Edward trabalhou sem parar durante os quatro dias seguintes, reorganizando a sua vida, delegando tarefas, vendendo empresas… todo o tipo de coisas. Também mudou de carro.
Kate não disse nada. Trabalhava a seu lado para o ajudar com os pormenores administrativos. A única pista que lhe dava para que ele soubesse que estava feliz com a mudança era o seu constante sorriso.
Na sexta-feira pela manhã, entrou no seu novo jipe Mercedes, conduziu até à Escócia e, a meio da tarde, apareceu sem avisar em casa de Bella.
Queria fazer-lhe uma surpresa e ela mostrava-se sempre muito feliz quando o via.
Sentiu a adrenalina e pensou que os minutos seguintes seriam os mais importantes da sus vida. E era isso que lhe provocava um pouco de medo. Respirou fundo e ergueu a mão para bater à porta, precisamente no momento em que Bella a abriu.
- Edward.
Não houve uma recepção acalorada… ou, pelo menos, não por parte dela.
- Estás bem?
- Sim, claro. Só não te esperava.
«Tem um amante!», pensou ele, horrorizado.
- Venho em má altura? – perguntou, mas ela negou com a cabeça e abriu mais a porta.
- Claro que não. De facto, ia ter contigo. Tenho algo para te dizer.
Bella estava tão séria que Edward sentiu o coração a encolher-se. «Vai pedir-me o divórcio», pensou. «Oh, não, por favor, isso não!»
- Eu também tenho algo para te dizer. Por isso é que cá vim. Quem é que começa?
- Porque é que não começas tu? Eu vou preparar um café.
Edward seguiu-a até à cozinha e sentou-se. Estava tudo muito limpo e arrumado. Seria para o amante? Oh, não! Edward não suportaria isso.
- Deixei o Jasper encarregue do escritório de Nova Iorque – afirmou, subitamente, sem preâmbulos. – Vendi a empresa de Paris a uma pessoa que andava há meses atrás dela, coloquei um anúncio para contratar uma secretária e tratei de tudo para não ter que viajar muito.
- E porque é que compraste um carro familiar?
Edward respirou fundo.
- Para os cães.
- Não entendo.
Ele fechou os olhos e contou até dez, depois abriu-os e observou-a, sem lhe ocultar qu era um homem vulnerável e necessitado que tinha medo de a perder.
- Amo-te, Bella. Não consigo continuar assim. Necessito que faças parte da minha vida e que não vivas num mundo de fantasia no qual só posso vir ver-te de vez em quando. Quero que estejas na minha cama todas as noites, junto a mim, trabalhando comigo, na minha vida – respirou fundo e continuou:- Se não posso ter isso, então…despeço-me agora mesmo.
Terminou com a voz entrecortada e baixou o olhar para que ela não pudesse ver mais nada. Algumas coisas eram demasiado dolorosas.
- Edward? Edward, olha para mim.
Ele ergueu a cabeça e viu que Bella sorria, e que tinha os olhos cheios de lágrimas.
- Amo-te. Ia regressar a casa. Tenho tudo empacotado, o carro está carregado. Ia sair amanhã. Não sabia se ainda me querias, mas preciso de ti e se só podes dar-me o pouco tempo que tens, vou ter que me conformar, porque não posso viver sem ti. Só tu me importas, Edward, e necessito imenso estar contigo.
Ele olhou-a e ficou sem fala. De repente, abraçaram-se como se a própria vida dependesse disso.
- Ainda bem, porque eu também necessito de ti, mais do que podes imaginar.
- Oh, Edward! Tinha tanto medo.
- Eu também tinha medo que me dissesses que não, medo de ser demasiado tarde e de ter perdido. Medo de tudo. Não sei o que teria feito se me dissesses que não querias voltar para mim.
Bella chorava de felicidade.
- Garanto-te que nunca mais te deixo.
Edward abraçou-a fortemente, apoiou a cabeça no seu ombro e suspirou. Ficaram assim, durante um bocado, e, no fim, ele ergueu a vista e olhou-a.
- Vamos para a cama. Necessito de te abraçar e estou tão cansado que acho que adormeceria de pé.
- Então, e o café?
- Só te quero a ti. Nada mais, só a ti.
Nada mais. Só a ela.
Aquilo soava bem. Foram para a cama e fizeram amor, lenta e carinhosamente, até Bella se desfazer nos seus braços.
Dormiram até ao amanhecer, com os corpos entrelaçados, e quando acordaram, voltaram a envolver-se.
Bella soube que não podia ser mais feliz.
- Edward?
- Sim?
- Lamento não poder dar-te um filho.
Ele ficou paralisado durante um segundo, depois abraçou-a e acariciou-lhe as costas.
- Não faz mal. Isso já não importa. Acho que nunca me preocupei com isso, não necessito de um filho. Necessito apenas de ti.
- Se quiseres, farei os testes.
- Só se quiseres. Faremos tudo aquilo que quiseres… o que necessitares.
Edward beijou-a e ela aconchegou-se contra ele.
- Temos de nos levantar. Os cães têm que comer e ir à rua, e nós temos muitos quilómetros para percorrer.
- Não temos pressa. Podemos fazê-lo em dois dias.
- E os cães?
- Havemos de encontrar um hotel onde aceitem cães, uma pensão ou algo parecido.
- Ou podemos levantar-nos já e ir embora.
- Boa ideia. O último a chegar à casa de banho é um ovo podre!
Foi um longo dia.
Estava escuro, mas ao passar pelo portão, as luzes acenderam-se automaticamente e pôde ver que os narcisos estavam em flor.
Todas as plantas estavam e florescer. Saiu do carro e respirou fundo.
Bella e Edward ficaram a observar os cães, enquanto estes corriam de um lado para o outro.
- Acho que têm fome – adiantou ela com um sorriso.
- E tu? Queres que prepare alguma coisa?
- Não. Quero apenas um chá e tempo para me acostumar de novo. Parece-me tão estranho estar em casa e tão agradável ao mesmo tempo!
Ela olhou-o e beijou-o.
- Obrigada por me teres ido buscar.
- O idiota até agora fui eu.
- Não quero discutir.
Bella entrou em casa, seguida de Edward e dos cães.
Estava esgotada.
- Vou buscar as coisas ao carro – anunciou ele.
Os cães aproximaram-se dela e deitaram-se a seu lado, na sala de estar.
- Está na hora de dormir – anunciou Edward com duas malas na mão. – Vamos. Pareces esgotada.
E Edward quase teve que arrastá-la. No fim deixou as malas nas escadas e pegou nela ao colo.
- Posso andar! – reclamou ela, mas ele não fez caso. De certa forma, era o mais adequado… Significava um novo começo.
Deixou-a na cama e foi buscar as malas.
- Vai tu primeiro à casa de banho. Eu arrumo as coisas.
Bella assentiu. A casa de banho parecia demasiado grande. Tudo parecia demasiado grande. Ao fim de pouco tempo já estava de volta ao quarto.
- Enfia-te na cama – disse Edward, e juntou-se-lhe pouco depois.
Pela primeira vez em muito tempo, não fizeram amor. Ela abraçou-a e suspirou de felicidade.
- Gosto de te ter em casa.
- Gosto de estar em casa. É estranho, mas tudo me parece enorme depois de estar na Escócia, contudo suponho que me habituarei novamente.
- Claro que sim. E se quiseres alterar alguma coisa, sabes que podes fazê-lo.
- Agora não – murmurou. – Quero dormir…
Calou-se e fechou os olhos. E a última coisa que ouviu foi a voz de Edward:
- Amo-te…
Bella sentia-se mal. Estava cansada… tão cansada que mal conseguia mexer-se. Pensou que tinha passado demasiado tempo no jacuzzi. Demasiadas bolhas e a água demasiado quente.
Comeu uma torrada e bebeu um sumo de fruta. Não lhe apetecia café…
Edward tirou as botas do carro e foram dar um passeio pelo jardim com os cães.
Estava um lindo dia e ela sentia-se bem na rua.
- Acho que a Primavera já chegou – salientou Edward, apontando para as árvores em flor.
Bella pensou em colher algumas flores, mas não tinha energia. A viagem esgotara-a, isso e os nervos por não saber como reagiria o seu marido.
- Já pensaste se queres ter um escritório a sério para trabalhares ou se preferes ficar em casa? Quero que saibas que podes fazer aquilo que mais te apetecer.
Bella riu-se.
- Não sei o que é melhor. Acho horrível, mas parece-me que não quero voltar a trabalhar mãos nisso. Já não me dá interesse.
- Podes sempre voltar a trabalhar comigo, em part-time. A empresa não é a mesma sem ti.
Bella cambaleou um pouco e Edward agarrou-a pela cintura.
- Estás bem?
- Apenas cansada e… um pouco tonta.
Ele observou-a com preocupação.
De repente, ela viu tudo nublado.
- Edward? – murmurou, e tudo se tornou negro e sentiu que caía…
Ele pegou na esposa ao colo. Não podia ser nada de grave. Contudo, Bella parecia-lhe demasiado frágil e leve.
- Midas, Fofinha, vamos – disse, apressando-se a regressar a casa.
- Edward?
- Bella? Estás bem?
- O que é que aconteceu?
- Não sei. Mas desmaiaste – descalçou as botas, fechou a porta da cozinha e levou-a até ao salão. Depois, descalçou-a e disse: - Fica aqui, vou chamar um médico.
- Eu estou bem, Edward. Isto é apenas cansaço. Foi o banho de água quente…
- Vou chamar o médico – repetiu ele. Bella estava muito pálida e Edward começou a assustar-se.
«Vai ficar bem», disse a si mesmo.
Mas continuava bastante assustado. E se Bella estivesse realmente doente, se tivesse alguma doença incurável que lhe pudesse arrancar a vida numa altura de grande felicidade?
Chamou o médico e esperou que ele chegasse, sempre ao lado de Bella.
- Edward, eu estou bem – voltou ela a repetir.
Mas ele achava-a bastante pelida e fatigada. Talvez fosse por isso que nunca tinha engravidado… talvez sofresse se uma terrível doença que se manifestava apenas quando já era demasiado tarde.
Seria cancro?
«Oh, não! Bella, não!»
Os cães ladraram e Edward foi abrir a porta, precisamente no momento em que uma jovem mulher saía do carro.
- É a doutora Leah?
Ela sorriu e estendeu-lhe a mão.
- Deve ser o senhor Cullen. Onde está a paciente?
- Na sala, deitada. Tem muito mau aspecto.
- Vamos vê-la.
Seguiu-o até à sala, deixou a mala no chão e sentou-se na beira do sofá ao lado de Bella.
- Olá, senhora Cullen. Sou a Leah Clearwater. O seu marido disse-me que desmaiou.
Ela assentiu.
- Estou cansada. Ontem tive um longo dia. Viemos a conduzir desde a Escócia.
- Que sorte! Adoro a Escócia. Estiveram de férias?
- Não… bom, eu aluguei lá uma casinha para descansar.
- Mmm… Sozinha?
- Eu ia lá aos fins-de-semana – interveio Edward.
- Tem nevado por lá, não é?
- Um pouco – Edward riu-se.
- Adoro a neve.
Mediu-lhe a pulsação, enquanto falavam. Procurou na mala e retirou uma lanterna para a olhar nos olhos.
- Bom, está tudo bem. Bateu com a cabeça nalgum lado?
- Não.
- Tomou o pequeno-almoço?
- Uma torrada.
- Comeu metade e deu o resto aos cães.
Leah sorriu.
- Estou a ver. Os seus períodos? São regulares?
- Como um relógio. Andamos a tentar ter um filho há já algum tempo.
- E quando é que teve a sua última menstruação?
- Não sei a data exacta… foi antes de ir para a Escócia. Mesmo antes… começou a uma terça-feira e eu viajei a uma quinta-feira. Por isso é que me fui embora… não conseguia voltar a passar por tudo aquilo.
- E isso foi há quanto tempo?
- Há cinco semanas – informou ele.
A médica ficou pensativa.
- Tem algum outro sintoma além do cansaço? Sente os peitos inchados? Vai mais vezes à casa de banho? Tem vómitos? Não lhe apetece chá nem café? Está sensível a odores?
Bella engoliu em seco.
- Bom… um pouco, talvez.
- De quê?
- De tudo isso…
A médica levantou-se e sorriu.
- Bom, acho que já conhecemos a resposta. Temos que fazer um exame para nos certificarmos, mas acho que não há dúvidas.
Edward ficou tenso.
- Quer dizer que…?
- Acho que a sua esposa está muito bem, senhor Cullen. Parece-me que vai ter um filho. Vamos verificar isso.
Os minutos seguintes foram angustiantes.
«Oh, Meu Deus, espero que ela esteja grávida», pensou ele. «Porque assim significava que ele não tem mais nada, e não suportaria perdê-la.»
- Bom, parece-me que acertei – disse a médica quando saiu da casa de banho. – Parabéns. Vão ter um bebé por volta do início de Novembro. Informarei o seu médico de família. Vai ter que se submeter a alguns exames, mas, por enquanto, descanse, coma bem, e com o tempo vai ver que os sintomas acabam por passar.
Edward fechou os olhos e engoliu em seco. Quando voltou a abri-los, Bella estava a chorar e a rir-se ao mesmo tempo de braços abertos para o abraçar. Ele aproximou-se e abraçou-a, contendo a vontade de chorar. Estava bem. Ia ficar bem!
Ouviram a porta a fechar-se e quando olharam apercebera-se de que a médica já saíra.
- Estás bem? – perguntou Bella, e Edward sorriu.
- Eu é que devia perguntar isso.
- Oh, estou bem. Nunca estive melhor. Pelo menos, agora já sei o que fazer com a casa.
- A casa?
- Quero alterar umas coisas… E suponho que não queres comprar uma empresa, pois não? É uma muito boa… desenham páginas web. Só que a desenhadora vai ficar de baixa por maternidade.
Edward sorriu. Tinha muitos motivos para sorrir.
- Feloz? – inquiriu com cautela.
- Emocionada. E tu?
- Se tu o estás.
- Oh, sim.
- Então, eu também estou. Estou mais do que feliz. Sou o homem mais felizardo do mundo.
Olá a todos aqui está o último capítulo.
Espero que gostem.
Agora é só o epílogo.
Beijinhos.
