Capítulo 7

Tinha parado de nevar quando eles deixaram o conforto do hotel, saindo numa noite gelada de inverno, que transformara as ruas da cidade em alguma coisa mágica.

O staff do hotel havia limpado o caminho da porta até a rua principal, removendo o excesso de neve. De qualquer forma, Isabella se sentiu grata pela mão firme de Edward em seu cotovelo enquanto eles chamavam um táxi.

A neve não parecera dissuadir os compradores de último minuto, fazendo uso das lojas que ainda estavam abertas. As calçadas brancas estavam vivas com pessoas cheias de sacolas, e um estranho ar de alegria preenchia o ar. Era como se um Natal branco tivesse evocado a excitação de uma criança até mesmo nos habitantes mais duros, e por um tempo, a maravilha do feriado festivo varrera todos os problemas e dificuldades. Todo mundo parecia feliz.

Edward sentou-se ao seu lado no táxi, passando um braço em volta de seus ombros, e ela não se afastou, apesar de ficar tensa. Era estranho estar no meio da agitação da vida, novamente, depois de o longo tempo no hospital, mas não era isso que a deixava nervosa, embora ele devesse pensar assim, porque murmurou:

– Relaxe. Nós estamos fazendo isso juntos, certo? Eu estou aqui. Teremos uma noite agradável.

– Eu estou bem – mentiu ela com firmeza. – Estou ótima.

O som que Edward emitiu dizia que ele não acreditava naquilo, antes que ele abaixasse e beijasse o topo de sua cabeça.

Isabella olhou pela janela, sem realmente ver as lojas iluminadas e as multidões, tomada por um misto de emoções... medo e pânico, e, especialmente, amor. O corpo musculoso estava contra o seu, preenchendo-a como a sensação familiar de segurança, de pertencer. Quando ela conhecera Edward, percebera que estivera procurando sua vida inteira pela segurança que ele oferecia. Pela primeira vez, sentira que tinha uma chance com as coisas que muitas pessoas contavam como garantido. Ele cuidaria dela. Mas agora, isso estava relegado a uma memória... Um sonho lindo que havia sido doce enquanto durara.

Eles não conversaram no caminho para o teatro, mas, de vez em quando, Isabella sentia os lábios de Edward roçarem o topo de sua cabeça. Ela precisou de toda a sua força de vontade para não levantar o rosto para ele, e apenas o conhecimento de que seria injusto lhe dar qualquer esperança a impediu de tocá-lo. Vira tristeza misturada com desejo nos olhos verdes, momentos atrás, mas sabia que ele ainda não aceitara que o casamento estava acabado. E tinha de aceitar. Para o bem de ambos.

Edward ajudou-a a descer do táxi, uma vez que eles chegaram ao teatro, mas Isabella ainda estava muito consciente de seus movimentos menos do que elegantes, e desespero a preencheu no momento que ela pisou na calçada gelada. Dr. Carlisle lhe dissera, mais de uma vez, que ela era muito dura consigo mesma.

– É a dançarina em seu interior que exagera que o que você vê como falta de graça – ele insistira. – Outras pessoas não notarão.

Isabella o abençoara por sua gentileza, mas soubera que aquilo não era verdade.

Ela respirou o ar gelado, o qual, devido à neve, estava desprovido da poluição da cidade. Certo, hora de andar, disse a si mesma quando Edward deslizou um braço em volta de sua cintura. Talvez, eles não encontrassem nenhum conhecido, de qualquer forma.

Doce ilusão!

Mal tinham acabado de entrar no foyer quando uma voz excitada os fez se virarem.

– Queridos... – Tanya Denali era atriz, e, Isabella suspeitava, um dos casos antigos de Edward... embora ele nunca tivesse dito isso, e ela nunca tivesse perguntado. Mas havia alguma coisa sobre o jeito que Tanya a tratava que fazia Isabella sentir que a loira, alta e magra se ressentia dela de alguma forma. – Tão adorável encontrá-los. – Os olhos azuis de Tanya a percorreram da cabeça aos pés, antes que ela cumprimentasse os dois com beijos do ar.

– Olá, Tanya – disse Isabella, tentando respirar através do perfume forte que a loira estava usando. Tanya era a última pessoa que ela teria escolhido ver.

– Como você está? – Uma mão com unhas vermelhas tocou o braço de Isabella. – Nós ficamos tão devastados ao saber sobre o acidente, pobrezinha. E você é dançarina também. Tão triste.

– Ela está ótima... não é, querida? – A voz de Edward era fria, indicando que ele esperava que Tanya não prolongasse a conversa.

O companheiro de Tanya... um homem alto e distinto, que poderia ter sido dublê de Richard Gere... devia ter pensado a mesma coisa, porque pegou o braço dela, após cumprimentar Isabella e Edward com um gesto de cabeça, dizendo:

– Nosso grupo está nos esperando para se sentar, Tanya. -Tanya desvencilhou-se, olhando diretamente para Isabella.

– Todos aqueles meses no hospital devem ter sido tediosos para você. Aposto que não vê a hora de voltar ao seu ritmo de vida – acrescentou ela, suavemente. – Mas vá devagar, querida. Você parece um pouco cansada e magra.

– Isabella tem a resiliência da juventude ao seu lado – apontou Edward. – lembra como era a sensação disso, Tanya? Agora, se nos der licença...

Eles estavam sentados em seu camarote, antes que Isabella falasse.

– Você não devia ter dito aquilo – murmurou ela, enquanto Edward servia champanhe nas taças. – Ela nunca o perdoará. Eu ficaria surpresa se Tanya falasse com você novamente.

Edward sorriu, oferecendo-se o prato de canapés.

– Parece bom.

Abaixo deles, o teatro estava enchendo. O drama musical a que iam assistir era o último grande evento, e os ingressos eram como pó de ouro. O teatro em si era um prédio antigo, com teto alto ornado e um ar vitoriano. O aquecimento central era igualmente arcaico, e não forte o bastante para uma noite tão fria.

Como um mágico produzindo um coelho de um chapéu, Edward colocou uma imitação de pele de animal sobre as pernas dela.

– Melhor assim? – Perguntou ele.

– De onde isto saiu? – Questionou Isabella, surpresa.

– Eu conheço este teatro. É quente no verão, e frio no inverno, mas seu charme anula tais inconveniências. – Edward encheu a taça dela de champanhe, a voz calorosa ao acrescentar: – Relaxe e aprecie o show. Você está ótima. Estou orgulhoso de você, minha querida.

Foi a expressão nos olhos cor verdes que a fez enrubescer e dar um gole do champanhe. Isabella esquecera como ele a fazia se sentir... não, isso era mentira. Não esquecera, meramente tentara enterrar a memória, juntamente com muitas outras. E ele nunca entenderia aquilo, porque ela mesma não entendia. Era apenas o tipo de coisa que tornava imperativo que ela saísse da vida dele agora, enquanto o relacionamento entre os dois ainda era civilizado. Isabella não suportaria experimentar um distanciamento lento conforme a relação deles se tornasse amarga.

Ela estava louca? Deu um gole de seu drinque. Provavelmente. E, sem dúvida, covarde e fraca.

Olhou, pelo canto do olho, para Edward, que a encarou de volta.

– Pensando novamente – afirmou ele em tom lamentoso. – Eu gostaria de apertar um interruptor aqui – acrescentou, tocando-lhe a testa de leve –, e desligar sua cabeça por um tempo. Como eu posso fazer isso, minha doce esposa? Como posso fazê-la viver o momento?

Ela deu de ombros, fingindo uma indiferença que não sentia.

– Eu só conheço um jeito para isso, mas é impossível aqui – continuou Edward, de modo contemplativo. – Impossível fazê-lo propriamente, de qualquer forma, e depois de esperar tanto tempo...

Isabella deu outro gole do champanhe, decidindo que silêncio era a maneira mais rápida de acabar com a conversa unilateral perturbadora. Ela fingiu interesse nas redondezas do teatro.

– Lembra como era entre nós? – Ele estendeu as pernas longas, passando um braço ao longo do encosto do assento dela, a proximidade inundando-a de calor. – Aquelas noites que nós não dormíamos até amanhecer? O gosto de puro êxtase, longo, lento e duradouro. Você é minha, Bella. Sempre será minha, e eu sou seu. Não há outro caminho para nós, agora que experimentamos perfeição.

– Não faça isso. – Isabella arfou, as palavras dele causando uma reação em cadeia no seu corpo, que ela era impotente para controlar. E Edward sabia disso.

– Não fazer o quê? – A voz rouca era sensual. – Não falar a verdade? Mas a verdade liberta. Não é isso que dizem? E você não está encarando a verdade. Ainda não. Nosso estilo de vida, meu trabalho, outras pessoas... está tudo no nosso perímetro.

Ele a estava confundindo. Ela balançou a cabeça, prestes a se levantar e ir embora. Foi a diminuição da iluminação que impediu tal ato, mas Isabella ficou rígida quando a peça começou, cada nervo de seu corpo completamente tenso.

Apesar de seu estado, o drama acontecendo no palco começou a fazer sua mágica, após um tempo. Os efeitos especiais eram fascinantes, e a voz da heroína encantava, mas foram os dançarinos que mais prenderam a atenção de Isabella... especialmente a dançarina principal, que era graciosa como uma gazela. No começo, ela sentiu tristeza ao assistir à garota, mas depois envolveu-se tanto na apresentação que teve de se sacudir para voltar à realidade quando o intervalo chegou.

– Então? – Edward a fitou quando as luzes acenderam. – Está gostando? - Isabella assentiu.

– É brilhante... absolutamente brilhante. E eu não estou criticando, mas...

– Mas? – Pressionou ele, quando ela parou de forma abrupta.

– Eu teria organizado o último número de dança de maneira diferente. Teria sido muito mais intenso se a dançarina líder fosse levada pelo submundo depois que terminasse do que no começo. A cena perdeu alguma coisa sem a presença dela.

Edward assentiu.

– Eu concordo.

– Desse modo, os papéis de Cassandra e Alex poderiam ter sido ajustados para torna-los mais envolvidos na luta, em vez de eles serem quase observadores. – Isabella parou, ciente do meio-sorriso no rosto de Edward. – O que foi?

– Nada. – Edward virou-se quando uma garçonete apareceu com um prato de petiscos frescos e café, o que ele obviamente tinha pedido para ser levado ao camarote. Após dar uma gorjeta à garota, ele fechou a porta, envolvendo-os no seu pequeno mundo privado novamente. Eles comeram e, diferentemente de antes, a conversa de Edward agora era leve e divertida, exigindo pouca resposta dela.

Para sua imensa surpresa, Isabella descobriu que estava se divertindo, apesar dos nervos. Ela temera ser obrigada a ir para o bar lotado no intervalo... Um lugar onde muitos ali gostavam de ver e de ser vistos... e sem a necessidade disso, o prazer de estar na cidade, depois de tantas semanas trancadas no hospital, foi grande.

Edward estendeu-lhe uma xícara de café.

– Isto é tão gostoso – murmurou ele com contentamento, o ombro roçando o dela. Era. Gostoso demais. Isabella não falou nada, e o silêncio confortável mudou, tornando-se desconfortável. Mas ela ainda não o quebrou. Edward tomou seu café preto, o rosto calmo e inescrutável. Ela não tinha ideia o que se passava pela cabeça dele. O pensamento perturbou-a com sua verdade, fazendo-a refletir.

Ele deliberadamente não lhe contava seus pensamentos e era enigmático? Ou era ela que nunca dedicara tempo para descobrir os sentimentos e desejos interiores de Edward? Estivera tão ocupada com sua carreira, sobrevivendo no mundo esplendoroso no qual eles habitavam que se contentara em viver na superfície do casamento deles, enquanto tudo era fácil e harmonioso. A perplexidade por Edward tê-la escolhido como esposa, que era boa demais para ser verdade, incluíra um sentimento de que ela devia ser cuidadosa para não balançar o barco, e tinha sido mais simples não se aprofundar em nada.

Filhos, por exemplo. Ela olhou para o perfil esculpido de Edward. Quando eles haviam falado sobre uma família, Isabella sentira que ele queria filhos, logo, mas ela nunca realmente conversara com ele sobre aquilo, preferindo relegar o assunto para o futuro. Pelo jeito que ele falara mais cedo, ao ver as duas garotas japonesas, ficara claro que Edward queria ser pai... provavelmente precisava criar uma unidade familiar mais do que a maioria dos homens devido à sua criação. Ele quereria dar aos filhos tudo que nunca tivera. Por que ela nunca percebera isso antes?

Porque não parara para pensar; estivera muito ocupada com pensamentos de como a esposa de Edward Cullen deveria ser. Isso simbolizava tudo que estivera errado no relacionamento deles, antes do acidente, e a maior parte daquilo era culpa sua. Todavia, tinha sido impossível revelar suas inseguranças, porque elas estavam enterradas muito profundamente, trancadas dentro da pequena criança assustada em seu interior. Mas Isabella não era mais criança. Era adulta e precisava enfrentar seus medos enterrados. Sem isso, não poderia funcionar propriamente como pessoa, muito menos como esposa.

Estava confusa. Deu um gole do café, enquanto sentia lágrimas queimando em seus olhos. Edward não merecia uma pessoa perturbada como ela. E ele não se divorciaria. Assumira um compromisso e não voltaria atrás... esse era o tipo de homem que ele era. Portanto, dependia de Isabella terminar o relacionamento e deixá-lo livre para encontrar felicidade no futuro com alguém igual a ele... algo que ela nunca sentira ser.

Quando a mão de Edward lhe moveu o rosto, de modo que ela o encarasse, era tarde demais para conter as lágrimas. Ele estudou-a por um longo momento.

– Vai ficar tudo bem. – Um polegar quente secou a umidade em volta de seus olhos. – Agora que você está comigo outra vez, tudo entrará no lugar.

Ela meneou a cabeça.

– Não, Edward. Isso não vai acontecer. - Ele olhou-a com seriedade.

– Realmente acha que suas cicatrizes terão algum impacto no meu amor por você? Além de aumentar minha admiração pelo jeito que você lutou para superar seus ferimentos? Quão superficial acha que eu sou?

– Eu não acho você superficial. – Isabella engoliu em seco. – E cheguei à conclusão que isso é sobre mim, não sobre você. Eu nunca deveria ter me casado com você... Não até que me conhecesse. Não até que entendesse onde estavam os meus problemas.

O semblante de Edward era inexpressivo.

– E você se conhece agora?

– Estou começando a me conhecer. E não tinha percebido como eu era louca.

– Não, não louca. – A voz dele era calma. – Apenas vulnerável e insegura. Você sempre foi essas coisas, Bella. Não é surpresa para mim. Você também é corajosa, doce e generosa, com o coração mais mole do que qualquer pessoa que eu conheço. Suas qualidades são muito maiores do que seus defeitos. Se você vai analisar a si mesma, faça isso propriamente.

– Você acha que me conhece tão bem?

– Eu sei que a conheço. – O sorriso de Edward foi quase pensativo.

– Você é muito seguro de si, não é?

– Tenho de ser – replicou ele. – Para o seu bem e para o meu. O acidente trouxe assuntos à tona, os quais teriam sido trabalhados lentamente, ao longo dos anos, se não tivesse acontecido. Mas aconteceu. E talvez tenha sido melhor.

Ela o fitou muito magoada.

– Como pode dizer isso? – Acusou-o, a agonia física e mental que sofrera nos últimos meses inundando-a agora. – Eu perdi tudo pelo que lutei minha vida inteira.

O rosto de Edward enrijeceu, mas a voz ainda era calma e controlada quando ele disse:

– Não, Bella. Você perdeu a habilidade de dançar como dançou um dia. Isso lhe foi tirado. Porém nada mais. Ainda pode ver, ouvir, sentir e tocar. Sua mente não foi danificada, seu intelecto está intacto, e você pode tomar decisões sobre onde quer ir e o que quer fazer, e realizá-las sem depender de outros para se mover ou andar. Há muitas pessoas... algumas naquele hospital que você deixou... que dariam dez anos de suas vidas somente por isso. Você tem tudo.

Raiva substituiu a mágoa.

– Você está me acusando de auto piedade?

Ele fitou-a com aqueles intensos olhos verdes.

– Suas palavras, não minhas. – As luzes começaram a diminuir, e ele recostou-se em seu assento, a fisionomia inescrutável.

Isabella mal ouviu a orquestra recomeçar. Olhou para o palco, lutando contra lágrimas zangadas e dizendo a si mesma que o odiava. Como Edward ousava lhe dizer isso, depois de tudo que ela enfrentara? Ele não entendia como o acidente mudara sua vida? Não se importava? Ela estivera certa em insistir no divórcio.

A cortina subiu, mas levou alguns minutos antes que Isabella conseguisse se concentrar no drama acontecendo no palco. O drama em sua própria vida era grande. Podia sentir os olhos de Edward sobre si, mas não o fitou nem uma única vez.

A raiva passou após algum tempo, e uma vozinha insistente em sua cabeça lhe disse que Edward estava certo. Certo, porém cruel e insensível, pensou ela amargamente. Como ele podia dizer que a amava e falar com ela desse jeito?

Levaram mais vinte minutos antes que Isabella reconhecesse que Edward dissera o que ninguém mais ousaria dizer porque sentira que ela precisava ouvir aquilo. Ele era sempre honesto e direto. Era apenas que tal honestidade dolorosa nunca tinha sido dirigida a ela, antes... ou não com tanta severidade pelo menos. De qualquer forma, se aquilo era amor, ela não o queria.

No momento que a peça acabou e a plateia aplaudiu satisfeita, Isabella sentia-se um trapo. Se tivesse passado vinte sessões com um terapeuta, não estaria mais exausta ou emocionalmente drenada, pensou quando as luzes se acenderam e as pessoas começaram a se levantar. Era como se, nas últimas horas, desde que ela saíra do hospital, a porta de sua mente, onde todos os seus medos e inseguranças estavam trancados, tivesse se aberto, e Isabella precisasse lidar com tudo de uma vez só. Que véspera de Natal, refletiu com tristeza.

Ela devia ter demonstrado como se sentia, porque a voz de Edward era genuinamente preocupada, quando ele falou:

– Nós podemos desistir de jantar fora e pedir serviço de quarto quando chegarmos ao hotel se você preferir? É provavelmente mais sensato com este tempo.

Isabella assentiu. O pensamento da intimidade na suíte do hotel era assustador, mas ela tornava-se desajeitada quando estava cansada, e qualquer coisa era preferível a mostrar mais da sua falta de graça.

– Sim, eu prefiro.

Ele beijou-a gentilmente, e ela não teve energia para protestar.

– Vamos para casa – murmurou Edward suavemente.

Seu corpo estava rígido quando ela se levantou do assento, e concentrar-se em andar da melhor maneira possível ajudou a aliviar o nó em sua garganta. Eles haviam acabado de sair do camarote, quando Edward envolveu-a nos braços e beijou-a novamente. Foi um beijo confiante e doce, e dedos fortes massagearam a base de sua coluna, enquanto a boca dele fazia sua mágica.

Isabella estava ofegante e trêmula quando ele afastou a boca da sua, os olhos verdes sorrindo-lhe.

– Meu tipo de fisioterapia – murmurou ele, as feições sombreadas na luz fraca do corredor, onde eles estavam parados. – E é muito exclusiva.

Uma risada inesperada escapou da garganta de Isabella.

– Você tem o diploma faz tempo?

– Eu sou novato – admitiu ele. – Preciso de muita prática. – Edward lhe traçou os lábios com um dedo. – Prática faz a perfeição. Não é o que dizem?

Com a boca seca, Isabella esforçou-se para continuar sorrindo.

– Certamente, há alguma verdade nisso. – Ela afastou-se dos braços fortes. – Nós seremos os últimos a sair do teatro se não tomarmos cuidados.

Edward sorriu.

– Tudo bem para mim.

Para ela também. A última coisa que queria era trocar palavras educadas com mais "Tanya's". O problema de Edward ser tão famoso era que, para qualquer lugar que eles fossem, ele era reconhecido por alguém. Não que ele pudesse evitar aquilo. E não importara no passado. Agora era diferente.

– Eu não gosto de ser a última para nada – replicou ela, determinada a não se entregar a outro abraço, e quando Edward pegou-lhe o braço e conduziu-a para a escada, ela soube que ele entendera sua insinuação nada sutil.

O táxi que Edward chamara para levá-los ao restaurante estava aguardando, quando eles saíram do teatro, o frio roubou o fôlego de Isabella. Ele aconchegou-a junto a si, enquanto eles andavam na calçada, ajudando-a a entrar no táxi e dando ao motorista o novo endereço de destino deles, antes de se acomodar ao seu lado. Então, puxou a cabeça dela para seu ombro largo, e Isabella estava muito cansada e abalada emocionalmente para protestar.

– Véspera de Natal – ele murmurou acima de sua cabeça. – Sua noite favorita. A noite dos milagres.

Então ele lembrava. Isabella lhe contara, no primeiro Natal que eles tinham passado juntos, que a véspera do Natal sempre era especial para ela, de um jeito que não sabia explicar. Durante sua infância solitária, e adolescência ainda mais solitária, o dia contivera uma mágica elusiva que suas circunstâncias não podiam dissipar ou negar. Parecia um momento para milagres, a restauração de sonhos perdidos, esperanças e aspirações, e ela nunca deixara de ser afetada por tais sentimentos.

Exceto esta noite. Esta noite, Isabella estava oprimida pela realidade, sem expectativa ou crença de que havia luz no fim daquele túnel em particular. Simplesmente não acreditava que não estragaria o que eles tiveram se ficasse com Edward. Seria impossível viver com dúvida e incerteza, com medo de que o relacionamento deles se tornasse amargo, e Edward fosse atraído para os braços de outra mulher. Uma mulher linda e graciosa, que fosse inteira e feliz. Uma garota que pudesse corresponder ao amor dele com todo o coração.

Hoje seria a última noite dos dois, juntos. De alguma maneira, Isabella escaparia no dia seguinte, encontraria algum lugar... qualquer lugar... para ficar. Tinha duas ou três amigas que moravam na região. Uma delas a recolheria. Dia de Natal não era o melhor momento para aparecer na casa de alguém, mas Isabella não podia evitar isso. Precisava fugir de Edward. Precisava fazê-lo entender. Edward não era para ela. E Isabella não acreditava mais em milagres.


Boa tarde, meninas!

Nossa amada Tanya apareceu neste capítulo, mas calma, foi apenas uma participação, ela não aparecerá e não será mencionada mais na história. O próximo capítulo vai nos ajudar a aquecer nesse frio...

arqdayse: Muuuuito obrigada pelo carinho e pelas reviews, de verdade, fico muito agradecida e feliz. No próximo capítulo a muralha da Bella vai dar uma ruída. Beijosssss :***

Até amanhã!