Chapter XVIII
Renesmee P.O.V.
- Eu sabia que lá tinha coisa. Até parece que Elle experimentaria sangue animal por tédio, nem Karl engoliu essa. – Estavamos deitados na relva macia as margens do rio que cortava a região leste dos arredores da minha casa. Alec havia acabado de me contar, depois de eu exigir, que havia encontrado Elle chorando nos braços de minha vó Esme, na floresta, e que Michaella parecia ter sido a culpada.
- Mas vamos deixar da maneira que está, se ela não quer tomar providencias, não podemos fazer nada. – Ele declarou angustiado, esse jeito protetor que gritava quando se tratava de Elle me trouxe bastantes ciúmes no inicio de nossa relação, mas já aprendi a ver que ele a tem como sua querida irmãzinha indefesa, a necessária irmã mais velha e chata, era a Jane.
Eu não sei dizer da onde veio essa vontade incontrolável de entrar nas águas do rio a essa hora da noite, mas ela tomou meu corpo e me impulsionou a tirar meu vestido e pular dentro da água em menos de 10 segundos, tão rápido que Alec sequer percebeu o movimento. Quando se sentou e ficou me encarando com olhos confusos e surpresos, eu já havia dado dois mergulhos. Ele viu meu vestido lilás jogado ao seu lado e voltou seu olhar para mim, mais atento dessa vez. Mergulhei novamente, escondendo meu rosto que devia estar parecido com um tomate a essa altura.
Me lembrei dos dias de verão que passei mergulhando no rio com Jake, era tão bom saber que tudo estava encaixado, tudo estava em seu perfeito lugar. Eu já não sentia mais culpa ou remorso, só havia espaço em meu coração para o amor que eu sentia por Alec, a felicidade por estar em casa e o medo pela batalha marcada.
- Vêm Alec! Vai ficar aí me olhando? – Espirrei água em sua direção. A noite estava tão linda, as nuvens haviam se dissipado, nos dando uma bela visão da lua cheia e algumas constelações.
- A visão daqui já é tão boa, não preciso chegar mais perto. – Ele respondeu sem jeito, apreensivo. Eu consegui ler as entrelinhas, isso era falta de autocontrole. Ele não tinha certeza se agüentaria nadar comigo seminua, sem forçar nada, sem tentar apressar as coisas. Sorri com a constestação do fato. Ele tornava tudo mais difícil, não deixava outras alternativas a não ser eu ter que avançar para cima dele, o dando liberdade.
- Se você não quer vir até mim, eu vou até você. – Joguei meu cabelo de lado e fui andando em sua direção, em um louco momento de autoconfiança. Seus olhos faiscaram quando deram de frente com meu corpo vestido apenas com um sutiã sem alças e uma tanga em tons de rosa antigo, completamente molhado. Me ajoelhei na metade do caminho e fui engatinhando em sua direção. Quando finalmente cheguei nele, selei meus lábios com os seus gentilmente e esbocei um leve sorriso, quase inocente. Aquela cena deve ter sido muito, muito sexy, mesmo que não tenha sido intencional.
Seus músculos retesaram, ele paralisou completamente, seus olhos brilharam com uma intensidade que eu nunca vi antes. Então, derrepente, ele me puxou em um beijo quente e me virou no chão, ficando por cima de mim. Suas mãos desceram por lugares que ele nunca antes havia tocado, lugares que ninguém nunca antes havia visto. Entrelaçei minha perna na sua, suas mãos subiram pela minha coxa. Seus lábios desceram para o meu pescoço. Aquele era um novo Alec, o Alec que permitia o desejo tomar conta do seu corpo. Eu já amava essa sua nova faceta, não era difícil torna-la minha favorita.
Foi nesse momento que o choque pela realização me bateu. Eu nasci para ser anestesiada por seu perfume agridoce. Eu nasci para ser afogada no mar de sangue que eram seus olhos. Eu nasci para minha pele receber seu toque. Eu nasci para ter meus lábios selados aos seus, para sua língua brincar eternamente com a minha. Eu nasci para pertencer a ele. Porque adiar mais o ápice do nosso sentimento? De qualquer forma aconteceria com ele. Não importa a hora, o dia, o local, o momento. Esse parecia ser tão bom quanto qualquer outro. Eu sequer sentia mais a relva em minhas costas, o vento frio em minha pele, ou o som das copas das arvores. Eu só o sentia. E queria senti-lo ainda mais.
Me virei e fiquei por cima dele. Abri sem cerimônias sua camisa e deixei meus lábios desbravarem seu peito, seu abdômen. Suas mãos contornaram meu queixo e levantaram meu rosto, nossos olhos se encontrando. Eu sabia que os meus deviam ser um poço de desejo, agora os deles, havia alguma coisa o repreendendo, alguma coisa o segurando.
- Já esta na hora de voltarmos Nez. – Voltar? Ele não me queria da forma que eu o queria era isso? Ele estava tentando dizer delicadamente que não queria me tornar dele por completo? Vergonha foi tudo o que eu senti, sangue se agrupou nas maças do meu rosto e eu sai de cima dele rapidamente e corri para vestir meu vestido, derrepente eu estava me sentindo nua demais. Onde eu estava com a cabeça?
Ele se levantou e vestiu sua camisa, ela estava cheia de marcas de molhado. Ele virou seu rosto para mim e tudo o que eu consegui fazer foi olhar para o chão, fugir do seu olhar. Procurei minha sapatilha e as calcei de costas para ele, eu ainda estava imensamente corada.
- Você não está pensando que eu não te desejo, está anjo? – O ar fugiu dos meus pulmões, arfei procurando por oxigênio. Ele estava perto de mais de mim, sua voz soou grave muito próximo ao meu ouvido, vindo das minhas costas. Ele nunca havia me chamado de anjo, fiquei completamente sem jeito ao ouvir o novo apelido. Me virei para ele e mesmo assim não consegui olhar dentro de seus olhos.
- Não seja boba, é claro que eu te quero. – Borboletas voaram caoticamente em meu estomago ao ouvir a ultima frase.
- Eu também te quero. – Finalmente levantei meus olhos, ele estava sorrindo docemente, seus olhos ainda tentavam reprimir aquele brilho de desejo.
- Eu só te amo demais para tornar isso sem sentido, você pode achar que não tem o mínimo de problema fazer isso no meio da floresta, ou em uma cabana abandonada, ou até no banco de trás de um carro, mas meu anjo, eu quero que você realize sua mais intima fantasia, eu quero que você se sinta realizada de todas as formas e fazer isso aqui e agora seria cru, simples demais. Você é sobrinha de Alice Cullen , deve ter idéias grandiosas guardadas em sua mente afinal, não quer usa-las? – Meu deus. Eu devia ter ganhado na loteria quando Karl me encontrou em uma caçada e conquistou minha amizade, se não fosse Karl eu não teria conhecido essa pessoa perfeita que está parado na minha frente, eu nunca teria conhecido o verdadeiro amor. Toquei sua face perfeita com a ponta dos meus dedos e deixei minha imaginação fluir para dentro de seus pensamentos. Imaginei seus lábios tocando os meus gentilmente, e permiti que ele tomasse uma prova de tudo o que eu sinto toda vez que isso acontece.
Ele sorriu docemente e tornou meu pequeno delírio realidade. Eu o amava tanto. Meu coração parecia não suportar a intensidade do sentimento. Eu acabaria tendo um infarto por amor qualquer dia desses.
Voltamos para casa logo em seguida, todos estavam falando da nova visão de Alice.
- Alec você sabe de quem se trata? Alto, loiro, e parecia ter posição importante na guarda pela forma que Aro o olhava. – Alice o bombardeiou com as novas informações. Eu não sabia de quem se tratava, eu não havia conhecido nenhum homem loiro na guarda.
- Conversando com Aro? Péssima noticia, parece que Aro possuía mais uma carta na manga afinal. Não conheço nenhum homem com essas características na guarda Volturi. Ele deve ter conseguido reforços. – Ele respondeu angustiado, sem tirar os olhos de mim, protetores. Aquilo era um problema dos grandes, não tínhamos noção do que enfrentaríamos agora, e se não sobrevivessimos a tudo isso? E se Alec não sobrevivesse? Meu mundo rodou, minha visão enturveceu e a única coisa que eu senti foram os braços de Alec me mantendo em pé.
- Ness, filha nada vai acontecer. – Meu pai correu para o nosso lado, sua voz carregada de preocupação. Ele sabia o que me fez sentir essa vertigem, ele sabia que eu estava sofrendo por antecipação, porque se tudo desse errado, se algo acontecesse com qualquer pessoa que eu amo, o planeta já não faria mais sentido. – Leve-a para a cama Alec, sua mente está superlotada, precisa descansar.
Alec cumpriu a ordem com gosto, me carregou no colo até a porta do meu quarto e então ele a abriu devagar, como se tivesse esperado por isso muito tempo.
- Você já pode me colocar no chão, não vou desmair nem nada. – Argumentei, sorridente quando percebi que seus olhos mapeavam cada centímetro do cômodo. Ele me colocou em pé devagar, como se não confiasse em minhas palavras.
- Boa noite Alec. – Sussurrei em seu ouvido.
- Boa noite anjo, sonhe comigo. – Seus lábios tocaram o meu levemente, em um beijo de boa noite.
- Sempre. – Completei antes dele sair pela porta com um belo sorriso estampado em seu rosto perfeito.
Tomei um banho em seguida e vesti meu babydoll favorito, me deitei na cama e fiquei assistindo TV, quando derrepente a porta se abriu e Elle entrou. Tudo nela gritava "Karl passou por aqui", ela estava uma bagunça total, sua saia estava levantada, sua blusa enlarguecida, seus lábios inchados, seu cabelo todo bagunçado. Não contive meu olhar malicioso.
- O que aconteceu com a tal "greve de sexo"? – Falei em um tom baixo, o resto da casa não precisava ouvir nossa conversa de adolescente.
- Ainda está de pé. Eu não preciso fazer sexo para me divertir um pouco Nez. – Respondeu com um tom experiente, corei com sua resposta. Era engraçado como, mesmo ela sendo mais nova que eu, parecia ter vivido muito mais e tinha mesmo. Ela entrou no banheiro e eu ouvi a água do chuveiro sendo ligada.
- Ouviu sobre a nova visão de Alice? – Sobre isso eu podia falar em um tom normal.
- Não. Eu estava muito ocupada para dar atenção a outros sons que não estivessem vindo de Karl. – Não contive a risada. Ela não tinha vergonha mesmo, falou isso em bom tom, todos podiam ter ouvido sua confissão.
- Ela viu Aro conversando com um homem, loiro, parecia pertencer a guarda. Tem noção de quem seja? – Esse novo personagem estava me deixando com medo, não sabíamos o talento que ele possuía e tenho certeza que Alice não voltaria a ter visões com ele, Aro tem sido bastante cuidadoso, esse foi um leve descuido, não voltaria a acontecer.
- Se não era Caius, não tenho noção. – Ela respondeu depois que acabou de tomar seu banho e saiu do banheiro secando o cabelo, ela vestia apenas um suéter branco de cashmere, o mesmo que Alice havia dado para Karl vestir dias atrás, o cheiro dele ainda impregnava o tecido. As vezes eu sentia inveja de Elle, ela era tão bonita sem sequer fazer esforço. Ela era meu reflexo ao avesso, eu tinha um corpo esguio como o de uma modelo, ela era pequena e cheia de curvas, meu cabelo era completamente cacheado e em um tom de vinho, o dela era loiro platinado e caia com belas ondas pesadas até sua cintura, meus olhos eram castanhos chocolates, enquantos os dela verde tropical, mas mesmo assim eu a amava como uma irmã.
- Ah Nez troca de canal! Até eu já vi esse filme e olha que eu não tenho muito tempo para assistir televisão. – Tudo que ela dizia tinha idéias subliminares ou era impressão minha?
- Eu gosto de filmes clássicos. – Rebati.
- Eu gosto de filmes de terror. – Ela roubou o controle da minha mão e colocou em um filme com zumbis de péssima qualidade, sangue jorrava pra todos os lados. Eu mereço. Revirei os olhos.
- Elle como foi que... Como foi a sua primeira vez? – Perguntei do nada. Minha voz saiu quase nun sussurro.
- Foi derrepente, sem planejamentos, mas foi com Karl, então foi perfeito. – Ela me respondeu também sussurrando. Mais evasiva que sua resposta não existia.
- É sério Elle, como você reuniu coragem? Como soube que tinha que ser? – Percebi que tinha muitas perguntas sobre o assunto, essas eram só as primeiras.
- Olha Nez, minha história com Karl é muito torta, pulamos muitas fases, na verdade pulamos todas, fomos do primeiro beijo para a minha cama em trinta minutos. – Ela riu com o comentário, seus olhos presos ao passado. – Quando eu abaixei minha guarda e confessei para ele que também o queria eu já sabia no que ia dar, eu já sabia qual seria o final, mas entenda desejo reprimido te cega de tal forma que você só consegui pensar em possuir a pessoa desejada de todas as maneiras possiveis. – A história deles era tão torta que se tornava perfeita, ambos não enxergavam que tudo o que mais importava no mundo já estava em suas mãos, eles próprios.
- Ele alguma vez já te rejeitou? Alguma vez ele não te quis? – Perguntei sem jeito, corando como sempre.
- Depois de me beijar eu pensei que ele ia dar pra trás, ela me tinha em suas mãos, podia ter chegado a conclusão que o esforço não valeu a pena, mas eu estava errada, hoje eu sei que naquela época Karl não dispensaria uma mulher em suas mãos nem que ela valesse nada. – Ela aceitava o passado de Karl tão facilmente que parecia que ele ter dormido com todas as mulheres solteira de seu antigo clã fosse a coisa mais normal do mundo. - Mas porque a pergunta? Alec... Ele te rejeitou Nez? – Sua voz saiu cautelosa, como se estivesse pisando sobre ovos.
- Não, na verdade... Eu cheguei muito perto dos finalmentes hoje, eu tenho certeza que se é pra ser será com ele entende, mas ele me parou, disse que não era o momento certo, por mais que eu o quisesse, da maneira que eu estava tentando forçar seria simples demais. – Expliquei, minha voz soando consternada.
- Alec é um fofo. – Ela declarou com um sorriso de admiração. – Ele está certo Nez. Eu tive muita sorte de Karl acabar se apaixonando por mim e vice-versa, senão teria sido apenas sexo. Na verdade, eu já estava apaixonada por ele a muito tempo, mas eu ficava fingindo que era só desejo, fingia que não era nada demais. Sabe pode ter sido vulgar a minha primeira vez, mas teve sua magia, teve seu encanto, o momento eu que eu decidi jogar tudo pro alto, em que ele era a única coisa que eu conseguia pensar e ele foi tão doce comigo, tão perfeito, tudo foi perfeito, mas veja foi no meu quarto, você queria que fosse a onde? No meio da floresta, em pé encostado em um tronco de arvore, santa? – Ela riu maliciosamente ao terminar a pergunta. Era verdade, poxa eu já tinha o cara certo e já estava pronta, porque não armar o momento certo? Tornar tudo ainda mais especial?
- Você está certa, ele está certo. Tem que ser especial. – Falei com ares sonhadores, eu podia imaginar uma cama forrada de pétalas de rosas, com uma chuva torrencial batendo contra o vidro da janela, eu gosto do barulho da chuva.
- Oin minha menininha cresceu! – Tentamos conter nossa risada por um bom tempo. - Porque estamos sussurrando afinal? – Ela me perguntou rindo e aumentou o volume da TV. Gritos de gente correndo de zumbi tomaram o quarto.
Okey Nez, imagine. Como poderia ser? Eu gosto do cheiro de rosas e do barulho da chuva, mas só disso? Eu gosto do cheiro dele também, é obvio, e do barulho rouco de desejo ao pé do meu ouvido, é claro. Eu gosto de seda e de meia luz, mas também amo o toque dele em minha pele e de observar cada detalhe do seu corpo. Eu amo a cor intensa de seus olhos, mas também gosto de quartos em tons sóbrios, onde eu conseguiria juntar tudo isso? Onde eu poderia tornar tudo perfeito?
Vou ter que tomar minhas providencias sobre o assunto, afinal sou sobrinha de Alice Cullen não sou?
