Capítulo 16

- Deve ter algum gato aqui! - disse atento.

- Hei pai... – Kagome gritou da janela do quarto dela. – Pra que essa vassoura? Tá tentando espantar ETs?

- Tem um gato aqui Kagome! - ele disse olhando-a, mas voltou assustado a olhar o telhado com mais um barulho. - Eu vou descer! - decidiu.

- NÃO, NÃO! – Kagome levantou as mãos desesperada da janela. Pelo visto Inuyasha tinha se escondindo no telhado de trás. – Esse barulho foi daqui do quarto, pai. Eu sem querer deixei minha escova de cabelo cair no telhado, mas já peguei. Pode dormir tranqüilo. Sem problemas de barulho. – ela deu um sorriso amarelo.

- Mas vem lá de trás Kagome. Eu vou lá ver! - e sem mais nem menos, seu pai saiu do quarto.

Quando a porta do quarto ao lado de Kagome fechou de novo e seu pai já estava no corredor, ela tentou achar Inuyasha, até o chamou baixinho, afinal, com sua audição super aguçada ele ouviria. Mas.. nada! Nem sinal dele. Ela fez uma careta e foi até o carredor, mas antes, alguém puxou seu braço.

- Seu pai é paranóico!

- Aii.. seu louco! – Kagome sussurrou. – Que susto! Onde você estava?

- Eu estava no telhado de cima! - ele apontou com o dedo para o alto.

- Ahh... Ok... agora vem aqui para dentro. – e ela puxou ele para dentro de seu quarto. Kagome fechou a porta e se sentou na cama. – Pronto. Ele não vai achar nada, vai voltar para o quarto e dormir. – e ela deu um sorriso.

- Eu não sei não... - mal ele terminou de falar, o barulho de alguém subindo as escadas começou. Só que de vez ele parar na porta do quarto ao lado, parou no quarto de Kagome que literalmente, empurrou Inuyasha para de baixo da cama.

- Apareceu aí Kagome? - perguntou o pai sem suspeitar do hannyou presente no quarto e ainda com a vassoura. - Se for aquele hannyou...

- O que? – Kagome fez uma voz doce e tentando ser convincente. – O Inuyasha essa hora já está na casa dele dormindo. E o senhor deveria fazer o mesmo. Boa noite pai! – e Kagome pulou na cama, para fazer barulho. – Tenho que acordar cedo para a faculdade.

- Eu vou achar aquele gato.. Deve ser o Buyou, sabe? O gato da vizinha.. – ele foi até a filha a abraçando. – Boa noit.. Seu carpete está sujo! – ele disse observando a mancha prata nele.

- É... é sim. – Kagome levantou da cama e foi empurrando seu pai para fora do quarto. – Amanhã eu dou uma limpada nele. Desculpa pai, mas eu REALMENTE preciso dormir. Beijo. – e fechou a porta na cara dele. Kagome só tirou o ouvido da porta quando escutou a do seu lado bater. Suspirou aliviada.

- Pronto.. pode sair Inu... – Kagome veio andando para a cama. Inuyasha se desdobrou todo, saindo debaixo. – Enfim sós... – ela sentou-se.

- Enfim sós e a poeira! - ele completou enquanto mexia o nariz incomodado. Kagome achava aquilo engraçado, porque ele franzia o nariz de um jeito engraçado. Perecia realmente um cachorrinho. Ah sim! O Inuzinho!

- Você fica muito fofo fazendo isso com o nariz. – ela riu. – O Inuzinho herdou isso de você. – ela levantou-se e foi até seu armário, pegando Inuzinho e o abraçando forte e dando beijinhos nele.

- De novo essa coisa! - ele quase gritou, mas logo abaixou a voz. - Você ainda tem isso?

- Tenho sim e ele vai ficar comigo para sempre. – ela apertou ainda mais o Inuzinho. – Pára de implicar com ele. – ela colocou o ursinho no armário de novo. – Boa noite Inuzinho. – e deu um beijinho nele.

Inuyasha emburrou a cara e perguntou:

- E amanhã?

- Amanhã o quê? – Kagome foi até a cama, ficou ajoelhada e abraçou Inuyasha por trás que estava de pé e ele virou para encará-la.

- Esquece.. Deixa para lá! - Inuyasha deitou-a na cama para, logo em seguida, deitar ao seu lado, como sempre faziam. - Amanhã você acorda cedo.

- Eu sei... Mas não estou com sono... – Kagome virou seu rosto, olhando para ele.

- Ká, vai dormir! - ele passou a mão nos olhos dela, fechando-os. - Boa noite bruxa!

- Que coisa... – ela riu e abriu os olhos. – Não estou com sono. – ela deitou-se no peito dele.

- Você é muito teimosa..

- Como se você não fosse... – ela riu. Levantou a cabeça e beijou devagar os lábios do hanyou. – Eu te amo.

- Sou menos que você..! - tinha fechado mais o braço, fazendo com que Kagome ficasse em cima dele, apoiando o queixo no seu peito enquanto o olhava com os olhos azuis.

- Aham... tudo bem então! – ela beijou novamente Inuyasha. Parecia que o sono tinha desaparecido. E, quando acontecia isso, era difícil de Kagome dormir.

- Bruxa, vai dormir! Você não vai acordar amanhã! - insistiu novamente.

- Quando eu perco o sono, é difícil eu dormir. – ela disse irritada. – Ahh não ser que você me dê um calmante ou algo do gênero, acho que vou demorar um pouco para dormir...

- Bruxa. - Inuyasha começou com sua mania incansável de enrolar as mechas de cabelo negras nos dedos.

Kagome suspirou. Abraçou mais Inuyasha. Só queria ver a reação de seu pai se ele por acaso desconfiasse de alguma coisa. Inuyasha iria ser escurraçado à vassouradas. Iria ser engraçado.

- Agora você vai dormir.. - sussurou, praticamente.

- Hum... isso é bom... – Kagome fechou um pouco os olhos. – Acho que você vai conseguir com que eu durma. Doido para se livrar de mim, não é? – ela sorriu.

- Ah é claro! - zombou dela. - Foi por isso que te pedi em casamento!

- Eu sei disso... você não consegue viver sem mim... – ela riu. – Eu sou viciante.

- Você é a única droga que não vicia! - ele disse para implicar com ela. Mas depois lembrou-se que ela estava sensível hoje. - Brincadeira tá?

- Aham... – ela começou a fechar os olhos. – Acho que você está me dando sono... – ela riu e ele riu junto. Ela sempre dormia quando ele ficava enrolando as mechas do cabelo dela em seus dedos. Principalmente se ficasse fazendo desenhos imaginários nela com a outra mão, que era exatamente o que estava fazendo.

- Boa noite inu... – ela sussurrou para ele.

- Boa noite.

OoOoOoOoOoOoOoOo

Amanheceu mais uma fria manhã de inverno na pequena cidadezinha. Kagome e Inuyasha, porém, nem sentiam esse frio que rondava pelos arredores simplesmente por estarem dormindo abraçados debaixo da coberta quentinha. Mas algo despertou o hannyou, aquele cheiro familiar..

- O que pensa que está fazendo aqui hannyou? - o pai perguntou alto sem se importar se estaria acordando os dois.

- Pai...? – Kagome rapidamente se sentou na cama, soltando-se dos braços de Inuyasha. – O que... o que o senhor está fazendo no meu quarto?

- O que ele está fazendo no quarto? - perguntou apontando para Inuyasha.

- Nada... ele só está aqui comigo... DORMINDO, pai! Nada de mais! – Kagome levantou-se da cama, se recompondo. – Agora se o senhor me der licença preciso me arrumar para a faculdade...

- Você deixou ele entrar? - ele perguntou nervoso. Inuyasha era completamente ignorado e este dava graças a Deuss por isso. - Onde eu errei na hora de te educar Higurashi.

- Pai.. pelo amor de Deus... eu deixei sim, mas a gente não fez nada demais. – Kagome olhou fixamente para o pai. – Até parece que o senhor não me conhece. Eu nunca faria nada de errado...

- Você está que nem a sua avó: teimosa e desfrutável!

- Velho, meça as suas palavras.. - entre os dentes, ele cortou o pai. Foi a primeira fez que Inuyasha se pronunciou e aquele velho já estava lhe enchendo a paciência.

- Pai... como você pode falar isso da minha avó? E pior da SUA mãe? – Kagome não estava brava pelo pai tê-la chamado de desfrutável, e sim de ter citado sua avó. Ela era a última mulher no mundo a ser desfrutável. – O senhor sabe muito bem que todo mundo a julgava mal e que ela amava o vovô. Acho que se ela estivesse viva ainda, estaria muito triste pela atitude do filho dela. – Kagome se aproximou da porta. – Se o senhor me der licença... eu preciso ir a faculdade. – e apontou para a saída.

- Foi você que a deixou desse jeito, revoltada e rebelde! - ele acusou Inuyasha que já não acordava bem de manhã, estava se controlando para não bater no velho. - Você está PROÍBIDO de ver a Kagome, OUVIU BEM?

- O QUE? - ele berrou. - Feh! Você não manda em mim.

- Eu não vou deixar de ver o Inuyasha, só porque o senhor não gosta. – Kagome se meteu. – Será que o senhor não percebe que eu me sinto feliz perto dele? Será que o senhor não quer que eu seja feliz? – Kagome olhou triste para o pai.

- Bruxa, vai se arrumar, se não você vai se atrasar.. Eu já vou também! - cortou ele seco. Não ia arranjar confusão logo agora, ele ia acabar quebrando a cara do velho e a família toda acabaria por brigar. Pegou o casaco e passou reto pelos dois indo embora.

- Inuyasha... espera... – Kagome foi seguindo Inuyasha até as escadas. – Desculpa... Meu pai não sabe o que está dizendo... ele só... sabe é super protetor... ainda acha que eu sou a filhinha de 10 anos...

- Depois a gente conversa. - ele parou para olhá-la. Os olhos azuis tristes, e ele soriu para consolá-la. - Vai logo se arrumar bruxa! Vai se atrasar e vai acabar perdendo o terceiro dia de faculdade. - Inuyasha recomeçou a descer as escadas sentindo o olhar de Kagome sobre si até fechar a porta. Ele iria pegá-la na faculdade, já que, pelo visto, ele não ia pisar mais na casa da jovem.

Kagome deu um longo suspiro. Era só o que faltava. Foi para seu quarto. Seu pai ainda estava lá parado. Pegou suas coisas e nem olhou para o rosto dele. Começou a ouvir uns murmúrios do pai, mas seguiu em frente e bateu a porta do banheiro com força. Aquele dia não poderia ter começado pior.

Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda. Merda! Estava tudo ótimo, tudo perfeito! Já estava até vendo como seria o casamento, a lua de mel, a vida de casado.. Via como seria a vida de casado com Kagome, acordar e vê-la ali, abraçada com ele, dormindo. Qual seria a sensação de saber que ia passar o resto da vida com ela e NADA poderia tirá-la dele.

- Agora essa! Mas que merda! – chutou outra infeliz pedra no meio do caminho. Precisava falar com alguém sobre isso. Por isso, novamente, andava até a casinha azul. Miroku podia, ser depravado e idiota, mas ele era a única pessoa no mundo que o entendia tão perfeitamente quanto Kagome e que o agüentava quando estressado e quando brigava com Kagome.

- Arg! Maldição! – chutou outra pedra, ele só não sabia que era a mesma pedra que ele vinha chutando deste que atravessara a rua. Aquela pobre pedra.

OoOoOoOoOoOoO

Parecia que nem a música estava tranqüilizando Kagome.

- Kagome... – Kagura se aproximou dela, com um olhar firme. – O que está acontecendo com você hoje? Faltou 3 dias, sem motivo. Hoje, está completamente desconcentrada... – Kagura colocou a mão na cintura. – Kagome se você quer ser uma cantora você precisa de esfoçar mais.

Kagome, que estava estudando uma partitura com músicas, agora italianas, olhou para Kagura.

- Me desculpe Kagura, mas meus motivos para faltar foram importantes. E realmente não estou bem hoje, mas eu prometo que estou me esforçando. Eu apenas não... – ela abaixou a cabeça. – Eu quero muito ser uma cantora. É o meu maior sonho. Só que às vezes, a vida apresenta surpresas, tão boas, que mudam o curso dos nossos sonhos. – ela levantou a cabeça. – Você pode não acreditar que eu me esforço, mas a música é a coisa que faz minha vida ser diferente. Ela dá sentido.

Kagome se levantou e foi em direção a porta. Kagura a acompanhou com o olhar.

- Vou embora, Kagura... preciso refletir um pouco. Até amanhã. – e saiu com passos firmes, rumo ao jardim da faculdade.

"Ela não sabe o que acabou de me provar agora." Kagura pensou, apagando as luzes e a sala voltou a ficar na penumbra.

OoOoOoOoOoOoOoOo

- Parece que.. que.. - Inuyasha soltou o ar fortemente pela boca, cansado. - Tem sempre alguma coisa para atrapalhar... - estava sentado no chão, mas reencostado na cama de Miroku, que por sua vez, encontrava-se sentado na cadeira do computador olhando o hannyou a sua frente.

- Olha Inuyasha... – Miroku balançou a cabeça, dando um ligeiro sorriso. – Eu acho que tudo isso que acontece com vocês é por um lado, bom.

- Ah? - ele franziu o cenho, não sabendo onde o primo queria chegar.

- É... tudo o que vocês estão passando... Isso prova que vocês podem suportar tudo. – Miroku olhou para ele. – Vocês vão ficando mais fortes, entende?

- ... - Eles ficaram em silêncio por um tempo. Miroku com pena do hannyou a sua frente e Inuyasha pensando no que iria fazer. - Vou indo! - Inuyasha quebrou o silêncio após levantar-se. - Vou falar com Kagome! - apesar dele não ter dito obrigado com todas as letras, Miroku viu que o olhar lançado por ele era de gratidão e sorriu.

- Vai sim... – Miroku o acompanhou até a porta. – E lembre-se. Não se deixe levar por pedras no caminho. Elas são postas nele justamente para nós aprendermos com elas. – sorriu e entrou novamente na casa, deixando o hanyou de boca aberta. De onde o Miroku estava tirando aqueles conselhos?

- O que você tem lido Miroku? - ele parou na porta olhando questionador para o primo.

- Ahh... eu ando lendo... – ele deu um sorriso amarelo.

- Lendo? O que?

- Nada de importante.. – e foi fechando a porta na cara de Inuyasha que estreitou os olhos quando viu a revista que se encontrava jogada em cima do sofá na maior cara de pau.

- Keh! Você não muda! - sorriu desdenhoso logo depois batendo a porta.

OoOoOoOoOoOoOoOo

- Por hoje é só... Boa tarde a todos. – a professora de dança se despediu da turma. Todos os alunos saíram, menos Kagome. Ela ficou arrumando sua bolsa, distraída.

- Ótima aula hoje, Kagome. Mas... eu senti que você estava um pouco distante. Algum problema? – a professora perguntou.

- Não.. pra falar a verdade só uma briga com meu pai. Mas, vai passar. – ela deu um sorriso. – Quando vamos ter a competição de dança esse ano? – tentou mudar de assunto.

- Ah.. Ela foi adiada. Não vai ser mais semana que vem.. Uma das escolas teve problemas, então.. somente no próximo mês. Ah sim! Kagura te contou? - a professora perguntou sorrindo feliz pela notícia que iria dar.

- Me contou o quê? – Kagome ficou curiosa.

- Uma gravadora está te convidando a gravar um CD! Sabe, depois daquela música que você fez...

- Ai meu Deus... – Kagome abriu um sorriso enorme. – Não acredito. Sério?

- Sério! - ela abraçou uma Kagome que ainda parecia estar digerindo a informação. - Temos visitas! - ela disse para só Kagome ouvir, já que ela estava de costas para a porta.

- Ahh..? – Kagome não entendeu o que ela quis dizer. Até que ela se soltou do abraço e direcionou seu olhar para a porta. Os olhos dourados a fitavam com um sorriso.

- Oi bruxa..! - ele a comprimentou ainda encostado no batente da porta

A professora estranhou que o hanyou a chamou de bruxa, mas pelo jeito como ele tinha dito e o olhar dele, faziam com que aquela palavra soasse muito bem.

- Oi Inu... – ela se aproximou dele e o abraçou. – Tudo bem?

- Bom... acho melhor não atrapalhar vocês. – A professora pegou sua bolsa. – Até a próxima aula Kagome. Vamos ter que nos preparar muito para a competição. Até mais Inuyasha. Cuide da Kagome. Essa menina vale ouro. – e saiu.

Kagome sorriu para a professora.

- Conseguiu chegar há tempo? - perguntou depois de serem deixados sozinhos no salão com o espelho enooooooorme na parede.

- Não tão a tempo, mas participei da aula... isso é o importante. – ela deu um sorriso. – Fez muita coisa enquanto ficava livre de mim?

- Chutei pedras..

- Ahh..? – Kagome olhou para ele interrogativa. – Chutou pedras? Caramba... não tinha NADA melhor não? – ela riu.

- Bah! Eu fui pra casa, ajeitei umas coisas e voltei a assumir a empresa, metade pelo menos.. - Inuyasha deu de ombros. - Não haveriam pedras o suficiente para eu ficar chutando o dia inteiro.

- Hum... – Kagome se aproximou do rosto dele e lhe deu um beijo na bochecha. – Estava com saudades. – ela murmurou.

- O que a gente faz agora? - perguntou. Ela sabia do que se tratava.

- Meu pai sempre foi assim. Principalmente depois de tudo o que aconteceu comigo... – ela abaixou a cabeça. – Mas, ele sabe que um dia eu teria que crescer. Ele só não está preparado. Temos que dar um tempo para ele se acostumar com a idéia. Só isso.

- O que sugere então? Eu não consigo mais dormir sem sentir o seu cheiro! - sorriu encarando os olhos azuis escuros.

- Que você compre muitas cerejas... – ela riu.

- Engraçadinha! - Inuyasha emburrou a cara.

- Ahh.. meu Deus. Que fofo emburrado! – ela sorriu. – Eu prometo que todos os dias vou dormir com você, viu?

- SE o senhor seu pai deixar! - ele continuou emburrado, ignorando o comentário dela.

- Ele VAI deixar... Por que EU que vou para sua casa. O senhor poderia me receber nela? – ela brincou.

- Não sei..

- Não sabe? – ela olhou para ele, fechando um pouco os olhos. – Por que?

- Eu tenho minhas amiguinhas! - Inuyasha sorriu brincalhão, queria só ver a cara dela.

- Que amiguinhas? – ela fez um tom irritado. – Que amiguinhas senhor Inuyasha?

- Tô brincando! - ele concertou a frase, beijou a testa de Kagome ainda meio que rindo. – Juro para você que eu estou brincando.

- Aham... – ela ainda estava com uma cara séria. – Olha que eu pego a vassoura do meu pai, hein? – ela riu.

- Cara, eu jurava que ia cair dali. Ele quase que me pegou! - Inuyasha comentou realmente assustado lembrando do fio que seu pé tirou da vassoura. Ainda bem que o velhote não enxergava direito e confundiu com o "gato".

- Isso é para você aprender a não brincar com um Higurashi... – ela riu. – Acho melhor a gente ir embora daqui. – e se soltou de Inuyasha.

- Vamos almoçar! - os olhos dourados brilharam. Ele já sentia o gosto de um ramém quentinho com queijo.

OoOoOoOoOoOoOoOo

Já era noite quando eles se sentaram para ver TV. Kagome tinha ligado para os pais avisando que dormiria na casa de Inuyasha, claro, ficou um bom tempo ouvindo o sermão do pai, mas nem prestou atenção, Inuyasha não deixava.

Falando em Inuyasha, ele estava sentado confortavelmente no sofá da ampla sala da casa já perfeitamente organizada. Trocava freqüentemente os canais da TV, resmungando por não ter nada passando. E Kagome, com a cabeça em seu colo, só ria dos resmungos dele.

- Sabe... – Kagome ficou olhando para o rosto dele. – Eu adoro quando você fica resmungando por nada. É só a TV... vamos fazer outra coisa. - Inuyasha franziu o cenho e ela prosseguiu animada. Com certeza tinha alguma coisa em mente. - Brigadeiro... – ela sorriu levantando sua cabeça do colo dele e correu para cozinha.

Ele continuou sentado no sofá, vendo ela na cozinha abrindo os armários, começando a preparar as coisas. Sorriu. Os gestos dela eram todos delicados, fazia caras e bocas em quanto preparava as coisas, ela ficava linda tão simples. Simplesmente linda.

- Sabe cozinhar bruxa?

- Bom... não sou uma cozinheira nata, mas sei me virar. – Kagome jogou todos os ingredientes na panela, ligou o fogo e começou a mexer.

O dono dos olhos dourados levantou-se do sofá preguiçosamente e foi até onde sua amada estava, a abraçando por trás e apoiando o queixo em seu ombro. Cheirou o ar. O aroma do brigadeiro já estava começando a impregnar a cozinha.

- Isso deve estar bom..

- Eu espero que sim. – Kagome sorriu. – Eu amo brigadeiros. Por isso sou gorda assim, viu? Não deixe uma lata de leite condensado dando sopa. Ela vira brigadeiro em dois tempos perto de mim.

- Minha gordinha preferida..!

- Que bom que sou sua preferida... Não é fácil manter esse peso de gordinha não. Tenho que comer MUITO brigadeiro. – ela desligou o fogo e retirou a panela de cima do fogão com um Inuyasha ainda grudado nela. Ela ria, porque ela ia meio que tropeçando toda vez que andava.

- Quando a gente vai poder comer?

- Espera esfriar só um pouco, se não vai dar dor de barriga. – Kagome largou a colher na panela e virou-se para encarar Inuyasha.

- Ok.. - encostou a sua testa na dela.

Kagome fechou os olhos e aproximou os lábios de Inuyasha, dando um selinho nele.

- Tá faltando alguma coisa.. - Inuyasha lambeu os lábios como se tivesse acabado experimentar alguma comida. Kagome riu.

- Que coisa? – ela perguntou.

- Brigadeiro!

- Ah..? Ahh... o brigadeiro... – Kagome virou-se e pegou a panela. Deu uma colher a Inuyasha e pegou uma para si própria. – Agora temos o brigadeiro... – ela saiu correndo para a sala e sentou-se no sofá.

- Você parece uma criançinha..!

- Eu sei... brigadeiro faz isso comigo... – ela comeu uma colherada. – Existe outra coisa melhor?

- Estou prestes a descobrir.. - Inuyasha começou a comer a sua, o que era um milagre, já que ele era sempre o que comia mais.

- Descobrir o quê? – ela ficou curiosa.

- Observe.. - ele disse fazendo um gesto com o dedo indicador. Logo depois, pegou um pouco mais de brigadeiro, chegou mais perto de Kagome. Quando estava de frente para ela, passou o chocolate por cima dos lábios finos e os beijou levemente, para depois voltar, encarando-a. - Melhor que brigadeiro!

Ela riu.

- É... realmente. Brigadeiro perdeu para essa... – Kagome fez a mesma coisa em Inuyasha, dando um beijo nele com brigadeiro. – Acho que você me provou que brigadeiro agora é a segunda melhor coisa.

- Você roubou minha invenção! - fez como se estivesse indignado.

- Tudo bem... não faço mais. – e cruzou os braços.

- Acho bom.. - novamente, ele fez a mesma coisa e rapidamente ela desemburrou a cara. - Nova maneira de comer brigadeiro!

- É... você é bem espertinho. – ela pegou mais uma colherada e comeu.

- Eu sei! Eu sou perfeito! - é.. Começou a gabação. - É difícil ser tão perfeito como eu...

- Eu sei que você é perfeito e blá-blá-blá... – Kagome deixou a panela de brigadeiro de lado, já quase no fim. O resto ela deixou para Inuyasha. – Não vai mais comer o brigadeiro?

- Eu pensei que você fosse querer mais!

- Não.. pode comer. – ela sorriu. – Já estou gorda demais...

- Não, isso faz parte da sua dieta para ser a minha gordinha preferida lembra? - ele sorriu.

- Eu sei... mas amanhã eu continuo com a minha dieta... – ela deu um sorriso triste. – Não vai comer mais brigadeiro não? Já sei... você não gostou...

- Eu gostei sim! - retrucou convincente, mas não na opinião de Kagome.

- Não gostou não... – ela olhou para ela. – Você está contando mentira... eu sei. Aposto que por isso que você parou de comer...

- Kagome, eu não sou chegado a chocolate.. - ele disse meio sem-graça. - É muito doce!

- Hum... você é a pessoa mais gulosa que eu conheço, e não é muito chegado a doce? Isso é engraçado... – ela pegou a panela, deixou de lado. Passou os braços pelo pescoço de Inuyasha. – Bom, qualquer dia desses vou fazer outra coisa para você comer. Salgada, de preferência.

- Eu gosto de doce, não gosto de chocolate! É muito doce. - ele deu bastante ênfase no muito.

- Ok... nada de chocolate... – ela disse pensativa.

- Torta de limão é bom.. - Inuyasha deu a dica. Sempre comia torta de limão, era a melhor de todas as tortas, azeda e doce ao mesmo tempo. E aquele recheio de leite condensado com o azedinho do limão.. babava só de lembrar.

- Eu sei disso... lembra aquele dia que você lambuzou minha cara toda? – ela riu. – Torta de limão!

- Claro que eu lembro..! - ele riu junto com Kagome. - Foi a segunda vez que eu tive vontade de te beijar. - comentou. - Kagome de torta de limão!

- Sério? – Kagome ficou curiosa. – Qual foi a primeira?

- Foi quando caiu aquela tempestade. Não lembro bem o porquê de eu ter ido dormir na mesma cama que você, mas nós dormimos abraçados e eu lembro, de no meio da noite, ter acordado, como de costume mesmo, e ver você dormindo. – Inuyasha sorriu. – Parecia um anjo. Você estava encolhida por causa dos trovões e eu acabava te abraçando mais forte. – ele parou um pouco observando Kagome sorrir. – Eu esbarrei meu nariz no seu, só para ver como era...

- Sério? – ela deu um sorriso sincero. – E você esbarrou no meu nariz e...? Você teve vontade de me dar um beijo?

- Eu esbarrei no seu nariz sem querer porque eu realmente pretendia beijá-la. - respondeu com um sorriso divertido. Ele ia fazer isso mesmo, mas parou para pensar; o que não acontecia muito, e acabou por esbarrar o seu nariz no dela.

- Depois quando eu digo que você é doido você acha que é mentira... a gente tinha se conhecido à dois dias. – ela riu. – E você já estava com vontade de me dar um beijo.

Inuyasha deu de ombros.

- Em dois dias eu já tinha feito muito mais..

Ela olhou para ele surpresa e ao mesmo tempo curiosa.

- O que mais que você teria feito? Se é que eu posso saber...

- Você sabe que quem te trouxe não foi a cegonha não é? - ele imitou a voz do pai da garota.

- Ai meu Deus...! – Kagome abriu levemente a boca, mas rindo ao mesmo tempo. – Seu tarado! Depois, quando eu falo que você é um tarado, você ainda fica com raiva!

- Eu não sou tarado... - ele olhou para cima dramáticamente. - Eu sou irresistível!

- Eu não acho... – Kagome disse. – Você é um tarado. Isso sim é uma verdade. Com dois dias que você me viu, nem me conhecia direito já queria... – ela começou a fazer gestos com as mãos, um pouco confusa.

- O que? Eu não disse isso! - o hannyou defendeu-se indignado. - Eu falei que foi a PRIMEIRA fez que tive vontade de te BEIJAR.

- Aham.. você DISSE isso. O que foi aquela dramatização do meu pai? Hein? – ela perguntou para ele, vendo a cara de falsa indignação no rosto de Inuyasha.

- Veja bem: Você perguntou, eu respondi. Você que imaginou o resto.

- Agora é minha culpa? – ela apontou para si mesma. – Tá bom então... Eu tenho uma mente poluída. Acho melhor não dizer mais nada...

- Você que quer e imaginou que EU que disse!

- Ok... então fui eu. – ela jogou as mãos para cima, em sinal de desistência. – Então, me diz você. O que você quis dizer com aquilo?

- Eu quis dizer que te amo o suficiente para não depender somente de uma relação carnal! - concluiu. Kagome podia falar que ele era tudo, mas ela não ficava mais corada quando tocam em assuntos assim e antes, ela quase tinha um treco.

Ela deu um sorriso sincero.

- É por isso que eu amo você. – ela não sabia mais o que dizer. Só aquela frase a fazia se sentir completa. O que ele tinha dito tinha pegado ela de surpresa. Ela o abraçou forte. – Então nada de relação carnal no nosso noivado, ok? – ela riu baixinho.

- Oi?

- Ué? Você acabou de dizer isso... – ela queria ver a reação dele. – Ou eu estou errada? - ele abriu e fechou a boca. Sim, ele havia acabado de falar isso. Resolveu mudar de assunto.

- Você vai aceitar?

- Aceitar o quê? – Kagome levantou seu rosto e o olhou. Sabia que ele estava querendo mudar de assunto. Ele era mestre nisso.

- A proposta da gravadora.

- Eu sabia que você ia mudar de assunto... – ela riu. – O que eu disse antes era brincadeira, ok? – ela se ajeitou no sofá. – Bom... sobre a gravadora. Eu não sabia de nada.

- O que? E-eu não mudo de assunto! - ele disse verdadeiramente incrédulo, mesmo sabendo que mudava de assunto. - O assunto já tinha terminado! - Inuyasha cruzou os braços em frente ao peito, o que resultou em risadas da parte de Kagome e um "Feh" da parte de Inuyasha.

- Aham... e eu sou a cleópatra. – ela riu mais ainda da cara de Inuyasha. – Eu já conheço você o bastante para ver que você mudou repentinamente de assunto.

- Eu NÃO mudei de assunto! O que você queria que eu falasse?

- Você mudou SIM! – ela riu mais ainda.

- Keh! Onde você quer chegar? - um sorriso travesso passou pelos lábios de Inuyasha. - Se você quer tanto que eu durma com você, fala!

- Eu não quero chegar a lugar algum... – ela levantou as mãos. – E... você já dorme comigo. - o meio-youkai riu do que ela disse.

- Tá bom então... - e voltou a prestar atenção na Tv que falava sozinha, o que já era normal.

Kagome soltou um suspiro. Não tinha mais assunto. A conversa estava até engraçada. Nunca passou pela cabeça dela discutir aquilo com Inuyasha. Ela reposou sua cabeça no colo dele, sem pedir permissão. Fechou os olhos sentindo ele começar a mexer no seu cabelo.

- Ká.. - chamou-a e ela respondeu com um resmungo para dizer que estava ouvindo. - Temos que resolver as coisas com seu pai.

- Eu sei... ele é muito teimoso. – ela disse baixinho. – Mas, ele gosta de você. Ele só não quer perder a filhinha dele. Só isso. Ele quer me proteger. – soltou um suspiro.

- Pra mim parecia mais que o velhote ia me empurrar escadaria a baixo, amordaçado e amarrado.

- É o jeito dele... Ele sempre foi assim. Todo esquentado. - ela riu. - Acho que ele queria que eu entrasse em um convento ou algo do gênero.

- Você devia ser "a esquisita" na escola né?

- Como assim, "a esquisita"? – ela abriu os olhos. – Por que?

- Ahm... Esquece. Deixa para lá!

- Ahh... não.. – ela levantou de seu colo e olhou nos olhos dourados. - Agora você vai ter que me falar... Eu sou tão esquisita assim?

- Não! - ele logo se corrigiu, já pondo as mãos na frente do corpo para se proteger caso ela batesse. - É que.. Ahm.. Como dizer isso... - ele estava pensando em como dizer, mas Kagome achou que ele estava enrolando.

- Senhor Inuyasha... não me enrole.. Fala logo! – ela começou a ficar irritada.

- E-eu to pensando bruxa! Calma! - pensa. Pensa. Pensa!

- Como assim, você tá pensando? – ela olhou torto para ele. – Você acabou de me dizer que eu sou esquisita, então já tinha uma idéia de porque na sua cabeça.

- Er... Eu tenho, só não sei como falar!

- Caramba.. meu noivo me acha esquisita. – ela balançou a cabeça. – E o pior é que nem sabe como explicar... olha onde eu amarrei meu burro.

- Eu não te acho esquisita! Eu deduzi que você era esquisita, mas quando na escola! Porque seu pai não deixava você ter muitos amigos e você nunca tinha ido num parque de diversões! - desembuchou rápido.

- Ahh... – ela riu um pouco da conclusão dele. – É... eu poderia aparenter ser esquisita, mas eu achava normal. Meu pai sempre foi assim e eu não sentia falta dessas coisas.

- Você não está brava? - ele arriscou manso. Ele tinha chamado ela de esquisita.

- Não... não mesmo. Eu sou esquisita. Moro em um templo, com pais naturalistas que não podem ver nada tecnológico. Faço faculdade de música e danço. Namoro um astro da TV. Acho que eu tinha mesmo que ser esquisita.

- Namoro não, você está NOIVA de um astro da TV. - ele corrigiu logo.

- Ok.. estou NOIVA de um astro da TV. Melhorou?

- Aham... - do nada, Inuyasha desviou a atenção dos olhos azuis para a TV, franzindo levemente o cenho.

- Que foi? – Kagome se distanciou um pouco dele. Inuyasha abriu levemente a boca, mas logo voltou a fechá-la e sem tirar os olhos da TV respoondeu:

- É uma reportagem sobre você!

- O QUE? – Kagome virou-se rapidamente para a TV e viu seu rosto nela. O que estava acontecendo?

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Oláa pessoal! Como vão vocês? Eu tomei um susto ENORME ontem quando vi que a última vez que a gente tinha postado foi em 2008! Que vergonha! Eu e Aline sentimos muitíssimo por isso ter chegado a esse ponto MAS..! Como sabemos que a tendência daqui para frente é só piorar e ficarmos cada vez mais atribuladas (ainda mais que Aline começou o estágio dela hoje! Parabéns para ela!), resolvemos então postar todos os caps de uma vez só! Afinal, a fic tá pronta..

Então é isso! Responderemos as reviews no último capítulo! Espero que aqueles que acompanham a fic não tenham desistido dela..

Beiijos, Kaori!