Chapter III

Acordei no outro dia, ele conseguiu me fazer perder a noção do tempo, ri com o pensamento. Demorei pouco tempo para perceber que estava sozinha na cama. Karl não estava deitado comigo. Não pude controlar meus medos, eles voltarão como um maremoto, talvez tenha sido a sensação de Deja vu.

Virei para me sentar e levei um susto com a imagem de Karl sentado na minha poltrona, me observando. Eu literalmente voei para o seu colo, o abracei forte para ter certeza absoluta que tudo aquilo não tinha passado de um sonho.

- Hey! Está tudo bem, eu estou aqui. – Ele disse entre risos.

- Nunca faça isso de novo Karl. Nunca mais me faça dormir com você ao meu lado e acordar sozinha novamente, nunca. Entendeu? – Me senti uma idiota fazendo ele me prometer isso, mas eu precisava ouvir essas palavras saírem de sua boca.

- Desculpe, eu só fui buscar seu café da manhã e quando voltei não tive coragem de perturbar teu sono. Você estava tão linda, acho que esse é o único momento em que você parece ser inocente Elle, mas já que isso é tão importante para você: Eu prometo nunca mais te deixar sozinha. – Aquela expressão de culpa havia retornado para seu rosto.

- Você disse café da manhã? Onde? – Fechei os olhos e me deixei guiar pelo olfato até chegar à mesinha de canto, onde estava uma bandeja que eu devorei, ele havia me deixado com fome.

- Tinha me esquecido o quão imprevisível é você. – Seus olhos estavam brilhando como se ele nunca tivesse me visto antes. Uma coisa eu posso afirmar sobre Karl: Nesses últimos oito meses, muita coisa nele havia mudado.

- O tempo que você passou longe de mim você não ficou com a outra mestiça? – Semicerrei meus olhos.

- Vocês não têm nada parecido além desse coração veloz. Ela é calma, séria, centrada. Você... – Fui obrigada a interrompê-lo.

- Eu? – Perguntei, levantando uma sombracelha.

- Você é sarcástica, esperta, curiosa, maligna, bipolar, linda, sexy... Onde eu estava? Me perdi no verde de seus olhos. – Ele me encarava como se tivesse completamente perdido dentro de mim. Abafei um riso.

- Karl... Ontem eu estava intrigada com uma coisa, como você conseguiu fazer a Cullen querer vir pra cá? – Mais um ponto pra minha curiosidade.

- Eu simplesmente contei a verdade... Os pais dela não eram completamente sinceros com ela e a verdade acabou a deixando com raiva o suficiente para fazê-la vir correndo para cá de boa vontade. – Ele deu de ombros, como se não fosse grande coisa.

- Que verdade? – Minha curiosidade gritou. Ele se inclinou para frente, apoiou os cotovelos nos joelhos e começou a contar a historia inteira.

- Elle como você pode reparar, trazer ela pra cá não foi tão fácil assim. Nos primeiros meses eu só fiquei espionando o clã, sugando o talento de cada um. Usei o seu talento para bloquear a vidente, é claro, e usei o talento do leitor de mentes contra os próprios e foi assim que eu descobri um motivo pra ela querer distância da família. Nesse meio tempo, eu comecei a encontrar Renesmee em suas caçadas. Ela andava tão confusa que nem se importou se eu era um perigo para ela, porque eu nunca menti para ela, eu sempre contei a verdade, sobre ser um Volturi, mas ela nunca pareceu se importar com o fato. Então eu só esperei o momento em que ela tivesse plena confiança em mim e contei a historia toda. Ele fez uma pausa, como se já tivesse terminado. - Vou contar pra você, tenho certeza que você está se arranhando por dentro pra saber. Sabe aquele lobisomem que o Aro fala que serve aos Cullen? Então, ele teve um inprinting com ela assim que a viu quando ainda bebê, por isso eles ficaram ao lado dos Cullen naquela convenção, para protegê-la. Ela cresceu com ele e ela o vê como um irmão mais velho... Eu só tive que contar pra ela que ela já estava "prometida" ao pulguento e que aquela vidente já tinha planejado a cor das flores que enfeitariam o casamento dela. Ela ficou loca de raiva, odiou o fato de a sua vida estar envolvida num plano maior, "destino" ela riu dessa idéia. Então eu contei o porquê de estar ali e ela me respondeu: Então você de fato é um inimigo? Não me importo vou com você até para os esconderijos de Aro desde que assim eu consiga fugir do meu 'destino'. Ao menos Aro não vai me mandar voltar para casa... E bem, aqui estamos nós. – Ele finalizou a historia passando a mão pelo cabelo.

Enquanto ele contava toda essa historia, eu havia tomado um banho e estava acabando de me arrumar. Vesti um short jeans, uma blusinha soltinha, um tênis e prendi meus cabelos em um rabo de cavalo. Estava pronta.

Me virei para Karl e a imagem dele só de calças com os braços cruzados sobre o peito me olhando como se eu fosse uma revista playboy, era uma daquelas imagens que você nunca consegue apagar da memória. Não consegui segurar minha cara de safada.

- Essa é uma ótima historia, só estou pensando: Que pena que Alec já tem um concorrente pela donzela em perigo iminente. – Ironizei enquanto me aproximava dele.

- Como assim? Concorrente? - Ele parecia estar perdendo alguma parte importante da historia.

- Vai dizer que você não reparou o jeito que ele ficou olhando para ela ontem no saguão principal? – Fiz cara de inocente, enquanto minhas mãos voltaram a passear pelo seu peito nu.

- Eu estava meio ocupado olhando para você.– Ele foi pegando na minha cintura e me puxando para mais perto. – Mas Alec não precisa se preocupar posso afirmar que ela não consegue ver o pulguento dessa maneira. Caminho livre para ele marcar ponto.

- Você e suas metáforas – Disse muito perto de seu rosto, minha boca quase encostando-se à dele

- Você e esse seu jeito sedutor de ser. – Sua outra mão segurou meu pescoço e de repente estávamos nos beijando, parecia que toda vez que ficávamos perto demais tínhamos que nos beijar, era incontrolável.

Ele terminou o beijo com muita relutância parecia que ele estava sofrendo um conflito interno.

- Qual o problema? – Perguntei ainda de olhos fechados.

- Estou pensando se vou até Aro saber o que ele quer comigo a essa hora da manhã...– Ele não havia me dito que Aro queria conversar com ele. – Ou se fico aqui e termino o que acabei de começar. – Ele levantou uma sombracelha e caiu em profunda reflexão.

- Realmente parece ser uma duvida cruel.– Sussurrei em seu ouvido.

- Você não está me ajudando.– Ele me levantou, entrelacei minhas pernas em seu corpo, nos beijamos novamente e seguimos em direção a cama. Descobri que toda vez que a minha pele tocasse a de Karl seria como a primeira vez, eu nunca me acostumaria com ele.

Minha concentração foi quebrada por batidas tímidas na porta, rolei por cima de Karl e fui abri-la. Deixá-lo ali, deitado na cama com o zíper da calça aberto e um sorrisinho malicioso no rosto foi uma coisa difícil, não sabia que era tão forte.

- Alec! – Ele me abraçou forte, como sempre.

- Bom dia Elle.– Sua voz estava monótona.

- Entra aí.– Dei espaço para ele passar pela porta e vir se sentar na poltrona.

- Karl? O que você está fazendo aqui? – Ele perguntou mais pra mim do que para o próprio Karl.

- Bom dia para você também! – Karl já havia fechado o zíper da calça e vestido à camisa, isso me deixou um pouco frustrada.

- Bom dia, mas é que eu esperava que fosse demorar no mínimo um mês pra você voltar a passar a noite aqui, isso foi meio rápido. Onde será que está a Elle de ontem de manhã? "eu amadureci com toda essa historia e agora eu não vou mais bancar a otária" – Ele fez uma imitação perfeita da minha voz, me senti uma idiota. Será que acabei bancando a otária de novo?

- Alec, eu não estou bancando a otária de novo, estou? – Me virei para Karl e fiquei esperando a resposta, seria bom ouvir da boca dele.

- Você nunca bancou a otária Elle e nem irá. Pelo amor de Deus! Nesses oito meses o único hobby de vocês foi "detonar o Karl"? – Ele perguntou, indignado.

- Mas é claro! – Respondemos juntos. Acabamos todos rindo por um bom tempo, como fazíamos antes, quando eu não passava de uma menina.

- Karl, Aro me mandou vir aqui para mandar você ir ao encontro dele agora, Electra não irá desaparecer se você se ausentar para cumprir suas responsabilidades. Palavras dele. – Alec levantou as mãos para demonstrar sua inocência na dureza das palavras.

Senti meu rosto vermelho igual um tomate, não era qualquer coisa que me fazia corar, mas o fato de Aro saber que Karl estava passando o "tempo livre" dele comigo me fez sentir uma vergonha tremenda.

- Deixa ver o que esse cara quer falar comigo, antes que ele venha me buscar a força. – Karl veio até mim, me deu um beijinho no canto da boca e sussurrou em meu ouvido. – Farei de tudo para voltar em 30 segundos. – E então ele se foi, me deixando sozinha com Alec.

- Karl sabe como conquistar uma mulher. – A voz de Alec soou contrariada pelo meu quarto.

- Tá chateado com o que menino? – Perguntei me aproximando dele.

- Eu simplesmente não sei como agir perto dela, não sei o que falar, não sei o que pensar Elle. Ela deve estar achando que eu sou louco. – Ele parecia atormentado.

- Ou ela está te achando um fofo.– Tentei, enquanto brincava com a sua franja. Ele fechou os olhos segurou minha cabeça encostou a sua testa na minha

Elle, me ajuda. – O abracei forte.

- Me leve até ela, preciso avaliar a situação antes de te dar as coordenadas. – Ele afundou o rosto em meu pescoço e suspirou alto, era tão ruim ver uma pessoa sofrer e não poder fazer nada. Agora sei o que ele sentia quando estava perto de mim.

- Estou amando! – Alec expirou as palavras, abafando uma risada.

- Para Alec, vamos lá, me leve até ela. Já estou curiosa, quando é a aula de vocês? Conseguiu o papel de tutor? – Minha curiosidade fez sua inspeção.

- Consegui, é daqui à uma hora. Marquei com ela na biblioteca. –Me explicou enquanto arrumava a minha blusinha, Karl tinha feito um estrago nela.

- Vai falar sobre o que com ela? – Me soltei dos seus braços e fui procurar minha cópia de Hamlet, não a via desde ontem à noite.

- Acho que vou começar com a fundação do clã, isso é um assunto de conhecimento de poucos. Era verdade. Quase ninguém conhecia os verdadeiros fatos da fundação.

- Verdade só quem pertence ao clã conhece essa historia maluca. – Acabei achando o livro todo aberto debaixo da cômoda.

- O que esse livro está fazendo ai de baixo? – Ele perguntou surpreso. Fiquei meio sem jeito para lhe dizer que Karl tinha tacado ele lá embaixo enquanto abria meu sutiã. Mordi meu lábio inferior.

- Não precisa nem dizer. – Salva pelo congo.

- Então vou estar na biblioteca daqui à uma hora, combinado? – Levantei minha mão esquerda para darmos nosso toque de confiança.

Combinado. Ele bateu e depois ficou me encarando, meio em duvida, meio apreensivo. – Elle, lembre-se de ser simpática.

Vou tentar. – Soltei meu sorriso sarcástico.

- Então quer dizer que Karl e você estão juntos novamente, como se nada tivesse acontecido? – Alec me perguntou enquanto voltava a se sentar na poltrona. Ele parecia cansado, vampiros normalmente não ficam cansados.

- Ele me contou toda a história e pareceu sincero, decidi jogar tudo para o alto. Afinal de contas, o que eu tenho a perder? – Fui me aproximando devagar, avaliando suas expressões.

- Só se lembre de que eu sempre vou estar aqui Elle e se ele tornar a te machucar, não me importa qual seja a desculpa da vez, eu acabo com a raça dele. – O olhar dele estava carregado de culpa.

- Eu preciso ir – Ele se levantou rapidamente. – Tenho que passar no meu quarto ainda.

- Alec, essa menina não é a única coisa que está te preocupando, ou é? – Ele parou no meio do caminho da porta e deu meia volta.

- Ando sentindo que Aro não confia mais totalmente em mim. Já fui mais influente, agora eu só fico sabendo das coisas 5 minutos antes delas acontecerem. – Ele me confessou bastante frustrado.

- Bem vindo ao meu mundo, com o tempo você se acostuma a ser o rejeitado do clã. – Falei com um tom experiente e profissional.

- Será mesmo? Bom de qualquer forma agora eu tenho que ir, te espero na biblioteca. – E com isso ele se virou e foi embora.

Eu fiquei lá, sozinha, com Hamlet na mão, olhando para o espelho e pensando no porque de, de repente, Alec estar sendo posto de lado. Ele não era o braço direito de Aro? O que será que ele fez? O que será que ele irá fazer?