Bella sentia-se leve como uma pena e foi nesse estado de espírito que deixou o estacionamento. Eram quase dezassete horas. Os passeios começavam a animar-se para o fim-de-semana. Iam ser dois dias intensivos de dolce fare niente; ia poder preocupar-se apenas com ela e só com ela.
Cascais encontrava-se já em plena efervescência. Dentro de poucos minutos, também ela vestiria o fato de banho e iria para a praia relaxar da sua árdua semana de trabalho. Pegou no telecomando para abrir o portão da garagem do prédio, mas paracia-lhe ver no seu lugar, o117, duas figuras humanas. Forçando a vista para ver melhor, reparou que uma delas era uma criança. Parou o carro e não queria acreditar nos seus olhos:
- Daniel!
- Trouxe o meu pai – respondeu a criança com orgulho.
Bella virou a cabeça na direcção do dito pai. Era alto, musculado, podia dizer-se que era demasiado sedutor. Os cabelos eram acobreados que caiam sobre uns olhos demasiado claros para o Verão.
- Daniel insistiu em vir ter consigo. Mas… se preferir, vamos já embora…
Como o individuo continuava a mostrar uma certa susceptibilidade, resolveu utilizar uma voz suave…
- De forma alguma. Simplesmente pergunto a mim mesma como é que conseguiu reaver o seu filho tão depressa. Normalmente, os pedidos junto do tribunal…
- Você e as suas leis… Raptei o Daniel – disse Edward.
Durante alguns segundos, Bella ficou de boca aberta a olhar para ele, mas, à medida que lhe ia descrevendo a sua aventura, a advogada ias-se recompondo.
- Devolvi o carro que aluguei para raptar o Daniel e apanhei um táxi até aqui. Jacob não me deu outra escolha. Hoje, a esme disse-me que a partida para o Brasil estava para breve. Ora, você tinha-me dito que, uma vez que Daniel pisasse terra brasileira, estávamos tramados: íamos levar anos para o recuperarmos.
- Isso é verdade – disse, mostrando-se complacente – mas você tem que se conformar com a lei. Nós vamos a um laboratório oficial fazer os testes ao Daniel, para provar que você é o verdadeiro pai dele…
- Isso dói? – perguntou a criança.
- Não dói nada. Passam-te uma cotonete pela boca…
- E isso vai provar que o papá é mesmo o meu papá? Isso é igual àquela bruxaria que fazem na escola de Hogart, onde anda o Harry Potter?
- Não!... Mas, como ia dizendo, uma vez isso feito, vamos devolver o Daniel ao Jacob e depois pedirei uma audiência ao juiz encarregue do caso.
- E essa audiência será quando? Antes do Daniel partir para o Brasil?
- Eu quero ficar com o papá – choramingou a criança, agarrando com toda a força a mão de Edward.
Nesse momento, Bella sentiu-se desfalecer. Lembrou-se de uma menina de dez anos, agarrada à mãe, gritando a todos os pulmões que queria ficar com ela, no dia em que aquele senhor a veio buscar.
Eu quero ficar com a mamã…
Dos seus olhos, caíram algumas lágrimas, mas depressa se recompôs e, para não se trair, respondeu-lhe com uma certa agressividade.
- Mas o que é que você espera de mim?
- Nada. Já devia ter calculado que você ia recusar.
Edward nunca imaginou que a advogada fosse assim. Estava arrependido de ter vindo.
- Na semana que vem, já o Jacob estará a tentar tudo para poder reaver o Daniel. E olhe que meios eficazes é coisa a que ele não deve faltar para poder localizar-nos.
"Mais do que tu pensas", pensou Bella. Edward não podia usar ali a sua carta de condução, alugar um carro ou sequer levantar um dedo, sem que Jacob não viesse logo a saber.
- Bom… eu pensei… nós pensamos… que você pudesse esconder-nos até ao dia da audiência.
- Eu, a vossa advogada, transformar-me em cúmplice do rapto de um menor?
Se aceitasse uma coisa dessas, nunca mais poderia ser advogada na vida. Ele podia ser lindo, com os seus olhos verdes, mas não podia, de forma alguma, usar os seus dotes físicos com jovens advogados para atingir os seus fins.
- Já estava à espera que recusasse. A minha conta bancaria não poderá comparar-se à dele… - disse Edward.
Uma camioneta entrou na residência e James aproveitou para, como quem não quer a coisa, entrar também. Isto é bom sinal, disse de si para si. Decididamente a sorte está do meu lado. Nem sequer tive que me pôr ali com conversas para enganar ninguém.
Quando tinha telefonado para o escritório de Isabella Swan, ela já tinha saído, mas encontrar o seu endereço não representara qualquer dificuldade. Se a sorte continuasse do seu lado, iria encontrá-la em casa e aí oferecer-lhe-ia uma bela soma para a convencer a dar-lhe o paradeiro de Edward e do seu filho. Negocio feito: ia buscar a encomenda e entregá-la a Jacob Black.
Ora vejamos, apartamento 117… Olha! O estacionamento do dito está cheio de gente. Será que aquela miúda de mini-saia é a advogada? Olha, e está acompanhada de mais duas pessoas: uma delas é um homem a quem ela segura pelo braço, porque parece que ele se quer ir embora. E a outra pessoa é uma criança. É o que se pode chamar sorte grande! Isto não vai dar trabalho nenhum. Desligou o motor e, com um grande sorriso nos lábios, dirigiu-se ao grupinho.
- Dra. Isabella, não é verdade? James. Venho da parte do senhor Jacob Black…
- O senhor é advogado?
- Digamos que faço parte do seu pessoal. Gostaria de poder demonstrar-lhe que tem todo o interesse em convencer o seu cliente a devolver a criança. O senhor Black está disposto a não dar parte do rapto à Policia.
- O seu patrão é realmente muito magnânimo.
- Claro, dra. Isabella, que o meu patrão saberá ser bastante generoso.
- Por favor, diga ao seu patrão que só falo com o seu advogado. Nunca com homens escusos.
James encaixou o insulto.
- Nesse caso, tenho que tomar uma atitude: com ou sem o seu acordo, vou sair daqui com a criança.
Com uma calma impressionante, Edward mantinha Daniel atrás de si. A única coisa que o traia era o semblante crispado.
- Você julga que vou? deixar que o leve daqui?
- E o que pode fazer? – perguntou James.
Edward agarrou na mão do filho.
- Vamos, Daniel.
Pai e filho começaram a corre na direcção do portão e Bella sentiu um forte aperto no seu coração.
O detective suspirou… Não queria usar a força, mas lá teria de ser. Sacou da pistola e fez pontaria aos dois.
- Você está louco! – gritou Bella.
- Se tiver de atirar, atiro. A Policia não verá nada de estranho nisso. Sou um detective, contratado para tratar do rapto de uma criança, efectuado por um estrangeiro…
O resto da frase ficou perdida para a posteridade, assim que Edward lhe deu um enorme pontapé no queixo. Bella não hesitou, correu para o carro, abriu as portas e pôs o carro a trabalhar.
- Entrem! Depressa!
Edward puxou pela mão de Daniel e atirou-o para a parte detrás do carro, entrando ele a seguir para o assento ao lado do condutor.
Bella sabia que dentro de cinco minutos iria arrepender-se de ter-se envolvido naquele "ninho de vespas".
- Papá, vou ficar para sempre contigo, não vou?
Bella suspirou. Foi isto que a fez envolver-se naquele grande sarilho. "Mamã, quero ficar contigo." E a sua mãe, também sem hesitar, meteu-a dentro do carro e fugiu com ela. Sem dar por isso, Bella viu-se na auto-estrada e, mesmo perto de um cruzamento, deu uma guinada no volante e virou para o primeiro lado que lhe apareceu. Não tinha outra escolha.
Continua…
N.A.
Olá obrigada a todos os que estão a seguir a fic, espero que estejam a gostar.
Aqui está o segundo capitulo, espero que gostem.
Beijinhos.
