Katherine e eu fomos caminhando até a mesa mais afastada no canto do refeitório,vi Courtney e Elvira já sentadas na mesa com suas bandejas de comida conversando baixo,assim que nos viram chegando pararam de conversar e começaram a me olhar.
Katherine se sentou no banco de frente para elas e colocou sua bandeja na mesa e me olhou.

-Pode se sentar Pixie...ou gosta de comer em pé?

Sorri um pouco nervosa e comecei a me sentar quando outra garota chegou,eu olhei rápido e logo a reconheci,era a garota de olhos cinzas,eu me espantei um pouco por vela ali,não sabia que ela fazia parte desse grupo,ela não pareceu espantada por me ver,simplesmente deu a volta na mesa e se sentou no banco de frente para mim.

-Então Pixie,acho que você já conhece a Courtney e a Elvira.

Katherine falou apontando cada uma,eu sorri e as olhei,não diretamente nos olhos ,estava um pouco apreensiva,e se "aquilo"acontecesse de novo e eu desmaiasse no refeitório?

-E essa é a Caroline.

Katherine apontou para a menina de olhos cinzas,eu olhei para ela e sorri,Caroline sorriu também,era a primeira vez que eu há via sorrir,ela tinha um lindo sorriso,seu rosto era um pouco redondo e suas bochechas faziam leves covinhas ao sorrir.

-Nos temos uma aula juntas,e também armários um do lado do outro.

Ela terminou de falar e começou a comer uma maçã.

-É verdade,sentamos uma do lado da outra!

Olhei para Courtney e Elvira que já tinham começado a comer seus lanches também.

-Bom meninas,é um prazer conhecer vocês "oficialmente"

As 3 sorriram e falaram ao mesmo tempo.

-Igualmente Pixei.

Estava me sentindo um tanto estranha,era como se tivesse muita energia dentro e fora de mim,sentia minha cabeça um pouco leve.
Mais o mais estranho é a forma que elas me olhavam,era como se elas estivessem me estudando,era estranho.

-Você é muito linda Pixie,seu rosto é tão perfeito...parece feito de porcelana,não parece estar na fase da adolescência,passando por tantas mudanças típicas dessa fase.

Eu ri e olhei para Katherine.

-Obrigada,acho que eu tive sorte.

Ela sorriu e eu peguei um pedaço de pizza e comecei a comer,senti a mão de Katherine no meu queixo e me espantei um pouco,ela virou meu rosto delicadamente em direção ao seu rosto.
Eu podia ver ela me olhando atentamente através dos óculos escuros.

-Não se preocupe,não vai acontecer de novo.

Senti minha respiração falhar...será que ela estava falando da estranha sensação?e se for sobre isso...quer dizer que ela sabe!será que aconteceu o mesmo com ela?

Ainda sorrindo ela soltou meu rosto devagar e tirou os óculos escuros,prendi a respiração e olhei diretamente em seus olhos negros como pixe.
E...nada!não senti nada,absolutamente nada,me virei e olhei diretamente nos olhos de cada menina na mesa...nada!nada estava acontecendo,nenhuma ventania,nenhuma água,fogo,visão ou qualquer outra coisa.

Todas me olhavam sorrindo,seus sorrisos eram felizes e enigmáticos,como se compartilhassem algum segredo entre elas.
Pelos Deuses...eu estava enlouquecendo ou o que?

Eu podia sentir o braço de Edward em volta da minha cintura me apertando junto ao seu peito,sua mão livre afagando meus cabelos.
Eu estava sentada em seu colo,o rosto no seu pescoço enquanto chorava e soluçava sem lagrimas.

-Bella meu amor,se acalme,vai ficar tudo bem.

Senti Edward me abraçar mas forte,a alguns anos eu vinha tendo esses ataques de choro,as vezes acontecia quando eu voltava da procura de Renesmee sem nenhuma pista de seu paradeiro,outras vezes vinha do nada,eu estava sentada olhando para qualquer coisa e o choro desesperado vinha,era algo horrível,um desespero que ia subindo e aumentando por dentro,uma dor quase insuportável,uma angustia avassaladora,as vezes eu sentia que aquilo só iria embora quando eu tivesse minha garotinha em meus braços novamente.

Mas,depois de alguns minutos,aquilo tudo diminuía,e se tornava ao menos suportável,mas nunca ia embora totalmente,e sempre voltava com força alguma hora,e eu sabia,eu tinha certeza,aqueles sentimentos ruins só desapareceriam por completo no dia que eu tivesse minha menina nos meus braços novamente.

Só que esses ataques tinham ficado piores ultimamente,algo dentro de mim dizia que minha filha estava correndo perigo,algo estava para acontecer,e isso só aumentava meu pânico,e tudo ficava pior,os minutos de choro passaram a se tornar horas,eu só queria poder ter minha filha comigo,acariciar seus cabelos,velar seu sono,viver com ela,ser parte de sua vida,eu queria abraçá-la e protegê-la de todo mal do mundo,mas eu não podia...

Como eu podia protegê-la de algum mal se nem ao menos sei aonde ela está?se nem ao menos sei se ela está bem,como vive,se é feliz ou qualquer coisa a respeito dela?a única coisa que eu tinha certeza era que ela está viva,algo dentro de mim me dizia,algo muito forte,e era essa mesma coisa que me dizia que algo ruim estava se aproximando dela,e eu estava aqui,sem poder fazer nada para impedir!

O quão irônico poderia ser tudo isso?mesmo eu sendo uma vampira forte e poderosa não podia impedir que algo ruim acontecesse com minha própria filha!

Levantei o rosto e olhei nos olhos de Edward,o amor da minha vida,sem ele eu não teria forças para continuar,as vezes eu sentia que a única coisa que me mantinha "viva"por dentro era Edward e a certeza que minha filha estava viva em algum lugar,eles dois eram tudo,absolutamente tudo pra mim,os amava mas do que a mim mesma.

Sentir Edward parar de acariciar meus cabelos e começar a cariciar meu rosto,seus olhos pregados nos meus.

-Está mais calma?vou te levar para caçar,você precisa urgentemente de algum sangue.

Ele deu um leve sorriso,mas não era um sorriso feliz,era aquele tipo de sorriso que se dá quando você está tentando esconder uma lagrima.

Olhei nos olhos negros de Edward,ele não estava melhor do que eu por dentro,mas ele tentava parecer mais forte,ele não queria desabar junto comigo,ele fez a mesma coisa quando e estive grávida de Renesmee,ele queria parecer forte para me dar forças.

Naquela época ele se fazia de forte na minha frente,mas desabava quando eu não estava por perto,ele queria ser forte por nós dois.

Levantei do seu colo e me virei olhando para as rachaduras nas paredes,ele se levantou atrás de mim e colocou a mão no meu ombro.

-Bella,meu amor,você precisa se alimentar.

Eu balancei minha cabeça para os lados,eu não queria sangue,eu não queria nada,só minha filha comigo,e nesse momento eu percebi que o desespero voltava,meu pânico tinha se acalmado para poder voltar apenas alguns minutos depois,era a primeira vez que meu pânico voltava tão rápido.

-Bella,você não pode continuar assim,esses últimos dias você vem piorado muito,tem negligenciado de mas a sua alimentação,você tem ficado cada dia mais fraca meu amor.

Senti a mão de Edward apertar meu ombro de leve.

-Você precisa estar forte para que possamos encontrar nossa filha.

Eu me virei bruscamente e olhei nos olhos de Edward.

-EU PRECISO ESTAR FORTE PARA ENCONTRAR NOSSA FILHA?OLHA QUEM ESTÁ FALANDO EDWARD,SE OLHE NO ESPELHO,VEJA OS SEU PROPRIO REFLEXO E ME DIGA QUE SOU EU A ÚNICA FRACA AQUI!NÃO ME DIGA PARA FAZER ALGO QUE NEM VOCE CONSEGUE FAZER!

Coloquei as mãos na minha cabeça e apertei com força ao mesmo tempo que fechava meus olhos e os apertava com força,aquela dor,aquele pânico e angustia explodindo dentro de mim como nunca,meu Deus,eu só queria por aquilo para Fora do meu peito,era dor de mais,eu não agüentava mais.

Pude sentir Edward me abraçando com força e falar baixo perto do meu ouvido.

-Meu amor,calma,está tudo bem,se acalme por favor.

Me soltei dos braços de Edward e me afastei dele,enfiei meus dedos e puxei meus cabelos pela raiz,uma forma de transferir aquela dor para um lugar suportável talvez.

-PARA,PARA DE ME DIZER QUE ESTÁ TUDO BEM,NÃO ESTÁ TUDO BEM,A QUEM VOCE QUER CONVENCER DISSO?A MIM OU A VOCE MESMO?JÁ FAZ 11 ANOS QUE EU NÃO SEI DO PARADEIRO DA RENESMEE,ESTAMOS A ANOS VAGAMANDO POR VARIAS CIDADES SEM CONSEGUIR NENHUMA PISTA,ENTÃO NÃO ME VENHA DIZER QUE ESTÁ TUDO BEM EDWARD,POR QUE NÃO ESTÁ NADA BEM!

Eu parei de gritar,soltei meus cabelos e deixei minhas pernas fraquejarem para encontrar o chão,mas a única coisa que eu encontrei foram os braços de Edward.
Ele me segurou em seu colo antes que eu desabasse no chão,eu pus o rosto no peito dele e me pus a chorar desesperadamente.

Ouvi a porta sendo aberta e algumas pessoas entrando,eu ouvi podia ouvir eles conversando e Edward respondendo,mas eu não entendia o significado das palavras,eu só conseguia chorar e soluçar agarrada a blusa de Edward,eu queria poder desmaiar,eu queria poder ficar inconsciente,eu queria poder dormir,eu queria uma fuga de tudo aquilo,mas eu era uma vampira,e nada daquilo era possível pra mim,aquele meu estado é o maximo que eu podia chegar,aquilo é a única inconsciência que me era permitida.

Algumas horas depois eu já estava mas calma,tinha parado de chorar,o quarto estava vazio,eu estava deitada na cama com Edward me abraçando pelas costas,ele sussurrava uma calma melodia baixinho no meu ouvido enquanto fazia um leve carinho na minha barriga.

Me virei na cama para ficar de frente pra ele,acariciei seu rosto com as pontas dos meus dedos,ele fechou os olhos aproveitando a caricia.

-Me perdoe pelas coisas que eu disse.

Edward abriu os olhos e sorriu de leve,aquele sorriso fraco e sem felicidade.

-Você sabe que eu não tenho nada para perdoar.

Esses últimos dias quando os ataques de choro tinham ficado mas graves eu havia passado a gritar com qualquer um que tentasse me consolar,eu já havia gritado com Edward,Alice,Jasper e com o Jacob,eu me sentia terrivelmente mal depois que me acalmava,afinal eles só estavam tentando me ajudar,mas nenhum deles parecia se importar com minhas ofensas,quando eu pedia desculpas eles só me diziam para não me preocupar com aquilo e me davam um abraço,Carlisle tinha conversado comigo sobre aquilo,ele me disse que era algo que me acontecia quando eu entrava do meu limite,uma forma do meu corpo tentar por pra fora aquela dor e que eu não deveria me preocupar com as coisas que eu dizia naquele estado,os outros entenderiam.

-Mesmo assim...me sinto mau por ter gritado com você.

Edward se aproximou e me deu um selinho.

-Não se sinta mau por isso,você está melhor agora,é tudo que importa,Esme e Carlisle vieram ver o que você tinha.

Eu balancei a cabeça de forma afirmativa.

-é eu ouvi eles entrando,os outros ainda não voltaram?

Apesar da expressão dos olhos de Edward não mudarem eu pude sentir a dor nos seus olhos.

-Foram caçar,Jacob resolveu procurar um pouco mais.

Era a forma de dizer que eles também não haviam encontrado nenhuma pista.

Eu me aproximei mais de Edward juntando nossos corpos e olhando em seus olhos.

-Te amo Edward,você é minha vida!

Ele aproximou seu rosto do meu e roçou levemente seus lábios nos meus enquanto sussurrava

-Minha Bella,você também é minha vida,te amo por todo o sempre.

Olhei nos seus olhos e vi um amor tão grande quanto o meu,e era aquele amor que nos fazia forte.

-Sabe Pixie,eu não tive a oportunidade de te agradecer por ter nos defendido aquele dia na picina!

Eu levantei os olhos do meu lanche e olhei para Courtney,dei um sorriso enquanto mastigava com a boca fechada.

-É verdade,poucas pessoas enfrentam aquela nojenta da Diana,ela meio que pode atormentar e muito quem fica no seu caminho.

Olhei para Elvira enquanto tomava um pouco do meu refrigerante para ajudar descer a comida.

-Não precisa me agradecer por isso,só fiz o que achava que era certo,e quanto a Diana...bom ela pode tentar atormentar minha vida o quanto quiser,não é como se eu tivesse algum medo dela!

Katherine olhou pra mim enquanto tomava um pouco de refrigerante.

-e você veio de onde?

Eu sorri e começamos a conversar sobre nossas vidas,e isso só me fez pensar que Kurt estava sendo totalmente exagerado sobre Katherine,ela não me parecia uma psicopata ou algo do tipo,era só mas uma garota como tantas por ae que tiveram uma vida difícil e foram marcadas pelas dificuldades,uma garota que teve que amadurecer rápido.

Seus pais haviam se separado quando ela tinha 10 anos,seu pai sumiu pelo mundo e ela nunca mas o viu,sua mãe virou alcoólatra desde então e acabou se casando com um cara chamado Bob,e pelo que Katherine deu a entender esse tal de Bob também era alcoólatra,ele fez a mãe dela vender a casa logo depois que se casaram,com o dinheiro ele comprou um bar,assim eles poderiam trabalhar e pagar seus vícios,a mãe dela sempre fazia tudo o que Bob queria,eles moraram no bar por algum tempo,quando tiveram dinheiro o suficiente compraram um trailer e eles vivem nele desde então.

Katherine falava dando de ombros como se tudo aquilo não fosse tão importante,só que por mais que sua voz tentasse passar indiferença lá no fundo você via uma pontada de amargura,a mesma amargura que eu via vez ou outra atravessar seus olhos.

Elvira tinha pais católicos um tanto quanto fanáticos,e seu estilo e jeito de ser eram motivos constantes de brigas em casa,segundo ela seus pais achavam que ela estava ofendendo a Deus com seu modo de vida rebelde,eles moravam nos EUA mas tinham se mudado a cerca de 2 anos pra cá,os pais dela achavam que uma cidade pequena poderia ajudar a resolver os problemas dela,afastar a tentação,o que é claro não aconteceu.

-As vezes eu tenho certeza que eles imaginam que eu tenho um demônio no meu corpo,mas não falam isso por medo da minha reação,algo como virar a cabeça ao contrario,enfiar um crucifixo na minha vagina e vomitar sopa de ervilha em suas vestes perfeitamente alinhadas e recatadas!

Todas na mesa riram,Courtney levou uma colher de gelatina até a boca ainda rindo.

-Cuidado Elvira,daqui a pouco eles podem começar a colocar água benta na geladeira ou bíblias em baixo do seu colchão.

Courtney morava com seus avós,seus pais tinham morrido em um acidente de carro,quando ela ainda era bem novinha,seus pais a levavam constantemente ao medico por causa de sua saúde frágil,o acidente ocorreu em uma dessas idas ao medico,o mais incrível foi que ela,um bebe de apenas alguns dias foi a única sobrevivente,o carro foi totalmente destruído,ela saiu do acidente sem nenhum aranhão,ninguém até hoje entendia como ela sobreviveu,os bombeiros ficaram espantados ao tirarem ela das ferragens destorcidas sem nem um ferimento,ela foi criada por seus avós maternos desde então,eles moravam em Massachussetts e resolveram se mudar a um ano e meio,ela parecia se culpar pela morte dos pais.

Caroline era a mas quieta do grupo,ela morava com o pai,sua mãe tinha morrido em um incêndio quando ela tinha 11 anos,pelo que eu entendi seu pai se tornou um homem amargurado desde então,se mudaram para essa cidade logo depois do incêndio a fim de refazerem suas vidas,mas seu pai nunca mais foi o mesmo,ele se isolou o quanto pode e pelo jeito Caroline não teve um"pai"de verdade desde então.

Eu também falei um pouco sobre mim,e quando vimos o horário de almoço já tinha acabado.

Cheguei um pouco atrasada na aula de biologia,entrei e pedi desculpas ao professor que não pareceu se importar com meu pequeno atraso,ele parecia estar corrigindo algumas folhas enquanto a turma fazia alguma espécie de teste.
Fui direto para minha carteira no meio de Frigga e Odim.

-Desculpa a demora,e então?o que é isso que estão fazendo?

Frigga me olhava com uma expressão um tanto pasma,Odim deu de ombros e apontou para a folha que estavam em cima da mesa.

-O professor nos mandou responder em trio essa folha de questões sobre a aula passada,nós podemos consultar nossas anotações.

Odim falou sem desviar a atenção do caderno dele por momento algum.
Enquanto eu pegava meu caderno na mochila olhei para Frigga que parecia congelada na cadeira me olhando,sim ela era muito exagerada,e isso era muito legal nela,fazia parte da sua personalidade.

-O que você tem?

Falei baixo para não atrapalhar o resto da turma,Frigga ainda me olhava um tanto pasma.

-Como é que foi?

Frigga fez uma cara de indignada e eu sorri com sua expressão.

-você ta brincando não é?

Eu continuei sorrindo enquanto abria meu caderno e procurava as anotações da aula de biologia.

-É eu to,você quer saber sobre meu almoço com Katherine não é?

Frigga se aproximou ainda mas de mim e sussurrou

-Mas é obvio que eu quero!

Eu dei uma risada e olhei pra ela.

-Bom,meu fígado ainda funciona bem,elas não quiseram comê-lo,acho que eu não tenho um gosto tão bom.

Dei de ombros e ri mais um pouco,Frigga revirou os olhos.

-Droga Pixie,estou falando serio!

-Ta bem ta bem...a verdade é que...foi um almoço normal,elas são garotas legais,como eu tinha dito antes"você e Kurt estavam fazendo uma tempestade num copo d'água!

Frigga me olhou com uma expressão desconfiada.

-duvido que elas são tão normais assim,acredite em mim,eu estudo aqui a um bom tempo,e essas garotas...elas são do mal,principalmente Katherine,as outras são mas fantoches dela,só tome cuidado pra não virar mais um deles!

Meu sorriso se desfez e Frigga começou a dar atenção ao exercício,eu também tentei me concentrar no meu,a verdade era que Katherine e as outras me pareceram garotas legais realmente,é claro que eu sentia todo aquele mistério em volta delas,mas nem todo Mistério precisa ser ruim não é mesmo?

A aula logo terminou,Odim e eu fizemos os exercícios praticamente sozinhos enquanto Frigga nos olhava,ela detestava biologia,fui pra minha próxima aula e ela acabou rápido também,antes de ir embora fui pegar algumas coisas no meu armário e encontrei Caroline ali.

Assim que me viu ela tirou o cabelo do rosto e deu um sorriso,eu sorri de volta e abri meu armário.

-Como foram suas aulas?

Dei uma olhada de lado enquanto pegava um livro no armário,e vi ela dando uma careta.

-Horríveis,odeio estudar.

Eu ri enquanto trocava alguns livros da minha bolsa.

-A maioria dos adolescentes não gosta,bom eu acho que vou sempre contra a maré,adoro estudar.

-a então quer dizer que você é uma nerd?

Peguei uma escova na mochila e penteei os cabelos enquanto olhava pra ela.

-Bom,não sei,pode ser

eu dei de ombros e ela sorriu,guardei a escova no meu armário e fechamos as portas dos armários juntas!

Coloquei a mochila no ombro e olhei para Caroline.

-O que você vai fazer o dia todo?

Olhei pra ela e ajeitei a mochila no ombro pensando.

-Bom vou pra casa,fazer o meu dever e ajudar o Kurt no dele,jogar vídeo game com meu irmão,ler um livro.

Dei de ombros e comecei a andar devagar enquanto Caroline ia comigo.

-Não sei exatamente,algo nesse estilo!

Caroline correu e parou na minha frente sorrindo,eu parei também olhando pra ela.

-Não quer ficar com agente?vamos pra minha casa ficar a toa comer alguma coisa,depois podíamos sair um pouco e te mostrar nossa GRANDE CIDADE!ou eu deveria dizer nossa METROPOLE?vc sabe...aqui é tão grande que eu fico na duvida de que nome usar!

Eu ri e me senti mais animada doida pra aceitar,mordi os lábios e pensei um pouco.

-Mas e seu pai?ele não vai ligar?

Ela revirou os olhos ainda sorrindo.

-Meu pai não liga pra nada,ele vive trancado no quarto dele,contanto que não entremos lá poderíamos fazer uma festa em casa que ele não reclamaria!

Olhei pra ela enquanto mexia os dedos dos pés um tanto nervosa,eu queria muito aceitar,mas algo dentro de mim,uma voizinha dizia pra tomar cuidado,droga...eu queria muito passar mais tempos com elas!

-Hum...eu não sei...quer dizer!Acho que vou falar com o Kurt primeiro.

-Falar o que comigo?

Me virei rápido e vi Kurt parado atrás de mim,ele não estava com uma cara tão feliz,eu sorri pra ele e fiquei de lado pra não ficar de costas pra Caroline,ela assim que viu Kurt desmanchou o sorriso e colocou o cabelo pra frente cobrindo um pouco rosto.

-Como foram as suas aulas?

-Boas,o que você tem pra falar comigo?

É..ele não estava muito feliz!

-Bom...Caroline me chamou pra ir na casa dela e depois dar um passeio...então eu queria saber se você podia avisar os nossos pais que eu vou chegar um pouco tarde hoje.

Kurt me olhava com a expressão seria sem se alterar.

-Claro,eu aviso,quer que eu vá te buscar depois?

-Não precisa,eu levo ela pra casa depois.

Olhei pro lado e vi Katherine vindo junto com Elvira e Courtney um pouco atrás dela, Katherine colocou um braço em volta do meu ombro e sorriu para Kurt.

-Você leva?pelo que eu sei você não tem carro ou falou em um tom meio amargo.

Katherine deu de ombros sorrindo enquanto Kurt parecia se concentrar ao maximo para não deixar transparecer sua frustração.

-É eu não tenho,mas Elvira tem,não se preocupe,Pixie vai chegar inteira em casa.

Eu comecei a me sentir um pouco desconfortável entre Katherine e Kurt,me desvencilhei do braço de Katherine E abracei Kurt,ele me abraçou forte e acariciou minhas costas de leve,eu relaxei e inspirei um pouco o perfume dele,antes de me soltar ele sussurrou no meu ouvido.

-por favor,tome cuidado.

Nos soltamos e eu olhei nos olhos dele e fiz que sim com a cabeça levemente,virei e fui embora com as meninas.

Estávamos na casa de Caroline,a casa dela era simples não muito grande,mas bem arrumada,não tinha muitos enfeites e nem uma foto,emanava uma energia triste,estávamos todas esparramadas em cima da cama de casal de Caroline,conversávamos a horas rindo e brincando,e eu me sentia bem,era muito bom aquela sensação de fazer parte de um grupo de amigas,algo totalmente novo pra mim e incrivelmente bom,vez ou outra eu sentia um poder circulando entre nós,uma energia forte e poderosa,e aquilo fazia tudo se tornar melhor ainda!

-Ta legal,eu não sei como vocês podem não gostar do livro A Kiss of Shadows

Caroline,Elvira, Katherine e eu fizemos caretas.

-Aquele livro é ridículo Courtney,não consegui passar do segundo capitulo.

Caroline levantou o dedo como se estivesse na sala de aula pedindo permissão para falar.

-Concordo totalmente com a Elvira,como eu amo a serie Anita Blake eu corri pra ler a serie A Kiss of Shadows só por que são da mesma autora,mas eu simplesmente odiei.

Katherine pulou na cama e deitou no meio de nós colocando a cabeça em cima da barriga da Courtney que estava meio deitada.

-Não posso concordar ou discordar de vocês,nunca passei da sinopse desse livro.

Rimos baixo e Caroline levantou da cama e foi até sua escrivaninha e voltou trazendo um livro,ela colocou ele na minha mão e voltou a sentar na cama.

-Já que você ama livros leia esse Pixie,você deve adorar,é uma serie com 7 livros por em quanto,eu tenho até o quinto,quando você terminar esse eu te empresto os outros se você tiver gostado da historia,+ eu tenho quase certeza que você vai,a historia é bem legal,e como você tem toda essa coisa de"morda-me"com você,acho que vai gostar mais ainda .

Eu sorri e olhei o livro"Kisses Vampire'a...vampiros...minha blusa escrito"morda-me"...todo sentindo,não me lembro dessa blusa ter causado tanto alvoroço na ultima vez que a usei,ainda sorrindo coloquei o livro no colo e olhei para Katherine.

-E você Katherine,qual seu livro preferido?

Katherine fez uma cara de pensativa e olhou para o teto.

-Sabe eu gosto mas de livros com figuras,tem um que eu sou apaixonada,adoro ver antes de ir dormir.

Arqueei um pouco as sobrancelhas ainda olhando pra ela.

-Ok...e qual é o nome desse livro?

Katherine soltou um suspiro um tanto teatral ainda olhando para o teto.

-Kama sutra

Nós rimos e eu senti meu rosto corar um pouco,as meninas pegaram um travesseiro batendo de leve com eles na Katherine,depois Courtney virou pra mim.

-É você Pixei?seu livro preferido?

Eu sorri e respondi automaticamente.

-O morro dos Ventos Uivantes

As meninas ficaram em silencio e olharam uma para as outras até caírem na gargalhada todas juntas,eu olhei para elas sem entender.

-Ei,o que foi?

Caroline se acalmou um pouco e ainda rindo me olhou.

-Como assim o que foi?esse livro é totalmente piegas.

Ela voltou a rir e eu revirei os olhos sorrindo de leve.

-Não tão piegas do que usar a palavra piegas!

Caroline colocou língua pra mim e eu usei o travesseiros que estava do meu lado pra bater nela,e foi ai que começamos uma guerra de travesseiros.

Parando para pensar um pouco eu consigo entender o que uniu essas meninas,cada uma delas teve uma vida um tanto quanto difícil, Katherine com um pai que à abandonou,mãe e padrasto alcoólatras a falta de um lar,Courtney que viveu com os avÔs e não teve a oportunidade de conviver com os pais alem de se sentir culpada pela morte deles tinha que conviver com as piadinhas por causa da sua doença,Elvira que sofre preconceito até dentro de casa com pais que não a entendem e acham que o jeito dela ser pode ser atribuído a um demônio em seu corpo,e claro Caroline...perdeu a mãe de uma forma tão horrível,e de certa forma perdeu seu pai no mesmo dia!

Todas elas tinham a dor em comum,falta de uma verdadeira família,todas tinham uma casa,mas não pareciam ter um lar,talvez seja isso que fizeram elas serem tão unidas,elas formaram sua própria família feliz,elas podem não ser parentes de sangue,mas se amavam como tal,e era isso que importava.

E eu comecei a perceber que eu tinha entrado para aquela família e isso me fez tão feliz que eu passei a ignorar totalmente aquela voizinha interior que se esgoelava dentro de mim gritando com todas as forças me mandando tomar cuidado...e não seguir o conselho dessa pequena voizinha me custou caro,um preço que eu só viria a descobrir futuramente.