Chapter XV
- Devolve minha blusa Karl, vai chover. – Disse, enquanto caminhava de volta a casa dos Cullen.
- Perfeito! – Ele exclamou encarando o céu e reparando as nuvens negras que se aglomeravam acima de nossas cabeças. – Seu jeans vai ficar pesado. – Ele piscou o olho esquerdo pra mim e esbanjou seu lindo sorriso torto.
- Eu não vou tirar meu short e você vai me devolver minha blusa. – O direcionei meu olhar ameaçador. Ele estava tentando de todas as formas possíveis me fazer mudar de idéia, só porque eu disse para ele enquanto ele tentava abrir meu short, que dessa vez não seria assim tão fácil, que ele teria que esperar, esperar eu ter meu quarto, esperar eu ter minha privacidade de volta.
- Mas você está tão linda assim. - Ele fez biquinho.
- Você é um chato. – Cruzei meus braços, tentando proteger meu peito da chuva torrencial que começou a cair.
- Eu sou perseverante, não desisto fácil do que deve ser meu. É diferente. – Ele disse enquanto me enfiava dentro da sua camiseta que já estava ensopada. Foi difícil me conter ali, do jeito que ele me pôs, somente o tecido fino do meu sutiã impedindo minha pele de tocar a dele no minúsculo espaço que dividíamos dentro da sua folgada camiseta azul escuro.
- Nós devíamos ir. – Uma gota de chuva escorreu por seu nariz e caiu em meus lábios, ele me beijou ali, provocando uma sensação indescritível. Tentei me soltar, tentei sair de dentro da sua camiseta, aquilo era demais pra mim. E eu não queria que fosse sem sentido dessa vez, eu queria muito que fosse especial.
- Elle não poder te ter enquanto você não era minha, era uma coisa. Agora você me privar de seu toque depois de tudo o que já vivemos, é completamente insuportável. – Ele sussurrou em meu ouvido enquanto me segurava forte, não me permitindo sair dali.
- Karl eu quero que seja especial... – Piei baixo, enquanto sofria um conflito interno: Eu permitia minhas mãos fazerem seu tour incansável por seu abdômen ou continuava as prendendo em minhas costas? – E eu quero uma cama. – Completei. Será que ele pensava que conseguiria o que desejava ali? No meio da floresta debaixo dessa chuva?
- Eu vi um motel a uns dois quilômetros daqui, problema resolvido. – Ele respondeu feliz, enquanto suas mãos geladas desciam pelas minhas costas molhada. Mordi meus lábios, ele estava me torturando.
- Moteis são sujos e fedorentos. – Tentei fazê-lo ver que aquela idéia era revoltante. – Além do mais, todos aqueles 'gritos' vão me impedir de me concentrar em... Você. – Sussurrei em seu ouvido, entrando em seu jogo.
- Você é má menina. – Ele suspirou enquanto eu deixava minha língua passear pela linha do seu queixo, bebendo as gotas de chuvas que escorriam por ali.
- É bom me dar minha blusa, antes que eu faça algo mais terrivel. - Minha mão deslizou para a borda da sua calça, meus dedos segurando firme. Mordi seu lábio inferior.
- Já percebi que não vou conseguir nada com você... - Ele levantou sua camiseta, me permitindo sair e depois vestiu minha blusa em mim, o jeito que ele me olhava era de partir o coração. - Hoje. - Ele piscou. Tá, esquece o coração.
Voltei correndo para a casa dos Cullen. Eu e Karl estavamos ensopados dos pés as cabeças, meu cabelo grudava no meu rosto e Karl estava certo, meus jeans incomadava de uma maneira insuportável.
- Vocês são malucos por encarar essa chuva. - Nez disse da varanda, ela estava entre Alec e Alice.
- Foi Karl. - Acusei, enquanto subia as escadas. Ele riu, riu do seu jeito malicioso e indecente. Desse jeito ele não estava me ajudando.
- Nez tem como nos arrumar umas toalhas? - Pedi antes de pisar no assoalho da varanda, Esme não gostaria de ver o piso da sua casa manchado. Me sentei na escada e tirei meu tenis e minha meia, Karl fez o mesmo.
- Não vai tirar a blusa? Ela está molhada, você vai ficar resfriada. - Ele disse sorrindo de lado e arqueando uma sombracelha. Semicerrei meus olhos. Dessa forma eu ia acabar pulando no colo antes do fim do dia.
- Pega! - Nez jogou as toalhas em cima de nós.
- Duas toalhas Nez? Só uma já bastava, pensei que você estivesse do meu lado. - Ele fingiu estar insultado.
- Olha eu não sei qual é a de você dois, mas me deixa de fora tá legal? - Ela nos olhou confusa.
- Eu vou pegar umas roupas para você. - Alice disse toda sorridente para Karl, ela amava vestir alguém, antes de entrar com seu andar ritmado.
- Isso! Não precisa trazer para ela. - Ele comentou em uma mistura de surpresa, felicidade e malicia, apontando para mim.
- Eu trouxe as minhas. - Mostrei minha lingua para ele, eu queria insulta-lo mas ele pareceu amar o gesto. Me enrolei na toalha e com muito esforço tirei minha blusa, ele me encarava como se não quisesse perder um detalhe. Taquei a blusa na cara dele, Alec riu com gosto.
- Vocês são mais engraçados quando estão irritados. - Ele disse entre os risos.
- Olha quem fala... - Começei, semicerrando so olhos.
- Puritano. - Karl completou. Nez corou dos pés a cabeça.
- Promiscuos. - Alec nos acusou, como se fossemos os seres mais impuros da face da terra.
- Aqui está. - Alice voltou, quase dançando, com uma pilha de roupas na mão e um par de tenis. Karl se levantou e tirou a camiseta bem devagar, me encarando, como se fosse um show particular. Fechei os olhos, ele estava passando dos limites. Quando os abri novamente, ele estava vestindo um pullover branco bem justo e pegava o resto das roupas do braço de Alice, a agradecendo. Me levantei e entrei na casa enrolada na toalha.
- Pode se vestir no meu quarto Karl. - Nez ofereceu. Senti Karl me seguindo. Abri a porta e ele deslizou para dentro do quarto.
- A ultima vez que eu estive aqui foi para ajudar Nez com suas coisas. - Ele comentou, vagando em suas lembranças.
Deixei a toalha cair no chão, perto da porta do banheiro. Eu queria tomar um bom banho. Quente. Tirei meu short e deixei junto com a toalha. Abri o chuveiro e entrei no boxe. Quando senti uma mão estremamente gelada em minha cintura, tremi com o choque termico.
- Respeito Karl, essa não é minha casa, esse não é meu quarto e muito menos meu banheiro. – Piei baixo, lutando contra mim mesma.
- Para de ser maliciosa Elle, acha que eu não sou capaz de só tomar um banho com você? - Ele perguntou, me abraçando por trás, sua voz não passava de um sussurro em meu ouvido.
- Você não se contenta com o pouco. - Me virei e passei meus braços ao seu redor. Apreciando a diferença de temperaturas.
- É verdade, mas acredite, ter você aqui,em meus braços, já me deixa feliz o suficiente. - Ele me beijou, ternamente pela primeira vez no dia. - Qual o nosso problema com agua? - Ele perguntou do nada. O que me fez rir como a um bom tempo eu não conseguia.
Depois que nos vestimos, descemos as escadas. Karl sequer fez questão de se secar, então algumas gotas escorriam por seu rosto, aquilo era tentador demais.
- Aro parece estar confuso. - Alice disse, seus olhos no futuro e no presente.
- Não entendo. - Alec comentou frustrado. - Ele devia estar agindo imediatamente, ainda mais depois de termos o provocado.
- Elle está do lado dos Cullen, Aro é psicopata não maluco. - Karl comentou.
- Talvez por conhecer tão bem Elle e vocês dois, – Henry apontou para Karl e Alec. - Que agora estão do lado dos Cullen.Ele esteja analisando todas as possibilidades, ele sabe que tem que ser cuidadoso se quiser ganhar essa batalha.Aposto que ele também está levando em conta o seu talento Alice.
- Aro pode nos surpreender dessa vez. - Carlisle disse preocupado.
- Vai ser interessante. - Jasper pensou alto.
- Você acha? - Edward perguntou para Jasper, estavamos perdendo alguma parte da conversa.
- Pode acontecer. - Jasper deu de ombros e ficou olhando para Alice, como se ela fosse uma reliquia preciosa.
- Desculpa Edward, mas não suporto esse teus momentos. - Confessei. - Dá pra tornar público, por favor?
- Jasper estava pensando que talvez Aro possa nos chantagear. Ele sempre quis Alice, e se ele a chantageasse? - Edward explicou para todos.
- A chantageasse com o que? - Rosalie pareceu nao entender.
- Jasper talvez, ou Carlisle ou qualquer um de nós. - Ele falou olhando dentro de cada um dos olhos presentes na sala.
- Entenda, nos pegar sozinhos é mais facil do que quando estamos em grupo. - Jasper completou a ideia.
- Então é melhor não caçarmos mais sozinhos.- Carlisle decretou.
- Isso é tudo?Será que Aro não pode usar mais nada, nem niguém para nos atingir? Porque, como lógica, sempre que um plano falha, se tem um "plano B".Até onde eu sei os pais de Bella ainda são humanos e estão vivos,ele pode usá-los como chantagem. - Henry disse, tentando pensar em todas as possibilidades.
- Charlie. Renee. - Bella arfou olhando para Edward, pedindo ajuda.
- Nada vai acontecer com eles. - Edward assegurou, acariciando seu rosto.
- Como vamos protegê-los? Charlie pode ficar sob a guarda dos lobos, não aprecio essa ideia, mas... - Nez começou. - Renee? - Ela perguntou tristonha, Alec a abraçou.
- Aro não vai mecher com eles. - Assegurei.
- Como sabe? - Bella me perguntou, desconfiada.
- Aro não gosta de humanos. – Declarei. - Se ele usá-los, não importa se nos entregarmos, eles não viveram para ser devolvidos. - Dei de ombros, percebi em seguida que as minhas palavras soaram rudes. - Desculpa. - Pedi meio sem jeito para Bella.
- Pensa Alec, você o conheçe á mais tempo. - Karl começou. - Ele já deve ter um plano formado.
- Plano! - Tive um insight. - Karl, Lembra do plano? Aro não é burro, ele sabia que Nez ia acabar dando seu jeito de voltar para casa ele só queria manter ela lá por um tempo.
- Eu nunca entendi qual era á do plano dele. - Karl confessou, meio aborrecido consigo mesmo.
- Ele sabia que isso tudo ia acontecer, talvez ele só não contasse que ela fosse carregar tanta gente. - Apontei para todos nós. - Mas isso tudo sempre esteve dentro do plano.
- Olha a sua mente maligna é muito parecida com a do Aro, existe uma boa chance disso ser a verdade. - Alec comentou.
- Então, estamos perdidos. - Nez concluiu.
- Não! - Praticamente todos respondemos juntos, precisavamos acreditar nisso. - Como eu disse Aro não contava que você fosse carregar tanta gente, ou que Demetri morresse. - Expliquei.
- Só nos resta esperar. - Carlisle concluiu.
Só nos resta esperar. Repeti para mim mesma, não havia nada que podia fazer por agora. A noite caiu e chuva cessou. Levei Karl silenciosamente para o antigo balanço que ficava na varanda dos fundos da casa, com vista para um lindo campo aberto, e me aninhei em seus braços. Não dissemos nada, eu só queria senti-lo ali. Aos poucos eu fui caindo no sono, não era bem um sono, eu queria me manter acordada, mais minhas palpebras pesavam. Aos poucos Alec e Henry se juntaram a nós.
- Eu devia levava para a cama. - Karl pensou alto.
- Ela não quer dormir sem você ao lado. - Alec declarou, com aquele seu costumeiro dom de ler minha mente. Em resposta Karl me abraçou mais forte.
- Qual foi a resolução do showzinho de vocês? - Henry perguntou para Karl. Engraçado, nós haviamos discutido hoje.
- Nós estamos namorando! - Pelo seu tom de voz, ele estava esbanjando um belo sorriso.
- Aleluia hein!Vocês dois pareciam que nunca iam se resolver. - Henry respondeu com seu tom de voz habitual, que beirava o sarcasmo. Senti um beijo delicado no topo da minha cabeça.
- Mas vocês estavam irritados quando voltaram, qual o problema? Se posso saber. - Alec perguntou um tanto curioso. Não sabia que a nossa relação era tão interessante.
- Ela percebeu que me tem em suas mãos capazes... E, descobriu o tamanho do poder que tem sobre mim. - Ele respondeu, sua voz alternando entre fascinio e contrariedade.
- Karl, então a menina te tem na palma da mão? Bom você acabou de descobrir um dos maiores poderes femininos sobre nós. Essa é uma das desvantagens de se ter somente uma mulher meu amigo, você sabia disso quando desistiu de seu antigo estilo de vida. – Henry declarou de uma forma maliciosa demais, ouvi um rosnado baixo, Michaella se juntou á nós. Derrepente me senti estranha por estar meio acordada, os ouvindo falar sobre mim, aquilo devia ser um sonho.
- Não me arrependo Henry. Não tem como me arrepender dela... O erro aqui sou eu, você sabe disso. – Me lembrei de ter pensado uma coisa parecida, em uma comparação da minha vida com a de Nez. Eu havia chegado a conclusão que eu era a azarenta. Eu estava completamente errada. Como eu tinha sorte.
- Eu estou ouvindo. - Minha voz soou sonolenta, mas clara. Senti todos se errijecerem com a minha declaração.
- Elle, você está ouvindo a muito tempo? - Alec perguntou um tanto sem graça, ele ainda me via como uma criança. Eu gostava disso, ele sempre seria meu irmãozão.
- Eu nunca peguei no sono de verdade. - Abri meus olhos e a primeira coisa que vi foi o rosto de Karl me encarando, de uma forma constrangedora, seu olhar era intenso demais, parecia atravessar meu corpo e enxergar minha alma. Era assim que ele me olhava quando eu estava distraída? Sempre?
- Então eu posso te dar os parabéns. Você aprendeu a lidar com um homem igual ao Karl. – Henry se curvou em uma fraca imitação de reverencia, depois levou a mão ao queixo e disse para ninguém em especial. - Você viu, que linda? E ela só passou uma noite lá na Gormogon, imagine se ela passasse um mês. – Eu não consegui controlar o riso. Dei falta de Nez, ela devia estar dormindo em seu quarto, afinal que horas erão?
- Henry, ele ainda não viu nada. – Dei de ombros, mas era verdade. Quando eu disse que eu queria que fosse especial, eu não estava brincando, dessa vez teria que ser algo que ele nunca tenha experimentado antes.
- Tá legal Elle, já tá na hora de dormir. – Karl me levantou, um pouco irritado, o que me fez rir, e saiu me puxando casa a dentro, parando na porta do quarto da Nez. Me virei para ele, antes que ele abrisse a porta.
- Boa noite Karl! - Selei seus lábios com os meus, um beijo carinhoso. Ele me deu seu sorriso torto.
- Boa noite Elle! - Como eu estava errada, eu tinha muita sorte. Eu tinha ele, eu tinha Amigos, Eu tinha pessoas que se importavam comigo. Eu só tive que percorrer um caminho mais longo para encontrar a felicidade.
