Sentado comodamente diante do copo que tinham acabado de servir-lhe no seu bar preferido, James começava a ver uma luz a brilhar no fundo do túnel. Assim que saiu da casa de Isabella Swan, foi direito ao escritório de Lauren Mallory, uma empregada de um banco, que já lhe tinha valido várias vezes nas suas investigações, graças, claro está, a somas bem interessantes. Aliás, James, antes de lhe ter pedido fosse o que fosse, sublinhou que tinha carta branca em relação aos gastos.

Lauren fez tudo o que era possível e impossível para lhe dar a lista das operações efectuadas com o cartão de crédito de Isabella Swan e, sobretudo, em que lugares tinham sido feitas estas transacções. Principalmente a última. Deu um último golo, comeu o último amendoim e foi para casa. Algum tempo mais tarde, o telefone tocou e o detective atendeu e ficou à escuta.

- Esta noite, às 21 horas, houve um levantamento de 100 euros, em Beja. – Dito isto desligaram.

Quando James chegou à cidade, o seu optimismo desfaleceu um pouco. Previa alguma dificuldade para chegar até ao casal com uma criança. A sua informadora só lhe tinha dado como pista um levantamento em numerário. Bom, iria começar pelos hotéis de luxo.

Andou de hotel em hotel de fotografia em punho, contando uma das suas já bem sabidas histórias e distribuindo, ao mesmo tempo, umas quantas notas de euros. Quando já tinha entrado em quase tudo que era hotel, resolveu passar por pensões e afins. Nada, não conseguia obter nenhuma informação. Começava a estar preocupado e muito cansado. Resolveu apanhar um táxi e dirigiu-se para a zona dos motéis. Mandou parar um, entrou, e disse para onde queria ir e, quando chegou ao seu destino, pagou e saiu. Tirou do bolso as fotos dos fugitivos e começou a contar a triste história da doença da mulher, que sofria horrores e que não encontrava ninguém compatível com ela e que, por isso, só a irmã tinha a solução na espinhal medula e que podia salvá-la. Deixava o seu contacto e saía. Horas depois, chegou ao pequeno motel onde trabalhava Irina.

- Bom dia Irina. – disse, lendo o crachá.

Já tinham percorrido muitos quilómetros e Daniel estava rabugento. Não se cansava de pedir para que parassem porque queria comer. Edward prometeu-lhe que, na próxima mudança de motorista, parariam.

- Podíamos parar ali, não acha?

Bella apontou para um pequeno restaurante de beira de estrada, muito de agrado de Daniel. Edward disse-lhe que sim e pensou: "Muito bonito, preocupar-se daquela maneira com o meu filho".

- Desta forma, poderei substituí-lo no volante. Você já conduziu muito e não pode fatigar-se demasiado.

Como por magia, nas proximidades do restaurante, Daniel acordou.

- Fixe! Comida!

- Entrem, enquanto vou encher o depósito.

Quando se juntou a eles, Edward disse:

- Mandei vir para si uma salada, mas pedi-lhe para substituírem os ovos por um tomate.

Bella pensou que estava a gozar, mas, ao olhar para os olhos dele, teve a certeza que estava a ser sincero.

- Muito obrigada – respondeu, tocada pelo seu gesto.

Subitamente, Daniel deu um grito que pôs todas as pessoas a olhar para eles.

- Papá! Esqueci-me do Harry!

Os dois adultos olharam-se, sem saber o que fazer, pois Daniel não se calava com aquilo e chorava como se alguém estivesse a fazer-lhe mal.

- Esqueceste-te do Harry onde? – perguntou Edward.

- No motel. Quando saímos do motel, eu tinha-o mas…

- Mas entraste novamente para ires à casa de banho e, se calhar, foi aí que o deixaste – lembrou-se Bella.

- E o papá não estava nada contente comigo porque "eu não tinha tomado as minhas precauções antes…"- choramingou a criança, com ar acusador. – Quis despachar-me tão depressa, que esqueci-me do Harry.

- E porque é que não te lembraste mais cedo? Normalmente nunca largas esse boneco.

- Não é um boneco! É o Harry!

Edward suspirou, pegou no filho ao colo e, cobrindo-o de beijos, abraçou-o com todas as suas forças.

- Olha – disse o pai – prometo que na primeira cidade que encontremos, compro-te outro Harry e até te compro a amiguinha do Harry.

- Hermione.

- Isso, Hermione.

- Mas eu não quero a Hermione, quero o Harry – voltava a dizer a criança, soluçando.

- Ouve – murmurou Bella, com voz doce – o teu pai vai comprar-te outro Harry…

- Nunca será o mesmo Harry! Além disso, tu não és minha mãe, por isso, não tens opinião a dar.

- Daniel, pede desculpa pelo que acabaste de dizer.

- Então sou Miguel ou Daniel? Vejam lá se se entendem – protestou o miúdo.

Desta vez, as pessoas que estavam no restaurante olharam para eles com ar de desconfiados, mas Daniel estava tao alterado, que com todas as suas forças, deu um grito lancinante.

- Eu quero o meu Harry.

Bella ignorou o olhar reprovador das pessoas que se encontravam na mesa ao lado, onde se lhes podia ler no rosto: "Um filho meu nunca se comportaria desta maneira" e foi até Edward para tentar dar-lhe uma ajuda.

- Ele está demasiado perturbado. Com certeza que esse brinquedo era a sua bóia de salvação, quando estava longe de si, daí a estar tão agarrado a ele…

- Ofereci-lho no seu último aniversário e foi o único brinquedo que ele quis trazer para Portugal – explicou Edward, pensativo.

- O melhor é regressar ao motel para ir buscá-lo.

Chegados ao motel onde tinham passado a noite, Bella saltou do carro e dirigiu-se a ele. Quando se preparava para entrar, Irina soltou uma exclamação de alegria:

- Se soubesse que ia voltar, tinha dito ao seu cunhado para esperar.

- Ao meu… cunhado…

- Compreendo a sua surpresa. Já não deve ver a sua irmã há muito tempo… O senhor James contou-me tudo. Mas deixe-me dizer-lhe uma coisa: pouco importa de que lado está a razão, quando se trata de um caso de vida ou de morta. A família tem de juntar-se.

Bella nem ousava abrir a boca. Acabava de descobrir o destino trágico da sua "irmã". O pânico apoderou-se dela. James tinha encontrado o seu rasto.

- Há quanto tempo esteve aqui o meu… cunhado?

- Aproximadamente há duas horas. Deu-me o número do telemóvel dele, para o caso de ter mais informações.

Bella tomou nota, como pôde, do número do telemóvel na parte de trás da sua carta de condução. A sua cabeça estava feita num turbilhão. Até estava a esquecer-se do motivo que a tinha lêvedo ali.

- Por acaso não encontrou um boneco electrónico na casa de banho?

- Irina mostrou-se surpreendida com a pergunta.

- Sabe, é que o…meu…filho esqueceu-se dele, creio que na casa de banho.

Irina tinha o famoso Harry. A expressão de alegria de Bella deixou-a desconcertada. Então, ela tinha acabado de contar-lhe o drama da irmã e o que a punha cheia de alegria era aquele horrível boneco?

Bella, apercebendo-se da reacção de Irina, resolveu dizer algo que limpasse de forma definitiva a impressão que tinha causado na recepcionista.

- Vou imediatamente telefonar para casa. Muito obrigada, se não fosse você…

Disse estas palavras com o ar mais aflito que conseguiu fazer e precipitou-se para fora do motel. James podia ainda estar nas imediações.

Irina olhou para o balcão e viu a carta de condução que Bella se esquecera, pegou nela e correu para o telefone, a fim de ligar para James e contar-lhe tudo o que se tinha passado.

O senhor James pareceu ficar bastante contente com a sua chamada e perguntou-lhe:

- Sabe por acaso para onde ele se dirigia com a família?

- Não. Isso não sei dizer-lhe. Ela saiu tão depressa, que não deu tempo para falarmos de mais nada. Veja lá que até se esqueceu da carta de condução.

- A carta de condução?

James até sentiu o coração a bater mais forte. Afinal, ainda havia alguma esperança.

- Sim, a carta de condução – insistiu Irina.

Bem, não era grande coisa o que Irina lhe tinha acabado de contar, mas com isso ele já ia poder trabalhar. Daria umas voltas pela zona e algo havia de conseguir. Quando se falava de raptores de crianças, a maior parte das pessoas gosta sempre de ajudar.

Enquanto conduzia, Bella observava do canto do olho o semblante crispado de Edward. Até Daniel estava calado, sem dúvida por sentir-se culpado pelo que tinha acontecido. Na esperança de aliviar um pouco o ambiente, resolveu dirigir-lhe a palavra de forma leve e despreocupada.

- Não é assim tão grave. Ele não pode, de forma alguma, adivinhar para onde vamos.

- Você sabe muito bem os métodos que essa gente tem para conseguir o que quer. Basta-lhe ter uma pontinha e lá vão eles conseguir o que querem.

- Quanto tempo falta para chegarmos ao monte do "ermita simpático"? – perguntou Edward.

- É só uma hora. Tire do porta-luvas o mapa e verifique você mesmo.

- Não o encontro.

- Há um estudo bastante idóneo, que diz que a maioria dos homens é incapaz de encontrar o que procura, até dentro do frigorífico.

- Foi um estudo feito por uma mulher idónea ou por um homem idóneo? Bom, o que é certo é que não encontro nada lá dentro.

- Devo tê-lo esquecido em qualquer lado.

- Com efeito, isso deve ter a ver com as hormonas femininas. Já tinha reparado na tendência que as mulheres têm para se esquecerem dos mapas?

- Nunca nenhum estudo sobre esse assunto.

Edward aproveitou para sentar-se de forma mais confortável, enquanto a observava com os olhos semicerrados. Como é que ela conseguia fazer aquilo? Na companhia dela, o seu coração parecia mais leve e o futuro deixava de parecer-lhe tão negro.

- Uma vez que insiste em continuar a conduzir, vou aproveitar para dormir um pouco.

Encostando a cabeça no assento, Edward fechou os olhos, fingindo estar a dormir profundamente, com um sorriso muito terno nos lábios.

Continua…

Olá desculpem pela demora.

Espero que gostem deste capítulo.

Peço desculpa a todos os que estão a seguir a fic e que por não estarem registados no ff, não conseguirem deixar rewiens, penso que já corrigi esse erro.