Depois de terem andado alguns quilómetros, chegaram finalmente. Já era tarde, mas havia imensa gente nas ruas. Bella perguntou se queriam dar um passeio.
- Neste momento só quero um hotel.
- Aqui, há vários e discretos, mas podemos dar um passeio – insistiu Bella.
- Não, é melhor recolhermo-nos – respondeu Edward.
- Se calhar tens razão – admitiu Bella, após uma pequena reflexão.
- O que achas deste? – perguntou o francês.
- Acha que é o lugar ideal para abrigarmo-nos?
A recepcionista tinha um ar que mais parecia acabada de chegar de alguma constelação distante. No peito, tinha um crachá com o seu nome: Irina.
- Em que posso servi-los – perguntou, pestanejando.
Edward aproximou-se de Bella e segredou-lhe:
- Tenho a certeza de que, no escuro, esta senhora seria fluorescente.
- Esteja calado, que ela pode ouvi-lo.
- Ainda vos resta dois quartos?
Edward encostou-se a Bella de forma ternurenta e abraço-lhe os ombros.
- Mas, meu amor? Miguel ainda é muito pequeno, pode ficar connosco. Um quarto será o suficiente.
Após dizer isto, Edward beijou-a nos lábios.
Bella estava estupefacta. Não queria e não ia dormir na mesma cama com aquele desconhecido.
Sussurrando-lhe ao ouvido, Edward disse:
- Assim, ninguém vai desconfiar. Vão pensar que somos um casal com um filho.
Irina estendia-lhes a chave.
- O 14 é perfeito, visto ter uma cama bastante grande.
- Suponho que o quarto dispõe de uma outra cama mais pequena para o nosso filho.
- Com certeza. Vou, agora mesmo, mandar subir uma.
Bella tecia já os seus planos: deixaria a cama grande para pai e filho e ficaria na outra.
Alguém bateu à porta. Era o rapaz com a cama suplente. Quando saiu, Daniel saltou logo para a cama.
- Daniel, acho que é preferível que seja eu a dormir aí.
- Mas o papá disse que eu é que ia dormir nesta cama.
Disse isto num tom de voz que se podia perceber que, para ele, aquilo que o pai dizia era como se fosse Deus a falar. Nunca poderia haver outra alternativa.
- Edward, o Daniel vai dormir consigo e eu fico com a cama mais pequena.
Edward ao perceber o que Bella estava a querer dar a entender, virou-se para o filho e disse:
- Daniel, está na hora de ires à casa de banho; vai preparar-te para dormir.
Uma vez sozinho com Bella, começou a falar-lhe num tom cheio de paciência e com uma certa lentidão. Parecia estar a falar com uma criança.
- Mas você pensa mesmo dormir nessa cama? Quanto é que mede?
- Um metro e sessenta e três.
- Dez bens centímetros a menos. É masoquista?
Bella sentiu a "mostarda" ao nariz.
- Exactamente. Deve ser por isso que me meti nesta aventura consigo. Masoquista ou não, eu não vou dor…
O sorriso que Edward tinha estampado no rosto advertiu-a de que estava a entrar num campo um pouco perigoso.
- Não podemos dormir na mesma cama, ponto final. Você está a compreender e muito bem – grito, furiosa.
- Claro que não – respondeu-lhe com um ar muito inocente. – Evidentemente, se você pensa que partilhar uma cama significa praticar um acto carnal…
Acto carnal? Então ele estava a trata-la como se ela fosse uma virgem idiota?
- O que é isso "do acto carnal" – perguntou Daniel, ao entrar no quarto.
- O acto carnal – explicou o pai – é o que acontece entre um homem e uma mulher que se amam.
- Fazer amor, queres tu dizer!
"Bem feito", pensou Bella. "Tinhas feito melhor se tivesses ficado calado, em vez de te armares em aprendiz de psicólogo".
- Pois é exactamente isso – respondeu o pai. – Mas diz-me lá uma coisa, não achas que te despachaste da casa de banho depressa demais?
Daniel voltou a correr para a casa de banho. Nada parvo, Edward identificou imediatamente a táctica do filho.
- Bella, vamos falar como dois adultos e não como duas crianças. A cama é demasiado pequena para si…
- E para si também! Bom, já disse que não quero dormir consigo.
- Já percebi, você não tem é confiança em si? Se calhar acha-me irresistível!...
Bella sentia-se insegura. Na verdade, só de pensar que podia haver qualquer tipo de intimidade entre eles, deixava-a um pouco excitada. Daniel tinha voltado da casa de banho e o seu regresso fê-la sobressaltar-se.
- Bom, agora vou eu para a casa de banho, para poder preparar-me para dormir.
- E não precisa de mais nada? Um pijama?...
Na realidade, Bella não tinha pensado nisso. Ela fugira com eles apenas com a roupa que tinha no corpo. O único objecto mais íntimo que tinha era uma escova de dentes toda ressequida, que estaca na bolsa de maquilhagem. No dia seguinte, não podia esquecer-se de comprar alguns bens essenciais para o resto da viagem.
- Eu empresto-lhe uma T-Shirt das minhas.
Bella entreabriu a porta e recebeu a camisola que ele estava a dar-lhe. Assim que ela reapareceu envolta naquele T-Shirt XL, foi a vez de Edward ir para a casa de banho preparar-se para a noite que se aproximava, que prometia ser divertida.
Quando ele saiu da casa de banho, Bella teve de fazer um grande esforço para não desatar às gargalhadas. Edward apareceu com um pijama com uns pequenos corações desenhados por toda a parte.
O morder dos lábios de Bella fez com que Edward reparasse que a advogada estava a rebentar de riso.
- É o meu pijama preferido. Uma prenda de Daniel.
- Diga ao seu filho que quem vai deitar-se naquela cama sou eu.
Edward deixou sair um profundo suspiro.
- Daniel, sai lá daí e deixa a Bella deitar-se.
Bella experimentou todas as posições possíveis e imaginárias, mas não conseguia arranjar uma adequada para conseguir deitar-se. Edward não parava de rir.
- Pare lá com esse teatro todo, que não vai conseguir dormir. Troque com o Daniel.
Na verdade, a recepcionista não tinha mentido ao dizer que a cama era bastante grande, mas, mal Edward entrou nela, parecia ter metade do tamanho.
Apesar de ter passado longos minutos encolhida na borda da cama, Bella acabou por relaxar um pouco. O seu companheiro de cama adormeceu logo que se deitou, indiferente ao esforço que a advogada fazia, para evitar que os corpos se tocassem. E, apesar de todos esses cuidados, exausta, acabou por adormecer.
Acordou, no dia seguinte, com um peso enorme em cima do rosto. Era o braço de Edward. Os acontecimentos da véspera vieram-lhe à mente e pôs-se a contemplá-lo. Olhou para Daniel e verificou que um era exactamente a cara do outro e isso nenhum Jacob Black podia negar. Edward mexeu-se e Bella aproveitou para tirar-lhe o braço de cima. Sobressaltado, Edward acordou e perguntou logo de seguida:
- Que horas são? Temos de partir já.
Era impressionante como este homem parecia sempre saber onde estava e o que devia fazer.
- Dormiu bem? – perguntou Catarina.
- Bem que gostaria. Mas, infelizmente, você encarregou-se de fazer com que isso não fosse possível.
- Eu?
- Sim, você. Assim que adormeceu, não fez outra coisa se não encostar-se a mim.
Bella ficou imediatamente corada.
- Só pode estar a gozar comigo.
- E você caiu que nem uma "patinha" – disse, sorrindo.
- Não achas que temos coisas mais importantes a fazer?
- Com certeza que sim, mas olhe que não me arrependo de nada. Por isso, deixe-se levar pela atracção que sente por mim; não teria nada de repreensível…
Furiosa saiu da cama. Edward ria às gargalhadas.
- Eu, sentir uma atracção por si? Pode achar que tem todo o tempo do mundo para estar para aí com brincadeirinhas, mas olhe que eu não! – exclamou Bella, com ar meio zangado. – Temos de comprar um carro.
- Comprar um carro?
- Sim. A cor branca do meu chama mais à atenção.
- Isso dá-lhe muitas vezes?
- James viu o meu carro, teve mais do que tempo para tirar a matrícula e saber a marca. Conclusão: temos de arranjar outro carro.
Subitamente, Edward deu-se conta de que Bella tinha acabado de envolver-se num grande problema, só para ajuda-los!
- Tenha cuidado, não se deixe enganar – recomendou Edward.
-Não deixa de ser uma boa recomendação, mas olhe que não tenho muita escolha.
- Nesse caso, dirijo eu as negociações.
Naquele momento, Daniel resolveu também meter a sua "colherada".
Depois de terem dado três ou quatro voltas ao terreno, que se encontrava apinhado de carros, e de Edward ir dando aqui e ali a sua opinião, Daniel apontou para um 4X4 azul, munido de um pára-choques impressionante.
- O que acham deste?
- Mal ou bem, acho que já não há mais escolha – disse Edward, ao ver aproximar-se o vendedor.
Afinal, a escolha de Daniel não era assim tão má. O carro era espaçoso e parecia estar em bom estado. E ainda por cima era bastante barato, o que fazia com que Bella recebesse ainda muito dinheiro e em numerário.
- Precisamos de ter muito cuidado quando fazemos compras. Não podemos usar os nossos cartões de crédito, muito menos o seu, Edward, porque um cartão francês chamaria imediatamente a atenção. Hoje já tive de usar o meu, mas não fiquei nada contente porque o tal James segue-nos a pista num instante.
- Assim que todo este assunto estiver finalmente resolvido, faço questão de pagar-lhe tudo o que tem vindo a gastar connosco.
- Não tenho qualquer dúvida sobre isso.
- Penso que agora é melhor ser eu a conduzir, não acha? Um carro conduzido por uma mulher, tenso como companhia um homem a seu lado e uma criança atrás, chama mais a atenção.
- De onde lhe saiu toda essa psicologia?
Quando já se encontrava ao volante, Edward voltou-se para ela e disse:
- Para seu governo, fique a saber que realmente fiz um curso de Psicologia na Sorbone.
Continua….
Olá
Peço desculpa pela demora, espero que gostem deste capítulo.
Aqui já podemos ver a relação de Bella e Edward a aquecer.
Agradeço a todos os que comentaram, muito obrigada.
Beijinhos, até ao próximo capítulo.
Queria dedicar este capítulo a uma autora de fics de que gosto muito a Ju Martinhão, espero que gostes deste capítulo.
