Chapter IXV

Depois que Nez havia saído envergonhada da sala puxando Alec atrás de si, a casa retornou ao seu humor habitual. Fora Carlisle e Jasper que estavam conversando com Karl e Henry a respeito da batalha iminente. Eles não percebiam que eu queria ficar a sós com ele? Eu não o via a tempo suficiente para não querer me desgarrar dele um segundo, e agora ele estava ali do meu lado e eu não podia tocá-lo corretamente.

- O pior é que sequer podemos cogitar a idéia de fugir. – Jasper pensou alto.

- Demetri já não é mais problema. – Karl declarou. Todos nós o encaramos de forma catatônica.

- Morreu? – Perguntei, contendo meu riso irônico.

- Morreu. – Karl confirmou, assentindo com um leve movimento. Como assim morreu? Isso não era certo, eu prometi a mim mesma que faria isso da forma mais terrível possível e alguém chega e faz isso primeiro? Isso tinha que ser brincadeira.

- Quem foi? – Perguntei entredentes. Quem acabou com a minha graça?

- Alec e eu. – Karl respondeu com um sorriso enorme estampado no rosto.

- Porquê? – Meu queixo caiu. Eles mataram Demetri? Eles estavam doidos? Aro devia estar louco.

- Porquê você se importa? – Karl perguntou duramente. Aquela pergunta estava deslocada. Ciumes? Agora?

- Isso não responde minha pergunta. – Me levantei nervosa.

- Nem a minha. Porque você se importa? – Ele também se levantou. – Quer um motivo para eu ter acabado com o seu brinquedinho?

- Eu não sou esse "tipo". – Praticamente cuspi as palavras em seu rosto, o que havia acontecido enquanto estive fora? – Você sabe que eu nunca tive nada com Demetri.

- Sério? Não é o que ele disse. – A ironia predominou seu tom.

- E você acredita nele? – Rebati chocada. Fala sério, acreditar no Demetri?

- Ele foi bem... Detalistico. – Ele deixou seus olhos percorrem meu corpo.

- Karl, não sei se você percebeu, mas você está a ofendendo. – Henry disse gravemente para Karl. Corei, envergonhada. Me toquei que aquela cena acontecia ali, no meio de todos, mas não abaixei meu olhar. O orgulho sempre fala mais alto.

- E porque te importaria quem é meu brinquedinho? Eu deveria ter matado Jane então? – Tive um insight momentâneo. Quem ele pensava que era? Eu o vi com Jane e nada disse, porque ele não me deve nada, então porque eu deveria algo para ele?

- Eu não tive nada com Jane. – Ele respondeu como se aquela idéia fosse inadmissível.

- Sério? Não foi o que EU vi. – Respondi imitando seu tom irônico.

- Precisamos conversar. – Ele deu um passo em minha direção.

- Já estamos conversando. – Disse antes dele me pegar pela coxa, me jogar nas suas costas e sair correndo pela porta.

- Eles vão ficar bem? – Ouvi Esme perguntar, preocupada.

- Ahh...Vão sim. – Henry respondeu como se fosse uma simples briguinha de jardim de infância. – Karl é ciumento, mas Elle é durona. Sabe lidar com ele.

Karl correu por um bom tempo, até achar o leito de um rio. Ele me deixou em cima de uma pedra e depois foi se sentar nos cascalhos se recostando em um tronco de árvore.

- Já estamos sozinhos, sem jogos Elle. Você e Demetri, o que aconteceu entre os dois? Não é que isso vá mudar algo entre nós, eu só acho que mereço saber. – Ele perguntou derrotado, bagunçando o cabelo com uma mão. Eu poderia ter respondido "nada", mas algo me dizia que Demetri havia contado a verdade, uma verdade revoltante, mas ainda assim uma verdade.

- Aquele dia, na primeira semana depois que você voltou para Volterra, aquele dia em que você me encontrou destruída no chão do jardim suspenso. Demetri havia ido lá mais cedo. – Ele fechou os olhos ao me escutar dizendo isso. – Ele foi me oportunar e acabou me agarrando, me beijando a força, de um jeito pra lá de cafageste. – Encarei meus sapatos.

- Porque você não me contou? – Ele perguntou revoltado.

- Porque eu não queria que acontesse o que aconteceu Karl, eu queria me vingar. Eu queria matá-lo, mas você me roubou a honra. – Respondi contrariada. – Não sei porque você o matou afinal, eu não matei Jane. – Dei de ombros.

- Jane não ficou jogando na sua cara como ela havia se deliciado com o meu toque, que o meu gosto ainda estava marcado na sua língua ou que meu perfume estava impregnado em suas roupas. – Demetri havia falado essas coisas de mim para ele? Senti meu estomago revirar. - Ela não jogou na tua cara e o que aconteceu não passou de um beijo roubado. Você sabe disso. – Ele terminou de explicar.

- Eu sei. Eu só... – Suspirei envergonhada. - É que nós não temos nada sério Karl, sem ciumes, sem comprometimento, só sexo. – Dei de ombros, me lembrando dessas palavras dolorosas, fingindo não me importar.

- Quem te falou isso? Só sexo? – Ele perguntou como se aquilo fosse revoltante.

- Você. Você me disse isso. Não lembra? – Eu estava corando violentamente ao me lembrar do dia em que ouvi essas palavras saírem de sua boca, só porque eu havia o questionado por onde ele esteve por toda a semana. Não era uma grande pergunta, ele havia sumido uma semana inteira eu perguntei aquilo sorrindo e ele me disse aquelas palavras. Engoli seco e as mantives no plano de fundo de nossa relação conturbada para nunca esquecê-las. Para sempre me manter no meu lugar, uma diversão.

- Eu era um otário naquela época, eu tinha medo de me apaixonar por alguém Elle, quando inconcientemente eu já estava te amando intensamente. – Ele respondeu sem jeito, percebendo que a culpa de tudo aquilo era ele mesmo. Eu desci da rocha e fui andando devagar, em sua direção. Me sentei na sua frente cansada.

- Porque você me ama? – Minha curiosidade marcou recorde, eu sabia que era impossivel explicar tal sentimento, mas porque eu? Ele teve tantas e logo eu? Ele suspirou em resposta, como se não agüentasse mais minhas perguntas impertinentes.

- Você cansou de mim. – Choraminguei baixo, não era para ele escutar.

- Nunca Elle, eu nunca vou me cansar de você, seria como me cansar de existir, é impossível. – Ele respondeu chocado me puxando para si, me envolvendo em seus braços, como eu senti falta desse abraço. – Eu só me esqueço que tudo isso é novo para você, eu me esqueço que no fundo você é só uma menina vivendo seu primeiro amor e acabo sendo rude e insensível. – Ele beijou minha nuca, meu ombro, como eu senti falta desses lábios. Mas espera, nós temos muita coisa para conversar, me soltei com esforço de seu abraço, foi difícil não ceder a aquele olhar, mas me mantive forte.

- É sério Karl, Porque você me ama? Isso é antilógico. – Revirei os olhos. - Eu fiz tudo que é contra-indicado, foi só você vestir um terno que eu praticamente pulei no seu colo. Eu fui fácil. Você devia enjoar rapido, é o normal.

- Fácil? - Ele me olhou chocado. - Eu demorei seis meses para ouvir sua voz sendo direcionada a mim e nos outros seis meses eu levei um soco, fui chamado de canalha e até minha mãe foi envolvida na história E você diz que foi fácil? Olha, na minha percepção você parecia impossivel. - Ele jogou tudo em cima de mim. - Espera, o segredo era o terno? Porque eu não vesti antes? - Ele teve um insight e ficou olhando para o nada, como ele era bobo.

- Eu nunca entendi algumas coisas, Porque você ficou lá? Porque você me esperou acordar? - Eu nunca havia entendido aquilo, porque ele se importou o suficiente para não me deixar acordar sozinha?

- Você não é um objeto para ser usado e depois deixado de lado Elle e eu não consegui te deixar antes de poder olhar nos seus olhos novamente. - Ele disse calmamente, talvez ele já tivesse formulado essa resposta para suas proprias duvidas.

Porque você voltou no dia seguinte? Você já não tinha conseguido o que queria? - Quando ele apareceu no jardim suspenso com seu sorriso torto e olhar indecente, meu mundo caiu, eu pensei que seria apenas um dia, nada mais, e lá estava ele.

- Porque você dorme. - Ele riu de lado. - Eu senti como se não tivesse sido o suficiente, eu queria muito mais. - Ele completou com seu tom de voz um pouco mais sério.

- O que me traz de volta a mesma pergunta: Porque você foi logo me amar? - Joguei as mãos pro alto, deixando a confusão dentro de mim transparecer.

- Eu não sei Elle. Eu só sei que te amo com todas as minhas forças. Eu só sei. - Ele disse como se fosse uma desculpa por ele não ter uma explicação melhor, mas essa era a melhor explicação que ele podia me dar, porque era exatamente o que eu diria se a pergunta fosse feita a mim. Eu só sei que o amo com todas as minhas forças, eu só sei.

- Elle, você quer namorar comigo? - Ele perguntou do nada, me olhando dentro dos olhos como se tivesse perdido sua sanidade aqui, dentro de mim.

- O que? - Perguntei surpresa, ele disse mesmo isso?

- Você quer namorar comigo? - Ele repetiu mais sério, mais focado.

- Eu não sei, tenho que conversar com meus brinquedinhos... - Não me contive, precisei quebrar a tensão do momento.

- Não brinca com isso, é sério! Você quer ser minha namorada? - Ele disse como se tudo dependesse da minha resposta.

Eu tomei seus lábios nos meus, me sentando em seu colo, deixando minha mão passear por seu peito. Como eu senti falta de seu gosto, de seu perfume, de seu toque por debaixo da minha blusa, sua mão passeando pela minha cintura.

- Isso seria um sim? - Ele perguntou, quando tive que parar para respirar.

- Isso seria um "Mas é claro, idiota!" - Sussurrei em seu ouvido, em seguida mordi levemente sua orelha.

- Agora você não pode mais ter seus brinquedinhos, nem eu os meus. - Ele constatou o fato.

- Eu nunca tive "brinquedinhos" Karl, agora você... - Não precisei completar a frase.

- Depois de você eu nunca mais vi graça nos meus brinquedos Elle, eles não tinham seus olhos, sua voz, sua personalidade, seu perfume, seu andar, você é você... Ninguém consegue chegar proximo a sua beleza rara. - Eu ainda ficava boquiaberta quando o ouvia falar essas coisas para mim, era tão surreal.

- Exagerado! Você se acha comum? Karl eu só me apaixonei por você porque você era tudo aquilo que eu desejava para mim no meu mais intimo, eu neguei isso a mim mesma por tempo demais, me magoei demais. Você é bonito de uma forma ameaçadora, perigosa, criminosa, tem esse sorriso que deixa as pernas de qualquer uma bamba e quando você se permiti falar o que pensa você surpreende e encanta. Além de tudo, você sabe como seduzir uma mulher. Resumindo: Você não presta, o que o torna perfeito para mim. - Confessei enquanto o ajudava a tirar sua camiseta azul escuro.

- Quem é a exagerada aqui agora? - Ele me perguntou em seu tom ironico enquanto acariciava minha nuca, sua mão passeando por meu cabelo. - Se bem Elle, que eu sou tudo isso aí mesmo. - Ele abriu um sorriso supermalicioso.

- Seu convencido! Eu não devia ter enchido seu ego. - Deixei meu queixo cair, me surpreendendo com o seu nivel de auto-centrismo.

- Eu não sou convencido, só não sou cego. - Ele disse depois de me dar um beijo carregado de desejo. Deixei minha lingua passear por seu lábio inferior depois dando uma pequena mordida no canto esquerdo. Ele arfou e me puxou pelo quadril para mais perto, sua mão esquerda descendo até o meio da minha coxa e depois subindo por baixo do jeans do meu short.

Sua outra mão entrou por dentro da minha blusa subindo pela minha cintura. Eu queria sentir o frio de seu peito contra o meu então tirei minha blusa em um rapido movimento e a joguei no mesmo canto junto com sua camiseta azul. Seus lábios desceram para meu colo, meu peito. Ele até me levantou um pouco para poder beijar minha barriga, senti cócegas com o toque de seus lábios e contive a risada mordendo meu lábio inferior.

Meu namorado. Eu ainda não havia assimilado a novidade. Finalmente eu tinha uma definição, uma prova que eu não era só mais uma em sua lista, eu era sua namorada. Bobo não? Como uma palavra podia fazer tanta diferença? Estabilidade, compromisso e fidelidade eram algumas entre tantas outras certezas que vinham embutidas nessa palavra. Namorados. Agora sim eu podia gritar para o mundo que ele era meu, sem medo, sem ter um pé atrás, sem duvidas.