Chapter IX

Eu me encontrei sozinha, lutando com uma lagrima que teimava em cair. Karl havia ido embora, agora não havia mais volta, Nez entraria aqui dentro de poucos minutos. Peguei a mochila escondida debaixo da cama e dei uma rápida conferida em tudo.

Esperei cerca de cinco minutos antes de Nez abrir a porta com uma mochila de viagem nas costas, ela estava segurando uma pulseira com uma força desnecessária.

- Pronta? – Perguntei, minha voz ainda um pouco embargada.

- Sim. – Ela também estava segurando o choro.

- Acredite, é tão difícil para mim quanto para você. Talvez até mais para mim, afinal você está indo para casa e eu estou deixando o único lugar que eu poderia chamar de casa. – Confessei.

- Eu sei, mas... – Sua voz morreu aos poucos.

- Vamos Nez, temos uma longa corrida pela frente. – Resolvi não perder mais tempo, quanto mais rápido partíssemos, mais rápido chegaríamos ao nosso destino. Então fiz como havia prometido para mim mesma, não olhei mais para trás. Sair do esconderijo foi como eu presumi, fácil, agora que os mais importantes estavam fora os outros não ousavam se meter no nosso caminho.

As horas que se passaram a seguir se resumiu em uma corrida frenética rumo ao leste, conseguimos atravessamos a Itália em um dia. Estávamos mortas de sono, mas nos mantínhamos de pé com foco no objetivo, chegar à França. Quando ela percebeu que íamos nessa direção, me perguntou por que a França, eu lhe respondi:

- Tenho que cobrar um favor em Lyon. – Ela não me fez mais perguntas o resto da viagem. Chegamos a Lyon a noite, o que me facilitou e muito a achar a Gormogon, uma boate no centro da cidade. Não precisamos encarar a fila na entrada, éramos bonitas, o que nos tornava automaticamente convidadas VIP. Todo clube é igual, não importa o local.

O lugar estava lotado, cheiro de cigarro e bebida impregnava o ar, dançarinas pendiam em gaiolas do teto, enquanto outras faziam pole dance em barras laterais a pista de dança no centro, tudo isso em meio a um show de luzes psicodélicas. Nez estava agarrada ao meu braço, algo me dizia que ela nunca havia pisado em um lugar como esse. Não demorei muito para encontrar as escadas para os camarotes especiais, o problema era o segurança, como ultrapassá-lo?

Sentamos no bar e ficamos observando as escadas, não havia uma lista de nomes ou algo do tipo. Os que conseguiam subir exibiam um anel na mão direita. Ele era prata e com uma pequena pedra de ônix. Como eu arrumaria dois desses?

- Seu Whisky. – Eu não havia pedido um Whisky, então não era para mim. Virei para o lado e me deparei com Nez e o copo de Whisky na mão, o levando aos lábios. Ela bebe?

- Desde quando a santa bebe? – Perguntei já tirando o copo da mão dela.

- Desde que ela esteja nervosa e desconfortável e não saiba que diabos está fazendo em um lugar "como esse". – Ela me acusou, enquanto tentava tomar o copo de minha posse.

- Você nunca saiu pra dançar em uma boate? – Fiz uma pergunta retórica, porque na verdade eu já sabia a resposta. Essa família dela, não enxerga que ela já deixou de ser uma criança á anos. – Eu te prometo que quando essa bagunça tiver acabado, eu te levo a um lugar maneiro e aí nós vamos se acabar na pista de dança. – Dei um meio sorriso rápido, que ela retribuiu. Acho que não seriamos capazes de dar um sorriso verdadeiro enquanto Karl e Alec não estivessem ao nosso lado.

- Okey, vou te explicar. – Decidi contar o pouco que eu sabia. – Uma vez eu segui Karl, pensei que ele estava me enganando, mentindo pra mim. Então eu o segui até Roma e ouvi uma conversa dele com um velho amigo, Henry Boreanaz. Karl deixou escapar sobre um favor que esse Henry o deve e também deixou escapar sobre mim. Então esse Henry sabe que estou com Karl e eu sei que ele deve um favor a Karl. Entendeu? Estamos precisando de ajuda para atravessar o oceano, Henry é dono disso tudo, ele possui condições de nos ajudar. Se tudo der certo, daqui a seis horas já estaremos em Seattle, eu só tenho que arrumar um meio de passar pelo segurança e subir para falar com ele. – Terminei.

- Acho que sei como podemos subir. – Ela se ofereceu.

- Como? – Perguntei curiosa.

- Reparou naquelas meninas se exibindo ali a trás? – Eu não havia visto elas ainda, me perguntei como, porque elas estavam chamando a atenção de todos as maneira possíveis. – Eu sei o que elas estão fazendo, chamando a atenção para serem convidadas para os camarotes. Se nós chamássemos mais atenção que elas nós subiríamos. – Ela completou.

- Pra quem nunca freqüentou uma boate você sabe das coisas. – Comentei

- Eu vi em um filme. – Ela se explicou rapidamente. – Mas como vamos conseguir? – Ela parecia não ter idéia de por onde começar.

- Filmes? Você já viu As Panteras? – Ela corou violentamente – Então me segue.

Subi em cima da bancada, a trazendo comigo. Como se fosse combinado uma musica mais envolvente começou a tocar na boate. Aproveitei a deixa e atravessei a bancada derrubando alguns copos no chão, chamando a atenção dos que estavam no bar. Agarrei uma barra de metal que havia no lado esquerdo e comecei a repetir os passos de dança que eu havia visto em um filme, fazendo os bêbados que estavam sentados embaixo de mim gritarem chamando a atenção do resto da boate. Uma dançarina da própria boate também subiu e puxou Nez para um dança sensual no outro canto. Até que ela se virou bem, na verdade ela brilhou. Quem diria, pra quem nunca havia pisado em uma boate ela dançava como a Demi Moore. As meninas que estavam fazendo um esforço fora do normal para chamarem a atenção, foram deixadas de lado e saíram com raiva da pista de dança. Foi a musica acabar e a tal dançarina da boate nos puxou discretamente para dentro do bar e depois pelos cantos da boate, até a escada para os camarotes. Nós havíamos conseguido.

Subimos as escadas para um corredor, o cheiro doce e pesado comum em um vampiro era o cheiro predominante nesse andar. Andamos até parar de frente para uma porta grande, a dançarina nos desejou boa sorte, com um olhar triste. Ela não gostava nem um pouco dessa parte do trabalho.

A porta foi aberta, a cena que estava montada parecia ter saido de um filme de terror antigo de vampiros. Havia cerca de 10 vampiros espalhados ao redor de Henry. Logo o reconheci alto, forte e moreno, sentado no centro de um sofá de couro alá gangster, sendo acariciado por duas vampiras que me lembravam a Heidi. Por isso o Karl foi atrás dela? Ela fazia o tipo deles?

Guardei essas perguntas no meu subconsciente, depois eu teria tempo para tirar minhas duvidas. Me assustei com o modo que os vampiros ao nosso redor se aproximaram, nos sentindo, nos caçando.

Nez agarrou meu braço com força, provavelmente se perguntando o que fariamos agora. Mas derrepente a curiosidade tomou conta da face de todos os presentes, já deviam ter percebido que não eramos humanas, não éramos vampiras.

- Ora vejamos, o que traz duas mestiças a um lugar como esse? - Henry indagou, da mesma forma polida que o ouvi conversar com Karl.

- Você. – Respondi, fixando meu olhar em seus olhos profundos de um tom vinho bem escuro. Ele era mais antigo que Aro, provavelmente.

- Eu presumo que não nos conhecemos, me lembraria de um rosto como o seu. - Ele arqueou uma sombracelha e me respondeu. Um sorriso extremamente malicioso surgiu em seus lábios.

- Você está certo, não nos conhecemos, porém conhecemos alguém em comum. - Me aproximei um pouco mais do sofá, Nez me seguiu cautelosa.

- Bom, quem? Conheço muitas pessoas e infelizmente não tenho o dom da adivinhação ou por ventura consigo ler pensamentos. - Ele estava perdendo a paciência. Logo eu que costumo ser direta começei a dar rodeios? Me sentei na beirada da pequena mesa de centro que fica posicionada de frente para o sofá, de frente para ele.

- Karl, Karl Volturi. ou como costumava ser chamado Karl Boreanaz, esse você conhece? - Dei meu sorriso irônico.

- Você deve ser a Elle então... - Ele abriu um sorriso, diferente do outro, era mais brincalhão. Devia ter estado curioso todo esse tempo para saber quem eu sou.

- Electra, para você Electra. - O cortei, ouvir esse apelido novamente me doeu, a imagem de Karl tomou minha mente instantaneamente.

- Nervozinha essa mestiça, não? - Uma das clones da Heidi, mas precisamente a que estava com a mão em sua coxa, comentou me olhando feio. Retribui o olhar com mais intensidade.

- Não Michaella, eu provoquei isso. Electra me desculpe se eu fui grosso antes, isso não foi nada educado da minha parte. - Ele disse olhando para mim, sendo sincero em suas palavras.

- Não importa. - Dei de ombros. - Na verdade, eu gostaria muito de poder falar com você a sós. - Pedi olhando para a tal da Michaella.

- Hum... À sós? - E o sorriso malicioso voltou a tomar conta de seu rosto, Michaella rosnou baixo. - Karl não consegue dar conta do recado?

- E você acha que poderia? - Arqueei uma sombracelha e disse, deixando o sarcasmo correr pela minha lingua.

- Odeio acabar com as suas esperanças, mas você é fragil de mais para mim. - Ele puxou as duas vampiras que estavam ao seu lado mais para perto, o que deixou Michaella bem feliz. - Mas se ainda estiver interessada, posso te arranjar alguém. - Ele fez a proposta como se fosse impagável.

- Esquece... - Me dei por vencida, eu teria que arrumar outra maneira de chegar a Seattle. Pedir um favor para Henry Boreanaz? Como sou tola. Me levantei, contornei a mesa e peguei no braço de Nez, a puxando para fora daquela sala.

- Elle? - Ela susurrou um pouco desesperada.

- Vamos embora daqui! Ele é uma completa perda de tempo. - Minha voz soou cansada, as horas de sono perdida finalmente pesando em minhas pálpebras.

- Electra espera! - Henry pediu. – Desculpa, eu só estava brincando, aqui geralmente é muito entediante então quando chega alguém novo... abuso um pouquinho. - Ele se levantou deixando a Michaella largada no sofá, bem feito. - Vamos ao meu escritório, então você e sua amiga poderão me contar a razão de terem vindo aqui. - Ele me estendeu a mão, os olhos demonstrando que realmente sentia muito.

Peguei em sua mão e ele entrelaçou seus dedos nos meus, o que me fez rir. Imagina se Karl estivesse vendo isso, ciumento como ele é. Ele nos levou por uma escada em espiral até seu escritório, que ficava acima do camarote privado.

O escritório era um lugar grande e escuro, praticamente a única luz vinha de uma enorme lareira. Ele não se sentou na poltrona atrás da grande mesa, mas sim em um dos sofás que ficavam perto da lareira, como uma sala de estar privada.

- Então o que traz vocês duas à companhia de um estranho? - Ele perguntou enquanto pedia para nos sentarmos ao seu lado.

- Eu quero sua ajuda, precisamos atravessar o oceano e não temos muitos meios para isso. - Agora que estavamos sozinha com ele, eu podia ir direto ao assunto.

- E porque tanta urgência em chegar a América? – Ele perguntou curioso.

- Eu... Eu não sei se devo lhe contar, alguém pode acabar lhe fazendo uma visita nos próximos dias. - Respondi cautelosa, não queria contrariá-lo, eu precisava dele.

- Você quer dizer os Volturi? Eu não tenho medo deles. - disse Henry com arrogância.

- Eu não disse que tinha, só estou pensando no meu lado. Se Aro souber o que eu vou fazer na América antes da hora, vai atrapalhar todos os meus planos. - Falei olhando para Nez, ela concordou comigo.

- Então tudo bem, mas se você não me disser o que quer fazer lá eu... Aliás, porque eu vou te ajudar mesmo? – Ele fingiu estar confuso.

- Você deve um favor a Karl, se me ajudar considere quitado. - Joguei baixo.

- O Karl sabe disso? Afinal o favor era para ele, não? – Ele perguntou.

- Tenho certeza que ele não irá se importar que eu o cobre. - Ele não iria se importar, não depois que soubesse de tudo.

- Por mim tudo bem, mas o que você quer? Um voo comercial ou você prefere um jato particular? – Ele realmente possuía muito dinheiro.

- Sinceramente, eu prefiro que não haja dado nossos em nenhuma agência de viagem, Aro tem seus contatos. Então o melhor seria um voo particular. - Olhei para Nez e ela concordou.

- Sim, seria muito bom um jato ou coisa parecida. - Ela dirigiu a palavra a Henry.

- UAU, você fala! – Ele fingiu espanto. - Estava começando a achar que o gato tinha comido sua lingua. – Ele deu um sorriso brincalhão para ela, que o retribuiu com um meio sorriso. - Para quando vocês querem o jato? Hoje à noite está bom?

- Se tiver um para agora... – Começei.

- Seria perfeito! - Terminou Nez, feliz por ele ter finalmente concordado.

- Bom como vocês sabem, demora um tempo para preparar um avião para cruzar o Atlântico, então daqui a uma hora eu consigo um para vocês. Enquanto isso, vocês podem ir para a boate e se divertir mais um pouco... Ou se preferirem, eu tenho alguns amigos que estariam interessados em cubrir a falta que o Karl faz. - Ele disse se dirigindo a mim, qual era o problema dele comigo?

- Karl é insubstituivél, nada chega perto dele. - Arqueei uma sombracelha e respondi, o desafiando.

- Como você pode saber? Você, por acaso, já teve alguém para comparar? – Ele rebateu.

- Porque? Você, por acaso, estaria se candidatando? - Soltei o sorrisinho irônico que Karl andava me ensinado muito bem. Nez soltou um assovio atrás de mim.

- Eu? Bom, aprenda querida, eu sou areia de mais para o seu caminhãzinho. – Que convencido. - Eu sei que você está louca para me ter, mas eu só não me permito por dois motivo. 1º: Como eu já disse, você é frágil demais para mim. 2º: Karl é meu amigo, eu não seria capaz de fazer isso com ele.

- Areia de mais para o meu caminhãozinho? - Sorri com gosto. - O seu teria que fazer duas voltas para me aguentar. - Agora eu estava era rindo. Nez segurava o riso que teimava em sair por seus lábios.

- Ai! Confesso que mereci essa, mas se nós já acabamos com esses joguinhos, você não tem mais nada a me pedir, ou têm? – Ele me pareceu curioso.

- Têm como eu ganhar permissão pra matar aquela tal de Michaella lá embaixo? - Estava muito mais relaxada na presença dele agora.

- Matar a Michaella? Por quê? - Ele se fingiu de inocente.

- Ela me lembra alguém. - Dei de ombros

- Então mate esse alguém não ela... Não que eu goste muito da companhia dela, ela consegue ser bem irritante às vezes, mas tem habilidades que eu realmente sei apreciar. – Um sorriso extremamente safado preencheu seu rosto.

- Vocês homens, sempre iguais. - Fiz cara de chocada... O Henry riu alto.

- Vocês me parecem cansadas... Muito cansadas. Não gostariam de dormir em um dos quartos? Eles são à prova de som, assim como essa sala. O avião estará pronto quando vocês acordarem. - Ele foi sincero, realmente se preocupando conosco.

- Acho que um quarto seria de muito bom grado agora, já estamos a um dia sem sequer tirar uma soneca. - Nez respondeu. Só que eu estava era mais intrigada com outro detalhe.

- A prova de som? Michaella é assim tão barulhenta? - Eu não podia perder uma oportunidade de afinetar a Heidi 2.

- Pode acreditar que ela é. – Ele concordou com uma expressão safada estampada em seu rosto. - Mas esse não é o motivo. Na verdade eu não gosto de me distrair com o barulho da boate e também não gosto de saber o que se passa nos outros quartos, muito menos que eles saibam o que se passa no meu.

- Prático, pena que essa tecnologia ainda não chegou em Volterra. – Comentei.

- Vou fazer reformas no meu quarto em Seattle. - Nez cogitou seriamente a ideía antes de se levantar e me puxar.

- Ah... Seattle, é para lá que vocês vão então? – Ele não perdeu a chance.

Nez ficou sem jeito, havia deixado escapar nosso destino. Ela abriu a boca para começar a negar, mas negar agora? Agora o leite já havia sido derramado.

- Éh... Seattle. Conhece alguma boa boate por lá? Teremos que fazer uma visita mais tarde. - Olhei para Nez. Eu não me esqueceria dessa promessa, ela precisava se divertir.

- É claro que eu conheço. Vocês gostam muito de boates? - Ele também se levantou e seguiu o caminho para a porta do escritório.

- Subimos para os camarotes, não? – Ele concordou vagamente, talvez imaginando o que teríamos feito para conseguir subir. O seguimos, meus passos já estavam mais que pesados, eles pareciam um peso morto que eu tinha a obrigação de carregar.

Descemos as escadas para os camarotes. Henry segurou na minha mão para me ajudar a desce-las, deve ter percebido que faltava pouco para eu desmaiar. Derrepente eu escuto um rosnado estremamente furioso e ciumento, quando olho na direção do som me deparo com Michaella, se agachando em posição de ataque.

- Pare com isso Michaella. – Henry interveio.

- Me dê um bom motivo. - Ela o desafia.

Então ele só olhou para ela e foi como se toda a raiva dela sumisse. Ela fechou a cara e se sentou na poltrona de couro mais próxima, desgotosa e contrariada, como uma criança birrenta.

- É melhor domesticar seus animais de estimação Henry, eles podem se tornar... Incontroláveis. - Segurei no braço dele e me coloquei ao seu lado, só para provocá-la.

Em um só movimento Michaella estava novamente de pé, rosnando furiosamente para mim. Henry revirou os olhos e disse:

- Electra seja boazinha, sim? E Michaella, para com isso. Eu só estou conduzindo-as até os aposentos. - Henry sequer conseguiu terminou de falar antes dela o interromper.

- Elas vão dormir aqui? - Ela fez uma cara que eu só podia descrever como a de uma criança mimada, que acaba de descobrir que vai ter que dividir todos os seus brinquedos.

- Dormir? Não ouvi essa palavra sair de seus lábios. – Disse, me dirigindo a Henry. Ele já havia percebido que eu estava me divertindo muito em ver Michaella naquele estado.

- Olha aqui sua... – O veneno já preenchia os lábios de Michaella, ela desejava me matar.

- JÁ CHEGA AS DUAS! – Henry explodiu. - Elas vão dormir aqui sim, Michaella.

- Mas... – Ela começou novamente.

- Nada de mas, não tem o que discutir. A boate é minha e ponto final. - Ele encerrou o assunto. Ela saiu do camarote batendo a porta, pisando forte e bufando. Definitivamente, uma criança mimada.

- UAU, essa garota é completamente estragada! - Nez deixou escapar.

- Serio que você costuma se divertir com ela? - Perguntei para Henry, enquanto caminhavamos até a porta do camarote.

- Ruivinha... Você deve ser a menina Cullen, não? – Era verdade, o tom chocolate do cabelo de Nez estava se descolorindo rapidamente para um tom de vermelho, talvez fosse um sinal de que ela estava mudando. - Você ficou muito famosa sabia? E do jeito que sua família é, aposto que nada nunca foi negado à você. Electra quando eu me divirto com ela a boca dela se encontra ocupada demais para conseguir me irritar. Mas ela é legal, é só ciúme excessivo e irracional. Vai dizer que você nunca sentiu ciúme do Karl? – Por incrível que pareça, ela a estava defendendo.

- Nem poderia... Ele não me deve nada. - Suspirei, mas essa era a verdade. Ele nunca havia me feito algum tipo de comprometimento, nem namorados éramos... Talvez amantes. mais nada.

- Ela é estragada por natureza, nenhuma criação poderia mudar isso. - Nez falou ao mesmo tempo que eu. Henry riu do que Nez disse, mas me olhou com curiosidade.

- Electra, não entendi muito bem o que você quis dizer. - Ele parecia realmente confuso.

- Digamos que ele aprecia se divertir comigo e eu sei me por em meu lugar. Sou só uma diversão, um dia ele acaba cansando. – Confessei coisas de mais, coisas que eu mantinha trancafiadas no lugar mais sombrio do meu coração, eu sabia que um dia ele iria se cansar. Eu era complicada demais.

- Electra, eu conheço Karl desde hum... Sempre? E eu sei que ele é muito parecido comigo no aspecto "mulheres", mas quando ele veio falar comigo sobre você eu percebi que ele estava diferente. Você o mudou completamente. Ele me disse que não conseguia desejar mais ninguém além de você! Ele se atrapalhava com as palavras... Entende? Um vampiro com problemas de eloquência é muito... Incomum. Ele não conseguia explicar em palavras como você era ou quem você era para ele. Alguns diriam que ele estava completamente insano, mas por tudo que eu vivi até hoje só posso dizer que ele estava apaixonado. – Ele tocou meu nariz com seu dedo indicador e soltou um leve sorriso, como se isso fosse acabar com todas as minhas duvidas.

- Eu... Eu... – Eu não sabia o que dizer, talvez devesse ficar calada? Mais eu já havia começado a falar. - Eu me sinto uma idiota por ainda nutrir tais pensamentos sobre ele... Mas eu não consigo extingui-los, eles não morrem com nenhuma palavra que ele diga para mim. Não importa o quanto eu me prenda a elas, elas sempre se desmancham quando me deixo escapar para esses confins da minha mente. - Levei as mãos aos meus olhos, cansada. - Aqui estou eu te alugando, me perdôe isso realmente não lhe é importante. - Fiquei meio sem jeito, eu me senti a vontade tão rapidamente que sequer me toquei que ele não precisava ficar me ouvindo reclamar de minhas confusões internas.

- Que nada... Eu não preciso dormir, lembra? Então quem está alugando aqui, sou eu. - Chegamos à uma grande porta de madeira entalhada, parecia ser muito antiga e a maçaneta era arredondada e decorada com a mesma pedra de ônix que se encontrava nos aneís. Ele abriu a porta e uma enorme cama de casal nos encarava.

- Se importam? Não temos quartos com camas de solteiro. - Ele riu do próprio comentário.

- Dormiria até com os cachorros a esse ponto. - Nez comentou olhando para a cama com desejo.

- Eu nem sei como lhe agradecer corretamente Henry, um simples obrigada me parece muito inadequado comparado com o tamanho do favor que está nos fazendo. - Disse para Henry enquanto Nez já invadia o quarto e se deitava na cama, tirando a mochila das costas e a jogando no chão.

- Que tal eu ter a permissão de te chamar de Elle, agora? Electra é um nome muito grande. – Ele tentou.

- Sem problemas. – Um leve sorriso se desenhou em meus lábios, em um movimento rápido demais eu o abracei. O abracei como um velho amigo. Ele ficou meio surpreso mais retribuiu o abraço e quando me soltou também retribuiu o sorriso, pediu licença e foi embora.

Finalmente eu dormi. Não sei se podia dizer que estava dormindo, eu estava presa entre a subconciência do meu corpo e a minha mente super aguçada. Eu estava ouvindo tudo, ou melhor, só a respiração da Nez ao meu lado que se encontrava pesada. Minha mente vagava por imagens ultramente coloridas e outras incrivelmente sombrias. O meu dormir-não-dormindo parecia nunca acabar, ao mesmo tempo que parecia sequer ter começado.

Abri os olhos ao ouvir leves batidas na porta, o jato já devia estar pronto. Cutuquei levemente o ombro de Nez.

- Qual o problema? - Ela perguntou sonolenta.

- Temos que ir, o jato, Seattle. Lembra? - Disse já me levantando e pegando minha mochila.

Ela se levantou em seguida, abri a porta e me deparei com Henry e mais um vampiro, que agia como se fosse um segurança particular, se prostando logo atrás de Henry e com o olhar vago, porém atento. Não prestando atenção em nós, mas em todo o resto.

- Bom dia, dormiram bem? - Ele trazia um sorriso simpatico no rosto.

- Bom dia? - Como assim bom dia? – Quanto tempo você nos permitiu dormir?

- Bom são 9 da manhã agora, não foi culpa minha eu precisei acalmar a Michaella. – Ele se explicou.

- Você disse que iamos ontem, não dava pra ter sido só uma rapidinha? - Eu estava furiosa com ele, como assim nove da manhã?

- É eu disse, mas vocês duas pareciam estar tão cansadas, eu simplemente não consegui acordar vocês e se você quer saber parece que para você não foi o suficiente. – Ele tentou me fazer entender os eu lado.

- Anda Nez, não devemos mas perder tempo. - Acho que não conseguiria dormir direito até sentir que já tinha cumprido minha parte. Chegar até a casa dos Cullens em segurança, sem rastros.

- Elle e Nez, posso te chamar assim? – Ela concordou levemente. - Esse aqui será o seu piloto, Caleb. – Ele nos apresentou o cara que estava atrás dele.

- Espero que saiba pilotar bem rapido Caleb, já estamos muito atrasadas. - Nez soltou.

- Pode acreditar, velocidade é a minha paixão. - Disse Caleb, com um sorriso sincero de pura diversão

Descemos o corredor e as escadas que nos levava a boate que se encontrava iluminada por luzes frias, as cadeiras postas em cima das mesas e o bar estava sendo limpo por um mulher da limpeza.

- O aeroporto é perto daqui? - Perguntei para quebrar o silencio. Eu iria acabar dormindo de novo se ele se perdurasse por mais tempo.

- Não muito, mas teremos que ir de carro. - Henry me respondeu. Eu e Nez pegamos umas balas no balcão, não teríamos tempo sequer para escovar os dentes.

- Está sol? - Nez perguntou. Essa era uma questão importante, por isso precisávamos ir durante a noite, dependendo do sol o nosso singelo brilho se tornava indisfarçável.

- Não muito, está um pouco nublado. – Caleb a respondeu. E foi o que pudemos ver ao sair pelas portas da Gormogon, um Citröen C5 preto estava parado na rua nos esperando.

Nos sentamos nos bancos de trás, Caleb no banco do motorista e Henry no do passageiro. Encostei a cabeça no vidro e olhei para a boate, me deparei com Michaella, me direcionando um olhar que deveria ser ameaçador, como se ela me amedrontasse.

Caleb deu partida no Citröen, deixando Michaella e a Gormogon para trás. Agora eu sabia o porque de eu me sentir tão a vontade ali, aquele lugar de alguma forma pertencia a Karl, mas agora seria só eu. Peguei o colar da minha mãe no bolso da minha calça e coloquei em meu pescoço. Nez me olhou um pouco curiosa, mas não me perguntou nada, dá mesma forma que eu não havia perguntado nada sobre a sua pulseira.

A viagem foi silenciosa, o que me fez quase pegar no sono novamente. Em 15 minutos chegamos ao aeroporto, passamos pela entrada particular, Caleb nos levou direto para o portão oito que já se encontrava aberto. O jato particular de Henry estava acabando de ser preparado por uma equipe e a porta estava aberta, nos convidando a entrar.

- Bom meninas, estão entregues. Se precisarem de qualquer coisa a amiga de Caleb, Cristine, pode ajudar vocês durante o voo. Tenham uma boa viagem e boa sorte. - Ele estendeu a mão para mim, mas eu não resisti, ele me passava segurança, tive que abraça-lo.

- Muito obrigada mesmo, eu estou de devendo uma. - Disse ainda abraçada.

- É claro que não. Eu estava devendo uma ao Karl, lembra? - Ele deu um sorriso brincalhão, o primeiro sincero, sem um pingo de malicia. Nez apertou a mão dele, o agradeceu e seguiu para o jato. Antes de me virar, começei.

- Se Karl aparecer por aqui procurando por mim, você pode dizer a ele que... - Me perdi nas palavras, o que eu podia pedir para ser dito? Simplesmente me calei e encarei o chão. - Dizer a ele que... - Tentei novamente. - Que eu sinto a falta dele, por favor? - Finalmente completei a frase.

- Mais é claro que eu digo. – Ele assentiu levemente.

- Obrigada. – Suspirei. - Até a próxima Henry, até a próxima. - Me virei e subi as escadas para o jato particular. Me sentei na frente de Nez em uma das poltronas privadas com uma mesa ao meio, ela estava olhando pela janela enquanto o jato começava a levantar voo. Pedimos um bom café da manhã para Cristine, já fazia algum tempo em que não colocavamos comida de verdade no estomago.

Agora faltava pouco, eu e Nez já estavamos a caminho de Seattle. Me pergunto como anda as coisas em Volterra, Aro já devia ter dado por nossa falta, ele esperaria Demetri voltar de viagem para agir, é claro.

O ambiente lá devia estar caótico, a filha dos Cullens fugiu bem debaixo do nariz de todos, eu podia não ser muito querida, mas como Alec já havia me dito eu era necessária, uma arma, e Aro sabia que se os Cullens me tivesse ao seu lado todo o seu plano estaria perdido.