DISCLAIMER: Hawaii 5.0 não me pertence. Direitos reservados à CBS. Então CBS, meu anjo, dá mais crédito ao Danny porque a fanbase tá ficando aborrecida ;-;
- Lou? Precisamos nos encontrar. É urgente.
- Eu falei pra você não ligar. Nossos negócios acabaram quando vocês entregaram a encomenda.
- Descobri as informações que você quer.
-...O que?! E como diabos você conseguiu isso?! Só uma pessoa sabia o que eu queria saber!
- Pois é...acontece que não. Chefe Wittmore tinha contatos com a Central de Arquivos e o Serviço de proteção. Ele recebeu carta-branca para obter os dados.
- E quem deu essa carta-branca a ele?
-...Danny. Foi...difícil conseguir essas coisas pra você. E não deixei pontas soltas. Wittmore está morto.
Um longo silêncio fez-se dentro do Jeep. A ligação estava no viva-voz, mas pareceu ter caído, pois nem a respiração de Ferrigno foi ouvida por um tempo.
Até que ele explodiu numa gargalhada que reverberou do outro lado da linha.
- Robert, você me surpreende a cada oportunidade! Tá certo, então! Encontro com você na casa.
- Jeffrey vai estar lá?
- Ah, vai. Só em corpo, mas vai. Dei cabo dele ontem mesmo. Inventou de se arrepender. Bom, venha logo que não tenho a vida toda.
A ligação foi finalizada de forma abrupta. Steve olhou pelo retrovisor. Kono estava com o notebook, e durante toda a chamada tentou rastrear o número. Não conseguiu.
- O aparelho do Ferrigno também deve ser descartável.
- Assim como a vida dele. - Chin falou entre dentes, carregando um novo pente em sua arma.
Em outra ocasião Steve riria do comentário do tenente. Mas são tempos diferentes. A vida de seu melhor amigo corre perigo, e o espaço para rir é nulo. Digitou rapidamente um número em seu celular e esperou a chamada ser completada para falar.
- Comandante Steve McGarrett, Força-Tarefa 5.0 do Hawaii. Preciso de apoio médico, possivelmente UTI móvel. Encaminhe médico-legista para a County Highway 621, Sea Isle! Repetindo: County Highway 621, Sea Isle! Resgate de policial sequesrado!
- Unidade de UTI móvel encaminhada para County Highway 621 em regime de urgência. Já a caminho. Previsão de chegada em trinta minutos.
- Obrigado. - desligou o telefone e apertou oo volante com tanta força que os nós de seus dedos ficaram quase brancos.
- Vamos chegar antes deles, Steve.
- Bom. Isso é bom. Eu espero não estar mentindo pra nós, Miggiori. Senão quem vai precisar de uma UTI é você.
Robert engoliu em seco. Ele não mentiu. Aprendeu do jeito mais difícil que não se pode mexer com o 5.0.
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Nunca sentiu tanto frio na vida. E, como nativo de Jersey, já passou por tempestades que fizeram os dentes baterem.
Recobrou um pouco da consciência sem saber por quanto tempo ficou desacordado. A cabeça latejou como nunca antes. Tentou levantar o corpo e encontrar uma posição em que não houvesse tanta dor, mas sentiu uma pontada ainda mais aguda no peito, que o fez desabar novamente e tossir ainda mais sangue, que juntou-se à poça vermelha que jazia no chão.
- Grace...eu não disse nada...ele não merece ser...livre...mas estou tão cansado...Monkey...Danno ama você...- sua voz saiu num sussurro, quase muda. Em sua cabeça confusa pela fraqueza e pela dor, as imagens de suas duas Gracies aparecem.
Muito ao longe ouviu barulho de ondas. Estava perto da costa, com certeza. Apesar de estar em Nova Jersey e isso ser até comum por ali, sua mente viajou para o Hawaii. Mas a imagem do estado arco-íris, com suas praias lindíssimas e ruas cheias de turistas desapareceu numa nuvem tênue.
Junto com o som das marés, estouros de tiros. Alguns mais agudos, outros mais graves. Talvez Lou voltou para terminar o serviço.
Ou talvez...
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- LOUIS FERRIGNO, PARADO!
Steve gritou enquanto corria, trocando tiros com o mafioso. Chin estava logo atrás. Dois canos curtos contra um cano longo.
Steve foi atingido de raspão no braço esquerdo. Escondeu-se num velho tambor de ferro corroído pela ação da maresia, grande o suficiente para Chin também se proteger.
- Steve, seu braço!
- Foi só um arranhão. - Ele falou abaixando a cabeça um segundo antes de uma bala zunir na direção deles.
Ambos abriram fogo novamente, e desta vez Lou foi o ombro foi transpassado por uma bala e ele só não caiu por ser um homem corpulento. Cerrou os dentes de ódio, notando que Steve e Chin levantaram-se para abrir novo fogo. Guarda aberta. A oportunidade perfeita. Trocou de arma com toda a velocidade que foi capaz, e quando tinha o tenente na mira...
Um estouro. Depois silêncio. Sua visão foi manchada pelo líquido vermelho que escapou da cabeça em abundância. O corpo caiu seco e reto no chão, como se fosse uma madeira velha. Olhos abertos, estáticos e sem brilho. Mortos, como o dono.
- Excelente, Kono. O cara não teve chance. - Chin falou, guardando sua arma no coldre.
- Valeu, primo - Kono ouviu e respondeu através do fone bluetooth. Enquanto Svete e Chin perseguiam Lou, ela subiu no sótão de uma casa vizinha que estava tão abandonada quanto a que o mafioso usou. O campo de visão ficou perfeito quanto todos chegaram próximos ao que parecia ser a entrada externa de um porão.
Atirar foi a parte mais fácil, afinal de contas.
- Kono, vigie Miggiori lá no carro. Chin e eu vamos atrás do Danny.
- Pode deixar, chefe.
Steve e Chin correram para a entrada do porão. O comandante a estourou com um chute e o tenente entrou primeiro. Ambos desceram as escadas apressados, mas sempre verificando se havia mais algum capanga ali.
Espaço liberado, finalmente estavam dentro do porão. Steve quase perdeu a força das pernas, mas a reencontrou e correu em direção ao meio do cômodo.
- DANNY! - Apoiou o corpo do amigo e olhou pra cima, vendo as correntes atavam as algemas onde os pulsos do detetive estavam presos. - Chin, atira nisso!
O oriental não precisou ouvir duas vezes. Apontou para a corrente e atirou duas vezes. O metal afrouxou e o corpo ferido finalmente caiu, e só não encontrou o chão porque Steve o segurou.
- Danny. Danny vamos, hora de acordar. Abre os olhos, você consegue!
Não queria acreditar naquilo. Não poderia conceber a possibilidade de terem chegado tarde demais. Viu as marcas no corpo e na camisa do amigo, rasgada em várias partes. Inchaços em longo do abdômen e do peito, além de um ferimento profundo perto do estômago. Pressionou o ferimento para estancar o sangramento.
Com isso sentiu e viu Danny recuperar alguma consciência. Seus olhos arregalaram e seu corpo arqueou pela dor, mas não conseguiu respirar direito. Ao contrário; fôlego raso e irregular.
- É isso aí, esse é o meu garoto! - Steve sentiu um imenso alívio, chegando a sorrir e depois voltando à face preocupada. - Eu sei que dói Danny, mas você perdeu muito sangue. Não pode desperdiçar mais.
- Steve...Chin...eu estou delirando...só pode ser. - o detetive tentou rir, mas tudo o que saiu foi um grunhido de dor. - Assim...você termina...o serviço do Lou! - outro arqueio de costas, e o sangue voltou a verter com um pouco mais de força - Eu...não falei nada...eu juro...Jeffrey...aquele bandido...maldito...ele nos traiu...quando eu colocar as mãos nele!
- Tudo bem, não se esforce. A gente já sabe. Lou está morto. Jeffrey também. - Chin informou rapidamente. Achou mehor não contar sobre Robert ainda.
- Ah. Que bom. Melhor...assim, não é? Tomara que virem comida de ostra...já estamos na praia mesmo! - um fragmento de riso escapou do detetive, que logo deu lugar aos rolar de olhos de uma nova onda de agonia - Eu acho...que tem alguma costela quebrada...me impedindo de respirar...e eu estou tão cansado. Tão cansado...Mas a Grace não se foi...em vão.
Ainda estancando a hemorragia em Danny, Steve sorriu com as brincadeiras do amigo, porque isso ao menos quer dizer que ele estava consciente o suficiente para usar de seu costumeiro humor ácido. Porém as últimas palavras fizeram o coração do Seal pesar.
Lançando um breve olhar a Chin, o comandante também não disse nada sobre Robert. Não era hora nem lugar. Kono avisou que os médicos já haviam chegado e que estavam descendo as escadas. Steve agradeceu mas, quando mirou Danny novamente, o detetive novamente fechou os olhos.
- Danny, fica comigo! Olhos abertos, Danno!
- Steve, os paramédicos chegaram. Dê espaço para eles trabalharem.
O comandante ainda demorou alguns segundos para levantar. Quando o fez a equipe começou a trabalhar para estabilizar o homem extremamente ferido. Assim que conseguiram o colocaram na maca-transporte e saíram do porão.
Steve e Chin foram atrás. O comandante sequer perguntou se poderia subir na ambulância. Simplesmente entrou e acomodou-se próximo ao amigo, segurando uma das mãos geladas dele.
- Aguenta aí, Danno. Você não pode desistir. Não agora.
