Edward inclinou a cabeça ainda mais, com os olhos semicerrados, e acariciou-lhe os lábios com a suavidade de um sussurro.

- Bella…

Beijou-a de novo, com tanta delicadeza que Bella pensou estar a sonhar. Acariciou-lhe as faces, o pescoço e o lóbulo da orelha…

Então, ergueu a cabeça e apoiou-a contra o sofá. Continuava com os olhos fechados. Bella podia sentir os seus corações a bater em uníssono.

Permaneceu ali sentada durante um instante. Desejava recuperar a proximidade que tinham perdido. Valeria a pena lutar pelo seu casamento? Não sabia, mas queria uma resposta e só tinha uma maneira de a conseguir.

Levantou-se e olhou-o. Edward estava sentado no chão, com uma perna dobrada e a outra esticada, e a cabeça para trás, observando-a. Bella estendeu-lhe a mão.

- Vamos para a cama – proferiu com suavidade e ele fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, brilhavam com uma chama verde que lhe cortava a respiração.

Edward agarrou-lhe a mão e levantou-se, depois beijou-lha.

- Vai andando. Eu vou já. Vou deixa sair os cães e pôr lenha na lareira. Não demoro nada.

Soltou-a e Bella afastou-se com o coração desbocado. De caminho, entrou na casa de banho. Lavou os dentes e tirou a maquilhagem.

Depois, dirigiu-se ao piso de cima e percebeu que estava bastante nervosa. Tinha-se deitado com o seu marido inúmeras vezes, porque é que aquela noite era diferente?

«Porque sim», concluiu.

Fechou a porta do quarto e apoiou-se na mesma. Deveria despir-se? Meter-se na cama? Sentar-se na mesma? Ou na cadeira?

Rodeou a cintura com os braços e estremeceu. O quarto continuava gelado e ela não estava disposta a fazer nenhuma cena.

Estava tão nervosa como uma noiva virgem! Olhou em redor. Estava tudo muito arrumado.

Devia deixar as luzes acesas? E despir-se? E perfumar-se?

«Oh, Edward, ajuda-me. ou isto não passa de um hábito?», interrogou-se.

Sentiu a porta a abrir-se. Afastou-se e deixou-o entrar.

Observou-o e apercebeu-se de que estava tão nervoso como ela. Sorriu-lhe e fechou a porta.

- Esperei por ti. Está muito frio.

Edward esboçou um sorriso e assentiu. Parecia que estava à espera que Bella desse o primeiro passo, mas ela sentia-se tímida. Que disparate, ser tímida com o seu próprio marido!

- Hoje, há lua cheia – proferiu Edward, apagando a luz. – Olha para ali. É lindo – os raios da lua inundavam o quarto e, ao fim de um momento, Bella já conseguia ver com clareza. Contemplou a paisagem cheia de neve e arrepiou-se. Era gélido e misterioso, um pouco sinistro, e ficou feliz por não estar sozinha.

Virou-se para olhar para Edward e acariciou-lhe o queixo.

- Desculpa, devia ter-me barbeado.

- Eu gosto assim.

- Mas posso magoar-te.

- É apenas a tua barba. Tenho a certeza de que sobreviverei – aproximou-se um pouco mais, colocou-se em bicos de pés e beijou-o. – Está tudo em ordem lá em baixo? – perguntou, e ele assentiu.

- Tudo em ordem. Sou todo teu.

Bella sorriu.

- Estupendo – disse, para voltar a beijá-lo. – Faz amor comigo, Edward – sussurrou.

Beijaram-se.

Depois, Edward deslizou as mãos pelos ombros dela, acariciou-lhe os braços e os seios. Introduziu os dedos polegares sob a camisola e acariciou-lhe a pele. Brincou com os seus mamilos e fê-la desejá-lo ainda mais.

Gemeu e ergueu a cabeça, recuou um passo e despiu-se. Depois, despiu-a a ela, sentou-a na berma da cama e ajoelhou-se à sua frente.

Edward gemeu de ansiedade e acariciou-lhe a perna até os seus dedos chegarem junto da tanga que ocultava toda a sua feminilidade.

Ela gemeu e ele sorriu.

- Oh, sim! – exclamou ele, e Bella sentiu uma onda de calor percorrer-lhe o corpo. Ergueu-se e atraiu-a até si, de forma que ela pôde sentir o roçar do peito masculino contra a pele. Era tão excitante…

- Ed…

- Tem calma, Bella… Não temos pressa.

Levantou-a e, depois de retirar o edredão, deixou-a sobre o lençol gelado. Deitou-se a seu lado e beijou-a. Bella acariciou-lhe o queixo. Era algo sensual e tremendamente erótico.

Edward começou a beijar-lhe o pescoço, os braços, e, por fim, os mamilos. Ela arqueou o corpo e olhou-o nos olhos.

- Amo-te – murmurou ele, e Bella sentiu vontade de chorar.

- Ed… por favor – suplicou, e ele despiu-lhe o resto da roupa interior e colocou-se sobre ela.

- Amo-te – repetiu e, então, os seus corpos fundiram-se num só, como nos bons velhos tempos.

Bella esquecera o que era fazer amor com o seu marido. Edward dormia, coma cabeça apoiada sobre o peito dela, e ela acariciava-lhe o cabelo, enquanto pensava nos últimos anos. Tinham tentado conceber um filho inúmeras vezes, era só nisso que pensavam. Contudo, dessa vez não pensaram em nada, nem no fracasso, nem se era ou não o momento adequado, ou se era demasiado cedo… tinham apenas conseguido concentrar-se um no outro.

E foi maravilhoso, mas Bella sabia que fazia parte da magia que acompanhava aquele fim-de-semana. Quando Edward apareceu, ela pensou que ia ser um verdadeiro desastre, mas não havia forma de chamar «desastre» àquilo que aconteceu entre eles.

Contudo, quando Edward fosse embora, isso sim, ia ser duro. Bella acariciou-lhe o ombro e ele suspirou, deitou-se de boca para cima e abraçou-a. Tapou-a com o edredão e Bella sentiu uma enorme vontade de chorar. Com um suspiro de felicidade, Edward voltou a adormecer.

Bella não dormiu. Pouco antes do amanhecer, ouviu a máquina de limpar a neve e soube que Edward iria partir em breve.

Acordou-o com um beijo.

- Bom dia, querida – sussurrou ele, beijando-a com tamanha paixão que Bella se esqueceu de tudo, excepto da magia daquelas carícias…

Após o pequeno-almoço, caminharam até à estrada, que já estava desimpedida.

- Acho que tenho que ir – disse ir, quendo regressaram a casa, e Bella sentiu que ele voltara a transformar-se no homem de negócios de antes. – Na sexta-feira, não atendi nenhum telefonema. Devia estar no escritório.

- Utiliza o meu telefone.

- Não. Tenho que ir. É provável que esta noite tenha que ir ao escritório assinar umas coisas. Basta estabelecermos uma data para que as tuas coisas sejam enviadas. O que é que vamos fazer com os cães?

- Os cães?

- Bom, necessitam de ir de carro e não quero que faças a viagem sozinha para os levares. Suponho que podes esperar uns dias e regressar depois do clima melhorar…

- Edward, eu não vou regressar a Londres.

- O quê? – ele estava atónito. – O que é que queres dizer com isso? Claro que vais regressar.

- Não, não vou regressar. Nada mudou entre nós. Tu continuas a trabalhar horas seguidas, passas muito tempo fora e não é isso que eu quero. Não suporto semelhante coisa. Odeio essa vida… e quando estás em casa, andas sempre apressado. Não consigo viver assim, Edward.

- Mas… - objectou, passando a mão pelo cabelo. – E o que aconteceu esta noite?

- Não sei. Parecia o mais acertado…

- Porque o é. És a minha esposa… somos casados, bolas! Temos que estar juntos.

- Não necessariamente.

- Sim! Bella, como é que podia ser tão maravilhoso se não nos amassemos um ao outro? Como é que pudeste fazer as coisas que fizeste se não me amas? Não foi apenas sexo, e tu sabe-lo bem.

Bella suspirou e sentou-se junto à mesa da cozinha.

- Eu não te disse que não te amo.

- Então, o que é que queres dizer? Não entendo, Bella. O que é que se passa? Fala comigo!

- Não sei. Sei apenas que vim para aqui para pensar, para ter tempo e descobrir o que é que quero fazer da minha vida, e ainda não descobri a resposta. Até lá, não posso tomar decisões.

- Mas, então, e nós?

- É sobre isso que tenho que pensar, Edward. Não sei se existe algo entre nós e se pode haver.

- Depois do que aconteceu esta noite? – Edward estava incrédulo. – Não sabes? Depois do que eu te disse? – falou com uma voz entrecortada e olhou para o lado. Tinha-se barbeado e Bella podia ver o músculo do seu queixo bastante tenso.

- Desculpa – murmurou. – É claro que te amo…

- És muito amável, mas não exageres – retorquiu com sarcasmo, mas sentia-se afectado pela dor.

- Edward, necessito de tempo. Lamento se não consegues aceitar isso, mas a verdade é essa.

- Quer dizer que tenho que me ir embora e deixar-te levar a tua avante?

A jovem assentiu.

- Sim, por favor.

Edward ficou em silêncio e olhou-a fixamente.

- Posso ver-te?

- Seria estupendo. Vou sentir saudades tuas. Talvez seja essa a resposta. Termos as nossas próprias vidas e vermo-nos de vez em quando, aos fins-de-semana.

- No próximo fim-de-semana?

- Se quiseres.

Edward suspirou e levantou-se.

- Bom, vou fazer a mala – e saiu.

Bella contemplou-o com lágrimas nos olhos. Cruzou os braços sobre a mesa e apoiou a cabeça neles. Não ia chorar. Tinha de ser forte. Sabia que nada mudara, ele continuava viciado no trabalho, e seria sempre assim.

Ouviu-o no piso de cima. Pensou que nessa noite os lençóis estariam impregnados com o aroma masculino e que, apesar de ele lá não estar, ela ficaria deitada, ansiando pelas suas carícias.

Edward nem acreditava que ela ia ficar. Após a noite anterior, depois de lhe entregar o seu coração e de lhe revelar o seu amor…

Mas o que estava Bella a fazer com ele? Não podia usá-lo e deitá-lo fora como se fosse um brinquedo!

Ainda por cima, tinha combinado lá ir no fim-de-semana seguinte para continuar a torturar-se. Devia ter enlouquecido. Juntou as suas últimas coisas e desceu para as guardar na mala. Tardaria muito a retirar o carro. Ainda só tinha encontrado a parte de trás.

Vestiu o casaco e calçou as botas, agarrou na pá e começou a cavar. Um pouco de actividade física far-lhe-ia bem antes de conduzir.

Estava zangado com ela. Bella observava-o da janela da cozinha, contendo a sua dor. Levou algum tempo, mas por fim, conseguiu desenterrar o carro e ligou o motor.

Começou a tirar a neve do caminho até junto das marcas do tractor de Carlisle. Endireitou-se e esticou as costas.

Tinha guardado o casaco no carro.

Bella tinha colocado água ao lume e quando Edward entrou em casa, tentou sorrir-lhe.

- Aceitas um café?

- Não, vou-me embora. Tenho muitos quilómetros pela frente.

Ficaram em silêncio por um instante e, no fim, ela aproximou-se e beijou-o.

- Conduz com cuidado. Vou sentir a tua falta. Telefona-me quando chegares.

- Está bem. Talvez nos vejamos no próximo fim-de-semana.

«Talvez?», pensou ela.

- Sim. Cuida bem de ti. Amo-te.

Edward mostrou a sua tensão através dos lábios. Virou-se e dirigiu-se até ao carro.

A jovem observou-o, enquanto partia, os cães acompanharam o carro, saltando de um lado para o outro.

- Venham, meninos – chamou-os e fechou a porta quando Edward desapareceu.

Decerto que estaria de volta dentro de alguns dias.

- Bom, meninos, vou beber café e depois tenho que ir desenterrar o carro para ir comprar comida, o que é que vos parece?

Midas abanou o rabo, mas a cadela gemia junto à porta e parecia perdida.

Bella acariciou-a e suspirou.

- Eu sei, Fofinha. Eu também já sinto a falta dele.

Secou as lágrimas, preparou um café e sentou-se para escrever a lista das compras.

Tinha um longo caminho até casa. Edward só parou uma vez e a maior parte do caminho ocupou a mente falando ao telemóvel com a sua secretária, com Jasper e com toda a gente que lhe ocorria para não ter que pensar em Bella.

E quando não falava ao telemóvel, colocava a música muito alta para calar os seus pensamentos.

Por fim, chegou a casa. Parecia-lhe enorme, vazia e silenciosa, desagradável e impessoal. «Não é de estranhar que ela não gostasse de viver aqui sozinha», pensou, interrogando-se sobre se Bella teria ou não razão.

Esta deixara bem claro que faria o que quisesse. Levou a mala até ao quarto e depois desceu.

Eram quase dez da noite e estava esgotado, mas tinha que ir até ao escritório. Estavam prestes a fechar em Nova Iorque e tinha que entrar em contacto com Jasper. Foi até à empresa e entrou no seu gabinete. Ficou surpreendido ao ver a sua secretária.

- Sabia que vinhas e fiquei à tua espera. O Jasper quer falar contigo sobre as acções do café.

- Está bem – sentou-se e marcou um número de telefone.

- Queres um café?

- Obrigado. Suponho que não haja aí nada que se coma, pois não?

- Posso encomendar alguma coisa. O que é que te apetece? Comida chinesa? Sushi?

- Uma sandes de bacon – respondeu ele. – Jasper, olá, estou no escritório. Põe-me ao corrente das coisas.

Kate saiu do gabinete murmurando algo acerca das sandes de bacon e Edward tentou prestar atenção ao sócio. Tinha sido um dia muito activo no mercado financeiro. Autorizou algumas vendas e algumas compras, desligou e viu a correspondência.

Tinha centenas de cartas, já que estivera ausente durante três semanas.

- Sandes de bacon – anunciou Kate, deixando-a sobre a mesa.

- Como é que a arranjaste?

- Há um café mesmo na esquina.

- És um encanto – disse, comendo a sandes. Estava esfomeado.

- Também trouxe bolo e chocolate.

- Não quero chocolate.

Ela sorriu.

- Mas quero eu.

- Há mais café?

- No jarro.

Trabalharam durante três horas, até Edward decidir que não era justo que Kate permanecesse ali até tão tarde e mandou-a embora para casa.

Ele, contudo, ficou a trabalhar durante mais três horas. A seguir, foi até ao quarto que tinha para visitas inesperadas e dormiu ali o resto da noite. Não lhe apetecia ir para a casa. Estava demasiado vazia sem Bella e ainda não tinha forças para enfrentar aquela nova realidade.

Foi então que se apercebeu de que ainda não lhe tinha telefonado, mas não podia fazê-lo às quatro da manhã. Ia acordá-la… a menos que estivesse acordada, preocupada com ele.

Pegou no telefone e lembrou-se que tinha deixado o número de telefone em casa.

- Diabos me levem!

Despiu-se e enfiou-se na cama. Sentia alguns remorsos, mas concluiu que a culpa era dela. Se estivesse em casa de ambos, saberia que ele estava bem.

A menos que tivesse regressado a Nova Iorque nesse dia.

Suspirou e estava quase a adormecer quando o seu telemóvel tocou.

Atendeu, pensando que era o seu sócio, mas era Bella.

- Já cheguei. Estive no escritório. Acabei de terminar e estou agora no quarto das visitas. Desculpa não te ter telefonado, mas esqueci-me do teu número na mala.

- Não faz mal. Não esperava que me telefonasses, nunca o fazes. Queria apenas saber se estavas bem.

- Estou bem. Cansado, mas bem.

- Bom, então, dorme bem.

- Tu também – hesitou. – Sinto saudades tuas – disse, mas ela já tinha desligado. Talvez fosse melhor. Não era bom ser tão sincero.

Olá a todos.

Aqui está mais um capítulo.

Espero que gostem, deste novo desenvolvimento na relação entre a Bella e o Edward.

Deixem os vossos comentários.

Beijinhos e até ao próximo capítulo.