Capítulo 21
Kagome colocou a mão na boca surpresa. Sango começou a dar pulinhos de felicidade. E Rin apenas ria com a situação.
- Meu Deus! – Kagome exclamou. – Parabéns Rin! Que notícia ótima! Aposto que esse bebê vai ser um dos mais lindos! – ela se levantou e deu um abraço em Rin, que já estava com algumas lágrimas nos olhos.
- Abraço grupal de urso! – Sango disse e também pulou para abraçar as duas moças.
- Ai gente, obrigada! - a voz chorosa estava alegre. - Eu vou me esforçar muito para cuidar dele, nós dois. Porque deve ser um hannyou e as pessoas são muito preconceituosas... - ela fungou, mas sorriu depois. - Espero que fique com os olhinhos dourados do Seshy, porque castanhos que nem os meus são tão.. Normais...
- Pode deixar que a gente vai ajudar em tudo o que precisar, não é Sango? – a moça apenas concordou com a cabeça. – E pode ir tirando o cavalinho da chuva. Vai ser uma briga para ficar com esse bebezinho lindo. E... com duas tias corujas que nem eu e a Sango. – deu um sorriso largo.
- Obrigada! Já pensei em uns nomes! Mas só se for menino.. Acho que vai ser Syaoran! - as três pararam de conversar e viraram a atenção para o hannyou que limpara a garganta atrás delas. Kagome virou rapidamente sua atenção para Inuyasha. Rin se acalmou, limpando restos de lágrimas. Sango apenas deu um sorrisinho feliz.
- Por que esse chororo agora?
- Nada Inu... A gente só estava... – virou seu rosto para Rin, que agora já sorria. – Conversando... E então... – resolveu mudar de assunto. – O Sesshoumaru conversou com vocês sobre a empresa?
- Bah! Ele só sabe reclamar! - Inuyasha foi até sua futura esposa e a puxou do puff. - Dá licença sim?
- Toda Inuyasha... – Sango respondeu. Ela e Rin continuaram a conversar, enquanto Inuyasha levava Kagome para um outro lugar.
- Para onde você está me levando? – ela perguntou curiosa.
- Para lugar nenhum.. – deu de ombros.
- Aham... – ela apenas afundou-se no abraço de Inuyasha. Os dois realmente pareciam andar sem rumo pela praia.
- Sabe.. - começou. - Quando eu estava lá em Tókio, eu.. Escrevi umas coisas, mas não te contei, porque tava meio gay.
- Que coisas? – ela olhou para ele. – Quero ver... E aposto que não tem nada gay. Você que é bobo.
- Bahh! - ele soltou do abraço só por um instante, para pegar um papel todo amassado dentro do bolso entregando para Kagome.
A moça pegou o papel, o desamassando com as mãos. Estava bem manchado com lápis. Parecia que ele tinha tido pensado muito para escrever aquilo.
Percorrendo meu caminho para o centro da cidade
Andando rápido
Rostos passaram e eu estou perto de casa
Sem expressão, olho para frente
Apenas percorrendo meu caminho
Percorrendo um caminho, através da multidão
E eu preciso de você
E eu sinto sua falta
E agora eu me pergunto
Se eu caísse
No céu você acha que o tempo passaria para mim?
Pois você sabe que eu andaria mil milhas
Se eu apenas pudesse te ver... Esta noite
É sempre em tempos como estes
Quando eu penso em você
E me pergunto se você ainda pensa em mim
Pois tudo está tão errado
E meu lugar não é vivendo em sua preciosa lembrança
Porque eu preciso de você
E eu sinto sua falta
E agora eu me pergunto
Se eu caísse
No céu você acha que o tempo passaria para mim?
Pois você sabe que eu andaria mil milhas
Se eu apenas pudesse te ver... Esta noite
E eu não quero que você saiba
Eu me afogo em sua lembrança
Eu não quero que isto acabe
Eu não...
Kagome leu e parou de andar. Aquilo era muito bonito. Ele tinha escrito aquilo para ela? E então, começou a rir. Já estava até pensando que aquelas palavras poderiam ganhar vida em uma melodia e se tornar uma linda música.
- Viu? Eu disse que era ridículo...
- Não tem nada de ridículo aqui... – ela elevou seu olhar para ele. – Isso aqui é lindo. Eu já estava pensando até em uma música...
- Música? Nem rimar rima!
- Bom... eu teria que passar para o inglês. Acho que teria um ritmo melhor... e também... – resolveu perguntar para ele meio insegura. – Posso completar a última estrofe?
- Keh! Pode, é sua mesmo! - deu ombros noavamente, mas deixou escapar um pequeno sorriso. Ela tinha gostado..
- Que bom... mas, eu precisava de um lápis, uma caneta... qualquer coisa. – ela ficou olhando para os lados na praia, como se alguma espécie de cabeta pudesse se materializar na frente dela e puft! Já poderia escrever.
- O que você vai escrever? - tateou os bolsos em busca de algo, mas não encontrou nada.
- Bem... eu pensei em apenas uma frase, para finalizar a música. – ela sentou-se na areia e disse. – Eu acho que poderia repetir o refrão que seria "Pois você sabe que eu andaria mil milhas/ Se eu apenas pudesse te ver...". Bom... aí eu colocaria "Se eu apenas pudesse te abraçar... está noite. – ela falou. – E então?
- Como ficaria isso em inglês? - ele fez uma cara de curioso, uma coisa que Kagome pouco via nele.
- Ahh... ficaria "Cause you know I´d walk a thousand miles if I could just see you... If I could just hold you... Tonight". Acho que ficaria assim… - olhou para ele. – Gostou?
- Não entendi nada, mas soa legal!
Ela riu do comentário dele.
- Já estou até pensando no ritmo... – e começou a cantarolar e mexer a cabeça de acordo com o que estava pensando. Inuyasha sorriu enquanto a observava.
- Hum... – ela parou um pouco pensando. – Preciso do piano...
- Você quer voltar para casa?
- Ahh... não sei. Tanto faz. – ela se levantou e bateu no short.
- Ei, pensei que tivessem morrido ai! - Miroku gritou ao longe.
- Não... a gente não morreu Miroku! – Kagome gritou de volta. Deu a mão para Inuyasha e eles voltaram para a movimentação das pessoas.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Quando finalmente chegaram em casa, devia ser por volta de meia noite e pouquinho. Não era tão tarde, mas o suficiente para Kagome estar cansada.
A festa tinha sido super engraçada. Era engraçado como Sango controlava tudo que Miroku falava, também, ele chegou a perguntar para Rin se ela já tinha posto algum tipo de silicone. E claro, levou quatro a cinco cascudos. E quando Kagome viu Seshoumaru rindo? Ela ficou tanto tempo parada olhando e apontando que o estressou e este acabou batendo em Inuyasha para não bater nela.
Eles conversaram sobre tudo, até sobre as orelhinhas de Inuyasha e de como Miroku e Seshoumaru achavam isso gay, o que não deixou o hannyou nada feliz.
Mas para Kagome, a parte mais engraçada, foi a entrega de presentes. Bem, ela mesma não deu nada e se sentiu sem graça, mas Rin tinha dado um pijama com a estampa do Pikachu, Sango deu um perfume Kaiak, Seshoumaru deu um cascudo para ver se "ele começa pensar" e Miroku deu um pote de ramém.
- Ahh... – ela deitou na cama depois de um rápido banho. Ficou toda espaçosa. – Inu... de qual presente você gostou mais?
- Que pergunta idiota! Do ramém! - ele voltou do banheiro com os cabelos pratas e com a toalha enrolada na cintura para pegar uma roupa e voltou para o banheiro. - Por que? - perguntou de lá de dentro.
- Eu sabia! – ela respondeu alto. – Eu prometo que no seu próximo aniversário eu lhe dou um ótimo presente. É que eu não sabia mesmo, viu Inu?
- Tanto faz! - Inuyasha resurgiu no quarto e se deitou na cama. - Não ligue para isso Ká..
- Ahh.. eu ligo... – ela se acomodou melhor para ele poder se aproximar dela. – Eu tenho que pensar desde já no que te dar de presente. É difícil, sabe? Será que você não pode me dar nenhuma dica?
- Kagome, o que eu mais gosto é de estar com você! - passou os dedos pela pele macia dela. - Como você já está aqui eu não preciso de presente..
Ela fechou os olhos sentindo o toque calmo de Inuyasha sobre sua pele.
- Agora... - deu-lhe um beijo nos lábios e na testa. - Boa noite, você tem faculdade amanhã..!
- Eu sei disso... sei também que a Kagura vai me bater... Boa noite Inu! – fechou os olhos e adormeceu.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Estava começando a escurecer. As estrelas brilhavam no céu como um manto de luminárias. Kagome caminhava contente pela rua. Nem acreditava no que estava acontecendo. Daí a dois dias elas seria Sra. Kagome Higurashi Taisho. Riu com o pensar das confusões daquele mês. Rin, depois de dizer a todos que estava grávida, estava mais doidinha do que nunca. Corria para todos os lados com as provas do vestido, além da maquiagem. Mas, para o bem de todos, tudo estava resolvido.
Chegou em frente ao grande portão, abriu e correu pelo jardim rumo a grande porta de entrada. Vasculhou sua bolsa em busca da chave, logo abrindo a porta e avistando a sala escura. Acendeu as luzes e deduziu que Inuyasha estava em outro lugar.
Inuyasha amassou outra folha de papel a jogando no chão. Estava a dois dias do casamento e ele não tinha escrito nada sobre os votos! também, tinha tanta coisa para fazer agora que tomava conta da concecionária da cidade vizinha. Tinha sido o trato com Seshoumaru: ou ele mudava para Tókio ou tomava conta da cooncecionária. Afinal, ele não podia ganhar o dinheiro da empresa do pai deles sem fazer absolutamente NADA.
Releu a única frase que escreveu 'eu quero passar o resto da minha vida com você' e bufou irritado.
- Droga! Isso é tão... Clichê! - estava tão absorto em seus pensamentos que não reparou em Kagome entrando no quarto.
- Oi Inu! – Kagome colocou sua bolsa dentro do closet do quarto. – O que você está fazendo? – ela perguntou, sentando do seu lado na cama.
- N-nada! - amassou o outro papel e jogou discretamente para a pilha atrás de si. - Por q-que? Heheh
- Aham... sei. Vou fingir que acredito... – olhou para ele desconfiada. – Seu dia foi bom?
- Foi ótimo! - Kagome estreitou os olhos para ele. Tinha alguma coisa errada! Ele SEMPRE reclamava de algo no trabalho. - E o seu?
- Foi bom... mas você está mentindo... – cruzou as pernas em cima da cama, e tocou o rosto de Inuyasha, virando para poder encará-la. – Pode falar... – disse doce.
- Você já fez os seus? - perguntou em um momento de extrema coragem.
- Meus o quê? – ficou espantada.
- Esquece! Delirei! - levantou da cama e catou os papéis para jogar no lixo. - Deixa para lá! Ignora o que eu disse!
- Bom... – ela resolveu esquecer o que ele disse. Não iria insistir se ele não quisesse. Levantou-se da cama, foi até o guarda-roupa e pegou algumas coisas. – Eu vou tomar banho, viu? – se aproximou dele e lhe deu um selinho. – Não precisa ficar assim tão transtornado por causa dos votos... eu acabei de crer nisso hoje a tarde na faculdade. – e entrou no banheiro.
- Então.. Você ainda não fez os seus?
- Não e eu decidi não fazer nada planejado. Eu quero dizer o que me passar pela cabeça na hora. Eu tenho certeza que vai ser muito mais sincero do que eu escrever dois dias antes.
- Sério..?
- Sério... agora pára com isso e vai comer.. sei lá! – deu outro selinho nele e foi para o banheiro.
Inuyasha foi fazer o que ela mandou. Fez logo dois pratos de ramém, um para ele e outro para ela. E deu tempo de fazer um caprichado já que ela demorava bastante no banheiro. Encheu de queijo derretido e picou uns pedaços de azeitona e fez um molho. Estava sem fome.. Resolveu por fazer um suco de maracujá, talvez, se ele ficasse sentindo o cheiro da comida, a fome vinha! Mas não adiantou, ele ficou olhando o prato. Um encarando o outro. Daqui a dois dias ele iria se casar. Nunca tinha passado pela sua cabeça que iria se casar com alguém e dedicar o resto de sua vida a ela. Estava tão nervoso que, às vezes, perdia o sono. Estava nervoso, ansioso, agitado.. Mas podia afirmar que não estava confuso e que tinha certeza absoluta de que iria fazer isso.
Kagome terminou seu banho e mudou de roupa. Colocou um short branco com uma blusa também branca, só que com o rostinho da Boo estampado nela. Penteou os cabelos e desceu as escadas. Sentiu um cheiro peculiar vindo da cozinha. Será que ele tinha feito..
- Ramém com queijo? – ela chegou na porta da cozinha e deu um sorriso. – Fazia um bom tempo que não comia. – andou até ele, pegou seu prato, mas alguma coisa a fez parar. Inuyasha ficava olhando para o prato de ramém e nem sequer comeu uma colherada. – Inuyasha... – colocou a mão no rosto dele. – Você está estranho...
- Por que? - enrolou o macarrão no garfo e o deixou cair de volta no prato.
- Você não quer comer, não está sorrindo... – piscou um pouco os olhos. – Eu também estou ficando triste sabia? Nem está parecendo que nós vamos nos casar daqui a dois dias.
- Esse é o problema!
- O que? Você está triste porque... – ela abaixou o rosto. – Inuyasha... você não quer se casar, é isso? – Kagome tentou evitar, mas por mais forte que ela fosse (mentira!), seus olhos começaram a ficar úmidos.
- Não é isso Ká! - ele se dirigiu para perto dela levantando seu rosto. - Não chora.. Não é isso! É que.. Eu.. Estou com medo!
- Medo? – ela franziu as sobrancelhas. – Como assim medo?
- E se você se enjoar de mim? - murmurou. - O que eu vou fazer sem você?
- Quem disse que eu vou me enjoar de você? Você é minha vida... como eu posso me enjoar de você? – agora as pequenas lágrimas formadas caíam pelo rosto delicado de Kagome.
- Eu não sei! - passou o polegar para poder limpar as lágrimas que desciam. - Pára de chorar!
- Eu não consigo, droga! – fungou. – Olha o que você faz comigo!
- Tá vendo, eu fiz você chorar! - a trouxe para um abraço no chão, que era onde ele estava ajoelhado. - Desculpa..
- Não precisa se desculpar... – ela se aconchegou mais no abraço. – Eu sou uma boba mesmo. Choro por tudo.
- É, eu sei.. - riu. - Promete que não vai desistir de mim?
- Eu prometo Inuyasha Taisho que eu nunca vou ficar longe de você! – sorriu, com o rastro da lágrima em seu rosto. E por um breve momento, Kagome viu. Breve porque ele a abraçou e ela não pode olhar diretamente para os olhos dourados que ela jurava também estarem úmidos.
- Eu te amo muito Inuyasha, e nada, nem ninguém vai poder mudar o que eu sinto por você. – ela o apertou mais, com medo de que ele fosse só uma miragem.
- Eu também pequena, te amo muito.. - a voz dele saiu chorosa. Ela mal acreditava que ELE estava chorando.
- Não chora, Inu! – ela riu um pouco. – Eu estou aqui, e sempre estarei.
- Quem disse que eu estou chorando?
- Nada.. eu só tive um pressentimento... Eu sei que você não chorou. – desfez o abraço e o olhou nos olhos.
- Acho bom.. - agora ele tinha até fungado. Kagome sorriu.
Ela deu um beijo na ponta do nariz dele.
- Ei! Eu que faço isso!
- Eu não posso fazer não? – fez-se de indignada.
- Só em mim..
- Tudo bem... só em você então! – ela de novo deu um beijo na ponta do nariz dele.
- Mais embaixo!
Ela riu e então fez o que ele pediu. Deu um leve beijo em seus lábios. Inuyasha rapidamente aprofundou o beijo. Kagome riu internamente, passando seus braços pelo pescoço dele que se apoiou em um dos braços para poder continuar sentado no chão da cozinha.
O beijo foi se acalmando até ficarem só nos selinhos. Kagome suspirou pesadamente, como se estivesse criando coragem.
- Inu... – ela murmurou. – Eu estou pronta... – disse devagarzinho para ele.
- Pronta para que? - murmurou de volta ainda procurando os lábios da jovem.
Kagome mordeu os lábios. Ficou envergonhada, mas ao mesmo tempo criou uma coragem muito grande.
- Para ser sua... – olhou para os olhos dourados do hanyou a sua frente.
- Kagome..
- Inuyasha... por favor. Me deixa ser sua... – fechou os olhos respirando profundamente.
- Você já é minha..! - olhou sério para ela. - Faltam dois dias para o casamento, amanhã vai ser uma correria só porque temos o ensaio...
- Eu não estou preocupada com amanhã. Eu quero viver hoje, agora. – abriu os olhos brilhantes.
- Ká, amanhã vai ser agitado, você não vai estar disposta e vai estar dolorida..! Por favor..? - passou a mão no rosto dela. - Aí, na Lua de Mel, vai ser super divertido.. - sorriu com um pingo de malícia. - Afinal, você nem sabe onde é né..
- Quer parar a palhaçada! – ela riu um pouco. – Se você não quer... – ela sussurou perto do seu ouvido. - ...é só dizer.
Estreitou os olhos para ela.
- Psicologia barata não funciona comigo!
- Que bom... nem comigo. – ela disse olhando fixamente para os olhos dele. – Eu apenas me deixo levar pelo o que eu estou sentindo na hora...
- E o que você está sentindo agora? - susssurrou.
- Sentindo uma onda de felicidade e ao mesmo tempo calor... – fechou os olhos de novo respirando fundo.
- Então vai tomar banho! - ele levantou. Se continuasse ali, iria acabar cedendo.
Kagome viu Inuyasha se afastando para a sala. Ela iria conseguir. Ahh... ela ia sim. Correu com vontade e pulou nas costas dele. Ele levou um susto, mas conseguiu segurá-la. A moça não perdeu tempo e voltou a provocá-lo. Dessa vez, ela deu uma pequena mordida em sua orelha. Riu do tremor que o hanyou sentiu. E antes que ela pudesse piscar, ele tinha a pressionado contra a parece e virado para ela.
- Você é insistente.. - a voz saiu rouca
- Você não sabe o quanto... – murmurou sorrindo maliciosamente. Ela mesmo não estava se reconhecendo. E o pior de tudo. Estava sendo o mais sincera possível. Ela provavelmente acordou uma Kagome adormecida.
Pronto. Toda a resistência de Inuyasha tinha simplesmente evaporado no ar. E quando viu, os dois já estavam subindo a trancos e barrancos a pequena escada que dava para a parte de cima da casa. Como estava escuro, Kagome quase tropeçava várias vezes o que os fazia rir.
A porta do quarto foi aberta por um Inuyasha de costas que agora beijava Kagome. Não havia iluminação. Apenas a luz da lua era cúmplice naquele momento. A moça nervosa, mas ao mesmo tempo feliz, passou suas mãos pelo pescoço de Inuyasha, descendo até suas costas para depois passar para o peito másculo coberto pela camisa social que ela mesma começou a abrir enquanto ainda o beijava. Terminou tacando a blusa longe.
Inuyasha encarou os olhos azuis procurando qualquer pingo de medo... Ou.. Sei lá! Nem ele sabia... Sorriu para ela antes de levantar a blusa dela devagar.
Os olhos dos dois não se desviavam. Aquele momento estava sendo mágico. Kagome deu um pequeno sorriso. Beijou Inuyasha mais uma vez sentindo-se cada vez melhor. As mãos dele foram passeando por sua cintura e elas tremiam em cima da pele macia de Kagome. Ela se afastou e sussurrou para ele.
- Eu te amo muito... – rosçou seu nariz no dele e disse mais uma vez. – Eu vou guardar isso comigo pra sempre.
- Eu também... – e para a surpresa de ambos, foi Kagome quem empurrou o hannyou na cama deitando em cima dele.
- Chega de papo sim? – sorriu para ele.
- Como você quiser!
OoOoOoOoOoOoO
Que barulho irritante era aquele? Ah sim.. O despertador.
Suas mãos tocaram o travesseiro em busca de um sono melhor. Suspirou sorrindo. Aquela tinha sido a melhor noite de sua vida. Ainda estava em momento de transe, quando aquele infeliz despertador tocou. Ela tateou em busca dele, mas algo o fez parar antes que ela chegasse perto dele.
- Bom dia pequena!
Kagome se mexeu para o lado em que a voz vinha. Abriu vagarosamente os olhos e deu um sorriso.
- Bom dia.
- A Rin já está lá..
- Lá aonde? – Kagome franziu as sobrancelhas em sinal de dúvida.
- No salão.. Lembra? O ensaio! Eu te disse ontem! - Inuyasha olhou para ela.
- Ahh... – Kagome fez uma cara de desapontada e cobriu seu rosto com o edredom. – Quero dormir mais! – sua voz saiu abafada.
- Viu! Eu te disse ontem, mas você é insistente!
- Eu sei que sou... – tirou o edredom do rosto e sorriu. – Mas... me deixa dormir só mais cinco minutos? Por favor? – ela fez uma carinha pidona.
- Tá bom..! - Kagome fechou os olhos e parecia que tinha piscado! Quando acordou de novo, Inuyasha não estava mais lá e ela já estava vestida com o blusão que ela tacou longe na noite anterior.
Sentou-se na cama, ainda com muita preguiça. Inuyasha tinha razão. Ela era mesmo muito teimosa. Mas sorriu com o acontecido na noite passada. Apesar de tudo, foi lindo. Levantou seus braços se espreguiçando, quando a porta se abriu e um Inuyasha, já pronto para sair, entrou.
- Agora você vai ter que levantar. - riu.
- Eu sei disso... – levantou-se da cama, foi até Inuyasha e o abraçou.
- Que foi..? – perguntou a abraçando.
- Nada... só queria abraçar você. E dizer que a noite passada foi a melhor de toda a minha vida. – olhou nos olhos dele.
- Virão outras melhores..
Ela sorriu docemente e lhe deu um beijo.
- Adorei sua camisa... vou pegá-la emprestada mais vezes... – riu, se soltando dele. Foi para o closet pegar algo para vestir. Inuyasha voltou a sentar-se na cama, sorriu cheirando o ar.
- Eu realmente pensava que não tinha como seu cheiro ficar melhor..
- Hum? – ela saiu do closet com uma calça jeans e uma blusa vermelha em suas mãos.
O sorriso alargou-se antes de continuar.
- Agora o seu cheiro está misturado com o meu... E ah! Seshoumaru também vai perceber isso..
- Eu aposto que está mesmo melhor. Pena eu não ter o faro apurado como o seu... – andou até ele mais uma vez e deu um beijo em sua bochecha. – Preciso tomar banho...
- Tem certeza? - ele a segurou pelo pulso.
- Certeza de quê? – ela perguntou curiosa.
- De que você vai tomar banho..
- Vou sim... por quê? – olhou para ele sorrindo.
- Porque o cheiro vai ficar mais fraco...
Ela abriu um sorriso e olhou para ele.
- Ele pode ficar mais fraco, mas para mim, vai sempre estar comigo... – deu um beijo nele. – E... bom.. ele pode ficar fraco... a não ser que... Não, deixa pra lá. – e seguiu para o banheiro.
OoOoOoOoOoOoO
Depois de quase uma hora, eles finalmente chegaram. Sango e Miroku estavam lá conversando com Seshoumaru, enquanto sua mãe e Rin terminavam de dar as instruções para o pessoal que ajeitava o lugar. Kaede conversava com seu pai animadamente e alguns outros convidados estavam espalhados pelo lugar. Lugar este que estava realmente lindo. Havia lustres espalhados ao decorrer do grande salão, que possuía mesas redondas com toalhas brancas. Grandes janelas com molduras douradas se encontravam nas paredes pintadas de com um creme suave. A mesa do buffet que era bastante extensa já estava posta, mas só com a toalha. Um palco mais ao lado estava montado onde uma banda tocaria.
Kagome sorriu, mal podia esperar.
- Ainda bem que vocês chegaram! – Rin exclamou atrás deles.
- Desculpe Rin! – Kagome se aproximou de mãos dadas à Inuyasha. – Foi minha culpa dessa fez... dormi demais... – sorriu e olhou para Inuyasha, voltando-se para Rin.
- Uhm.. Sei.. - ela deu um sorrisinho esperto. - Inuyasha, preciso falar com a Katchinha!
- Ótimo, você não tem boca? - o hannyou não se moveu do lugar.
- Inu... acho que ela quer uma conversa particular..! – mordeu o lábio inferior e deu um beijo nele. – Vai ver outras coisas, sim? Depois a gente se encontra. – e lhe deu outro beijo.
- Keh! Tanto faz.. - soltou a mão dela e foi-se. Rin voltou os olhos para Kagome, e disse empolgada:
- Ela vem! - sussurrou.
- Ahh... que bom! Eu já estava ficando preocupada. Rin, você é mesmo um anjo, sabia? – abraçou Rin. – Bem... está tudo dando certo por aqui? – olhou a movimentação ao redor. Várias pessoas andavam de um lado para outro. Ahh... não só essas pessoas. Alguns fotógrafos circulavam o local em busca de algum flagra antes do casamento, mas parece que a segurança não dava a mínima brecha para isso.
- Só que ela tá namorando.. E ela vem com o Kouga! - ela fez uma cara estranha. - Eu disse que ele podia vir, né..!
- Hum... por mim tudo bem. Só não deixa o Inuyasha saber disso, ok? Chega de confusões por causa do Kouga. Se bem que... já que ele está com essa pessoa, não vai causar nada aqui... – ela piscou um pouco os olhos e se virou para Rin. – Ahh... Rin. Estou tão feliz.
- O que houve..?
- O casamento... está tudo tão lindo. Eu nunca imaginei que poderia viver algo parecido com isso.
- Foi muito engraçado quando me casei com o Seshy! Ou era no dia, ou só daqi a dois meses. Ai eu virei para ele: Vamos? Ai ele: vamos. E o Inuyasha? Parou de gravar para vir ser padrinho! Melhor dia da minha vida, não esqueço mais!
- Por mais estranho que seja, não dá para esquecer desse dia nunca. – riu com seu comentário. – Eu tenho que fazer alguma coisa? Pode falar, Comandante Rin!
- Aeeeee Inuyasha! - Rin e Kagome viraram para ver Miroku sendo nocauteado pelo prórpio.
- Meu Deus... o que foi isso? – Kagome virou-se na direção de Inuyasha e Miroku. Miroku, que tinha se recuperado, ficou sorrindo marotamente para Inuyasha. O que será que eles estavam falando?
- Eu realmente não sei.. - Olhou para ver Seshoumaru sorrindo. Isso, por incrível que pareça, não era uma coisa muito boa. Ele com certeza tinha aprontado alguma. Começou a andar até lá e Kagome a seguiu. - O que aconteceu? - perguntou à todos, mas olhando Seshoumaru.
- Eu fiz um comentário.
- Que comentário? – Kagome arregalou os olhos em busca de uma resposta.
Miroku chegou perto dela e passou o braço pelos ombros da morena ainda desconfiada.
- A noite foi boa ontem heim..
- Desgraçado! Agora eu te pego! - os dois começaram a correr pelo salão, quse derrubavam as pessoas qeu transitavam por ali, ajeitando as coisas.
- Ai meu Deus! – o rosto de Kagome foi ficando corado até a raiz dos cabelos. Sango balançou a cabeça em sinal de constrangimento.
- Não liga Ká! Você sabe como o Miroku é tapado. – ela puxou Kagome e Rin para um canto. – Mas... conta aí. Aconteceu mesmo?
- Ahh... – Kagome estava respirando mais devagar, apesar da pergunta. – Aconteceu.. – riu. – Mas... quase que não. Eu meio que... para falar a verdade, agarrei o Inuyasha.
- O QUE? - Sango berrou e Miroku passou por elas rindo ainda sendo seguido pelo hannyou
- Calma Sango... – riu do berro da amiga. – É que... eu disse para ele que estava pronta e tal. Só que ele disse que não precisava, que nós íamos nos casar daí a dois dias, que ele prometia que iria ser incrível. Só que eu não agüentei... eu me lembro de pular nas costas dele... e aí a gente riu um bocado. Ele me chamou de insistente. Então.. ele não conseguiu escapar dos meus encantos...
- A Sango é muito esperta.. - Rin comentou. - Ela sempre pergunta e nunca fala nada..
- É mesmo... hei... Pode ir falando... - Kagome fez gestos com a mão para Sango desembuchar tudo.
Elas ouviram um barulho estranho vindo de um canto do salão. Miroku estava sentado com as mãos na cabeça. Inuyasha vinha andando até as meninas, com um ar de vitorioso.
- Será que posso seqüestrar a Kagome por algum tempo? – ele perguntou para a rodinha de meninas formada.
- Claro, Inuyasha! – Sango deu um sorriso amarelo.
- Hei... Se a senhorita pensa que escapou dessa conversa, está muito enganada! – Kagome exclamou. – Estou indo mas quero respostas depois... – e foi sendo puxada por Inuyasha.
- Pode deixar Katchinha... ela não me escapa! Depois eu te conto... – e Rin começou a rir.
Inuyasha deu a mão para Kagome e eles andaram para um canto afastado do salão, onde eles pudessem ver a movimentação das coisas.
- Esta vendo aquele cara de camisa laranja? - Kagome olhou por cima do ombro e viu. Ele disfarçadamente desviando o olhar. - Ele está prestando atenção em você, qualquer deslize que você der, ele irá fotogafar.
- Ahh... ok. Pode deixar. – deu um sorriso. – Não vou nem olhar para ele... sabe.. eu ainda não estou acostumada com isso... fotógrafos e flashes...
- É muito fácil de perceber.. Olha aquele lá. - apontou discretamente para um outro que estava bem perto de Rin e Sango. Ele parecia ter algum problema com a máquina, e quando Kagome ia perguntar ao Inuyasha o que tinha demais, ele pareceu estar dando um zoom na frente delas, e bem na hora que ia ajeitar algo na parte de trás da saia que usava.
Inocentemente que ninguém estaria vendo, Sorte que Rin estava lá. - Com certeza Rin já sabe..
- Ahh... preciso aprender essas manhas... – riu. – Mas... você queria me seqüestrar só por causa disso? – ela olhou torto para ele.
- É!
- Ahh... poxa... – ela fez um bico. – Eu achava que você queria me raptar para ficar perto de mim...
- Você é muio boba.. - sorriu para em seguida beijar-lhe.
- Eu sei... – abraçou Inuyasha.
- Eu quero me casar com você logo..!
- Será que você não vai se arrepender não? Acho que vai se enjoar de mim... pode ter certeza. Eu fico MUITO estressada, às vezes...
- Não, eu tenho certeza..! E seu problema com estresse, eu posso resolver... - sorriu para ela e percebeu que Rin os chamavam.. ia começar o ensaio. - Não sei por que diabos estamos aqui! O que ela quer ensaiar?
- Ahh... essa é uma boa pergunta! – puxou a mão dele e foi em direção a Rin. – Mas, não se pode discutir com ela...
- A imprensa ainda está aqui? - perguntou para Seshoumaru e ele negou. Rin sorriu e olhou para todos a sua volta. - Ótimo. Vamos começar por vocês.. - ela sorriu ainda mais e apontou para Inuyasha e Kagome que riu do suspiro desanimado de Inuyasha.
Eles se aproximaram e Rin deu várias dicas.
- Prestem atenção porque nós não vamos repetir isso e não pode dar errado na hora, tudo bem? Simplesmente NÃO pode! – suspirou. – Primeiro, o Inuyasha entra sozinho. Inu-chan, você vai entrar calmamente, até o altar. Depois, Sango e o Miroku entram e logo atrás eu e o Sesshy. – respirou para continuar. – E então... a grande entrada triunfal da Katchinha com o pai dela. – virou-se para Kagome. – Você vai entrar sempre sorrindo e andando leve como uma pluma. Como se você estivesse voando. Seu pai a acompanha até o altar e dá a sua mão para o Inuyasha. – ela relaxa os ombros. – Alguma pergunta? - Sango levantou a mão inssegura.
- Pode falar Sango... – Rin dirigiu seu olhar para a moça.
- Quem entrega as alianças?
- Hum... esse foi realmente um problema. Porém... eu achei melhor a mãe da Katichinha ficar com as alianças. E, quando for o momento, ela irá entregá-las ao Inu-chan. – deu um sorriso. – Mais alguém? - ninguém deu sinal de vida e Inuyasha olhava o teto. Rin bufou mais não disse nada. - Ótimo! Bem, depois da cerimônia, todos nós viremos para cá, E Katchinha e Inu-chan devem chegar primeiro. - virou-se para eles. - Vocês vão ficar parados ali na porta para receber os parabéns e tal...
- Bom... acho que conseguir entender tudo. Muito obrigada Rin por estar ajudando. Acho que se fosse eu sozinha, já tinha ficado louca.
- Que isso Katchinha! Não é nada e ahh... – levantou um dedo. – Não posso me esquecer. Amanhã bem cedo eu vou te buscar na sua casa, para seu dia de noiva. – Kagome fez uma cara estranha. – É claro, Katchinha! O dia da noiva é T-U-D-O. Pode confiar. Você relaxa tanto que nem parece que vai se casar... – riu.
- Iii... parece que hoje à noite não vai ter festinha, hein Inuya... Ai! – Miroku passou a mão na cabeça, onde Sango tinha dado um belo tapa.
- Agora, vamos treinar a parte da primeira valsa! Sabe, eu pensei da Ká dançar primeiro com o pai, e depois dançar com o Inu-chan.. Porque seria como se o pai dela tivesse 'entregando' - ela fez as aspas no ar. - a Ká pro Inu.. Que nem na igreja sabe? Então, alguém discorda?
CRI CRI CRI
- E depois, o brinde! Eu sinceramente gostaria que Miroku fizesse, porque ele é suuuuuper engraçado.. - Miroku a cortou.
- Eu sei disso Rin. Sou a pessoa mais engraçada do mundo. Além de ser também o mais... – Sango o interrompeu.
- Ok, ok... o mais tarado. Você realmente tem razão.
- Hahaha, se ferrou! - Inuyasha finalmente se pronunciou, mas ficou quieto no seu canto quando Kagome estreitou os olhos para ele. Principalmente depois do biliscão que sentiu em sua mão.
- Bem.. Continuando.. O resto é só festa! - Rin sorriu piscando um dos olhos.
- Estamos liberados? - o hannyou eprguntou com medo de mais outro beliscão.
- Ah... Estão sim Inu-chan. MAS... – ela levantou o braço no momentoem que Inuyashase levantava e puxava Kagome para a saída. – Não esqueçam do horário. Pelo amor de qualquer coisa... Pontualidade é fundamental. – deu um sorriso. – Pronto.. podem ir! - Inuyasha levantou como se estivesse na escola e o sinal do recreio tivesse batido.
- Eu estou com fome! - esticou os braços espreguiçando-se de maneira graciosa.
- Por que eu nunca me surpreendo com isso? – Kagome sorriu, sendo abraçada por Inuyasha.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoO
O capim do jardim estava macio. Resolveu ficar deitada lá pensando na vida. Inuyasha, contrariamente a sua vontade, teve que se encontrar urgentemente com Sesshoumaru e Miroku para resolver um assunto da empresa. Já havia feito um bom tempo que ele tinha saído. Ela então, resolveu sair para o jardim. Deitar no campo. E observar o céu. Suas mãos tocavam o capim meio úmido pelo sereno. Fechou os olhos e suspirou pesadamente. Ouviu um barulho. Deveria ser um vizinho ou alguém na rua. Virou o rosto e olhou para o lado direito. Os tremulares da água na piscina estavam calmos. E tão convidativos. Será que ela dava um mergulho? Ela nem estava de roupa de banho. Apenas com um short jeans e uma blusa branca de alças.
Tomou sua decisão. E nem viu a porta de vidro da varanda ser aberta. Apenas mergulhou.
Inuyasha, depois de constatar que ela não se encontrava dentro de casa, a viu do lado de fora, na piscina. Sentou-se no chão do jardim esperando que ela emergisse de volta. Qualquer coisa que ele fosse falar, ela não escutaria. Não agora.
Respirou fundo tentando se alcamar. Tinham roubado duas motos durante a noite, e queimado os vídeos de segurança. então só podia ter sido alguém dá concessionária. Felizmente, só podia ter sido uma pessoa: Hinten, ele que tinha a cópia das chaves de onde guardavam os automóveis.
Se jogou para trás e olhou o céu começando a escurecer. Hoje seria noite de lua nova..
Kagome ficou um bom tempo embaixo d'água apenas sentindo o toque da água sobre sua pele. Até que seus pulmões pediram por oxigênio e ela teve que voltar a superfície. Bateu as pernas calmamente e emergiu. Seu rosto estava repleto de pequenas gotículas de água. Resolveu boiar um pouco. Abriu os braços e fechou os olhos. Nem notou Inuyasha do lado da margem da piscina.
E nem Inuyasha percebeu que ela já tinha voltado a superferfície. Era sempre assim, a primeira coisa que acontecia em noites de lua nova: batia um cansaço. Pareceia que era o cansaço de todos os dias que dormia somente quatro horas, porque ele não conseguia voltar a dormir mesmo. Estava quase dormindo e nem tinha percebido. Vagava em seus pensamentos.
Os cabelos pratas foram dando lugar aos negros. Os olhos dourados, agora tornando-se violetas, fitaram uma Kagome abrindo os olhos e notando agora sua presença.
- Inuyasha? – ela chamou, ainda dentro da piscina. – Está tudo bem? Alguma coisa séria na empresa?
- Feh! Roubaram duas motos..
- Nossa... e vocês já descobriram os culpados? – se aproximou da margem onde estava Inuyasha, e colocou seus braços sobre ela, apoiando sua cabeça.
- Só pode ter sido o Hinten. - sentou e começou a explicar. - Só duas pessoas tem a chave de onde ficam os automévies: eu e ele. Eu sei que EU não fui..
- Isso é bem complicado... roubo. Deve ter sido difícil... mas... por que você não vai tomar um banho e descançar? Hoje é lua nova... você vai precisar. – deu um belo sorriso.
- Eu não estou cansado..
- Não... não está. – Kagome deu um impulso e sentou-se na borda. – Quer parar de ser teimoso com você mesmo? Vai... tomar um banho.. relaxa. Prometo que depois faço uma massagem em você...
- Estou relaxado. - Kagome estava começando a ficar estressada.
- Inuyasha vai para o quarto agora tomar um banho. – saiu da piscina e puxou Inuyasha para se levantar.
- Que saco Kagome, eu estava bem aqui! - resmungou e faendo sua 'pose de emburrado'.
- Seu teimoso eu só estou querendo ajudar, mas já que é um saco para você, então fica aqui. – entrou pisando duro na casa, indo direto para o quarto. Até se esqueceu que estava molhada e que precisava urgentemente de uma toalha.
Tudo bem, sabia que ele devia estar estressado. Mais ainda por ser dia de Lua nova, mas ele tinha que ficar insuportável? Bufou irritada e foi até um armarinho que tinha no banheiro pegando a toalha para se enxugar. Era com ele que ia se casar? Aquele ser grosso, irritado, ciumento e guloso? É.. Sorriu seguindo em direção ao quarto deles. Talvez ela tivesse sido um pouco dura com ele não? Entrou no quarto e a primeira coisa que viu foi o hannyou em sua forma humana sentado na cama, enquanto batia o pé.
- Você é muito lerda, demora esse tempo todo para subir? - Plift, toda a sua culpa de ter sido dura com ele tinha evaporado.
- E qual o problema em ser lerda? Eu não acho nada errado nisso... – ela passou por ele reto, indo pegar outra roupa.
- Eu não falei que tinha problema nenhum! Você está imaginando coisas!
Resolveu ignorar o comentário dele. Mudou de roupa. Estava agora com um babydoll. Véspera do casamento e eles PRECISAVAM brigar. Subiu na cama, puxou o travesseiro para si.
- Boa noite. – murmurou. Inuyasha continuou sentado na cama batendo o pé impacientemente.
Kagome fechou os olhos tentando enviar seus pensamentos para a área de descanço. Deveria se lembrar que amanhã teria que acordar cedo para o dia da noiva e... De que faria sentido ter o dia da noiva se ela e Inuyasha estivessem brigados? Eram dois crianças, isso sim. Mas ela não arredaria o pé. E pior... eles ficariam sem se ver até a cerimônia e... Ela piscou os olhos. Sentou-se na cama.
- Inuyasha... – ela chamou. – Olha... desculpa está bem? Eu só queria que você descançasse... só isso. Não queria brigar com você por um motivo tão bobo.
- Não. - disse seco para depois virar para ela, ficando de joelho em cima da cama. - Eu é que sou um idiota! Eu sempre desconto todo o meu estresse em quem não merece.. - pegou uma das mãos da moça e beijou. - Desculpa tá?
Ela sorriu.
- É claro que eu desculpo. E eu sei.. você está estressado. Por isso disse para você descançar. – colocou uma mecha do cabelo no lugar. – Vai lá tomar um banho, sim? – se afastou da mão dele, deitou-se de novo, mas manteve os olhos abertos.
- Boa noite Ká. - sussurrou. Depositou um beijo na testa dela antes de se dirijir ao banheiro para tomar banho.
