Capítulo 19

Kagome abriu levemente os olhos. Nem precisava se preocupar. Ela já estava atrasada. Olhou para o lado. Inuyasha ainda estava ali. Ela tentou tirar o braço dele em volta de sua cintura, mas foi inútil. Ele era muito forte, e parecia estar se esforçando para ficar ainda mais.

- Inu... – ela sussurrou. – Eu preciso acordar. - Ele fingiu continuar dormindo.

- Eu sei que você está acordado... eu preciso levantar. – ela tentou colocar o braço dele do outro lado, mas ele ainda pressionava sua cintura. Suspirou longamente. – Você quer que eu seja expulsa da faculdade, não é? – riu.

- Não, eu quero que você fique aqui.. - continuou de olhos fechados.

- Isso significa "Kagome fora da faculdade". – abriu um sorriso. – Eu também queria muito ficar aqui. Só que se eu fizer isso, a Kagura me mata e eu aposto que ela daria graças à Deus. Ela já não vai com a minha cara.

- Diz que você tá doente...

- Ahmm... – ela virou o rosto piscando os olhos. – A Kagura vai me matar na segunda... – abriu um sorriso.

- Não, não vai porque você estava doente na sexta. - murmurou.

- Ok, ok... Doutor Inuyasha. – ela então se aproximou mais do abraço dele.

OoOoOoOoOoOoO

Kagome acordou pela segunda vez no dia. Mas dessa vez, era bem mais tarde. Eram exatamente 10:01 da manhã e as cortinas fechadas mal deixavam o Sol forte entrar pelo quarto.

- Aii... – ela se mexeu na cama, colocando a mão na cabeça. Inuyasha, provavelmente estaria na cozinha comendo alguma coisa. Ela se espriguiçou, mas logo se virou para o outro lado, franzindo o nariz. Estava com uma leve dor de cabeça e cansada. O que era estranho já que ela tinha acordado tarde.

Alguém estava conversando com Inuyasha. Estava com preguiça para trocar de roupa e ver quem era, então ficou simplesmente rolando na cama até a pessoa ir embora.

Depois que ouviu a porta bater lá embaixo, Kagome sentou-se na cama ajeiatando os cabelos. Foi até o banheiro, lavou o rosto e escovou os dentes finalmente descendo até a cozinha. Inuyasha estava comendo em pé, perto da pia, um pão com mortadela olhando para a parede.

- Bom dia! - seus olhos ainda estavam semi-fechados. Ela andou até ele e perguntou. - Alguém esteve aqui hoje? - ele só apontou para um ponto na sala. Kagome sorriu. Tinha chegado!

O piano de meia calda preto ocupava o meio da sala. Kagome se aproximou dele e passou sua mão levemente por toda a sua extensão.

- Ele desafinou.. - ele disse, deu mais uma mordida no seu pão antes de continuar. - Desafinou durante a viagem. Um cara vem aqui de tarde para afiná-lo.

Mas parece que Kagome nem ouviu. Ela só ficou admirando o piano, como se fosse um brinquedo. Seus olhos brilhavam, quase ofuscando todo o seu redor.

- Sua mãe ligou para cá.

Rapidamente Kagome acordou do transe.

- Ahh? – ela correu de volta para a cozinha. – Como que ela ligou para cá?

- Celular! - ele deu de ombros. - Ela disse que você está . - deu bastante ênfase a palavra frita, assim como a mãe da garota tinha dado.

Kagome deu um suspiro pesado. Aquele dia prometia. E, viriam mais suspiros para compensar. Ela sentou-se em uma cadeira. Seus ombros caíram e ela rapidamente deu um espirro.

- Kagome, não precisa se fingir de resfriada na minha frente, só na frente da Kagura.

- Eu não estou fingindo, eu só comecei a... – outro espirro. – espirrar.

O ser de cabelos prateados franziu o cenho. Aproximou-se de Kagome se ajoelhando a sua frente. Beijou a testa da morena e disse:

- Você está quente..

- Hum... – ela encostou sua cabeça no ombro dele, tombando seu corpo para frente. – Acho que vou fechar os olhos...

- Deve ter sido o sereno que você pegou ontem! Se você tivesse ficado em casa não teria ficado resfriada! - levantou carregando Kagome no colo como se ela fosse uma criancinha.

- Atchim! – Kagome não conseguia responder. Apenas espirrava. Sabia que Inuyasha estava certo. Mas, a teimosia foi maior. Ele empurrou a porta com o pé, dando passagem para passar com Kagome em seu colo. A depositou na cama com cuidado.

- Atchim! – ela colocou a mão na frente da boca, então abriu os olhos devagar, fechando-os logoem seguida. Ailuminação, apesar de não estar forte incomodava muito seus olhos. Repentinamente, ela começou a sentir frio, mas por sorte, Inuyasha já havia a coberto com o cobertor.

- Já volto.. - ele saiu do quarto para preparar logo uma daquelas coisinhas de vitamina C.

Kagome se enrolou ainda mais no edredon. Ela era a pessoa mais sortuda, para não dizer o contrário. Pelo menos ela não teria que voltar para casa e levar esporro. E o melhor. Faltou a faculdade por estar doente MESMO. Não deixou de rir, apesar de seu espirro vir logo em seguida, fazendo com que sua cabeça doesse mais.

- Ká...? - chamou baixinho por ela estendo um copo com um líquido meio laranja que borbulhava. - Toma isso aqui..

- Humm... é ruim? – ela franziu o nariz. Que ver que era de laranja?

- Depende de como você define ruim..

- Laranja... – disse, logo depois dando um espirro.

- Saúde. Não.

- Ahh.. menos mal. – ela esticou a mão e pegou o copo. Cheirou a substância, logo depois fazendo uma careta. Segurou o nariz e virou o copo de uma vez só. – Blerg! Que negócio ruim! Ahh... – ela começou a agitar as mãos. – Quero água!

- Perai. - ele disse. Kagome murmurou enfianado a cara no travesseiro. A pouca luz que entrava no local estava fazendo seus olhos arderem. A dor de cabeça aumentando...

- Ai que dor de cabeça insurpotável... – ela ficou se movimentando incansavelmente, tentando achar uma posição confortável, em vão. – Quero um abraço... – murmurou.

- Kagome.. - Inuyasha sussurrou de tão baixo que falava. Estendeu o copo com a água para ela e a ajudou a se sentar na cama. Ela bebeu devagar e com os olhos fechados.

Depois que acabou, Kagome esticou o braço dando o copo novamente para Inuyasha.

- Me dá um abraço? – ela sussurrou.

- É só um resfriado! - continuou sussurrando. Abraçou a menina, como ela tinha pedido, assim que sentou na cama. Depositou um beijo no topo de sua cabeça. - Você precisa descansar..

- Odeio ficar assim... A gente fica na cama o dia todo, nada para fazer, com fome. E além de tudo, é horrível ficar... – ela colocou a mão na frente da boca, aparando um espirro. - ...espirrando.

- Você está passando mal? - sussurrava. Das poucas vezes que pegara alguma doença ou resfriado, ele sempre passava mal.

- Estou sentindo meu corpo todo mole, meus olhos estão querendo fechar e está frio... – ela o abraçou mais forte. – Se isso for passar mal, pode ter certeza que estou e muito. – ela riu.

- Então feche os olhos e vá dormir. - ele fez que ia levantar. - Vou pegar outra coberta para você.

- Ahh.. não! – Inuyasha soltou-se um pouco dela e ela deixou, mesmo sendo contra sua vontade. – Tudo bem... mas eu vou sentir frio. – e ela se deitou, cobrindo-se até o pescoço. Ela viu ele se aproximar dela com uma coberta grossa e ajeitando-a em cima de si. A coberta realmente era quentinha, mas não tanto quanto Inuyasha. Sentiu ele beijar sua testa de novo.

- Você só está febril, não posso te dar o remédio ainda.. - sentou ao lado do corpo deitado de Kagome.

- Ahh... Eu quero sair daqui dessa cama... – ela sussurrou. Nem falar ela conseguia direito. Não era um simples resfriado, e ela já sabia disso. – Não dou nem cinco minutos para minha mãe ligar para cá... – ela piscou os olhos um pouco e tossiu. – Era só o que faltava mesmo... – e tossiu de novo.

- O que eu posso fazer por você pequena? - ajeitou alguns fios do cabelo dela que estavam em seu rosto.

- Só ficar aqui perto de mim e cuidando de mim está ótimo... – ela piscou um pouco os olhos para ele. – Mas, não fica muito perto de mim, se não você pode pegar essa gripe... – espirro. - ...também.

- Eu não pego 'gripe'.. - disse debochado, mas sempre preocupado em falar baixo.

- Tudo bem, fortão contra gripes... – riu. – Então, já que você é o escudo ambulante de gripes, deita aqui perto de mim...? – ela o olhou com olhos pidões.

- É sério..! Em compensação, eu já tive pneumonia, malária, febre amarela... - ajeitou-se ao lado dela. Podia sentir que ela estava com frio, já que às vezes, ela tremia.

Ela riu com o comentário dele.

- Meu Deus... como você está vivo? – o hannyou deu de ombros.

- Não sei.. Mas agora, vai dormir bruxa!

- Tudo bem... – ela fechou os olhos calmamente e se ajeitou melhor na cama. Ainda tremia. Ficou toda encolhida, tentando se manter aquecida.

- Ainda está com frio? - apertou-a um pouco mais, ela estava mais quente agora. Aquilo não estava com cara de ser só uma gripe.

- Agora nem tanto... – a voz dela estava falhando. Provavelmente iria ficar rouca. – Ahh.. não. – ela reclamou. – Eu não posso ficar rouca... não posso. – e bateu o braço na cama.

- Shh..! Você não para de falar! Não vai dormir nunca assim.

- Tá bom... – fechou os olhos. Mas parecia que mesmo doente, o sono não vinha. Apesar do cansaço, ele ainda permanecia intacto. Ficou um tempo assim, até cochilar e nem perceber.

Inuyasha ficou um tempo deitado ali até ter certeza absoluta que ela teria adormecido e não daria falta dele ali. Levantou-se com cuidado para não acordá-la logo em seguida indo até a cozinha. Estava difícil tentar ajudá-la. Não podia dar remédio para que a febre abaixasse porque ela não estava com febre, estava somente febril. Fora o fato de não saber o que fazer quando uma pessoa fica doente. Ele quase não ficava! Resolveu fazer uma coisa que lembrava muito vagamente de sua mãe fazendo consigo: o pano.

Pegou uma vasilha, enchendo-a com água para esquentar, mas só a ponto de deixar a água em uma temperatura ambiente. Pegou um pano e voltou ao quarto. Kagome estava exatamente na mesma posição em que ele havia visto da última vez. Sentou na cama molhando o pano com a água, espremendo-o. Ajeitou-o em cima da testa da morena; ela já estava começando a suar, aquilo era bom. Era?

OoOoOoOoOoOoO

Suspirou relativamente cansado. Estava entardecendo e Kagome dizia que não queria comer nada, mal comera no almoço e não tinha tomado café. A febre dela aumentara e agora diminuía aos poucos. Tinha que lembrar de dar aqueles compridos às 19:00.

Olhou a púbere deitada na cama, alguns fios grudavam na testa dela por causa do suor e ela estava vermelha, com a aparência cansada. Tinha que dar um banho nela.

- Kagome, acho que vou te dar banho. – ele disse baixo.

Kagome, ainda meio sonolenta pela febre, olhou para ele com os olhos semi-cerrados.

- Você? Me dar banho? – ela estava doente, mas não inconsciente.

- É.. Você está toda suada, fora que vai fazer com que a febre abaixe um pouco.. E você precisa comer mais! Mal comeu nada!

- Eu vou tomar banho... – ela levantou a mão embaixo do edredom, para se descobrir. Ao fazer isso, sentiu um leve tremor, mas não ligou. Sentou-se na cama, um pouco tonta.

- Acha que consegue tomar banho sozinha? - perguntou preocupado. Ela mal ficava em pé.

- Eu PRECISO tomar banho sozinha... – levantou-se, mas rapidamente caiu sentada na cama de novo. Ele bufou com a teimosia dela.

- Vem.. - ele ajudou-a a se levantar. - Depois a gente vê essa coisa do banho, vem comer alguma coisa.

- Ahh... eu não consigo descer aquelas escadas. – ela voltou a se deitar na cama. – Você não pode trazer para mim, não? – ela deu um sorriso pequeno.

- Posso, já volto.. - ele saiu, mas antes, beijou o topo da cabeça dela. Não demorou muito para ele voltar com dois copos, um de suco que Kagome já sabia que era de laranja, e outra de água. Uns biscoitos de água e sal(tipo creme craker? Não sei nem se é assim que se escreve xD) e um sanduíche. Tudo em uma bandeija. - É bom você comer..! - alertou ele.

- Não podia ser de manga? – ela fez uma careta ao ver o copo com o suco de laranja. Podia tomar até suco de tomate (tudo bem... eu exagerei... xD), menos laranja.

- Laranja tem mais efeito que de manga. - disse. Ela se sentou apoiando-se nos braços e Inuyasha encaixou um travesseiro atrás dela para ficar mais confortável. Botou a bandeja em cima das pernas cobertas dela e sentou. Vendo.. Ahm.. Beliscar.

- Hum... o sanduíche está muito bom... – sorriu levemente, dando mais uma mordida no sanduíche. Para acompanhar, bebia ÁGUA. Achou melhor deixar o suco de laranja por último. Tomaria. Com o nariz tampado. E dava graças a Deus que não estava sentindo gosto de praticamente nada.

- Pão e requeijão. - para ele, aquilo não era um sanduíche.

- Ahh... ta com gosto de... queijo. Se bem, que eu não estou sentindo gosto de nada mesmo. Se você dissesse que tinha uma pizza aqui dentro, eu não saberia. – ela deu a última mordida no sanduíche e afastou a bandeja do seu colo, com um sorriso amarelo.

- Ah não Kagome..! Você comeu muito pouco! Não tomou café, praticamente não almoçou! – ele empurrou a bandeja de volta.

- Mas eu comi o sanduíche, bebi água... e... comi o sanduíche! – deu um sorriso amarelo.

- Bebe pelo menos o suco!

- Ahh... você não vai me deixar escapar, não é mesmo? – Inuyasha fez que não com a cabeça. – Ahh... está bem. – Kagome pegou o copo de suco. Tapou o nariz com os dedos e virou o copo. Tomou um grande gole, deixando o suco pela metade.

O som da campainha ecoou pela casa

- Vou ver quem é! - disse. Kagome continuou sentada. Ela sabia muito bem que não tinha comido quase nada. Mas não estava com fome e não sentia o gosto da comida, qual era a graça de comer. Deu de ombros. Talvez, se ela tentasse comer um biscoito né?

Deu uma mordida e quando ia engolir, sentiu-se enjoada. Engoliu tudo de uma vez só e afastou-se da bandeja. Respirou fundo para não vomitar ali mesmo e logo a porta se abriu. E para sua surpresa...

- Querida! Não sabia que estava doente! - a voz de sua mãe a despertou.

- Mãe...! – Kagome deu um grande sorriso. Nada melhor do que a mãe quando estamos doentes não é? Bom... A mãe de Kagome se aproximou da filha e lhe deu um forte abraço.

- Menina! Que susto você nos deu! Quando eu acordei de manhã e não te vi na cama! - a mãe mudou para um tom de bronca. - Seu pai teve um treco, principalmente quando eu disse que você devia estar aqui! Ele está uma fera com você. Mas está lá embaixo 'conversando' com o Inuyasha. Falando nele.. Ele me pediu para te dar banho.. - começou a analisá-la melhor. - Você já está tão magrinha.. - ela passou a mão pelo rosto da filha e depois de uns tapinhas muito leves. - Vem, vou te ajudar a se banhar.

Kagome se levantou da cama, com a ajuda de sua mãe. Ambas seguiram até o banheiro. Parecia que a mãe de Kagome tinha trago uma bolsa com roupas limpas, além de tudo que Kagome precisava. Tomaria um banho morno e aquelas dores no corpo iriam parar... e ela poderia se deitar de novo... e então ficaria ali, com Inuyasha cuidando de... Ei! A mãe dela disse que seu pai estava CONVERSANDO com Inuyasha?

OoOoOoOoOoOoO

Inuyasha nem prestava atenção direito no que o velho falava. Para falar a verdade, mostrava claramente que ele não estava prestando atenção.

- O que a Kagome fez não tem explicação, embora a mãe dela tenha me convencido desse... – ela demorou um pouco para terminar. -... casamento. E, ela estar doente prova ainda mais que ela estava errada.

- Eu não mandei ela sair de lá. - o hannyou cruzou os braços. - Ela veio porque quis!

- Eu sei disso. Mas com certeza a sua influen... – parou novamente. A sua mulher já tinha conversado com ele e ele já havia concordado. Não queria brigar de novo. – Bom... esquecendo toda essa loucura da Kagome, eu queria dizer que... – ele limpou a garganta. -... eu concordo com o casamento. Apesar de achar MUITO cedo minha ÚNICA filha se casar com APENAS 21 anos! – ele respirou fundo. – Eu sei que você a fará feliz. – olhou com sinceridade nos olhos do hanyou. – É só ver o que você faz para ela. Quando ela te vê... os olhos mudam. Brilham mais do que podiam brilhar. E felicidade e o mínimo que eu desejo para minha pequena Kagome.

Inuyasha franziu o cenho para logo depois arquear as sobrancelhas.

- O que? Dá... Dá para repetir?

- Será que além de velho, você é sur.. – ele deu um longo e lento suspiro. – Eu disse que apoio o casamento de vocês. - viu perfeitamente que Inuyasha olhou o relógio e no MÍNIMO não devia nem ter escutado o que ele disse. Hannyou irritante.

- Droga! Passou da hora! - disse emburrado. Kagome tinha que ter tomado o remédio fazia 15 minutos. Foi até a pia enchendo um copo com água e pegando aqueles malditos comprimidos que pareciam não fazer efeito nunca.

O pai de Kagome o seguiu até a cozinha e viu o que ele estava fazendo. Realmente, sua esposa estava certa. Apesar de parecer errado, não havia homem melhor para cuidar de sua filha. Tirando ele, é claro. Deu um pequeno sorriso. Kagome estava em boas mãos.

OoOoOoOoOoOoO

Sentiu a roupa limpa tocar seu corpo. Aquilo era um alívio. Mesmo estando doente, ela nunca recusaria um bom banho. Deitou-se novamente na cama, enquanto sua mãe estava no banheiro dobrando suas roupas. Ouviu a porta sendo aberta. Inuyasha parecia apressado e preocupado.

- O seu pai ficou tagarelando e eu perdi a hora! - o dito apareceu na hora e reparou na bandeja em cima da cama. Inuyasha estendeu o remédio para ela.

Kagome pegou o copo e tomou tudo com uma grande rapidez. Tomar remédio não era o seu forte. Entregou o copo para Inuyasha, o dando um beijo no rosto,em agradecimento. Atéque viu a silhueta de seu pai na porta.

- Oi... pai... – ela se lembrou da fulga. Ouviria poucas e boas. Mas, será que ele não poderia esperar para dar sermão quando ela estivesse melhor?

- Como está? - se resumiu a perguntar somente isso, engolindo todo o seu discurso. Ele já tinha sido muito chato com ela.

- Eu estou... indo. Um pouco melhor. Inuyasha está cuidando de mim. – ela deu um sorriso fraco. Pelo menos ele não tinha tocado no assunto.

- Você se importa de nos dar licença? - perguntou ao rapaz que resmungou qualquer coisa, saindo do quarto com a bandejaem mãos. Elanão comeu os biscoitos. - Eu e sua mãe conversamos...

- Ela me disse... – Kagome olhou para o pai. – O senhor concordou com o casamento. E eu agradeço muito pai... – ela aproximou as mãos dela e segurou as do pai. – Eu amo muito o Inuyasha.

- Mesmo eu não concordando com certos pontos e principalmente pontos da personalidade dele.

- Ahh... ele é assim mesmo. Arrogante, teimoso e chato. – ela riu. – Mas no fundo é um amor de pessoa, que faz de tudo para me deixar feliz, e eu sei, que um pouquinho, quase nada, ele gosta de você. Assim como você gosta dele.

- Tá, este não é o ponto! - ele mudou de assunto. Ia acabar se estressando se continuassem a falar do garoto que tomaria o seu lugar na vida de Kagome. - Desculpe por ter sido chato com você..

- Que isso pai! Eu sei que aquilo tudo que você fez e o que disse, era para o meu bem. E eu não quero ver sua cara assim... me dá um abraço! – e ela abriu os braços, dando passagem para seu pai a abraçar forte, e conter algumas lágrimas.

- Ainda não me acostumei com a idéia de que vou ser substituído.. - falou com a voz tremida.

- Você não vai ser substituído pai... – ela o abraçou com toda a força que podia, que era pouca. – Você sempre vai ser o homem número um da minha lista. O que me abraçava sempre que eu sentia medo a noite. O que brincava e se sujava comigo, apesar da mamãe gritar com nós dois. – soltou uma risada. – Você é o melhor pai do mundo e mais... é insubstituível.

- Você vai continuar sendo a minha menina.. - eles se separaram e se depararam com a mãe sorridente e comovida.

- Parece que nos tornamos a família unida do ano. – Kagome sorriu largamente. – E eu aposto que não vamos perder esse prêmio tão fácil!. – batidas foram ouvidas na porta. Inuyasha parecia impaciente.

- Bom filha! Chega de seção drama. Eu e seu pai vamos para casa e eu sei que Inuyasha vai cuidar muito bem de você. Amanhã venho visitá-la de novo. – e dizendo isso a mãe se aproximou de Kagome e lhe deu um beijo no rosto.

O pai já havia aberto a porta. Logo o casal se despediu de Inuyasha e se retiraram da casa, deixando Inuyasha e Kagome a sós.

Inuyasha foi até Kagome e sorriu antes de dizer:

- Vamos nos casar!

- Eu sei... – espirrou e riu ao mesmo tempo. – E eu sou a mulher mais feliz do mundo. - eles se abraçaram e Kagome, rindo ainda, espirrou de novo.

- Parecia que não, mas eu estava a ponto de ter um colapso porque seu pai não largava do nosso pé.

- Ele é apenas um pai que não quer ver sua filha casar com ninguém. Quer vê-la debaixo de suas asas para sempre... – ela se soltou do abraço e olhou para ele. – Obrigada! – e passou a mão no rosto dele.

- Por...?

- Por você querer passar a vida toda comigo. – ela murmurrou.

- Keh! Eu pensei que você fosse agradecer por eu ter passado a tarde toda cuidando de você. - Inuyasha emburrou cruxando os braços.

- Eu ia agradecer também, seu chato! Obrigada por passar sua tarde inteira cuidando de uma chata que só sabe... – espirrou. -...espirrar.

- De nada.. - sorriu. Ele raramente falava de nada. Normalmente resmungava qualquer coisa porque ficava sem jeito.

- Hum.. Acho que os seus cuidados estão fazendo efeito. – ela colocou sua cabeça no peito dele. – Parece que meu corpo não está tão mole como antes...

- Mas você não está comendo nada. Não vai melhorar nunca assim. - Inuyasha ficou ali só o tempo de enrolar das mechas do cabelo dela nos dedos e depois, levantou-se; pondo Kagome encostada nos travesseiros. - Vou preparar algo para você comer.

- Posso pedir? – ela deu um sorriso.

- Depende...

- Eu queria ramén com queijo...! – seus olhos brilharam. – Faz tanto tempo que eu não como... e pode ter certeza. Vou comer tudinho!

OoOoOoOoOoOoO

Depois que Kagome comeu, e comeu tudo como tinha dito, eles ficaram conversando e, com muito custo, o hannyou conseguiu fazê-la tomar banho. Tomou sozinha, mas ele ficou dentro do banheiro virado para parede com medo que acontecesse algo e ele não soubesse. E claro, ela ficou toda receosa no início, mas acabou por se acostumar.

Até ela dormir, não demorou muito. Ela começou a ficar abatida novamente e Inuyasha a fez engolir uma coisa pegajosa que era simplesmente... Horrorosa. Ele jurava que ela iria acordar melhor na manhã seguinte e que ela tinha sorte. Porque não eram exatamente os mesmos ingredientes que a mãe dele usava e ele tinha que tomar duas vezes por dia.

- Meu Deus... você REALMENTE tinha que tomar isso DUAS vezes por dia? – Kagome perguntou para Inuyasha, que estava ao seu lado com os braços em volta de sua cintura.

- Quando eu tinha uns.. Cinco anos. Sabe, antes dos problemas.. - a voz dele baixou um pouco, mas ele continuou tentando fingir que estava bem. - Bem, eu nasci com a imunidade meio baixa, você nem imagina as doenças que eu peguei..!

- Ahh... – Kagome passou as mãos pelo rosto do hanyou. – Eu sei que sua mãe cuidou muito bem de você. E eu agradeço a ela por isso...

- Não, você não sabe o gosto que AQUILO tinha! Tá, eu não pego doença faz uns doze anos, mas era horrível! Eu nunca mais cheguei perto daquilo.

Ela soltou uma risada.

- Toda mãe tem sua gororoba para filhos. A minha também tem... só não preparou porque viu que não era nada tão grave assim, e porque eu não estavaem casa... Senão... eu não escapava. – levantou a cabeça. – Preciso arranjar uma gororoba...

- Acho que você tem mania de feijão.. - ele parou para pensar.

- Feijão? – ela olhou curiosa. – Por que feijão? Eu nem gosto de feijão, apesar de ser obrigada a comer...

- Lembra aquela sua colega que a gente encontrou na rua e ela disse que esteve doente por um tempo.. Você lembra o que você disse? - ele lembrava bem.

- Ahh... não? – ela deu um sorriso amarelo.

- Ahhh, feijão é muito bom! Ele dá uma fortalecida por causa do ferro! - Inuyasha imitou a voz dela com gestos exagerados de mãos.

- Eu disse isso? – ela enrugou o nariz. – Meu Deus. Estou ficando igual a minha mãe... daqui a pouco estou virando uma complexada por alimentos nutritivos...

- E não foi só daquela vez! - ele continuou. - Teve a vez que a Sango ficou gripada e você disse para o Miroku que fazia bem dar feijão!

- Tá chega de feijão! – ela colocou a mão na barriga. – Está me dando enjôos...

- Chega de conversa! Você precisa dormir!

- Eu sei... – ela agora colocou a cabeça no travesseiro, se ajeitando. Trouxe o rosto de Inuyasha mais para perto e deu um selinho. – Bonne nuit.. – murmurou.

- O que?

- Bonne nuit... Boa noite em francês... – riu.

- Bah! Você nem é francesa!

- E o que isso tem a ver? Você não disse que gostava de ter uma namorada indiana naquele dia que eu dancei? Agora tem uma francesa...

- Então eu quero a indiana de volta!

- Por que quer a indiana de volta? – fez uma cara curiosa.

- Porque ela não fala francês, porque ela dançou para mim e ainda ganhei um véu de brinde!

- Um dia ela volta... foi tirar umas férias... – fechou os olhos. – E a Kagome também vai tirar umas férias... - dando pelo assunto encerrado, Inuyasha levantou, mas antes, apertando de leve o nariz da jovem que riu. Ele precisava de um banho.

OoOoOoOoOoOoO

O calor que seu corpo emanava ontem à tarde não era o mesmo. Era melhor. Não tão quente. Estava se sentindo bem. Sem aquelas dores espalhadas pelo corpo. O remédio de Inuyasha fez um efeito rápido e o melhor. Ela se sentia nova. Respirou bem fundo ainda de olhos fechados. Até que sentiu um perfume conhecido e abriu os olhos.

O hanyou ainda dormia ao seu lado. Também pudera. Acordou diversas vezes de madrugada preocupado com ela, principalmente quando teve uma alta na febre. Ele parecia cansado. E ela apenas riu. Ria da sua sorte por ter conhecido tão belo e carinhoso hanyou. Que cuidava dela como uma boneca de cristal.

Se aproximou mais dele. Ficou observando seu rosto. Os traços tão simples e tão fortes ao mesmo tempo, davam a maior beleza. Ela deu um beijo calmo na bochecha dele e ele pareceu se mexer um pouco. Ela não queria acordá-lo. Por isso, se afastou vagarosamente.

Da porta do banheiro viu ele se mexer para o outro lado e, logo em seguida, levantar assustado olhando para os lados. Até que os olhos dourados bateram nela, ele se acalmou.

- Bon jour... – ela riu. – Bom dia! Por que se assustou?

- Você não estava aqui. - se espreguiçou na cama mesmo e levantou. - Sente-se melhor?

- Bem melhor... Sua gororoba funcionou. Nem estou sentindo mais dores no corpo... nem febre também... – abriu a porta do banheiro, entrou nele e colocou o rosto para fora. – Vou tomar banho! – e fechou a porta. Rapidamente o barulho de água caindo pôde ser ouvido do quarto.

Inuyasha, por sua vez, voltou a deitar na cama. Estava com tanta preguiça, nem queria sair de casa. Mas eles tinham um assunto pendente para resolver. Assunto esse, que só de lembrar já animava. Bem, de um lado sim.

O casamento. Só a primeira parte iria gastar mais paciência do que ele tinha. Vestidos, bolos, decoração, madrinha, padrinho, convite, festa. Essa última então. Já gostara mais de festas.. Num passado razoavelmente distante...

- Keh! - novamente, sentou-se na cama. Estava com fome. Foi no banheiro, trocou de roupa, lavou o rosto e a boca e seguiu para a cozinha. Kagome demorava bastante nos banhos.

Foi só Inuyasha chegar até a cozinha que Kagome saiu do banho. Agora sim estava melhor. Um bom banho anima qualquer um. Pegou a mochila que a mãe tinha trago no dia anterior e de lá retirou uma saia preta rodada acima do joelho. Sua blusa era um top de cetim verde escuro onde possuía um decote v, em que os botões ficavam abertos, e colada na barriga.

Penteou os cabelos. Estava, apesar de não completamente boa, feliz. Paasou um leve perfume, e desceu as escadas, chegando de mansinho na cozinha. Inuyasha estava de costas, preparando alguma comida. Quando ela chegou por trás e o abraçou.

- Vai sair? - perguntou. Ela estava de perfume, diferente do normal.

- Não... por quê? – ela se afastou do abraço e ele virou-se para vê-la.

- Você está com um perfume diferente..

- Não gostou? – ela fez um bico.

- Só achei diferente. - disse, mas deu de ombros. - Nós vamos sair de qualquer jeito..

- Vamos? – ela sorriu. – Para onde? – procurou uma cadeira atrás do pequeno balcão e se sentou.

- Ver o que você quer sobre o casamento.

- O que eu que-quero? Como assim? – arregalou um pouco os olhos.

- Como assim o que bruxa? - ele se virou com dois pratos na mão, ambos com dois pães com ovo. Sentou-se perto da menina na bancada. - Festa, igreja, cartório, vestido, buffet... Sei lá o que você quer!

- Quer dizer que eu vou ter liberdade para escolher qualquer coisa? – Inuyasha apenas balançou a cabeça positivo. Estava comendo e Kagome também deu uma mordida. Depois de engolir completou. – Eu não preciso de nada tão espalhafatoso Inuyasha. Nem... nada disso. Apenas uma coisa simples... – mas Inuyasha a interrompeu antes que ela terminasse.

- Keh! Eu sei que toda garota sonha com O Dia do Casamento. - ele disse como se fosse tema. Lembrava bem das vezes em que sua mãe contava como foi tudo lindo no dia em que ela e seu pai tinham se casado. Falava da festa, do tamanho do bolo, como tudo tinha sido perfeito. Só queria que Kagome lembrasse do mesmo jeito que sua mãe.

- Ok, tudo bem. Vou estar mentindo se disser que não. – ela já estava na metade de seu pão, quando virou sua cadeira e olhou para ele. – Mas não precisa de tudo isso, vai gastar muito dinheiro, e também você não gosta de festa... ahh... eu só quero que você fique do meu lado o tempo todo, só isso.

- Tarde de mais Kagome.. Rin está vindo para cá. Você VAI ter que fazer a festa.. - juntou a louça e botou na pia, para depois voltar para o seu lugar. Passou o braço pelo ombro dela. - Ká, dinheiro não é problema. Ele foi feito para gastar e, como vamos torrar, que seja com o que você quer..

- Estou vendo que não tenho escolha, ainda mais com a Rin aqui. Ela vai querer que eu fique sei lá... estou até vendo. – ela abriu um sorriso, e deitou sua cabeça em Inuyasha. – Vai ser o dia mais feliz da minha vida... – sussurrou.

- Te amo.. - beijou a orelha dela. Kagome riu sentindo o estalo na orelha. Ele sempre fazia isso, e seu ouvido ficava zumbindo.

- Isso é estranho... – levantou a cabeça. – Meu ouvido fica zumbindo...

- Eu sei.. - riu divertido. Pegou a pequena mão na garota, entrelaçando seus dedos com os dela. - Vamos?

- Vamos... – levantou-se da cadeira e foram para a porta. Quando saíram e Inuyasha trancou a porta, uma dúvida bateu sobre Kagome. – Quando Rin vai chegar?

- Ela vai nos encontrar numa loja de vestidos que é para onde estamos indo. - respondeu atravessando a rua.

- Ahh... estou com saudades dela. Ela é louca, mas uma ótima pessoa. Ela vai ficar na sua casa? – estavam andando na calçada, rumo ao shopping onde compraram o primeiro vestido de Kagome.

- Ela e o idiota do Seshoumaru estão na casa do pervertido do Miroku. - Kagome riu. Chegava a ser engraçado como os xingamentos fluiam pela boca dele.

- Você realmente ama seu irmão e seu primo. – tinham chegado ao shopping. O ar condicionado do local estava em uma temperatura fresca. Não sabia para onde estava indo, mas tinha certeza que Inuyasha sabia e que, logo logo, escutaria os elogios de Rin novamente. (eles andam rápido né?)

Os dois andaram por um bom tempo e Kagome já estava começando a estranhar a demora para chegar nessa tal loja. Até que Inuyasha parou de andar e virou para ela meio enfezado.

- Você está perdida?

- Eu? Perdida? Não... – olhou para ele curiosa. – Eu estou indo para onde você está me levando.

- Eu pensei que VOCÊ estivesse guiando!

- Ahh..? – parou no meio do shopping, olhando para o rosto dele. – Eu achava que você tinha falado com a Rin! Então, pelos meus cálculos, você saberia o lugar!

- Você não disse nada, eu continue andando! - retrucou já meio nervoso.

- Ok, ok! – levantou as mãos. – Não precisamos brigar por causa disso. – olhou para os lados na esperança de encontrar a Rin saltitando por aí. – Não é possível que nós não encontremos uma simples loja de vestido de noiva em um shopping... vamos continuar procurando. – deu a mão para Inuyasha e o puxou.

- Qual é o nome da loja? - olhava para os lados atento a qualquer sinal que pudesse dizer que Rin passou por ali. Rin era uma pessoa que pisava em qualquer lugar e que vinha com um estampado cheguei na cara.

- Ahh.. é com certeza eu vou saber. – olhou para o andar de cima, na esperança de ver alguma coisa. Até que viu. A última loja. Parecia BEM chique. Quem diria. Naquele fim de mundo uma loja de noivas. E ainda por cima chique. – Achei! – e apontou para cima.

- Fica ali? Naquele fim de mundo? - esteitou os olhos conseguindo ver a loja.

- Bom... parece que sim. É bem grande e tem muito tecido branco... vem. – então os dois foram rumo a escada rolante mais próxima. Quando chegaram ao segundo andar, localizaram um vulto de costas dentro da loja, que parecia inquieto. Esse mesmo vulto virou-se bruscamente para os dois com uma cara tão assustadoramente irritada que ambos encolheram.