As pessoas que se encontravam junto ao tribunal pareciam indiferentes ao magnifico dia que se anunciava.

Mas Edward sentia-se cinzento.

No monte de Emmett, o tempo pareceu ter parado.

James tinha sido mandado embora para bem longe dali, embora a sua pressa não fosse muita. Daniel e Emmett passaram uns dias a explorar a região no meio da Natureza que os rodeava, ao passo que Edward e Bella aproveitavam o facto de estarem sozinhos para pôr o amor em dia.

Mas, assim que regressaram a Lisboa, Edward afastou-se dela com tristeza. E agora ia ter lugar a tão esperada audiência que o trazia extremamente angustiado.

Para proteger Daniel, ele recusou-se a deixá-lo à guarda da secretária de Bella. Agora, a única coisa que podia fazer, era deixar o caminho livre à justiça.

O seu apoio era a advogada. Ela acabara de tirar a roupa que tinha vestida para envergar a que devia usar em tribunal. Como era possível que, mesmo com aquelas vestes, continuasse a parecer tão sexy?

- É a nossa vez.

Estava segura de si própria… Por pouco, Edward quase ficava zangado com ela, ao vê.la com aquele ar, quando ia ali jogar-se o seu futuro e o do seu filho.

- Descontrai-te, meu amor…

Bella sorriu-lhe e o coração de Edward inchava de ternura. Com ela, sentia confiança. Eles iam ganhar.

Agora que Daniel já tinha feito as análises, Bella tinha-lhe assegurado, pela centésima vez, que não se preocupasse. Com um bom advogado…

"E tenho um bom advogado", pensou. A partir do momento em que se encontrava no seu ambiente, a jovem tinha o aspecto de um advogado implacável.

- Tem confiança em mim.

Tinha confiança nela. Para recuperar a guarda do seu filho e para enchê-lo de amor… enfim, confiava nela de olhos fechados.

Jacob Black tinha acabado de fazer a sua entrada em tribunal. Os dois "pais" assassinavam-se com os olhos, mas não trocaram nem uma palavra.

Uma outra personagem chamou a atenção de Edward.

- Quem é aquele homem que não tira os olhos de ti?

Bella seguiu com os olhos a pessoa de quem Edward também não tirava o olhar. Era Carlisle em pessoa!

Na véspera, quando ela lhe tinha pedido para falar com ele, Carlisle recebera-a com um sorriso nos lábios.

- Então, a tua pneumonia está melhor? – perguntou-lhe, com um interesse exagerado.

Depois, fez de conta que estava muito interessado na leitura de um dossier que tinha na frente, enquanto ela tentava explicar-lhe, da forma mais abreviada possível, a sua aventura.

Quando Bella acabou, ele levantou os olhos para ela e disse:

- Agora sou eu que resumo – disse-lhe num tom glacial – tu aceitaste um cliente, sabendo que eu o teria recusado e fingiste-te de doente, transformando-te na cúmplice do rapto de um menor…

Colocando a questão daquela forma, parecia legitimo… Bella achou preferível não prosseguir com os seus argumentos. Carlisle mostrou-lhe a porta e a advogada saiu, passando mentalmente em revista todos os escritórios de advogados que poderiam aceitar aquele caso.

E agora tinha de suportar Carlisle a assistir ao julgamento! Arrepios nervosos percorriam o corpo dela.

O juiz, um homem baixo, roliço e com uma expressão pouco simpática, entrou na sala de audiências. O julgamento ia começar.

Bella inspirou profundamente e virou-se na direcção de Edward.

A mensagem que acabavam de trocar com os olhares não enganava; não estavam arrependidos de nada.

- Black versus Cullen – anunciou o juiz.

Bella avançou. Chamou para depor um especialista para comentar as análises de ADN.

- Edward Cullen é o pai biológico de Daniel Cullen Black – assegurou o especialista. – Não há qualquer dúvida possível.

Contudo, ao voltar para a sua cadeira, Bella não se sentia totalmente segura daquela verdade. Rodeado do seu séquito de advogados, Jacob Black arvorava um sorriso cínico, que a inquietava.

Um dos advogados do milionário tomou a palavra:

- Lembro-lhe, senhor juiz, que a mãe da criança ficou grávida, estando ainda casada com o dr. Jacob Black e que a criança nasceu exactamente oito meses depois de ela deixar o marido. O meu cliente tinha todos os motivos para acreditar que Daniel era seu filho. Foi por isso que, assim que teve a oportunidade, decidiu ficar com a criança, assegurando-lhe, dessa forma, uma estabilidade material que, em principio, o seu pai nunca poderia dar-lhe. Lembro-lhe também que, com uma mãe depressiva crónica e um pai aventureiro, que vivia sem um tostão a criança teve até aqui um existência completamente conturbada…

Por duas vezes seguidas, Bella teve de impedir Edward de interromper o advogado.

- Mantém-te calmo.

Com os lábios crispados, o francês bufava. Ofenderem a memória de Tânia e, ainda por cima, porem em dúvida as suas qualidades de pai, deixavam-no furioso. Bella apertou-lhe o braço com todas as forças.

- Não vês que ele está a fazer tudo para enfurecer-te! Não jogues o jogo dele.

- Um individuo completamente instável – continuava o advogado – cuja única solução que encontrou foi raptar o filho. A restituição desta criança a Edward Cullen, mesmo sendo ele o seu pai biológico, constituiria mais um trauma para Daniel, fazendo-o correr o risco de vir a sofrer de problemas de ordem psicológica. No interesse da criança, esta deverá ser educada no seio da família materna. Chamo, portanto, o sr. Jacob Black para depor.

Quando ele avançou, Bella admirou o seu talento de comediante. Arvorava simultaneamente um ar grave, um olhar profundo e um sorriso melancólico, especialmente estudado para comover o juiz. A sua voz soava profunda, as palavras eram estudadas, vibrando com um ligeiro tremor, de forma a convencer o juiz nos momentos mais estratégicos.

- Como eu amava Tânia… julguei que nunca mais conseguiria refazer-me da sua partida. Quando soube da existência daquele que julguei ser nosso filho, senti-me reviver. Que ele seja meu filho biológico ou não, isso não me interessa. É o filho daquela mulher que nunca quis divorciar-se, mesmo quando caiu nas malhas de sedução desse francês. Posso oferecer a Daniel um futuro brilhante e tenho a certeza de que isso seria o que a mãe dele teria desejado.

A emoção contagiara a sala e até mesmo o juiz parecia estar convencido.

Bella dirigiu-se com determinação para o lugar onde se encontrava Jacob e Edward respirou com optimismo. A amada iria contra-atacar, interroga-lo acerca de James e provar que a sua forma de agir tinha sido desonesta. Será que chamaria a ama de Daniel a depor? Desta forma, iria certamente deitar por terra os argumentos de Jacob…

No entanto, Bella deixou-o siderado.

- Sr. Black – perguntou a advogada, de forma amável – conhece a "pedra do feiticeiro"?

- A quê?

- A "pedra do feiticeiro" – repetiu Bella, soletrando sílaba a sílaba, como se estivesse a falar com uma pessoa ignorante. – Conhece… Harry Potter?

- Harry quê?

- Dra. Isabella, acha que este é o momento ideal para brincar às adivinhas?

Bella olhou na direcção do juiz e percebeu que até ele conhecia Harry Potter. "Talvez até já tivesse sido vítima de uma 'Potterfobia aguda'," pensou, sendo solidária, devido ao que este brinquedo a tinha feito passar.

- Então o senhor não conhece nem a "pedra do feiticeiro" nem Harry Potter? E, continuando, posso declarar que é impossível que tenha tido uma relação intíma com Daniel, já que o seu pretenso filho nunca se separa do seu Harry Potter electrónico. Recebeu-o de aniversário no dia…

Bella fingiu que folheava as suas notas.

- … Então, diga-me, senhor Black, o aniversário de Daniel foi no dia 10 do mês passado, não é verdade?

- No dia 10… Ah, sim, claro!

- Não, senhor Black. Foi no dia 10 de Dezembro.

Jacob começou a agitar-se na cadeira.

- Dou sempre uma festa no seu aniversário, mas não me lembro da data exacta.

- E quendo dá a festa, presumo que lhe mande fazer o seu prato preferido… Qual é o prato preferido de Daniel?

Jacob olhou, perdido, para um dos seus advogados.

- Chocolate – afirmou com grande convicção.

- Não está correcto. O prato preferido de Daniel são hambúrgueres e não chocolate. E ainda bem! Porque, com certeza, o senhor está ao corrente das cáries que o chocolate lhe tem provocado, o que o tem obrigado a ir com frequência ao dentista!

- Mas é claro – respondeu Jacob num tom seguro. – Aliás, tenho falado regularmente com o dentista de Daniel.

- Então, quer dizer que o senhor fala sozinho? – afirmou Bella, triunfante. – O problema é que esse dentista nunca existiu.

A advogada sorriu, dirigindo-se para o juiz.

- Daniel tem sorte de ter uns excelentes dentes e de ter necessitado de ir a um dentista, desde que chegou a Portugal.

Jacob sentiu-se o alvo dos olhares das pessoas presentes. Tinha-se esquecido completamente da personagem que deveria desempenhar. Subitamente, todas as pessoas que se encontravam na sala tiveram a sensação de que se encontravam perante um desconhecido, que nada se assemelhava ao pai carinhoso que demonstrava ser durante toda a audiência.

- Tânia fez esta criança propositadamente para me contrariar – disse Jacob, entre – dentes. Aquela mulherzinha expôs-me ao ridículo, trocando-me por aquele zé-ninguém. E fez um filho para privar-me da herança a que tinha direito.

Uma senhora idosa levantou-se.

- Proíbo-te de falar assim da minha filha! – Era uma senhora magra, com uma expressão determinada, cujos cabelos brancos lhe davam um ar de respeiro.

- É a mãe de Tânia – observou Edward.

Bella levantou-se em direcção à mesa do juiz.

A avó de Daniel levantou-se e tomou a palavra, com voz firme:

- O meu marido e eu criámos Tânia dentro de uma "gaiola dourada", impedindo-a de viver como uma jovem da sua idade, com o objectivo de protege-la dos caçadores de dotes. Pensávamos estar a agir pelo seu bem e, afinal de contas, acabámos por contribuir para a sua infelicidade. Mas nada pode devolver-me a minha filha; no entanto, não quero cometer o mesmo erro com o meu neto…

A emoção tomou conta da sua voz e foram necessários alguns instantes para continuar:

- Quando Jacob me jurou que era pai de Daniel, suponho que tive vontade de acreditar nele e, por isso, quis ficar com a criança perto de mim…

A idosa olhou nos olhos de Jacob:

- Disseste-me que querias ficar com Daniel, porque ele era tudo o que te restava de Tânia, mas a única coisa que te interessava era a herança. Prefiro que me privem do meu neto a saber que ele é infeliz.

- O meu cliente nunca teve intenção de afastá-lo do seu neto, minha senhora – interveio Bella – bem pelo contrário: o que ele pretende é conservar os laços familiares. Foi, aliás, o que ele perdeu…

A mãe de Tânia chorava como uma criança e nem conseguia responder.

- Velha louca – disse Jacob. – Deitaste tudo a perder!

O milionário acabava de perder a calma e a sua voz atingiu um tal tom, que o juiz teve de chamá-lo à atenção:

- Senhor Black! – advertiu o juiz.

Os polícias que estavam presentes avançaram na sua direcção:

- Siga-nos!

- Ninguém me dá ordens.

Ainda não tinha acabado de falar e já os polícias o agarravam e o levavam para fora da sala.

Impassível o juiz continuou:

- Darei a conhecer a minha decisão dentro de algum tempo.

Convencido do poder do pai, Daniel não estava nada preocupado com o resultado do julgamento. Atarefado a comer o seu gelado, a única coisa que lhe interessava era outro problema.

- Vais casar-te com a Bella, papá?

- Achas que ela quer?

- E porque não havia de querer? – disse Daniel, muito admirado.

A chegada da principal interessada veio interromper a conversa de pai e filho.

Ansioso, Edward estudou o rosto de Bella, tentando descobrir qual tinha sido a decisão do juiz.

Bella pousou um dossier diante dele.

- Senhor Edward Cullen foi reconhecido como pai biológico de Daniel Cullen Black e foi declarado seu tutor legal.

Edward apertou a advogada nos braços e começou a dançar uma valsa improvisada sob os olhos de todas as pessoas que se encontravam naquele lugar.

- Soube que íamos ganhar.

- Mentiroso…

Uma ligeira tosse veio lembrá-los de que não estavam ali sozinhos. Afastaram-se um do outro e levantaram os olhos. Carlisle estava parado a olhá-los.

- Isabella – disse sem sorrir. – Uma vez que já te encontras curada da pneumonia, estou à tua espera no escritório amanhã.

A advogada nem queria acreditar no que estava a ouvir. Então não tinha sido despedida!

- Espero apenas que sejas capaz de entregar-te a fundo, mesmo quando estiveres menos motivada – disse Carlisle, deitando um olhar malicioso a Edward.

Uma vez mais, uma chamada de atenção e depois um elogio. Isto era absolutamente típico em Carlisle. Mas hoje a Bella nada podia roubar-lhe a alegria que sentia, porque tinha a certeza que o mundo lhe pertencia.

Quando Carlisle se foi embora, Edward pegou-lhe no queixo e obrigou-a a olhar para ele. O momento que tanto esperara tinha, finalmete chegado.

- Bella…

A jovem sentiu um frio percorrer-lhe as costas. A hora de se dizer adeus chegara, disso não tinha a menor dúvida. Aquele dia magnifico estava a acabar de forma sombria e ela sabia que nunca mais ia voltar a viver outra situação como aquela.

As lágrimas jorravam-lhe dos olhos sem que ela conseguisse impedir e sentou-se, porque, as pernas já não tinham forças para aguentá-la de pé.

- Então, o que é que pensas? – perguntou Edward.

O que ela pensava sobre o quê? Bella levantou os olhos e viu um sorriso maravilhoso que lhe era dirigido pela pessoa que tanto amava. Sorriso que começava a desvanecer-se perante o seu silêncio.

- Então, o que achas?

- Do quê?

- Do meu projecto de abrir uma agência de turismo para turistas franceses, campos para adolescentes, etc. Podia estabelecer-me aqui e passar algum tempo no campo. Não podemos esquecer que este também é o país de Daniel e, uma vez que Emmett estará sempre pronto a receber-me, quando começara a sentir alergia à cidade… O único problema é que, para isso, era preciso que aceitasses casar comigo…

Não conseguiu continuar a falar. Bella acabava de abraçá-lo e de encostar os seus lábios aos dele. Lábios que diziam: sim, sim, mil vezes sim.

Daniel tinha acabado de comer o seu gelado, antes de verificar em que ponto estava a situação.

Acabavam sempre aos beijos. E, uma vez mais, tinha sido como no cinema. Felizmente, ia poder assistir a muitos mais.

FIM

Olá a todos

Aqui está o último capítulo.

Quero dedica-lo a todos que acompanharam a fic deixaram os seus comentários, pois foi muito importante para mim.

Estou a pensar numa nova fic. Acham que me devo aventurar e publicar ou nem por isso?

Mais uma vez agradeço a todos que seguiram a Grande Fuga.

Beijinhos