Chapter VII

- Não tem nada aqui Nez! Você já cogitou a idéia de que talvez não haja solução para isso? – Desisti, fechando o livro com força. Eu já estava cansada de ler todos aqueles livros da biblioteca atrás de alguma informação que pudesse ajudá-la.

- Tem que ter Elle. Você não entende? Eu PRECISO achar uma solução, por Alec, por mim. – Nez já estava aqui á um mês, sem ter nenhum contato com a sua família, o que a estava deprimindo violentamente. Eu só via um sorriso em seu rosto quando ela estava ao lado de Alec.

Alec. Eu estava fazendo tudo isso aqui, principalmente por Alec. No que dependesse de mim, ele não precisaria enfrentar um triângulo amoroso, ele não precisaria sofrer por amor. Mas eu já estava enfurnada dentro dessa biblioteca atrás de informações sobre os transmorfos á quatro semanas e toda vez que achávamos uma informação que nos fazia dar um passo a frente, acabávamos encontrando outra que nos fazia dar dois para trás.

- Nez, talvez não haja uma solução mágica. Talvez você tenha que enfrentar isso de cabeça erguida, como uma garota normal e ele tenha que enfrentar isso como um homem normal. Sem abracadabra ou pó de pirlimpimpim. – Tentei falar isso da forma mais gentil possível, ela não precisava ficar mais triste.

- Eu não amo Jake como homem, mas o amo como irmão. Não sei se sou capaz de magoá-lo Elle. – Ela estava desmoronando.

- Você ama Alec? – Deitei sua cabeça em meu colo e fiquei passando meus dedos por seus cachos castanhos, a reconfortando.

- Como nunca pensei que pudesse amar alguém. Eu sei que soa clichê, afinal o conheço a tão pouco tempo, mas é a verdade. Eu o amo tanto que parece que meu coração vai explodir. - Não contive o pequeno sorriso que surgiu em meus lábios.

- Você enfrentara sua família por ele? Porque você sabe que isso vai gerar problemas. – Apontei meu dedo no seu rosto.

- Mas é claro. Eu enfrentarei qualquer um. Eu nunca irei desistir dele. – Sua voz soou convicta.

- Então para de tornar complicado o que é tão simples. Se você não ama o "vira-lata"...– Ela semicerrou os olhos, em sinal de reprovação. – Okey! Se você não ama "Jacob" da forma que ama Alec, você não terá que fazer uma escolha, porque dentro do seu coração ela já está tomada. – Apontei para seu coração. Ela se sentou e me abraçou, como se estivesse procurando forças em mim para se manter em pé.

- Dá para vocês duas saírem dessa biblioteca ao menos para ver a luz do sol? O dia está lindo. – Karl entrou na biblioteca, daquele jeito todo importante dele. Ele reparou no estado que Nez se encontrava em meu colo e me perguntou com os olhos se estava tudo bem. Fiz que não, com um leve movimento com a cabeça.

- Nez, você nunca me cobrou aquela aposta. – Seu tom de voz estava divertido. Ele estava tentando animá-la, tira-la dessa tristeza.

- Você não precisa fazer isso, foi uma aposta idiota. – Sua voz saiu embargada. O choro estava vindo, subindo pela sua garganta.

- Que aposta? – Minha curiosidade gritou.

- Eu apostei com ele que eu era capaz de ser imprudente. Ganhei. Fugi para cá. – Ela voltou a se sentar.

- Já que ele perdeu, o que ele vai ter que fazer? – Perguntei animada.

- Ele vai ter que beber sangue animal. – Ela disse como se não fosse uma grande coisa.

- Isso eu tenho que assistir de camarote. - Fiquei de pé e Karl me ajudou a levantá-la.

Vem, vamos achar Alec. – Ele passou o braço esquerdo pelos ombros dela e com o outro braço me puxou pela cintura.

Achamos Alec nos arredores dos calabouços, tendo uma conversa com Jane. Nem conseguimos ouvir nada, assim que Jane ouviu nossos passos ela encerrou o assunto.

- Karl, Elle, Nez! – Ele segurou o rosto dela nas mãos e depositou um beijo rápido sobre seus lábios. Como eu amava ver esses dois juntos.

- Alec, eu falo com você depois. – Jane se despediu.

- Até depois pequena! – Ele passou a mão pelo ombro de Jane, seus olhos transbordavam pesar. Antes de Jane se virar e ir embora, seus olhos demoraram em Karl, em resposta ele me apertou mais contra seu corpo. Não contive o sorriso debochado que se formou em meus lábios.

- Não fiquem fazendo isso com ela, tá legal? - Alec disse do nada. Ele já havia puxado Nez dos braços de Karl e a envolvido em seus braços. O rosto dela estava sereno. Ele a curava rapidamente.

- Agora você vai ficar defendendo a masoquistazinha? – O acusei.

- Elle, ela pode ser meio pirada, mas é minha irmã. E ultimamente ela sequer tem provocado vocês. – Ele começou a se explicar. Quando Karl ai abrir a boca para retalhá-lo, Nez explodiu.

- Olha, se ela não está mais provocando vocês, isso significa que dentro daquela mente maluca ainda existe um pouco de sanidade e talvez, ela só não queira perder o único irmão. – Ela disse tudo rápido demais, a voz ainda um pouco monótona. A tristeza do seu tom de voz refletiu nos olhos de Alec. Eu precisava dar um jeito nisso, ficar assistindo essa tristeza toda estava me deixando triste tambem.

- Tá legal, mas se ela provocar não vou ter piedade. – Fui sincera.

- Mas sabe, eu tenho uma aposta para pagar. – Karl mudou de assunto, porque Alec já ia me responder alguma coisa.

- Ahh... Alec, Karl vai ter que beber sangue de animal. – Nez também trocou de assunto. Á alguns dias, os dois presenciaram uma briga entre mim e Alec, não que nossa amizade tenha se machucado, longe disso. Só que foi uma coisa feia de se ver, melhor evitar

- Karl e sangue de animal, eu nunca pensei que fosse ouvir essas palavras juntas na mesma frase. – Alec comentou, enquanto caminhávamos até a saída.

- Você também devia tentar. – Nez disse divertida, o sorriso estampado em seus lábios. A muito eu não o via em seu rosto.

- Eu... Vou sim, Karl vai precisar de apoio moral. – Ele não conseguiu destruir aquele sorriso sincero.

Karl não havia mentido na biblioteca, o dia estava lindo. O sol transpassava pelas copas das árvores refletindo furiosamente nele e em Alec. Nez ficou maravilhada, acho que ela não nunca havia visto Alec realmente. Karl me observava, ele era tão lindo. Eu queria tirar a camisa dele, tocar em seu peito nu, beijá-lo, mordê-lo. Me toquei que nunca havíamos nos "divertido" a luz do sol.

- Para de me olhar desse jeito ou vou acabar esquecendo que o casal inocência está aqui do lado. – Ele sussurrou em meu ouvido. Sua voz rouca não ajudou, só intensificou meu desejo. Eu o queria ali mesmo. Mordi meu lábio inferior, eu precisava me controlar. Depois, sozinhos, nós nos resolveríamos. Me joguei em uma corrida frenética floresta adentro.

- Quero ver quem me alcança! – Eles correram atrás de mim. Karl abafou uma risada e rapidamente ficou ao meu lado, me acompanhando. Nez era veloz, tomou o primeiro lugar quase que automaticamente, Alec custou a alcançá-la. Corremos até chegarmos as Dolomites de Brenda, nos arredores do lago Molveno. Encontramos um rebanho de cervos, o cheiro que vinha deles era revoltante.

- Como esse país não tem animais de grande porte, vão ter que se contentar com o sangue de herbívoros. São seis. – Ela estava de olhos fechados, sentindo tudo ao seu redor. Transformando uma simples caçada em arte.

- Você vai me fazer beber sangue de cervo? – Karl perguntou revoltado.

- Ainda bem que eu não apostei, nem prometi nada aqui. – Olhei para Alec.

- Eu também vou caçar com você, é só não perder tempo saboreando e beber tudo de uma vez. – Ele disse, indo para o lado de Karl.

- Desculpa, mas eu estou mais interessado no cheiro delas do que no deles. – Ele fechou, os olhos imitando Nez, e se virou para nós duas. Minha risada ecoou pelas montanhas.

- Karl é uma aposta. Cala a boca e paga logo. – Ela se jogou em direção aos cervos, Karl e Alec foram logo atrás.

Aproximei-me devagar, Nez caçava os animais com experiência, conhecia os pontos certos para atacar. Karl e Alec estavam se virando bem, cada um drenou um, deixaram os outros para Nez. Já havia algum tempo em que ela não se alimentava.

- E então? – Nez perguntou para Karl e Alec.

- REPUGNANTE! – Karl declarou.

- Humm... Tolerável. – Alec pesou.

Eu e Nez rimos juntas na pequena clareira em que nos encontrávamos. De repente a risada se foi, em lugar uma expressão distante tomou conta da face dela. Karl que estava mais perto, a abraçou.

- Qual o problema Nez? – Sua voz demonstrou toda a preocupação que ele estava sentindo em relação a ela.

- A quem eu estou enganando Karl? Eu tento sorrir, eu tento parecer feliz, afinal vocês não têm nenhuma culpa em minha decisão, mas essa saudade em meu peito está me sufocando. – Ela estava chorando, finalmente toda a sua pose de menina forte havia desabado. Alec ao meu lado estava com os lábios semicerrados, sem saber o que fazer, por que agora, dar a ela o que ela queria significava distância. Ele sabia que quando ela voltasse, seus pais nunca o aceitariam. Nunca.

Foi aí que eu tive essa idéia. E se eu desse um jeito nas coisas? E se eu sozinha, conseguisse fazer todo essa dor, esse sofrimento passar? Em um instante eu tinha todo um plano arquitetado em minha mente.

- Você é livre Nez... Ninguém irá te obrigar a permanecer aqui. – A dor na voz de Alec era clara, ele estava se matando por dentro ao dizer aquilo. Ela se soltou dos braços de Karl, e correu para Alec, enxugando as lágrimas. Karl ficou lá, se sentindo culpado e incapaz, ele andava carregando tanta culpa nos ombros ultimamente. Peguei em sua mão e beijei seu ombro, para mostrar que ali era meu lugar, ao lado dele.

- Alec, por favor, entenda o que eu estou sentindo. Eu quero voltar para minha família, para casa, mas ao mesmo tempo não quero ir embora, eu gosto tanto de vocês. Eu te amo tanto e é isso que está me matando. – Ela correu com as palavras, forçando Alec a olhá-la nos olhos.

Eu estava me sentindo uma intrusa ali, esse era um momento muito íntimo para se ter platéia. Abaixei o olhar.

- Quando você voltar Nez, você vai me esquecer. Lá tem uma pessoa, melhor do que jamais um dia eu poderia ser, te esperando. Eu não pertenço ao seu lado da história, eu pertenço a esse lado, o dos vilões. Essa é a verdade. – Ele disse com a voz fria, morta.

- Não, essa não é a verdade. Você pertence a meu mundo. O que eu sou aqui Alec, eu sou lá... – Alec a interrompeu.

- Mentira. Aqui você é Nez Volturi, a mestiça talentosa, membro da guarda Volturi e minha namorada. Lá você é Renesmee, ou como eles te chamam Ness Cullen, a filha do casal "autocontrole", neta do líder do clã mais condescendente que existe e a prometida ao líder da matilha de lobos aliada. Você tem uma vida lá, bem diferente da que eu posso te oferecer aqui. – Tristeza, era como se a floresta estivesse se pintando em tons azuis. Eu e Karl estávamos imóveis, não conseguíamos andar nem falar nada. Só ficamos lá, assistindo o desenrolar da trama.

- Se você não estiver ao meu lado, nada me vale essa vida.Se eu não tiver você... Eu... Eu... – Ela começou a dar socos no peito dele se desesperando. Ele segurou os punhos dela e a abraçou.

- Perdonami, eu não devia ter sido tão duro. - Ele afagou seus dedos pelos cachos de Nez. - Eu vou estar sempre ao seu lado. Enquanto você me querer, eu vou ficar. - Ele beijou o topo da cabeça dela.

- Eu sempre vou querer, sempre. - Ela respondeu com a voz mais serena.

Era agora, a nossa deixa. Puxei Karl pela mão montanha a baixo, até as margens do lago Molveno. A noite já havia chegado, refletindo no espelho d'água milhares de pontos luminosos. Estrelas. Eu amava as estrelas. Porque não importa onde você esteja, as mesmas estrelas sempre irão estar lá. Essa talvez seja a minha única ponte com Karl futuramente, as estrelas. Ele me puxou em um abraço repentino, que fez meu peito arfar por falta de ar.

- Olha o que eu fiz Elle. - Ele disse, com aquele tom de voz novamente, aquele tom de voz de quando me pediu perdão, aquele tom de voz que eu odiava.

- Você não fez nada que Nez não quisesse, não fique se culpando pelo inevitável. - Segurei seu rosto em minhas mãos, a sombra daquela expressão de culpa estava lá, ameaçando retornar para seu rosto.

- E veja o lado bom das coisas: Se você não tivesse ido para Seattle, se não tivesse me deixado aqui sozinha,Nez nunca estaria aqui com Alec, esse amor nunca teria tido a chance nascer. Se você não tivesse ido, você nunca mudaria da forma que mudou para mim, que mudou por mim.E eu nunca teria certeza desse amor que sinto por você. Às vezes as coisas acontecem por um motivo. - Por isso eu tenho que fazer o que vou fazer, pelo final feliz não pelo meio infeliz. Completei mentalmente.

Ele segurou minhas mãos por um instante e olhou dentro dos meus olhos. Reparei em uma coisa que antes não se encontrava lá, a borda de sua íris estava levemente dourada, por razão de seu pequeno lanche "vegetariano", incrivelmente diferente. Ele então depositou um beijo em minha testa e me abraçou novamente. Depois de um tempo ele afrouxou o abraço, me deitei na relva macia às margens do lago. Ele se deitou ao meu lado e passou o braço por debaixo da minha cabeça.

- Está vendo aquela estrela? – Ele apontou para uma estrela de brilho forte, posicionada ao lado da lua. Fiz que sim com a cabeça.

- Eu costumava olhar para elas todas as noites em Seattle. – Seu tom de voz soou sonhador.

- Por quê? – Minha curiosidade, como sempre, falando mais alto.

- Eu não sei se é porque ela brilha mais que todas as outras no céu, ou se é porque uma vez você deixou escapar que eu te lembro a lua, mas eu olho para ela para me sentir mais perto de você. – Ele virou o rosto para mim.

- Eu sempre olhava para a lua. Eu até roubei umas peças suas de roupa, para ter seu cheiro sempre comigo. – Ele soltou uma risada deliciosa, daquelas que você não resisti a acompanhar.

- Por isso você está com a minha gravata. - Ele me puxou pela gravata, me fazendo rolar para cima de seu corpo. Eu ri mais ainda. Quando derrepente uma estrela cadente cortou o céu, ficamos paralisados.

- Anda, faz seu desejo. – Karl falou para mim, de olhos fechados. Devia estar fazendo o dele.

O meu desejo? Eu desejo que depois de tudo, eu possa me deitar novamente com Karl em um canto qualquer só para olhar as estrelas, enquanto Alec e Nez são felizes em algum lugar. Esse é meu desejo, que tudo volte a ser melhor do que já é.