A BELA ADORMECIDA

Rabiscara no livro outra nota. O arranhar da pena contra a folha do livro era o único barulho que se ouvia na sala comunal da Sonserina vazia e em penumbras; uma única vela iluminava a mesa do garoto. Era quase uma hora da manhã, e ele não estava com sono. Geralmente ocupava todo o tempo que podia em fazer deveres e poções, e se orgulhava de ser bom nisso. Na verdade, era da única coisa que se orgulhava, e se arrependia de muitas outras. Entre elas de chamar Lily Evans de sangue ruim.

Isso acontecera no final do ano letivo anterior. James o humilhara em público e Lily tinha tido a decência de defendê-lo. Mas ele não agradecera do modo que devia. Agira com estupidez, cego pela vergonha. E por isso perdera a amizade com ela para sempre. Não que ultimamente iam muito bem, mas pelo menos mantinham um contato invariável. Mas não era como no começo, como quando eram pequenos e brincavam juntos, ou quando começaram Hogwarts, e ficava encantado com o sorriso da menina com cada novidade, e o olhar radiante por comprovar que tudo o que ele dissera era verdade.

Como quando entraram por primeira vez no Salão Principal. Lily tinha segurado seu braço e apontado para o teto exclamando: Olha! Parece o céu de verdade! Seus olhos refletindo o céu estrelado. Ou quando faziam os trabalhos juntos de poções. Mas tudo isso começou a se perder com o tempo. Ela também conheceu novas amizades e era admirada por todos os professores, o que fez que ambos começaram a se apartar. Depois estavam as intromissões de Potter e Black, desde o primeiro ano, insistentes e chatos.

E no ano passado vieram as discussões sobre Lorde Voldemort e os Comensais da Morte. E nesse ponto eram completamente opostos. E foi isso o que os distanciou ainda mais. Então desistira. Não era o suficientemente bom para ela, não fora um bom amigo.

Severus Snape trancara o amor que sentia por Lily no alto de um castelo, deixando-o perdido entre a mata que começava a crescer ao redor, tendo só um único raio de esperança de que ela um dia viesse a perdoá-lo, como a Bela adormecida esperava pelo beijo de seu príncipe encantado.

– L – J –

Sirius ajeitou o cabelo que lhe caía sobre os olhos e sorriu de lado, olhando Remus de soslaio. Esperava que seu amigo começasse a falar, porque ele não tinha nada a dizer. Sabia que o acontecimento do dia anterior tinha balado o clima entre os Marotos, mas isso não era o suficiente para começar uma briga entre eles. O único que tinha que fazer era não errar da próxima vez. Sentados frente a frente, fitaram-se.

– Olha Sirius – começou então Remus, apoiando os braços sobre as pernas e abrindo as mãos em um gesto que mostrava tentar ser direto. – Você viu o que aconteceu na última vez que tentou juntar James e Lily, não viu?

Sirius sorriu com a simples lembrança da ruiva beijando seus lábios tão docemente lá na Floresta Proibida, no meio da escuridão. Remus o censurou com o olhar, inclinando o rosto levemente e deixando uns fios de cabelo castanho lhe caírem a cada lado da cara, escapando do rabo-de-cavalo.

– Sei, sei. Lily se apaixonou pelo cara errado. Sei, é minha culpa – disse Sirius sem convencer seu amigo, que continuava a fitá-lo com o olhar baixo, desconfiado.

– Sim, Sirius, e o cara errado era você. Vê se entende. Pára com essa idiotice, vai acabar fazendo alguma loucura e causar a expulsão de alguém. Ou alguma coisa pior.

Almofadinhas percebeu que Aluado falava sério, e se endireitou na cadeira. Os dois estavam sozinhos na torre norte. Era às cinco da tarde, não tinham tido herbologia porque a professora estava doente e James e Peter haviam aproveitado e ido até Hogsmeade para conseguir algumas guloseimas e bebidas para uma festa na Sala Comunal pela vitória da equipe de Quadribol Os Chuddley Cannons depois de várias derrotas na liga. Quem estava mais contente com isso era James. Remus então aproveitara a escusa de que tinham deveres de astronomia para dizer a James que tinha que ajudar a Sirius com um mapa astral.

– O.k. Entendi. Agora posso ir com Pontas? Quero organizar a festa também! – disse Sirius, deixando pender a cabeça para um lado e olhando seu amigo intensamente esperando uma resposta.

– Ainda não acabei – cortou Remus e Almofadinhas arqueou as sobrancelhas. Nunca tinha visto seu amigo tão serio há tempos. Calou-se. – Lily sabe que você é um animago, não sabe?

Merda.

– Por que você está perguntando isso? – intentou rebater o garoto.

Remus fechou os olhos e virou a cara lentamente, franzindo a boca em um gesto de decepção ao compreender essa pergunta como uma confirmação ao que indagava. Ele desconfiava disso desde que ele aparecera como cão na cozinha para entregar a maçã envenenada para a garota, não que ele tivesse contado, e sim que estava arriscando demais sua pele e que ela acabaria descobrindo por si só. E fora o que aconteceu na Floresta, era óbvio que quando ela o achasse o encontraria como cachorro.

– Você foi longe demais! Sabe que está proibido ser animago sem uma supervisão do Ministério, e se uma coisa acontecer a vocês por isso a culpa é totalmente minha por ter obrigado a vocês a fazerem isso! – exclamou Lupin. Sirius estalou a língua em reprovação.

– Não seja paranóico, cara! – disse ele, batendo as mãos nos joelhos como para fazê-lo entrar em razão. – Eu sou animago porque quis, porque é divertido passar a perna em Filch e sair sem ter que me preocupar com uma detenção. E porque adoro brigar com você – acrescentou, sorrindo e tirando o maço de cigarros do bolso da calça jeans surrada. Acendeu um e a fumaça ficou pairado no ar silencioso um bom tempo até que ele voltou a falar: – E você sabe que Lily não vai contar pra ninguém.

– Mas os quatro tínhamos feito um voto de silencio em relação a isso.

– Lily só sabe que eu sou animago, sobre os outros não, e menos de você. – Sirius aspirou ao cigarro e se levantou, dirigindo-se até o alçapão. – Agora irei organizar a festa com os garotos, se não se incomoda. Quer ir?

Remus sacudiu a cabeça recusando a oferta e se inclinou sobre o Mapa do Maroto recém acabado.

– J – L –

Sirius sabia que essa segunda-feira não seria nem perto de ser tranquila. Logo que chegara à metade do corredor do terceiro andar, perto da estátua da bruxa, Lily surgiu de uma aula vazia à esquerda da estátua. O garoto paralisou, e a ruiva, quando o levantou o olhar do Livro padrão de feitiços, 6ª série também não se mexeu, fitando-o.

– Exatamente quem eu estava procurando... Sirius Black – disse a garota, fechando o livro com ambas as mãos com um baque, com o olhar cintilando de mistério. Sirius tirou o cigarro da boca e apagou-o, sabendo que ela odiava esse seu novo hábito. Não podia estragar mais nada.

– Exatamente de quem eu estava fugindo... Lily Evans – sorriu ele, e a ruiva não pode evitar sorrir também em resposta.

– Eu quero falar com você, Sirius – falou a garota, agora séria, e os dois começaram a caminhar em direção ao saguão do castelo. Sirius lançou um olhar abatido para a passagem secreta até Honeydukes, sabendo que estava perdendo todas as preparações para a festinha. Lily então começou a falar –: Quero uma explicação coerente sobre o que aconteceu nos últimos dias.

Sirius coçou o queixo, olhando o teto, sentindo o olhar da garota analisando-o.

– Por onde eu começo...? – murmurou ele como para si mesmo. Lançou um olhar fugaz para a garota antes de virar para a esquerda. – Bom, como disse Remus, a poção era para uma garota...

– Você mente muito mal, sabia? – cortou ela em seco. – A maçã com a poção do amor era para mim, sei que um animago é totalmente consciente de seus atos em sua forma animal.

– Ssshhh! – exclamou o garoto, olhando para todos os lados certificando-se de que ninguém a tinha ouvido. – Está bem, confesso. Era para você.

– Queria que eu me apaixonasse por você? – disse ela, deixando de andar e virando-se até o garoto para poder encará-lo. Ele deu um suspiro e levou os olhos até o teto, como se pedisse ajuda. – Pra que? Para ser mais um nome em sua lista de garotas que caíram na sua laia? E como eu não ia ceder partiu para o método sujo, foi isso? – atacou ela, com as mãos sob a cintura, o olhar penetrante e cintilando em tons de verde escuro. Sirius deixou o queixo cair com assombro, sem acreditar na hipótese mirabolante que surgira na cabecinha vermelha de Evans. – Responde, ou vou direto até McGonagall denunciar você por ser um animago.

– Não faria isso.

Não, não vou fazer. Pensou Lily, mas eram as únicas palavras que lhe ocorreram para pressionar o jovem Black a dizer a verdade. Manteve a expressão firme, tentando não transparecer que estava mentindo, e parecia que suas palavras estavam surgindo efeito. Sirius olhou de um lado para o outro, depois para a garota e começou a andar.

– A verdade você quer então? – disse Sirius, Lily balançou a cabeça em um gesto de assentimento. – Você está segura disso? Não quero ser responsável das consequências do que vou dizer agora. – A ruiva revirou os olhos e um sorriso maroto quase imperceptível surgiu nos lábios do garoto. – Veja. A coisa é assim. Na verdade, a maçã estava errada. Uma era para você sim, mas não era a que tinha a poção do amor. Era a que tinha a poção dos Mortos em Vida. A poção do amor era para uma garota do sétimo ano sim.

Lily arqueou ambas as sobrancelhas e entreabriu os lábios com assombro.

– A poção dos Mortos em Vida? Mas você quer me matar?

Sirius revirou os olhos de maneira exagerada, sorrindo de canto e levantando as mãos pedindo paciência. Lily colocou as mãos na cintura, franzindo a boca, esperando uma explicação coerente para tudo isso. Desde o dia da festa de fim de ano, tudo na vida dela começara a girar em torno ao quarteto que se faziam chamar a si mesmo Os Marotos, e principalmente dos cabeças do grupo: James Potter e Sirius Black. Antes disso, a relação com eles era só restrita a detenções, repreensões e investidas incansáveis do apanhador da Grifinória; agora se estendera a confusões em que sempre resultava metida até o pescoço, sem poder sequer deter ninguém sem ter que deter também a si mesma. Agora acabara de descobrir que Black era animago e que ele tentara fazê-la beber uma poção perigosa.

– Na verdade, a única coisa que eu queria era dar um susto no James. Você sabe, ele ta doido por você, e te ver mortinha da silva na cozinha do castelo ia fazer ele enfartar. – O garoto soltou uma gargalhada que fez a ruiva estremecer.

– Que... Que macabro! Esse tipo de brincadeira não tem graça! Imagina se você tivesse errado na poção? E se isso chegasse aos ouvidos dos professores? Que irresponsabilidade! – Lily suspirou e lançou-lhe um olhar de um intenso verde que fez ele parar de rir. – Imagina se você causasse algum trauma no coitado!

Sirius segurou o riso por dois segundos e logo encheu o corredor com sua gargalhada, inclinando-se para frente segurando o abdômen. Lily observou-o incrédula.

– Trau... trau... ma? A... aquele dali? Que piada! – falou entre risos o jovem Black. Incorporou-se e começou a andar, sem se virar para dizer: – Então, tudo explicado, a gente se vê na festinha esta noite.

Virou para a direita e, quando Lily correu para alcançá-lo, não o viu mais.

– J – L –

Severus sentiu o coração parar de bater no momento em que a viu chegar à biblioteca. Observou-a então saudar a senhora Pince com um sorriso doce e dirigir-se até uma mesa vazia perto dali, mas fora do campo de visão do sonserino, quem separou então um grupo de livros da estante ao seu lado para poder vê-la. Contemplou-a tirar um par de livros da mochila e colocá-los na mesa, logo o pergaminho, o frasco de tinta e a pena, procurando logo no livro de poções o dever que tinha que fazer. Snape só deixou de espiá-la em silêncio quando a garota se levantou e caminhou em direção à estante ao seu lado, fingindo concentrar-se em seu livro de Defesa Contra as Artes das Trevas.

Lily inclinou-se sobre a estante à procura de um livro sobre plantas medicinais para saber mais informações sobre um ingrediente, mas deteve sua procura quanto percebeu que o garoto da mesa ao seu lado era Sev. Sem perceber, prendeu a respiração e ficou paralisada com o livro na mão enquanto o garoto levantava os olhos negros para ela, com um olhar frio e melancólico ao mesmo tempo.

Fitaram-se por uns segundos. A pesar de morarem no mesmo castelo, ambos não se viam desde o dia em que os dois romperam definitivamente a amizade frente ao retrato da Senhora Gorda, em junho. Agora era quase Halloween e era a primeira vez que se topavam de frente depois daquele dia.

Lily foi a primeira em reagir. Virou o corpo em direção à sua mesa, abraçou o livro com uma força maior do que precisava e se sentou disposta a acabar seu dever de poções. Severus, por outra parte, só ficou observando-a com o "oi" ainda preso na garganta, a boca entreaberta ainda por gesticular a saudação com um semi-sorriso. Tudo em sua mente já se tinha dado, a esperança voltara no momento em que o verde cruzara com o preto, mas voltara a se perder quando ela lhe dera as costas novamente. A princesa não fora resgatada nem beijada pelo príncipe. Tal vez nunca acontecesse, e ele ficasse abandonado entre a poeira e o pó do seu castelo desamparado.

– J – L –

Era quase doze horas quando Matilde acabou de se arrumar. De pé sobre seus saltos e com os cabelos ondulados presos em dois rabos de cavalo a cada lado do rosto, por debaixo das orelhas, contemplou-se uma vez mais no espelho para garantir que estava tudo no lugar. Logo levou os olhos até Lily para analisá-la e arrugou a cara.

– Me diz que você não pensa descer assim, por favor!

– O que tem de errado? – exclamou a ruiva, sentada na cama vestindo já o pijama de dormir. – Além do mais, eu não pensava descer, se é o que quer saber. Eu não interessada em festejos sobre Quadribol.

Matilde revirou os olhos e se inclinou sobre seu malão, sem se incorporar até encontrar duas peças de roupa que classificara como decente: uma saia curta, ajustada e cor vinho e uma blusa em um tom rosa que combinava com ela, com decote em V ousado e manga curta.

– Nem sonhe! – exclamou a ruiva, olhando em seguida para o par de sandálias que a loira pretendia também emprestar para ela.

– Não seja boba, sei que você tá doida pra encontrar James lá.

Lily abriu e fechou a boca duas vezes, sendo pega de surpresa pela declaração da garota.

– O que faz você pensar assim? Eu não quero ver aquele garoto nem pintado de ouro. Veja em toda a confusão em que ele e seu amiguinho Black me meteram!

– Sei, sei, e você adorou isso. Vamos, venha cá que vou te maquiar.

– J – L –

James e Sirius estavam entretidos enfeitiçando os bolinhos de abóbora para que explodissem quando fossem mordidos que não percebeu a chegada de Lily e de Matilde ao Salão Comunal. Peter foi o primeiro que avistou as duas depois de passada uma hora e, antes de avisar os dois, correu até Remus, que estava entretido em uma conversa com um aluno do sétimo ano. O jovem Lupin correu os olhos pela sala até encontrá-las, sentadas no sofá perto da lareira, conversando animadamente com Alice, Frank e Mary. Matilde bebia um copo de uísque de fogo, e Lily brincava com seu copo nas mãos, um pouco nervosa pelo o que lhe pareceu.

– Peter, vou precisar que você faca uma coisinha por mim – disse Remus em segredo.

O aludido assentiu assim que terminou de ouvir, correu para o retrato e saiu. Lupin despediu-se do garoto do sétimo ano e se dirigiu até os dois marotos brincalhões, que sorriram maliciosos para ele convidando-o com um bolinho.

– Elas chegaram.

– Liltilde? – foi o que entendeu Lupin, já que James e Sirius exclamaram ao mesmo tempo.

Os dois se dispuseram a ir até as garotas, mas Remus segurou o braço de James para detê-lo. Sirius também ficou.

– Que foi, Aluado? – quis saber James, vincando a testa.

– Deixei os jardins livre para você. Vê se aproveita bem.

Um amplo sorriso se abriu e iluminou o rosto do jovem apanhador da Grifinória. Remus sorriu em resposta e Sirius fez um biquinho engraçado.

– E eu? Não tenho direito também de levar garotas para lá? – Sorriu de lado.

– Você já levou a metade das alunas de Hogwarts pra lá. Agora é minha vez – James piscou um olho para ele.

– J – L –

Lily percebera que tinha bebido demais quando viu que estava sorrindo demais e falando muita besteira de uma vez só. A saia que Matilde lhe emprestara estava chamando muita a atenção de seus companheiros de casa, e tinha mais gente na conversa do que no início. Matilde já estava dançando com um garoto do último ano e se perguntou como o quarteto conseguia fazer uma festa com música e tudo sem que os professores ficassem sabendo. Eram quase três da manhã, e no dia seguinte tinha que acordar cedo para ir à aula, então decidiu ir dormir (se isso fosse possível com toda a barulheira embaixo). Se pôs de pé, e no mesmo instante teve que fechar os olhos porque ficara tonta e oscilara, então sentiu que alguém a segurara. Abriu os olhos para agradecer e se encontrou com um par de olhos castanhos que brilhavam atrás dos óculos.

– Vamos sair daqui? – perguntou ele. Lily assentiu, sem duvidar. A última coisa que queria era ser vista bêbada em uma festa sobre Quadribol uma noite de segunda-feira, ainda por cima sendo monitora.

Deixou que James passasse um braço por sua cintura para segurá-la, apoiou-se nele para tirar as sandálias e saíram do Salão Comunal. Em silêncio, caminharam durante uns minutos, Lily sem saber direito aonde ia ainda tonta pela bebida, até que sentiu uma brisa fresca bater no rosto e despenteando-a. Levantou os olhos do chão e percebeu que estava nos jardins de Hogwarts. Olhou para James e ele lhe dedicou um sorriso de lado, que Lily qualificou como sexy, e apontou-lhe um banco de madeira perto de uma fonte rodeada de lírios.

– Como se sente? – perguntou ele delicadamente.

– Agora um pouco melhor. Só um pouco tonta – E maluca. Como pude vir com você até aqui? Pensou, colocando as mãos a cada lado de si, segurando-se do banco, e se inclinou para frente.

– Só espero que não vomite em mim – riu ele, mas percebera que não teve graça; Lily estava realmente pálida. – Você ficou bonita com isso – disse, evitando olhar agora que ela estava bem perto.

– Nem sei andar direito com esses saltos – queixou-se ela, apontando com o queixo as sandálias ao seu lado. James riu, percebendo que a preparação tinha sido da loira infernal. – Agora amanhã serei o comentário do colégio: monitora bêbada numa festinha.

James sorriu.

– Não se preocupa com isso não. Pelo menos vão falar o bonita que você estava hoje.

Lily riu com ironia.

– Sei, os garotos não estavam preocupados em olhar minha cara, e sim meus peitos. Vou matar a Til por isso!

James ficou um pouco vermelho, sentindo-se aludido.

– Se liga, isso eles esquecem logo.

Uma brisa forte começou a soprar, e Lily se arrepiou. Voltou a xingar sua amiga em voz baixa, e depois a si mesma por permitir-se vestir desse jeito.

– Vem cá – disse James, passando o braço pelos ombros da garota e aproximando-a até si. Ela não se opôs, e apoiou a cabeça no ombro do garoto, fechando os olhos.

– J – L –

– Ruiva, acorda. São seis da manhã.

Lily arregalou os olhos. Perguntou-se como chegara até os jardins de Hogwarts, mas no segundo seguinte a forte dor de cabeça fez-lhe lembrar em seguida. Ainda estava recostada em James, e percebera que dormira em seu ombro. À sua direita, amanhecia tingindo o céu de laranja-avermelhado.

– Seis? Merda! – exclamou, se pondo de pé de um pulo. James riu, observando-a atentamente. – O que? Não! Devo estar horrível! – voltou a berrar, penteando os cabelos com os dedos. – Tenho que voltar já, e tentar parecer normal...

– Você está ótima – disse James, espreguiçando-se e bocejando. Levantou-se do banco e colocou as mãos nos bolsos dianteiros da calça jeans e observou-a sorrindo.

– Não seja mentiroso. Vamos, não quero matar aula por isto.

James não replicou e seguiu Lily até o Salão Comunal vazio e limpo. Ela resmungou alguma coisa como "aposto a que deixaram tudo para que limpassem os elfos" e começou a subir as escadas que levavam até o quarto das meninas, mas se deteve antes de chegar ao meio, e virou-se até James, que ficara de pé observando-a com um sorriso no rosto.

– Obrigada, Potter, por me tirar daqui antes que eu desse um vexame. Mesmo. Obrigada.

– De nada, ruiva.

Lily terminou de subir e entrou no quarto sem fazer barulho, inclinando-se sobre seu malão para procurar seu uniforme, sem dar importância às borboletas que começara a sentir no estômago. Não quis pensar em James como o príncipe que acordara a Bela Adormecida essa manhã, e sim como o garoto de quem queria manter distância.

Não pôde evitar sorrir ao pensar no lindo que fora dormir com James aquela madrugada nos jardins de Hogwarts.

– J – L –

Oi, pessoal! Novamente capítulo atrasado... Mil desculpas!

Espero que tenham gostado desse, foi difícil de escrever. Quis que Severo estivesse também porque acho que ele merece, sua história é tão triste... Estará também nos próximos.

Espero que gostem desse comecinho de romance. No próximo tem mais!

Também queria comentar que os marotos dessa história estão inspirados em uma imagem que vi na net, se quiserem aqui está, é só juntar os espaços:

ht tp: / w ww. harrymedia. com/ img/ data/ media/ 336/_young_marauders_by_rusneko. Jpg

Logo, logo vou postar o próximo capítulo.

Beixus!