'(…)But I don't really like you, Apologetic and dressed in the best but on a heartbeat glide…'


…Senti-me um idiota. Ele me achava com cara de palhaço? Sorri um pouco incomodado.

- Supus que tivéssemos uma discussão sobre o nosso assunto inicial, se fosse por outra coisa eu nem teria vindo perder tempo..

Olhei pelo vidro e o céu estava ficando negro. Eu estava decidido de ir embora, quando ele falou;

- Desculpa Senhor Mikami... Mas eu preciso ser honesto com o senhor. Não sou um simples policial, sou detetive e subchefe da policia japonesa que trabalha junto à "L" em suas investigações.

Permaneci parado, apenas o fitando. Bebeu um gole do vinho e continuou.

- E realmente preciso da ajuda do senhor. É bem provável que recuse... Mas é de extrema importância. Por favor, não me deixe falando sozinho.

Ele havia notado minha leve inclinação na cadeira. Maldito, é claro que não teria coragem de deixá-lo falando sozinho. Odeio essa minha educação... esse meu senso humanitário. Se não fosse por isso eu já teria ido... Jura que eu fiquei ali por causa do pedido dele?... Suspirei.

- O que eu posso fazer pelo senhor?

Perguntei, a fim de encerrar aquele almoço. Daí eu iria falar que não saberia como ajudar e iria embora rapidamente, antes que aquele temporal que estava se formando lá fora começasse. Ele olhou para as nuvens e rapidamente voltou seu olhar para mim.

- Avaliamos seus dados no BDE (Banco de Dados do Estado), e você obteve as melhores notas em diversos cursos e sempre fora bem recomendado pelos executivos da alta sociedade; é um dos melhores promotores da cidade; fora a fama e conhecimento social que o senhor adquiriu durante todos esses anos devido a suas experiências com o poder público.

Eu ainda o observava. Estava inflando meu ego sem ao menos me conhecer, com certeza pediria algum favor. Policiais nunca mudam essa tática.

- Alias, já estive presente nos tribunais quando você estava exercendo sua profissão. Creio que é um homem serio e de uma capacidade imensa de julgamento.

Então ele havia me observado antes, certo? Nunca havia notado sua presença, com certeza ele deveria ter se disfarçado para eu não ter percebido. Gostei de suas palavras, parecia convicto enquanto falava quase me fazia acreditar que estava lá por boas intenções, mas ainda não estava convencido, até ouvir...

- Gostaria de tê-lo em meu time de investigação.

A voz dele ecoou pelo lugar. O andar estava vazio, apenas nós dois naquela mesa entre tantas outras mesas vazias. Ergui automaticamente uma sobrancelha, com os olhos arregalados. Time de investigação? Seria a ultima coisa que esperaria vir de um policial. Ops, ele não era policial mesmo... Talvez tivesse me equivocado, mas ainda estava com um pé atrás em relação a isso.

- Por quê?

Perguntei sem hesitar. O garçom chegou com a comida, serviu-nos e foi embora. Ficamos calados enquanto isso. O detetive sorriu, logo após o garçom sair, enquanto pegava um guardanapo em mãos.

- Acho que depois de tudo o que falei, não preciso repetir, não é?

- Então aquele papo do escritório era mentira?

- Não...

- Você estava o tempo todo me testando?

- Não é isso.Eu só queria ter certeza que estava escolhendo o homem certo para trabalhar comigo...

Após suas últimas palavras, permanecemos nos encarando. Até que ele, por fim, arriscou um sorriso e pos a mexer em seu prato de comida. Apenas voltei minha atenção ao prato após perceber que ele não estava mais me encarando. Precisava pensar, mas estava confuso. De repente, sua voz soou serena;

-E agora eu tenho certeza absoluta que você é o homem certo.

Nesse momento, só me lembro de ter engasgado com um pedaço de brócolis. Comecei a tossir não muito alto, até que me levantei, tentando amenizar aquela agonia. Ele levantou também e veio até mim, seus olhos pareciam estar preocupados. Também... Eu pensei que fosse morrer, a porra do brócolis estava entalado, sei lá. Virei e me apoiei na poltrona, colocando a mão no meu peito. Foi quando senti os braços dele envolvendo minha cintura. Fiquei estático. Abraçou-me por trás. Quem havia o autorizado a ter essa... Intimidade? (Por um momento até esqueci que o brócolis estavam bloqueando minhas vias respiratórias) Ele me puxou com força pra perto de si, e eu senti seu corpo no meu... Me puxou novamente, pressionado as mãos contra meu peito. Eu já estava sem ar, não consegui respirar, eu deveria estar vermelho. Seu corpo estava bem próximo do meu, próximo demais. Me puxou com mais força. Foi daí que eu senti aquilo, a melhor sensação de todas: o brócolis saindo da minha garganta, desbloqueando minha vias respiratórias. Foi ai que eu respirei fundo e aliviado.

- Tudo bem?

O detetive sussurrou por trás do meu ouvido. Tive um click. Me afastei dele, que ainda estava com as mãos sobre minha cintura. Aquilo foi estranho demais, mas pelo menos eu não havia morrido. Ajeitei meu paletó e virei para ele, um pouco sério.

- Não se aproxime assim.

- Você esta bem mesmo?

Ignorou-me, ainda me fitando com aqueles olhos preocupados. Senti um calafrio.

- Estou bem, obrigado...

Agradeci entre dentes, voltando a sentar-me à mesa. Ele sentou também e me ofereceu água. Aceitei. Ficamos um tempo calados, até que resolvi falar algo.

- Eu...

- Eu...

E falamos juntos. Droga, aquele clima estava péssimo..


Be Continued..