Lynne Graham
Adaptação.
Personagens pertencentes a Lynne Grahame e Stephenie Meyer
Historia pertence a Lynne Graham.
A Noiva do Deserto
Lynne Graham
CAPÍTULO VIII
Isabella moveu-se na cama confortável e estremeceu de frio. Seu braço latejava. Na verdade, todo o corpo doía, mas, por alguma estranha razão, sentia-se distante dos desconfortos físicos e a mente estava inundada por uma torrente de imagens eróticas.
Lembrava-se da glória inebriante e quente da boca de Edward sobre a sua, da velocidade espantosa com que seu corpo se derretera nos braços dele. O príncipe permanecera controlado, frio... e agora ela se envergonhava da própria fraqueza. Entretanto, era honesta demais para negar a delícia da intimidade que conhecera ao lado dele e a satisfação que encontrara em seus braços. Principalmente, não podia negar a alegria de adormecer abraçada a Edward, segura na certeza de não estar sozinha.
Então começara... Era isso que o amor fazia às pessoas. Destruía seu orgulho e traía seus princípios. Fazia uma mulher equilibrada comportar-se como uma insana. Sua mãe era uma mulher inteligente, mas a inteligência jamais a impelira a pôr um ponto final no desastroso casamento. Não. Sua mãe insistira, aparentemente cativa da humilhação e da dor de ter um marido eventual.
— Ele é meu marido e eu a amo! — ela dissera à filha certa vez, quando ainda era ingênua a ponto de julgar-se no direito de interferir.
Ir para a universidade havia sido uma fuga abençoada, e ao enterrar-se nos livros o forjar uma carreira, Isabella deixara os laços familiares irem se desfazendo aos poucos, até restarem apenas as cartas ocasionais.
Com mão trêmula, puxou o lençol tentando se aquecer. Teria realmente passado anos se protegendo para cair aos pés de um predador sexual, como seu pai? O tipo de homem que alimentava seu ego inadequado com os elogios das mulheres seduzidas, que fazia da mentira uma arte e era leal apenas aos próprios interesses?
Mas esse não era Edward, ela admitiu, fechando os olhos para resistir à intensa dor de cabeça. Era ridículo pensar em Edward como inadequado. Em termos de ego, era duro como uma rocha, e sua lealdade à família não podia ser questionada. Para completar, sua honestidade ia ao extremo de ferir quem o ouvia, se necessário fosse, desde que acreditasse poder ajudar alguém a
corrigir uma falha, apontando-a.
Mas nenhuma dessas virtudes o tornava menos predador. Era justamente essa força de caráter que o fazia ainda mais perigoso, porque agora compreendia que a força inata e a tenacidade de propósitos a atraíam. Edward era o único homem que se impusera a ela, em vez de tremer e abaixar a cabeça diante de sua falsa segurança. Agora sabia por que o amava. Mas isso não a tornava cega ao fato de que ele só queria aquela selvagem urgência sexual à qual a apresentara na noite anterior. Apenas não estava preparado para admitir as próprias intenções abertamente. Se as confessasse, estaria abrindo mão dos escrúpulos morais que tanto apregoava. Um casamento era mais aceitável que um romance, mas, mesmo assim, ainda viviam um casamento temporário.
De repente, tornava-se difícil pensar, ela registrou, virando a cabeça de um lado para o outro no travesseiro, a boca seca como se mastigasse areia. Ao mover o braço, sentiu uma forte fisgada e, com esforço, venceu a tontura para levantar parte do lençol e examiná-lo. A região estava vermelha e inchada, especialmente em torno do curativo com que Angela cobrira o ferimento provocado pelas unhas de Irina. Devia estar com febre, ou não sentiria tanto frio.
Isabella ouviu a porta se abrindo. Estivera trancada? Edward ameaçara mantê-la presa, e descobrir que ele cumprira a ameaça era quase hilário. Adorava esse dramalhão! Oh, não! Estava alucinando! Precisava de um médico.
Edward apareceu em seu campo de visão, completamente vestido num terno cinza chumbo. Hoje parecia estar com disposição ocidental. E estava lindo, embora a imagem oscilasse de quando em quando, como se ela estivesse sofrendo de algum distúrbio visual. E por que carregava uma bandeja com flores, se parecia tão pouco à ventado com ela nas mãos?
— Vejo que já acordou. Está com fome? — ele perguntou com frieza. — Trouxe o café.
— Um médico...
— Sei que está esperando um pedido de desculpas... — o príncipe deduziu, interpretando seu silêncio.
E por que estaria? Não conseguia entender a que ele se referia, e por isso o fitou em silêncio, lutando contra a tontura.
— Lamento meu comportamento de ontem à noite. Não tenho nenhuma justificativa a oferecer. Perdi o controle e... Bem, nunca fiz isso antes.
Não conseguia se concentrar. Se não fosse examinada imediatamente...
— Preciso de um médico... — Isabella pediu com voz fraca.
— Um médico? — Edward franziu a testa. Ela afastou o lençol que cobria seu braço.
— Está vendo?
A bandeja caiu com um estrondo espantoso de porcelana se partindo e Edward ajoelhou-se ao lado da cama, tomando seus dedos para examiná-los com olhos chocados. Vencido o pânico inicial, ele tirou o telefone celular do bolso do paletó e falou num árabe apressado e nervoso.
— Desculpe estar causando todo esse aborrecimento — ela suspirou.
Edward respondeu em seu idioma, incapaz de raciocinar com clareza em meio à tensão. Resmungando alguma coisa com tom angustiado, ajudou-a a vestir o robe. Depois a envolveu no lençol e segurou-a nos braços, e antes que pudesse compreender o que ele pretendia fazer, Isabella desmaiou.
Quando recuperou a consciência, estava num quarto suavemente iluminado, deitada numa cama com grades, e havia uma agulha em seu braço. Sentia-se quente e nada confortável, e protestou ao perceber que alguém pretendia colocar um termômetro em sua boca. Edward disse alguma coisa e uma voz feminina e firme o fez calar. Se não estivesse tão cansada, abriria os olhos para ver o que acontecia.
Quando acordou novamente, foi como se houvesse simplesmente dormido. O braço já não doía, mas sentia-se esgotada. As mesmas vozes ainda falavam. Isabella mudou de posição e com um gemido fraco provocado por uma estranha dor muscular, abriu os olhos. Alice estava parada ao lado da cama, Edward aos pés dela, e havia mais que uma sugestão de acrimônia no ar.
— Aí está — Alice disse ao irmão com evidente satisfação. — Eu disse que ela só estava dormindo. E o doutor Khan confirmou.
Isabella franziu a testa ao notar a aparência exausta de Edward. Ele parecia não ter se barbeado na última semana, e as olheiras indicavam noites de insônia. Os olhos estavam vermelhos, as roupas, amassadas, e a gravata desaparecera do colarinho.
— Como está se sentindo? — ele perguntou, ignorando o comentário da irmã.
— Há quanto tempo estou aqui?
— Há quase dois dias.
— Os mais longos do minha vida — Alice gemeu. — Por favor, mande-o para casa, Bella, antes que eu cometa um crime severamente punido pelas leis locais. Ataque a pessoa ilustre...
— Não vai falar comigo nesse tom! — Edward exclamou.
—Sabia que a falta de sono acabaria com seu senso de proporcionalidade. Sem falar no de humor, é claro.
— Quer que eu ria, quando minha esposa esteve as portas da morte?
— Sua esposa não esteve às portas da morte. Esteve doente, é verdade, mas não tanto assim. Quer fazer o favor de ir para casa, antes que eu perca a cabeça e recorra a meios pouco louváveis? Sabe muito bem o que acontecerá se eu relatar ao nosso pai seu atual estado de exaustão. Ao menor sinal de que o adorado filho não goza de perfeita e robusta saúde, e ele o mandará para casa.
— Ficarei com minha esposa. Enquanto ela estiver doente, aqui é o meu lugar.
— Por favor, vá para casa — Isabella murmurou, sentindo-se culpada por causar a discórdia entre os dois irmãos, e ainda mais perturbada com a notícia de que Edward não dormira nas últimas quarenta e oito horas.
Depois de encará-la em silêncio por alguns instantes, os olhos verdes cheios de acusações silenciosas e incompreensíveis, ele recuou um passo e suspirou.
— Se esse é seu desejo...
Assim que a porta se fechou às costas do príncipe, Alice falou:
— Devia ter adocicado esse pedido. Agora o ofendeu, e a culpa é minha. Jasper ficaria furioso se me ouvisse falar com Edward naquele tom, mas... Ah, tenho trinta anos de idade, passei a maior parte de minha vida em Londres, e continuo esquecendo que meu querido irmão um dia sera nosso rei. Sempre tive língua comprida, mas ele vem agindo como um idiota desde que foi trazida para cá...
— Um idiota?
— Ele estava em pânico! Primeiro queria levá-la para Londres, porque temia não poder oferecer os cuidados adequados. Disse a ele que teríamos motivos para nos preocupar se você tivesse de esperar tanto tempo para receber atendimento médico. Então um membro da equipe... um rapaz — ela enfatizou — entrou aqui por engano e ele explodiu, ameaçando tirá-la do hospital se não pudesse ter certeza de absoluta privacidade. Desde então ele não saiu mais de sua cabeceira.
— Edward esteve aqui o tempo todo?
— Não comeu, não dormiu, e há quatro guardas do lado de fora da porta. Se quer saber a verdade, espero a chegada de um provador de comida a qualquer minuto!
— Oh, meu Deus...
— Isso mesmo — Alice sorriu, deixando-se cair numa cadeira. — É claro que entendo a preocupação de meu irmão, mas não sei por que ele está agindo como se fosse o culpado por ter adoecido.
Isabella lembrou o pedido de desculpas e compreendeu que o comportamento de Edward era motivado por uma crise de consciência, e não por preocupação genuína.
— Afinal, onde conseguiu esse ferimento?
— Irina...
— Edward sabe disso?
Isabella afirmou com a cabeça, perdida nos próprios pensamentos.
A irmã do príncipe riu.
— Ora, essa informação faz valer a pena tudo que suportei até aqui — ela declarou, levantando-se para pressionar um botão na parede ao lado da cama.
— O doutor Khan vai querer examiná-la. Está com fome?
— Não.
— Por favor, tente comer alguma coisa, ou Edward trará o tal cozinheiro de Dubai, e logo todos os internos mais afortunados tentarão fazer o mesmo.
— Não entendi.
— Edward é imitado por todos. Se ele a houvesse levado para um hospital inglês, nossa reputação teria ido para o ralo — ela riu, dirigindo-se à porta. — Também conto com você para dar à luz o primeiro bebê real entre essas paredes, mas, por favor, prometa que vai me ajudar a sedar Edward antes do grande evento, porque acabarei matando meu irmão se ele tentar me dizer o que devo fazer em minha sala de cirurgia.
Um bebê real? Então a família não sabia que o casamento era temporário? Mas o rei devia saber, ou não teria permitido que o filho se unisse a uma ocidental.
Pois o rei não precisava se preocupar, e Alice teria de enfrentar a decepção. Mesmo em meio à selvageria do ato de amor à beira da piscina, Edward a levara de volta à cama e os protegera contra uma possível gravidez.
E por que isso tinha de doer tanto? Por que sentia-se rejeitada, se sempre soubera que não havia futuro para essa relação? E por que sua mente insistia em projetar imagens de pequenas e encantadoras miniaturas do príncipe?
Já era hora de parar! Sempre soubera que a vida celibatária que escolhera levar a privaria de filhos, embora amasse crianças.
E amava Edward. Pensar nele e em Irina juntos era uma espécie de tortura. A mulher era maluca! E ele não dissera uma única palavra de tortura ao saber que ela fora a responsável pelos ferimentos em sua mão. E por que a censuraria, se aquela maníaca descontrolada e sádica acabaria sendo a mãe de seus filhos?
De repente Isabella quis morrer, pois assim ele seria consumido pela culpa e se tornaria um marido totalmente inútil!
— Soube que não anda comendo bem — Edward comentou com tom seco.
— Não tenho fome.
Nas vinte e quatro horas que ele passara longe, Isabella mergulhara fundo na própria infelicidade, e vê-lo entrar tenso e sério como saíra havia sido o golpe final.
— Entendo sua falta de apetite, mas precisa usar de bom senso. O silêncio era opressivo.
Gostaria de odiá-lo, mas sabia que isso era impossível.
— Errei ao trazê-la para cá.
Isabella ficou rígida e esperou, a testa franzida.
— Pensei que poderia fazê-la feliz... pelo menos por algum tempo. Agora sei que essa foi uma suposição arrogante... e estúpida. Deixei-me levar pelas paixões. Nunca desejei uma mulher como a queria. Você era meu sonho... Em nome de Alá, estou falando como um adolescente!
Com uma gargalhada amarga e constrangida, Edward aproximou-se da janela.
— Fui ingênuo a ponto de acreditar que poderíamos desfrutar desse tempo juntos, e que isso não lhe custaria nada. Tinha tão pouco tempo... Não pude escolher com liberdade. Precisava me casar e ter filhos. Tenho trinta anos! Um homem na minha posição não devia estar solteiro até essa idade...
Edward confirmava tudo que já sabia. Havia sido sua fantasia sexual, o objeto de conquista que se recusara a se entregar, tornando-se ainda mais desejado.
— Sei que gostaria de voltar para Londres, e a mandaria de volta imediatamente, não fosse por minha família. Mas, em nome deles, peço que fique mais um pouco. A partida tão súbita de minha esposa causaria um enorme embaraço.
Isabella não se atrevia a encará-lo. A idéia de ser mandada para casa agora a enchia de horror, mas sabia que tentar adiar o inevitável era covardia. De repente, compreendia que o queria a seu lado para sempre, como seu marido, e a certeza de que o casamento certamente chegaria ao fim a enchia de pânico e tristeza. A cinderela já tivera o príncipe por um dia, e agora era hora de voltar à
realidade.
— E então, qual é sua decisão? — Edward quis saber. Agradecia a Deus pela família real e suas infinitas regras.
— Eu fico — disse, pensando numa desculpa razoável. — Posso aproveitar para fazer minha pesquisa.
— É claro... a pesquisa.
Mas a pesquisa não seria sua única atividade na Jordânia. Enquanto pudesse estar ao lado de Edward, lutaria com todas as armas para conquistá-lo. E, se
não conseguisse, se tivesse de passar o resto da vida apaixonada pelo marido de outra mulher, ao menos teria lembranças valiosas para confortá-la! No momento ele ainda era seu marido, e com a fome de vingança que se descobria de repente, Irina seria sempre a segunda escolha. O Príncipe Edward Anthony Masen Cullen passaria o resto de seus dias lembrando as noites de amor que tivera com sua primeira esposa!
— Tenho pensado muito desde que me vi presa a esta cama — Isabella informou num impulso. — Minha pesquisa é muito importante, mas não conhecer o idioma local é um imenso inconveniente. Meu assistente falava árabe, e por isso o escolhi. Sei que é um homem muito ocupado, mas estava imaginando... Bem, estava pensando se não podemos fazer uma viagem juntos.
— Uma viagem? — ele perguntou, virando-se para encará-la.
— Ao deserto. Preciso sentir de perto a verdadeira maneira de viver dos nômades. É claro que gostaria de passar por uma experiência autêntica e...
— Autêntica?
— Uma espécie de volta à natureza. Só nós dois e os elementos, sem uma tropa de guardas e criados.
— Mas... nesse caso estaríamos sozinhos. Não pensei que quisesse submeter-se à tão indesejada intimidade.
— Eu disse que seria indesejada? Não odeio você, se é o que está pensando.
O silêncio jamais soara tão alto em seus ouvidos.
— Confia em mim a ponto de ter certeza de que não vou tocá-la? Não sei se resistirei à tentação de estar sozinho com você.
— Espero que não...
— Espera que eu não resista à tentação? — ele perguntou, como se de repente não a entendesse.
Lutando contra a vergonha e o desejo de retroceder, Isabella afirmou com a cabeça. Edward aproximou-se de um salto e tomou-a nos braços com um movimento quase violento, e nesse exato instante a porta se abriu.
— O que está fazendo? — Alice perguntou espantada.
— Levando minha esposa para casa. E levarei uma enfermeira, também.
— Ah, os recém-casados... Fazem com que eu sinta o peso de cada ano que já vivi.
Quando Alice saiu para tomar as providências burocráticas, Edward encarou-a com tamanha intensidade que Isabella sentiu-se presa, hipnotizada.
— Farei desse verão o mais feliz de sua vida — ele prometeu. E uma pontada de dor aguda ameaçou rasgá-la ao meio. O final do verão seria um destino pior que a morte. Por que Edward tinha de mencioná-lo a todo instante? Era como jogar sal numa ferida aberta!
E de que adiantaria negar a realidade?
E ai o que acharam…..?
