Lynne Graham
Adaptação.
Personagens pertencentes a Lynne Grahame e Stephenie Meyer
Historia pertence a Lynne Graham.
A Noiva do Deserto
Lynne Graham
CAPITULO X
Isabella entrou no estábulo e o sorriso de Edward a atingiu como uma corrente elétrica. recompensando-a por ter pulado da cama tão cedo.
— Gosta de cavalos — ele deduziu ao vê-la afagar o pescoço de uma égua.
— Gosto muito, mas cavalguei poucas vezes nos últimos anos. Na verdade, minha paixão por cavalos vem desde a infância. Tive um pônei encantador, e nos divertimos muito, apesar da convivência ter sido breve.
— É impressão minha, ou a recordação a deixou triste?
— Meu pai levou o animal embora depois de duas semanas.
— Ele vendeu o pônei? Não podia arcar com as despesas de manutenção?
— Não — Isabella respondeu, arrependendo-se por ter tocado no assunto. — Na época ele perseguia uma atriz de quinta categoria que também tinha uma filha pequena. Ele quis impressionála com um presente extravagante, e para que comprar outro, se podia simplesmente levar o meu?
— Não pode estar falando sério...
— Escute, meu pai me deu o pônei e levou-o embora. Podemos mudar de assunto?
— Não, não podemos. Sua mãe não tentou impedi-lo de cometer tamanha crueldade?
— Minha mãe nunca tentou impedir meu pai de qualquer coisa! Se a questão era desagradável ou incômoda, ela simplesmente fingia ignorá-la. Na época ela disse que o animal era dele, e por isso ele tinha o direito de levá-lo quando quisesse.
Antes que Edward pudesse fazer mais perguntas, ela montou e conduziu a égua para fora do estábulo, onde o sol começava a pintar o cenário de vermelho, dourado e laranja.
— Tem razão — ela disse quando o príncipe a alcançou. — O deserto é lindo ao amanhecer.
— Posso fazê-la descobrir a beleza desse lugar a qualquer hora do dia — ele garantiu com orgulho.
— Não gostou muito do clima da Inglaterra, não é?
— Digamos que estranhei o frio — Edward respondeu sério. — Vamos, antes que o calor nos impeça de ir muito longe.
A cavalgada foi maravilhosa, e Isabella já não se sentia ameaçada pelo encanto que Edward lançara sobre ela. Uma semana, um mês... De repente o fim do verão parecia muito distante. Um dia de cada vez, conforme se prometera.
— Comeremos ao ar livre e eu farei o café — Edward anunciou quando voltaram ao palácio.
Seria maravilhoso, mas antes disso precisava de um banho. Relaxada, Isabella dirigiu-se ao harém, despiu-se e, de calcinha e sutiã, entrou na piscina.
— Boa idéia...
Assustada, virou-se e viu Edward parado ao lado da piscina. Depois de se livrar das botas, ele entrou na água, sem sequer parar para se despir.
— Já a encontrou?
— Ainda não.
— A piscina é grande... Posso comprar outra aliança — o príncipe sugeriu.
— Quero aquela — Isabella insistiu, sentando-se na escada para recuperar o fôlego depois de vários mergulhos. — Outra não seria a mesma coisa.
— Nesse caso, não fique aí parada como uma velha preguiçosa! Venha me ajudar!
Depois de alguns minutos de busca, Edward encontrou a jóia. Sem nenhuma cerimônia, agarrou o dedo da esposa e colocou a aliança com um movimento brusco que a fez rir.
— Você é linda... Especialmente nesses trajes.
O olhar de desejo que percorreu seu corpo a fez lembrar que estava quase nua. Apesar do embaraço que tingiu seu rosto de vermelho, Isabella não tentou cobrir-se ou fugir, pois de repente descobria um imenso prazer em exibir-se.
A cabeça broze do príncipe aproximou-se devagar e os lábios apoderaram-se dos dela, provocantes e mornos. O fecho do sutiã cedeu sob os dedos habilidosos e ela viu os seios saltarem para a liberdade, fartos e ansiosos, rosados como flores sedosas à espera de alguém que as colha.
— Não se atreva a parar agora... — ela murmurou com voz rouca.
Edward riu e beijou-a novamente, as mãos passeando por seu corpo e despertando-o para um mundo de deliciosas sensações.
Quando se deu conta, Isabella já estava em seu quarto, nua sobre a cama, contorcendo-se sob o corpo forte e faminto de Edward. As carícias sucediam-se cada vez mais íntimas e urgentes, e ao sentir que Edward ameaçava afastar-se para se precaver antes de possuí-la, ela tomou coragem e acariciou-o com ousadia surpreendente, levando-o à loucura em poucos minutos.
Mais tarde, exausta e satisfeita nos braços do príncipe, Isabella emitiu um suspiro e aninhou-se, a cabeça apoiada no ombro do marido.
— Nunca fui tão feliz — disse com honestidade.
— Nem eu. Tem idéia do que acabamos de fazer? Tentei nos proteger, mas você agiu como se fosse seguro.
Isabella ficou tonta, surpresa pela atitude direta de Edward. Mas o príncipe parecia relaxado.
— Tenho a impressão de que não estava muito preocupada com métodos de controle de natalidade — ele comentou com tom divertido.
— Estou tomando pílulas — Isabella mentiu.
— Anticoncepcionais? Por quê?
— Tenho problemas de... de pele.
— Sua pele é maravilhosa!
— Tive muitas espinhas.
— Não devia tomar esse tipo de medicação por causa de espinhas.
— O que é isso, um sermão?
— Acho que devia consultar-se com Alice. Vou falar com ela e...
— Não se atreva!
— Sua saúde é mais importante que sua timidez, Isabella.
De repente sentia-se culpada por ter mentido, e por isso abaixou a cabeça.
Edward tocou seu queixo e a fez encará-lo.
— Você é muito preciosa, e daria minha vida para protegê-la. Não me negue o prazer de zelar por seu bem-estar.
Ninguém jamais quisera cuidar dela antes, e a demonstração de carinho a encheu de ternura e tristeza. Encontrar alguém capaz de demonstrar tanta atenção e saber que o perderia era quase uma tortura, mas tinha de reunir forças para esconder o que sentia. Um dia de cada vez...
— Estive pensando... Não se comunicou com seus pais desde o nosso casamento — Edward comentou.
A tensão percorreu o corpo reclinado de Isabella e ela se virou, apreciando a beleza do deserto. A réplica de uma tenda beduína era mantida permanentemente num ponto mais elevado do jardim do palácio. Tapetes caríssimos, almofadas de seda colorida o um encantador serviço de café adornavam o interior. Nas últimas semanas aprendera que o deserto era o lar de Edward, e descobrira que ele preferia a tenda aos aposentos luxuosos do palácio, especialmente no final de um dia mais difícil.
Consciente de que ele esperava uma resposta, Isabella encolheu os ombros.
— Não somos muito próximos.
— Já notei — ele respondeu, esperando que ela aceitasse a xícara de café. — Para um árabe a família é tudo. O núcleo familiar é a base de nossa cultura, e uma lealdade tão completa sempre impõe decisões e deveres dolorosos.
Estaria se referindo ao final do verão? Desde a vez em que havia chorado em seu ombro, Edward nunca mais mencionara o dia em que teriam de enfrentar a separação, nem voltara a demonstrar a menor preocupação com o problema.
As últimas três semanas haviam sido as mais felizes de sua vida e, para isso, tivera de suprimir todo e qualquer pensamento relativo ao futuro. Edward estaria usando a mesma estratégia, ou seria capaz de pensar na separação sem sofrer? Estariam vivendo uma verdadeira história de amor, ou um breve romance que ele lembraria com doçura, mas sem nenhuma tristeza?
— Isabella?
— Sim? Ah, minha família... Bem, tenho um relacionamento eventual com minha mãe, nenhum contato com meu pai, e isso não os incomoda.
— É difícil de acreditar.
— Deixe-me explicar. Minha mãe acredita que meu nascimento arruinou seu casamento. A primeira infidelidade de meu pai coincidiu com a época do parto e, se o conhecesse, compreenderia tudo facilmente. Ele sempre teve de ser o centro das atenções, e um bebê certamente interferiu nessa necessidade. Mas, agora que sou adulta e adquiri uma certa imparcialidade, tenho certeza de que ele teria sido um marido infiel de qualquer maneira.
— Ele era sempre infiel?
— Estava sempre saindo de casa para ir atrás de alguma mulher. Depois de um tempo ele voltava e minha mãe o recebia de braços abertos. A medida que fui crescendo e pude entender o que acontecia em nossa casa, passei a odiá-lo pela maneira como a tratava. Só muito mais tarde percebi que, aceitando tudo em silêncio, mamãe era e é uma vítima conivente. Meu pai é um homem muito atraente, mas não tem nenhuma segurança emocional. Minha mãe era uma espécie de porto seguro para os momentos mais tempestuosos.
— Ainda o odeia?
— Quando lembro que ele existe, o que é muito raro, acho que sinto apenas vergonha. Meu pai não tem nada senão aquele charme irresistível para recomendá-lo.
— Não imaginava que houvesse suportado uma infância tão difícil.
— Não foi tão ruim. O único problema era que nenhum dos dois me dava muita importância. Acho que tudo teria sido diferente se eu fosse uma filha amorosa, como minha mãe, mas jamais consegui esconder o que sentia por meu pai. Francamente, quando saí de casa para ir à universidade foi um grande alívio.
— Lamento ter questionado a falta de comunicação entre você e seus pais. Não imaginava que as circunstâncias fossem essas, mas gostaria de ter sabido antes. Teria entendido melhor sua resistência.
— Gostaria de ainda poder oferecer essa resistência...
— Bobagem — Edward sorriu, inclinando-se para tirar a xícara vazia da mão dela. — É assim que deve ser entre os amantes.
— Amantes — ela repetiu, contendo uma pontada de dor. Estranho como Edward nunca mais voltara a referir-se ao casamento, e como essas omissões a enchiam de insegurança e medo.
— Alá nos abençoou com a paixão — o príncipe comentou, inclinando-se para beijá-la nos lábios.
Um vermelho intenso tingiu o rosto de Isabella e, culpada, ela lembrou os três dias que haviam passado na cama, razão pela qual Edward concluíra ter sido abençoado com uma mulher ardente e apaixonada. Sem dúvida o desejava, mas temia a reação do príncipe se ele imaginasse o motivo que a levara a seduzi-lo exatamente naqueles três dias, há uma quinzena. Ainda esperava ansiosamente para saber se a paixão dera frutos.
— Está muito quieta. Em que está pensando?
Se soubesse a desprezaria! O que diria ao filho quando ele crescesse e começasse a fazer perguntas? Como explicaria o fato de ter decidido privá-lo de um nome e uma herança, simplesmente pelo desejo egoísta de encontrar algum conforto para um amor não correspondido?
— Qual é o problema, aziz?
Ele a chamava de amada. Desde que Angela explicara o significado da palavra, passara a acalentar a esperança de que ele não a usasse casualmente, como a maioria dos ocidentais.
— Nenhum... — disse, tentando esconder a tristeza.
— Não é o que vejo em seus olhos. Sente saudades de casa?
Nenhum lugar seria seu lar novamente se não pudesse ter Edward a seu lado.
— Não.
— Acho que não está dizendo a verdade...
Temendo trair-se, Isabella abraçou-o e beijou-o. Por um momento Edward permaneceu tenso, frio, mas no instante seguinte emitiu um gemido rouco e abraçou-a, entregando-se ao desejo e enchendo-a de prazer.
Mais tarde Isabella teve de reconhecer a diferença sutil na maneira como haviam feito amor. Ainda estava tentando identificá-la quando Edward a empurrou, levantou-se e começou a vestir-se.
A tensão era tão intensa que ela sentiu medo, O silêncio era opressivo e, nervosa, Isabella sentou-se e apanhou o vestido no chão, colocando-o na frente do corpo como um escudo protetor.
— Edward?
— Sempre achei que diria adeus dessa maneira. Ainda está pensando no final do verão, não é?
— Eu... O que está tentando dizer?
— Ainda pensa em partir! — ele acusou. — Vejo isso em seus olhos.
— Como posso deixar de pensar nisso? — Isabella devolveu, sentindo que a dor represada nas últimas semanas ameaçava dominá-la.
— Não posso mais viver sob essa constante ameaça. É insuportável. Você é como uma maldição. Mas decidi que é hora de vencer o feitiço. Vou deixá-la.
Maldição? Então era assim que ele a via? E a estava abandonando? Mas ainda não estava preparada!
— Vai me deixar?
— Devia tê-la jogado dentro daquele helicóptero! Teria sido mais fácil terminar tudo naquele dia!
— E agora vai voltar correndo para a casa do papai!
O ultraje que se estampou em seu rosto era tão intenso que Isabella se assustou.
— Você não é adequada ao papel de minha esposa — ele murmurou, a disciplina impondose às emoções.
No instante seguinte ele partiu e Isabella ficou sozinha, sentada, os olhos perdidos no vazio e o coração cheio de dor.
E ai o que acharam…..?
