RENASCER

CAPITULO 4: Primeiro Dia

Pixie se enxugou e colocou sua roupa,um jeans escuro rasgado nos joelhos e uma blusa vermelha simples de manga com um colete preto por cima que ela deixou desabotoado,foi para o seu quarto levando a roupa de dormir e colocou ele dentro do sexto de roupa suja,pegou um pente na penteadeira e se sentou na cama penteando os cabelos,terminou e colocou o pente em um pequeno criado mudo que ficava do lado de sua cama,antes de se levantar fitou o móvel por alguns segundos,abriu a única gaveta que ele tinha e retirou o cordão que ela tinha guardado lá dentro na noite passada.

Segurou o objeto nas mãos por alguns segundos e acariciou o pingente levemente com os dedos,ela geralmente só tirava o colar para dormir ou tomar banho,só que na noite retrasada seu quarto estava uma bagunça de caixas por todos os lados,por estar ajudando a organizar a mudança ela acabou indo dormir muito tarde,com sono e muito cansada colocou o pingente dentro de uma das caixas,no dia seguinte não se lembrava em qual delas foi e não encontrou o objeto,mas ficou tranqüila tendo certeza que ele estava dentro de uma das caixas e que chegando na sua nova casa iria encontrá-lo.

Ela se sentia mau sem ele,era estranho e confuso,ela sabia que amava as pessoas daquela foto,amava tanto que a saudade chegava a doer dentro do peito,

Fechou o colar em uma das mãos e o pressionou contra o peito como se isso aliviasse a dor que tinha lá dentro,como era estranho amar tanto pessoas que você não conhece,ou melhor,pessoas que não se lembra de um dia ter conhecido,como era estranho sentir saudade de pessoas que ela não se lembra de ter convivido algum dia,como se pode sentir saudade de algo que você não se lembra de ter tido?

Ela queria tanto saber o que aconteceu,talvez veloz faria aquele enorme buraco em seu peito sumir.

Só que e se seu pai achasse que ela estava atrás de seus pais biológicos por que não era feliz com ele?

Ela não poderia permitir nunca que seu pai pensasse isso,ela não deixaria ele pensar em algo assim,amava ele,ele e sua mãe a trataram como uma filha de verdade,não conseguiria imaginar pais melhores,só que mesmo assim aquele buraco dentro dela existia,desde que acordou,confusa,desorientada e com dor de cabeça a anos atrás.

Escutou leves batidas na porta e balançou a cabeça para os lados,pensaria nisso depois.

-Pode entrar.

Pixie colocava o colar enquanto via Kurt entrar em seu quarto,ele usava um jeans claro e uma blusa cinza lisa sem estampa,seus cabelos estavam molhados,mas não pareciam ter sido penteados,ele deve ter tomado banho no banheiro de baixo ela pensou.

-Vai descer agora?

Pixie deu um sorriso de lado e se levantou da cama.

-Só falta duas foi até sua mochila que estava no chão ao lado do armário,ela se agachou abriu o bolso da frente da mochila tirando de lá um lápis preto de olhos,ela se levantou e foi até o espelho,rapidamente ela desenhou uma grossa linha preta envolta dos olhos,depois guardou novamente o lápis dentro da mochila e abriu o armário tirando de lá um par de all starts cor violeta,sentou na cama e os calçou rapidamente.

Ela e Kurt desceram rapidamente as escadas rumo a cozinha.

-Vocês dormem mais do que a cama.

O irmãozinho de Pixie falou com a boca cheia do que pareciam ser panquecas,seu pai deu uma cotovelada de leve nele e olhou feio para menino.

-Não fale de boca cheia.

Rhaldney tomava uma xícara de café enquanto lia o jornal,quando viu Pixie e Kurt entrarem na cozinha ele levantou o rosto do papel e sorriu para ambos.

Os dois se sentaram na mesa,enquanto eles preparavam seus cereais Elena entrou na cozinha carregando uma bolsa e olhou sorrindo para eles.

-E então Pixie,como foi sua primeira noite aqui?

-Boa,o quarto é muito bonito e conforto,obrigada Elena.

Pixie levantou os olhos de seu cereal para agradecer e voltou a comer seu café da manhã,Elena se animou com o elogio.

-Sabe que não precisa agradecer querida,fico feliz que tenha gostado,e pelas risadas que ouvi ontem a noite vejo que minha intuição estava correta,você e Kurt se deram muito bem.

Nem Pixie ou Kurt disseram algo ou levantaram a cabeça de seus cereais.

-É ótimo que vocês tenham se dado tão bem de primeira,afinal irão morar juntos a partir de agora.

O pai de Pixie falou sem levantar os olhos o jornal,Elena colocou a mão de leve no ombro dele.

-Amor,já esta na hora.

-claro,só estava te se levantou da cadeira e chamou o filho.

-Você ficar ou vai com agente?

Anderson parou de comer e se levantou da mesa,foi lavar as mãos na pia,Elena se voltou para Kurt e Pixie.

-Então crianças,Rhaldney e eu vamos ao hospital ver sobre o emprego dele,Anderson vai com agente,nos temos que comprar coisas para a casa e também vamos passar na casa dos Higussamas,e Anderson esta doido para conhecer os filhos deles e fazer novos amigos,vocês me entendem,então,vão conosco ou preferem ficar?

Pixie e Kurt pararam de comer e trocaram um olhar,depois se voltaram ao mesmo tempo para encarar Elena,o olhar deles dizia tudo,Rhaldney e Elena já tinham imaginado a reação de seus filhos,Elena só resolveu perguntar mesmo por causa de Pixie,como a menina era nova ali poderia querer sair um pouco para conhecer a cidade com eles,ela revirou os olhos e foi até eles,deu um beijo na bochecha de cada um,Kurt simplesmente continuou a comer seu cereal,Pixie não sabia se tinha ou não gostado da demonstração de carinha de Elena,na verdade ela foi pega de surpresa mais não demonstrou emoção e voltou a comer seu cereal como Kurt.

-Bom Kurt,então pelo menos saia e mostre a cidade para Pixie em vez de se trancarem o dia todo aqui.

Elena saiu pela porta da cozinha,Anderson já tinha saído correndo primeiro,o pai de Pixie deu um beijo no rosto da filha e desejou um bom dia para ela e Kurt,ela retribuiu o beijo e desejou um dia melhor ainda para ele,Rhaldney acenou e saiu da cozinha,segundos depois eles ouviram o barulho do carro deixando a garagem e seguindo em direção a rua.

-Então?quer conhecer a cidade?

Eu fiz uma careta enrugando o nariz e entortando a boca,na verdade eu estava pensando em ficar aqui e assistir um filme,Kurt suspirou e abaixou as mãos de seu cereal.

-Bom,pra falar a verdade,não é como se tivesse muitos lugares para conhecer por aqui,mais se você gosta de fazer caminhada ao ar puro nós podemos andar um pouco pela floresta.

Olhei um pouco espantada para ele e também parei de comer meu cereal.

-Não é perigoso caminhar pela floresta?

Kurt abaixou os ombros um pouco desconfortável mais não desviou o olhar.

-Digamos que...não é o lugar mais seguro do mundo,mais que lugar é de verdade?ou vamos eu sempre caminho por lá,sei até onde podemos chegar,tem uma cachoeira não muito longe com uma vista bem legal se você quer saber.

-Uma cachoeira?ok...especifique 'não muito longe"

Kurt deu um sorrisinho sapeca e começou a mexer na toalha da mesa.

-Não muito longe se você tiver um meio de chegar lá mais depressa,anda vamos,confie em mim,eu não ia por você em perigo não é mesmo?

Eu suspirei e concordei,eu disse que ia arrumar algumas coisas na mochila e ele ficou na cozinha arrumando algumas coisas para comermos lá,depois Kurt foi arrumar sua mochila e Pixie ficou para limpar a loça do lanche,10 minutos depois eles estavam prontos para sair,Pixie ia sair pela porta da frente mais sentiu Kurt puxando seu braço levando ela para porta que dava pra garagem.

-Você tem um carro?era disso que você falou quando disse"meio de chegar lá mas depressa"?

Kurt abriu a porta da garagem ainda sem falar,ele desceu os dois degraus da porta e foi até um canto e puxou a capa de uma...moto.

A moto era uma falcon,preta muito bonita pra dizer a verdade,Pixie olhou um pouco espantada e com a boca um pouco aberta.

-Aonde essa moto se encaixa na parte de "não me por em perigo"

Kurt deu uma risadinha,apertou o botão que abria a garagem e foi tirando a moto.

- Calma é só uma moto,se te serve de consolo eu tenho carteira,e os documentos estão legalizados.

Pixie seguiu Kurt de traz e viu ele apertar um botão do controle e o portão fechar atrás dela.

-O Kurt,serio,não é por mim,eu gosto de motos,eu acho elas bonitas legais e tudo mais,só que...meu pai vai me matar se descobrir,serio,ele vai totalmente me matar se souber que eu cheguei perto de uma,quem dirá que eu subi em uma,se ela estiver ligada quando eu subi nela...ae vai ser castigo pelo resto da vida,não quero nem pensar no que ele vai fazer se eu chegar perto subir nela e sair andando nela.

Kurt ajeitou a moto e se virou rindo para Pixie.

-Ok,ele vai ter que superar isso,a não ser que ele esteja pensando todos os dias em te levar e trazer da escola.

Eu quase engasguei,bati com a mão na testa e olhei para Kurt como se ele fosse maluco.

-A e você acha mesmo que meu pai iria me deixar ir e voltar todos os dias da escola de moto não é?

Kurt suspirou e caminhou até mim.

-Pixie,relaxa,eu ando de moto desde antes de ter idade para pensar sobre isso,meu pai adorava motos e me ensinou muito bem,hoje eu tenho todos os documentos necessários pra andar nela,a minha moto esta em perfeito estado,você já é uma menina gradinha sabia?relaxa,seu pai pode até pirar em um primeiro momento mais ele logo vai ver que não tem motivos para tempestade em um copo d'água,qualquer coisa minha mãe fala com ele,sem contar que aonde vamos só da pra chegar de moto o caminho aberto é muito estreito para carros,agora podemos ir?

Kurt me olhava nos olhos,em mordi a boca um pouco nervosa,eu realmente não queria ter problema com meu pai,mais Kurt tinha razão,ele daria um escândalo como todo pai normal,mais iria acabar aceitando,dei de ombros e soltei um suspiro.

Esperei Kurt se sentar e depois me sentei na garupa e coloquei as duas mãos em seus ombros.

-Você vai se sentir mais segura se passar os braços envolta da minha cintura,pode se segurar com firmeza.

Eu tirei as mãos de seus ombros e envolvi sua cintura com seus braços,assim encostada nele eu podia sentir aquele cheio gostoso de brisa do mar,era uma posição bem confortável.

Ele ligou a moto e deu a partida,eu tinha a sensação de que iria cair da moto em alguns momentos e então me apertava mais forte contra as costas de Kurt,ele deu a volta pela casa e entrou em uma pequena trilha que tinha dentro da floresta,Kurt não estava andando rápido,mais também não estava devagar,estava normal eu suponho,minha apreensão na moto passou depois de uns minutos e eu relaxei,só quando ele fazia alguma curva é que eu apertava meus braços,acho que era mais por instinto,falta de costume mesmo,as vezes eu achava que a moto iria virar em uma curva ou coisa assim.

Depois de uns 10 minutos andando pela trilha eu deitei levemente minha cabeça nas costas de Kurt,enquanto observava a paisagem,o cheiro da floresta era muito bom,sempre gostei desse cheiro desde que eu me lembro,5 minutos mais tarde Kurt parou a moto,eu tirei meus braços de sua cintura e desci da moto,a trilha acabava ali,arrumei a mochila em minhas costas e senti Kurt pegar na minha mão e me guiar subindo o morro.

A mão de Kurt era grande,bem maior que a minha e sua pele macia e gostosa,ele me ajudava a subir o morro e a me apoiar nas pedras,não que eu precisasse de tanta ajuda assim,mais pra quem já conhece o caminho devia ser mais fácil e para não nos atrasar não discuti,eu já podia ouvir o barulho de água da cachoeira.

Depois de 10 minutos subindo o morro chegamos ao topo e eu pude ver a linda cachoeira lá embaixo,agora nos íamos descer o morro pelo outro lado,como meu pai sempre diz"pra baixo todo santo ajuda"então demoramos acho que metade do tempo que levamos para subir,já lá embaixo eu observei melhor o lugar,a cachoeira era linda,ficava meio escondida com os morros envolta dela,parecia uma espécie de vulcão aonde você sobe e lá no meio encontra a lava,no caso aqui no meio se encontrava a cachoeira.

A queda d'água era um pouco grande e o rio que se formava embaixo eram cheios de pedras,mas com um espaço bom para nadar em um dia quente,hoje porem estava muito frio pra isso.

Olhei para Kurt e vi ele agachar e subir as pernas dos jeans até o joelho e tirar os sapatos.

-O que você vai fazer?

Ele terminou e se levantou me olhando,depois apontou para uma pedra enorme que ficava quase no meio da cachoeira,mais não tão perto da queda d'água ,a pedra era grande na largura,podia caber 4pessoas deitadas tranqüilamente,mas não era tão alta.

-Quando chove muito a água cobre a pedra,como não esta chovendo é um bom lugar pra se deitar,eu sei como andar até lá sem entrar na água.

Eu olhei pra ele de uma forma que mostrava que eu não estava levando fé na sua teoria de sair certo que tinha umas pedras grandinhas até a pedra enorme,mas a não ser que fossemos saltadores profissionais teríamos que nos molhar e entrar na água.

-Serio,vamos ter que pisar na água,mas não é nada de mais,água só ate a canela ou um pouco mais pra cima.

-você esta dizendo que a cachoeira não é funda?

Eu cruzei os braços em frente ao peito e ele revirou os olhos.

-Ela É funda,mais eu sei como chegar lá sem ter que afundar na água,anda,ou quer que eu te carregue?

Eu revirei os olhos e descruzei os braços,tirei os sapatos e subi a barra da calça,ele me ajudou a andar me mostrando aonde pisar,realmente,quando eu tinha que enfiar os pés na água era coisa pouca,ele sabia aonde se encontrava cada pedra embaixo da água,ele seguia na frente me indicando aonde pisar e eu segurava sua mão com medo de escorregar,a água estava muito gelada e eu não estava afim de pegar uma pneumonia .

Chegamos na pedra e subimos,Kurt não precisou me ajudar a subir,a pedra era bem baixa e não era escorregadia por não estar molhada,a pedra era tão baixa que provavelmente qualquer chuvinha forte que enchesse um pouco a cachoeira iria cobri-la.

Tiramos nossas mochilas e nos sentamos,Kurt tirou uma toalha de la e me entregou para enxugar os pés gelados,eu enxuguei e entreguei a ele que fez o mesmo,coloquei minhas meias de volta para esquentar meus pés,colocamos nossas mochilas de lado e nos deitamos um do lado do outro olhando para o céu escuro cheia de nuvens e ficamos alguns minutos lá comparando as nuvens com animais,objetos até artistas de cinema,depois de alguns minutos com coisas do tipo,coração com braços,coelho perneta,bateria de banda, entre outras coisas acabamos adormecendo,noite passada fomos dormir um pouco antes do sol nascer,e juntando isso com a subida do morro e o clima gostoso na cachoeira foi fácil pegar no sono.

Senti algumas gotas geladas no meu rosto me acordando,resmunguei baixo ainda meio dormindo e me virei deitando do outro lado do corpo,as gotas geladas persistiam,devia ser chuva,mais como poderia estar chovendo dentro de casa?seria alguma goteira?eu registrei vagamente que não estava deitada em uma cama e sim eu uma coisa dura,uma...pedra?quando meu cérebro acabou de registrar aquilo eu abri os olhos e me levantei de repente e nessa hora eu bati a cabeça em alguma coisa.

-aaahhhhhiiiii

esfreguei e apertei minha cabeça com força para parar de doer e olhei para o lado,Kurt estava sentado com a cabeça pra traz de olhos fechados enquanto apertava o nariz com força.

Coloquei a mão no ombro dele e fiquei de joelhos pra ficarmos da mesma altura.

-Kurt você esta bem o que acont....

Ou claro eu acertei ele com a minha cabeça.

-Ai,me desculpe,você tah legal?me deixe ver isso

tentei ver seu nariz mais ele não tirava a mão,com a outra mão me pediu um instante e eu voltei a me sentar na pedra olhando pra ele,meio minuto depois ele tirou a mão do nariz e eu vi que tinha um pouquinhu de sangue ,mais nada de mais,ele pegou um lenço da mochila e pressionou de leve o nariz e limpou o sangue.

-ok,não quebrou,só...doeu um pouco,vou me recuperar em alguns minutos,a dor já esta passando.

Eu mordi a boca de leve meio envergonhada enquanto via ele mexer em seu nariz delicadamente.

-Me desculpe,foi sem querer eu acordei e...

Kurt levantou a mão em um sinal para que eu parasse de falar e deu um sorriso.

-Serio esta tudo bem,em todo caso a culpa seria minha,eu estava meio que em cima de você tentando te acordar jogando umas gotinhas de água no seu rosto,serio já passou,esse tipo de coisa só dói na hora,e você sabe que o nariz sangra fácil.

Eu sorri ainda meio envergonhada,Kurt guardou o lenço em um bolso dentro da mochila e pegou o que parecia ser uma enorme toalha quadriculada vermelho e verde,ele me olhou sorrindo e se levantou desdobrando a toalha e colocando a mochila de lado dando espaço o suficiente pra não correr o risco dela cair na água.

-Você trouxe uma toalha de piquenique?

Eu sorri e me levantei ajudando ele a estender a toalha na pedra.

-claro,isso não seria um piquenique sem uma toalha quadriculada horas.

Eu dei uma risada e sentei em uma ponta da toalha e Kurt se sentou na outra ponta na minha frente,ele pegou sua mochila e tirou 4 potinhos,duas garrafas,dois copos e uma sacola com o que parecia ser sanduíches embrulhados.

-Você não teria uma tv 42 polegadas de plasma ai dentro não?

Kurt deu de ombros e fechou a mochila.

-até pensei em trazer,mais fiquei com medo dela chacoalhar solta dentro da mochila.

Eu sorri e abri um dos potes enquanto Kurt abriu a sacola com sanduíches.

-Vem cá,você não trouxe uma cesta de piquenique.

Kurt terminou de abrir a sacola de desdobrava o primeiro sanduíche.

-Esse é um piquenique moderno,aquelas cestas estão meio fora de moda,mais se quiser da próxima eu trago.

Eu sorri dando de ombros enquanto via o que tinha no primeiro potinho...brigadeiro de panela,abri o sengudo,vários pedaços de pizza de ontem,terceiro,um monte de batata chips,parecia que ele havia aberto uns 4 pacotinhos e colocado tudo ali dentro,ultimo potinho,vários bombons embalados,olhei para Kurt enquanto ele colocava um copo de coca cola e mordia seu sanduíche.

-Esse é o piquenique menos saudável de toda a historia.

Kurt deu de ombros e bebeu um gole de coca e me olhou nos olhos.

-Em compensação é o mais gostoso da historia.

Eu dei de ombros e concordei com ele,peguei uma colher dentro do potinho do brigadeiro e comecei por ele,adoro começar pela sobremesa,Kurt pegou uma chips e passou brigadeiro,eu olhei pra ele e franzi as sobrancelhas,ele sorriu e colocou a batata na frente da minha boca.

Ok essa era uma combinação ...diferente,mais eu gostava de coisas diferentes,sorri e mordi a batata,ele pegou o outro pedaço e jogou dentro da própria boca,eu mastiguei devagar olhando Kurt fazer o mesmo,logo depois fizemos mais batatas com brigadeiro e comemos,eu comi um dos sanduíches que Kurt tinha preparado e logo estavamos cheios de tanto nos empanturrar.

-Tenho que dar braço a torcer,não foi o piquenique mais saudável que eu já fiz,mais consertesa foi o mais gostoso.

Eu deitei novamente na pedra enquanto mordia um bombom de chocolate branco,meu chocolate preferido.

-Eu disse.

Depois de um tempo guardamos novamente as coisas na mochila de Kurt e voltamos a andar até a moto,a viagem de volta foi tão silenciosa quanto a ida,eu já estava me acostumando com a moto,na verdade eu estava gostando muito de andar de moto,quem sabe Kurt me desse umas aulas sobre como pilotar depois?mas esse idéia logo se evaporou da minha mente assim que chegamos em casa e eu desci da moto,meu pai estava parado na porta da frente da casa com os braço cruzados,eu vi ele ficando rosa,vermelho,azul e finalmente roxo,logo depois vi Elena saindo pela porta e colocando os braços envolta do pescoço do meu pai e murmurando alguma coisa,como eu previa,meu pai fez um escândalo,ficou quase uma hora falando do quanto moto eram perigosas e que eu jamais iria me sentar em uma novamente enquanto ele estivesse vivo,Elena se colocava na frente do meu pai e debatia com ele dizendo o quanto ele estava sendo imaturo,e que motos não eram maquinas mortíferas como ele alegava,só dependia de quem as conduzia,ficamos na sala enquanto o assunto era discutido,ou no caso do meu pai simplesmente gritado,o que era um mau sinal,meu pai era bem controlado na maioria do tempo,e só gritava quando algo REALMENTE o irritava,o que era bastante raro ,eu estava sentada em uma das poltronas vendo papai gritar em pé andando pela sala e Elena andando atrás tentando convence-lo a me deixar andar de moto com Kurt principalmente por esse ser meu novo transporte escolar,já Kurt não se abalou em nenhum momento se sentou em uma poltrona perto da minha e ficou olhando para os desenhos no assoalho de madeira como se isso fosse a coisa mais interessante do mundo.

Depois que papai estava cansado de gritar e Elena de argumentar Kurt simplesmente se levantou e disse:

-Senhor Rhaldney,meu pai me ensinou a pilotar uma moto desde que eu tive idade o suficiente para controlar uma,eu tenho idade o suficiente para pilotar uma,eu tenho habilitação para isso e eu nunca sofri um acidente de moto em toda minha vida,mais do que confiar em mim você deveria confiar na palavra da minha mãe,ou você acha que ela seria irresponsável ao ponto de deixa o filho dela dirigir o que você chama de "maquina mortífera em duas rodas"?não é a maquina,é quem a conduz,e eu simplesmente sei o que estou fazendo,acho mais fácil Pixie ser atropelada enquanto vai para a escola a pé do que sofrer um acidente comigo pilotando,e por fim eu acho que Pixie tem idade o suficiente para saber o que é perigoso para ela,então o que o senhor acha de deixá-la expressar sua opinião sobre o assunto?afinal a vida é dela.

Todos olhamos atônicos para Kurt,todos menos Elena,ela simplesmente sorriu para o filho,ele devolveu o sorriso para a mãe e se virou para sorrir pra mim,meu pai ainda estava de boca aberta,eu me recuperei do chock e me levantei ficando ao lado de Kurt.

-Pai,acho que Kurt tem absolutamente toda a razão,também não acho que Elena iria deixar e muito menos defender o filho se ele fosse um irresponsável,o senhor não iria poder me levar e me trazer todos os dias de carro,acabamos de nos mudar e o senhor não vai ter dinheiro o suficiente para me comprar um carro,e sinceramente eu não estou animada em andar a pé todos os dias todo o trajeto,sendo assim eu decido que vou com o Kurt,espero que o senhor para de se preocupar a toa e pare de fazer tempestade em um copo d'água.

Eu terminei meu mini discurso e respirei fundo,eu jamais tinha precisado antes me impor desse jeito com meu pai,foi difícil,mais Kurt tinha razão,era a minha vida,e eu que tinha que decidir o que faria com ela,eu já tinha idade o suficiente para isso e meu pai precisava saber.

Logo depois eu sai da sala e fui para o meu quarto,escutei Kurt subir atrás de mim,eu entrei no meu quarto e peguei uma blusa da banda slipknot e uma calça de algodão vermelha comprida,já era de noite e tinha começado a chover e a noite seria fria,sai do meu quarto com minha roupa de dormir embaixo do braço,antes de entrar no banheiro caminhei no corredor e parei em frente a porta do meu irmão e bati levemente três vezes,pelo barulho ele devia estar jogando algum game de carro ao algo no estilo,ele pareceu dar pause,alguns segundos depois a porta foi aberta,Anderson me olhou e sorriu sapeca me dando espaço para que eu entrasse.

Seu quarto era do tamanho do meu,como ficava do outro lado a janela dava para a estrada rumo a cidade,era da mesma cor que o meu quarto e os moveis do mesmo estilo,ele tinha uma cama também de casal e um criado mudo do lado,no lugar de uma penteadeira uma escrivaninha,um armário de roupas e no canto uma mesinha de centro com uma tv de 32 polegadas em cima e no chão na frente da mesinha um xbox360.

Anderson se sentou na enorme almofada que ficava em frente a tv e pegou o controle do vídeo game tirando do pause,ele estava jogando gta,me sentei na cama,ao lado dele tinha uma caixa de sapatos com alguns doces,chocolates e mini salgadinhus,fui até a caixa e peguei um pirulito em formato de aranha,depois fui até a cama dele me sentando nela enquanto observava o jogo.

-Ei eu não me lembro de ter te oferecido.

Anderson disse de forma brincalhona,ele estava de costas pra mim enquanto jogava,eu e ele até que não brigávamos tanto,éramos irmãos calmas e nos gostávamos,tínhamos nossas implicâncias como bons irmãos é claro,só que era raro,um respeitava o espaço do outro,provavelmente era isso que fazia com que nos déssemos tão bem,também não éramos ciumentos com relação a atenção dos nossos pais,nada de achar que um tinha mais atenção ou ganhava mais coisas que o outro,nossos pais sempre fizeram questão de mostrar que nos amavam igualmente.

-Gostei do quarto.

Voltei a observar o quarto enquanto mordia o pirulito devagar para não quebrar dentro da boca,em um dos cantos do quarto tinha uma caixa com uma pilha de livros,Anderson gostava de ler tanto quanto eu,tirando alguns pacotes de doce que estavam perto de onde ele estava sentado não se via mais nenhuma desordem,um ponto positivo para um garoto da sua idade eu suponho,ele sempre foi organizado,até mais do que eu na maioria das vezes,Anderson continuava jogando,nesse momento ele estava atirando em algumas casas com uma espécie de bazuca que tínhamos descobrido como fazer aparecer a alguns meses atrás pesquisando na net sobre os macetes desse jogo.

-Cara papai esta realmente muito bravo não é?quer dizer...ouvi os gritos dele daqui,eu vi você chegando de moto pela janela e quase que ligo para o corpo de bombeiros,eu sabia que papai teria um troço.

Continuei mordendo meu doce até que ele se quebrou e soltou do palito,eu não queria falar sobre aquilo.

-E então...fez novos amigos?o passeio foi legal?

-É fiz sim,Jonny curte um vídeo game e o Lautney também,o único que não gosta muito dessas coisas é o Kia,mas ele também é legal,Elena chamou eles para virem aqui no próximo fim de semana.

Eu mordia o doce dentro da minha boca enquanto ouvia ele falando,Anderson sempre foi muito sociável,eu sabia que faria amizades fácil.

-Acho que vou indo tomar um banho,daqui a pouco Elena deve nos chamar para jantar.

Eu me levantei e ia abrir a porta quando eu ouvi ele falar.

-E o seu dia?aonde você e o Kurt foram?fizeram algo legal?

Eu me virei pra ele,Anderson ainda estava com os olhos grudados na tela

Nada de mais,só andamos um pouco de moto,ele me levou para conhecer um lugar legal dentro da floresta,talvez você possa vir conosco depois.

-É talvez,não curto esse lance de natureza você sabe,mas Kurt é um cara bem legal.

Depois eu sai do quarto e fui tomar meu banho,quando eu estava saindo do banheiro Elena tinha acabo de terminar o jantar e nos chamou para por a mesa.

Logo depois que os meninos e eu pomos a mesa meu pai entrou na sala de jantar,todos nos sentamos e comemos em silencio,eu estava um pouco tensa e não olhava para nada alem do meu prato,depois do jantar Elena pediu para que os meninos e eu tirássemos a mesa e limpássemos tudo,como éramos três o trabalho acabou bem rápido,Anderson foi o primeiro a subir,eu subi logo depois e escovei meus dentes,assim que sai do banheiro dei de cara com Kurt parado na porta com uma escova de dentes na mão,ele me olhava com um sorriso no rosto.

-Relaxa,seu pai vai ficar bem,você não fez nada de mais,é melhor você dormir legal para seu primeiro dia de aula amanhã.

Eu bati com a mão na testa,PUTS,havia me esquecido que amanhã começavam minhas aulas,ótimo.

-É você tem razão,bom acho que vou pra cama mais cedo,estou com dor de cabeça,boa noite Kurt.

Kurt me desejou boa noite e entrou no banheiro,eu fui para o meu quarto e fechei a porta,alguns minutos depois quando eu já estava deitada virada na direção da janela vendo a chuva que já tinha diminuído lá fora,ouvi alguém bater na minha porta levemente,eu me virei em direção a porta e estiquei meu braço para fora dos cobertores acendendo a luz do meu abajur.

-Entra.

A porta abriu devagar e eu vi meu pai entrando com a cabeça meio baixa.

-Me desculpa...te acordei filha?

Eu sorri de leve e me sentei na cama com as costas recostadas no travesseiro.

-Na verdade não pai,eu ainda não tinha dormido,aconteceu alguma coisa?

Meu pai olhava para o chão parecendo procurar as palavras enquanto segurava a maçaneta da porta.

-Não nada,só...queria saber se poderíamos conversar,vai ser rápido.

Eu mordi os lábios meio nervosa e acenei que sim,ele entrou no quarto fechando a porta atrás de si,chegou até minha cama e eu dei espaço para ele se sentar ao meu lado,ele se sentou,respirou fundo e levantou o rosto me olhando nos olhos.

-Quero te pedir desculpas pelo escândalo que eu fiz,sei que você não é mais uma criança e que sabe o que faz...mais filha pra mim é difícil,gostaria que você pudesse me entender,se algo te acontecer...eu simplesmente não saberia o que fazer da minha vida,eu simplesmente amo você de mais,e pra mim é difícil lidar com o fato de você estar lá fora com algo que possa te ferir ou pior,tirar você de mim.

Eu podia ver lagrimas se formando no canto dos olhos do meu pai,provavelmente a reação dele foi aumentada pela recente perda da mamãe,pra ele perder a mim ou ao Anderson seria um baque forte depois pra ele superar logo depois da perda da mulher que ele mais amou no mundo,então eu simplesmente levantei minhas costas do travesseiro e abracei meu pai forte,ficamos abraçados por algum tempo até eu soltar ele e olhar em seus olhos.

-Eu sei como você se sente papai,me desculpa se eu fui muito rude com o senhor naquela hora,mais vai ficar tudo bem,eu prometo,Kurt é um motorista responsável,você deveria saber,conhece ele a mais tempo do que eu.

Nós sorrimos e demos um ultimo abraço eu me deitei e meu pai me cobriu me dando um beijo de boa noite na testa e me desejando boa sorte amanhã na escola,ele provavelmente já vai ter saído quando eu me levantar amanhã para meu primeiro dia de aula.

Bom galera é isso,desculpa o atraso,mais ta ae o capitulo,meio curtinhu pq vocês já sabem,fata de pc,mais essa semana quando eu tiver um tempinhu vou abrir meu pc e ver o q ele tah sentindo,torçam pra que não seja nenhuma peça que tenha que trocar,por que se não for eu arrumo logo,mais se for T.T vou ter que comprar uma peça nova dae nem sei quando isso vai acontecer.

Seguinte,esse capitulo não deveria terminar ak,esse capitulo deveria terminar com o primeiro dia da Pixie na escola,mais por causa do meu tempo limitado para digitar a historia ficou ae,o próximo será postado se os Deuses me ajudarem manhã ou na sexta,isso também depende das almas caridosas que me deixam recadinhus,vcs sabem que eles são o alimento da alma de qualquer escritor,bem alimentados nos tiramos tempo até de onde não podemos para escrever a historia mais rápido possível para vcs rsrs