimentos confusos que diz ter declarado?
Vermelha, ela abaixou a cabeça.
— Eu não...
— Não tente negar! É evidente que também arde por mim, mas de repente algo a faz retroceder. Isso me deixa furioso... e nesse momento me faz querer atirá-la sobre aquela cama e derrubar as comportas que a impedem de entregar-se. Depois disso, duvido que volte a offender minha inteligência com essa mentira sobre falta de interesse.
— Não nego que... existe uma certa atração entre nós — confessou, disposta a fazer concessões para escapar à ameaça.
— Isso é muito súbito.
— Como disse?
— Finalmente admite a verdade, mas isso já não ó suficiente.
— Então, de que adianta admitir a verdade? — ela perguntou frustrada.
— Está me oferecendo migalhas, quando quero todo o pão? Espero tudo que tem a oferecer... e mais. Não me ajoelho em sua porta como um humilde mendigo. Tomarei o que insiste em negar. Vou possuí-la como jamais foi possuída, e juro que nunca mais poderá me esquecer!
Havia pensado que a admissão da verdade serviria para aplacá-lo, mas, por alguma razão, ele parecia ainda mais inflamado.
— O que acha que podemos ter em comum? — perguntou amedrontada.
— Deve ser muito inocente, ou não estaria sugerindo que a similaridade é o que há de mais excitante entre um homem e uma mulher.
— Não! Sei tudo sobre esse tipo de excitação! E também sei que não estou interessada.
Conhecia a violenta atração sexual que podia brotar entre duas pessoas tão diferentes. Havia acontecido em sua casa. O pai, sempre tão irresponsável, egocêntrico e vaidoso, entrara e saíra de sua infância como e quando julgara conveniente; depois do rompimento de mais uma relação, quando o dinheiro acabava, quando estava desempregado, ou quando sentia falta dos confortos de
um lar. Jamais sugerira a possibilidade de um divórcio. E sua mãe sempre abrira a porta, perdoando, acreditando, sempre pronta a esperar que as coisas fossem finalmente diferentes e que, dessa vez, ele ficasse para sempre a seu lado.
Inúmeros vezes Isabella fora aconselhada a fazer o pai sentir-se em casa, em vez de tratá-lo como se fosse um hóspede quase desconhecido. Lembrar esse período de sua vida ainda lhe fazia sentir uma enorme angústia. Havia sido então que prometera a si mesma que ao contrário da mãe, viveria para a carreira. Seria independente e auto-suficiente. Jamais se tornaria vulnerável construindo a vida e o futuro em torno de um homem.
— Com quem aprendeu essa lição?
Arrancada das recordações, Isabella encarou-o e odiou-o por poder fazê-la sentir um desejo tão intenso e incontrolável. Era horrível descobrir que perdia o controle sobre as próprias reações.
— É uma mulher de vinte e sete anos, mas comporta-se como uma adolescente confusa... Por que insiste em lutar contra mim?
— Porque essa é uma atração impossível... - Não pode compreender e aceitar essa realidade? Por que não me deixa em paz? É incapaz de pensar em alguém além de si mesmo? Arrastar-me até aqui e submeter-me a esse pesadelo é positivamente sádico! Não compreende que está... me ferindo? — ela explodiu, desesperada ao ouvir a própria voz.
— Você mesma está se ferindo, aziz. Quando tiver a coragem necessária para encarar esse fato, talvez também tenha a humildade de vir me agradecer por essa segunda chance.
— Segunda chance?
— Da qual ainda terá de provar-se merecedora. Se não a desejasse tanto, já a teria esquecido há muito tempo.
— Odeio essa sua ousadia! Será que não percebe?
— O que percebo é... medo. Dessa vez não tem para onde fugir, e eu avanço sempre que retrocede. Está perdendo terreno depressa.
— Agora estamos fazendo jogos de guerra?
— Não se trata de um jogo — Edward suspirou, consultando o relógio de pulso.
— Tenho um compromisso...
— Tem de me deixar ir embora! — Isabella gritou furiosa.
— De jeito nenhum. Estou antecipando um verão longo e quente durante o qual você se transformará em outra mulher — ele sussurrou, aproximando-se para afagar seus cabelos.
— Não me toque! — Isabella protestou, virando a cabeça para escapar à carícia.
Em resposta, Edward agarrou-a pelos cabelos e a fez erguer o rosto para o beijo violento. Isabella submeteu-se sem um murmúrio, eletrizada pela força da própria fome.
— Contarei as horas até tê-la em minha cama... — Edward confessou antes de deixá-la.
Tonta e assustada, ela escondeu o rosto entre as mãos e chorou, devastada com o que ele podia fazê-la sentir, esgotada pelo próprio tumulto emocional. O que faria se Irina não a ajudasse? Quanto tempo seria necessário para que ela tomasse tais providências?
Irina retornou meia hora depois da partida de Edward. Mais uma vez a porta foi aberta sem aviso prévio, e Isabella só reconheceu o vulto coberto por véus pelo elegante sapato verde-limão sob o tecido fino, porém escuro. Uma trouxa de roupas foi jogada a seus pés.
— Seja rápida. O carro está esperando por nós — Irina sussurrou impaciente.
— Agora?
— Mudou de idéia?
— É claro que não! — Isabella apressou-se.
Com o coração disparado, ela se escondeu sob o chador.
— Mantenha as mãos nos bolsos — Irina instruiu. —Mantenha a cabeça baixa e não fale.
Angela havia desaparecido do corredor. Isabella tentava andar depressa, apesar do mar de panos que a envolvia. Quando chegasse em casa, certamente riria de tudo isso. Ou não? Francamente, a única coisa em que conseguia pensar era na certeza de que nunca mais veria Edward, o que a fazia sentir uma enorme e amarga raiva de si mesma.
