Chapter XIX
- Nez, seu pai têm razão. Eu não vou agüentar te ver aqui, na linha de frente. – Alec pediu cauteloso para Nez. Ela estava muito contrariada porquê todos, tirando eu, Karl, Henry, Michaella e Emmet, queriam que ela não estivesse ali, todos a queriam segura.
- E eu não vou agüentar saber que minha família, que você, está aqui, lutando por mim, enquanto eu fico em casa comendo biscoitos. – Ela respondeu sarcástica.
- Nossa, vocês não dão mesmo um crédito a menina. – Emmet comentou brincalhão. – Sabe a nossa pequena Nessie cresceu, e que eu me lembre, até Bella quis vir pra linha de frente enquanto era somente uma humana, mas Ness é capaz de se defender e qualquer coisa, eu estou aqui para isso.
- Obrigada, tio. – Ela abriu um sorriso cheio de dentes faiscantes para ele e se voltou para Jacob, em sua forma de lobo ele fedia ao dobro.
Estavamos parados em uma enorme campina próximo as montanhas, esperávamos eles, minha família, a qualquer momento essa historia chegaria ao fim. Tudo entrou em movimento a três dias quando Alice finalmente conseguiu vizualizar os Volturis aqui, então Carlisle ligou para uns amigos, do Alaska, para poderem nos ajudar. Quanto mais melhor. Depois de chegarem, as piadas de loiras de Jacob se tornaram mais intensas que nunca, ele estava se aventurando éramos cinco contra um. Depois dois vampiros egípcios chegaram do nada, alegaram ter ouvido boatos de que os Cullens estariam em problemas novamente. Como noticia ruim corri rápido.
Então éramos Eu, Karl, Nez, Alec, Henry, Edward, Bella, Rose, Emmet, Jasper, Alice, Carlisle, Esme, Jacob e sua matilha, os Denali, Benjamin e Tia, os egípcios, e claro, Michaella. Passavamos do clã Volturi com folga e nossos talentos eram nossa maior arma. O problema era esse elemento surpresa de Aro, ele estava contando com ele, então ele devia realmente ser poderoso. Ele devia ter seu meio de nos combater, eu só não via como.
Por mais que essa batalha parecesse fácil, nas atuais circustâncias, ainda havia o talvez. Talvez um de nós não volte. Talvez eu não volte. Talvez ninguém volte. O futuro é incerto. Então talvez Karl não voltasse, se isso acontecesse eu também não voltaria.
- Isso é tudo o que têm para mim? – Jasper perguntou depois de me jogar no chão pela quinta vez consecutiva. Isso era ruim. Eu estava distraída demais para um batalha.
- O melhor estou guardando para Jane. – Sorri maleficamente para ele, tentando esconder meu pavor pelo que vinha a seguir, eu nunca antes havia estado em uma batalha de verdade, não pareci engana-lo. Bella derrepente pareceu bastante interessada na nossa conversa.
- Da ultima vez, ela era minha. – Ela falou cruzando os braços e vindo na nossa direção. Eu podia ver agora da onde Nez puxou sua personalidade, era tão fácil lidar com Bella como era com Edward, se eles não fossem os pais da minha melhor amiga, podíamos ser grandes amigos. Ri do pensamento.
- Ela é minha. – Alec declarou tristemente. Um silencio mortal caiu sobre a campina, até os lobos pareceram entender sua dor.
- Você não pode dar fim a sua irmã. – Karl declarou, ele estava do outro lado da campina, treinando com Garret, um dos Denali.
- Mas não vou suportar ver outra pessoa o fazendo. – Ele deu de ombros, derrotado.
- Prometo leva-la para bem longe. – Michaella se prontificou, ela sequer conhecia Jane. Cinica.
- Não importa quem vai ser. So importa quem vai sobreviver. – Jasper interveio com seu tom profissional. Isso pareceu acalmar os ânimos de todos, ele os acalmou. Pena que aquilo não funcionava comigo.
Caí sentada na grama úmida da campina e afundei meu rosto entre meus joelhos. Fiquei pedindo para mim mesma para manter a calma, ser fria e indiferente, eu poderia ver todos eles morrerem, era comum faltar lacunas em minha vida, meu pai e meus tios seriam só mais umas que ficariam em branco até o fim desse dia.
- É uma pena não poder ler sua mente, até a de Bella, quando ela permiti, eu posso vislumbrar, mas a sua, é realmente frustrante. – Era Edward, levantei meu olhar para o céu. A luz do sol rompeu as nuvens pesadas e iluminou a campina, refletindo na pele de todos como se eles fossem diamantes. Minha lua pessoal estava me encarando na outra extremidade da campina.
- Não está perdendo muita coisa. – Respondi olhando dentro de seus olhos que estavam em um dourado intenso. Deus. Se todos sobreviverem a essa batalha eu vou experimentar sangue animal, prometo. - Tudo é praticamente ele. – Confessei.
- Você já tentou tirar isso de você? Como Bella. – Ele perguntou curioso. Entendi que ele não descansaria até entrar na minha mente.
- Acredito que comigo não funciona. – Disse como um pedido de desculpa. - Alec já tentou muitas vezes me ensinar a fazer isso, mas eu nunca consigo, talvez seja como você e seu talento. Irreverssiveis.
- É talvez. É uma pena. – Ele pareceu realmente frustrado. – Eu estava pensando, o que vocês pretendem fazer depois que tudo acabar?
- Tudo acabar? Não sei. Provavelmente esperar o casamento do Alec e da Nez. – Ele ficou chocado com a minha resposta. Abafei uma risada.
- Eles vão se casar? – Sua voz saiu em um sussurro e seus olhos varreram toda a campina até encontrar Nez sentada de frente para Alec e apoiada no corpo de lobo de Jacob que estava deitado ao lado de Leah. Nez me disse que achava que eles estavam juntos, fiquei feliz em perceber que ela não sentia ciumes, só estava curiosa para saber o porque deles demorarem tanto para se enxergarem.
- Eu estava brincando Edward. – Assegurei contendo a risada, ele pareceu não acreditar muito em mim.
- Vocês sabem que são bem vindos aqui, certo?Podem ficar pelo tempo que quiserem. – Era isso mesmo que eu ouvi? Ele estava nos convidando discretamente para ficarmos por aqui? Meus lábios formaram um sorriso incontrolável e meus olhos, sim, meus olhos brilharam com a proposta.
- Quem sabe? – Dei de ombros, fazendo um esforço enorme para não abraça-lo e sair dando pulinhos serelepes pela campina.
- É, quem sabe? - Ele esbanjou um sorriso torto que, por mais que não fosse o sorriso torto do meu Karl, não ficava muito para trás, se levantou e seguiu em direção de Bella.
- Não deixe Felix te pegar, okey? - Karl se sentou do meu lado, olhando para a frente, sua voz séria demais, apreensiva demais.
- Benjamim irá proteger eu e Bella. – Expliquei cautelosa. Ele não queria me olhar no rosto, ou era impressão minha?
- E Santiago. Ele não gosta muito de mim. - Ele continuou, ainda fugindo do meu olhar.
- Eu vou ficar bem. - Puxei seu rosto para mim, o forçando a olhar dentro dos meus olhos e o que eu encontrei lá, foi medo. Ele não queria que eu visse que ele estava com medo.
- Qual o problema Karl? - Eu não esperava encontrar aquilo, não nele, em qualquer outro, mas medo em Karl? Não fazia muito sentido.
- Nada. - Ele não me enganou.
- Inventa outra. - Rebati, sarcastica.
- Só fique a salvo, para mim. - Ele declarou com a voz profunda, refletindo seus pensamentos.
- E você, para mim. - Completei. Ficamos nos encarando por um tempo longo demais, e então, instintivamente nos abraçamos fortemente. Tudo que verdadeiramente importava em meu mundo estava aqui, em meus braços. Acredito que o pensamento era reciproco. Ele também me ama de verdade, por mais louca que essa frase seja.
Suas mãos percorreram a linha do meu queixo antes de me beijar intensamente, desesperadamente, como se essa fosse a ultima vez que ele podesse fazer isso. Eu fiquei completamente ser ar em meus pulmões, mas não quis interrompe-lo. Eu podia morrer por asfixia, não tinha problema, desde que meus labios ainda estivessem brincando com os seus.
- Esse não será nosso ultimo beijo. - Assegurei firmemente depositando toda a confiança que havia em mim nessas palavras.
- Não, não será. - Ele concordou com a mesma segurança. Seus olhos não desviaram a atenção de mim, um segundo sequer.
- Eles chegaram. - A voz de Alice ecoou pela campina duramente, trazendo todos de volta a terra, de volta a realidade. Me levantei em um pulo, como se Aro já estivesse na minha frente. Karl parecia estar mais apreensivo ainda, se isso é possivel.
- Quando começar, por favor, não fique preocupado comigo. Eu vou ficar bem. Cuide de você. - Disparei as palavras rapidamente. Ele estava preocupado demais comigo para seu proprio bem, isso o tornaria alvo facil.
- Eu vou cuidar dela. - Benjamim disse para ele, já vindo para o meu lado, Bella estava do outro lado.
- Eu vou tentar. - Ele sussurrou somente para mim, antes de partir para o lado de Alec. Nez veio para o meu lado.
- É agora que começa a melhor parte. - Falei para ela, tentando soar indiferente.
- Espero que o final seja o previsto. - Ela me respondeu, apreensiva.
E foi ai que eu os vi, deslizando como uma nevoa agourenta sobre a relva da campina. Primeiro os guardas mais trivias, depois, seus grandes tesouros, seus talentosos guardas, mais protegidos, os anciões. Não demorou muito para eles pararem de fronte a nossa linha torta de ataque. Os membros foram se abrindo como um leque revelando Aro, Caius e Marcus.Aro estampou um sorriso, o seu sorriso falso, antes de começar seu discurso.
- Assim como há 12 anos, reuniu um exército não é mesmo Carlisle? – Ele realmente acreditava que alguém ainda caia a sua falsa educação?
- Eles não são um exercito, são amigos. - Carlisle respondeu com seu tom atencioso. – O que não posso dizer de seus companheiros.
- Vocês vão declarar inocência novamente? – Sua risada cínica ecoou pela campina.
- Não, temos completa consciencia de nossa culpa. Vamos defendê-los Aro, custe o que custar. – Carlisle respondeu sem pestanejar. Eu não merecia ser incluida na equação, mas, enfim.
- Eu acredito que essa será uma atitude suicida, mas vocês sabem as conseqüências de suas escolhas. – Ele respondeu com um tom indiferente. – Alec, meu querido, Porque você fez uma coisa dessas? Você abandonou sua irmã e a mim, que sempre te tratei tão bem, sempre dei tudo o que você quis até mesmo não me importei com você apaixonado por uma Cullen. Então por quê? Não vejo motivos para tal irracionalidade. – Ele não precisava brincar com Alec.
- Algumas coisas possuem a capacidade de transformar tudo o que é razoável em futilidades, mas acredito que você não deve ter conhecimento de quais são, Aro. - Alec respondeu no mesmo tom cínico em que foi empregada a pergunta.
- Não entendo, se vocês estão tão confiantes como parecem por terem Alec, Bella, Electra e Alice. Por que reunir tanta gente? Afinal, o que poderíamos fazer contra uma vidente, um anestesiante e dois escudos, dois mentais e um físico? - Essa pergunta me deixou com uma raiva, reprimi minha vontade de pular no pescoço dele e acabar logo com esse jogo.
- Como eu disse, são amigos, são para isso que amigos servem Aro. - Carlisle rebateu, tentando conter sua apreensão pelo tal elemento surpresa. Falando nele. Corri meus olhos sobre a campina e não encontrei nenhum rosto diferente. O que será que havia acontecido? Melhor, o que Aro estava tramando?
- Sei muito bem para o que amigos servem. Como também sei que amigos não levam os outros à morte. - Aro rebateu irritávelmente confiante em sua vitória.
- Sem jogos Aro. - Falei inconscientemente. Em seguida me arrependi de ter aberto minha boca. Não era momento para bancar a abusada. Todos que estavam perto demais de mim, me encararam como se eu tivesse ultrapassado um limite. Desculpa! Praticamente gritei em minha cabeça.
- Ah! Minha Doce Electra, como Volterra fica diferente sem sua impertinência. Você sabe muito bem que eu não faço jogos. – Ele conseguiu alcançar o ápice de seu cinismo. - Apenas não quero que nenhum assunto fique pendente, não terei outra oportunidade de fazer algumas perguntas, se você me entende. O que é uma pena, aqui existe tantos talentos preciosos e pessoas que me são caras.
- Caras? – Não contive a risada de escarnio que saiu de meus lábios. - Engula essa sua falsa condencêndencia Aro, voce não está enganando ninguém. - Pronto, eu havia tiçado o fogo, agora que venha o incêndio.
- Assim a senhorita me ofende. Sim, elas me são caras, por que outro motivo você acha que eu cogitaria a ideia de lhes oferecer uma segunda chance? – Porque ele estava falando como se já tivesse ganhado a guerra?
- Segunda chance? - Minha voz falhou ao repetir suas ultimas palavras.
- Alec? - Todos disseram praticamente ao mesmo tempo. Voltei meus olhos para Alec ele me olhou chocado.
- Isso não sou eu. - Ele explicou desesperado. Não era ele o que? Me virei e encarei os olhos de Nez, estavam mortos, cegos. Era Alec.
- O que você está fazendo? - Perguntei desesperada para Aro. O que havia acontecido? Porque Alec estava fazendo aquilo?
- Ele? Nada. Eu? Sim. - Era ele não era? O elemento surpresa. Loiro, com olhos vermelhos intenso, provavelmente um recem-nascido. Veio andando calmamente na direção de Aro, com os braços cruzados nas costas. Subi todas as minhas barreiras, tentando pará-lo, mas, pela primeira vez em minha vida, encontrei alguem que lutava contra mim, me expulsava. Me senti extremente fragil.
- Quem é você? - Um nó se formou em minha garganta, mas mantive a calma. Eu tinha que conseguir um meio de contorná-lo para poder livrar todos.
- Eu sou Danton, Danton Volturi. E você seria? - Ele me deu um sorriso charmoso, mas ao mesmo tempo debochado.
- Electra Volturi. - Minha voz saiu orgulhosa, eu nunca deixaria de ser uma Volturi. – O que você está fazendo com eles?
- Engraçado, eu ia te fazer a mesma pergunta. – Mais um sorriso debochado se pintou em seu rosto.
- Qual segunda chance? - O ignorei e perguntei para Aro. Eu não conseguia de jeito maneira barrá-lo. Não gostei de saber que todos dependiam de mim.
- Bom... - Aro começou, mas foi enterrompido por Danton.
- O que você está fazendo com o colar da minha mãe? – Seu tom de voz soou ameaçador, ele estava se dirigindo a mim?
- Sua mãe? - Ri deliciada. - Aro, você tinha que ser tão baixo? - Sarcasmo, escârnio e irônia pingaram em meus lábios. Ele tinha que brincar com algo tão sério?
- Baixo? Eu? Que calunia! Eu não pedi para ele dizer nada disso, se você está com o colar da mãe dele, não é minha culpa. – Aro deu de ombros, fingindo estar realmente ofendido por tal acusação.
- Você ainda não respondeu minha pergunta. Porque você está com o colar dela? – Danton voltou a me perguntar, seu tom ainda continha uma ameaça.
- Ele é meu. - Olhei para o rosto de Danton pela primeira vez. Tinha algo errado ali, algo familiar. – E você ainda não respondeu a minha pergunta. O que está fazendo com eles? - Desespero escapou por meus lábios. Ele pareceu não querer me dar uma resposta, não antes da minha.
Minhas mãos voaram para o pingente em meu colo, eu não sabia do que ele estava falando, mas se eu pudesse distrai-lo tempo o suficiente para Alec conseguir lutar contra o que seja que ele estivesse fazendo. Eu entraria nessa de cabeça.
- Da sua mãe? - Esbanjei um sorriso abusado. - Sinto muito, mas não devia ser tão importante assim para ela, já que a ultima dona dele fora a minha. - Dei de ombros e revirei os olhos.
- Não teve outra dona porque esse colar quem deu para a minha mãe fui eu, ele é único e era o objeto que ela mais gostava. Então ela nunca teria dado para outra pessoa. – Ele começou a falar rápido, se atrapalhando nas palavras. Perdendo o controle. Minha risada cínica ecoou pela campina.
- Que linda história! Estou emocionada! Parabéns! Deve ter demorado um bom tempo para inventá-la. - Bati palmas teatricalmente. O pior foi perceber que no fundo o olhar que Aro, Caius e Marcus me dirigiam era de orgulho. Eles não me odiavam.
Danton rosnou para mim de uma forma agressiva e antes que eu pudesse piscar, o ar sumiu de meus pulmões e minhas costas bateram contra uma coisa dura. Ouvi um estalo e uma dor latente tomou conta de meu tronco. Gritei.
Ele veio em minha direção, de uma forma ameaçadora. Ódio transbordava em seu olhar, veneno em sua língua. Ele havia me empurrado com tanta força, que eu devia ter voado uns 10 metros floresta adentro... Ou mais. Minhas costas haviam batido em uma árvore grande e antiga, eu devia ter quebrado alguma costela, passei meu braço por meu tronco e me levantei com muito esforço.
- Vou repetir só mais uma vez e se você for esperta dessa vez você vai me dar uma boa resposta. Por que você está com o colar da minha mãe? – Sua mão apertou meu pescoço e me levantou no ar.
- Ele pertenceu a minha mãe. Stella. Minha mãe, não à sua. - Minha voz saiu embargada. Eu não estava conseguindo respirar.
Ele me soltou repentinamente. Cai com força no chão, ar quente entrou por minhas narinas preenchendo meus pulmões. Respirar nunca foi tão prazeroso. Danton ainda me encarava, seus ollhos chocados. Derrepente ele começou a sussurrar, baixo demais para eu conseguir compreender, e seus olhos pareciam voltar ao passado, como se tentasse enxergar sobe uma camada de lama.
- Como você disse que era o nome da sua mãe? - Ele me perguntou enquanto começava a andar de um lado para o outro.
- Stella. - Piei baixo. Eu provavelmente havia quebrado duas costelas e devia ter fissurado outra. Danton ainda andava de um lado para o outro, de forma catatônica, isso estava estranho demais.
- Quantos anos você tem? – Mais uma pergunta desconexa.
- 10. Mas o que você tem haver com isso? - Ele estava tentando me confundir, por que ele não me metava logo? Se essa era sua verdadeira intenção.
- Porque a minha mãe se chamava Stella e ela sumiu tem mais ou menos 11 anos. – Ele falou como se tivesse acabado de fazer a maior descoberta da face da Terra.
- Você não está realmente considerando a ideia de que... Não sei, somos irmãos? - Revirei os olhos e tentei rir, mas a dor proviniente das minhas costelas não me permitiram.
- Bom, talvez meio irmãos. Você me lembra muito minha mãe, especialmente os olhos. – Ele me olhou como se estivesse me vendo pela primeira vez. Prestando atenção a cada detalhe. Meu mundo caiu. Por isso ele me era tão familiar? Meu irmão?
- Irmão? - Pensei alto. - Aro fez isso com você?
- O que? Me transformar? – Ele pareceu não entender tal pergunta.
- Sim. Ele também acabou com a sua vida? Como fez comigo, como fez com "nossa" mãe. – Me sentei na arvore, em movimentos mais vagorosos do que o normal.
- Bom... Depois que a minha mãe sumiu, Aro me encontrou e cuidou de mim, no começo eu não gostava dele, ele foi gentil, parecia ser legal. Eu era pequeno e precisava de aguém para cuidar de mim. Com o tempo ele foi conquistando minha confiança. Ele não me levou até o castelo de cara, antes ele só ia até minha casa, me levava comida e me fazia companhia. Eu ainda tinha esperanças que minha mãe voltasse, mas depois de três meses, ela foi aos poucos se esvaiando. Aro aparecia toda noite, dizia que não possuia muita resistência contra o sol, achei ser uma boa explicassão para sua pele tão branca e gélida. Depois de seis meses eu sabia que minha mãe não voltaria e foi quando Aro me convidou para morar com ele, fiquei um pouco apreensivo no começo, mas achei que era melhor do que ficar sozinho esperando por uma mãe que parecia ter me esquecido. – Seu belo rosto parecia querer chorar, mas isso não lhe era possivel. - Eu fiquei encantado com o tamanho do castelo, no começo ele não me apresentou ninguém que morava lá, achei que fosse porque ele morava sozinho, mas depois de um tempo Caius começou a ir me visitar. Seu Pai. Tinha uma mulher, humana, que cuidava de mim a maior parte do tempo. Aro e Caius só me visitavam de tempos em tempos, no começo me senti um pouco magoado, como se tivesse sido abandonado de novo, mas depois eu me acostumei e não liguei muito. Aquela humana, Lucy, sempre estava comigo, então eu não me sentia sozinho, ela era boa comigo, até poderia dizer que a amava. Os anos foram passando e as visitas de Aro se tornaram cada vez amis raras. Nem sempre eu podia ver a luz do dia, mas eu nunca reclamei. Lucy me ensinou muitas coisas, como ler e escrever, e até tentou me ensinar matemática além do básico, mas eu odiava frações, então ficamos apenas na leitura. Ela sempre me trazia novos livros. Até que um dia, eu tinha 15 anos, Aro me contou tudo, o que ele era, que minha mãe havia morrido e me perguntou se eu queria ser um vampiro assim como ele. Eu estava fascinado pelo fato de vampiros realmente existirem, não como nos livros. Do modo que Aro me encantou eles pareciam ser muito melhores, que eu sequer pensei muito no assunto, rapidamente disse sim. Não quis saber das consequencias, na verdade não me importava, não conhecia muita coisa boa em ser humano para querer continuar sendo um. Então quando eu fiz 17 Caius, não Aro, Caius me transformou. – Ele finalizou sua história, ainda perdido em seus pensamentos.
- Danton, ela nunca te abandonou. - Assegurei para ele.
- Como assim? - Ele me perguntou, completamente surpreso com a minha declaração.
- Eu não sei o porquê de Caius a escolher, mas acredito que ele a seduziu e ela acabou engravidando, de mim, Aro então pode realizar seu pequeno sonho de possuir uma mestiça. Ele a manteve em cativeiro durante o curto período de gestação, sob vigilância. Ela morreu me dando a luz. - Minha voz falhou e uma lagrima teimou em se formar no canto dos meus olhos.
- Eles não podiam ter a salvado? A outra mestiça tem mãe, não tem? – Ele pareceu não estar compreendendo o verdadeiro sentindo de eu estar ali, viva.
- Não sei se eles alguma vez pretenderam salva-la. O objetivo não era ela, era eu. - Era por isso que eu não gostava de falar da minha mãe, esse assunto me quebrava em mil pedaços.
- E o seu pai ficou cuidando de você depois disso? – Ele perguntou curioso.
- Ah... Não. - Agora aquela lagrima que estavam presas no canto dos meus olhos caíram de vez. - Ele nunca ligou muito pra mim. Às vezes, eu acredito que ele fingi que eu não existo.
- Você nunca teve ninguém? Você sempre foi sozinha? – Agora ele estava completamente sem graça. Era assim que as pessoas reagiam depois de saber sobre o meu passado.
- Eu sempre fui uma arma, nunca tive ninguém e você sempre esteve tão perto. - Minha voz saiu desolada. - Eu cresci pensando que não tinha ninguém. Meu próprio pai nunca se importou comigo, mas você sempre esteve lá. Eu podia ter tido alguém. Eu podia ter tido uma família.
Ele me olhou ali, sentada, encostada no tronco da árvore, com os braços passados ao redor do tronco, morrendo de dor, com lágrimas se formando nos cantos dos olhos, e deve ter sentido culpa, remorso, algo do tipo, pois ele veio andando cauteloso em minha direção me levantou devagar, tomando consciência dos seus movimentos e me abraçou levemente. Me permiti chorar feito um bebê.
- Derrepente algo o tirou de meus braços e o jogou em outra árvore, cai no chão e tentei abafar outro grito de dor. Era Karl. Ele estava lutando com Danton, deve ter pensando que ele estava me machucando. Sempre meu Karl.
- Karl... Para!... Ele... Não o machuque. Ele é meu irmão. - Falei desesperada, encontrando dificuldade em formar uma frase concreta.
Karl parou instantaneamente, segurando o braço de Danton pelas costas. Ele se virou para mim, seus olhos furiosos e chocados.
- Seu irmão? - Dúvida tingiu seus lábios.
- Sim... Aro brincou mais do que você imagina com nossas vidas. - Confessei. Ele voltou seus olhos para Danton e depois para mim. Depois de um tempo ele o soltou, vindo em minha direção. Karl se ajoelhou na minha frente, seus olhos agora pareciam querer chorar, se pudesse.
- Você está bem? Ele te machucou? - Sua mão tocou a maça de meu rosto e eu sabia que estava bem, tudo ia ficar bem, ele estava ali.
- Agora sim. - Respondi apertando mais meus braços no meu tronco. Tentando parecer bem, para ele.
- Você está machucada. – Ele andava lendo minha mente melhor que Alec, ultimamente. –Você precisa ver Carlisle. - Ele tirou meus braços e tocou levemente minhas costelas, me examinando. Arfei com a dor que seu toque me causou.
- Mas, e a batalha? Achei que assim que eu saísse vocês iriam lutar até a morte. - Danton perguntou cauteloso, suas mãos apertando algo, parecia uma medalhão. Seus olhos pareciam estar gritando algo para mim.
- Já está praticamente tudo acabado... O que aconteceu lá afinal? Alec usou seu talento em todos. Foi atordoante saber que só você estava acordada. - Ele respondeu para mim, seus olhos não abandonaram meu rosto. Dan me encarou, meio que pedindo desculpas por ter atacado a todos.
- Quem está ganhando? - Tentei parecer normal, tentei não deixar minha voz quebrada, seus olhos ainda estavam chorando silenciosamente.
- Até o momento que eu senti seu rastro, eramos nós, acredito que o placar não vai se alterar. - Ele respondeu como se, eu estar preocupada com alguma coisa além de mim, fosse um ato insano.
- Hum... Então acho que esperamos. Eu não posso voltar nesse estado e Karl, você vai ficar aqui comigo. – Peguei sua mão e a apertei fortemente - Danton você também não vai voltar. - Minha voz soou autoritária para ele. Eu não sabia se ele defenderia Aro, se ele defendesse Aro algum lobo acabaria voando na cabeça dele e se ele tentasse ficar do nosso lado algum lobo ainda acabaria voando na cabeça dele.
- Electra, certo? Você já viu nossa mãe? – Ele se sentou ao meu lado, com seu jeito amavél já tão marcante.
- Só me lembro de sua voz. Ela costumava cantar para mim canções de ninar. – Me prendi a doce lembrança de sua voz, embalando meus sonhos.
- Ela também cantava para mim, ela era a dona da mais bela voz, não era? – Ele me perguntou com ares sonhadores.
- Sim, era sim... Como ela era? – Minha imbatível curiosidade gritou. - Dizem que somos muito parecidas.
- E são mesmo. Veja isso. – Danton retirou o medalhão de seu pescoço e o entregou em minhas mãos. Primeiramente eu não entendi o que devia fazer, em seguida a abri o medalhão com cuidado e o que ele me revelou era tudo aquilo que u sempre procurei em minhas lembrnças. Ela. Seu rosto. A foto me mostrava pouco, mais eu podia ver que sim, éramos muito parecidas. Cabelos longos, louros e ondulados, também tínhamos o mesmo formato de rosto, embora meus lábios fossem mais cheios.
- Ela era linda! - A foto dentro do medalhão era antiga, mas ainda sim perfeita. Eu queria tanto poder tê-la visto na minha frente, poder me envolver em seus braços, saber que eu era uma parte dela como ela era uma parte minha. - Veja Karl, ela não era linda? - Passei o medalhão para sua mão enquanto enchugava as lagrimas em meu rosto, chorar fazia a dor em minhas costelas ficarem ainda mais fortes.
- Eu sou meio suspeito para julgá-la. - Ele revirou os olhos e me devolveu o medalhão meio sem jeito, esse momento devia estar sendo intimo demais, familiar demais. Familiar.
- Dan você não sabe o quanto essa foto é importante para mim. - Soltei sem pensar. - Posso te chamar de Dan? Porque nossa mãe podia ser muito bonita, mas a escolha dos nomes? Ela era bem criativa nisso.
- Claro que você pode me chamar de Dan. Sabe, eu nunca tive um apelido assim, Lucy costumava me chamar de cucciolo. – Ele confessou com um sorriso ingênuo nos lábios, ele era lindo.
- Todos me chamam de Elle. - Eu sorri como uma boba para ele. Karl se esforçou para abafar sua risada, o apelido de Dan não era engraçado era fofo, era infantil. Eu só tinha o Elle.
- Eu não acho que ela tenha sido assim tão criativa em seus nomes. Ela só parecia idolatrá-los. Radiante e inestimável. Não são nomes comuns a se dar para seus filhos. - Karl comentou depois de uma manobra arriscada para me por em seu colo.
- Dan esse é Karl. Meu namorado. - Corei assim que terminei a frase. Era a primeira vez que eu juntava o nome de Karl e a palavra namorado na mesma frase, em voz alta. Ele percebeu.
- Namorado? - Dan semicerrou os olhos para Karl. - Quantos anos você tem e quais são as suas intenções com a minha irmã? – Sua voz saiu em um tom brincalhão, mas foi legal perceber que ele já se importava comigo.
- As melhores. - O tom malicioso na voz de Karl era gritante, Dan o encarou com um olhar ameaçador. Eu simplesmente comecei a rir, por mais que doece, eu tinha que rir.
Quem imaginaria que eu, Electra Volturi, acabaria o dia com um irmão, uma foto da mãe e ainda duas costelas quebradas? Eu tinha muita sorte mesmo.
