Lynne Graham

Adaptação.

Personagens pertencentes a Lynne Grahame e Stephenie Meyer

Historia pertence a Lynne Graham.

A Noiva do Deserto

Lynne Graham

CAPÍTULO VI

Isabella estava realmente chocada. Num minuto Edward afirmava a autenticidade do casamento, e no instante seguinte o desprezava como se não significasse nada. Na verdade, não significava nada para ele! Era como se houvessem assinado o tal contrato temporário. Casamento fora apenas um subterfúgio através do qual o príncipe pretendia tê-la em sua cama de acordo com suas condições! Seria a última aventura na vida de Edward antes que ele se casasse com uma mulher adequada, como Irina, que já recebera a aprovação da família real.

Agora deviam estar voltando ao palácio. Pois ele que não pensasse em trancá-la lá dentro até o final do verão! E que também não esperasse sua cooperação quando decidisse descer do olimpo de seu orgulho ferido e divertir-se antes do verdadeiro casamento!

A viagem de helicóptero foi breve, e Isabella percebeu que o destino final não era o que havia imaginado. O lugar onde estavam possuía belos terraços ajardinados que jamais vira antes, tamarindeiros e palmeiras muito altas sobre um gramado colorido por flores tropicais.

— Mas não estamos no palácio...

Edward ainda estava à sombra do helicóptero, falando num telefone celular. O rosto tenso e sombrio sugeria contrariedade, como se o interlocutor não fosse de seu agrado.

Angela respondeu ao comentário.

— O palácio do rei fica bem perto daqui, minha senhora. Agora este é o palácio do príncipe Edward. A mãe dele morou aqui, mas a pobre mulher faleceu logo depois dar à luz o príncipe. Então o rei fechou esse lugar, pegou o filho e voltou para a antiga residência real.

Então Edward crescera sem mãe. Pensando no que acabara de ouvir, Isabella seguiu a escada de mármore que levava ao pátio interno, um lugar encantador onde havia muito mármore, unia fonte de água cristalina e muitos vasos floridos.

Do pátio passava-se ao hall, e de lá à primeira sala. A mobília antiga e discreta seria perfeita para uma típica fazenda inglesa, e Isabella surpreendeu-se com a sobriedade e o bom gosto do ambiente.

— O príncipe diz que esse lugar é uma sala de estar. Temos muitas delas aqui — Angela explicou.

— É lindo — Isabella respondeu, seguindo a criada ao cômodo seguinte, uma típica sala de visitas árabe com a lareira para a torrefação do café, pilhas do almofadas coloridas e nenhuma mobília. A convivência entre o oriente e o ocidente prosseguia nos outros aposentos do palácio, e Isabella não pôde deixar de pensar em como a mistura era curiosa. Teria sido a metade occidental criada com o propósito de entreter estrangeiros importantes?

O som de passos a fez virar a cabeça quando ela contemplava a fonte do pátio. Edward estava parado, os olhos cheios de apreensão e reserva, como se estivesse preparado para um combate.

— Agora vai me dizer por que não partiu quando teve chance.

— No momento isso é completamente irrelevante — Isabella respondeu.

— Agora você é minha esposa, e não vou mais tolerar suas evasões.

Esposa... A lembrança foi suficiente para irritá-la novamente.

— Você corresponde a tudo que ouvi sobre os árabes — ela disse,

— Sobre o que está falando?

— Dizem que os árabes abandonam todo o charme e o poder de sedução no momento em que conseguem enfiar a aliança no dedo de uma mulher. Então ele se sente seguro e livre para assumir a verdadeira personalidade e ser o mestre de seu castelo, o senhor de tudo que vê... A mulher tão desejada e cortejada torna-se apenas mais um objeto de posse a ser usado e abusado de acordo com sua disposição. Pois bem, antes de se deixar inebriar por essa fantasia do todopoderoso, saiba que essa aliança no meu dedo não significa absolutamente nada!

Edward encarou-a e foi como estar no olho de um furacão. A tensão que emanava do corpo musculoso e perfeito a atingia como ondas elétricas. O silêncio era uma forma de intimidá-la e, numa tentativa desesperada de livrar-se da aura de poder que o envolvia, ela arrancou a aliança do dedo e atirou-a na fonte.

— A aliança simboliza uma farsa! — ela gritou, furiosa por soar tão defensiva.

Edward estava rígido e muito pálido.

— Suas maneiras são revoltantes, e seu temperamento é tão irritante quanto o de uma criança mimada. Fala sem pensar, sem se importar com as ofensas e insultos que profere. Suspeito que isso seja conseqüência de uma vida de egoísmo, do hábito de considerar apenas sua própria vontade, mas engana-se se acha que vou tolerar essas demonstrações. Trate de recuperar aquela aliança, pois sem ela não entrará em minha casa.

— Ótimo! Jamais quis aquela estúpida aliança!

— Não... Queria ser tratada como uma prostituta, e essa expectativa ainda pode ser atendida.

— O que disse?

— Seus gestos e palavras ofensivas estão diminuindo o respeito que tenho por você. Olho para o seu rosto e me pergunto se foi por essa mulher que ofendi um pai honrado. O que devia ter sido um dia de alegria transformou-se numa vale de lágrimas, discórdia e arrependimento, e minha paciência acabou. Vá buscar aquela aliança, ou passará a noite aqui. Sem ela não a reconhecerei como minha esposa!

— E acha que isso importa?

— Acho que devia aprender o que é ser usada e abusada de acordo com minha disposição. Só então, talvez, consiga apreciar o fato de jamais ter sido tratada como um ser inferior... até agora.

Se o príncipe esperava que mergulhasse naquela maldita fonte para recolher uma droga de aliança, estava completa-mente enganado! Isabella ficou onde estava, vendo-o afastar-se. Os guardas na porta do palácio a enfureceram ainda mais, embora soubesse que a presença de vigilância constante fosse normal na vida de um príncipe. O problema era que, agora, sabia que tinha uma audiência, o que despertava seu instinto assassino. Então Edward acreditava-se capaz de

fazê-la aprender uma lição... Como se atrevera a dizer todas aquelas bobagens? Por acaso havia pedido para ser trazida à Jordânia e casar-se duas vezes? E se ofendera seu honrado pai, o rei, a culpa era dela? O sol escaldante parecia querer derreter sua cabeça descoberta. Isabella voltou para a sombra do terraço e sentou-se, mas não agüentou muito tempo a dureza do mármore frio. Odiava-o... odiava esse homem como jamais odiara ninguém!

Uma hora se passou dolorosamente devagar. Onde estava a mulher inteligente que não entrara no helicóptero? Onde estava a espertalhona que julgara poder dialogar com Edward e o acusara de pecados que ele ainda não tivera tempo de cometer, provocando esse terrível exercício de humilhação pelo qual passava?

Nervosa, não pôde mais conter as lágrimas que queimavam seus olhos. Para o diabo com o orgulho! Não suportaria passar a noite sozinha do lado de fora, morrendo de fome e frio só para não se curvar às ordens de um árabe arrogante! Além do mais, jogar a aliança na fonte havia sido um gesto exagerado. Reagira à raiva provocada pela afirmação do que ele tomaria outra esposa, como se fossem objetos descartáveis, e seguira o impulso de provar que o casamento não tinha nenhum significado.

De joelhos, mergulhou um braço na fonte para verificar a profundidade. Era rasa, e a água limpa permitia que visse o fundo de ladrilhos muito brancos. Mas como encontrar a aliança, se o reflexo do sol na superfície ameaçava cegá-la? De repente um brilho especial chamou sua atenção perto do centro da fonte e ela esticou-se até onde pôde, tentando alcançar a jóia sem entrar no reservatório. Estava quase conseguindo quando um dos joelhos escorregou e ela perdeu o equilíbrio, caindo na água. Furiosa, agarrou a aliança, levantou-se e saiu da fonte, jurando que mataria Edward assim que o encontrasse.

Isabella entrou no palácio sem se importar com as pequenas poças que deixava em seu rastro. Se o príncipe queria guerra, agora a teria!

Sabia que arruinara o dia de seu casamento, que o embaraçara diante da irmã, do cunhado e de toda a família e, principalmente, que o insultara repetidas vezes.

Respirando fundo, tentou conter a nova torrente de lágrimas. Por que diabos não entrara naquele maldito helicóptero? A resposta foi imediata, clara, simples e devastadora. A ameaça de nunca mais voltar a vê-lo a paralisara e enfraquecera, roubando-lhe a disciplina que construíra ao longo de anos. A atração incontrolável que plantara o caos na vida de sua mãe e fizera a tia suportar todo o tipo de humilhações encontrara nela outra vítima. Dessa vez sentia-se sem forças para fugir, como se estivesse afundando no pântano do próprio desejo.

E só podia culpar a si mesma. Para proteger-se, impedira a entrada de qualquer homem em sua vida, e esse isolamento não a preparara para lidar com Edward. O maior inimigo não era ele, mas o que abrigava dentro de si mesma.

Edward Anthony Masen Cullen era a imagem do homem proibido, a personificação de seus mais secretos temores; incrivelmente belo, como seu pai, encantador, como seu pai, perito em gestos extravagantes, como seu pai, bem sucedido com o sexo oposto, como seu pai. Uma combinação letal dos piores atributos masculinos. Como poderia querer um homem assim? Se podia enxergar traços de sua natureza com tanta nitidez, por que não era capaz de matar essa terrível e assustadora atração?

Tremendo, Isabella ficou parada no meio de um aposento desconhecido, enquanto Angella preparava um banho morno em algum lugar próximo. Estava tão chocada e exausta, que deixou-se banhar e vestir sem ao menor tentar resistir.

— Quer comer alguma coisa, minha senhora? — a criada perguntou depois de escovar seus cabelos.

Como se viesse à tona depois de um prolongado mergulho, ela suspirou e viu-se envolta por uma fina camisola de seda branca.

— Não, obrigada — respondeu, constrangida com o estado de semi-nudez.

— Não precisa ter medo, sitt.

— Medo de quê?

— Do Príncipe Edward.

— Nunca tive medo de um homem em toda minha vida! — ela mentiu, incapaz de ignorar o pânico que a invadia cada vez que pensava em seu atual status. Esposa... e de um príncipe árabe!

— É natural que uma mulher fique nervosa antes de entregar-se pela primeira vez. Mas esta noite muitas mulheres estarão suspirando de inveja e sonhando estar em seu lugar na cama do príncipe.

Isabella parou de respirar e lançou um olhar incrédulo na direção da serviçal, que já estava saindo do quarto. Então ela balançou a cabeça num espanto mudo e voltou a respirar. Não pretendia se entregar. Essa não seria uma noite de núpcias normal, mas Angela não tinha conhecimento sobre as circunstâncias de seu casamento e do grau de animosidade entre ela e o príncipe.

Sempre se comportara de maneira irracional perto de Edward. Desejava-o, sem deixar de odiálo e culpá-lo pela própria fraqueza.

Quando a porta se abriu, ela se virou com ar surpreso e o viu. Por um momento o choque a paralisou, rapidamente seguido pelo ressentimento e o embaraço. Isabella agarrou o robe que Angela deixara sobre uma cadeira e segurou-o diante do corpo como uma barreira protetora.

— O que quer aqui?

Edward aproximou-se, os olhos verdes iluminados por um brilho divertido. Com um gesto indolente, ele removeu o cordão que prendia o véu à sua cabeça e exibiu os cabelos brozes e brilhantes.

— Ainda pergunta?

— O que pensa estar fazendo?

— O que acha que estou fazendo? — ele devolveu.

O príncipe estava se despindo, mas Isabella negava-se a crer nos próprios olhos.

— Pensei que este fosse meu quarto...

— Esta noite ele é nosso — Edward respondeu devagar.

— Não vou dividir um quarto com você

— É claro que vai. Você é minha esposa.

— Apenas teoricamente...

— Não acredito em teorias.

— Moralmente...

— O que pode ter a dizer sobre esse assunto? — Edward interrompeu, subitamente irritado. — Ou já esqueceu que essa manhã ofereceu-me seu corpo sem o compromisso de um casamento?

Um vermelho intenso tingiu o rosto de Isabella.

— Essa manhã eu estava... confusa.

— Estava desesperada, e vou lhe dizer o que teria acontecido se eu houvesse concordado com sua sugestão. Assim que estivesse sã e salva na Inglaterra, voltaria a me evitar e encontraria centenas de razões pelas quais não poderíamos estar juntos.

— Não é verdade!

— Sua fuga acaba aqui..., agora... esta noite. E você mesma tomou essa decisão quando decidiu não voltar para casa. Disse que nos casaríamos se ficasse, e não tenho de justificar minha presença em seu quarto em nossa noite de núpcias. Você é minha esposa...

— Não! Vou pedir uma anulação assim que voltar para casa!

— Lamento, mas essa é uma fantasia que jamais poderá realizar. Pense em mim como seu amante, em vez de marido — o príncipe sugeriu com os olhos brilhantes, resultado da raiva e do desejo. — Nesse momento não faz diferença. Mas saiba que seu jogo chegou ao fim. Esta noite faremos amor e você dormirá em meus braços.

Isabella tremeu, vítima de uma incredulidade furiosa.

— Se acha que vou me deixar usar dessa maneira, é melhor preparar-se para uma grande surpresa!

— Pois eu acho que a surpresa será sua.

— Você disse que esse casamento havia sido um engano estúpido e imperdoável!

— Um engano com o qual terei de conviver até o final do verão. E se tenho de viver com o erro, você também tem.

— Essa atitude é totalmente irracional!

— Por que deveria ser racional? Você não merece mais nenhuma consideração especial de minha parte. Casei-me com você para preservar sua honra, e que recompensa recebo?

— Eu não queria me casar com você!

— Então por que, em nome de Alá, não entrou naquele helicóptero? — Edward trovejou com expressão ameaçadora.

— Eu... eu...

— Sabia que isso a silenciaria. Mas não pense que não conheço a resposta para esse mistério. Sei o que você tinha em mente.

Isabella empalideceu.

— Como pode saber?

— Conheço sua arrogância.

— Minha arrogância? — ela repetiu, incapaz de acreditar no que ouvia.

— Julgou-se capaz de me fazer jogar seu jogo. Achou que poderia ter tudo à sua maneira. Mas o que havia por trás dessa farsa? A verdade que queria evitar a qualquer prego. Seu desejo por mim é maior que seu orgulho e seu preconceito e maior que o medo de sentir-se inferior a mim. Porque eu a deixaria partir!

Ao ouvir a terrível verdade, ela rangeu os dentes e ficou ainda mais pálida. Era como se a meia hora que tivera para tomar uma decisão no meio do deserto houvesse sido uma batalha entre eles, uma medida de forcas na qual ele saíra vencedor, vitória que nunca mais a deixaria esquecer.

— Assim, não tente se punir por sua hesitação, porque lhe dei a liberdade e você a recusou — Edward lembrou com impaciência. — E por que diabos ainda está escondida atrás desse pedaço de pano? Não seja ridícula! Não sou tão estúpido a ponto de imaginar que uma mulher de sua idade criada na sociedade ocidental ainda possa ser virgem!

— Pois eu acho que você é muito estúpido — Isabella devolveu, ultrajada e humilhada.

Não soltaria aquele robe para exibir-se numa camisola transparente, por mais ridícula que parecesse.

— Nesse ponto deve estar certa. Devia ter sido fiel aos meus ideais, em vez de fazer concessões à sua sociedade carente de princípios. Tive de superar certas reservas culturais para pedi-la em casamento, sabendo que não seria o primeiro...

— Não diga! — ela exclamou com sarcasmo, buscando forças na raiva. Era gratificante perceber que ele não tinha idéia de sua inexperiência. — E como soube disso?

— Sei que dividia seu apartamento com um homem um ano antes de nos conhecermos. Soube disso ainda na Inglaterra.

James, um do seus colegas, descobrira-se temporariamente sem lugar para morar e ela o convidara a se instalar em seu quarto de hóspedes. Só fizera essa concessão porque ele havia sido e único amigo que jamais tivera... e porque era homossexual.

— Mas James...

— Não quero ouvir nada sobre esse outro homem. Se não houvesse despertado toda essa hostilidade em mim, não teria mencionado um assunto capaz de me aborrecer tão profundamente.

— Mas estou feliz por ter tocado nesse assunto! E posso compreender suas reservas — Isabella respondeu, agarrando a arma que ele acabara de pôr ao seu alcance.

— Não sou nenhum hipócrita. Não exigiria de você um padrão de comportamento que não posso exibir. E no estado em que me deixou, é uma sorte não ser intocada — Edward disse com fúria contida enquanto começava a desabotoar a camisa.

A visão do peito nu a fez virar a cabeça depressa, movida pelo medo de fraquejar.

— Se vai ficar aqui, vou dormir em outro lugar — ela disse, a voz desprovida de qualquer emoção, numa tentativa desesperada de frustrar as expectativas do príncipe. De repente; um par de braços a enlaçou pela cintura, impedindo-a de sair.

— Não.

— Por favor, tire as mãos de mim.

— Não.

— Edward.

— Estou farto de ser um cavalheiro,

— Se não me soltar, sairei desta casa amanhã mesmo — Isabella prometeu assustada, sentindo que as lágrimas ameaçavam transbordar de seus olhos a qualquer momento. Não podia sucumbir à própria fraqueza. — E quando chegar em casa, a primeira coisa que farei será procurar a imprensa.

Em resposta a pior ameaça que ela conseguiu imaginar, Edward ficou rígido.

— Não faria isso...

— Faria! — mentiu. — Não disse que estava preparado para um incidente diplomático? Pois vou lhe dar um!

Edward deslizou as mãos por suas costas e levantou-a do chão com facilidade.

— Então não sairá daqui — ele prometeu, dirigindo-se à porta e abrindo-a antes que ela pudesse reagir. — Nem amanhã, nem em nenhum outro dia!

— O que está fazendo? — Isabella gritou, assustada com a tempestade de fúria que desencadeara. —-Ponha-me no chão! Edward...

— Cale a boca!

— Vou gritar...

— Grite quanto quiser — ele riu, atravessando o corredor escuro e subindo um lance de escada.

— Será que não entende? Não quero me envolver com você ainda mais. Não quero esse casamento... Não quero nem mesmo um romance passageiro! Só gostaria de jamais tê-lo conhecido!

— Covarde — Edward acusou, abrindo uma porta entalhada com a ponta de um pe.

Um som metálico e assustador indicou que ela havia sido fechada.

— Não se trata de covardia, mas de bom senso!

— Bobagem! É tão covarde que na última vez fugiu para o Canadá. Mas agora sera diferente. Como minha esposa, terá tanta liberdade quanto um criminoso condenado, e pode agradecer a meu pai por isso. Ele jamais se recuperou da humilhação de ter sido abandonado por minha mãe. As mulheres de minha família são as únicas na Jordânia que não podem deixar o país sem um visto assinado pelos pais ou maridos. Jamais pensei que viveria para ser grato por essa prática medieval!

Então a mãe dele abandonara o marido antes de morrer? E que importância tinha isso no momento?

— Ponha-me no chão!

Desta vez ele obedeceu, e um segundo depois as luzes foram acesas. Isabella olhou em volta, impressionada com o esplendor do vasto salão onde estavam.

Uma cama simples, porém muito grande e protegida por véus coloridos, dominava o ambiente sobre um tablado construído no centro, e as paredes eram cobertas por murais.

Ela se virou para examinar melhor as pinturas, e um rubor intenso tingiu seu rosto. O ato de amor entre um homem e uma mulher era retratado numa série do ilustrações artísticas e bastante claras, tanto que morria de vergonha por tê-las fitado na presença do príncipe.

— Onde estamos?

— Em meu harém... Não prometi trazê-la aqui? Considere-se privilegiada, pois nenhum ocidental jamais pôs os olhos nesses aposentos.

— E por que me trouxe aqui? — ela perguntou, furiosa por não conseguir prever o que Edward faria em seguida.

— Enquanto não prometer que ficará em meu palácio até o final do verão, será mantida aqui.

Adoraria gritar e protestar, mas sabia que esse não havia sido exatamente o dia mais feliz de sua existência real, e por isso dispunha-se a fazer certas concessões.

— Esse é um conceito bárbaro, mas estou convencida de que...

— A culpa é sua! Chamou-me de bárbaro em diversas ocasiões, e conseguiu despertar essa faceta do minha natureza. Perdoei suas ofensas e contive meus impulsos para conquistar sua confiança. Tolerei gritos, ataques de menina mimada e inseguranças que teriam levado a maioria dos homens a loucura, mas agora estou farto! Minha generosidade chegou ao fim!

A situação parecia realmente crítica. Com dificuldade, respirando fundo para não perder o controle, Isabella obrigou-se a romper o silêncio claustrofóbico.

— O que quer dizer com isso?

— Não vou me deitar para ser pisoteado por mulher nenhuma! Por isso, se esse é o requisito básico para uma mulher liberal aceitar um homem, jamais me julgará aceitável!

— Eu não sabia que era...

— De agora em diante seguirei meus instintos. Fui concebido no calor do deserto e nasci filho das dunas de areia, porque não tenho nada de minha mãe em mim. Não há gelo correndo em minhas veias, e não sou capaz de usar de frieza para controlar o desejo que sinto por você. Sei o que quero. Sei o que sinto. Quero mantê-la trancada onde só eu possa vê-la, como meus antepassados faziam com suas mulheres! Você me faz sentir essas coisas! Há cinqüenta anos não teríamos enfrentado tantos problemas. Eu a teria reclamado e possuído no primeiro dia em que a vi, e teria suprimido seus direitos com imenso prazer! Então saberia que é minha de corpo e alma, e iria se sentir honrada por usar minha aliança em seu dedo!

— Não teria vivido o bastante para colocar a aliança em meu dedo! — ela reagiu furiosa.

— Não?

— Não!

Um sorriso lento e sensual distendeu os lábios do príncipe.

— Então prove que não é covarde. Prove que não sente por mim o mesmo desejo que sinto por você. Venha deitar-se a meu lado; em meus braços, e rejeite-me... se puder.

— De jeito nenhum!

— Covarde! — ele riu, erguendo-a novamente nos braços e carregando-a para o outro lado.

E ai o que acharam…..?