DISCLAIMER: Hawaii 5.0 pertence à CBS e criadores. E torço pra não acabar na oitava temporada ;-; #staywithusAlex
- McGarrett.
- Steve?
- Senhora Williams, estamos chegando. Achou alguma coisa?
- Na verdade está faltando uma coisa. Bem como você disse. - a voz de Clara pareceu menos chorosa do outro lado da linha, porém infinitamente mais triste. O medo de perder o filho mais velho pairava em sua cabeça. - A licença dele não está aqui. Ele deixou em casa antes de sair, eu o vi guardando no fundo salso da escrivaninha.
- Tudo bem. Chegamos. Já falo com a senhora.
Steve desligou o telefone e saiu do táxi. Pagou o motorista e pegou sua mala. Kono e Chin saíram logo em seguida, a mais jovem carregando também uma bolsa firme e retangular; certamente um computador de uso restrito.
Assim que chegaram à varanda foram recebidos por Eddie Williams, pai de Danny. O homem construiu um muro de força em torno de si para que a esposa se sentisse mais calma e segura. Mas Steve já lidou com casos de raptos e seqüestros antes; os olhos do capitão aposentado dos bombeiros carregam olheiras de quem não dormiu e a vermelhidão de quem escondeu o choro.
- Senhor Williams, obrigado por nos receber. Sinto muito que isso esteja acontecendo. Vamos fazer de tudo para achar o Danny.
Eddie cumprimentou o comandante da 5.0 com um aperto de mãos. Depois o puxou para um abraço, dando dois tapas amigos nas costas dele.
- Obrigado por vir. Todos vocês. Clara está no quarto onde ele fica, podem subir. Terceira porta à esquerda.
Antes de fechar a porta também cumprimentou Kono e Chin. Os três subiram a escadaria de madeira escura e seguiram em direção ao quarto indicado por Eddie. Clara viu os amigos e companheiros do filho entrarem e abraçou cada um deles.
- Steve, da próxima vez que me chamar de "senhora Williams" eu juro que arranco suas orelhas. - ela tentou rir, somente no intuito de amenizar o peso no coração.
- Desculpe, senho...Clara.
Chin e Kono acharam um pouco de graça da situação. Mas pelo que Danny fala, dona Clara considera todos os amigos de seus filhos como filhos dela própria.
Logo a seriedade voltou a dominar o ambiente. Kono tirou o notebook da bolsa, apoiou-o na cama e ligou. Chin já começou a vasculhar o quarto com a ajuda de um kit de evidências.
- Ainda há pouco me disse que tem alguma coisa faltando aqui. Uma licença? Do que?
- A licença de serviço da NJPD. Ele levou com ele para o Hawaii para comprovar autenticidade, mas trouxe de volta para anotação dos autos antes de testemunhar. Eu o vi guardar aqui. - Clara abriu uma das gavetas da escrivaninha do quarto. Tirou um ou dois livros que estavam guardados ali e depois destampou o fundo falso. - Quando você me pediu para procurar algo, foi o que senti falta.
- Clara, você se lembra do número de registro desse documento? - Kono perguntou gentilmente, conectando o serviço de rastreio disponibilizado para a 5.0.
- Todo não...eu lembro o final...sete-cinco-sete-seis. - Ainda assim a mulher fechou os olhos, esforçando-se para lembrar de toda a série de números, sem sucesso. Chin tocou em seu ombro, sorrindo compreensivo.
- O número final do distintivo, isso é invariável mesmo...Além do número, qual é a diferença entre esse documento e o que ele usa no Hawaii?
- Ah...eu não sei, Steve...além da numeração, não tenho ideia. É basicamente o mesmo para a maior parte dos estados: número de série, identifcação de distrito, tipo sanguíneo, chip de localização...
- Wow. Espere. Chip de localização?!
- Sim, todas as carteiras de registro dos policiais de Jersey tem isso. Nova York também. Após 2001...as mortes de policiais aumentaram muito.
Steve entendeu naquele momento duas coisas: a primeira foi o medo constante que Clara sentia de perder o filho. Especialmente após o sumiço de Matt.
A segunda é o trunfo que eles têm na mão. Se Danny estivesse de possa carteira, saberiam ao menos onde procurar.
- O Danny tem acesso aos dados do chip? Pelo login dele no site da polícia ou algo assim?
- Não...uma vez ele me disse que só o chefe do distrito e o encarregado pelo chefe têm acesso. Justamente para a segurança dos policiais.
Enquanto o comandante e a mãe de Danny conversavam, Chin achou digitais que podem ajudar no caso. Tirou fotos delas e enviou para Fong, no laboratório forense do Hawaii. Esperou algum tempo, e então o analista retornou a chamada via Skype.
- Steve. - Chin chamou o líder do 5.0 e, quando ele aproximou-se, Fong começou a falar.
- Tenho uma compatibilidade para as digitais que você enviou, Chin.
- Qual desses bandidos levou o Danny, Fong?
- Olha...vocês não vão acreditar. E também não vão gostar.
Dizendo isso, o analista abriu a tela de identificação para que a equipe pudesse ver o dono da digital. A imagem de um homem de cabelos negros, olhos verdes e sorriso pleno, uniformizado com as vestes formais da polícia de Nova Jersey apareceu na tela.
Claro que o choque foi geral. Um policial corrupto tornou-se algoz de outro, extremamente honesto. Mas o pior ainda não foi contado por Fong.
- Este é Robert Earl Miggiori. Segundo os registros da polícia de Nova Jersey, ele foi um dos dois oficiais que ajudaram Danny nas investigações contra os DeAngelis. Assumiu o posto de Encarregado de Registros pouco após a transferência do Danny para o Hawaii.
- Desgraçado...
- Temos que ir pra lá agora. Se ligarmos, vamos perder o fator-surpresa. Obrigado, Fong, ajudou muito!
O jovem analista despediu-se e Svete fechou a conversa. Virou-se para Clara, que pareceu entrar em choque devido às novas informações; um rapaz que ela sempre considerou como da família...e agora ele traiu Danny. Traiu a todos.
Ela sabe que o pior tipo de bandido é o policial que já não liga para mais nada. A vida de Danny esteve em risco desde o momento em que ele pisou no saguão de embarque e desembarque do aeroporto. Sua respiração falhou e ela quase desabou no chão, mas foi amparada por Steve.
- Clara. Fique calma. O mais importante nós já temos: um caminho a seguir. Você não sabe como nos ajudou. Nem como ajudou seu filho.
- Por favor...ele...ele não pode morrer, não posso perder outro, não depois de Matt desaparecer...eu não vou aguentar...
- Clara. Clara...hey! SENHOR WILLIAMS! - Steve gritou ao sentir a pele da mulher gelar. Depois de dias sendo forte e mantendo a família unida, chegou o momento em que a mulher desabou em seu desespero.
Eles ouviram os passos apressados de Eddie, que subiu as escadas e correu em direção ao quarto. Ele segurou a esposa, colocando-a na cama e olhando o trio à sua frente.
- O que houve?
- Ela ouviu algo que a preocupou. Na verdade preocupou a todos nós. Fique aqui com ela, nós vamos à antiga delegacia do Danny.
- Aqui! - o homem mais velho tirou um molho de chaves do bolso, jogando para o fuzileiro. - Peguem meu carro, taxi a esta hora é impossível de conseguir. E tragam meu garoto de volta.
Steve pegou as chaves no mesmo instante, sorrindo em agradecimento. Ele, Chin e Kono entraram no Jeep, fechando as portas. Os pneus cantaram e logo o grupo rumiu em direção à antiga delegacia de Danny.
Enquanto isso, Steve implorou mentalmente para que Danny aguentasse. Que a ajuda já chegaria.
Que ele não tem permissão de desistir.
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N.F.: Pessoal, dois avisos importantes:
1 – o número de distintivo do Danny é mesmo 7576. Só aproveitei nesta como complemento.
2 – "...o pior bandido é o policial que não liga pra mais nada" é uma frase que Danny usa numa cena deletada da S01E16 ao conversar com Stan.
