Capítulo 4

Eles permaneceram sentados num silêncio que vibrava com coisas ditas e não ditas, até que uma jovem recepcionista foi informá-los de que a mesa deles no restaurante estava pronta.

O restaurante era agradável, mas nada como os lugares caros e sofisticados nos quais Edward costumava levá-la. De qualquer forma, as decorações natalinas eram de bom gosto e davam um charme festivo ao salão. A mesa para dois tinha uma bonita árvore de Natal no centro de uma toalha branca bordada com estrelas prateadas.

Depois que o garçom lhes entregara o cardápio e saíra para que eles decidissem o pedido, o garçom de vinhos apareceu. Edward sorriu para ela.

– Uma vez que estamos comemorando, uma garrafa de seu melhor champanhe – ele falou para o garçom, mas com os olhos em Isabella. O garçom sorriu e retirou-se.

– Comemorando? – perguntou ela com voz inexpressiva.

– É claro. Você saiu do hospital e a vida pode começar novamente. – O sorriso dele era desafiador. – Isso não merece um bom champanhe?

Ela não ia morder a isca, disse a si mesma. Deu de ombros.

– Eu não pensei que você aprovasse beber e dirigir.

– Certíssima – concordou ele. – Eu não aprovo.

Lutando contra a vontade de perguntar o que ele ia fazer com o Volvo, porque sabia que Edward queria que ela fizesse exatamente isso, Isabella cerrou os dentes e concentrou-se no cardápio. Sem dúvida, ele chamaria algum de seus empregados para apanhar o carro e voltaria de táxi para casa. Ele não se importaria sobre estragar os planos de alguém para a véspera do Natal.

E então, ela imediatamente envergonhou-se de si mesma. Edward não era cruel com seu staff. Ela é quem estava sendo cruel, o que não combinava com sua personalidade. Mas, então, não se reconhecia mais desde depois do acidente.

Ela sempre se considerara uma pessoa focada, equilibrada... o tipo de mulher que saberia lidar com quaisquer problemas que a vida lhe trouxesse. Porém o acidente a abalara demais... não apenas fisicamente, mas mental e emocionalmente. Tinha sido um daqueles eventos cataclísmicos... Um daqueles desastres que ela não imaginara nos piores pesadelos. E não soubera lidar com isso. Ainda não sabia. O ocorrido levara à superfície emoções que revelavam inseguranças e dor interna, começando pelo fato de seu pai ter abandonado sua mãe e ela. Ele obviamente não quisera a responsabilidade, então, abandonara sua mãe por causa dela? Isabella tinha sido a causa do rompimento deles?

Ela subitamente percebeu que o garçom tinha voltado e estava servindo o champanhe. Depois que ele colocou a garrafa no balde de gelo e saiu, Edward ergueu sua taça.

– A você – disse ele, suavemente. – Minha esposa vulnerável, doce e incomparável. O centro do meu universo.

Ela erguera a própria taça. Agora, colocou-a sobre a mesa sem dar um gole.

– Não faça isso, Edward.

– Não fazer o quê? Dizer o quanto eu a adoro? Mas eu a adoro, Bella.

– Você... não precisa dizer isso.

– Não preciso? – O tom dele era irônico. – Quando eu já fiz alguma coisa porque preciso fazer? Certo, você não gostou do brinde. Que tal – ele levantou a taça novamente e esperou que ela fizesse o mesmo – a nós?

– Edward – ralhou ela, mas ele meramente sorriu.

– Ao Natal, então. Um feliz Natal para todos. Impessoal o suficiente? Certamente, você pode beber a isso.

Isabella provou o champanhe. Era delicioso, sedutor e sofisticado... muito como Edward. Ela o olhou.

– Muito bom – disse ela, tentando não notar o sorriso dele.

– Não é? – Concordou ele. – Está com fome?

Surpreendentemente, pela primeira vez desde o acidente, Isabella tinha algum apetite. Assentiu.

– Um pouco.

– Ótimo. Você precisa se alimentar. – Ignorando-lhe a careta diante da crítica a sua magreza, ele continuou: – Eu vou deixar para comer peru de Natal amanhã à noite, e optar por vitela com molho vermelho e alecrim. Escolherei a sobremesa mais tarde. E você?

Isabella teria escolhido o mesmo prato, mas sentiu necessidade de afirmar sua independência.

– Eu quero patê de cogumelos e bife ao molho madeira. – Ela pôs o cardápio sobre a mesa e deu outro gole de champanhe. Precisava ser cuidadosa. Não tomara uma gota de álcool nos últimos meses enquanto estava no hospital, e o champanhe fino era tanto delicioso quanto perigoso. Ela nunca fora capaz de resistir a Edward no passado, com ou sem álcool.

O garçom aproximou-se, e, enquanto Edward conversava com ele, Isabella estudou o rosto pela primeira vez naquela manhã. Ele estava atraente como sempre, mas parecendo cansado e preocupado. Estaria trabalhando demais? Antes do casamento deles, ela soubera que ele costumara virar noites trabalhando, e, mesmo depois do casamento, houvera ocasiões nas quais eles não se viam por mais de 24 horas. Edward achava impossível delegar, esse era o problema. Tendo construído seu império com sangue, suor e lágrimas, ele era orgulhoso e protetor do mesmo, e nem sempre tão seguro de si como gostaria que as pessoas acreditassem. Particularmente em relação a ela.

Era isso que a cativara quando eles haviam começado a namorar, reconheceu Isabella. Ele estivera louco por ela, mas inseguro de como ela se sentia a seu respeito, o que a surpreendera. Edward raramente falava sobre a própria infância, mas quando falava, revelava que tivera grandes problemas como amor e compromisso no passado, e em confiar nas mulheres.

O pensamento perturbou-a. Isabella vinha tentando reprimir tais verdades nas últimas semanas.

Entretanto Edward encontraria outra pessoa, facilmente, ela assegurou-se. Sua avó sempre dissera que amor significava algo inteiramente distinto para homens e mulheres, e que o amor dos homens era mais físico e transitório.

– Mesmo os melhores deles procurarão uma modelo mais jovem com o tempo, Isabella. Apenas para que se lembre disso e se proteja contra o dia que acontecer.

Por um momento, era como se sua avó estivesse lá, e Isabella piscou, sacudindo-se mentalmente. Edward dissera que a visão preconceituosa que sua avó tivera da vida e do amor a afetara, o que ela não gostara de ouvir na ocasião, mas poderia haver alguma verdade nisso? Aquilo a influenciara de maneira negativa?

Sentindo que a ideia era uma traição à mulher que a criara e se sacrificara tanto para lhe dar as aulas de dança que ela tanto queria, Isabella imediatamente repudiou o pensamento. Homens tinham obsessão por corpos e aparências de mulheres. O número de mulheres de meia-idade que eram dispensadas durante crises com seus maridos era prova disso. Homens simplesmente não eram monógamos por natureza.

Isabella saiu de seu devaneio para descobrir que, sem querer, terminara sua taça de champanhe, e Edward a olhava intensamente. Em silêncio, ele completou sua taça.

– No que você estava pensando? Não era em mim, era?

Ela não ia contar-lhe, mas precisava falar alguma coisa para satisfazê-lo. Olhou ao redor do restaurante, que estava enchendo aos poucos antes de murmurar:

– Apenas que hoje não aconteceu do jeito que eu planejava.

– Realmente acha que, depois de três meses presa num hospital, eu a deixaria fazer isso sozinha?

– Eu sou mais do que capaz de cuidar de mim mesma – disse ela. – Não sou criança.

A voz de Edward continha mais do que um pouco de auto depreciação quando ele replicou:

– Acredite, Bella, eu nunca a vi como criança. Exasperada, impenetrável, às vezes, mas nunca criança.

Ela corou diante do desejo sensual nos olhos verdes. Agitada, deu um gole do champanhe, antes de perceber o que estava fazendo e pôr a taça sobre a mesa de modo tão abrupto que quase derramou o líquido.

– Relaxe. – Ele pegou-lhe a mão como se tivesse todo direito de tocá-la quando quisesse, e como se a conversa de separação e divórcio nunca tivesse acontecido. – Você é como uma gata em telhado de zinco quente. Este sou eu, lembra? Seu marido.

Edward ergueu a mão dela e levou-a aos lábios. Uma onda de eletricidade subiu pelo braço de Isabella, antes que ela pudesse reprimir sua reação diante daquela boca em sua pele sensível. Recolhendo a mão, ela falou com veemência:

– Não faça isso.

– Mas você gosta que eu a toque. Não negue. E eu gosto de tocá-la, Bella. Lembra como costumava ser? – O olhar dele baixou para seus lábios, e ela sentiu seus mamilos enrijecendo, quando uma onda de desejo sexual a inundou. – Nós fazíamos amor em qualquer lugar, a qualquer hora. E era isso que fazíamos, Bella... amor. Não fazíamos apenas sexo, por mais maravilhoso que fosse.

Ela queria mandá-lo parar, mas a voz profunda estava evocando memórias que persistiam em perseguir seus sonhos noturnos, e que a faziam acordar arrasada quando percebia que ele não estava lá.

– Como aquela vez em Madeira, quando nós estávamos cozinhando panquecas para o café da manhã, e descobrimos outro uso para o melado – acrescentou ele, com voz rouca.

– Eu nunca provei nada tão bom. Nós nunca comemos as panquecas, comemos?

Eles tinham se amado ali mesmo no piso de madeira da cozinha, aquecido pelo sol, e, mais tarde, quando brincaram de lamber melado um do corpo do outro, fizeram amor de novo, devagar e preguiçosamente. Dias mágicos.

Consciente de que estava num lugar público, e não podia dar vazão à angústia que as palavras de Edward haviam induzido, Isabella lutou por autocontrole. Não importava como eles tinham sido bons juntos. A garota que se deleitara em envolver seus membros cor de porcelana em volta dele, que se deleitara no prazer que ele sentia por seu corpo perfeito, não existia mais. Ela nunca mais se sentiria tão desinibida, tão cheia de alegria, tão dele. Não esperava que Edward entendesse isso, mas sobrevivência ditava que ela precisava deixá-lo antes que murchasse e morresse, tentando ser a pessoa que se apaixonara por ele. Não podia encarar a perspectiva de gentileza e piedade substituindo desejo e paixão que ele sentira por ela.

– Você me quer, Bella. Tanto quanto eu a quero. – Edward recusava-se a aceitar a autonegação dela. – Precisa me sentir em seu interior, tanto quanto eu preciso estar lá. Quero fazer amor com você por horas novamente. Nada apressado, porque temos todo o tempo do mundo agora que você está comigo outra vez. Eu posso acabar com todas as suas dúvidas, com suas preocupações, fazendo-a acreditar que estamos bem.

– Não, você não pode, e nós não estamos juntos outra vez – Isabella falou fervorosamente, tentando sufocar o desejo que as palavras dele lhe causavam.

– Você é minha, sempre será, e sabe disso. – Edward inclinou-se para mais perto, sem tocá-la, mas envolvendo-a com seu calor. – Nossa casa nos espera, e viver lá sozinho está me matando. Não posso estar lá sem imaginá-la nos meus braços, fazendo amor em todos os cômodos como fizemos na primeira semana que nos mudamos. – Ele observou sua expressão desejosa, então continuou com voz rouca: – Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas, juntos...

– Pare com isso. – O tom de Isabella foi agudo. – Pare, ou eu irei embora imediatamente.

Ele fitou-lhe os olhos, grandes e trágicos contra as feições pálidas, então praguejou. Recostando-se, bebeu todo o champanhe da taça.

O garçom levou as entradas à mesa nos próximos momentos, e, após alguns minutos que eles começaram a comer, Edward disse:

– Eu não sei se quero beijá-la ou estrangulá-la no momento.

– Não se preocupe com isso, porque eu não o deixaria fazer nenhuma das coisas. – Ela deliberadamente manteve a voz leve e o rosto inexpressivo. – O patê está ótimo a propósito.

Os olhos de Edward estavam duros enquanto ele tentava assimilar a mudança nela. E porque estava sempre no controle, não gostava daquilo. Isabella não achava que uma mulher já falara não para ele antes. Até conhecê-la, Edward sempre fora aquele que terminara seus relacionamentos.

– Então, você está determinada a continuar com essa farsa ridícula? – Murmurou ele, após terminar seu salmão.

Isabella o encarou, abençoando a força que viera de algum lugar e que a fazia tremer apenas por dentro.

– Está falando da separação? É claro.

– É claro? – Repetiu ele, suavizando o humor. – Eu não teria dito que existe "é claro" sobre isso. Mas quem sou eu? Um mero homem.

Isabella observou-o cautelosamente. Ninguém poderia acusar Edward Cullen de ser um mero qualquer coisa.

Por que ele tinha de ser tão... tão tudo? Ela perguntou-se em desespero. Por que ela não podia ter se apaixonado por um homem comum, atraente, porém que não tivesse o resto da raça feminina perseguindo-o? Alguém que ela pudesse sentir que fosse verdadeiramente seu?

Mas não acontecera assim, infelizmente.

Edward completou as taças quando o garçom retirou os pratos vazios. Música de Natal tocava nos fundos, e do lado de fora das janelas do restaurante, o pequeno pátio tinha sido transformado numa terra encantada de inverno, a única árvore ali orgulhosamente exibindo sua nova roupagem branca. Os flocos de neve continuavam caindo, o solo já formando mais de um centímetro de carpete.

Sem pensar sobre o que ia dizer, ela voltou-se para Edward.

– Está nevando mais forte. Assim que acabar de comer, você deveria ir embora.

A hora de carro que levava para chegar à mansão deles na extremidade de Reading dobraria com este tempo, e o Volvo... apesar de lindo... não era ideal para condições árticas. Ele poderia facilmente ficar encalhado no meio do nada.

O sorriso de Edward foi irônico.

– Não vê a hora de se livrar de mim?

– Isso, e o fato de que você teria a chance de ficar encalhado na neve. O vento está aumentando de velocidade... ou não notou?

– Eu notei.

Isabella deu de ombros.

– Não diga que eu não o avisei.

– Considerando que você não fez nada, exceto me avisar sobre coisas desde o começo desta manhã, eu não sonharia com isso.

Ele ainda estava sorrindo, mas o tom da voz de Edward dizia que ele não aceitara derrota. Uma onda de consciência intensa a percorreu por um momento. Ela não queria brigar com ele. Sentia-se tão abalada emocionalmente que ansiava por paz mental, e não obteria esta até que estivesse longe de Edward. Uma vez que organizasse algumas coisas essenciais, Isabella pretendia desaparecer por alguns meses. Não aceitaria um centavo da fortuna dele para se sustentar... ela já trabalhara em bares e restaurantes antes, e poderia fazer isso novamente, e já pensara em se tornar professora de dança no futuro.

O garçom chegou com o prato principal, mas Isabella subitamente perdera o apetite, e teve de se forçar a comer. Não ajudava que Edward a observava o tempo inteiro, como se procurando uma rachadura em sua armadura.

– Você está se esforçando para comer – comentou Edward. – Cansada?

Ela assentiu. O esforço de sair do hospital e o confronto com Edward, o qual ela tivera esperança de evitar até que estivesse mais forte, roubara mais suas forças do que ela pensara ser possível. Os médicos haviam previsto que ela experimentaria extrema exaustão nos primeiros dias após a alta, mas Isabella não imaginara que fosse se sentir tão esgotada. Tudo o que queria era dormir.

– Quer abrir mão da sobremesa por enquanto?

Ela não sabia o que ele queria dizer com "por enquanto", mas estava muito exausta para questionar. Assentiu. Poderia deitar a cabeça e dormir imediatamente.

Edward levantou a mão. O garçom apareceu e, dentro de momentos, eles estavam saindo do restaurante. Ela soubera que ia achar difícil levantar e andar... seus músculos ainda não estavam funcionando como antes, e ficavam rígidos facilmente, embora o fisioterapeuta a assegurara que isso era apenas temporário..., mas as mãos firmes de Edward em seus cotovelos facilitaram. De qualquer forma, Isabella sabia que estava mancando, e imaginou o que ele estaria pensando. Ele sempre dissera que ela possuía a graça de uma gazela. Bem, não mais, pensou ela dolorosamente.

Uma vez no foyer do hotel, ela parou e encarou-o, de modo que ele foi forçado a largar seu braço. Edward usava um terno cinza-chumbo com uma camisa cor de pêssego e uma gravata, e nunca parecera mais atraente. O magnetismo dele era tão forte que ela podia sentir o gosto. De forma entorpecida, Isabella falou:

– Obrigada pelo almoço. Estava muito bom. E, apesar de poder não ter parecido, eu apreciei sua gentileza em ter ido me buscar no hospital hoje, embora não fosse necessário. Espero que faça uma boa viagem até Reading.

O maxilar de Edward estava rígido, mas a voz era tranquila quando ele murmurou:

– Você precisa descansar. Eu pegarei a chave do quarto.

– Eu posso fazer isso... – Ela parou. Estava falando sozinha. Ele já estava a caminho da recepção.

Muito cansada para protestar, Isabella observou-o trocar algumas palavras com a recepcionista, antes de guardar a chave do quarto no bolso. Então ele estava de novo ao seu lado, pegando-lhe o braço e dizendo:

– Eu pedi chá com bolo do serviço de quarto para às 16h. Isso lhe dará duas ou três horas de sono, tudo bem?

Não estava tudo bem. O que ele estava fazendo, assumindo o comando da situação, depois de tudo que ela dissera?

– Edward...

– Não crie uma cena, Bella. Não com todas essas boas pessoas a nossa volta. Você não quer estragar o Natal de alguém, quer?

Além de se desvencilhar dele, o que ela não confiava que pudesse realizar, Isabella descobriu que não tinha opção senão andar com ele para o elevador. Não queria que Edward a acompanhasse até seu quarto. O foyer era um lugar neutro para uma despedida, com pessoas ao redor; seu quarto era uma proposição totalmente distinta.

No final, isso não foi problema, porque, uma vez que o elevador os deixara no andar requisitado, e Edward andara alguns metros no corredor e abrira uma porta, Isabella descobriu que ele não tinha intenção de ir embora.

Ele deu um passo ao lado para que ela o precedesse, mas Isabella parou na soleira do que era claramente uma suíte de cômodos.

– Este não é meu quarto. Eu não reservei isto. Pedi um quarto de casal padrão. – E aquele custara uma pequena fortuna.

– Suas acomodações foram claramente aprimoradas – murmurou ele, conduzindo-a para uma sala de estar luxuosa, completa com árvore de Natal decorada, antes que o cérebro de Isabella voltasse a funcionar.

Quando funcionou, ela virou-se para encará-lo com expressão acusadora.

– Você fez isso. Eu quero meu próprio quarto. Quero o quarto que reservei.

– A recepcionista me informou que aquele foi ocupado minutos depois que eu transferi para este, quando nós chegamos – Edward falou com imperdoável satisfação. – Pense nisso como sua boa ação de Natal. Aquelas pessoas provavelmente não teriam tido condições de pagar esta cobertura, que era a única outra acomodação disponível quando eu perguntei, então, o fato de nós estarmos aqui significa um Natal feliz para mais alguém. É a época das boas ações.

Isabella disse alguma coisa muito rude em resposta, a qual chocou a ambos. Então, absorveu o significado das palavras dele.

– O que você quer dizer com "nós"? – Perguntou ela, furiosamente. – Este é meu quarto, e eu ficarei aqui, sozinha... e pagarei por ele. – De alguma forma.

– O pagamento já foi feito – replicou Edward, parecendo intocado por sua raiva.

– Bem, pode ser desfeito.

– E causar ao hotel toda a chateação com papelada? – Edward meneou a cabeça. – Você parece não se importar muito com gentileza humana. O espírito natalino não a tocou nem um pouco?

Isabella nunca chegara tão perto de bater em alguém antes, o que a chocou mais, porque ela nunca se considerara uma pessoa violenta. Cerrando os dentes, respirou fundo.

– Eu quero que você vá embora, Edward. Imediatamente.

Ela esperara que ele discutisse, então ficou sem ação, quando ele concordou suavemente.

– Assim que você estiver seguramente na cama. E não se preocupe que não vou agarra- lá. Posso ver que você está exausta, querida.

Foi o jeito que ele falou a última palavra que drenou toda a resistência de Isabella. Com medo que fosse chorar a qualquer minuto, ela começou a atravessar o quarto.

– Eu vou ao banheiro.

A suíte tinha mais três cômodos... um pequeno estúdio, completo com computador e tudo que um visitante de negócios precisasse para se conectar com o mundo, e dois quartos, ambos com banheiro, e decorados com os mesmos tons de creme, cinza e dourado que na sala de estar.

Dentro do banheiro do segundo quarto, Isabella fechou os olhos por um momento. Foi um esforço enorme abri-los e andar até o espelho longo. Ela gemeu ao ver seu reflexo. Seu bronzeado de verão já tinha desbotado há muito tempo, depois de meses no hospital, mas ela fora cuidadosa em hidratar a pele, apesar de tudo. Hoje, todavia, sua pele estava quase cinza de exaustão, e seus olhos castanhos pareciam enormes no rosto magro. Não era uma visão bonita; não era de admirar que Edward quisera encurtar a refeição... ela parecia um fantasma.

Isabella vira sua mala no quarto ao passar por lá, mas em vez de ir para o quarto, ela despiu-se, antes de colocar o roupão branco atoalhado, que estava pendurado atrás da porta. Era enorme, porém ótimo, decidiu, amarrando a faixa em volta de sua cintura fina. O roupão escondia tudo que ela precisava esconder daqueles olhos cor verdes penetrantes, e isso era o que importava.

Edward a aguardava quando ela entrou descalça na sala de estar e anunciou:

– Estou pronta para dormir, então você pode ir.

O olhar dele percorreu-a da cabeça aos pés. Isabella descobriu que estava duplamente grata pelo roupão volumoso, quando seu corpo traidor respondeu, seus mamilos enrijecendo.

– Você parece ainda mais magra nessa coisa – comentou Edward. – A comida do hospital era tão ruim assim?

Ela meneou a cabeça.

– Eu que não tinha apetite. Logo ganharei peso.

– Magra, mas linda. – A voz dele estava rouca agora, o rosto dizendo o que as palavras não diziam. – Encantadoramente linda, na verdade.

– Por favor, Edward, vá embora. Eu não posso... – Isabella engoliu em seco. – Por favor, vá.

– Eu sei, eu sei. – Ele pegou-lhe as mãos nas suas, puxando-a contra seu peito largo e roçando-lhe o topo da cabeça com o queixo. – Você precisa descansar. Fez demais para seu primeiro dia.

Isabella não pôde evitar um sorriso.

– Você fala como se eu tivesse acabado de sair da prisão – sussurrou ela, a voz abafada contra sua camisa. E então, afastou-se, o cheiro masculino e único maravilhosamente familiar. Ela queria envolver os braços no pescoço dele, beijá-lo e suplicar-lhe que esquecesse tudo que ela dissera.

– Por favor, vá – repetiu com a voz tremendo.

Edward afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. Isabella pensou que ele fosse beijá-la, e quando ele meramente roçou-lhe a testa com os lábios, ela experimentou desapontamento agonizante.

– Doces sonhos – murmurou ele, muito suavemente. – Não se esqueça do chá com bolo, às 16h.

Ela assentiu, não acreditando que ele a deixaria. Observou-o atravessar o quarto e abrir a porta para o corredor, esperando que, a qualquer momento, Edward se virasse e voltasse para ela. Mas ele não fez isso.

A porta fechou-se. Isabella estava sozinha. O que era exatamente o que ela exigira.


Olá meninas, como vão?

Edward a cada capítulo mais lindo e apaixonante. Eita que esse homem tem uma paciência hein? Acalmem-se, ele não desistiu, longe disso!

Isabelle: A criação da avó da Bella mais a baixa auto estima a faz acreditar que não é boa o suficiente agora com as marcas dos acidentes, mas ao decorrer da história o Edward vai quebrando essa parede em volta do coração dela. Obrigada pelo seu review, espero que continue a mandar, fico muito feliz :*

Guest: Não sei seu nome, mas vi que você sempre está comentando, muito obrigada pelo carinho e espero que continue gostando da história. Beijos!

Até amanhã!