Voltei! Aproveitando os cinco dias sem aulas na minha faculdade pela "Semana das Ciências da Educação" para atualizar minha fic.

Também aumentando meu repertório cultural lendo "O símbolo perdido", de Dan Brown.

JOÃO E MARIA

Matilde não aguentava mais Lily repetindo uma e outra vez que amava Sirius Black. Remus explicara que fora por causa de uma poção potente, mas aquilo era absurdo! A ruiva passara os cinco dias seguintes depois do incidente na cozinha suspirando e dando sorrisinhos para Almofadinhas durante as aulas e no Salão Comunal. O pior de tudo era que James ficava irritado com seu melhor amigo por qualquer coisa, sem saber que a paixonite da ruiva era causada por uma poção. Remus omitiu essa informação a ele, dando a Sirius uma semana para solucionar esse probleminha, senão o elevaria à professora McGonagall e ao professor Slughorn.

Essa tarde de sábado, todos os alunos a partir do terceiro ano estavam em Hogsmeade por primeira vez em esse ano letivo. Lily e Matilde passavam frente a uma loja de brinquedos e bichinhos de pelúcia, e a ruiva se deteve olhando a través do vidro, sorrindo e embaçando-o.

– Você acha que Sirius vai gostar dele? – perguntou ela para sua amiga, apontando com alegria a um cachorrinho branco de pelúcia que sacudia o rabo e tirava a língua para lamber quem se aproximasse. Matilde cruzou os braços e lançou-lhe um olhar incisivo.

– Não sei não. Acho que ele está bem grandinho para essas coisas – espetou a loira, desviando o olhar e dando uma batida com o pé no chão.

Lily observou-a com as sobrancelhas arqueadas.

– Você está com ciúmes? – indagou. Matilde abriu a boca, fechando-a logo em seguida, ofendida.

– Eeeeu? Você é quem pirou de vez – respondeu, pousando as mãos na cintura e erguendo-se sob seus saltos, jogando os cabelos para trás e ficando mais alta que sua amiga. – Você não vê que está baixo o efeito de uma poção do amor? Você odeia Sirius Black tanto como odeia James Potter.

Lily franziu a boca e balançou a cabeça para cima e para baixo com lentidão, fechando os olhos. Sorriu.

– É, você está morrendo de ciúmes – afirmou a monitora, olhando-a intensamente, com os olhos destelhando. – Você não consegue aceitar uma competência.

Matilde contemplou-a incrédula, com a boca aberta em um óvalo. Parece que a poção afetou o cérebro também, ela ficou completamente doida! A loira respirou fundo, largou o ar de uma vez só e deu um passo para o lado fazendo menção de se virar.

– Perfeito, senhorita arrogante. Fica aí sozinha com seu amor perfeito que eu vou com Alice e Frank até As Três Vassouras.

Lily a ignorou, virando-se até o vidro e observando o reflexo de sua amiga se distanciando pela rua coberta por folhas secas. Suspirou, sacudiu a cabeça e entrou na loja.

– J – L –

James abandonou a mesa onde estava sentado com os seus amigos nas Três Vassouras e dirigiu-se até a porta para sair. Remus e Peter se entreolharam, e Sirius se jogou na cadeira vazia ao lado de Aluado e se reclinou sobre as costas da cadeira, suspirando e olhando o teto. Dois minutos antes, uma garota da Corvinal, muito tímida e ruborizada tinha se aproximado de James e perguntado se ele queria ir com ela a tomar um chá em Madame Puddifoot. Ele segurou a mão da garota, beijado-a, e sorriu dizendo que o faria no próximo fim de semana em Hogsmeade porque nesse dia tinha outros compromissos. A garota só sorriu em agradecimento e foi embora, mas Sirius, antes de perdê-la de vista, correu até ela.

– Se quiser, posso ir eu no lugar de meu amigo. Garanto que você vai se divertir da mesma forma – falou em um tom risonho, piscando-lhe um olho.

Foi nesse momento que James se levantou jogando a cadeira ao fazê-lo e saindo do local sem dar uma explicação. Sirius observou-o sair sem perceber o fora que recebera da garota da Corvinal e se atirou na cadeira.

– O que deu nesse cara? – bufou, sem baixar os olhos do teto.

Remus dirigiu-lhe um olhar cortante.

– Você, literalmente, roubou o amor da garota de quem ele está amarradão, e agora você teima em competir com ele. Parece que você adora isso.

Sirius desceu os olhos até ele, levantando levemente o lábio superior em um gesto que mostrava indiferença. Remus pegou o livro que deixara sobre a mesa e o abriu, sumido em sua leitura, mas logo se levantou, fechando o livro com um baque.

– Espero que você resolva isso logo. Não quero ser obrigado a informar os professores. Vamos, Peter.

O aludido olhou o garoto e logo para Sirius, duvidando, mas decidiu-se em obedecer a seu amigo. O jovem Black os observou sair do local e não se mexeu por uns momentos. Acho que fui longe demais... Deixou um galeão sobre a mesa e saiu para a fresca tarde de outono em Hogsmeade.

– J – L –

James encontrou Evans apoiada sobre uma cerca observando a Casa dos Gritos. Ela era a única em toda Hogwarts que não temia aquele lugar, e o garoto sabia, então se aproximou ofegando pela subida e se recostou na cerca ao lado dela. Não se disseram nada durante o par de minutos que ambos estiveram fitando a velha Casa dos Gritos, como os moradores passaram a chamá-la fazia uns anos. James então sorriu torto e observou-a, e a garota se sentiu levemente incomodada com isso.

– O que foi? – perguntou, encolhendo os ombros e franzindo a testa.

– Quer ir até a Madame Puddifoot a tomar um café ou um chá? – pediu ele, levantando a mão direita até os cabelos para despenteá-los, sem deixar de mostrar seus dentes brancos em seu irresistível sorriso de lado.

Lily só revirou os olhos.

– Eu não sou o tipo de garota que vai a esse tipo de lugar, e menos com você – espetou a ruiva sem um pingo de sensibilidade, e pelo o que a garota percebeu ele não esperava essa resposta. A cara de James mostrou primeiro espanto que dissimulou com uma risada gostosa.

– Sei, sei, entendo... Que tal As Três Vassouras?

Lily cruzou os braços e estreitou os olhos, batendo o pé de leve no chão e fazendo estalar as folhas secas debaixo do seu sapato. Bufou baixinho e desviou os olhos do garoto.

– Não. Sabe-me dizer onde está Sirius?

Isso doeu como uma bofetada em James, quem fechou os olhos e balançou a cabeça.

– Não, não sei – respondeu-lhe, no melhor tom que pôde fazer. Não estava gostando nada da situação estranha que estava ocorrendo nas últimas semanas, e todas elas sempre implicavam que Sirius Black estivesse envolto. Em vez de ajudar a conquistar Lily, só estava estragando tudo de bom que acontecera entre os dois.

Por um lado, James sabia que Lily fora vê-lo no dia em que ficara trancado na torre norte, ela tinha ido assistir ao encontro, embora Sirius tivesse botado o pé na jaca ao trancá-lo sozinho lá encima. Mas a intenção da garota tinha valido, e muito. Depois contava a parte em que Lily o ajudara a que não tivessem uma detenção por parte de McGonagall na segunda-feira na cozinha. Definitivamente tudo estava mudando entre os dois até que aquele cachorro pulguento decidira meter seu focinho no que não lhe diz respeito.

– Sei lá. Com alguma garota tal vez. Ele adora fazer isso – respondeu ele com indiferença, voltando a apoiar os dois braços na cerca e virando a cara até a casa, sem olhá-la.

– O que deu na gente esses dias, hein? Até você está morrendo de ciúmes – declarou ela em um tom ponderado, empinando o nariz e abraçando as costelas pelo frio que começou a soprar. Ele virou o rosto até ela, o seu cabelo balançando com a brisa.

– Eu? Ciúmes? Do Sirius? Muito engraçado – falou ele rápido demais e Lily sacudiu a cabeça.

– Vou embora – pronunciou a ruiva, tomando o caminho de volta para Hogsmeade. Abraçou-se a si mesma, sentindo o cabelo bater em seus ombros e em suas bochechas e James apenas limitou-se a observá-la ir embora.

Ela continuou sem olhar para trás para ver se James a seguia, mas não precisou. Sabia que se ele se aproximasse ouviria os estalos das folhas e galhos secos que havia em abundancia no caminho. Não ouviu nada além de seus próprios passos e da sua respiração rápida. Pensou em onde poderia andar Sirius e logo veia à sua cabeça a loja de Zonko's – Logros e Brincadeiras. Sorriu, acelerou o passo até a loja e abriu a porta ouvindo o sino que anunciava a chegada de um novo cliente. Encontrou-o inclinado sobre uma cesta cheia de balas puxa-estica ("ótimas para pregar colas no teto!"), mas não estava interessado no doce que estava debaixo dele, e sim na prateleira atrás da cesta. Ela se aproximou cautelosamente ao lado dele e observou o que ele estava tão interessado em ver.

Bolinhas brilha-caminho? – indagou a ruiva pegando um saco da prateleira, tirando uma das bolinhas de seu interior e olhando Sirius sem entender. – O que você está planejando fazer, hein? – riu, corando. Sirius sorriu de canto e pegou o saco da mão da garota.

– Só por precaução – murmurou sem deixar de mostrar os dentes em um sorriso enorme que fez Lily corar ainda mais.

– J – L –

Remus sorriu contente com a mais nova aquisição para os últimos acertos para concluir o Mapa do Maroto: as bolinhas brilha-caminho que Sirius comprou na Zonko's – Logros e Brincadeiras. Esses objetos brilhavam tanto no dia como em lugares escuros, dando ao seu possuidor a tranquilidade de não se perder. A vantagem era que ao colocá-las no chão ficavam invisíveis só para quem tinha tocado nelas. Era então o detalhe que faltava para concluir com exatidão e à escala cada milímetro do castelo e parte de seus arredores.

O quarteto estava na torre norte ao dia seguinte da saída à Hogsmeade, planejando a saída para a quinta-feira, dia em que Remus se transformaria em lobisomem. Esses dias eram sinônimos de farra para James, Sirius e Peter. Os quatro saíam sempre nas noites de lua cheia por todos os arredores de Hogwarts e Hogsmeade, e fora idéia deles idealizar o mapa que Remus tanto se empenhava em terminar com ajuda de seus amigos. Eles passaram a conhecer todas e cada uma das passagens secretas para fora do castelo e sabiam como "contrabandear" objetos trouxas para as festinhas no salão comunal às altas horas da noite.

Remus prestava pouca atenção aos planos de seus amigos, já que não seguiria nenhum deles por culpa de sua transformação e sua capacidade de não poder raciocinar em esse estado. Somente podia confiar plenamente em seus amigos. E confiava. Só estava um pouco chateado com as atitudes infantis de Sirius, cuja poção ainda não acabara para curar Lily Evans de sua paixonite sem sentido.

Sirius ria com Peter sobre uma história engraçada que ocorrera uns tempos atrás com um morador de Hogsmeade que o tinha visto transformado no cachorro enorme e preto e se assustara pensando que era o grim. Ainda sorrindo, o jovem Black amassou a ponta do cigarro no cinzeiro e olhou James através do fino fio de fumaça, que estava sentado na poltrona ao lado de Remus, opinando sobre os detalhes da proteção de quem tentasse ler o mapa sem autorização.

Queria na verdade pedir desculpas. Mas não queria estragar tudo o que fizera até esse momento, não queria ter que contar que fora ele quem fizera uma poção do amor e errado o fio de cabelo que depositara nele (Ora! É minha culpa que tenhamos quase o mesmo tom de cabelo? Ele replicou à Remus uma vez) e não queria perder a grande amizade que tinha com ele. Tinha que mudar isso, embora não tinha a mínima vontade de ir até a Floresta proibida a essa hora, sozinho, para pegar uma droga de cogumelo que só crescia na parte mais obscura e sombria do bosque.

Tudo porque o professor Slughorn não tinha isso no seu acervo. Não que tivesse perguntado a ele, e sim porque já pegara emprestado tanto os ingredientes para a poção como para desfazê-la.

Decidiu então por ir até lá de uma vez por todas e acabar com essa confusão. Não porque não gostasse de ter Lily no seu cangote todo o tempo sorrindo e corando com aquele jeitinho meigo, mas sim pelo apreço que tinha por James, e pela amizade que não queria perder. Suspirou, pegou outro cigarro do maço, acendeu-o e ajustou a gola de sua jaqueta de couro, dirigindo-se até o alçapão.

– Aí, galera. Vou dar um passeio por aí. Não sintam saudades – disse para ninguém em particular, sorrindo pendendo a portinha de madeira sob sua cabeça. James ignorou-o e Peter só saudou-o com um movimento de sua mão.

Remus levantou os olhos do mapa e lançou-lhe um olhar incisivo, sem expressão. Sirius piscou um olho para ele e sorriu.

– Pode deixar comigo. Vou fazer isso que você me pediu, Aluado, não se preocupa não.

– Vê se não demora – marcou ele, sabendo que o jovem Black não iria resistir à tentação de brincar com alguns dos bichos estranhos que viviam na Floresta, como tinha feito várias vezes em que os garotos tinham ido por lá em suas formas animais.

Sirius não respondeu, fechando o alçapão com um leve baque.

– J – L –

Lily estava sentada no Salão Principal com Matilde terminando de comer a ceia quando viu Sirius Black passando pelas portas para ir até o saguão. Ela não estranhara que o quarteto não fora comer, já que eles viviam se gabando que conseguiam do bom e do melhor na cozinha com os elfos, mas a hora em que ele decidira sair para onde quer que fosse. Levantou-se do banco e saiu atrás dele, deixando a sua amiga falando sozinha e muito irritada.

Era muito tarde e não permitiria que seu amorzinho andasse por aí correndo perigo. Ela era monitora. Tinha o direito de evitar que se metesse em qualquer encrenca.

Seguiu-o por vários minutos, perguntando-se onde ele queria ir, mas suas sobrancelhas se arquearam e seus olhos se abriram completamente quando ele cruzou o limite da Floresta Proibida. Estava proibido entrar ali, e ainda por cima sozinho. Apressou o passo para poder alcançá-lo, mas ao entrar entre as árvores percebeu que o tinha perdido de vista. Começou a respirar acelerado, temendo pela vida do garoto, e se adentrou no bosque, cada vez mais preocupada.

– Sirius! – gritou para a escuridão à sua frente. Percebera que o crepúsculo a alcançara, e acendeu a varinha para iluminar o caminho. Deu três passos e viu um pontinho mais adiante que captou sua atenção, então se aproximou para ver o que era. Pegou-o e o observou: era uma das bolinhas brilha-caminho que o garoto comprara em Hogsmeade no dia anterior.

– É por isso que amo você – murmurou ela para si mesma contente por ter tocado nelas antes que Sirius as comprara. – Não permitirei que te dêem uma detenção.

Não soube dizer se esteve seguindo bolinhas brilha-caminho durante dez minutos ou uma hora inteirinha. Tudo ao seu redor eram mato e silêncio, só perturbado pelos estalos dos galhos aos seus pés e das folhas secas do inicio do outono. Gritou uma vez mais por Sirius e vários animas (ou o que quer que fossem) saíram em disparada pela floresta. Lily iluminou o que pôde ao seu redor, mas nada viu, só as árvores mais próximas e escuridão. Sentiu-se como João e Maria, perdida dependendo só das migalhas de pão, tentando encontrar a casa feita de doce. Mas ali estava a bruxa má.

Ouviu as pisadas pesadas de algum animal de grande porte, logo a respiração abafada de alguma coisa muito próxima. A testa da garota se encheu de gotinhas de suor frio, e ela moveu sua varinha de um lado para o outro, firme em sua mão.

– Quem está aí? – gritou para a nada. O animal deixou de se mexer. Ela temeu que aquela coisa pulasse sem sequer dar tempo a ela de se defender, então a primeira coisa que fez foi um encantamento escudo que iluminou um pouco mais além. Só um segundo depois um animal enorme, cinzento e peludo arremeteu contra sua proteção.

– J – L –

James jogou para o teto da torre o pomo dourado e observou-o por uns instantes até pegá-lo no ar com um gesto repentino e brusco que assustou Peter. Suspirou e observou Remus durante vários segundos até que decidiu levantar-se da poltrona e aproximar-se à janela para observar o crepúsculo que acabara de tingir o céu de uma cor azul profundo mesclado com roxo. Sorriu, lembrando dos dias em que Lily, nos primeiros anos no colégio, passava horas sentada na beira do lago observando o castelo até que o crepúsculo a alcançasse, com um sorriso nos lábios e sentindo a brisa fresca batendo em seu rosto sardento e levantando-lhe os cabelos.

Então uma batida no alçapão tirou a todos de seus respectivos afazeres, e três pares de olhos se dirigiram até o quadrado de madeira que repousava em um lado da sala. As batidas voltaram a se repetir, agora com mais urgência.

– Ei! Tem alguém aí? – disse uma voz que Remus reconheceu apenas ouviu. – Preciso falar com Remus!

O aludido empurrou os pergaminhos para um lado, escondendo-os na gaveta da mesinha que estava usando e se incorporou de um pulo para poder abrir a portinha espiar pelo buraco aberto. Matilde estava de pé olhando-o com a haste de uma bandeira na mão (seguramente era o que tinha utilizado para bater na porta). Parecia preocupada.

– O que você está fazendo? – perguntou Lupin alarmado. – Como você soube que estávamos aqui?

– Lily me contou, mas isso não importa! – exclamou a loira, e sua voz carregada fez James se aproximar para ouvir, sendo seguido por Peter. – A maluca foi atrás de Sirius... E ele foi para a Floresta Proibida! Está muito escuro e tenho medo que aconteça... AI, SEU DOIDO! – gritou a garota quando James pulou do buraco atrapalhado, aterrissou batendo com um dos joelhos no chão e esfoliando-o, e saiu correndo pelo pequeno patamar até a escada de caracol. Remus jogou a escada de corda para poder descer e gritou para Peter que seguisse o moreno. Rabicho assentiu e correu desajeitado chamando por seu amigo.

– Vamos, temos que impedir que descubram eles, e evitar que recebam uma detenção o até mesmo uma expulsão – disse Aluado correndo logo atrás de Peter. Matilde suspirou e tirou as sandálias.

– Mas que droga! Black só me mete em problemas! – grunhiu a loira para si mesma enquanto descia as escadas de dois em dois. – E você, Remus! Não posso acreditar que você, um monitor, tente proteger uma vez mais a piração de seus amigos! Vão terminar expulsos e sem varinhas! – bramou, enquanto ofegava para tentar alcançar o garoto castanho mais abaixo da longa sétima escada.

Remus não respondeu, preferindo se concentrar em um plano para salvar seus amigos da iminente expulsão do colégio Hogwarts de Magia e Bruxaria.

– J – L –

Almofadinhas levantou o focinho para o ar e moveu a orelha esquerda para o lado, tentando identificar a voz que tinha ouvido nesse instante, uma voz feminina e conhecida que tinha gritado por socorro. Por um momento sua mente não pôde conceber a idéia que a maluca da Evans o poderia ter seguido até ali, mas quando cheirou o ar percebeu que traços do perfume dela estavam no ar. Como chegou até mim? Perguntou-se, e então observou a pequena esfera de um centímetro e meio de diâmetro que brilhava perto dali. Merda! Lily havia tocado nelas antes que ele as comprasse, e foi assim que o seguiu. Desejou não haver tido aquela idéia tola da poção do amor.

Dando meia volta, sentindo os pêlos da nuca se eriçarem, flexionou os músculos das patas para começar a correr em procura da jovem irresponsável. Encontrou-a em seguida, protegida debaixo de um encantamento escudo e tentando manter firme sua varinha em alto, enquanto um bicho enorme tratava de ultrapassar a proteção. A garota lançou um último grito estridente no momento em que Sirius abalançou-se sobre o animal cravando seus caninos no pescoço da fera.

Logo de uns segundos de briga selvagem, o bicho desapareceu gemendo de dor, mas Lily manteve sua proteção observando o enorme cão preto que estava na frente dela, ainda com medo. Sirius pendeu a cabeça para um lado e tirou a língua com cansaço, ofegando, sabendo que ela iria ter medo dele também. Tentou dar um latido amistoso.

Lily tentou controlar sua respiração e observou o cão com atenção. Abriu a boca de espanto ao ver que o conhecia da cozinha: fora ele que a tinha convidado a comer aquela maçã dias atrás na cozinha do castelo. Sorriu com alivio e desfez o encantamento.

– Cachorrinho! Que bom que você apareceu! Salvou minha vida! – exclamou ela se jogando até ele e abraçando seu pescoço peludo, afundando a cara nas costas do cão. Sirius riu para si mesmo, sentindo uma sensação estranha no estômago ao sentir o cálido abraço da garota. Então, antes que pudesse pensar em alguma outra besteira, latiu e correu até uma árvore perto dali, onde tinha deixado suas roupas.

Lily levou as duas mãos à boca, inclinando-se ao reconhecer as roupas.

– O quê aconteceu com Sirius? – gritou ela alarmada. O cão preto enfiou o focinho no bolso da jaqueta de couro e prendeu entre os dentes um pequeno tubo de ensaio tampado com uma rolha e elástico. Nela continha o líquido azulado de uma poção. – O que é isso? – perguntou a ruiva pegando e tubo e analisando-o. – Uma poção?

Sirius não deu tempo a ela perguntar mais nada. Sacudiu o rabo e desapareceu entre a folhagem, deixando Lily completamente sozinha no escuro.

– Espera! Volta! Não me deixa aqui não... – pediu ela com um biquinho, se deixando cair sentada no chão. A varinha iluminava pouco ao seu redor, e se assustou ao ouvir uns barulhos estranhos perto dali, mas sorriu quando voltou a ver o cachorro com umas flores violetas com tons em laranja em sua boca.

Deixou-as sobre o colo da garota e latiu para ela.

– Não te entendo...

Sirius empurrou a mão de Lily que segurava o tubo com o focinho, e voltou a latir. Logo empurrou as flores para mais perto dela.

– Você quer que eu coloque isso na poção de Sirius? – indagou a garota segurando as duas flores e observando-as. Quando as reconheceu, abriu a boca com espanto. – Isso é... É a Invictius Floreaam! A flor da vitória! É muito rara de se ver, e só cresce em... Lugares... Escuros... – A voz dela começou a diminuir, tentando lembrar onde tinha ouvido falar dela, mas balançou a cabeça e observou o cachorro com um olhar desesperado fazendo o verde ficar mais escuro e sombrio, preocupada com seu amor. – Mas você sabe onde está Sirius? Aconteceu alguma coisa com ele?

O cachorro só voltou a latir e fazer os mesmos gestos para colocar a flor na poção. A garota percebeu que ele não a levaria até Sirius se não fizesse o que estava pedindo. Tirou a rolha e o elástico e o tubo exalou um aroma a pinho, que mudou para a menta quando colocou as flores.

– Agora o que...?

O cão preto pegou a varinha acesa de Lily e a colocou um pouco longe dali, fazendo que o lugar onde estavam ficasse em penumbras. Então o cachorro preto se aproximou e Lily viu como ele mudava de tamanho.

– Não se assusta, não... – disse o cão, dando um tapa na roupa de Sirius para cobrir-se. Lily se inclinou para trás com medo. – Sou eu, Sirius. Sou um animago.

– Um animago?

Sirius terminou de se vestir e devolveu a varinha à garota, que o abraçou com tal força que o garoto sentiu falta de ar.

– Que bom que você está bem! – exclamou ela, segurando o rosto de Sirius com ambas as mãos e beijou-lhe os lábios. O jovem Black soltou-se o mais rápido que pode, mas já era tarde demais.

– J – L –

James adentrou-se na Floresta Proibida ainda correndo, ofegando a causa do cansaço. Quando esteve uns metros dentro dos limites, tomou a forma de um cervo e trotou velozmente tentando encontrar o rasto dos dois. Os chiados de Peter às suas costas indicaram-lhe que o garoto o seguia de perto, mas não se importou. Só pensava em salvar Lily dos perigos da Floresta e de Sirius, quem tivera o descaro de conquistá-la. Esteve vários minutos até que encontrou o cheiro dos dois. Seguiu o rastro e os encontrou logo... Se beijando.

– Mais que droga! – gritou James, já transformado em si mesmo e aproximando-se ao garoto. Segurou-o pela jaqueta e sacudiu-o. – O que você pensa que é, hein? Roubando minha garota assim?

Sirius não respondeu, só olhou Lily com um raio de esperança atravessar seus olhos.

– Bebe – foi o único que disse. James largou seu amigo e olhou a ruiva, quem segurava um tubo de ensaio na mão direita. Reconheceu-o em seguida. Era o suposto dever de poções.

Não teve tempo de impedir. Lily já bebera tudo quando James conseguiu segurar-lhe o braço. O olhar da garota se extraviou durante uns segundos nos quais o garoto estivera esperando uma reação com o coração batendo em seus ouvidos e com a respiração agitada. Por fim a garota pestanejou e observou-o com olhos confusos, mas logo desviou o olhar severo para Sirius.

– Você, garoto! Tem uma detenção por vir até aqui logo do anoitecer! E por desrespeitar as regras! – gritou ela. Sirius sorriu contente pela poção fazer que ela se lembrara de tudo omitindo a parte em que ela estava apaixonada por ele. Agradeceu a Remus em silêncio pela receita. – E nunca mais me beije sem minha permissão, que será NUNCA!

James não entendeu nada.

– E você, Potter.

– O que eu fiz? Vim te salvar... – tentou justificar-se o moreno, levando a mão à nuca e sorrindo de lado. Lily revirou os olhos.

– Não seja ridículo, você também está fora do castelo em horário inapropriado!

– Ah, é, ruiva? – sorriu ele, deixando escapar o apelido que ele sempre utilizava em seus sonhos para referir-se à Lily. – Acaso você não está no lugar e no momento indevido também?

Lily corou, tanto pelo apelido como pela verdade que ele acabara de dizer.

– Então vamos voltar como se nada tivesse acontecido... – sorriu Pontas, passando o braço pelos ombros da garota, quem tirou o braço com agilidade e cortesia irônica.

Peter, ainda como rato, escalou a perna de Sirius e se meteu no bolso da calça.

– J – L –

Remus e Matilde aguardavam os garotos escondidos debaixo da capa de invisibilidade de James nos limites da Floresta Proibida e, em dois grupos, voltaram ao Salão Comunal. Lily não colocou os garotos em detenção, mas exigiu todo tipo de explicação para o que tinha acontecido.

E foi Remus quem falou:

– Foi um acidente. Sirius só queria conquistar uma garota do sétimo ano, mas quem apareceu na cozinha foi você e foi enfeitiçada com a poção amorosa dele. – Lily ouviu, mas não acreditou. E o cachorro onde entra nessa história? Pensou. Sirius é um animago, a poção era para mim, ele mesmo me deu! – E então ele fez o antídoto e foi buscar o ingrediente que faltava na floresta. Você só cismou em ir atrás dele – terminou o castanho, sorrindo sem emoção.

Sirius olhou o teto, sabendo que os olhos verdes se dirigiam até ele. Sabia o que ela estava pensando. Ele não errara de garota, ela sabia que ele era um - e isso fora a cagada que cometera. Como sempre, tudo saíra mais que errado. Mas agradeceu por ela estar cooperando com a farsa. Tudo pelo bem de James.

– Assim que foi isso, hein? – falou Pontas, estreitando os olhos em direção a Sirius.

Matilde estendeu a mão e pegou o cotovelo de Lily.

– Vem, Lil, está na hora de dormir. Continuamos a conversa depois.

Sirius soube que logo, logo Remus iria ter uma conversa com ele, assim como faria Lily no dia seguinte. Tinha que pensar então em como salvar seu lindo pescoçinho da confusão em que se havia metido.

– J – L –

Confissão: eu tive que reescrevê-lo no transcurso, e modificar muita coisa porque estava pior. Não é um dos meus favoritos, mas ficou melhor do que esperava. Espero criticas :-S

A pesar de eu ter prometido que eu iria postar logo, os professores foram tão amáveis de cismar em mandar muitos deveres para adiantar as provas finais (Diabos! Faltam dois meses para as aulas acabarem ainda O.O). Mas aqui está, um pouco atrasado e espero que me perdoem por isso. Vou fazer tudo o que for possível para que o próximo saia logo.

PD: Quero agradecer a umas leitoras que vem me seguindo desde o início da fic, e elas são: Souhait (a quem dedico),JustineSunderson, Alice Dreamer, Flor Cordeiro, Nathália e Sophie Ev. Potter. A vocês, obrigada por me acompanhar! *_*