Capítulo 2

Foi o impacto da noite gelada do lado de fora do hospital quente que a tirou do estado de choque. Isabella liberou seu braço, parando e encarando-o.

– O que você está fazendo aqui? – perguntou, furiosamente.

– Não é óbvio? Apanhando minha esposa.

A voz dele era calma, mas Isabella sabia que Edward era mestre em disfarçar pensamentos e emoções; essa era dos atributos que o tornavam tão bem-sucedido.

Havia muitos outros.

Aos 38 anos, Edward vinha construindo seu império há vinte anos com uma determinação desprovida de sentimento. Ele não privilegiava pessoas. Nos dois anos desde que eles estavam casados... ela se casara com 25 anos... Isabella passara a perceber que, fosse uma grande estrela ou um completo novato, Edward tratava cada artista exatamente do mesmo jeito. Esperava total dedicação e comprometimento, e se tivesse ambos, ele era o charme em pessoa.

Sem dúvida, o carisma de Edward era enorme e natural... especialmente com as mulheres. Ele media 1,85m e era definido, embora Isabella soubesse que não havia um centímetro de gordura naquele corpo. As feições eram fortes, mas ele possuía alguma coisa muito mais poderosa do que um rostinho bonito de garoto: um magnetismo que enfatizava sua masculinidade. Possuía sexy appeal.

Os cabelos eram bronzes e os olhos verdes, emoldurados por cílios grossos, mas a boca de Edward era o que sempre a fascinara. Seu sorriso, era deliciosamente desigual e atraente, e a voz dele... No primeiro encontro deles, ela sentira que poderia ouvir aquele tom rouco e profundo para sempre. Ainda sentia isso.

Todavia, tomara sua decisão, e esta era irrevogável. Ela não pertencia mais ao mundo de Edward. Talvez, nunca tivesse pertencido. E não ia se agarrar a ele, até que mesmo as memórias dos tempos felizes em sua vida fossem amargadas pelo presente. Isabella nunca entendera o que ele vira nela para amá-la, em primeiro lugar... não quando ele poderia ter qualquer mulher que quisesse..., mas a Isabella com quem Edward se casara não existia mais.

Esforçando-se para que sua voz não traísse seu tremor interno, ela disse:

– Como você sabia que eu estava saindo hoje? Não contei a ninguém.

– Eu sou seu marido. – Ele sorriu, mas o sorriso não alcançou os olhos.

Um calafrio percorreu a coluna de Isabella. Ela reconheceu aquele sorriso, que não era um sorriso, embora nunca tivesse sido dirigido a ela antes. Mas então, Isabella nunca tivera motivo para desafiá-lo no passado e deparar-se com a determinação inflexível dele.

– Nós estamos separados, e eu lhe disse que quero o divórcio.

– E eu lhe disse que só sobre meu cadáver – replicou ele. – Então, vamos ficar aqui no frio, discutindo, ou você será sensata e irá para casa comigo?

Raiva a inundou.

– Eu não pretendo fazer nenhuma dessas duas coisas. – Ela olhou para a fila de táxis do lado de fora dos portões do hospital. – Vou pegar um táxi para onde quero ir, então, pode devolver minha mala, por favor?

Ele meneou a cabeça.

– Não.

Ela o olhou com irritação.

– Estou falando sério, Edward.

– Eu também.

– Certo, fique com a mala. – Isabella tinha sua bolsa sobre o ombro, contendo dinheiro e cartões de crédito. – Mas me deixe em paz.

– Pare com isso. – A atitude estudadamente calma desapareceu. – Eu fiquei longe pelas últimas seis semanas como pediu. Pensei em lhe dar tempo para recobrar o bom senso, depois que o médico falou, na minha presença, que eu a estava aborrecendo e atrasando sua recuperação. Mas não admito que esta farsa continue por mais uma hora. Você é minha esposa... nós nos casamos para sempre, lembra? Na riqueza ou na pobreza, na saúde ou na doença, até que a morte nos separe...

Ela só ouviu a parte "para sempre". Aquilo soara como o cumprimento de um dever, fazendo a "coisa certa", quando tudo em Edward gritava contra isso, confirmando todos os medos dela. Isabella sentiu-se encolhendo.

Edward nunca fizera segredo do fato de que se deleitava no seu corpo. Todas as noites do casamento deles, e, às vezes, durante o dia também, ele a adorara com seu ato de amor, levando-a a alturas que ela nunca imaginara. Era um amante habilidoso e generoso, aventureiro, porém infinitamente carinhoso, sempre preocupado em lhe dar prazer, mesmo enquanto satisfazia o próprio desejo. Isabella nunca dormira com alguém antes de Edward, porque nunca se apaixonara por qualquer dos homens que namorara, e sempre soubera que queria esperar pelo "homem de sua vida". Então, Edward entrara em sua vida como um meteoro brilhante, e, dentro de dois meses, ela se tornara sra. Cullen.

Isabella respirou fundo, e ao fazer isso, o primeiro floco de neve flutuou com o vento.

– É preciso dois para fazer um casamento dar certo, Edward. Você não pode me forçar a ficar.

– Não acredito que estou ouvindo isso.

– Acredite, porque eu falo muito sério. As coisas estão diferentes agora.

A opinião de Edward da sua última declaração era decididamente profana, mas ela não se encolheu diante da raiva estampada no rosto dele.

– Está dizendo que você não me ama mais? – Perguntou ele. – É isso?

Isabella desviou o olhar. Do contrário, não poderia mentir convincentemente. Permitindo que seus cabelos caíssem para a frente e escondessem seu rosto, ela murmurou:

– Sim, é isso. Eu não o amo mais. Tudo bem?

– Olhe para mim e fale isso. – Ele ergueu-lhe o queixo com os dedos. – Diga-me que está disposta a jogar fora os dois últimos anos e tudo que nós compartilhamos como se eles nunca tivessem acontecido. Diga-me isso, olhando nos meus olhos.

– É claro que esses dois anos aconteceram, e eu sempre serei grata por eles, mas coisas mudam. Pessoas mudam. – Ela podia ouvir a si mesma dizendo as palavras como se fosse outra pessoa falando.

– Eu não mudei! – Ele subitamente balançou a cabeça em movimentos rápidos, significando um pedido de desculpas silencioso para seu tom de voz alterado. – Eu não mudei – repetiu, a rouquidão na voz aparente. – E não acredito que você tenha mudado.

– Oh, eu mudei – disse ela com amargura. Ele se casara com uma mulher jovem e inteira. Agora, Isabella não se sentia mais jovem e, certamente, não era mais inteira. Estava péssima, por dentro e por fora. E não havia espaço no mundo de Edward para incapacidades físicas e emocionais.

– Você fala do acidente? Suas pernas? – A voz dele era tão baixa que ela mal conseguia ouvir. – Isso não faz a menor diferença para mim... certamente você sabe? Você ainda é você...

– Não. Eu sou diferente, Edward. E você não pode balançar uma varinha mágica e me transformar na velha Isabella, mais do que pode fingir que não estou danificada. Eu nunca mais dançarei. Nunca mais andarei sem mancar. Tenho meses de fisioterapia a minha frente, e já me avisaram que as chances de artrite, quando eu ficar mais velha, são altas. É possível até que eu acabe numa cadeira de rodas.

– Eu sei de tudo isso. Tenho conversado com o médico em bases regulares e trabalhei num programa de treinamento com ele. – Antes que ela pudesse reagir, ele pegou-lhe o braço novamente, acrescentando: – Está começando a nevar, e você está ficando fria. Venha se sentar no carro pelo menos.

– Eu lhe disse que vou pegar um táxi. – Ele estava usando um sobretudo preto, e os cabelos estavam curvados sobre a gola, diferentemente do estilo usual de Edward. Aquilo era de propósito ou ele precisava de um corte de cabelo? Por alguma razão, Isabella achou tal pensamento enfraquecedor, e para combater isso, sua voz adotou um tom agudo quando ela disse: – E eu não quero mais que você converse com meu médico, muito menos que decida sobre meu tratamento. Posso cuidar de mim mesma. Nós não estamos mais juntos, Edward. Lide com isso.

Antes que ela tivesse conhecido Edward, cuidara de si mesma por anos. Sabia, pela sua avó, que seu pai abandonara sua mãe antes que Isabella nascesse, mas, uma vez que sua mãe morrera quando Isabella era pouco mais que um bebê, ela não se recordava dela. Sua avó materna a criara, e, como sua mãe tinha sido filha única, não houvera tias, tios ou primos na sua vida, e seu avô divorciara-se anos antes e se mudara.

Consequentemente, sua infância havia sido singular, sobretudo porque sua avó desencorajara amizade com outras crianças. Isabella vivera para as aulas de dança que fizera desde criança. Aos 16 anos, ela fora aceita numa escola de dança, e tinha acabado de se formar quando sua avó faleceu, deixando-a uma pequena herança. Ela se mudara de sua casa no oeste da Inglaterra para a capital, achando um apartamento de um quarto e começando a procurar trabalho como dançarina enquanto praticava todos os dias. Quando suas economias tinham acabado, Isabella fora forçada a aceitar outros trabalhos entre compromissos de dança para pagar as contas, mas estivera feliz, enquanto esperava por sua "grande oportunidade". E então, o papel de Sasha surgira, ela conhecera Edward e sua vida mudara para sempre.

– Você está sendo infantil, Isabella – disse Edward num tom que usaria com uma criança rebelde. – Pelo menos, deixe-me lavá-la para onde você quer ir. O que acha que eu vou fazer, pelo amor de Deus? Sequestrá-la e levá-la embora contra a sua vontade?

Esse era exatamente o tipo de coisa que ele faria, e seus olhos castanhos espelharam seus pensamentos, dando a resposta a ele.

Edward suspirou em exasperação.

– Eu lhe dou a minha palavra... que tal assim? Mas precisamos conversar. Você me deve isso pelo menos. A última vez que conversamos, você estava praticamente histérica, e metade da equipe médica no hospital me acusava de atrasar sua recuperação. Eu não entendia o que tinha feito de errado, e ainda não entendo. E pretendo entender.

– Eu escrevi para você, a semana passada – murmurou ela, sabendo que ele tinha razão. Mas como poderia explicar para Edward o que não entendia completamente? Apenas sabia que era impossível que eles ficassem juntos. – Não há mais nada a ser dito.

– Ah, sim, uma adorável cartinha – Edward falou com sarcasmo. – Algumas linhas declarando que você queria o divórcio, que não exigia absolutamente nada em termos de bens, e que, em vista dessa gentileza, esperava que o divórcio ocorresse sem contestação. Bem, tenho novidades para você. De maneira nenhuma, irei deixá-la se separar de mim. Você é minha esposa. Quando eu fiz aqueles juramentos, eles foram para a vida inteira.

Ela ergueu o queixo.

– Eu não sou uma posse, Edward. Como seu Volvo ou sua mansão em Madeira. Esta aquisição pode pensar e sentir.

– Não distorça minhas palavras – disse ele com calma notável. – Agora, vai me deixar lavá-la para onde você está indo, sem uma cena, ou devo colocá-la sobre meu ombro e carregá-la para o carro? A escolha é sua. Para mim, tanto faz.

Isabella não cometeu o erro de dizer você não ousaria. Edward ousaria. Reunindo a pouca dignidade que lhe restava, ela fitou-o friamente, antes de permitir que ele a conduzisse na direção ao Volvo.

Estava nevando muito mais forte quando Edward ajudou-a a entrar no carro. Ela observou-o rodear o capô, um nó se formando em seu estômago. Esse era exatamente o tipo de confronto que tentara evitar, mas, então, deveria ter sabido que Edward não desistiria facilmente. Ela soubera. Até mesmo desejara? perguntou uma vozinha. O que era ridículo. Edward estava constantemente cercado pelo melhor da indústria de entretenimento, e as mulheres eram atraídas para ele como abelhas para o mel. Isabella vira isso inúmeras vezes em festas e eventos. Ele possuía alguma coisa indefinível que valeria uma fortuna se pudesse ser engarrafada, e que não tinha nada a ver com a riqueza de Edward. Ela sempre o provocara, dizendo que ele teria dado um gigolô irresistível, se tivesse optado por uma carreira diferente. Isso não parecia engraçado agora. Na época, Isabella se sentira confiante de sua juventude e de seu corpo perfeito. Agora...

Ele não ligou o carro imediatamente, virando-se para ela e deslizando um braço ao longo do encosto do banco de passageiro.

– Eu senti a sua falta – murmurou com voz rouca, os olhos cor de esmeralda suaves como veludo. – Cada minuto. Cada hora.

Não, não faça isso. Com a raiva e mau humor dele, ela podia lidar; então ele era o Edward que o mundo conhecia... duro, determinado, implacável. Mas com ela, sempre tinha sido o oposto de todas essas coisas. E quando um homem grande e másculo como Edward revelava sua essência suave, era terrivelmente sedutor. Desde a primeira noite, quando ele a esperara do lado de fora do teatro, estivera aberto e vulnerável de um jeito que acabara imediatamente com o antagonismo inicial de Isabella. Mais ainda, quando ele lhe contara sua história.

Edward havia sido criado em lares adotivos desde os 8 anos, quando a mãe solteira finalmente o abandonara, depois de anos de negligência, e desaparecera. Ele admitiu ter tido uma infância problemática e uma juventude ainda pior, e lembrava-se de um professor prevendo que, no futuro, ele seria um vilão ou um milionário... Ou talvez, ambos.

– Aquele professor me fez um favor, embora ele não soubesse disso na época. – Edward lhe contara uma noite durante um jantar num restaurante fino. – Foi uma daquelas encruzilhadas da vida... um momento de decisão. Teria sido fácil seguir por aquele caminho sombrio... eu já estava mais da metade do caminho para lá. Todavia, fazer uma fortuna legitimamente era difícil. Mais do que um desafio. Então eu decidi provar alguma coisa para ele e para mim mesmo.

Isabella o olhara em fascinação.

– E essa foi a única razão pela qual você optou pela lei e ordem?

– Não. No fundo, eu queria fazer a coisa certa e nobre – respondeu ele com o sorriso irônico que ela já conhecia. – Mas a verdade é que eu não pensava assim na época. Vivia num ambiente depressivo, misturado com todo tipo de gente, quando eu estava com minha mãe, e, uma vez sob o cuidado do governo, desenvolvi uma personalidade agressiva. – Fui um jovem zangado, suponho. – O sorriso torto dele ampliou-se. – eu teria sido um excelente vilão, todavia.

Ela riu.

– Fico feliz que você tenha escolhido o caminho do bem – disse ela um pouco ofegante.

Com a expressão séria, Edward pegou-lhe a mão do outro lado da mesa.

– Eu também, e mais ainda neste momento. Eu teria achado muito difícil fitar seus olhos e pedir-lhe que amasse um homem como aquele.

Ela piscou.

– E é isso que está me pedindo? Para eu me apaixonar por você?

– Eu a amei desde o momento que a vi naquele palco, colocando-me no meu lugar, e nunca falei para outra mulher que eu a amava, porque não tinha sido verdade antes. Não quero apressar as coisas, Isabella, mas quero me casar com você. Quero que seja minha esposa, mãe dos meus filhos, minha parceira na vida. Eu a amo e preciso de você. – Ele recolheu o braço e recostou-se. – Isso responde sua pergunta?

Eles tinham ficado noivos naquela noite, se casado seis semanas depois, e Isabella sentira que sua vida apenas começara no dia que ela conhecera Edward. Ter alguém que a amava havia sido doce.

Ela virou a cabeça para ele agora.

– Você não deveria ter vindo aqui hoje, Edward.

– É claro que deveria. Nada teria me impedido.

A neve estava cobrindo o para-brisa de branco, fechando-os em seu pequeno mundo. Ele estava tão perto, o cheiro da colônia pós-barba trazendo memórias que Isabella não queria. Memórias que a excitavam.

Sabia que ele ia beijá-la, e quando ele ergueu seu queixo e cobriu-lhe a boca com a sua, ela não resistiu. Foi um beijo preguiçoso e sensual, e Isabella precisou de toda a sua força de vontade para não responder à mágica daqueles lábios. Mas conseguiu.

Após alguns momentos, Edward levantou a cabeça e estudou seu rosto.

– Eu entendo – disse ele. – Você acha que pode continuar fazendo isso? Ele afastou-se, engolindo em seco antes de murmurar:

– Eu não sei o que você quer dizer.

– É claro que não sabe. – Ele beijou-a novamente, e com uma avidez que não fez questão de frear, e no momento que Edward terminou, Isabella não estava somente correspondendo ao beijo, como também tremendo de desejo.

– Pronto. Assim está melhor. – Ele falou suavemente, então tirou uma mecha de cabelos castanhos da testa dela. – Podemos ir para casa agora?

Isabella olhou para as feições duras e, de súbito, uma onda de raiva sufocou todas as outras emoções. Afastou-se dele, dizendo:

– É isso que você acha? Que basta um beijo e estou em suas mãos? Um músculo saltou no maxilar dele.

– Eu não vou para casa com você, Edward. Não hoje, não amanhã, não qualquer outro dia. – Ignorando a expressão de fúria surgindo nas feições fortes, ela continuou: – Agora, você vai me levar para o hotel onde reservei um quarto, ou devo ir por minha própria conta?

Houve uma longa pausa, depois que ele se virou e agarrou o volante como se quisesse quebrá-lo. Então, sem uma palavra, ligou o motor, e o carro potente ganhou vida.

– Para onde você quer ir? – Perguntou Edward friamente, e, depois que ela lhe deu o nome da rua do hotel, ele começou a dirigir.

Ela vencera. Edward tinha cedido. Enquanto eles atravessavam os portões do hospital, Isabella ficou imóvel, sentindo-se entorpecida, recusando-se a pensar. O momento para pensar viria mais tarde, quando ela estivesse sozinha. Por enquanto, precisava permanecer na bolha que a cercava. Era a única maneira de reter sua sanidade.


Olá, meninas!

Após um longo tempo me dedicando apenas à leitura, retornei com as adaptações. Estou muito feliz em apresentar essa história linda de amor e superação pra vocês. Mandem reviews para que eu possa saber o que estão achando da história.

Pretendo postar um capítulo por dia, ao todo, são 12 capítulos, e após concluir essa, pretendo postar outra adaptação em seguida, mas ainda não sei de qual história.

Quero agradecer a Monica, arqdayse e ao fantasminha pelos reviews, espero que vocês gostem da história.

Até amanhã :*