Capítulo 5

Isabella ficou parada, olhando para o outro lado do quarto por alguns momentos, lutando contra a vontade de correr atrás de Edward e dizer...

Dizer o quê? Que ela mudara de ideia? Mas não mudara. Não sobre deixá-lo. Todas as suas razões para isso eram válidas, e talvez tivessem se aprofundado nas últimas horas, desde que ela o vira novamente. Amava-o muito, e o poder de Edward sobre ela sempre a assustara um pouco, dentro do lugar privado de sua mente, onde verdades desconfortáveis estavam enterradas. Ela precisava ficar longe dele. Era o único jeito.

Balançou um pouco, tão cansada que mal conseguia parar em pé, então foi para o quarto onde vira sua mala mais cedo. Removendo o roupão, subiu na cama, querendo pensar sobre ela e Edward, reafirmar a razão que justificava sua decisão, mas com tanta exaustão, seu cérebro não computava. Ela não conseguia pensar. Não agora.

A neve do lado de fora havia banhado o quarto numa sombra suave, apesar de passar só um pouco da uma hora, e a cama era incrivelmente confortável, depois da cama de hospital que ela suportara pelos últimos três meses. Dentro de segundos, Isabella caiu num sono sem sonhos.

Ela estava completamente inconsciente da figura que entrou no quarto, alguns minutos depois, parando do lado de dentro da porta, até que se certificasse de que ela estava realmente dormindo, em cujo ponto andou para a cama. Edward olhou para sua esposa adormecida por diversos minutos, seu olhar acariciando as feições bonitas, enquanto ela dormia, e a qualidade frágil da forma embaixo da colcha.

Quando ele fechou as cortinas contra a tempestade do lado de fora do casulo aconchegante do hotel, seu rosto estava úmido.

Isabella não sabia exatamente o que a tirara de um sono tão profundo que faziam seus membros parecerem pesar toneladas. Ela estava deitada num espaço vazio quente, uma luz parecendo o crepúsculo banhando o quarto em sombras indistintas, enquanto ela se forçava a abrir os olhos. Sentia-se abençoadamente relaxada.

Por um momento, não teve ideia de onde estava, então as últimas horas voltaram para sua mente, ao mesmo tempo em que seu cérebro registrou vozes além do quarto. Vozes masculinas.

Ela não se lembrava de ter fechado as cortinas. Olhou na direção da janela, ainda confusa, mas então, no momento que se sentou na cama, reconheceu a voz familiar. Aquela era a voz de Edward. Isabella olhou para seu relógio, mas estava muito escuro para ver a hora.

Com o coração disparado, afastou a colcha e pegou o roupão sobre a cadeira ao lado da cama, vestindo-o apressadamente. Depois de acender o abajur, checou o relógio novamente. Quatro horas. Chá com bolo. Serviço de Quarto. Mas isso ainda não explicava o que Edward estava fazendo lá... a menos que ela tivesse imaginado a voz, é claro.

Edward era muito real quando ela abriu a porta para a sala de estar. Os sentidos de Isabella se aguçaram quando ela registrou o corpo muito másculo apenas em calça preta de seda do pijama. Não que ela já tivesse visto Edward usando pijama alguma vez.

Era óbvio que ele acabara de tomar banho antes de abrir a porta. O torso musculoso brilhava onde ele não se enxugara antes de vestir a calça do pijama, e havia gotas de água nos pelos do peito. Ele estava magnífico.

Isabella engoliu em seco, dizendo a si mesma para falar alguma coisa. Qualquer coisa.

Mas seu raciocínio estava afetado.

– Oi. – O sorriso de Edward foi ridiculamente normal nas circunstâncias. – A batida à porta acordou você? É nosso chá com bolo.

Ela tentou, realmente tentou se comportar como uma das mulheres sofisticadas que ele namorara antes de conhecê-la teria se comportado, mas soube que fracassara miseravelmente quando sua voz soou aguda.

– O que você está fazendo aqui? – Gritou ela. – Você deveria ter ido embora.

A expressão de Edward tornou-se inocente e magoada, o que era ainda mais inacreditável em vista do traje dele... ou da falta deste. Antes que ele pudesse dar uma explicação falsa, ela continuou:

– E por que o chá com bolo é para dois, considerando que você o pediu horas atrás?

– Ah... – Ele deu um sorriso ingênuo. – Eu posso explicar.

– Por favor, explique – murmurou ela com sarcasmo.

– Eu não queria que você passasse a véspera de Natal sozinha, então pensei em ficar por um tempo.

Ele passou a mão nos cabelos bronze, e ela foi lembrada de como Edward ficava bem com os cabelos um pouco mais longos do que normalmente usava, antes de reprimir o pensamento.

– Eu não convidei você – replicou ela, zangada. – E por que está vestido... talvez despido fosse uma descrição mais apropriada... assim?

Ele olhou para a calça do pijama como se estivesse surpreso pela pergunta, então, encontrou-lhe o olhar com uma serenidade que deixou Isabella ainda mais nervosa.

– Estava tomando banho quando o serviço de quarto chegou.

– Por que você estava tomando banho no meu quarto de hotel? – perguntou ela, impaciente. – E por que seu pijama está aqui?

– Eu estava tomando banho no meu quarto... você notou que esta suíte tem dois quartos? – O tom era como se ele estivesse falando com uma pessoa estúpida. – E saí para comprar o pijama e algumas outras coisas enquanto você estava dormindo. Presumi que você fosse preferir que eu usasse alguma coisa para atender a porta no tipo de situação que acabou de ocorrer – acrescentou ele de modo tão lógico que ela queria socá-lo.

Olhando-o, Isabella perguntou-se como perdera o controle das coisas. Tudo estivera tão organizado esta manhã. Sair do hospital. Ir para o hotel. Aconchegar-se na cama e hibernar durante o Natal. E agora, encontrava-se nesta posição ridícula... seu marido compartilhando sua suíte de hotel e praticamente nu a alguns metros de distância.

E muito sexy. A vozinha no fundo de sua mente foi impiedosamente honesta. Recompondo-se, Isabella endureceu seu coração, assim como sua expressão.

– Você disse que ia embora. E eu imaginei que você fosse fazer exatamente isso.

Edward sorriu-lhe e se sentou num dos sofás em frente da mesa de vidro, onde chá e bolinhos os aguardavam.

– Não – corrigiu ele. – Eu nunca disse que ia embora. Sei disso, porque nem cavalos selvagens me arrastariam daqui. Eu teria preferido que nós fossemos para casa e discutíssemos o que precisa ser discutido lá, mas claramente isso não vai acontecer. Portanto, eu adaptei as circunstâncias.

– Consequentemente, mudando o quarto para uma suíte de cômodos?

– Claro. Assim podemos ficar confortáveis pelo tempo que essa farsa durar. – Ele sorriu. – Estes bolinhos parecem fantásticos. Eu sempre adorei cupcakes de chocolate. E tem um de limão se eu não estiver enganado. Nós não comemos sobremesa, então venha aproveitar – disse enquanto servia duas xícaras de chá.

Isabella hesitou por um momento. Não ia ceder, e, de maneira alguma, Edward ia compartilhar a suíte esta noite, mas a variedade de cupcakes parecia tentadora, e, surpreendentemente... pela segunda vez naquele dia.… ela descobria que estava com fome. Teria preferido que Edward estivesse completamente vestido, todavia, uma vez que ele parecia mais interessado na comida no que nela...

Isabella sentou-se no sofá oposto, aceitando o chá que ele lhe entregou, e selecionando um cupcake rosa e branco, decorado à mão com margaridas de açúcar. Derreteu em sua boca, e quando Edward lhe estendeu a bandeja dos bolinhos, novamente, ela pegou um de limão, recusando-se a reconhecer como aquilo era aconchegante.

Do lado de fora, a neve estava muito forte, e, ao olhar pela janela, o estômago de Isabella contorceu-se. Era tarde demais para mandar Edward embora. Ele nunca chegaria a Reading agora, reconheceu, silenciosamente. Certo, então ele teria de ficar, afinal de contas, mas estritamente nos seus termos... O principal sendo que cada um ficaria no seu próprio quarto.

Isabella o fitou por sob os cílios. Ele estava sentado e comendo, e, aparentemente, muito relaxado.

Edward levantou a cabeça e pegou-a olhando para ele. E quando lhe sorriu, o coração de Isabella disparou.

– Lembra quando você fez aquele bolo de polenta, açafrão e laranja, em Madeira? – Murmurou ele suavemente. – Eu não provei nada tão bom antes ou desde então. Você prometeu que faria de novo na Inglaterra, mas nunca fez.

A memória daquele dia no palacete em Madeira lhe veio à cabeça. Tinha sido as últimas férias deles antes do seu acidente, e eles haviam vivenciado momentos mágicos: cavalgando ao longo da praia, mergulhando, tomando sol ao redor da piscina privada deles e passando todas as noites nos braços um do outro. Eles haviam comprado pequenas laranjas num mercado local, e ela seguira a receita que Kaure... a diarista de Edward do vilarejo... lhe escrevera. Isabella era a primeira a admitir que não cozinhava muito bem... Edward era muito melhor do que ela, possuindo um talento natural para isso..., mas o bolo ficara surpreendentemente delicioso, e Edward a elogiara muito.

Eles tinham comido o bolo úmido e macio depois do jantar, com café, sentados no terraço do palacete, no ar ricamente perfumado, enquanto um glorioso pôr do sol preenchia o céu com tons de vermelho, dourado e violeta, e, depois, contentes e saciados, os dois haviam feito amor por horas na enorme cama. Ele lhe dissera que ela era maravilhosa, uma deusa...

Bastava. O aviso soou alto em sua cabeça. Aquilo tinha sido no passado, e isso era agora, e a garota que vivera num biquíni praticamente as férias inteiras não existia mais. Isabella nunca se considerara linda, mas sempre tivera consciência de seu corpo firme e gracioso de dançarina, capaz de confiar em si mesma em relação às inúmeras mulheres que se derretiam por Edward. O que elas diriam agora?

Pessoas. Os olhos castanhos de Isabella escureceram. Sempre pessoas. Pensando agora, ela nunca tivera Edward completamente. Sempre houvera pessoas nos bastidores reivindicando por ele. Mesmo em Madeira, amigos tinham aparecido para jantar ou para churrascos... pessoas lindas, ricas, engraçadas, inteligentes, fascinantes. Ela dissera a si mesma que aquilo era esperado; ele tinha quase 40 anos, pelo amor de Deus, e construído uma vida que precisava continuar quando ela chegara. Esperar qualquer outra coisa teria sido irracional. E Isabella não se importara com aquilo na época... não muito, pelo menos. Apenas às vezes se sentira do lado de fora.

– Qual é o problema? – Edward a estava olhando.

Ela voltou do passado para descobrir que devia estar olhando para ele sem vê-lo.

– Nada – respondeu rapidamente. – Minha mente estava vagando, só isso.

– Pela expressão no seu rosto, sua mente não devia estar num lugar bom. – Edward estreitou os olhos. – O que me faz pensar que você estava pensando em alguma coisa que tem a ver conosco? – Acrescentou, recostando-se no sofá e observando-a com olhos verdes brilhantes. – O que era?

Os sentidos de Isabella registraram o movimento dos músculos poderosos a sua frente, e ela foi lembrada, mais uma vez, de como o corpo dele era magnífico.

– Isabella? – Pressionou ele, deixando claro, pelo tom de voz, que ele não deixaria o assunto morrer. – Conte-me.

Subitamente, ela jogou a cautela ao vento.

– Eu estava pensando sobre como, durante todo nosso casamento, sem contar a lua de mel, nós vivemos constantemente cercados de pessoas querendo um pedaço seu – disse ela. – Dias de semana, fins de semana... era sempre igual. Eu, às vezes, pensava que era apenas uma das muitas parasitas em seu mundo.

Ela obviamente o chocara. Observou enquanto Edward considerava suas palavras.

– Você nunca, jamais foi apenas qualquer coisa. Como minha esposa, estava 100% comigo. Ou pelo menos, eu pensei que estivesse. – Ele se sentara ereto, o corpo tenso agora. – Obviamente, eu me enganei.

Ela não ia levar toda a culpa.

– Você nunca me perguntou o que eu queria, Edward. Não realmente. E admito que eu deveria ter falado, mas eu estava fascinada por tudo aquilo. – Pela minha sorte incrível em me casar com você. Pelo fato impossível que você me amava. – E não estou dizendo que não apreciei nosso tempo juntos, porque apreciei, mas eu nunca realmente me senti...

– O quê? O que você não sentiu?

– Que eu me encaixava no seu mundo, suponho. – Isabella meneou a cabeça. – Talvez, você estivesse certo quando disse que eu nunca achei que nosso casamento duraria. Nunca tive consciência de pensar assim, mas uma vez que você falou, percebi que há um elemento de verdade nisso. E não somente por causa da minha avó e da atitude dela em relação aos homens. Mas também porque eu entrei na sua vida, sem você ter de fazer mudanças no jeito de conduzi-la. E se eu desaparecesse novamente, o mesmo aconteceria. Nada mudaria realmente. Eu não abalaria seu mundo se partisse.

Edward a olhava como se nunca a tivesse visto antes.

– Você não pode acreditar nisso – disse ele, claramente chocado. – Quantas vezes eu lhe disse que a amava? Que nunca amei outra pessoa? Achou que eu estava mentindo?

Isabella pausou antes de responder. Sabia que tinha aberto uma lata de minhocas, mas não havia volta agora.

– Não, eu sei que você me amava – respondeu ela. – Mas por que não me amaria, quando eu estava fazendo tudo que você queria? Sendo quem você queria? E não estou dizendo que foi tudo culpa sua. Eu adorava ver como a outra metade vivia, e ser parte daquele mundo. Era uma vida excitante e louca, e muitas outras coisas. Mas... – ela pausou, procurando palavras para explicar o inexplicável. – Mas existe outro mundo, também. Um mundo real. Um mundo desprovido de vidros cor-de-rosa.

– Significando o que exatamente? – O tom de Edward era amargo. Ela deu de ombros.

– Quero dizer que, do lado de fora da bolha de Edward Cullen, pessoas trabalham das 9h às 17h para pagar suas contas, lutam arduamente. Elas não podem simplesmente pegar o telefone e ter meia dúzia de pessoas prontas para atender aos seus desejos. Nunca experimentaram como é entrar numa loja e ser capaz de comprar o que você quiser, sem olhar as etiquetas de preço. Elas têm dias ruins, ficam doentes... sofrem acidentes.

Isabella parou abruptamente. Não estava colocando aquilo muito bem. O que queria dizer não tinha nada a ver com riqueza. Não realmente. Era sobre Edward pertencer a ela, e ela pertencer a ele.

– Eu não consigo explicar isso bem – acrescentou ela.

– Você está me culpando por ser bem-sucedido na vida? – Perguntou Edward, a voz gelada. – Porque eu não irei me desculpar por isso. Eu saí da sarjeta, e vi o bastante para saber que prefiro cortar meu próprio pescoço a voltar para lá. Imagine viver numa sucessão de cômodos, com a pessoa que deveria amá-lo e cuidar de você, mas que esquece que você está viva, na maior parte do tempo. Dormir em camas sujas, comer coisas horríveis, porque se não comer, irá morrer de fome e ninguém se importará. Não ter ideia do que é um banho, mas sabendo que outras pessoas não cheiram como você e sua mãe. E quando você é finalmente é rejeitado de vez, deseja voltar para aquela vida, ruim como era, porque é tudo que já conheceu e está apavorado.

Como se não suportasse olhá-la, Edward se levantou, dando-lhe as costas e respirando fundo, os ombros tensos, cada linha do corpo poderoso proclamando o quanto ela o magoara.

Horrorizada com as feridas que ela descobrira, Isabella murmurou:

– Edward, sinto muito. Eu não pretendia... Sinto muito.

Ele virou-se para encará-la, e ela viu que o controle de ferro estava de volta.

– Não importa. – O rosto dele estava relaxado, calmo, mas ela sabia que ele não estava se sentindo assim por dentro. – Faz muito tempo. Mas não me diga que eu não experimentei a vida, Bella. Eu não fui criado no que você chama de bolha de Edward Cullen. Sangue, suor e lágrimas me trouxeram onde estou hoje... isso e a sorte. Mas vou lhe dizer uma coisa. – Ele moveu-se para onde ela estava de pé agora, olhando-a fixamente. – Eu poderia desistir de tudo amanhã, e partir sem olhar para trás e sem arrependimentos. Você fala sobre meu mundo, mas deixe-me esclarecer uma coisa. Meu mundo não me pertence. Eu o pertenço. Há uma enorme diferença.

Isabella observou seu rosto. Queria acreditar nele, mas não sabia se acreditava. De qualquer forma, que diferença fazia? Tudo era relativo.

Assim, de perto, ela estava consciente do cheiro fresco de sabonete emanando do corpo forte, dos cabelos ainda úmidos desalinhados, os quais, de alguma forma, reforçavam a masculinidade dele de um jeito que fez seu coração disparar, enquanto a intimidade do momento se aprofundava.

Edward estendeu a mão e afastou uma mecha de cabelos do rosto de Isabella, então acariciou sua face.

– Você parece mais deliciosa do que os cupcakes, e infinitamente mais satisfatória.

Isabella sabia o que ia acontecer, e também sabia que ele estava lhe dando tempo para que ela se afastasse, para que quebrasse o encanto. A sala de estar estava iluminada por apenas dois abajures que Edward acendera, e o brilho suave era realçado pela neve do lado de fora da janela e pelas luzinhas brancas na pequena árvore de Natal. O ambiente era aconchegante, seguro e caloroso, e o poder da sensualidade dele envolveu-a, quando ela cedeu à mágica do beijo de seu marido.

Braços fortes rodearam sua cintura, puxando-a para os quadris estreitos, enquanto ele aprofundava o assalto aos seus sentidos. Isabella sentiu seus seios responderem quando o roupão atoalhado foi pressionado contra a parede do peito largo, seus bicos enrijecendo, enquanto sangue esquentava suas veias.

A língua de Edward provocou o interior de sua boca, e o efeito foi elétrico. Um pequeno gemido escapou da garganta de Isabella, vibrando contra a boca dele e fazendo-o gemer em resposta, enquanto ela lhe circulava o pescoço e entrelaçava os dedos nos cabelos bronzes grossos.

Agora, o beijo se tornara voraz, exigente e maravilhosamente familiar, deixando-a em chamas. Ela aninhou-se contra ele em abandono, inconsciente de que as lapelas de seu roupão tinham se aberto, e que a faixa estava desamarrada. E então, ela sentiu mãos quentes sob o sutiã fino que estava usando e congelou.

– Não. – Sua voz soou alta com pânico, enquanto Isabella se afastava, ajeitando o roupão no lugar e amarrando a faixa.

Edward estava totalmente ofegante, e teve de respirar fundo, antes que pudesse falar.

– Está tudo bem. – Ele não a deixou escapar completamente, puxando-a de volta para seus braços com uma força que não permitia protesto. – Nós podemos fazer isso tão devagar quanto você quiser.

– Eu não quero fazer isso, em absoluto. – Sentindo a boca seca, Isabella umedeceu os lábios. – Nós não podemos...

– Nós podemos. – Ele beijou-a novamente... um mero roçar em sua boca trêmula. – Somos casados, Bella, e você acabou de provar que me quer tanto quanto eu a quero. – As palavras não eram arrogantes, mas apenas a declaração de um fato. – Nós somos um, e você não pode lutar contra isso.

Ela balançou a cabeça, confusa, emoções conflitantes inundando-a. Se eles fizessem amor, se Edward a visse nua, ele sentiria repulsa. E Isabella não poderia suportar isso. Queria estar na lembrança dele como ela havia sido... com pele sedosa, macia, convidativa. Estava fazendo isso por ele, tanto quanto por si mesma. Edward a desposara quando ela era perfeita. Por que teria de aprender a se adaptar com menos? Isabella estava achando a tarefa difícil, mas o que aquilo faria com um homem como Edward? Não, isso tinha de acabar agora. De maneira rápida e sem hesitação... como um bisturi do cirurgião. Ela precisava permanecer forte. Não podia fraquejar.

– Não, Edward – sussurrou Isabella. – Nós não somos mais casados. Não aqui, na minha cabeça.

– Eu não acredito nisso. – Ele continuou abraçando-a, mas agora de forma mais relaxada. – Nem por um segundo. Portanto, não perca seu fôlego tentando me convencer quando tudo que está fazendo é mentindo para si mesma. Agora, vá tomar um longo banho de banheira, passar cremes, se arrumar e fazer o que qualquer mulher faz quando está se aprontando para uma noite na cidade. Vou levá-la para jantar, e tenho ingressos para o teatro.

Isabella o olhou em perplexidade.

– Eu não vou sair.

– É claro que vai. Nós não tomaremos neve. Aqui é Londres, não o ártico.

– Não foi o que eu quis dizer. – E ele sabia disso. – Eu ficarei aqui.

– Por quê? – Os olhos verdes a desafiaram.

Isabella optou por uma das desculpas mais velhas... Aquela que vinha logo depois de "Estou com dor de cabeça".

– Eu não tenho nada para usar. – Era verdade. Sua mala continha leggings, camisetas e outras roupas confortáveis que ela usara no hospital, mas nada adequado para o tipo de noite que Edward descrevera. Todas suas roupas de sair estavam na casa deles.

Ele sorriu.

– Sem problemas. – Liberando-a, ele andou para a árvore de Natal, e ela viu que, em algum ponto durante a tarde, pacotes lindamente embrulhados haviam aparecido abaixo da árvore. – Você pode receber alguns de seus presentes, adiantado – disse ele, alegremente, pegando dois pacotes da pilha. – Eu comprei um número menor do que o seu, então, acho que irá servir. Experimente e veja.

Totalmente atônita, Isabella gaguejou.

– Quando...? Como...?

Diversas emoções... cautela, deleite, embaraço... brincaram nas feições de Edward.

– Eu fiz algumas compras enquanto você dormia – admitiu ele. – Deixei seus presentes de Natal em casa. Pensei... bem, você sabe o que eu pensei. Não esperei que fossemos passar o Natal num hotel na cidade.

– Edward, eu não posso aceitar estes. – Parecia absurdo aceitar presentes dele nas circunstâncias. – Entenda isso.

– Por que não? – Questionou ele.

– Simplesmente não posso. Eu não tenho nada para você, para começar. E.… não seria certo.

Ele jogou os pacotes num sofá e alcançou-a novamente, recusando-se a soltá-la quando ela tentou se afastar. Uma mão levantou-lhe o queixo gentilmente, de modo que seus olhos se encontrassem.

– Você ter sido capaz de sair daquele lugar hoje é o presente que eu mais queria. Naqueles primeiros dias, eu não achei que você fosse sobreviver. Estava apavorado e não podia fazer nada. Algo assim me fez definir prioridades na vida, acredite. Então, você é meu presente de Natal, este ano.

– Edward... – Ela estava lutando para não chorar. – Eu não posso...

– Eu sei, eu sei. – Ele beijou-lhe os lábios, brevemente. – Você não quer ouvir isso, mas é a verdade. Agora, pegue seus presentes e fique ainda mais linda se isso for possível. Porque nós vamos sair esta noite, Bella. Mesmo se eu tiver de vesti-la. – Ele sorriu, mas Isabella sabia que ele não estava brincando. – O que, por acaso, é minha opção preferida.

Sabendo que precisava ser mais forte, mas ainda se derretendo pelas coisas lindas que ele falara, continuou olhando-o por mais um momento. Talvez, sair fosse a melhor ideia, afinal de contas. Uma noite no quarto seria perigosamente aconchegante, com Edward naquele humor muito sedutor no qual se encontrava.

Como se para confirmar seus pensamentos, Edward beijou-a novamente, como se não pudesse evitar... um beijo lento e sensual. Ela abrira as palmas no peito poderoso, num esforço de afastar-se do desejo ardente que a envolvera. Era sempre assim; ele só tinha de tocá-la, e Isabella estava perdida. A boca de Edward moveu-se para sua orelha, mordiscando- a, antes de progredir para seu pescoço e encontrar a pulsação ali. As batidas aceleradas do coração sob suas palmas revelavam a excitação de Edward, tanto quanto o volume sob a calça do pijama, e, por um segundo, ela experimentou o velho deleite por ser capaz de despertar tanto desejo nele, antes que a realidade destruísse o sentimento com a mesma eficiência de um balde de água fria.

Ele não sabia como estava sua aparência debaixo do roupão. Não vira as cicatrizes e a pele enrugada.

Isabella afastou-se tão violentamente que o pegou de surpresa.

– Por favor, não – disse ela, com fraqueza. – Por favor, Edward. – Pegando os pacotes que ele jogara no sofá, foi para a porta, virando-se para perguntar: – A que horas eu preciso estar pronta?

Ele não se movera, e a respiração de Isabella ficou presa na garganta diante da beleza máscula daquele corpo. Os olhos aveludados a percorreram, e não havia irritação no semblante de Edward. A voz era profunda e calorosa quando ele respondeu:

– Eu pedi coquetéis aqui no quarto para às 19h, antes de irmos.

Isabella assentiu, segurando as lágrimas com muito esforço, quando lhe ocorreu que nunca o amara tanto quanto neste exato momento. Edward possuía tudo que ela sempre quisera... sempre quereria... e ela precisava mandá-lo embora de sua vida. Apenas tinha de fazê-lo acreditar nisso, antes que enlouquecesse tentando.


Boa noite, meninas!

Hoje demorei um pouco mais, mas cheguei. Como puderam ver, Edward é duro na queda e está disposto a qualquer coisa para que a Bella desista do divórcio, mesmo que esteja sofrendo com a situação.

Isabelle: Bella é osso duro de roer e ela ainda vai fazer o Edward sofrer um pouquinho mais, mas começamos a ver que ela está derretendo kkk

Rosangela Patzz: Obrigada pelo carinho, fico muito feliz. Quem sabe a próxima história não é um Edward todo mandão e cowboy? Gostei da ideia, vou dar uma pesquisada nas histórias ;)

juaassaid: Mais um capítulo, espero que continue acompanhando. Abraços!

Guest: Hoje demorei um pouco mais, mas postei o cap, Bella está aos poucos se rendendo ao Edward :) Espero que goste.

Até amanhã, no horário normal.