Chapter V
Karl POV
Minha mente estava dando voltas com a novidade... Elle tinha razão, Aro não passa de um velhote egocêntrico e autocêntrista.
"Faça de tudo para manter Renesmee aqui, ela não pode ir embora antes do tempo." Ele me disse com aquele olhar que queria dizer tudo e nada ao mesmo tempo.
O que eu poderia fazer para segura-la? Se ela quiser ir embora, eu não devo deixá-la ir embora? Ou devo amarra-lá ao pé da cama? Estou começando a me arrepender de tê-la convencido a vir para cá. Estou sentindo que meti ela, eu, Elle e até o Alec em problemas.
Elle não estava em seu quarto, então fui para o meu. Precisava pensar em um meio de sair dessa bagunça que Aro está armando. Entrei no meu quarto sem pensar em nada, de olhos fechados.
Nessas horas eu queria tanto ser um mestiço, poder apagar da realidade, às vezes, é uma dádiva. Joguei-me no sofá branco, o preferido de Elle, eu precisava relaxar.
- Você está tenso. Eu sei uma cura para isso. – Levei um susto com aquela voz tão perto de mim.
- Mais que merda você está fazendo aqui? - Fiquei de pé no instante em que pensei no ato, Jane estava sentada na poltrona que fica atrás da porta... Como eu não vi ela ali?
- Calma, eu só estou querendo ajudar. – Ela fez uma cara de inocente.
- Recuso qualquer coisa que venha de você. – Eu praticamente cuspi as palavras na cara dela.
- Você não costumava me tratar assim. – Ela veio se aproximando de mim, estava se sentindo a Emmanuelle.
- Disse certo "Eu não costumava te tratar assim.", porquê de agora em diante, esse vai ser o único tratamento que vai receber de mim. – À empurrei para bem longe, ela bateu na parede com força. Ela riu.
- Então agora vai ser assim? Eu nunca fiz sexo selvagem antes, mas já que você quer. – Ela voltou para cima de mim com uma cara que antes me fazia perder a razão, mas agora a única coisa que eu conseguia sentir era repulsa. Ela começou a abrir o zíper da minha calça, discretamente.
- Jane sai da minha frente, antes que eu esqueça de quem você é irmã e te jogue debaixo da primeira lareira que eu encontrar. – Segurei as mãos dela antes que ela fizesse o que não devia. Ela riu ainda mais.
- É por causa dela, não é? Você não consegue mais Karl? Ela te prendeu, não foi? Como fez com o meu irmão, como fez com Demetri. – Seus lábios sussurraram bem perto do meu ouvido.
- Demetri? – Soltei as mãos dela sem sentir. Como assim Demetri?
- Você achou que todo esse tempo que esteve fora ela ficou te esperando? Tolinho. – Ela estava brincando comigo, só podia.
- Sua vadiazinha manipuladora... – Os insultos escaparam dos meus lábios deliciosamente.
- É o que dizem, só estou repetindo o que ouvi. – Estava tão intrigado com a informação, que sequer me toquei que ela estava pendurada em meu pescoço.
- Jane sai daqui agora. – Tentei empurrá-la de cima de mim, mas ela foi mais rápida. A maldita me roubou um beijo, a empurrei com tudo, ela caiu sobre a cama com um sorriso de orelha a orelha. Garota sádica.
- Jane? – Electra estava parada na porta olhando a cena que estava armada sem carregar nenhuma expressão no rosto. Mais que merda. Jane passou por mim e parou bem ao lado de Elle, na porta.
– Sombra-do-Alec, você pode me dizer onde está o Alec?- Ela bancou a inocente para Elle.
- A última vez que o vi, ele estava entrando em uma lareira para saber qual é a sensação. – Jane fechou a cara e saiu.
Elle entrou sem me dirigir uma palavra, quem dirá um olhar, e se sentou no sofá "dela".
- Elle... Eu... Não aconteceu da maneira que você está imaginando. – Me senti um tolo ao repetir aquelas palavras já tão gastas.
- Você não precisa se explicar. – Ela me cortou. – Você nunca me prometeu nada, nunca disse que eu era a única. Eu te conheci assim Karl. Você nunca se contentou com uma só, mas tinha que ser logo a Jane? – Finalmente ela levantou seu olhar para mim, como me doeu olhar para dentro daqueles olhos verdes e encontrar decepção.
- Elle eu t... – Era tão difícil assim completar a frase? São só três palavras. As mais difíceis do dicionário. – Elle eu nunca faria isso com você. Se quiser eu chamo Aro aqui, pra ele entrar na minha mente e te provar que nada aconteceu. Ela é que estava aqui no meu quarto, me esperando. Você sabe que ela não presta. – Cai ajoelhado de frente para ela, suas mãos brincaram com o meu cabelo.
- Eu conheci Renesmee hoje. – Típico da Elle, trocar de assunto rapidamente quando se sentia fragilizada.
- E então? – Fiz o que ela queria, demonstrei interesse no assunto. Na verdade, eu estava mais interessado era no movimento de seus lábios cheios e rosados enquanto ela falava.
- Ela é um pouco mimada, mas uma coisa eu posso afirmar: Ela senti algo pelo Alec, só não sabe o que é ainda. – Ela sorriu, como eu amava ver aquele sorriso. Fui me aproximando dela sem pensar em meus movimentos, eu só precisava fazer isso, precisava beijá-la. Isso é uma coisa que eu nunca vou me cansar, porque sempre parecia a primeira vez. Seus lábios tocando os meus, sua língua brincando com a minha, minha mão em seus cabelos, aquele perfume que me deixa doido.
Eu a amava, não a amava? Se não for amor o que é isso então? Esse sentimento tão forte que me faz ser capaz de cometer atos tão insanos?
- O que Aro queria com você? – Aquela voz descomplacente quebrou meu momento confuso.
- Falar mais um pouco em enigmas, velho doido. Diz ele que eu tenho que manter Renesmee aqui de qualquer forma, ela não pode sair de jeito maneira. – Dei de ombros, saciando sua curiosidade.
- Que droga, Alec está dando um motivo a ela para permanecer. – Ela constatou o fato.
- Também pensei isso. Se eles dois tiverem alguma coisa, Aro ganha. – Era verdade, ela iria querer ficar ali, ao lado dele. Eu não sabia o que Aro queria com Renesmee, mas eu me importava demais com ela para permitir que ela se machucasse.
- Mas não podemos pedir a Alec para simplesmente esquece-lá, seria muito egoísmo de nossa parte. Ele finalmente está gostando de alguém legal e... Logo quem. Sempre soube que Alec era propenso a encrencas, olhe só quem são os amigos dele. – Ela apontou para mim.
- Definitivamente, péssimas companhias. – Não contive a risada, ela riu comigo. Elle conseguia ser mais linda rindo, a puxei e ela caiu deitada por cima de mim, no chão. O fato de seu corpo quente pressionando o meu, fez minha mente pensar em diversas maneiras de arrancar o tecido que impedia sua pele de tocar a minha. Ela se virou e deitou ao meu lado, sua cabeça posta sobre meu braço. Parecia bastante entretida em brincar com os dedos da minha mão.
- Descanse sua mente Karl, dá pra sentir a tensão do meu quarto. – Fiz o que ela pediu, fechei meus olhos e me deixei levar pelo movimento constante de seus dedos brincando com os meus. Por um período indeterminado de tempo, eu não pensei em nada. Se eu ainda fosse humano, eu teria dormido feito uma pedra.
Fui desperto de meu transe por batidas fortes em madeira maciça, porém não fiz questão de abrir meus olhos. Elle se levantou e foi abrir a porta.
- Tio? Hum... Oi. – Primeiro, seu tom de voz era surpreso, depois, tímido e "tio"? Ela não chama Aro de tio.
- Posso entrar? – Mais é claro, só podia ser Marcus.
- Sim... Karl eu já vou indo. – Marcus era o único dentro desse buraco que Aro chama de castelo, que ela ainda cultivava algum tipo de respeito.
- Hey, espera! - Abri os olhos, ela de baixo para cima continuava tão encantadora quanto de cima para baixo, me levantei e fui até a porta. Marcus passou por mim, me deu aquele olhar que ele só costumava dar quando o assunto era sério. Elle saiu, a segui e fechei a porta atrás de mim, ficamos no corredor. Acho que ela queria um pouco de privacidade de Marcus, ele a deixa desconfortável.
- Vamos caçar hoje à noite? - Quase não dava pra perceber, mais ela já estava começando a apresentar marcas arroxeadas abaixo dos olhos. Eu não gostava nem um pouco da idéia de saber que ela estava sentindo mais dor que o normal.
- Uhum... Claro, que horas? – Concordei instantaneamente.
- As sete, está bom? - Assenti com um leve movimento com a cabeça. - Também vou chamar o Alec, a última vez que ele caçou foi comigo.
- Sem problemas. Quem vai ser a isca? – Seus olhos me distraiam terrivelmente.
- Eu! Ou você está disposto a vestir meia rastão e minissaia e ficar dando mole para aquela escória? - Ela levantou uma sombracelha e deu um sorriso desafiador. Ela era adorável quando deixava seu lado competitivo tomar conta de si.
- Sabe Elle, concerteza eu conseguiria mais presas do que você. – Mentira. Se ela vestida de freira já fazia qualquer um cambalear, imagina de minissaia.
- De qualquer maneira, encontro com você e Alec na entrada. O que você acha de... – Ela fez uma pausa, criando um clima de suspense. – Roma?
- Ela vai ficar ainda mais linda com você lá. – Consegui! Ela corou, a peguei desprevenida, esses momentos eram tão raros que se tornavam especiais. Levei minha mão automaticamente ao seu rosto. Era sempre assim com ela eu agia sem pensar, ela me trazia um pouco da minha humanidade que a muito estava perdida. Eu gostava disso.
- Karl, acho melhor eu ir... Marcus está te esperando... Eu não gosto de arrumar problemas com ele. - Ela disse se atropelando nas palavras. Nervosismo. Isso fazia seu coração bater mais rápido, o que fazia as suas veias bombearem mais sangue, seu cheiro era tão desejável, tão doce, irresistível. Nessas horas eu me agarrava a aquele perfume de sol, lilás, almíscar e algo mais que eu não sei descrever, uma coisa característica dela, que a fazia igual não uma presa. Desci minha mão até sua cintura e enterrei meu rosto em seu pescoço
- Até as sete. – Sussurrei em seu ouvido antes de tomar seu rosto em minhas mãos e depositar mais um beijo em seus lábios cheios e quentes.
- Até as sete. – Ela repetiu, ainda de olhos fechados e então ela abriu aqueles olhos verdes, puxou as minhas mãos de seu rosto e as ficou segurando por um tempo antes de se virar e ir. O seu cabelo cor de ouro reluzia os últimos raios solares do dia que entravam pela clarabóia. Eu fiquei observando o seu andar descontraído, relaxado e sedutor até ela sumir no corredor. Então me virei para a porta e entrei, Marcus me esperava sentado na poltrona que antes foi ocupada por Jane. Fiquei em pé e cruzei os braços.
- Ela já sabe que você a ama? - Quando eu ia abrir a boca para dizer "Qual o problema?" Marcus foi mais rápido e perguntou com um ar superior. Aquilo me pegou completamente desprevenido. Se eu ainda tivesse sangue em minhas veias, eu estaria corando furiosamente. - Não venha me dizer que você não a ama. Eu te conheço Karl, ela não é igual às "outras".
- Eu não sei o que é. – Mentira. No meu intimo, eu já tinha certeza.
- Me diga, o que você vê nela? – Ele semicerrou os olhos, estava me testando.
- Tudo – A resposta não foi o suficiente para ele, ele queria detalhes. – Eu vejo aqueles olhos verdes que parecem conhecer cada canto da minha alma, se eu ainda tiver uma alma. Eu vejo aqueles lábios cheios e rosados que nunca parecem saciar a minha sede. Eu vejo aquela pele tão quente e macia que meus dedos nunca cansam de percorrer. Eu vejo aquele andar pretensioso, aquele sorriso avassalador. Eu vejo as curvas do seu corpo... – Abafei uma risada. - Acho que perdi minha sanidade em alguma delas. Ela é tão corajosa, sedutora, determinada, tentadora, inteligente, desejável. Isso! Essa é a palavra certa. Ela é desejável. Eu amo Electra, mas ela não sabe disso.
– Aro sempre disse que essa espécie hibrida tinha essa habilidade natural, envolver todos ao seu redor em suas mãos. Mais não é para isso que vim aqui. - Ele esboçou um leve sorriso em seu rosto, me sentei no sofá branco.
- O que Aro quer com você toda hora? – Uma diferença entre Marcus e Aro: Marcus vai direto ao ponto, enquanto Aro nos cansa com seus rodeios.
- Ele praticamente fica falando a mesma coisa em enigmas... Ele quer Renesmee aqui por tempo indeterminado. – Minha voz soou entediada, eu já estava cansado dessa pergunta.
- Então faça o contrario, fuja com ela daqui. – Ele replicou.
- Eu não posso. – Encarei o chão, sentindo a verdade em minhas palavras.
- Leve Electra com você. – Ele disse, revirando os olhos.
- Não é isso, é que Renesmee está "envolvendo "alguém daqui. – Soltei o meu sorriso irônico.
- Quem? Não me interessa... Se ele se importa com ela, vai querer ela a salvo e aqui ela não está nem um pouco segura. – Ele saiu e fechou a porta atrás de si. Acho que esse é o talento de Marcus, bagunçar a mente alheia. Ele veio aqui me fez admitir o amor que sinto pela Elle, me deu a idéia de desertar meu clã e ainda carregar Electra e Alec comigo só para salvar Renesmee do que seja que Aro anda tramando.
Depois de passar um tempo pensando sem mover sequer um músculo, me lembrei da caçada desta noite. Olhei para o relógio e já eram 6 e 45, eu tinha 15 minutos para me encontrar com Elle e Alec na entrada principal. Entrei dentro do closet e sai em menos de 5 minutos. Vesti uma camisa de mangas cumpridas preta com uma gola em V, um jeans Levi e um coturno qualquer. Voei pelos corredores, cheguei lá as exatas 6 e 55, Alec já estava esperando.
- Nada da Elle? – Perguntei.
- Não, sabe como são as mulheres. – Alec disse sorrindo, ele estava com um sorriso bobo estampado no rosto, sem motivo algum.
- O que foi Alec? Viu um passarinho verde? – Disse levantando uma sombracelha, ele estava estranho.
- Melhor! - Ele se virou pra mim. Eu conhecia aquele olhar, vi muito no rosto da Elle nos últimos dias.
- Ela te beijou ou você a beijou? Não me importa... Não, sério foi ela? – Deixei a curiosidade tomar conta de mim.
- Nós, meio que, se encontramos no caminho. – Ele fez uma mímica com as mãos. Ela, a mão direita, ele, a mão esquerda, indo de encontro ao outro.
- Mando bem menino, presto bastante atenção nas aulas que eu te dei. - Pulei em cima dele e comecei a fingir uma luta de boxe, coisa de garoto.
- HurghHurgh... Vocês poderiam parar de brigar, por favor. - A voz da Elle irrompeu nervosa pelo saguão de entrada, levantei meu olhar para ela e conclui que não havia palavra certa em meu vasto vocabulário que podiam descrevê-la nesse momento.
- Então, será que assim eu chamo a atenção? – Ela se olhou como se ainda não estivesse boa o suficiente.
- Você está querendo me trair essa noite Elle? - Eu nunca havia percebido o quão ciumento eu sou até agora.
- Essa é a sua forma de dizer que eu estou sexy Karl? - Ela se aproximou de nós, com ares de vitoriosa.
- Não, essa é a minha forma de dizer que seu vestido está mais pra uma blusa. – Cruzei meus braços sobre o peito. Ela mordeu seu lábio inferior.
- Arrumem um quarto! – Alec bufou do nosso lado.
- Eu estou bonita? - Ela se virou e perguntou para Alec.
- Elle, sinceramente, hoje você está fazendo até padre pecar. - Ele deu um piscadinha de olho pra ela que a fez abrir mais um daqueles sorrisos desconcertantes.
- ALEC! - Gritei, eu sempre senti ciúmes do Alec mesmo. – Nós podemos ir logo? - Peguei a mão da Elle e sai puxando ela pra porta de entrada, Alec não segurou o risada enquanto nos seguia.
Pegamos o meu carro, um Bentley Continental Supersports Coupé prata, e seguimos a toda a velocidade para Roma. Em uma hora chegamos lá, Alec nos guiou até umas vielas que segundo ele era uma área da pesada. Não me senti bem deixando Elle sozinha em uma esquina enquanto eu e Alec esperávamos no telhado de um prédio em um beco bem distante de tudo, mas ela sabia se virar bem sozinha.
Foi coisa de 20 minutos antes de ela aparecer com um grupo de bêbados dizendo "As meninas estão por aqui, me esperando." Não contive o riso ao pensar que na verdade "As meninas" eram, eu e Alec.
Foi uma coisa rápida, Elle não gostava de brincar com a presa, então respeitamos sua opinião. Depois de três corpos estarem drenados no chão me senti bem, a sede estava controlada, podia agüentar por mais umas semanas.
Acabamos voltando mais cedo do que o previsto. Alec disse que tinha algo para fazer ainda essa noite, não pude deixar de me preocupar com o fato de que ele estava dando de presente a Aro o que ele queria. Eu precisava contar isso para Alec, mas não agora, não essa noite.
Assim que chegamos Alec se despediu de nós e partiu pelo corredor leste atrás de Renesmee, tenho certeza, me deixando pela primeira vez sozinho com Elle e aquele vestidinho preto. Não pude conter os pensamentos que invadiram a minha mente. Ela era desejável de uma forma, um tanto perigosa.
- Elle, porquê não subimos para o seu quarto e então eu te ajudo a tirar esse maldito vestido? – Eu disse levantando uma sombracelha, a idéia implícita na frase era clara, e ela estava com a mente no mesmo lugar que a minha. Abri o meu sorriso torto.
- Primeiro você vai ter que me pegar. – Uma expressão infantil e pervertida tomou conta de seu rosto. Ela queria brincar. Dei um passo para frente, ela deu dez para trás, um sorriso safado se formou em seus lábios. Então me joguei em sua direção, ela voou para os corredores, a peguei pela cintura no meio das escadas para o terceiro andar. Ela não conseguia parar de rir enquanto eu a levava para os andares superiores. Quando chegamos à porta do seu quarto ela me fez solta-la, virou de frente para mim e pulou no meu colo.
- Prefiro assim. - Ela sussurrou, um sorriso malicioso brincou no canto de seus lábios. Eu tinha que beijá-la, uma mão minha permaneceu em seus quadris enquanto a outra trilhou um caminho por seus cabelos cor de ouro.
A beijei avassaladoramente, não me importando em ser cauteloso, mas ela não pareceu se importar, ela pareceu até gostar. A prenssei contra a porta, meus lábios desceram para seu colo, seu coração batia de uma forma ensurdecedora, seu corpo sempre a entregava, abafei uma risada. Ela levantou minha cabeça e encostou meu nariz no seu.
Ela estava simplesmente arrebatadora. A pupila de seus olhos estava dilatada, uma fenda para sua alma, ela estava brilhando. Seus lábios estavam inchados, graças a mim. Sua respiração, incontrolável. Sua bochecha levemente rosada pelo calor que irradiava de si própria. Seus cabelos estavam bagunçados de uma forma encantadoramente sexy e eu estava completamente hipnotizado pelo sorriso que surgiu no canto esquerdo de seus lábios.
- Eu te amo. - Cobri sua boca com a minha. Ouvir aquilo foi como ouvir a mais doce das melodias. Mais isso não era bom, ela não podia me amar, eu não era bom para ela, ela merecia coisa melhor, por isso me encarreguei da missão de não da-lá mais a oportunidade de falar essa noite.
...
Ela estava deitada de bruços dormindo, suas costas e pernas descobertas pelo lençol branco. Fiquei lá deitado ao seu lado, a observando sonhar. Tenho certeza que ela estava sonhando, porque frequentemente o canto direito de seus lábios formavam um meio sorriso. Afastei uma mecha de seu cabelo que teimava em cair sobre sua face.
Pensei em tudo o que havia acontecido hoje: Aro e suas ordens, Marcus e sua idéia, Alec e Renesmee, Electra e seu "Eu te amo". A última foi o que mais martelou em minha mente.
Eu conheço Elle. Eu sei que ela não teria dito isso, ainda mais para mim, se não tivesse certeza absoluta de seus sentimentos e acreditasse que o momento fosse o certo para expô-los. Eu devia ter dito algo, não devia? Ela esperava que eu dissesse algo. Talvez não, ela me conhece bem ou ao menos conhecia. Ela nunca me pediu exclusividade, ela sabe que eu sou um canalha que adora colecionar mulheres, mais eu mudei muito nos últimos meses. A idéia de que ela nunca mais seria minha, de que ela não me perdoaria, me fez enxergar a importância dela em minha existência.
Desdo dia em que ela olhou dentro dos meus olhos e confessou estar cansada de lutar contra a força que a empurrava contra mim, o dia em que ela me deu permissão para entrar em seu mundo secreto. Tudo passou a ser ela, mais eu era prepotente, egoísta demais para enxergar o que estava bem na minha frente.
Ela pegou minha mão que ainda estava acariciando seu rosto, abriu aqueles olhos que mais pareciam uma densa floresta verde cheia de segredos e esboçou um leve sorriso, o mais contagiante de todos. Tive medo de abrir a boca e estragar o momento, mas não consegui segurar a língua.
- Ti amo così tanto.
