- Vinte e quatro horas, não lhe dou mais um minuto!

Jacob não brincava e James estava bem consciente disso. Naquele momento, a situação era crítica. A audiência estava prevista para a segunda-feira seguinte e Daniel não podia estar em solo português.

James desdobrou o mapa e estudou, centímetro a centímetro, toda a zona. O seu "faro" dizia-lhe que eles só podiam estar a descer para o Algarve e, a avaliar pelo local onde os tinha encontrado, só podiam pensar em campismo.

Só tinha uma coisa a afazer: encher o porta-bagagens de garrafas de bourbon.

A paisagem que se estendia por toda a orla da estrada era rochosa e as únicas sombras que existiam eram as das árvores. Edward sorria.

- O que se passa, papá?

- Nada. Sinto-me feliz, mais nada.

Por curtos segundos, Edward esquecera os problemas que tinha para resolver. Olhou para Bella. Era graças a ela. Só o facto de ela se encontra ali sentada a seu lado, despertava nele sentimentos que pensava que nunca mais teria. Claro que já tinham passado algumas mulheres pela sua vida, mas ele sabia, desde logo, que as coisa que começavam não passariam de breves passagens. Com Bella era totalmente diferente.

Sentia que a vida tinha feito as pazes com ele.

- Mas o que é que tens? – perguntou Bella.

- Já disse. Simplesmente sinto-me muito feliz.

Bella riu.

- São os problemas que te põe assim tão feliz?

- Não, és tu.

Bella desviou o olhar. Toda a vida tinha prometido a si mesma que nunca iria ter confiança num homem. Mas agora já era tarde. O amor chegou de surpresa, sem pedir autorização e não tinha vontade de lutar contra ele.

Edward estendeu a mão e fez-lhe uma festa no rosto. A ternura daquele gesto fez com que as lágrimas aflorassem aos olhos de Bella. Ela sabia que ele era ainda mais selvagem do que ela e, por isso, nunca esconderia os seus sentimentos.

Edward sentiu as reticências da jovem. No entanto, o ardor que tinha posto nos beijos que lhe dera na véspera não podia ser, nem era, fingida. Mas, às vezes, Bella parecia-lhe estar longe… Será que há alguém na sua vida? Esse Mike, por exemplo? Edward decidiu naquele momento que, à noite, arranjaria maneira de falar-lhe do assunto.

- Em que lugar vamos passar a noite?

Como Bella conhecia a região por já ter lá passado alguns dias, a escolha do itinerário era dela.

- Temos uma pensão agradável mais à frente.

- Um pouco mais à frente? Mas não estou a ver por aqui rasto de vila ou cidade.

- Porque não há! É uma pensão no meio do nada. Aliás, o que será perfeito para nós.

Era uma pequena pensão feita em frente a uma falésia. Não se vislumbrava sinal de vida; apenas se via uma pequena e velha camioneta vermelha estacionada. Quase que se podia julgar que estava abandonada.

- Ó da casa – gritou Bella, batendo palmas.

Apareceu uma velha senhora. Tinha cabelos brancos, que contrastavam com a sua pele dourada.

- Gostaríamos de passar a noite aqui – disse Bella.

- Estão cheios de sorte. Como estamos na época baixa, podem escolher o quarto que quiserem.

A senhora falava sem sequer olhar para Bella.

- Estão com fome?

Bella e Edward olharam para Daniel e riram-se.

- Sim – disse Bella – Da… Miguel está cheio de fome.

Quando já se encontravam sentados na penumbra refrescante da sala de jantar, Alice colocou na frente dos visitantes um prato de terracota, de onde saía um odor deveras apetitoso.

- Huum! Tem um ar delicioso…

- Edward atacou um dos pratos, seguido por Daniel.

- O que vais comer? – perguntou a criança.

- Não te preocupes comigo.

O prato estava a extravasar. Ensopado de cabrito. O cheiro era irresistível. Edward nunca provara.

- Não achas que estás a exagerar?

- De maneira nenhuma, estou cheio de fome e isto tem um cheiro óptimo!

Bella observava-o, enquanto Edward comia com grande sofreguidão. Nunca pensou que ele se adaptasse tão bem às tradições portuguesas.

A porta da sala abriu-se e um velhote entrou. Daniel estava de boca aberta. O velhote sorriu-lhe e, seguidamente, falou com Alice.

- Eles estão a dizer o quê? – perguntou Daniel.

- Não consigo perceber – respondeu Bella.

O velhote tirou do armário um tabuleiro de madeira cor-de-rosa. Em cima dele, encontravam-se dezenas de pedras de todas as cores possíveis e imaginárias encastradas em prata. Podiam ver-se também as ferramentas que ele utilizava para fazê-las… O velhote pegou nas ferramentas e, subitamente, pedras e metal começaram a ganhar a forma de uma pulseira lindíssima.

- Adoro turquesas – murmurou Bella, fascinada com a jóia que saía das mãos daquele talentoso velhote.

- O meu marido, Jasper, é um mágico a trabalhar as pedras – disse Alice com orgulho. – Há muitos turistas que lhe compram os seus trabalhos; as lojas fazem-lhe muitas encomendas.

- O meu pai transmitiu-me o seu saber – explicou Jasper. – Antigamente, as turquesas faziam parte dos bens mais preciosos e representava dinheiro para fazer trocas.

À medida que o ia ouvindo, Bella brincava com aquelas pedras em bruto.

- Tenha cuidado – brincou Jasper. Sabia que as turquesas revelam a fidelidade da pessoa que as usa…

- Já conhecia essa lenda – respondeu Bella.

- Não é lenda nenhuma. Diga lá, qual é a que prefere?

O velhote abriu uma caixa cheia de anéis, medalhões, brincos…

Bella pegou imediatamente num anel oval.

Alice virou-se para o marido e disse algumas palavras num dialecto que Bella não entendeu.

- A minha mulher está a dizer para eu lhe oferecer esse anel, o que vou fazer com muito gosto.

Pegou no anel e pô-lo na mão de Bella.

- Mas não posso aceitar!

- Alice tem o poder de ver através dos seus olhos; ver quem você realmente é. Se ela me está a dizer para lho dar, é porque tem as suas razões…

- Acha que você está a precisar de um anel de noivado.

Bella corou. Ela sabia que, se continuasse a negar, eles iriam sentir-se ofendidos. Por isso, resolveu aceitar.

- Foi uma prenda maravilhosa. Muito obrigada.

Quando a refeição acabou, a velhota aproximou-se dela e pegou-lhe na mão. Apesar de intrigada, Bella deixou-a fazer.

- Olhe para aqui – disse Alice – As turquesas brilham; esta mulher é uma verdadeira pedra preciosa, límpida como o cristal.

- É da luz – murmurou Bella, envergonhada.

Olhou para Edward e o seu olhar sorria também, mas sem vergonha, parecia muito divertido. Quanto a Daniel, cansado como estava, acabou por adormecer com a cabeça em cima da mesa e com o nariz dentro do prato vazio.

- Penso que está na hora de irmos dormir – disse o francês. – Temos um longo caminho a fazer amanhã.

Alice entregou-lhe duas chaves.

- Como estamos na estação baixa, não vou cobrar-lhes nada pelo outro quarto.

Ainda há dois dias, Bella teria rejubilado com uma oferta destas. Mas hoje, só de pensar em encontrar-se sozinha num quarto, deixava-a muito triste.

- O quarto suplementar é para a criança – explicou Alice. – Os dois quartos comunicam entre si. Assim, poderão estar sempre perto da criança e saber de imediato se algo de estranho se passa com ele.

A velhota mergulhou os seus olhos nos de Bella. Talvez ela tivesse mesmo esse tal dom. vá-se lá saber!

- Não se esqueça de amanhã, quando acordar, olhar para o seu anel. Irá trazer-lhe muita felicidade.

Quando Edward entrou no quarto deles, depois de ter ido deitar o filho, Bella esperava-o sentada na beira da cama, sem perceber exactamente o que queria que acontecesse. Edward aproximou-se dela com o máximo de cuidado e doçura possível, como se ela fosse uma criança. A única coisa que não queria que acontecesse era que ela fugisse dali.

- Bella?...

- Sim?

Ela virou-se para ele e, como os seus rostos estavam muito perto um do outro, os seus lábios tocaram-se. Primeiro levemente e depois juntaram-se de tal forma, que parecia que não queriam mais separar-se. Edward passava os seus dedos ávidos sobre a blusa de Bella, descobrindo-lhe o corpo, acariciando-lhe a pele acetinada com os dedos e os lábios. A sua sede por Bella era enorme. Rolaram abraçados na cama sobre a colcha de lã. Tocavam-se mutuamente, de forma tão apaixonada, que parecia ser a primeira vez que sentiam esta emoção nas suas vidas. Eram como dois adolescentes na primeira vez. Bella já não lutava contra os próprios desejos, há tanto tempo contidos. A boca de Edward passeava-se sobre a pele do seu ventre, o que fez com que um gemido se soltasse da sua boca. Dobrando-se para ir ao seu encontro, gemeu de desejo. Desejava que fossem apenas um.

Como todas as manhãs ao nascer do sol, Jasper agradecia mais um dia que chegava. Ao seu lado, Alice seguia com o seu olhar o carro dos seus hóspedes a afastar-se em direcção ao Sul. Quando o jovem casal desceu do quarto, de manhã, dos seus semblantes brotava felicidade. Aqueles dois amavam-se – isso era coisa que estava à vista de quem quer que fosse. Alice suspirou. Sempre tinha gostado de histórias de amor que acabavam bem. No entanto, ela também sabia que algo de muito perigoso pairava sobre as suas cabeças.

Sentado à sombra do terraço, Jasper encontrava-se mergulhado numa longa meditação, quando um Volvo irrompeu pelo pátio dentro. O condutor fez guinchar os pneus na gravilha, o que tinha o dom de deixá-lo completamente fora de si.

Alertada pelo barulho do carro, Alice saiu para ir juntar-se ao marido.

- Deseja alguma coisa? – perguntou com voz amável.

- Não. Ando à procura de um casal que se faz acompanhar de uma criança.

Levantou o cartaz bem na frente deles, para que pudessem observar bem.

- São pessoas muito perigosas – explicou, sem se aperceber que estava a falar muito perto das suas caras, deixando que o hálito, que tresandava a álcool, lhes entrasse dentro das narinas, como se fosse um tufão. Eles roubaram o filho de um multimilionário…

Sem pronunciar uma palavra, Alice e Jasper olharam um para o outro, antes de fixarem o olhar do detective. Com uma expressão no rosto como se fossem duas crianças que cantavam no coro da igreja, responderam:

- Não, não vimos ninguém por aqui há uns dias.

James voltou para o carro e, com o maior desrespeito, arrancou da mesma forma como tinha chegado.

- O que é que tu achas? – perguntou Jasper.

- Acho que se trata de pura maldade e que aqueles que ele procura são extremamente simpáticos e boas pessoas.

Jasper aprovou com a cabeça. Entrou na pensão, pegou no telefone, discou um número e quando, do outro lado, ouviu a voz de Garrett, um dos membros da Policia local, Jasper não mencionou grandes detalhes inúteis.

- Um branco, sim, cheira a álcool que tresanda e as garrafas estão no porta-bagagens, posso assegurar… Tomei nota da matrícula.

Continua…

Olá a todos.

Aqui está mais um capítulo, espero que gostem.

Queria dedicar este capítulo a todos aqueles que estão a seguir esta fic e a deixar os seus comentários. O meu muito obrigada.

Até breve para mais um capítulo.