Moramos na escola, mas aos finais de semana podemos voltar para casa, retornando sempre na segunda de manhã. Durante a semana, podemos sair, porém temos uma espécie de toque de recolher. Mas, para alguns, esse horário é entendido, já que trabalham. Essa é uma das coisas que diferenciam HHS das outras. Ela tem uma espécie de programa que nos incentiva a trabalhar. Eu não sei direito como funciona, mas um dia ouvi a professora Minerva explicando assim: os pais de alunos que tem escritórios ou empresas, para conseguir descontos na mensalidade de seus filhos, oferecem "estágios" para alguns alunos. E geralmente, eles trabalham em Londres. Outros, porém, trabalham em Hogsmead mesmo. Com os pubs e lojas, não é difícil conseguir um trabalho de meio período. Na verdade, semana passada, soube que vão abrir uma filial daquela livraria famosa em Londres, a Floreios e Borrões. Vou me candidatar. Sempre sonhei em trabalhar em um lugar assim, por causa do desconto para funcionários. De qualquer forma, trabalhando ou não, para estudar aqui, ou você deve ser um aluno muito bom ou você entra por meio de bolsa de estudos. Ah, esqueci de dizer, mas em HHS, somos divididos assim que entramos. Não importa se você é bolsista ou convidado. E também não é uma divisão do tipo meninas para um lado da escola e meninos para o outro. Existem quatro casas aqui: Grifinória, que é a minha casa, Corvinal, Lufa-Lufa e Sonserina. Fazemos testes de aptidão e assim e somos classificados para uma das casas. Geralmente, as pessoas audaciosas e corajosas vão para a Grifinória, cujo brasão é um belo e grande leão vermelho e amarelo. Sabe, ele me lembra o Aslam, de "As Crônicas de Nárnia". Pois é, adoro esse filme. Sou nerd assumida, não ria. Inteligentes e bem humorados vão para a Corvinal, que tem como símbolo uma águia de cobre. O símbolo dos lufanos é o texugo e a cor é o amarelo, que representa as pessoas pacientes e bondosas. Há quem diga que só vai para a Lufa-Lufa quem não conseguiu passar para as outras casas. E adivinha quem diz isso? Claro, uma boa parte dos Sonserinos, que são os astutos e sedentos de poder. Eu não acredito nisso. Cada casa acolhe aqueles que se identificam com eles e não as sobras dos outros, mas vai enfiar isso na cabeça deles?
Voltando ao assunto anterior, como eu moro no centro de Londres e aos finais de semana estou quase sempre nos treinos, não é sempre que vou para casa. Na verdade, eu meio que evito isso. Tenho uma irmã mais velha, a Petúnia, e nós não nos damos bem. Bem, nem adianta me perguntar o motivo. Ou melhor, acho que sei. Na minha família, eu fui a única a receber o convite para estudar em Hogwarts. Petúnia nunca aceitou o fato de a pequena Lily ter entrado, e ela, não. Mas, logo não vai precisar se preocupar com isso. Se tudo der certo, quando me formar, vou estudar em Yale. Estados Unidos. Um oceano de distância disso tudo. No aniversário do meu pai, mês passado, tivemos mais uma de nossas brigas colossais e ela passou a semana inteira depois na casa de um cara chamado Vernon Dursley. Papai e mamãe não gostaram muito, mas "Petúnica" já é maior de idade e podia fazer o que quisesse.

Bem, no geral, Hogwarts é bem legal, sabe? Tem um lago enorme, perto do estacionamento dos alunos. Sim, podemos ter carros aqui. E sim, quando está calor, nós adoramos passar a tarde toda nele. Os dormitórios ficam localizados na parte baixa da colina. São quatro prédios no total, com sete andares, um para cada ano de estudos. Cada quarto abriga 5 pessoas e para cada ano são apenas cem alunos, que no total, nos dá setecentos alunos na escola inteira.

Eu estou no meu quarto agora. Divido ele com minhas melhores amigas Dorcas, Marlene, Emmeline e Alice. Estou sentada na minha cama, vendo minhas amigas dormirem tranqüilas e... Opa, Dodô acabou de roncar alto. E eu, estou com a jaqueta dele em minhas mãos. E com uma vontade louca de ir procurá-lo amanhã! Quando lembro dos olhos dele, as borboletas em minha barriga começam a ficar loucas! Ah Deus, o que eu estou fazendo? Um sorrisinho idiota e eu já estou assim? Quero dizer, ele era lindo sim, mas eu nem troquei mais de vinte palavras com ele ontem...
Foi nessa hora que a Marlene sorriu, ainda dormindo e disse algo como: "quero sorvete com coca-cola mamãe".

Acordei cedo hoje, mas fiquei enrolando para levantar. São nove horas da manhã agora.
Tomei meu banho, me troquei e peguei meu caderno e livro de História. O professor Binns, passara uma infinidade de perguntas para a próxima aula. Saí do prédio da Grifinória, subindo as escadas bem feitas e revestidas com ladrilhos, para rumar ao refeitório. É um prédio amplo, térreo, com um grande salão. Fica próximo aos prédios onde são ministradas as aulas. Nele também há várias mesas com oito lugares. E foi bem nesse lugar que ontem, minha vida deu salto.
Eu só não sabia se havia sido para a melhor ou pior.
Após deixar meu material na mesa que sentávamos pelos últimos anos, fui até a fila para pegar meu café da manhã. Estava com fome hoje, então, uma grande xícara de chocolate quente com torradas quentinhas e um pedaço de bolo de chocolate cairiam bem. Estava lendo um texto do livro, quando senti alguém lendo por cima de ombro.
– Você podia devolver a minha jaqueta? Descobri que andar de moto sem ela é horrível. – MEUDEUSDOCÉU. Como o sorriso dele pode ser tão lindo assim? Alguém me explica, por que tá super difícil de compreender. Nessa hora, acho que a minha cara de susto deve ter sido a melhor, pois ele sentou soltando uma risada baixa, passando a mão pelo jeans e depois passando a mão nos cabelos grossos e pretos. Olhei assustada para ele. Tentei pensar em algo que não fosse idiota para dizer. Não muito, pelo menos.
– Faz o quê aqui? – E me arrependi na hora; Lily, florzinha, CADÊ A SUTILEZA, SUA PALERMA? Aparentemente, ele ria de tudo o que saía da minha boca.
– Aqui no refeitório? Bem, vim pegar minha jaqueta com você e tomar meu café. E na verdade, eu te perguntei primeiro, então acho que merecia primeiro a resposta. Agora me deve duas. – Ha, tive que rir.
– Quem está fazendo a contagem? Você? – Sorri. Acho que a Lily doce estava voltando.
– Ah... Na verdade, é o Pads. Mas ele não é muito justo, então, o Moony assumiu o controle. Sorte sua. Se dependesse do Sirius, me deveria umas dez. – E ele, de uma forma muito abusada, pegou a xícara de minha mão e tomou. – Com canela? Fica bom.
– Com licença? Esse é o meu chocolate quente. Se quiser, o seu fica naquele balcão. – E apontei para o lugar atrás dele, mas dessa vez, sorrindo.
Ele se sentou mais confortavelmente na cadeira.
– E você, faz o quê aqui? – E me encarou com seus belos olhos, ainda bebendo em minha xícara.
– Ah... – Eu disse olhando para meu livro e depois para ele, que me olhava como se quisesse me interpretar. – O que é Pads e Moony? Sirius é um dos seus amigos? – E me dei conta que ele ainda estava tomando em minha xícara. – Depois ainda quer sua jaqueta de volta! Eu devia roubá-la, do mesmo jeito que está fazendo agora. – E para variar, ele riu baixo.
– Você é meio possessiva com suas coisas, não é? Se quiser, dividimos essa e hoje à noite, te pago algo no pub da Madame Rosmerta. O que acha?
– Estou esperando minhas amigas, Marlene Mckinnon, Emmeline Vance e Dorcas Meadowes. – E Sorri. Foi impressão minha ou ele havia acabado de me chamar para sair? – Você está me chamando para sair? – Sim, ele estava me encarando, quase como se eu fosse um enigma e se ele o descobrisse, ganharia um milhão de libras. Sim, eu disse aquilo para ele saber que qualquer coisa que ele fizesse comigo alguém daria por minha falta. Era estranho, mas mesmo sentindo tudo isso por ele, ainda tinha uma parte de mim que tinha medo.
– Olha, obrigada pela jaqueta. Mas ela não está comigo agora. Está em meu quarto. Você nem me conhece e fez isso. Eu podia nunca mais te devolver ou podia ter doado sua jaqueta e – Eu parei, incrédula, para falar a verdade. Não sei como o rosto dele não doía, de tanto sorrir.
– Na verdade, sei quem você é. Lily Evans, último ano. Capitã do time feminino de natação; – E ele sorriu. – Não se assuste. Já estudamos juntos há uns anos atrás, mas eu tive que sair da escola por uns tempos. Pelo visto, quem não sabe nada sobre mim aqui é você. – Bem, eu assenti. Eu realmente não me lembrava dele.
– Eu sei quem você é! – Eu disse em um tom quase que ofendido. Você é... – Ele olhou para mim sorrindo e depois arqueou uma das sobrancelhas. Me dei por vencida. – Ok, ok! Eu não me lembro de você, satisfeito? – Encarei ele emburrada. – Vai ficar de charme ou vai dizer seu nome? – Aí ele riu mais uma vez e levantou. – Me desculpe, tenho que ir. Até mais tarde, no Três Vassouras. Vou estar lá às sete. E sobre minha jaqueta, meu amigo, o Sirius, vai te procurar hoje para pegá-la ok? – E o indivíduo se levantou e piscou para mim. Mas não saiu sem antes dizer. – Se quiser saber meu nome, vai ter de me encontrar lá, Lils.

Assustei-me quando Dorcas, Emmeline e Marlene sentaram nos outros lugares da mesa, rindo feito doidas e Marlene estava me abraçando, o seu bom dia costumeiro. – Lily, você não tem idéia do que a louca da Dorcas fez! – Lene era assim. Em qualquer lugar que chegava, já ia soltando tudo o que queria dizer. – Ela foi falar com o Sirius, amigo do seu James... Não acredito que não o reconheci naquele dia e... – E ela não terminou de dizer, pois eu meio que pulei nela para tapar aquela boca enorme que ela tinha.
– O que aconteceu Lils? – Dorcas me perguntou assustada. Ah, eu já disse dela? Não? E nem de Emme ou Alice certo? Me desculpem, é que esse cara tem me deixado... Ok, deixa quieto e vamos lá. Emme é mais alta que eu e coisa mais baixa que Lene e tem lindos olhos castanhos. Seus cabelos loiros dourados são todos cachos lindos, que vão até seus ombros. Ela ama presilhas. Tem uma coleção enorme e é difícil vê-la com a mesma presilha duas vez no mesmo mês. Ela não é toda escultural como Lene, mas recebe os mesmos elogios que ela quando passa. E Dodô, bem, Dodô é uma figura. Ela é baixinha, mas o ditado que fala que os piores venenos estão nos menores frascos é verdade. Quando ela quer, é a pior pessoa do mundo e no resto do tempo, é a mais querida dele. Seu cabelo é preto e o corte é repicado, indo até pouca coisa abaixo dos ombros. Seus olhos são verdes claros. Ela é toda delicada e me lembra uma bailarina de caixinha de jóias sabe? Já Lice, bem, a Alice é a Alice. Ela é o tipo versátil sabe? Já fez balé, kung-fu e artes cênicas. Fala um pouco de mandarim, italiano e russo. Na verdade, ela é do tipo que sonha muita coisa, tudo de uma vez só. Desde o final do quinto ano, ela e Frank Longbottom estão namorando. Nós dizemos que os dois vão casar e terão um filho para cada uma de nós amadrinhar. Ela é da minha altura, mas um pouco mais bronzeada, devido as últimas férias na França. O pessoal no prédio da Grifinória nos define assim: eu sou a inteligente. Marlene, a popular. Emmeline é a conselheira, Dorcas, a engraçada e a Alice, versátil;
Bem, isso meio que diz quem somos.
Olhei para elas e me perguntei se devia realmente dizer o que havia acontecido. Porém, quando olhei para o lado, ainda pude vê-lo saindo do refeitório, com toda sua impertinência e graça.
– Desculpe Lils, mas eu já sei o que você vai me dizer, está tão na sua cara! – Às vezes eu odeio que Marlene seja minha melhor amiga. Ela percebe as coisas rápido demais. – Nós o vimos sentado aqui com você.
– O que, por Deus, ele estava dizendo? Você fazia cada careta... – Dorcas dizia roubando meu bolo de chocolate.
– Epa! Pode ir parando por aí, Meadowes. Meu bolo, minhas regras. – Eu disse tentando parecer brava.
– Lily, qual é? Era óbvio que ele estava super dando em cima de você! – Emme disse com toda sua delicadeza;
Antes que eu pudesse rir com isso, eu parei. – Espera um pouco. Do que você o chamou? – Eu me virei para Marlene, esperando uma resposta.
– James... Você não se lembra dele? O James Potter! Lily, vocês dois praticamente se matavam quando se cruzavam na escola! Você foi a única garota do nosso ano que foi parar no aconselhamento cinco vezes seguidas em um mês! Não acredito que se esqueceu dele! – E ela riu e eu não agüentei e ri junto. Como eu poderia ter esquecido disso?

Prontos para mais uma história?

Todos entram em HHS quando completam onze anos. E bem, com onze, ninguém é bonitinho. Não é? Bem, James Potter fazia eu me lembrar disso todos os dias. Eu usava aparelho e meu cabelo era tremendamente vermelho. Ele me chamava de foguinho. O começo da minha adolescência foi terrível. E pensando bem, agora sei quem são os outros garotos que estavam com ele. O de Lene é Sirius Black. Ele era o pior aterrorizador ao lado de James. Black já era um galã com onze anos. Uma boa parte das garotas de meu ano deram seu primeiro beijo com ele. Inclusive Marlene. O loiro bonito é Remus Lupin. Ele era quieto e um dos melhores alunos daquela escola. Não sei bem como eles se tornaram amigos, mas acabou que eles não se desgrudavam. E o outro loiro é Peter Pettigrew. Se James me achava feia, ele deveria olhar para o garoto que andava com ele. Peter era baixinho, dentuço e gordinho. Parecia um... Ratinho. E James, bem, ele era ruim, ao mesmo tempo em que era bom. Ele era um recordista do gabinete do Diretor, porém, também era um dos que possuía as melhores notas. Juntos, eles formavam um grupo que se intitulavam Os Marotos. E agora me lembrei quando ele falou de Moony e Pads. Esses eram os apelidos deles na época. Sempre os escutavam chamando-os disso. Eu me lembro que James era Prongs, Remus era Moony, Sirius era Padfoot e Peter era Wormtail. E do mesmo jeito que todas essas Lembranças vieram a tona de uma vez só, uma que eu esperei vir, não veio. A lembrança que respondia por que eles haviam sumido por tanto tempo e só voltado agora.
Olhei novamente para Marlene e pisquei, saindo do meu rápido devaneio, enquanto ela me observava.
– Eu disse que não lembrava dele. E ele me chamou para ir no Três Vassouras esta noite... – Eu disse debruçando na mesa. – Mas eu não vou! Ele me infernizava e agora só porque me emprestou uma jaqueta, acha que está tudo bem?
– Ah minha doce Lily – começou Dorcas – Você vai, querendo ou não, encontrá-lo está noite.

Voltamos para nosso quarto, o qual nem tinha sinal de Alice. Nos fins de semana, mal a víamos, pois ela estava sempre com Frank. Ele, Marlene e eu éramos vizinhos desde... sempre. Frank era o único garoto que eu compreendia o funcionamento do cérebro. Dorcas e Emmeline estavam brigando para ver quem iria sair com o casaco vermelho hoje. Esse casaco tinha história. Mesmo com a diferença de altura, o casaco ficava perfeito nas duas. Elas eram tipo "almas gêmeas" amigas sabe? E agora, as duas discutiam de quem era a vez de usar.
– Dorcas! Você o usou na última vez que fomos! É minha vez agora! – Emmeline dizia fazendo bico.
– Emme! Pooor favor! Fabian vai estar lá! Eu preciso estar simplesmente linda! – Ah Deus, essa sempre era a desculpa quando ela queria algo. – Você não precisa ficar salvando seu suposto namorado! Por favorzinho Emmezita? – E como uma boa chantagista que era, ela piscava, fazendo beiçinho.
– Sua chantagista de uma figa! Dorcas, da próxima vez em que eu quiser usá-lo, não vai ter Fabian que vai te salvar ok? – E ao dizer isso, Dorcas pulou em Emmeline, fazendo-as caírem na cama de Alice.
– Emme, já te disse que você é demais? Te adoro! – E Dorcas pegou o casaco da mão de Emmeline, e vestiu-o, girando na frente do espelho, buscando um ângulo melhor de si mesma. Eu e Marlene apenas ríamos das duas.
– E então Lily, essa saia, não acha? – E ela jogou a saia em mim, sorrindo. Antes que eu pudesse dizer algo, alguém bateu na porta. – Eu atendo! – Lene disse, arrumando o roupão de banho amarelo, com bolinhas pretas que ela usava.
– Oi, posso aju... – E Lene, pode ter certeza que vou rir de você por muito tempo por isso. Sabe aqueles momento que as palavras somem e você vê seu futuro marido parado na sua frente? Pois bem, NÃO foi isso que aconteceu.
– Marlene Mckinnon? Ah Deus, eu venho aqui procurando uma jaqueta e acho você? – E, só ele mesmo para puxar Lene e lhe beijar rapidamente.
– SIRIUS BLACK! O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO? – Ela disse batendo no peito dele após empurrá-lo. E tenho que dizer, Sirius Black não tinha mudado nada.
– Ah Lenita, depois de tanto tempo é assim que você me trata? – Ele disse fingindo tristeza e encostou no batente. – E é assim que você atende a porta? Ainda bem que eu voltei para sua vida...
Lene olhou assustada para trás e nós estávamos, por falta de palavra melhor, embasbacadas. Ela deu um sorrisinho amarelo e fechou a porta com tudo. É claro que corremos para a porta para tentar ouvir o que eles diziam.
– Primeiro de tudo, não me chame de Lenita, Black. Você perdeu esse direito há tempos. Segundo, eu te trato da forma que eu achar melhor. E depois, eu atendo a porta da forma que eu bem quiser! – E na última palavra, sua voz subiu alguns tons, se tornando fina demais. – Se tivesse me dado vontade de abrir a porta nua, eu teria feito e você não devia se importar! Anda, fala logo o que você quer, porque estou me arrumando para sair! – E se bem conheço Lene, ela devia estar batendo um dos pés, com os braços cruzados.
– Ah Lenita, não faça assim. Sei que sentiu minha falta e preciso dizer, também senti a sua. – E por incrível que pareça, o seu tom foi de seriedade. – E além do que, vim aqui para pegar a jaqueta do Prongs. Não sabia que você... Foguinho? Esse mundo é pequeno demais! – Ele disse sorrindo, quando abri a porta com tudo e joguei a bendita da jaqueta em seu peito.
– Black. – Disse desgostosa. – Não digo que é um prazer te ver, porque não é. Mas, seu amigo disse que alguém viria pegar a jaqueta. Aí está ela. E agradeça à ele por mim, ok? E não me chame de foguinho!
– O quê? Não! Ele disse que você poderia fazer isso. E minha missão é levar você até ele. Então, se puderem se trocar logo, vou agradecer. Minha barriga está fazendo barulho de tanta fome!

E além de desagradável, me lembrei como Sirius Black podia ser mandão.

Depois da meia hora mais longa da minha vida, estávamos prontas. Já estávamos em novembro e o tempo estava frio. Vestia uma saia de cintura alta, balonê. Ela era navy e parava um pouco antes do joelho. Em cima, uma blusa listrada branca e vermelha e por causa do frio, usava uma grossa meia preta de lã, e AllStar vermelhos também. Para completar, usava um casaco preto, com oito botões na frente. Minha touca era preta também. Dorcas estava com o casaco vermelho, que a cobria até o joelho. Por baixo dele, um suéter de cashemere branco, calça jeans preta, com botas estilo montaria marrons, com fivelas douradas.
Seus cabelos estavam em uma trança embutida de lado. Emmeline escolhera um vestido de lã rosa mesclada, com gola em V. Vestia uma meia marrom e sapatos Oxford de salto marrons também. E para não passar frio, uma jaqueta preta, forrada, que ia até a altura de sua cintura. E Marlene, que para ir a esquina precisa estar calçando sapatos Loubortin, estava bem também. Vestia uma calça jeans skinny, de lavagem normal, com um maxi cardigan preto, branco e cinza. Por cima dele, uma jaqueta de couro preto, com zípers prata. Nos pés, sapatilhas brancas, com dois Cs cruzados. Não levávamos bolsas, pois tudo o que carregaríamos cabia dentro de nossos bolsos.
Após Sirius encher muito, acabamos aceitando que ele nos desse uma carona. Sorte de Dorcas que ficara para ir com Fabian. Não era pelo carro de Sirius, que era lindo por sinal, um reluzente Camaro SS 1969 azul, com duas listras brancas nas laterais. Mas foi uma tortura porque da escola até Hogsmead, ele e Lene foram discutindo. Pelo visto, eram anos e anos de insultos e desculpas acumulados entre ele. Dei graças a Deus quando pulei do lindo carro e gritei que depois os encontrava e Emmeline fez o mesmo. Descemos juntas até metade do caminho, onde nos separamos. Ela queria fazer compras, e eu finalmente iria conhecer James novamente.

– Achei que não viria. – James disse sorrindo para mim. Eu não resisti e sorri de volta, passando a mão nervosamente por minha saia. Tirei meu casaco e a touca e os coloquei na cadeira ao lado da que James estava puxando para mim, em sua frente.

– Bem, para falar a verdade – Eu olhei bem no fundo dos olhos dele. – eu também achei. Mas, tinha que te provar que eu também sei quem você é, James Potter. – E eu enchi a boca para dizer isso. Ponto para mim! – E Black está com sua jaqueta; Ele e Lene ficaram discutindo algo que eu deixei de entender depois de dois minutos de gritos.
– Hum, parabéns foguinho. Achei que não se lembraria... E sim, ele disse que sentia falta desse vigor de Marlene. Não conte à ela, mas tem dias que eu acordo de madrugada e o escuto falar o nome dela... – Como não? Ela é minha melhor amiga e PRECISA saber disso! Ele levantou a mão e Madame Rosmerta, a gerente do Três Vassouras veio nos atender. – Olá James querido! Precisamos conversar depois ok? Achei que nunca sairia do... – E ela parou de falar assim que ele balançou a cabeça, negativamente. Ela pigarreou e se virou para mim. – Lily, não? Faz tempo que não a vejo em meu pub. O que vai ser hoje?
– Hum, será que poderia nos trazer dois cappuccinos grandes, com canela? – Ele disse calmo. – Amanhã venho aqui para conversar com você, pode ser? E um pedaço de bolo de chocolate também, certo Lily?

Eu apenas sorri, confirmando. Mas de onde James nunca sairia?

– Claro que sim. Já trago. – E um pouco embaraçada, ela se virou e saiu em direção ao balcão.
– De onde você nunca sairia James? – Eu olhei para ele, apoiando meus braços na mesa. Ele apenas olhou para mim, rindo de algo que eu não sabia. Aliás, ele sempre fazia isso quando falava comigo. E isso já estava me irritando. – E dá para parar de rir de tudo o que eu falo? – Desculpe Lils, eu não estava rindo de você. Eu estou rindo porque estou realmente feliz que você tenha vindo. E se eu rio quando você fala é que só de ouvir sua voz, parece que o mundo todo se cala e o melhor som que permanece é o seu. – E quem disse que eu não me derreti toda com isso? – E bem, essa pergunta, respondo outro dia. Hoje nós vamos falar de você, lírio. De tudo o que eu perdi esse tempo que estive fora. – Eu nem contestei o apelido. Depois da parte do "mundo todo se cala e o som que permanece é o seu", ele já havia me conquistado. Não inteiramente, é claro.
A conquista é a parte mais legal.
Enquanto tomávamos nossos cappuccinos, que foram três para cada um, eu contei a ele toda minha vida. E o mais incrível que ele não achou entediante, como eu a achava. Ele ria das minhas piadas idiotas e ria comigo de coisas engraçadas também.

Já era quase meia noite quando o Três Vassouras fechou e nós estávamos andando pela calçada, indo em direção ao estacionamento. A essa altura, já havia trocado mensagens com as meninas e elas estavam na escola já. Disse que James me levaria de volta;
Ele já sabia mais de mim do que eu mesma sabia e venhamos e convenhamos, era algo a se considerar. Ele parou em frente a uma moto e, meu Deus, era uma DUCATI!
– Eu. Não. Acredito. Uma Ducati 1098s? – Ele olhou para trás espantado. – Você entende de motos? – Ele perguntou apenas. – A cada frase você me surpreende mais. – Bem, não de motos, mas uma de meus sonhos é pilotar uma Ducati. Uma igualzinha essa. – E sim, meus olhos brilhavam feito fogos de artifício. – E então? Ele riu. Pegou a minha mão e juro que uma corrente elétrica passou por meu corpo inteiro, vinda inteiramente dele. Reparei que ele tinha dois capacetes no banco. – Você planejou isso, não foi? – Eu disse desconfiada a ele. – Claro. Para você, nada pode ser simples. – E após piscar, colocou o capacete totalmente preto, antes me passando um vermelho, com a viseira negra. Com sua ajuda, subi sem muita dificuldade na moto e admito que me aproveitei muito do fato de estar tão perto dele, e assim, sentir o maravilhoso cheiro que a colônia dele ainda estava soltando...

Chegamos muito rápido na escola. Ele parou na porta do prédio da Grifinória, onde muitos ainda estavam tentando aproveitar os minutos antes do toque de recolher. Será que é muito dizer que TODOS nos olharam na hora em que ele desligou a moto e aquele ronco parou? Ou que as garotas me olharam enfurecidas quando tiramos os capacetes e elas viram que éramos nós dois ali?
Eu tentei ignorar isso e me saí muito bem sucedida, já que os olhos dele me prendiam de uma forma que chegava a ser ridícula. – E então, hoje você descobriu tudo sobre mim. Quando vou descobrir tudo sobre você? – perguntei sentindo meu rosto corar, ainda segurando o meu capacete. – Está me convidando para um segundo encontro? – Ele disse saindo da moto, deixando o capacete dele no banco e pegando o meu. Ele cruzou os braços e mesmo por cima da blusa, pude ver os braços fortes. – Não. Estou tentando igualar o jogo. É diferente. – Eu sorri para ele. Dois pontos para mim? – Ah, se for assim, eu aceito. Só me dizer quando e onde. – Ele disse engraçado. – Então... – A hora da despedida era sempre a pior. – Tenho que ir. Treino amanhã cedo. – Ok. Nos vemos amanhã então. – Confesso que fiquei decepcionada. Achei que ganharia ao menos um beijo de despedida. Nem que fosse no rosto. Enquanto me afastava, senti seu olhar em mim. Até que ele me chamou novamente. – Lily?
– Oi? – Eu perguntei. – Esqueceu algo comigo. – E eu dei meia volta, indo em direção á ele. Mas, não andei muito. Ele havia dado alguns passos até mim já.
– O qu... – E não terminei de dizer. Ele estava me beijando no segundo seguinte. Rápida e delicadamente, tornando meu mais recente devaneio verdade.

E é claro que eu correspondi.