Chegaram ao monte de Emmett, mas os empregados disseram-lhe que ele tinha ido à cidade e só voltava no dia seguinte. Bella achou por bem não ficar. Emmett não tinha telemóvel, portanto, como não podia contactá-lo, optou por procurar um outro sítio onde dormirem. Voltaram à estrada e pararam numa pensão.

- Um quarto para três, por favor!

Desta vez Bella nem hesitou, escolheu uma pensão que ficasse o mais longe possível da estrada. Quem iria pensar em procura-los ali, naquele sítio tão recôndito?

Edward, virando-se para o filho, exclamou:

- Vamos viver no campo!

- Vamos viver o quê? – perguntou Daniel.

- Vamos viver no campo.

Daniel franzia o nariz.

- A dura realidade de um pai! Quando Daniel nasceu, jurei a mim mesmo que nunca me deixaria transformar num pai fora de moda. Veja o resultado! Ele está adepenas com nove anos e nós já não falamos a mesma língua.

- Não vejo nada de triste nisso, acho até absolutamente normal. Cada nova geração tem os próprios sonhos. Tudo o que uma criança pede ao seu pai é amor.

A voz de Bella tinha deixado transparecer uma certa tristeza, mostrando que passara uma infância infeliz. Edward podia mesmo jurar que lhe tinha visto correr uma lágrima pelo rosto.

- Você conheceu o seu pai?

- Infelizmente sim.

Desta vez Bella não conseguiu conter-se e as lágrimas caíram-lhe pelo rosto. Com doçura, Edward passou-lhe o braço pelos ombros. Ele sabia que devia ficar calado e respeitar aquele momento, mas tinha de estar com ela contra os fantasmas do passado. Bella ficou furiosa consigo mesma. Nãos estava habituada a deixar transparecer os sentimentos e, muito menos, permitir que tomassem conhecimento do seu passado. Mas Edward possuía um dom especial para a fazer perder as defesas. Aborrecida, saiu de perto dele bruscamente, mais até do que seria seu desejo. Edward afastou-se. Ele já se tinha apercebido que Bella não tinha confiança nos homens em geral e, não se deixaria apaixonar por algum. Era pena. Bem que ele gostaria de poder convencê-la de que certos homens são dignos de confiança e de serem amados.

Daniel veio interromper os sonhos de ambos.

- O meu Harry ficou sem bateria.

Ao contrário do que Daniel esperava, o pai não se mostrou muito preocupado. Muito baixinho, Edward disse:

- Começo a ter uma certa aversão ao Harry Potter.

- A sua doença chama-se "Potterfobia aguda". Sei do que falo; começo a sentir os primeiros sintomas…

Acordado desde muito cedo, Edward encontrava-se absorto na contemplação do nascer do sol sobre as planícies. O vermelho ainda não passava de um rosa e lambia gulosamente as falésias, com uma doçura maravilhosa.

O seu olhar pousou na jovem que dormia na mesma cama. Um sorriso involuntário desenhou-se-lhe nos lábios. Aproximou-se e, aproveitando o facto de ela ainda estar a dormir, contemplou o seu adorável rosto. Bella tinha-lhe tocado bem lá no fundo desde o dia em que a conheceu. Com ela, tinha vontade de partir à aventura, para conhecer terras desconhecias. Com ela… A verdade e que ele queria que aquela odisseia não acabasse nunca, porque não tinha vontade nenhuma de deixá-la.

Daniel abriu um olho e fez logo questão de participar ao pai qual era a sua preocupação principal.

- Papá, achas que servem pequeno-almoço aqui?

- Lava-te e veste-te, para irmos investigar.

Da cozinha da pensão vinha um apetitoso cheiro a café fresco e torradas. Edward estava mais habituado aos pequenos-almoços franceses, com croissants e as compotas. Daniel, esse, não era esquisito.

- E se levássemos o pequeno-almoço à Bella?

"Boa ideia", pensou Edward, quando já se dirigiam para o quarto, Daniel disse:

- Faltam as flores.

- Mas também não vai ser problema.

Tiraram duas margaridas de uma jarra que estava na mesa da sala de jantar e colocaram-nas em cima do tabuleiro.

Ainda meio ensonada Bella sentiu que estava a desfazer-se em ternura perante tal iniciativa. Via-se nos seus rostos a alegria que sentiam ao premiá-la no seu despertar com aquele engenhoso pequeno-almoço. Sentiu vontade de abraçar aqueles dois e beijá-los.

A primeira paragem daquele dia tinha sido numa estação de serviço, que se encontrava ali perto. Bella entrou na pequena loja e, em cima do balcão, estava uma fotografia sua, ao lado de outra, onde se podia ver Edward e Daniel. Por baixo encontrava-se um papel que indicava que o nome da criança era Daniel Black e que os outros dois, Isabella Swan e Edward Cullen, eram os seus raptores. Bella tomou imediatamente o caminho das casas de banho e, uma vez lá dentro, fez a única coisa que lhe veio à cabeça: procurou no fundo da mala, um elástico, prendeu o cabelo com ele e pôs uns óculos escuros. Era o máximo que podia fazer. Comprou o chocolate e saiu depressa da loja. O coração parecia que lhe queria sair pela boca, tal era o nervosismo.

- Afinal, prefiro uns bombons.

-Já não há. Aliás, naquela loja não havia quase nada e o pouco que havia, tinha um aspecto horrível.

Bella entrou imediatamente no carro e, dirigindo-se a Edward, disse-lhe:

- Afixaram as nossas fotografias por todo o lado.

Edward estudou o mapa com atenção e disse:

- Temos todo o interesse em efectuar o maior número de desvios possível.

- Já viu que esses desvios representam muitas centenas de quilómetros? – observou Bella. – Podemos descer até ao Algarve, mas ele pode encontrar-nos sempre a partir do momento em que ficamos em qualquer estalagem ou hotel.

- Sobre isso, já tenho uma solução. Não podemos fazer outra coisa se não acampar!

- Acampar?

Bella detestava acampar. As poucas lembranças que existiam da sua infância tinham a ver com acampamentos das colónias de férias. Aqueles pequenos-almoços horríveis… Mas por nada deste mundo iria dizer fosse o que fosse a Edward.

- Daniel! – disse Edward. – Tenho uma boa noticia…

Depois de ter coberto a região de fotos de fugitivos, James estabeleceu o seu gabinete de operações num grande hotel de Évora. Instalou-se no terraço a beber um sumo de laranja com uma boa pitada de bourbon.

A primeira vez que o telefone tocou, o seu coração encheu-se de alegria. Mas, do outro lado, estava Jacob Black aos gritos, por ainda não ter visto resultados. James acalmou-o, dizendo-lhe que estavam por horas.

Seguira-se vários telefonemas, todos eles eram iguais. Puro gozo. O telefone voltou a tocar. Teve vontade de não responder, mas não podia dar-se a esse luxo. Atensdeu.

- Vi a mulher que você procura. Acabou agora de fazer um pagamento em dinheiro na minha caixa. Levou quase tudo o que havia no supermercado. Estava de óculos escuros e com um lenço na cabeça…

James suspirou, lá estava mais uma que dava tudo para brincar aos detectives para passar o tempo.

- Reparei que tinha um sinal no queixo…

Completamente consternado, o detective olhou para o retrato e lá estava o sinal no queixo. Nunca tinha reparado nele. E quando a mulher lhe disse:

- Quando ela saiu, fui ver para onde é que levava todo aquele monte de compras e vi que o metia num 4X4 azul.

Depois de ouvir isto, James percebeu que, afinal, aquela mulher não era nenhuma detective de trazer por casa, que lhe telefonara apenas para se entreter.

-Pode dar-me a morada?

A mulher disse-lhe o nome e a morada do local. Não era assim tão longe do sítio onde ele se encontrava. Tomou nota também do número e desligou o telefone, deixando a senhora a falar sozinha.

Com a pronúncia afrancesada, Edward, daria muito nas vistas, Bella resolveu que quem trataria das compras seria ela.

- Não te afastes de perto de nós – dizia Edward, num tom áspero e autoritário.

- Sim papá.

Daniel viu um pouco mais à frente algo que lhe interessava muito mais do que o arrumar das compras no carro e ainda pensou pedir autorização ao pai para deixá-lo ir ver, mas pensou melhor e resolveu ficar calado.

James percorreu a zona ao volante do seu carro alugado. Depois de ter passado por alguns 4X4 azuis, viu aquele que procurava junto a uma loja de campismo.

Antes de sair do carro, pôs uns óculos escuros e um boné de baseball na cabeça. Quando saiu do carro, sentia o coração bater muito forte. Estava cada vez mais perto do seu objectivo… Entrou e resolveu meter-se pelo corredor das raquetas de ténis, bicicletas, etc… Foi aí que encontrou Daniel, olhando maravilhado, para uma bicicleta.

- Estás à procura de alguma coisa?

Daniel nem sequer lhe prestou atenção, tão absorto que estava a pensar que, para o seu aniversário ou para o Natal, bem que podia pedir ao pai uma bicicleta assim.

- Essas não são todo-o-terreno – insistiu James. – As verdadeiras todo-o-terreno estão mais lá à frente. Eu vi umas, perto da saída, que são fantásticas. Queres vir ver comigo?

Daniel já corria atrás de James. O detective rejubilava. Dentro de alguns segundos estariam lá fora e aí tudo iria decorrer tal como ele tinha previsto. Um pouco mais à frente, Bella punha no carrinho o último colchão que escolhera.

- Pronto, agora já temos tudo – disse Edward. – Felizmente que Daniel nos deixou um pouco em paz. Vamos oferecer-lhe um enorme gelado… É verdade, onde é que ele se meteu?

Um arrepio percorreu-lhe o corpo. Não era nada normal que o seu filho não o tivesse avisado para onde ia. Era uma coisa que fazia sempre.

- Daniel!

O pânico estampado no seu rosto e Bella, ao olhar para ele, ficou exactamente no mesmo estado.

- O meu filho desapareceu! Tem nove anos, é louro, tem sardas e veste uma T-shirt verde.

Trinta segundos mais tarde, os altifalantes começaram a anunciar:

- Atenção a todos os empregados: criança desaparecida. Sexo masculino, nove anos, louro e sardento…

Edward e Bella estavam impressionados com a eficiência. Todos os clientes se imobilizaram e, em cada corredor, podia ver-se um homem a fechar a saída.

- Normalmente, não levamos mais de quatro minutos a encontrar as crianças que se perdem na loja.

James e Daniel foram rapidamente localizados. Mal ouviu o anúncio, James agarrou no miúdo para levá-lo para a saída. Daniel olhou para ele e reconheceu o homem que tinha tentado matar o pai. Assim que percebeu o que se estava a passar, começou a gritar a plenos pulmões.

- É o monstro!

Imediatamente, algumas pessoas foram ter com eles; Bella e Edward em primeiro lugar.

- Socorro! – gritava Daniel a plenos pulmões. Vendo que não podia fazer mais nada e que ainda podia arranjar sarilhos que o privassem de continuar aquilo a que se tinha proposto, o detective resolveu largar a criança e fugir para a porta da saída. Os seguranças e Edward foram atrás dele, mas, quando lá chegaram, já ele estava no carro e em fuga. Um segurança, voltando-se para Edward, perguntou-lhe:

- Quer que chame a Policia?

- Não, obrigado, não é necessário traumatizar ainda mais o meu filho.

"Bem que gostaria de poder fazer queixa à Policia, mas isso podia trazer-lhe ainda mais problemas", pensou Edward, enquanto abraçava o filho.

Olá

Mais um capítulo que está pronto, espero que gostem.

Aqui a Bella e o Edward quase que eram apanhados e o Daniel quase que era levado para o Jacob.

Deixem rewiens, até ao próximo capítulo.

Beijinhos.