Chapter XVII
Dois dias já haviam se passado. Nez andava mais feliz que uma princesa de contos de fadas, e o cachorro... Jacob, ela me fez prometer chama-lo de Jacob, andava mais por aqui, não toda hora mais passou um bom tempo aqui ontem. Karl estava extremamente atraente hoje, eu estava correndo de sua presença. Eu ia acabar dando pra trás.
- Henry você devia caçar... Eu conheço um mausoleu na cidade... - Joguei verde pra cima dele, para ver se ele me dava uma salvação de Karl e seu olhar hipnotizante e inconsequente.
- Acho que você está certa, a sede anda me incomodando mesmo. – Henry pareceu dar atenção à dor latente em sua garganta pela primeira vez desde que pisou na América.
- Então que tal irmos agora? Já está escurecendo. - Falei já o puxando porta a fora.
- Hey! - Karl resmungou atrás de mim.
- Ah não! Você não vai caçar sozinho com essa aí de jeito nenhum! – Michaella uivou como uma loba que acaba de ver seu filhote indo em direção ao por de sol.
- Aí fala sério! Como se eu fosse fugir com o Henry ou coisa do tipo Michaella. - Karl estava do lado dela, me olhando com o mesmo olhar que ela me direcionava.
- De você eu não dúvido nada. E eu também preciso caçar. – Ela sibilou, seu habitual tom de voz quando se referia a mim.
- Então vem, sua mimada. - Semicerreu meus olhos, Henry ria para Michaella deliciado.
- Elle... - Karl abriu a boca para falar alguma coisa, o cortei antes que ele se convidasse. Caça em casais, definitivamente não.
- Karl, porque você não passa um tempo com Nez? Sabe ela pode estar sentindo a falta de um amigo, deve estar achando que você só falava com ela porque Aro pediu. - Acusei. Ele já havia entendido tudo e me deu seu sorriso torto.
- Precisando de um tempo Electra?- Ele disse meu nome, soava tão sorrateiro em seus lábios, um arrepiou ousou pecorrer minha espinha. - Está começando a desistir de seus propósitos? - Eu amava aquele sorriso de uma maneira que me fazia perder a confiança em minha força de vontade.
- Sabe Karl é verdade... Você me esqueceu. - Nez choramingou, me dando uma ajuda.
- Ah Nez vem cá, você é a única aqui que ainda me quer. - Ele puxou Nez para seu abraço, me encarando por de trás da massa de cabelos ruivos. Mordi meus lábios.
- Alec você não precisa ficar sozinho, eu estou aqui. - Passei por Karl com um olhar venenoso e me pendurei no pescoço de Alec.
- Eu pensei que fossemos caçar. – Henry comentou com seu tom brincalhão.
- Tudo bem se ela não for, vai ser mais divertido. – Michaella sequer tentou abafar o tom malicioso quando disse as ultimas palavras.
- Nós VAMOS caçar. – Assegurei ainda no pescoço de Alec. Fazia um tempo que eu não o abraçava. Lembrava-me minha infância, quando era só eu e ele. Lhe dei um breve beijo no rosto, me despedindo.
- Lembra quando era só eu e você? - Sussurrei em seu ouvido.
- Era chato. - Ele franziu o nariz.
- Era muito chato. - Rimos involuntáriamente. Me virei e fui saindo da casa, passando o braço ao redor de Henry.
- E então Henry... Porque você não abre uma boate em Seattle? – Me surprendi com minha própria idéia forçada, ela era boa.
- Até que não é uma má ideia, eu poderia pensar nisso. – Ele respondeu já com ares sonhadores. Michaella nos seguiu, controlando um rosnado, afinal ela havia ficado para trás.
Era bom finalmente correr com vampiros que não eram Cullens, eles corriam como trovões. Corremos até a cidade apostando uma corrida boba, sequer havia prêmio, o ultimo era a mulher do padre, ponto.
- Olha, Edward me indicou esse beco da ultima vez que caçei. Façam bom proveito! - Henry me olhou curioso.
- Você não toma sangue humano também? – Henry perguntou, confuso.
- Tomo, mas eu não estou realmente morrendo de sede. - Respondi sem jeito, ele não precisa saber que eu só estava fugindo de Karl e toda sua masculinidade. Ele deu de ombros e foi na frente. Estava realmente com sede, as olheiras debaixo de seus olhos estavam muito forte, mas Michaella ficou.
- Você não vai seguir "seu homem"? – Perguntei, sarcástica. Ela ia ficar ali comigo? Estranho.
- Não, nós precisamos conversar. – Ela cruzou os braços, decidida.
- Conversar? O que? A forma como vamos acabar nos matando? – O sarcasmo se intensificou em minha voz, aquilo não fazia sentido.
- Essa até que não é uma má idéia. – Um sorriso diabólico tomou seu rosto. - Mas eu quero conversar com você sobre como tudo isso é culpa sua!
- Minha culpa? Pensei que vampiros não conseguiam delirar, mas parece que me enganei. – Dei de ombros, ela devia estar louca.
- Você não está enganada, porque eu não estou delirando, apenas estou declarando os fatos. O motivo de todos estarmos nessa é você! Foi por sua causa que Karl levou Renesmee para Volterra, por causa da sua vontade de "acertar tudo" desertou o clã e a fez fazer o mesmo! Depois foi até Gormogon cobrar um favor que nem mesmo era seu, envolvendo Henry e automaticamente eu nessa sua bagunça. Depois você praticamente obrigou o homem que você tanto diz que ama e um dos membros mais estimados da guarda a desertarem e matarem outro membro importante do seu antigo clã! Agora estão todos condenados à morte, e ainda nos arrastam nessa. Se não fosse você e esse seu jeito intrometido eu poderia estar confortável em casa nesse momento, e não aqui nessa guerra. - Se era seu intuito acabar com meu dia, ela havia conseguido.
Eu estava sem reação, sem conseguir pensar. Era tudo verdade, eu havia acabado com a felicidade de todos, eu havia colocado todos dentro dessa batalha maluca contra minha propria "familia". Eles deviam me matar em um motim ou algo do tipo.
- Ninguém pediu para você vir Michaella. Eles estão fazendo isso por Nez, não por mim. Eles nunca lutariam nada por mim, eles sequer me conhecem. Karl, Alec e Henry são outra coisa, estão aqui cada um por seu motivo. E não venha com insinuações sobre mim e Karl, você não tem noção do tamanho do sentimento que temos um pelo outro. Você vive no seu mundinho, não se preocupa com ninguém além de si própria. Até isso de vir atrás do Henry é puro egoísmo, você só quer ter certeza de que o tera depois de tudo. Você não tem o direito de me julgar, você não conhece nem metade da minha vida Michaella, nem metade. – Joguei todas as palavras em cima dela, minha voz fria, falhando em lugares estranhos.
- Você diz isso como se tivesse vivido muito! Você ainda é uma criança, está apenas na sua primeira década de vida. Sua vida pode não ter sido a mais fácil, mas isso não muda muita coisa. E é claro que estão lutando por Renesmee, por você é que não é, você não é nada deles, não significa nada para eles. Você é apenas a menina que disvirtuou a pequena e inocente princesa deles e fez ela estar com um Volturi agora. Como eu disse, Karl não teria a sequestrado se não fosse você! Se não fosse por você eles não precisariam travar outra batalha com os Volturis nem ficar com medo de perderem toda a família novamente. E você tem ciência disso, pode muito bem negar a si mesma, me atacar, mas no fundo você sabe que eu estou certa. – Ela saiu correndo na direção em que Henry havia partido mais cedo.
Ela me deixou ali, sozinha, depois de me atacar de uma das formas mais baixas possiveis. Eu senti aquele nó subir pela minha garganta, eu senti meus olhos umidecerem, eu senti aquele aperto no meu peito e derrepente eu não queria estar ali, eu não queria que ela voltasse com Henry e me encarasse com aquela sua cara de sinica, como se não tivesse feito nada, como se fosse à pessoa mais doce do mundo. Sai correndo para longe daquela cidade, não contendo o choro, deixando tudo sair de dentro de mim. Não fazia diferença se eu chorasse ou não afinal, a culpa que eu carregava não diminuiria.
Eu corri não sei por quanto tempo, não sei sequer em que direção, quando esbarrei em uma pessoa. Esme. Eu corri pensando eu me esconder em um lugar acolhedor e aqui estou eu na campina atrás da casa dos Cullen, meu lar. Calma, eu não posso ficar pensando neles dessa forma, eles não são minha familia, eu sou nada para eles.
- Querida está tudo bem? - Ela pegou meu rosto em suas mãos e me encarou preocupada, seus olhos apreensivos. Eu não aguentei segurar aquele olhar, as lagrimas voltaram para meus olhos. Se eu tivesse minha mãe eu teria corrido para os braços dela, mas aqui estava eu nos braços de Esme. A abraçei fortemente e enterrei meu rosto em seu pescoço, chorando ainda mais. Acredito que guardei lagrimas por um periodo muito longo de tempo, já estava na hora delas transbordarem.
Ela me abraçou acolhedoramente, eu necessitava disso, dessa atenção maternal, em minha vida ela era extinta. Me guiou levemente para um lugar mais para dentro da floresta, talvez entendesse que eu não queria que todos me vissem naquele estado.
- O que aconteceu? - Ela perguntou logo depois que meu choro se foi, depois que seu vestido estava encharcado por minhas lágrimas.
- Eu... Eu não quero falar sobre isso. - Respondi sem jeito. Importava se eu dissesse tudo que Michaella me disse? Ela me diria o contrario de qualquer forma. Esme era doce demais para jogar a culpa em qualquer um.
- Não precisa. - Ela sorriu docemente para mim. Sem sequer tomar consciência da ação voltei a abraçá-la. Esme permaneceu lá, no meio da floresta, comigo, sem me fazer mais perguntas. Somente me dando a segurança e carinho que me fora escasso por todos esses anos.
- Elle, finalmente te encontrei! Henry já voltou com Michaella, mas você sumiu. Karl está te procurando na outra direção, na cidade. O que aconteceu aqui? - Alec nos encontrou e foi nos enchendo com suas informações, parou assim que percebeu o estado em que eu me encontrava. Seus olhos correndo entre mim e Esme.
- Quando a encontrei ela já estava... Assim. - Esme declarou, sua voz obtinha algumas informações nas entre linhas, mas não quis pensar nelas. Eu simplesmente me levantei, em movimentos vagos, devagar demais e segui para os braços de Alec. Ele me envolveu em um abraço forte, como sempre costumava fazer.
- Eu vou deixá-los a sós e encontrar uma forma de avisar Karl que ela está bem. - Sua voz doce e preocupada nos avisou antes de sair, nos deixando sozinho.
- Okey Elle, pode contar para mim. - Ele levantou meu queixo e me pediu delicadamente, ele realmente sabia lidar comigo.
- Nada, foi só a Michaella. - Minha voz saiu fria, tentei disfarças meus olhos vermelhos passando as mãos pela testa e dando as costas pra ele.
- Nada? Elle o "nada" geralmente não te abala. O que foi que ela te disse ou fez? Bem que eu percebi um pouco de cinismo em sua voz quando ela contou que te deixou esperando enquanto ia caçar. - Ele argumentou sem tentar me seguir, sem me forçar a encará-lo.
- Nada Alec, ela só me falou a verdade, acho que não estava pronta para ouvir. - Me atropelei nas palavras. Ele sabia que eu costumava fazer isso quando tentava lhe esconder algo que havia me machucado.
- Me conta Elle. Que "verdade" ela lhe disse? - Ele perguntou atordoado.
- Alec, ficar repetindo o que ela me disse não vai me ajudar. - Eu realmente não queria dizer nada pra ninguém, todos iam negar mesmo e repetir todas aquelas palavras, parecia que ia doer muito mais.
- Quando Karl souber disso ela está perdida, isso não vai ficar barato. - Ele declarou consternado.
- Karl não vai ficar sabendo de nada, não quero ser o pivô de uma briga entre ele e Henry. - Falei rápido. Eu realmente não queria ser a culpada por mais uma tragédia.
- Okey, ele não vai. Mas isso vai ficar assim Elle? Ela pode falar seja lá o que for para você que nada vai acontecer com ela? – Ele estava abismado.
- É Alec, eu não estou afin de arrumar mais problemas. Eu só quero que isso tudo acabe logo e que ela volte para Lyon o mais rapido possível. – Me virei para ele, seu olhar desabou assim que encontrou o meu.
- Como estou? – Tentei me arrumar.
- Você chorou muito por "nada". – Sua voz saiu fria, como se ele tivesse perdido a felicidade ao encontrar meus olhos. – É bom você entrar, tomar uma banho antes de Karl chegar. Se você quer que ele não saiba de nada, ele não pode te ver assim e pense em uma desculpa para ter sumido. – Ele me deu um toque antes de passar o braço pelo meu ombro e irmos caminhando até a casa, que não estava assim tão distante.
Depois de ter tomado um banho eu já estava me sentindo melhor. Guardei as palavras de Michaella em um lugar obscuro da minha alma e me deixei ser entretida por Emmet e suas piadas bobas. Depois de uns 20 minutos, eu sequer lembrava o caco que Alec encontrou na floresta.
- Elle onde você estava? Eu te procurei igual um louco, eu... Não faça mais isso tá legal? – Karl entrou na casa, seguido por Edward. Ele estava atordoado, que maluquice a minha fugir dele hoje mais cedo. Corri ao seu encontro e tomei seus lábios nos meus gentilmente. Ele me encarou desconfiado.
- Você sabe que me ama. – Imitei seu sorriso torto. Ele não resistiu e o retribuiu.
- Por onde você esteve? – Preocupação estampada em sua voz.
- Eu quase cheguei ao Canáda, eu estava entediada, acabei caçando alguns animais. Não foi uma experiência legal. – Dei de ombros, esperando que ele não visse a mentira por debaixo de minhas palavras. Eu odiava mentir para ele, mas eu realmente não queria que ele brigasse com Henry por uma coisa idiota como essa minha discussão com Michaella. Ele pareceu ter percebido que eu estava mentindo, mas preferiu deixar passar, ele nunca questionava minhas atitudes. Eu não o mereço.
- Vem cá. – Sussurrei somente para ele e o puxei sorrateiramente até a biblioteca no andar de cima, também funcionava como uma sala de jogos.
- Eu senti sua falta hoje. – Falei enquanto, praticamente, desfilava de frente para ele, o seduzindo. Me sentei em cima de uma mesa de sinuca. Eles não se importariam se eu desse uns amassos por ali, se importariam?
- Bibliotecas me trazem lembranças. – Ele mordeu seu lábio inferior antes de vir para mim, envolvendo minha cintura em seus braços fortes e frios. – Você se lembra da primeira vez em que permitiu meus lábios tomarem os seus? – Ele perguntou do nada, seus olhos pareciam estar submersos em minha alma.
- Como esquecer? – Não contive o sorriso atrevido que se desenhou em meu rosto. –Mas eu não entedi o porque de você ter sido tão... Doce? – Me lembro que naquele momento essa pergunta me atordoou bastante, ele parecia fazer questão de tornar tudo especial.
- Porque aquilo tudo foi meio surreal. Ter você é surreal, sempre. – Essa resposta me desarmou, meu coração perdeu o compasso e minha voz se esvaiu. – Inspire. Expire. – Ele me lembrou como respirar, com um sorriso sutil nos lábios. O beijei devagar, docemente, como no nosso primeiro beijo. Engraçado como as mesmas sensações ainda eram produzidas em meu corpo, como aquela corrente elétrica que nos ligava ainda existia, mesmo depois de tanto tempo.
- Você acha que eu sou a culpada por tudo isso Karl? Por toda essa batalha? Por ter posto todos em perigo? Por que , você sabe, se não fosse por mim, você nunca teria levado Nez para Volterra. – Não, eu realmente não consigo esconder mais nada dele.
- Acho que o oxigênio ainda não chegou ao seu cérebro Elle, que história é essa? Você, culpada por tudo isso? Se existi um culpado nesse tsuname de acontecimentos, concerteza é Aro, ele planejou tudo isso, ele brincou com a vida de todos, como se fossemos fantoches de seu teatro pessoal. Você só é culpada por ter feito aquele canalha que te atormentava, se tornar esse tolo apaixonado. Não tome a culpa de fatos que ocorreram ao modo da natureza Elle, eles foram incontroláveis e inexplicáveis. – Uau! Aquilo me fez um bem tão enorme, tão satisfatório, tão prazeroso.
- Você não sabe o bem que me fez. – Como podia caber tanta doçura e safadeza dentro daquele corpo? – Talvez eu permita você ultrapassar um limite hoje, você anda merecendo. – Minha voz se tornou quase um sopro. Ele me olhou surpreso, compreendendo o sentido da frase.
- Qual deles? – Seus olhos percorreram meu corpo, duas vezes. Sedentos.
- Você pode me tocar. – Sussurrei em seu ouvido. Seu hálito gelado correu pela minha garganta, me fazendo estremecer. – Mas não pode me ter.
- Ideia um tanto controversa. Como posso te tocar e não te ter? Seria uma tortura... - Ele choramingou baixo. - Pela qual estou com ansiedade para passar. – Um sorriso diabólico brincou em seus lábios, enquanto sua mão entrava por debaixo da minha blusa, abrindo o fecho do meu sutiã.
- Não é só a essa região que você possui livre acesso hoje Karl. – Minha voz estava tão carregada de desejo que quase se tornou irreconhecível, como um ronronar.
- Não confio em mim mesmo para ir tão longe. – Sua voz também mudou, estava rouca, como se todo seu desejo escorresse pelo canto da sua boca.
- E vai deixar a oportunidade passar? – Arqueei uma sombracelha e o desafiei com o olhar. Ele realmente parecia estar se controlando muito, mas por fim o desejo ganhou. Seus lábios tomaram o meu fervorosamente enquanto sua outra mão foi subindo lentamente pela parte interior da minha perna, entrando por debaixo do Jeans da minha saia. Seu toque frio invadindo a área protegida pela minha tanga comportada, enfeitada de babadinhos.
Se ele parecia estar exercendo um autocontrole descomunal para não passar para o próximo nivel, imagine eu.
