A dor que sentia no queixo era tão grande, que fez com que James acabasse por acordar. Agarrando-se ao fecho da porta, consegui pôr-se de pé e foi rastejando, a pouco e pouco, até conseguir chegar à saída. Do carro de Bella nem rasto.

James fez o ponto de situação. Os milhares de dólares prometidos por Jacob Black ameaçavam desaparecer das suas mãos. Estes pensamentos deixaram-no cheio de forças. Por onde começar? Apartamento 117, primeiro andar. Subiu e foi sem dificuldade que conseguiu abrir a porta. Dirigiu-se a uma secretária que estava ali perto e logo lhe chamou a atenção uns quantos papéis que lá se encontravam. Folheou-os de forma cadenciada e encontrou tudo o que queria; números de contas bancárias e de cartões de crédito. Tomou nota dos números e, quando se preparava para sair, despertou-lhe a atenção um envelope que se encontrava preso no teclado do computador. Abriu-o sem qualquer cerimónia e encontrou lá dentro uma fotografia de Bella pendurada ao pescoço de um sujeito moreno de cabelos compridos, bem musculado e com barba por fazer há, pelo menos três dias. Virou a fotografia ao contrário e viu o que lá estava escrito: «Para o meu homem preferido.» Meteu-a no bolso.

Enquanto Bella conduzia por entre os engarrafamentos, uma única ideia lhe atormentava a mente: estava metida em muitos maus lençóis. Lançou um olhar a Edward, que se encontrava sentado a seu lado. Estava tenso e fixava sem pestanejar o fluxo dos carros.

- O trânsito aqui é sempre assim? Como é possível viver em sítios como este? Foi coisa que nunca consegui compreender!

Bella resolveu não responder. Se o tivesse feito, ter-lhe-ia dito que, graças a ele, em vez de estar metida no seu jacuzzi, a descontrair, estava a arriscar a pele.

- Se preferes os desertos, isso é o que não falta nesta região. Talvez gostasses de passar lá uma longa temporada…

- No deserto há cobras? – perguntou Daniel.

- Há.

- Então não quero ir para o deserto. Na escola aprendi que, se uma serpente dessas te morde, morres, mas, antes de morrer, sofres muito.

«Teimoso como o pai», pensou Bella.

- Dra. Isabella… peço imensa desculpa de ainda não lhe ter agradecido; aliás, compreenderia muito bem se quisesse desembaraçar-se de nós na próxima esquina.

- Jacob Black pode já ter dado parte à policia – disse Bella. – É preferível que vos acompanhe até estarem em segurança e isso significa estar fora de Lisboa.

- Está a dizer-me que vou ter a Policia atrás de mim?

- Se fosse a si, ficava até muito contente. Com o tempo que o advogado de Jacob vai levar para conseguir dar andamento ao processo, nós já estaremos longe. Além disso, eles têm milhares de processos iguais ao seu. Quando chegarem a pegar-lhe, talvez até já nem nos lembremos de que andamos a fugir.

- Então, o que é que propõe? – perguntou Edward, com a voz mais descontraída.

- Podemos chegar a Évora dentro de duas horas.

- Évora? Pensei que íamos para uma zona menos populosa.

- É a cidade ideal para baralhar as pistas.

- Sim, por esta noite; mas depois? Se lá ficarmos uma semana, acabaremos por ser conhecidos.

- Já tinha pensado nisso… Conheço um monte, onde podem ficar escondidos até ao dia da audiência.

- Agora fala-me de um monte?|

- Não se preocupe, é um monte onde já passei férias. Nesse monte, vive apenas uma pessoa que está-se verdadeiramente "nas tintas" para quem anda ou não atrás de nós. A única coisa que poderá fazer é oferecer-nos uma bebida. Vê-los chegar comigo, para ele já é uma garantia.

- É um amigo seu?

Bella sorriu e ficou silenciosa por uns momentos.

- É o meu melhor amigo. Estaremos em segurança e ninguém se lembrará que lá possamos estar.

- Estou com fome – reclamou Daniel, após alguns minutos de silêncio.

- Enquanto estivermos na estrada, não vamos poder parar, mas prometo-te que, dentro de meia hora, chegaremos a Évora e aí já podemos todos ir comer.

- Você realmente preocupa-se muito connosco; faz tudo para nos proteger.

O tom de voz de Edward, ao dizer aquilo, fê-la reflectir.

- O que é que você quer dizer com isso?

- Com todo este trabalho que está a ter connosco… Vamos ver como é que vai ser recompensada…

Com que então, Edward pensava que ela estava a fazer tudo aquilo à espera de uma recompensa. Agora já era demais! Não podia deixar passar aquela observação.

- Desculpe, mas você é paranóico? Se não fosse por Daniel, já o tinha deixado no meio da estrada… Acha que não tinha nada de mais interessante para fazer este fim-de-semana do que andar a brincar ao Bonnie e Clyde? Tinha programado um fim-de-semana bastante interessante e repousante. Por sua causa, aparece-me um mafioso qualquer a oferecer-me dinheiro para entregá-lo e, de arma em punho, pronto para matá-lo. Acha que tenho estado a fazer isto a pensar numa recompensa?

Edward olhou para Bella: era impossível que estivesse a fazer jogo duplo. A sua voz tinha um tom que não deixava dúvidas: estava a ser sincera.

- Peço imensa desculpa, você não merece que lhe diga tais horrores. A única desculpa que posso encontrar para este meu comportamento é a tensão em que tenho vivido nestes últimos dias. Tudo isto me transformou, num curo espaço de tempo, numa pessoa desconfiada.

Bella olhou para ele e viu que aquele pedido de desculpas tinha sido sincero, mas não lhe deu muita importância, para que ele sentisse como tinha ficado ofendida.

Ao fundo, via-se um café com um anúncio luminoso. De repente, Edward teve a impressão de estar no meio do nada. Desceu do carro e o vento, demasiado forte que se fez sentir, juntamente com a luz forte dos faróis de um camião, fê-lo cambalear.

Entraram no restaurante e Daniel sentou-se na primeira mesa que encontrou.

- Que queres comer? – perguntou o pai.

- Um hambúrguer duplo com ketchup, batatas fritas e uma coca-cola.

Bella reparou no olhar da empregada quando os ouviu falar e cruzou um olhar inquietante com Edward. Olhou à volta e tudo lhe parecia repugnante. Virando-se para a empregada, perguntou:

- O que me recomenda que não tenha carne nem ovos que não sejam de galinhas criadas no campo?

Edward não pode deixar de sorrir.

- Não tem graça nenhuma. Sabe em que condições são criadas as galinhas que se destinam ao abate?

Com falta de paciência, a empregada interrompeu:

- Uma tarte de maçã? Posso jurar-lhe que foram criadas em campo livre.

- Está bem, então pode ser.

- Desde quando se alimenta dessa maneira?

- Desde os 18 anos.

- Peço imensa desculpa, mas já deveria ter percebido que consigo as coisas nunca ficam a meio.

- Quando me dedico a uma causa, vou até ao limite.

- Tu nunca comes hambúrguer?

- Nunca.

A fome era tanta, que tudo o que estava em cima da mesa que fosse comestível, desapareceu num instante.

Enquanto se dirigiam para o carro, Edward resolveu ter uma conversa com o filho sobre o seu nome.

- Daniel, já percebeste que Jacob vai fazer todos os possíveis para nos encontrar?

- Mas eu não quero voltar para casa dele!

Edward pôs-lhe as mãos sobre os ombros e olhou-o bem nos olhos.

- Tu não vais voltar para ele; sou eu quem to promete. Tens confiança em mim, não tens?

- Tenho – respondeu a criança, sem qualquer hesitação.

- Então, para que seja ainda mais difícil para ele encontrar-nos, vamos esconder-nos durante alguns dias.

Bella sorriu e pensou: "Este tipo é de um optimismo incrível".

- Supõe que Jacob pergunta alguma coisa àquela empregada que nos serviu? Ela vai lembrar-se de nós.

- Por causa de Bella não comer carne?

- Também por causa disso, mas principalmente por causa do teu nome. Bom, quero dizer com isso que vamos ter de pôr-te outro nome. Vamos passar a chamar-te Pedro a partir de agora.

- E não pode ser Miguel?

- Se preferes, pode.

- Pronto, então está bem, passas a ser Miguel.

- Quer dizer que amanhã não vou ter de ir à escola? Nem depois, nem depois?

- Não.

- Pelo menos durante uma boa semana. Depois voltamos para França…

Todo contente, saltou para o banco de trás.

Edward também entrou para o seu lugar e, em seguida, Bella arrancou. Passados alguns minutos, Daniel, chegando-se à frente, disse:

- Papá, não queres vir para o pé de mim?

De um só salto, Edward passou para a parte de trás do carro e sentou-se ao pé dele. Daniel deitou a cabeça no seu colo e, poucos minutos depois, estava a dormir.

Bella deitou uma olhadela pelo retrovisor e pensou:

"Afinal, tinha tomado a melhor das decisões- ajudar Edward e o filho".

Continua….

Olá a todos os que estão a seguir a fic, aqui está mais um capitulo.

Adorei as rewiens, muito obrigada.

Quem será o homem que os vai ajudar na fuga? Alguém tem palpites?

Continuem a seguir a fic.

Beijinhos