Chapter XII

Karl POV

Seria sempre assim? Era esse meu Kharma?

Tive tantas mulheres por diversão que nunca me despertaram sequer um sentimento sincero e como castigo, toda vez que eu tivesse Elle, a única mulher que amei, em minhas mãos teria que ser por menos de um minuto?

Cheguei à conclusão que nosso amor equivale á um floco de gelo.

Tente pegar um pequeno floco nas mãos, o calor de seu corpo o derrete mais rápido que a luz solar que receberia em um dia completo e a única sensação que indica sua existência, é o frio em sua palma. No nosso caso, o frio permanecia em meu coração, já tão endurecido pelo tempo.

- O que vamos fazer? Como vamos impedir essa loucura? – Alec estava desesperado. Estávamos a 20 minutos congelados no quarto vazio de Elle, a única dica de sua passagem por ali era seu perfume, presente em quantidade inebriante em todos os cantos do cômodo. Havíamos ido para lá depois de termos recebido a notícia de que as duas haviam desertado o clã e a ordem de execução. Aro não podia estar falando sério, por isso viemos aqui, para ter certeza, Alec já havia conferido o quarto de Nez, também vazio. Por que elas fizeram isso sem nos avisar? Automaticamente soube a resposta, nossa mente não era privada de Aro e ele já havia feito seu teste em nós. Se estivéssemos meramente envolvidos nisso, também seriamos executados.

- Vamos atrás delas. – Respondi como se fosse a única resposta possível.

- Mas é isso que elas querem? – Alec e seus medos. Como ele podia pensar que Nez não o amava? Eles eram feitos um para o outro.

- E isso importa? Eu vou estar ao lado de Elle quando Aro chegar, não importa o que ela faça ou diga, eu vou estar lá. Não senti o mesmo por Nez? – Ele assentiu duramente.

- Preciso falar com Demetri. – Eu precisava encontrá-lo e sugar seu talento com urgência, eu precisava cair na estrada antes deles. Com sorte Aro ainda planejaria algumas coisas, talvez um modo de tê-las de volta, elas são preciosas. Alec me seguia nervoso, perdido em seus pensamentos.

- Demetri. – Disse, quando finalmente o encontrei conversando com Heidi na biblioteca. Ele sorriu de lado, como se estivesse adorando aquilo tudo. Desgraçado.

- Alec, Karl. – Heidi nos cumprimentou. Ela me olhou de uma forma que eu nunca antes encontrei em seus olhos, era pena, ela estava com pena de mim. – Até mais Demetri. – E com isso ela foi embora, estalando seus saltos altíssimos no chão de mármore. Mas eu estava mais preocupado era com outro detalhe, eu não estava conseguindo entrar na mente de Demetri e sugar seu talento. Ele estava me bloqueando.

- Surpreso? Não é tão difícil quanto imagina. – Ele sentiu minhas múltiplas tentativas de penetrar em sua mente e estava zombando da minha cara.

- Qual o problema Karl? - Alec parecia não estar entendo nada.

- Eu não estou conseguindo. Ele não está permitindo. – O sorriso zombeteiro de Demetri cresceu ainda mais em seu rosto.

- E desde quando Demetri pode te bloquear? Que eu saiba isso nunca aconteceu. – Essa pergunta também estava me incomodando, e muito.

- Eu descobri que... – Ele começou a andar ao nosso redor, se achando o homem mais esperto do planeta. – Se eu manter minha mente em um ponto, mantê-la completamente focada, ela não deixa brechas para intrusos.

- Focada? – Abafei uma risada, não acreditei no que estava ouvindo. Me burlar era assim tão simples? Como ninguém antes havia descoberto?

- Sim, focada. Como agora, estou realmente focado na lembrança do perfume, da pele, do gosto de Electra... – Não precisei ouvir mais, meu punhos se fecharam e em menos de 2 milésimos de segundo eu já havia dado um soco no queixo de Demetri que o havia feito cair no chão.

- Vai ser preciso mais do que isso para me fazer perder o foco. Você sabe, ela é inesquecível. – Ele piscou o olho esquerdo para mim. Eu ia socá-lo novamente mais Alec segurou meu braço.

- Ele está mentindo, e não será com socos que conseguirá o que precisa. – Ele avisou. Mentira? Algo me dizia que não era mentira, mas isso não significa que Elle havia gostado.

- Pena que tenha que morrer, ela é tão... Deliciosa. – Me soltei de Alec, torci o braço dele e o virando de costas, o pressionei contra a parede.

- Você não têm o direito de falar dela. – Rosnei, veneno transbordava em minha boca. Eu estava entorpecido por ódio, primeiro porque ele falava de Elle como se ela já tivesse sido dele, o que me lembrou automaticamente de Jane dizendo que Demetri também era dela, e segundo porque eu ainda não havia conseguido sugar seu talento.

- O que está acontecendo aqui? – A voz de Jane soou atrás de mim, ela parecia bastante curiosa.

- Jane, é melhor não estar envolvida nisso. – Alec pediu. Demetri se soltou com habilidade do aperto, o que me fez dar um chute em seu joelho que o desarmou automaticamente.

- Eles vão ir atrás delas Jane, eles vão desertar. – Dei mais um soco em seu olho. Observei que toda vez que ele vinha para cima de mim, antes de conseguir me tocar, caia no chão. Assistir aquela cena devia estar sendo engraçado.

- Que patético.Ela disse quando Demetri caiu mais uma vez no chão. - Eu já sabia que isso ia acabar acontecendo. – Ela disse para Alec. Nessa ultima semana Jane havia se mostrado mais próxima de Alec do que nunca, o que a trazia para mais perto de mim obviamente, mas reparei que ela estava sendo mais amiga do que o normal, suas piadinhas não tinham mais espaços em nossos diálogos. Talvez ela realmente tenha seguido em frente, aceitado que dessa vez fora Elle quem ganhou, e que se ela não engolisse seu orgulho, também acabaria perdendo seu irmão.

- Não dá mais para existir sem ela Jane. – Alec confessou. Eu estava dando uma chave de pescoço em Demetri, pensando no que fazer com ele, agora que ele já sabia o que íamos fazer, ele só ia atrapalhar.

- Afinal, Por que vocês estão brigando, quer dizer, por que Demetri está apanhando? – Jane perguntou para mim.

- Acredite se quiser, mas ele não está me permitindo sugar seu talento. Diz ele que mantendo a mente focada, eu não posso entrar. – Resmunguei, não gostando nada do que havia acabado de dizer.

- Então que ele tente manter a mente focada com isso. – Jane deixou seu talento fluir. Demetri tentou abafar o grito, mas acabou caindo mais uma vez no chão se contorcendo de dor. Foi aí que eu consegui, eu senti seu talento pulsando em sua mente e o drenei como sangue, mas essa sensação conseguia ser ainda melhor. Eu me senti mais forte, mais capaz, e o mais incrível: eu senti o rastro de Elle como se estivesse fresco, não de uma semana atrás.

- Sua vadia, você vai pagar por isso. – Demetri disse para Jane, assim que ela o liberou da dor.

- Vai pro inferno Demetri. – Jane disse ao mesmo tempo em que eu dava mais um soco nele.

- Karl, vamos? Já conseguimos o que precisávamos. – Alec me puxou pelo braço antes que eu despedaçasse Demetri de vez.

- Outra morte desnecessária vai ser a daquela gostosa da sua namorada, sequer tive tempo para fazer com ela o que você não é capaz. – Demetri disse depois de estar de pé, massageando a nuca. Eu senti a vibração de ódio que passou por Alec, ele sequer me segurava mais. Ele já estava em cima de Demetri dando a maior surra que ele já deve ter recebido. Ele suspendeu Demetri na parede, segurando com apenas uma mão seu pescoço.

- Você acaba com ele ou vai deixar todo o trabalho sujo para mim? – Alec rosnou sem sequer desviar os olhos de Demetri. Joguei uma fileira de livros no chão e, com o mesmo isqueiro que eu havia usado para matar todos aqueles recém nascidos, ateei fogo na pequena pilha montada no meio da biblioteca. Depois fui caminhando lentamente até Demetri, que ainda estava preso na parede por Alec.

- Aro vai matar vocês. – Demetri profetizou. Eu ri deliciosamente em resposta.

- Sério? Não acho que ele vá sentir muito a sua falta. – E com isso eu arranquei sua cabeça de seu tronco e a joguei em meio ao fogo. Alec acabou de despedaçá-lo e de jogar os restos a fogueira. O cheiro pesado de vampiro queimando dominou o cômodo.

- Acho melhor vocês partirem agora. – Jane suspirou.

- Você vai conosco. – Alec disse, convicto.

- Eu não posso, já escolhi meu destino. Andem, vão logo. – Ela pediu mais uma vez.

- Até pequena, Até. - Alec a abraçou forte e depositou um beijo no topo de sua cabeça.

- Obrigado. – Eu disse, meio sem jeito.

- Você pode me abraçar Karl, prometo que não vou arrancar pedaço. – Ela tentou sorrir, mas não conseguiu. Então eu a abracei, pela primeira vez a vendo como uma amiga.

Não sei por quanto tempo corremos atrás do rastro de Elle e de Nez, só sei que corremos como loucos, não se importando com nada mais. Só acordei para a vida quando percebi que estávamos quase entrando nas ruas de Lyon, França. O que elas poderiam querer na França? Seguimos seu rastro pelos telhados dos prédios, elas foram para o centro, deram algumas voltas e entraram em uma boate chamada Gormogon. Não acredito nisso, O que Elle estaria fazendo ali? Na boate de Henry, ela não o conhecia, conhecia? Em um estalo entendi tudo. Não importa como, mas Elle devia ter descoberto o favor que Henry me devia, Elle é esperta, possui seus meios. Garota maligna.

- O que elas fariam aqui? Têm certeza que não se confundiu? – Alec disse meio sem jeito, já devia estar tentando falar isso há muito tempo.

- Eu sei o que elas vieram fazer aqui. Ando compartilhando a cama de um gênio do mal. – Eu abri um sorriso de admiração, Alec abafou uma risada. - Me segue.

Entramos na boate pelos fundos, aproveitando que a porta estava aberta para expulsar um bêbado. As luzes psicodélicas e o som ensurdecedor tomaram conta do lugar. Estava difícil passar rápido pela massa dançante de pessoas e eu precisava chegar ao outro lado, precisava falar com Henry. Elas ainda podiam estar ali, protegidas, Henry faria isso por mim, ele me devia.

Quando finalmente conseguimos atravessar um grupo de garotas que estavam tentando nos puxar para dançar, chegamos as escadas para os camarotes. Henry estaria lá em cima, tenho certeza. O problema era que eu não estava com o meu anel de Onix, o deixei em Volterra. Eu conheço o sistema, apresente o anel do clã e a passagem é livre. Agora eu teria que pensar em outra maneira de subir. Uma vampira de cabelos pretos e cacheados ia subir as escadas, agi por impulso e a puxei pelo braço para mim.

- Karl Volturi, diga para Henry que Karl Volturi está aqui. – Susurrei em seu ouvido. Seus olhos faiscaram ao ouvir meu nome.

- Algum problema Michaella? – O segurança perguntou para a garota em minhas mãos.

- Não Sebastian, nenhum. - Ela continuou a me observar, como se estivesse vendo um fantasma a sua frente.

- Karl? O Karl da Electra? - Ela disse o nome de Elle com desdém, como se não valesse a pena gastar saliva para pronuncia-lo.

- Electra? Ela está aqui? - Não contive a expressão de esperança que tomou minha face. Elle podia estar lá em cima, como eu queria que ela estivesse lá em cima.

- Não! - Ela disse como se a ideia de Elle ainda estar por lá fosse terrivél - Ela foi embora faz mais de uma semana. - Justificou.

- Embora? - Como assim embora? O que elas vieram fazer aqui então? - Eu preciso falar com Henry. - Disse decidido.

- Okey, eu vou chamá-lo para você. - Ela disse antes de se virar e subir as escadas rapido o suficiente para ainda ser considerada humana.

- Quem é Henry? - Alec me perguntou, se soltando dos braços de uma garota que estava o agarrando, humanas.

- Um velho amigo meu. E não, eu não sei o porque delas terem vindo aqui. - Me expliquei rapidamente

- Não, eu não quero dançar. - Dei um fora na garota que havia soltado Alec e vindo em minha direção, como se não tivesse me visto ainda.

Então Henry desceu as escadas seguido pela garota morena, Michaella. Já fazia decadas que eu não via esse rosto, não percebi o quanto sentia falta dele até agora.

- Henry, irmão! - O abraçei rapidamente, o abraço de combatentes de guerra, ele costumava dizer.

- Karl, Quanto tempo! Fazem decádas que você não vêm aqui se divertir um pouco, andava muito ocupado? - Seu rosto tomou aquela expressão maliciosa já tão conehcida, era praticamente sua marca registrada.

- Alguém andou me ocupando. - Respondi, sorrindo de lado. Henry riu alto.

- Foi esse alguém que te trouxe aqui hoje? - Ele chutou, mas já sabia a resposta.

- Por que ela veio aqui Henry? - Meu rosto voltou para a expressão sombria que tinha antes.

- Ela queria minha ajuda. - Seu tom de voz se tornou sério. Michaella sibilou como se aquilo a revoltasse, eu e Henry a encaramos furiosos, ela se calou contrariada. - Ela e a outra... Renesmee, queriam um avião para Seattle.

- Seattle? - Alec ecoou meus pensamentos. Seattle. Como não vi antes? É claro que era isso, Elle estava levando Nez para sua familia, por que ela sabia que se ela continuasse em Volterra ela não estaria segura. Ela só estava tentando arrumar tudo do jeitinho torto dela. Pensando no bem de todos, talvez pela primeira vez em sua vida.

- Elas estavam bem quando chegaram aqui? - Uma outra duvida minha, Aro disse que elas haviam fugido, mas sabesse lá a verdade.

- Sim, sim. Só estavam bastante cansadas. – Henry me tranqüilizou.

- Obrigado Henry, por cuidar delas por nós. - Alec ecoou meus agradecimentos.

- Karl, Elle me pediu para te passar um recado. - Ele parecia ter acabado de se lembrar. O encarei curioso.

- Bom primeiramente... Cara, o que você anda fazendo com aquela garota? - Ele perguntou consternado.

- Como? - Perguntei confuso. O que ele queria dizer com aquilo? O que eu andava fazendo com Elle? Eu andava a amando intensamente a cada segundo. Serve?

- Ela veio aqui e acabou confessando para mim que não tinha direito de esperar sua fidelidade, não tinha direito de esperarqualquer coisa de você, porque você nunca a prometera nada e vocês sequer tinham um compromisso. EU percebi o quanto você a ama e precisa dela, mas você já disse isso para ela, ou melhor, já demonstrou isso alguma vez? – Ele jogou as palavras em cima de mim.

- Eu nunca a prometi nada? - Repeti chocado. Como assim ela disse essas coisas para Henry? Ela sequer o conhecia direito. Devia estar guardando tudo por tempo demais e, cansada do jeito que Henry disse que estava, deve ter jogado tudo em cima dele e depois morrido de vergonha. Comprometimento. Eu fui tolo o suficiente para nunca perceber que ela desejava aquilo. Algo que a tornava diferente de todas as outras.

- Nossa, eu não sei se você ficou asssim porqestá pensando na Elle... - Ele usou o apelido que Alec havia dado a ela, significava que ela confiava nele. - Ou porque agora você é um Volturi. Ela sente sua falta, esse era o recado. Karl, ela ficou muito sensível quando eu falei de você, ela acredita que não passa de mais uma.Eu posso ver que isso não é verdade, eu até tentei dizer a ela, mas ela não escuta. Ela só vai escutar você. Você tem que dizer à Electra o quanto ela é importante para você.

- Eu direi, eu só não sabia que ela se importava tanto. Eu sou um babáca, eu não tinha noção do que se passava dentro dela.Eu estou merecendo um soco agora. - Eu estava realmente perplexo. Foi quando eu recebi um soco de esquerda, vindo da garota que acompanhava Henry, que me fez cambalear para trás.

- Wow! - Massageei meu queixo.

- Michaella! - Henry a advertiu. Ela o olhou confusa, quase inocente, se quem a estiver olhando não reparar em suas roupas clássicas de dançarina de stripper.

- Foi ele quem pediu. – Ela se explicou, Henry riu da garota.

- Eu ia fazer o mesmo, só que você foi mais rápida. - Ele a puxou pela cintura, o sorriso se abriu em seus lábios.

- Qual o seu problema? - Perguntei contrariado. Alec estava rindo desde o momento que recebi o soco.

- O meu? Nenhum. - Ela chegou mais perto de Henry e abriu um sorriso cheio de dentes faiscante, o que deixaria um ser humano assustado. - Mas é que eu senti simpatia por você e comodisse que merecia um soco, eu não podia deixar um amigo de Henry passando necessidade.

- Você sibila quando eu digo o nome da Elle e depois me dá um soco. Você tem que ter algum problema. - Semicerrei os olhos e encarei aquela vampira nos braços de Henry, ele sempre ficava com as garotas divertidas da festa, mas essa não era normal.

- Ela só é um pouco ciumenta Karl, não á leve a mal.Eu acho que a mimo de mais. - Ele a olhou meio arrependido por ter feito isso, mas a garota sabia mecher com ele, ela fez um biquinho e ele começou a sorrir de novo. - Mas pense bem, poderia ter sido eu a te dar o soco.- Ele falou, tirando os olhos da garota por alguns segundos.

- Eu não sou ciumenta, mas aquela mestiça ficou dando em cima de você. - Ela não precisou citar nomes para eu saber de quem se tratava, ela fez questão de dizer isso com veneno nos lábios enquanto me encarava. - Acho bom você tomar cuidado.

- Ok, Michaella já chega!Se você não começar a se comportar, vai ter que subir. - Henry disse, deixando o tom brincalhão e falando sério.

- Ela deu em cima de você? - Meu queixo caiu. Nós costumavamos fazer isso, dividir garotas, sistema de compartilhamento, chamavamos. Mas com Elle seria demais. A imagem de Demetri falando aquelas coisas dela, voltaram a minha mente.

- Ela não é assim, Karl você sabe disso. - Alec falou pra mim, deve ter percebido que eu estava me lembrando de Demetri e seu veneno.

- Não é claro que não! A gente...Bem, a gente brigou se você quer saber.Eu confesso que fiz um comentário inapropriado... Ou talvez dois, mas eu só estava me divertindo um pouco, eu estava realmente entediado naquele dia. Michaella só está exagerando, ela faz muito isso. - Ele olhou para ela, repreendendo-a.

- Ela pode ser a ciumenta na sua relação, - Apontei pra garota. -Mas o que possui o ciúmes incontrolável na minha, sou eu. - Expliquei.

- Karl, não devemos gastar tempo jogando conversa fora. Elas devem estar nos esperando, lá. - Alec interveio antes que a conversa se perdurasse por mais.

- Karl não precisa ter ciúmes, você sabe disso. A Elle só quer você! – Aquela frase me acalmou mais do que ele imaginava. - Mas seu amigo tem razão, vocês já sabem onde elas estão, certo? Estão esperando o que? Á Michaella socar vocês dois, dessa vez?

- He, He...Não teve graça. - Fechei a cara para Henry. - Seattle. Você trouxe documentos? Odeio aviões. - Comentei com Alec.

- Na verdade não, sequer tivemos tempo para trocar de roupa. - Alec se explicou.

- Henry, meu irmão. - Abri um sorriso inocente para ele. - Você tem dinheiro. - Apontei ao redor. - Deve ter um um jatinho, não é?

- É claro que eu tenho! - Ele abriu um sorriso enorme.

- Então pensa em todas aquelas vezes que eu desisti de uma menina e cedi pra você e me deixa ir pra Seattle nele? - Tentei.

- Nem precisa pedir! – Ele me dirigiu aquele velho sorriso bobo. - Mas eu estou curioso, Aro deixou que você e seu amigo...Alec, não? - Alec assentiu. - Fossem buscar elas e não providenciou nada para vocês?Achei que fossem membros respeitados na guarda.

- É, eramos. - Confessei. - Acho que minha estadia por lá chegou ao fim.

- Desertamos. - Alec explicou melhor. - Por elas.

- Wow! O mesmo Karl de sempre, não?Nada te prende garoto. - Ele deu um sorriso que beirava entre a cumplicidade e o orgulho. - Mas isso não é bom, néah? E as outras duas? Suponho que tenham feito o mesmo.Se eu me lembro bem, quem deserta do clã Volturi é gravemente punido não?

- Meu destino está fadado, devo perecer em campo de batalha contra meu antigo clã. Destino cruel. - Deixei meu queixo cair, fingindo choque e consternação.

- Condenados a morte, todos. - Alec disse ao mesmo tempo que eu.

- E vocês vão aceitar sua sentença ou estão dispostos a lutar? Ouvi dizer que você Alec, tem um poder formidável. – Ele se dirigu a Alec com respeito.

- Vamos lutar, é claro. Alguma vez você já me viu fugir de uma boa luta? - Perguntei chocado, que ídeia essa de Henry. Eu, fugir? Nunca.

- Provavelmente a família de Nez deve entrar em campo por ela, se isso acontecer, os Volturis não existiram mais por muito tempo. - Bem lembrado Alec, a família de Nez. Conosco ao lado deles, o que poderia fazer a guarda?

- Bom, você mudou.Você poderia querer proteger Electra e fugir com ela. Mas eu realmente não consigo pensar em nada que a guarda poderia fazer, porém já ouviram "Melhor prevenir do que remediar" – Henry deu a dica.

- Eu até gostaria de poder fugir e proteger Elle... - Era verdade, se houvesse alguma forma de fugir com ela para um lugar em que ninguém nos achasse, eu não me importaria, eu iria. - Se ela quisesse isso, a conheço o suficiente para saber que ela vai adorar ficar na linha de frente. Aro é um homem inteligente, ele vai arrumar um jeito, não vai deixar isso passar. Diriam que ele perdeu sua autoridade.Os provocamos demais para permanecer vivos. - Ele iria dar seu jeito, concerteza.

- Então se é assim, eu vou com vocês. – Ele disse convicto. Michaella arregalou os olhos, em choque.

- Você não precisa fazer isso Henry. As garotas já fizeram questão de pagar minha dívida. - Eu não precisava carregar mais um para a morte. Se isso acontecer com ele, eu nunca me perdoaria.

- Eu sei disso, mas você é meu amigo Karl, eu quero estar lá, quero poder ajudar. - Michaella soltou um gemido desesperado e agarrou o braço de Henry, o medo de perdê-lo estampado em seus olhos.

- Sendo assim, vai ser bom te ter lá. Como nos velhos tempos. Hey garota, fica calma, eu trago ele inteiro. - Disse para Michaella.

- Não, eu quero ir junto. – Ela bateu o pé.

- Sério? Com esse seu temperamento só vai gerar problemas. Henry, ela é tão importante assim para ser levada? - Não quis soar rude, mas ela era uma garota problema. O olhar que Michaella lançou para Henry dizia que aquela pergunta significava algo para ela.

- Ela é sim Karl. ela é importante. - Henry se virou para Michaella - Bebê se você quer mesmo ir, você pode.

- Então tá legal. - Contive o riso por ele ter usado tal apelido, me pareceu um adolescente fascinado. - Mas devemos ir logo. Vocêa têm em seus braços, mas nós dois já não vemos quem queremos a pouco mais de uma semana.Acredite, é como se fossem séculos.

- Eu vou só fazer uma ligação para Caleb, mas não seria melhor esperamos lá em cima? – Ele apontou para as escadas.

- Pensei que nunca ia dizer isso e que seriamos obrigados a ficar dando foras constantes nessas meninas. - Alec confessou. Eu e Henry caimos em uma risada coletiva antes de subirmos para seu camarote no andar superior.

- Esqueci meu anel em Volterra, se importa se me arranjar outro? Aquele anel me traz boas lembranças. - Pedi depois de passar pela grande porta com a pedra de onix e entrar em seu camarote lotado de vampiros. Alguns rostos conhecidos, outros novos.

- Claro, devo ter um em meu escritório. Michaella se importa de pegá-lo para mim? - Ela assentiu parecendo mais aliviada e em menos de 10 segundos estava de volta com uma caixinha preta.

- Obrigado. Você não vai trocar de roupa? - Ela estava realmente parecendo uma stripper. - Não que me importe Henry, é só que os Cullen são uma "família" de respeito e se vamos ficar por lá devemos respeitá-los. E ela, com essas roupas... - Não precisei completar a frase.

- Essa roupanão está boa?É, Acho que vou ser obrigada a ir sem nenhuma então. - Ela falou com veneno na voz, ainda irritada.

- Michaella,Karl tem razão.É melhor você vestir uma roupa mais...Apresentável. - Henry disse sério. Ela saiu do cômodo, batendo o pé.

Henry pediu licença para ir ligar para Caleb. Alec e eu nos sentamos no sofá de couro e ficamos calados, perdidos em lembranças talvez? Ao menos eu estava perdido na lembrança quente do toque de Elle em minha nuca, sua lingua contornando a linha do meu queixo...

- Assim está melhor? - Michaella entrou contrariada na sala. Ela estava bem melhor de calças jeans, uma blusa tomara que caia e saltos. Bem melhor. Assenti levemente.

- Caleb disse que em meia hora tudo estara pronto para nossa partida. - Henry voltou de imediato ao comôdo, para nos informar as novidades.

- Henry o que você achou? - Michaella perguntou cheia de espectativa.

- Você está linda, é claro, mas eu ainda prefiro a sua outra roupa. - Ele piscou para ela e deu um sorriso cheio de malícia ao qual ela retribuiu.

- Vocês se merecem, é sério. - Afirmei olhando aquela cena.- Meia hora? - Olhei para Alec, ele ainda estava lá, vagando em sua mente. Talvez não fosse somente saudades seu problema, ele teria que enfrentar a família de Nez, isso não ia dar certo. Ele ainda é um Volturi de qualquer maneira. Eles não iam aceitá-lo facilmente. Abri a caixinha preta e coloquei o anel em meu dedo. - Que ela passe bem rápido.

E passou, ao menos para mim. Voltei a me perder nas lembranças dos sorrisos desconcertantes e da voz doce e descomplacente em meu ouvido, me tirando do sério.

- Henry já está tudo pronto para que vocês possam partir. - Caleb disse, entrando derrepente no camarote.

- Caleb!Ainda por aqui? - Me levantei e fui cumprementá-lo.

- Karl,quanto tempo! – Apertei sua mão. - Sim ainda estou, eu gosto daqui.

- Claro que gosta. Como não? - Comentei meio sem jeito.

- Vamos então Henry,Michaella? Só vou descansar quando ela estiver em meus braços. – Soltei sem pensar.

- Apaixonado? Logo você Karl "O indomável" conseguiram te amarrar, quem foi a coitada?- Caleb brincou.

- É impossivel não se apaixonar por Elle. - Sorri de lado. Aquilo era verdade. Me aproximei dela, simplesmente para tê-la, ela seria só mais uma conquista, mas aqueles olhos verdes me prenderam, não consigo sair mais.

- Elle, você quer dizer a mestiça que levei à Seattle outro dia? – Ele perguntou confuso.

- Perfeita não? - Arqueei uma sombracelha e ri maliciosamente. Se Elle estivesse aqui, ela teria me dado um soco nas costelas.

- Bonita sim, tenho que admitir.Mas não tive a chance de conversar muito com ela. – Ele deu de ombros.

- Que bom. - Disse alíviado, Henry riu atrás de mim.

- Tudo bem. Mas o que todos vão tanto fazer em Seattle?– Ele perguntou curioso.

- Uma guerra. - Henry deu um sorriso que mostrava todos os dentes.

- Que droga! Você e Karl sempre ficam com toda a diversão. – Ele disse contrariado. Eu não contive a risada, estava realmente com saudades desses caras.

- Quem sabe outro dia, outra guerra. Se precisarmos de reforços. - Bati uma leve continência para Caleb, ao qual ele retribuiu.

- Vamos então? Sem mais delongas. Alecestá ficando entediado. - Apontei para ele, que estava aéreo.

- Eu não estou entendiado, nem um pouco. Só estou completamente alerta. Tentando entrar na mente de Aro. O conheço a mais tempo, estou tentando prever oque ele ira fazer em tal situação. - Ele coçou o queixo, parecendo realmente concentrado, e eu aqui me divertindo, na medida do possível.

- Até a volta Caleb. - Henry se despediu e foi em direção às escadas, com um braço ao redor da cintura de Michaella.

Então nós partimos da França o mais rápido possivel. Algumas horas de viagem e ela estaria envolvida em meu abraço, segura. Eu queria tanto poder beijá-la, queria tanto poder olhar para dentro da imensidão verde de seus olhos. Sentir seu perfume único, seu toque.

Ainda tinha um problema, Henry me disse que ela estava triste porque pensava que não passava de mais uma, é claro que ela era mais, muito mais. Eu só fugi por tanto tempo de compromisso que esqueçi como se faz. O que eu faria por ela? O que eu faria para ela entender? Ela tinha que entender. Não gosto de pensar que uma parte de sua mente está sempre pensando que eu vou conhecer outra e depois esquecê-la. Isso não é verdade. Eu nunca vou esquecê-la. Meus pensamentos seriam seus por todo o resto da eternidade.