Lynne Graham

Adaptação.

Personagens pertencentes a Lynne Grahame e Stephenie Meyer

Historia pertence a Lynne Graham.

A Noiva do Deserto

Lynne Graham

CAPITULO XI

Isabella arrastou-se da cama até o banheiro e, depois de vomitar, sentou no chão e chorou.

Edward sumira há uma semana, e ela não sabia o que fazer. Não queria ficar, não podia deixar o país sem o visto assinado por ele... e estava grávida. Os seios doíam, o estômago a obrigava a estar sempre perto de um banheiro, e não sentia nenhuma alegria por estar carregando o filho de um homem que a rejeitara de maneira tão cruel. Na verdade, sentia apenas raiva, tristeza e uma enorme decepção.

Algumas horas mais tarde, Angela entrou no quarto para avisar que a princesa Alice a esperava na sala.

— Diga a ela que não estou bem — Isabella instruiu. Em seguida lembrou que a cunhada era médica e mudou de idéia. — Diga que sinto muito, mas não quero ver ninguém agora.

— Vai ofender a princesa, senhora.

Pensando bem, talvez pudesse convencer Alice a ajudá-la a resolver o problema do visto.

A princesa levantou-se ao vê-la entrar na sala.

— Deve estar imaginando o que vim fazer aqui — disse.

— Para ser sincera, sim.

— Parece infeliz...

— A única coisa que quero é ir para casa.

— Mas... se está grávida, não pode ir embora.

A segurança com a qual a médica fez a afirmação a desconcertou. Como conseguira descobrir seu segredo?

— Isabella, você comprou um teste de gravidez na maior farmácia da cidade! É evidente que foi reconhecida, e a novidade provocou grande interesse.

— Interesse?

— Não sofremos a perseguição dos jornais, como em outros países do mundo, mas o povo não precisa desses artifícios para saber o que acontece com a família real. Se pretendia guarder segredo, devia ter me telefonado.

Nervosa e confusa, Isabella sentou-se na cadeira mais próxima.

— Imagino que o resultado tenha sido positivo — a doutora concluiu. — Edward precisa ser informado.

— Não!

— Bem, se não disser a ele, eu mesma direi. Os problemas de seu casamento com meu irmão não são de minha conta, mas o fato de estar gerando o próximo herdeiro do trono de meu país supera todas as outras considerações.

— Seu irmão me deixou!

— O que sei é que você pretendia deixá-lo. Ele disse...

— Ele mentiu!

— Meu irmão jamais mente.

— Tem certeza? Sabe alguma coisa sobre a promessa que ele fez ao seu pai?

— Sei que ele prometeu se casar novamente, caso essa união fracassasse.

— Mas não sabe que nosso casamento não existe realmente...

— De que diabos está falando? Meu irmão esperou dois anos pela permissão de meu pai para se casar com você!

— Seu pai concordou com um casamento temporário... Ah, que importância tem isso agora? Edward me deixou e...

— Temporário? Que absurdo á esse? Edward a ama! Todos sabem o quanto ele a ama! O povo o apoiou na decisão de escolher a própria esposa, e você foi uma escolha bastante popular por ser ocidental. Muitos consideraram o casamento do príncipe como uma prova da nova imagem liberal do país. Papai só se opôs ao matrimônio porque temia que o filho sofresse, e porque duvidava de que você pudesse se adaptar à nossa cultura. Ele acreditava que a união acabaria em divórcio, como aconteceu com ele. Agora ele está sofrendo com a dor de um casamento fracassado e a culpa por ter decepcionado a família. Por isso, não se atreva a pensar em deixá-lo, ouviu bem? — Alice gritou furiosa.

Isabella estava chocada. Queria tanto acreditar no que acabara do ouvir, que de repente se sentia tonta.

— Também amo seu irmão, Alice — ela murmurou.

— Então... que diabos está acontecendo com vocês dois? Não entendo!

Dez minutos mais tarde, Isabella acomodava-se no banco traseiro do Mercedes da cunhada.

— Se seu irmão se recusar a me receber, a culpa será sua, Alice!

— Isso não vai acontecer.

Gostaria de ter a mesma confiança. Gostaria de acreditar que Edward a deixara por orgulho, por ter certeza de que seria abandonado, e não por falta de amor.

— Ah, a secretária de meu pai — Alice anunciou, acenando para o marido. —Emmett a levará até meu irmão.

Emmett ficou pálido.

— Lamento dizer...

Alice murmurou alguma coisa em árabe e o efeito foi imediato. Emmett sorriu e, vermelho, curvou-se diante de Isabella.

— Isso mesmo — Alice aprovou. — Em seu lugar, também trataria de ser diplomático. E quanto a você, Isabella, nem pense em sair daqui. Meu pai deu ordens para impedir sua entrada no palácio, mas ele acredita que abandonou Edward por não amá-lo. E agora sabemos que ele se enganou, certo?

Minutos mais tarde ela era deixada num encantador pátio interno, enquanto Emmett afastava-se para ir à procura do príncipe. Sozinha, Isabella viu as árvores bonsai espalhadas pelas jardineiras coloridas e aproximou-se para apreciá-las. Possuía algumas iguais em Londres, mas nenhuma tão perfeita como as miniaturas de pinheiros que acabara de vislumbrar. Estava estendendo a mão para se deliciar com a textura das folhas quando uma voz áspera a assustou.

— Não toque!

Sobressaltada, virou-se e viu um homem idoso sentado à sombra de uma árvore num canto do pátio. Coberto por um avental, com uma tesoura em uma das mãos, ele parecia realmente ameaçador.

— Desculpe. Sei que não devia tocá-las, mas... Bem, também tenho algumas dessas em casa, e não resisti a tentação.

— Também tem árvores bonsai?

— Sim. Desculpe ter interrompido seu trabalho. Com licença — ela pediu, tomada de assalto por uma suspeita incomoda. Aqueles olhos verdes e profundos, as sobrancelhas espessas...

— Não disse que podia ir.

A suspeita acabava de confirmar-se. Isabella parou, o rosto pálido e rígido.

— Você é a esposa de meu filho. O que veio fazer aqui?

— Eu... eu... Queria ver Edward.

— Por quê? — o rei perguntou com tom áspero.

— Porque o amo! — Isabella confessou, disposta a jogar a última e definitiva cartada. — E acredito poder fazê-lo feliz... se ele ainda me quiser.

— E por que não o fez feliz antes?

— Prefiro discutir esse assunto com ele.

— Não quero que meu filho seja perturbado.

— Se me permite uma opinião, majestade, seu filho é perfeitamente capaz de cuidar dele mesmo.

— Não, ou não teria se casado com uma mulher que não pretendia ficar ao lado dele.

— Eu pretendo ficar.

— Então, por que ele está aqui, em vez de estar com você?

— Porque pensei que não poderia... pensei que não me aceitaria como sua nora.

— Não acha que essa é uma crença estranha? Concordei com o casamento, lembra-se?

— Mas eu não sabia disso. Seu filho não é exatamente o mais eloqüente dos homens, e às vezes ele até é muito confuso.

O rei a estudou por alguns segundos antes de jogar a cabeça para trás e rir com vontade.

— Fale-me sobre suas árvores — ele convidou.

Isabella estava falando há alguns minutos quando, seguindo uma indicação do Rei Carlisle, olhou para uma das portas do pátio e deparou-se com Edward.

— Leve sua esposa para casa, meu filho. E compre um dicionário — o rei aconselhou com tom divertido.

Carlisle retirou-se. Assim que ficaram sozinhos, Edward aproximou-se e, sério, informou:

— Vou chamar um motorista para levá-la para casa.

— Quer dizer... que não vem comigo?

— Não. E não temos mais nada a dizer um ao outro.

— Estou grávida — ela disparou.

O príncipe parou, atônito e chocado. Sem esperar pela resposta, Isabella voltou ao local onde o Mercedes de Alice fora estacionado e pediu ao motorista que a levasse de volta ao palácio.

Sentia-se um pouco aturdida quando chegou e por isso dirigiu-se ao quarto para descansar. Havia acabado de deitar-se quando a porta se abriu e o rosto furioso de Edward surgiu na soleira.

— Diga-me que estava mentindo — ele exigiu.

— Lamento, mas só disse a verdade. Sei que não gostou da novidade, sei que agi mal, mas... Bem, menti quando disse estar tomando anticoncepcionais. Planejei a gravidez, e só percebi meu erro quando já era tarde demais.

— Por que mentiu para mim?

— Porque queria um bebê.

— Uma criança sem pai? Li sobre mulheres como você nos jornais de seu país.

— Não é como está pensando. Queria o pai da criança, também — Isabella confessou infeliz. — Sei que não queria essa gravidez, mas...

— Pensei que você não quisesse engravidar, e decidi assumir a responsabilidade por todas as precauções por ainda lembrar a lição de minha própria infância.

Agora que ele tocara no assunto, Isabella compreendia a extensão da decisão que tomara sozinha. Se o bebê fosse uma menina, tudo seria mais fácil. Poderia ir embora e viver em paz com sua filha na Inglaterra. Mas se fosse um menino... E por que o rei a aceitara justamente agora, quando era tarde demais?

— Disse... que também queria o pai dessa criança? — Edward perguntou num sussurro.

— Disse, mas parece que é tarde demais, não?

— O que sente por mim?

— Amo você. Está satisfeito? — Isabella gritou, furiosa com ele e com o que sentia.

— Mas esse sentimento a faz infeliz, e isso significa que logo deixará de me amar.

— É isso que espera que aconteça?

— É o que você espera, sem dúvida.

— E como sabe tudo a respeito do que sinto e quero, como poderia estar enganado?

— Sei que tem motivos para não acreditar num casamento perfeito, e também sei que valoriza sua carreira. E há uma semana, quando me atrevi a acreditar que podia haver esperança para nós, descobri que ainda pensava em me deixar...

— Edward... você me fez acreditar que eu teria do partir no final do verão, apesar dos nossos sentimentos.

— Isso é impossível! Fui completamente honesto com você! Prometi a meu pai...

— Que se casaria novamente se nossa união fracassasse. Sabe de uma coisa, Edward? Entrou nesse casamento com tanto pessimismo, que merece mesmo ser infeliz!

— Não se trata de pessimismo. Não acreditava que pudesse ter muita esperança de mantê-la a meu lado, e é claro que tive de ser franco com meu pai.

— Em vez de manter sua boca fechada... Você o fez voltar-se contra mim! E seu

comportamento me fez acreditar que o fim do nosso casamento era uma questão decidida.

— Tinha de me preparar para o momento em que decidisse partir.

— Mas eu não queria partir! — ela gritou.

— Mas sua carreira...

— Para o diabo com ela! Amo você, e a única coisa que importa é viver a seu lado. Não sei se isso importa, mas...

— Se importa? — ele riu. — Meu Deus, isso é tudo que eu sempre quis ouvir — Edward confessou, tomando-a nos braços e girando-a com euforia. — Também amo você, Isabella! Sempre amei, desde o início! Decidi aceitar um período de sua vida, pois descobri que isso seria melhor que nada. Mas agora...

— Agora tenho toda uma vida para oferecer — ela sussurrou, fitando-o com um sorriso apaixonado.

— E um bebê. Mal posso acreditar em tanta felicidade!

— Não está aborrecido com as mentiras que contei para engravidar?

— Como poderia estar? Que maior prova de amor poderia me dar do que o desejo de ter um filho meu?

— Espero nunca mais ter de provar o que sinto por você. Só mais uma pergunta, Edward... Irina era a escolhida para tomar o meu lugar?

— Não. Papai chegou a cogitá-la como minha esposa, mas o tempo mostrou graves falhas de caráter que jamais poderiam existir numa rainha.

— Melhor assim — ela riu. — Sabe de uma coisa, príncipe Edward? Amo você mais do que a mim mesma.

— Mas não o suficiente para me dividir com duzentas concubinas.

— Garanto que vai estar bastante ocupado comigo — ela riu.

— Espero que sim, meu amor. Espero que me mantenha ocupado até o fim dos meus dias.

— Pode apostar nisso — ela murmurou, beijando-o com todo o amor que guardava em seu coração.

Fim

Bom e isso ….

E ai o que acharam…..?